Baú de Miudezas, Sol e Chuva

Baú de Miudezas, Sol e Chuva
A prosadora, como gosta de se definir, Cidinha da Silva apresenta ao público mais um fruto de sua profícua carreira de escritora, iniciada em 2006. Desde então, são oito livros, contando com este último, que passeiam por contos, textos opinativos, crônicas, narrativas infantis.... E são sobretudo crônicas, ou, como percebe o olhar aguçado da prefaciadora Grace Passô, “poesia transfigurada em crônicas”, que formam o consistente recheio de Baú de Miudezas, Sol e Chuva, lançamento da Mazza Edições, mesma editora na qual Cidinha da Silva começou sua trilha literária. O interior de Baú guarda 41 miudezas, e não por serem as crônicas, em sua maioria, pequenas em tamanho. Miudezas em função de outra acepção que esta palavra encerra: delicadeza. Essa qualidade Cidinha da Silva emprega em todos os textos, mesmo quando se trata de abordar temas nem sempre tão digeríveis, como amores frustrados, relacionamentos interrompidos ou a busca de liberdade para o amor homoafetivo. Aliás, Baú de Miudezas, Sol e Chuva escancara o amor, com todas as letras e lágrimas e sorrisos que costumam acompanhá-lo. Não há o que se estranhar, afinal, a autora é, declaradamente, uma amante, isto é, alguém que ama “grande” e se incomoda com aquele tipo de amor que se manifesta “apenas na parte interna da orelha dos livros”, como revela a crônica Memória. Sua poética arquetípica dos Orixás impregna sentimentos e personagens, são testemunho do coração livre e libertário de Cidinha da Silva. Como todo bom/boa cronista, Cidinha da Silva se alimenta, principalmente, do cotidiano, e mais ainda, dos pequenos fatos do cotidiano, a cuja narração empresta leveza, humor e subversão. Baú de Miudezas, Sol e Chuva é daquelas arcas que dão prazer abrir e contemplar os simples e pequenos tesouros que guarda. Mas, que o leitor não se engane, a literatura de Cidinha é “suave como o pássaro que controla o próprio voo”, é prosa poética refinada, corta e perfura tal qual lâmina de adaga.

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30 de mar de 2009

Beatriz Nascimento no "É tudo verdade"

( Beatriz Nascimento por Alex Ratts). "Maria Beatriz Nascimento (1942-1995) é intelectual ativista negra contemporânea de Eduardo Oliveira e Oliveira, Lélia Gonzalez, e Hamilton Cardoso. Nasceu em Aracaju, Sergipe e, no final da década de 1940, migrou com a família para o Rio de Janeiro. Em 1971 graduou-se em história pela UFRJ. Esteve à frente da criação do Grupo de Trabalho André Rebouças, em 1974, na Universidade Federal Fluminense (UFF), compartilhando com estudantes negros/as universitários/as do Rio e São Paulo a discussão da temática racial na academia e na educação em geral, a exemplo da Quinzena do Negro realizada na USP em 1977. Concluiu a Pós-graduação lato sensu em História na Universidade Federal Fluminense, em 1981, com a pesquisa Sistemas alternativos organizados pelos negros: dos quilombos às favelas. Seu trabalho mais conhecido e de maior circulação trata-se da autoria e narração dos textos do o f1lme Ori (1989, 131 min), dirigido pela socióloga e cineasta Raquel Gerber. Essa película documenta os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, passando pela relação entre Brasil e África, tendo o quilombo como idéia central e apresentando, dentre seus fios condutores, parte da história pessoal de Beatriz Nascimento. Através dessa participação percebe-se outra face de suas atividades: a poesia. Ao longo de vinte anos, tornou-se estudiosa das temáticas do racismo e dos quilombos, abordando ainda a correlação entre corporeidade negra e espaço e as experiências de longos deslocamentos socioespaciais de africanos/as e descendentes, por meio das noções de “transmigração” e “transatlanticidade”. Seus artigos foram publicados em periódicos como Revista de Cultura Vozes, Estudos Afro-Asiáticos e Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Isto é, Jornal Maioria Falante e Última Hora. Há também registros dela em entrevistas a jornais e revistas de grande circulação nacional a exemplo do Suplemento Folhetim da Folha de São Paulo, Revista Manchete, além de ensaios e poemas inéditos".

28 de mar de 2009

Partido Do Tempo

(Composição de Wilson das Neves, disponível no CD "O som sagrado de Wilson das Neves"). Eu perguntei ao tempo/ Quanto tempo eu tenho/ Pra passar o tempo/ O tempo me respondeu/ Deixo o tempo passar/ Você tem muito tempo/ Das Neves, você tem muito tempo/ Quem pensa no tempo também perde tempo,/ Das Neves, você tem muito tempo,/ Pois é dá um tempo,/ Que o tempo é pra já. (2x)/ Quem diz todo o tempo/ Que o tempo é dinheiro/ Não tem passa-tempo/ Nenhum tempo afora/ Pra se ter bom tempo/ Tem que ter tempero/ Não põe contra-tempo/ Que o tempo piora/ O tempo procura/ Não ter tempo quente/ Pra fechar o tempo/ Hoje o tempo demora/ Os tempos mudaram,/ Pois já foi-se o tempo/ Da temperatura dos tempos de outrora/ Ninguém ganha tempo/ Que o tempo é momento/ Do temperamento do tempo de agora/ O tempo só quer/ Que se dê tempo ao tempo/ Que tudo do tempo chega a tempo e hora/ Das Neves, você tem muito tempo/ Quem pensa no tempo também perde tempo,/ Das Neves, você tem muito tempo/ Pois é dá um tempo,/ Que o tempo é pra já.

27 de mar de 2009

Jovelina, uma pérola negra

(Por Euclides Amaral, do Na Pavuna - lona cultural). "Jovelina Faria Belfort, mais conhecida como Jovelina Pérola Negra, nasceu em 21 de julho de 1944, no Rio de Janeiro. Cantora e compositora morou nos bairros da Pechincha e Pavuna, ambos subúrbios do Rio de Janeiro. Trabalhou como empregada doméstica e integrou a Ala das Baianas do Império Serrano. Partideira, frequentou, ao lado de Jorginho do Império e Roberto Ribeiro, o Botequim da Escola da Serrinha. No início da década de 1980, ao lado de Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Beto Sem Braço, Ana Clara, Fundo de Quintal, Deni de Lima, entre muitos outros, participou do Pagode da Tamarineira, do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos. Desta geração de sambistas surgiu o que se convencionou chamar "Pagode carioca", com tradição musical mais ligada ao partido-alto. Em 1985, ao lado de Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, Pedrinho da Flor e Elaine Machado, participou da coletânea "Raça brasileira", lançada pela RGE, na qual interpretou duas composições que viriam a ser seus primeiros sucessos: "Bagaço da Laranja" (c/ Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho), cantada em dueto com Zeca Pagodinho, e "Feirinha da Pavuna" (Confusão de legumes), composição de sua autoria. Neste mesmo ano lançou o primeiro disco solo, do qual se destacaram "Pagode no Serrado" (Marquinhos Pagodeiro e Zeca Sereno); "Boogie-woogie da favela" (Serginho Meriti) e o grande sucesso do LP, a faixa "Menina você bebeu", de autoria de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Beto Sem Braço. Ainda neste disco foram incluídas de sua autoria "Preparado da vovó" (c/ Zeca Sereno e Tatão), "É isso que eu mereço" (c/ Zeca Sereno) e "Água de poço". No ano seguinte, pela gravadora Som Livre, foi lançado o LP "A arte do encontro" reunindo Dona Ivone Lara e Jovelina Pérola Negra. Em 1987, pela RGE, gravou o LP "Luz do repente". No disco foram incluídas "Conselho de vizinho" (Arlindo Cruz e Sombrinha), "Calango no morro" (Beto Sem Braço e Paulo Vizinho), "Filosofia de bar" (Everaldo da Viola), "Sem amor sou ninguém" (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho) e "Banho de felicidade", de autoria de Adalto Magalha e Wilson Moreira, que se destacou como o grande sucesso do disco, no qual também foi incluída, de sua autoria, a composição "Mistura". No ano de 1988 gravou o LP "Sorriso aberto", disco do qual se destacaram as faixas "Falso malandro" (Adilson Bispo e Zé Roberto), a faixa-título "Sorriso aberto" (Guará) e "Não tem embaraço", de sua autoria em parceria com Carlito Cavalcanti. No ano seguinte, pelas RGE, lançou "Amigos chegados", no qual incluiu de sua autoria "Poeta do morro" e "Comunhão de bens", ambas em parceria com Carlito Cavalcanti, além da faixa-título "Amigos chegados", de autoria de Luizinho e Arlindo Cruz. Em 1991 gravou o CD "Sangue bom", no qual interpretou "No mesmo manto" (Beto Corrêa e Lúcio Curvelo), "Confusão na horta" (Adilson Bispo, Zé Roberto e Simões PQD), "Sarau" (Beto Corrêa e Beto Sem Braço) e a faixa-título de Beto Corrêa e Lúcio Curvelo. Em 1993 no CD "Vou na fé" interpretou, entre outras, "Vai na fé" (Agnaldo, Jorge Carioca e Marquinho PQD), "Malandro também chora" (Mauro Diniz), "O que é, o que é?" (Arlindo Cruz e Franco), "Flor esmaecida" (Toco da Mocidade) e de sua autoria "Peruca de touro" (c/ Carlito Cavalcanti) e "Águas de cachoeira" (c/ Labre e Carlito Cavalcanti). Em 1996 lançou o último disco "Samba de guerreiro", no qual interpretou, entre outras, "Samba guerreiro" (Toninho Geraes e Sérgio Beagá), "No meu barraco" (Sombra, Franco e Sombrinha), "A dança do caxambu" (Jorge Zagaia e Xangô da Mangueira) e de sua autoria "Feirinha sem confusão", em parceria com Marco Aurélio. Entre 1985 e 1996 gravou nove discos, sendo dois deles, uma coletânea (“Raça Brasileira”, 1985) e (“Arte do encontro”, 1986, com Dona Ivone Lara). Sua morte repentina em 2 de novembro de 1998 chocou o mundo do samba, ocasião em que, mais uma vez, foi reconhecida como a herdeira musical de Clementina de Jesus e a melhor partideira carioca, apenas comparada a Aniceto do Império, Deni de Lima, Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz. No ano 2000, pela coleção "Bambas do samba", a gravadora Som Livre relançou seis de seus discos de carreira e ainda a coletânea "Pérolas - Jovelina Pérola Negra". No disco foram reunidos alguns de seus maiores sucessos, entre os quais "Luz do repente" (Marquinho PQD e Arlindo Cruz e Franco), "Banho de felicidade" (Adalto Magalha e Wilson Moreira), "Menina você bebeu" (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Beto Sem Braço), "Sorriso aberto" (Guará), "Feirinha da Pavuna" (Jovelina Pérola Negra), "Pagode no serrado" (Marquinhos Pagodeiro e Zeca Pagodinho), "Bagaço da laranja" (Jovelina Pérola Negra, Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho) e "Peruca de touro", de sua autoria em parceria com Carlito Cavalcante. Sua filha Cassiana seguiu a carreira de cantora, sendo considerada uma das revelações do samba carioca em 2005, na ocasião do lançamento do disco "Raça Brasileira 20 anos - O verdadeiro pagode", disco do qual participou. Em 2006 Maria Bethânia interpretou a composição "Água de cachoeira" (c/ Labre e Carlito Cavalcante) no disco "Pirata". No ano de 2007 foi lançado pela gravadora Som Livre o disco "Jovelina Pérola Negra duetos - É isso que eu mereço". No CD, um tributo à cantora e compositora, vários convidados gravaram em dueto póstumo seus maiores sucessos, destacando-se as participações de Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho nas faixas "Luz do repente" (Arlindo Cruz, Franco e Marquinho PQD), "Feirinha da Pavuna" (Jovelina Pérola Negra) e "Bagaço da laranja" (Jovelina Pérola Negra, Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz); Fundo de Quintal em "Banho de felicidade" (Adalto Magalha e Wilson Moreira); Almir Guineto em "Menina você bebeu" (Arlindo Cruz, Beto Sem Braço e Acyr Marques); Beth Carvalho na faixa "Sonho juvenil" (Guará da Empresa); Ana Costa, Juliana Diniz e Márcia Vegas em "Sorriso aberto" (Guará da Empresa); Marcelo D2 na faixa "Catatau" (Guará da Empresa); Zélia Duncan em "Laços e pedaços" (Wilson Moreira e Nei Lopes); Alcione em "Liberdade plena"; Leci Brandão na faixa "No mesmo manto"; Cassiana e Kamilla, filha e neta de Jovelina gravaram a faixa-título "É isso que eu mereço" (Jovelina Pérola Negra e Zeca Sereno); Seu Jorge em "Filosofia de bar" e Jorge Aragão na faixa "O dia se zangou", de Mauro Diniz e Ratinho, além do grupo Revelação, entre outros dos 17 convidados para o CD. Em 2009 a secretária Municipal de Cultura Jandira Feghali e o prefeito Eduardo Paes se reuniram com a comunidade de Pavuna e visitaram a Praça Ênio, local onde será construída a Lona Cultural Jovelina Pérola Negra. Com projeto do arquiteto e subsecretário de Cultura, Washington Fajardo, a lona trará um novo conceito para as construções desse tipo, até então apoiadas em modelos transitórios com armação de lona, que com o tempo se degradam facilmente. Para a Lona Jovelina Pérola Negra a construção será permanente e fará uso de conceitos de ecoprédios (telhado verde). A obra, segundo o projeto, terá três mil metros quadrados de área construída e poderá recepcionar 400 pessoas sentadas e mais 300 em pé. Segundo a secretária: “No teto, haverá um gramado com telescópios do Planetário da Gávea que vai permitir às pessoas observarem o céu. Em todos os acessos vão ter rampas para deficientes. Na parte externa, vamos colocar uma estrutura para uma tela de cinema, em que o público pode ocupar a praça e assistir filmes a céu aberto”. Com o projeto já finalizado, a comunidade começou as discussões sobre o modelo de gestão da futura lona cultural, mobilizando também artistas locais, principalmente do grupo cultural “Na Pavuna”, integrado pela cantora Namay Mendes, os cantores e compositores Marko Andrade e Rubem Santana, Júnior e Jovem Cerebral, ambos da banda de hip-hop Stereo Maracanã, Deley de Acari e o poeta Lúcio Celso Pinheiro, além do escritor Mariel Reis. Das muitas estórias sobre Jovelina Pérola Negra, principalmente dos seus palavrões e de seu bom humor, uma delas é muito famosa nas rodas de samba do Rio de Janeiro. A cantora estava fazendo uma temporada de shows no Teatro João Caetano e pediu um adiantamento. Quando lhe falaram que o valor seria posto no seu borderô ela respondeu: "Ninguém põe no meu borderô! Nem meu marido! Tá pensando que é assim?".

26 de mar de 2009

Sobre os textos autorais

Tenho tido dificuldades para produzir textos autorais dirigidos ao blogue. Os motivos são vários:a falta de tempo, o excesso de assuntos, de trabalho e de (pre)ocupações. Quando estou envolvida com número menor de coisas sei melhor o que escrever. Começando dos últimos acontecimentos para os primeiros, estou em tratativas com uma nova editora, que é também uma editora nova, recém-nascida, para publicação de um livro de histórias curtas a no segundo semestre, em companhia de autores fantásticos. Tivemos a primeira reunião e fiquei bem impressionada, principalmente pelo respeito dispensado aos autores, que recebem adiantamento para escrever e pela proposta de preços populares para as obras, o que as fará chegar a quem usualmente não as podia comprar. Assim que assinar o contrato e tiver detalhes divulgáveis, posto aqui no blogue. Outra novidade é que deve sair até o fim do primeiro semestre, coletânea de prosadores negros, organizada pelo escritor Luiz Ruffato, chama-se “Questão de pele” (Língua Geral). A despeito das reservas ao título clichê, estou profundamente honrada, feliz e grata por ver meu querido “Dublê de Ogum” ao lado de textos do Machado e Lima Barreto. O que mais? Assisti uns filmes africanos realizados em Moçambique, Cabo Verde e Angola, alguns deles, produzidos por mulheres. Na maioria, as discussões de gênero na África contemporânea preponderam. Passei dez dias de férias em Belém e aproveitei para reler dois livros do Milton Hatoum – “Dois irmãos”, o predileto, e “Relato de um certo oriente”. Há muito queria conhecer as plantas e flores descritas na paisagem amazônica dos livros dele e também saber o significado das expressões regionais que não encontrei nos dicionários, quando da primeira leitura. O acontecimento mais marcante deste início de 2009, entretanto, foi a conclusão, no mês de fevereiro, de minha primeira novela juvenil. Assim que dei por encerradas as infindáveis leituras críticas e revisões, apresentei o livro à editora e para minha surpresa e frustração, ele foi recusado. Perdi o chão e demorei um bom par de semanas para me reerguer. A recuperação começou com o encontro da terra firme e árida da reescritura, das leituras críticas (outra vez) para detectar e reconstruir os trechos mal resolvidos; da atenção redobrada para não perder minhas convicções e, simultaneamente, deixar a alma aberta para aceitar o que realmente merece ser revisto. Dureza! No mais, li um pouco de poesia, alguma crônica e um romancista do Sudão, falecido recentemente, Tayeb Salih. Numa passagem por São Paulo, tive chance, pela primeira vez, de conversar longamente com a Érica Peçanha, estudiosa da literatura marginal ou periférica. Foi ótimo! Aprendi muita coisa nova e revi percepções antigas, incompletas, ingênuas, até. O papo desconstruiu umas tantas certezas e agora é encontrar respostas para as novas perguntas. Gracías, Érica, pela foto ao lado tirada no Sarau do Elo da Corrente também. Neste mesmo Sarau recebi seis livros das mãos do amigo Michel da Silva, a saber: “Vôo de primeira classe”, de U.F. e J. RMC; “Fragmentos noturnos”, de Claudeni dos Santos; “Prosas de buteco”, de Cláudio Santista e Paulinho Bispo; ”Caminhos e emoções”, poemas de Alice Rodrigues; “Cordéis e poesias para cantar”, de João Nascimento dos Santos e a antologia “Prosa e poesia periférica”, organizada pelo Michel e pela Raquel Almeida. Muito agradecida fiquei pelos presentes. Espero conseguir me fazer presente de maneira mais autoral no blogue, Oxalá o tempo permita.

Fabiana Cozza em Brasília

25 de mar de 2009

White power

O Rique Aleixo publicou um poema do poeta francês Antonin Artaud no Jaguadarte, como preâmbulo aos próprios comentários críticos sobre as incursões racistas do Papa Bento XVI em África, principalmente em Angola. (Por Rique Aleixo)(...) Neste momento em que o Vaticano dá, mundo afora, novas e alarmantes demonstrações de sua inabalável força destrutiva. Ou vocês ainda não sabem que Bento 16 teve a pachorra de, durante missa para 1 milhão de pessoas em Angola (“Folha de S. Paulo” de ontem, 23/03), investir contra o que ele chamou de “etnocentrismo e particularismo excessivos” dos africanos? De acordo com o papa, o “tribalismo” seria, junto com “a guerra e as rivalidades entre diferentes etnias", o responsável "pela pobreza e pela injustiça social na África". Durma-se com um barulho desses: o Vaticano, há séculos, impõe seus dogmas em todos os quadrantes do mundo, faz tabula rasa da razão e dos princípios básicos do humanismo, apóia ditaduras sanguinárias, silencia diante de tragédias como a devastação do meio ambiente, retoma a prática da excomunhão, condena a camisinha como forma de combate à proliferação da Aids (Bento 16 bateu de novo nessa tecla anteontem, em Luanda) e os africanos é que são ”etnocêntricos”? Eu, que fui comedor de hóstia na infância, e que serei eternamente grato por ter encontrado, no início dos anos 80, na ala da igreja denominada Teologia da Libertação, a dimensão dialógica a partir da qual pude dar forma e substância ao meu projeto pessoal de participação política – naquele tempo histórico específico –, só posso, diante de um criminoso como o poderoso chefão dos católicos, transformar em refrão um fragmento da carta de Antonin Artaud: “Papa, Cachorro”.

Literatura Periférica na Global!

24 de mar de 2009

Seminário: Mulher na Capoeira “Tem Dendê na Roda”

"O Instituto Nzinga de Capoeira Angola convida todas e todos para o evento Mulher na Capoeira: "Tem Dendê na Roda", que tem a finalidade de discutir as formas de violência enfrentadas pela mulher no contexto da capoeira, bem como os desafios e caminhos que a capoeira pode assumir para integrar de maneira respeitosa e qualificada a presença da mulher, operando as suas especificidades políticas como sendo da própria capoeira. Neste sentido, o referido seminário se inscreve na dinâmica das estratégias de empoderamento e formação da autonomia entre as mulheres capoeiristas, estimulando a sua participação política nas organizações e organismos de mulheres, como também no enfrentamento às formas de violência contra as mulheres que, neste caso, se faz através da parceria com a Secretaria de promoção da Igualdade, no projeto “Tem Dendê na Roda!” de popularização da Lei Maria da Penha". PROGRAMAÇÃO: SEMINÁRIO - Dia: 27/04 às 19h. Local: CDCN - Rua do Paço, 42 - Santo Antonio. RODA DE CAPOEIRA - Dia: 28/04 às 16h. Local: Memorial das Baianas de Acarajé - Cruz Caída - Praça da Sé. Contatos: (71) 99188961 - Lígia Vilas Bôas

Coletivoz em entrevista ao Favela é Isso Aí, em Belo Horizonte

O projeto Coletivoz surge em 2008 a partir da criação da Cooperifa - Cooperativa dos Poetas das Periferias, realizada em São Paulo, cujo o idealizador é o poeta Sérgio Vaz. A idéia é a realização de saraus com a participação de autores e moradores da periferia, sujeitos geralmente excluídos do processo de produção literária no país. Em Minas Gerais, o idealizador do projeto Coletivoz é Rogério Coelho. “Sempre tive a idéia de manter uma ação que fosse permanente no bairro e quando conheci a Cooperifa, achei uma ótima alternativa, principalmente por que me chamava pelo lado literário”, conta. Rogério estudava a literatura de Férrez em um projeto de iniciação cientifica, cujo tema era “Linguagem, Território e Inclusão Social na Literatura Marginal de Férrez”, “a partir disso, direcionei o plano de dissertação de mestrado para a literatura marginal, tema que eu aprofundava mais sob a questão dos objetos que permeiam as relações sociais na literatura marginal/periférica. Porém, não foi apenas a dimensão acadêmica que me fez pensar no sarau de periferia”. A Falta de espaço e de oportunidade de circulação também motivaram Rogério Coelho na produção do Coletivoz. “Poeta de fundo de gaveta”, como o próprio se denomina, ele buscava mais do que compartilhar suas poesias apenas com os amigos. “Decidi unir a necessidade de dar voz à periferia, assim como conhecer a produção cultural das margens de BH, com o prazer de ter encontro marcado com os poemas toda semana”. A partir daí Rogério juntou-se com algumas pessoas ou como ele mesmo diz a alguns articuladores, que “são de extrema importância para a criação e continuidade da Coletivoz”. Literatura Marginal. Segundo a pesquisadora, Érica Peçanha do Nascimento, no artigo “Por uma interpretação sócio-antropológica da nova literatura marginal”, no Brasil o termo “literatura marginal” surge nos anos 70 quando no calor da ditadura, artistas buscam novas estratégias de circulação de textos fora do circuito editorial, com o objetivo de tentar burlar a censura. Estes artistas e poetas passam então a expor seus textos em locais alternativos como muros, portões, postes, camisetas ou em folhetos que eles mesmos imprimiam. Subvertendo os padrões, eles produziam, divulgavam e faziam circular o seu produto, sem o apoio de grandes marcas e sem passar pela repreensão. É o que afirma a pesquisadora. Por volta do final dos anos 90 houve uma ressignificação do termo “literatura marginal” que passou a ser usado para designar uma série de escritores com perfil socioeconômico semelhante. “Ganhando” pessoas a partir da palavra. O acesso a equipamentos culturais é um dilema que envolve diretamente as periferias e seus moradores. Rogério acredita que em cada sarau realizado ganha-se uma pessoa com a poesia. “Sinto que as pessoas da região estão começando a entender que a cultura não está lá no centro ou em outro lugar, mas sim que elas estão, acima de tudo, participando de um movimento cultural”. Rogério também acredita que “a literatura para um país como o Brasil, infelizmente, ainda é vista como artigo de luxo (e os poetas marginais louvam o trocadilho: “é artigo de lixo mesmo”). O sistema público de educação se esforça para entregar o básico, que exclui diretamente a literatura. Hoje a escola tem de combater a violência antes de combater a educação de má qualidade”. Poder público e políticas de incentivo à leitura. Ao ser questionado sobre como ele percebe os programas de incentivo à leitura Rogério acredita que ainda existe um certo descaso. “Conheço várias pessoas/grupos que já realizam trabalhos culturais na comunidade há mais de 25 anos e ainda nem sabem o que é uma lei de incentivo”. Rap: poesia musicada da periferia. Rogério acredita que o rap deve ser considerado um gênero poético contemporâneo. Segundo o pesquisador “toda a juventude do Rap está ainda muito tímida no fazer poético, alguns ainda não sabem que o que fazem é pura poesia! Em São Paulo na Cooperifa vimos muitos rappers recitando no sarau. Sempre vou aos movimentos de Rap para falar da importância dessa voz. Há muitos poetas marginais de grande potência na periferia, porém ainda sem algum trabalho concreto ou perspectiva de algum tipo de publicação”. Ele ainda afirma que “o rap das periferias de BH é a própria cara da poesia periférica. Aquela que grita contra todo o tipo de descaso público e injustiças. Sempre digo que a periferia cresce em proporções extremas, tanto com os problemas quanto com as possibilidades de ressurgir deles através de uma voz diferente”. Aonde, quando? O Coletivoz é realizado as quartas-feiras, a partir das oito horas da noite, no bar do Zé Herculano que fica na esquina das ruas Carmelita Coelho da Rocha com Carminha Guimarães, no bairro Independência, no Barreiro". Sugestão de fontes: 1. Rogério Coelho – idealizador do Coletivoz Contato: 8705-5890 Acesse: www.coletivoz.blogspot.com

23 de mar de 2009

Novidades no sítio da Edições Toró

www.edicoestoro.net "RECITAIS: A singela malandragem, a revolta e a pimenteira dos versos de Akins Kinte, mais o brio, a coberta e as surpresas da Poesia de Elizandra Souza. Com suas vozes, sotaques, ênfase, reticências e exclamações. Com poemas do livro PUNGA e mais inéditos. PESQUISAS: Trazemos as NOSSAS pesquisas na quilombagem da universidade pública, de um povo que não se finca na ilha ou no gabinete pra matutar a experiência e atiçar a ciência: A dissertação de mestrado de Mei Hua, que vem da Vila Cruz das Almas, fundos da zona norte, com o trabalho de pesquisa e prática “A Literatura Periférica na Escola”, apresentado na Faculdade de Educação da USP, em janeiro de 2009. O trabalho de mestrado de Érica Peçanha do Nascimento, quilombela do Jaraguá, que apresentou em 2006 na pós-graduação da Ciências Sociais da USP a dissertação “ Literatura Marginal: Os escritores da periferia entram em cena” E o trabalho de mestrado de Allan da Rosa, pesquisa e prática a ser defendida agora em 02 de abril na Faculdade de Educação da USP, intitulada “Imaginário, Corpo e caneta: Matriz Afro-brasileira em Educação de Jovens e Adultos”. ENTREVISTAS: Movimento Hip Hop e Cinema são os dois temas deste março, cada um com três entrevistados (...) Os entrevistados são Gaspar (Záfrica Brasil), Tiely Queen (HipHopMulher), Mateus Subverso (Posse Suatitude – Edições Toró), Rogério Pixote (Cine Becos e Vielas, diretor de “Dois meses e 23 minutos”, “Laroiê” e “Tá me ouvivendo bem?”), Daniel Fagundes (Integrante do NCA, Núcleo de Comunicação Alternativa, co-diretor de “Videolência”, diretor de “Cosmolho” e “Sonho de Várzea”) e Luiz Barata ( Educador em Cinema e Vídeo, trabalha atualmente na entidade Ação Educativa) É isso aí. Pode sintonizar ou saquear e encher a bolsa digital". Veja trechos das entrevistas: CINEMA PERIFÉRICO: Daniel Fagundes: “Nós passamos pelas oficinas das ONG´s que vieram aqui na quebrada e falaram: ‘vamo colocar uma câmera na mão dos moleques’, e depois acaba o patrocínio e os caras falam tchau, dão um tapinha nas suas costas e já era” (...) “Eu comecei a fazer vídeo-arte justamente pra ver o quanto a estética é política, mano. Pra discutir o quanto a viagem da montagem, do uso da luz, pode dizer muito mais do que ficar escancarando a ferida que já tá escancarada todo dia na mídia. Buscamos reinventar o modelo, e o que esses caras menos querem é que a gente reinvente a roda.”(...) “ No ‘videolência’ pegamos uma pá de gente que tá filmando e que mora nas quebradas e perguntamos: ‘E aí? Em que medida a gente reproduz o que tá na TV?” (...)” E o quanto você experimenta cai também no limite da circulação. O que a gente produz tem a necessidade de ter uma ligação com as pessoas que vão assistir. Nossa sala de cinema primordial é o escadão, é a vielinha, o campinho. E a gente sabe que exibir nesses nossos lugares é a necessidade de encontro das pessoas, com o áudio-visual e com elas mesmas (...) Porém, se a legitimar o escadão como a nossa sala de cinema nós nunca vamos ter uma sala de cinema, confortável, que a gente também tem esse direito”(...) “A produção que a gente faz não tira o espectador da idéia de realidade”. Rogério Pixote fala do documentário “2 meses e 23 minutos”, sobre o acampamento do MTST, aqui em Itapecerica: “O baguio batia na minha janela, por isso fui fazer.E documentário é algo arquitetado mas é sempre uma experimentação” (...) Ali, as mulheres que são as cozinheiras é que comandam a política real do lugar. A política não rola nas assembléias, rola na cozinha”(...) “Minha família é ocupante, vivo em área de manancial, então tava falando o tempo todo da minha vida. Na edição, também era a minha vida que eu tava tentando achar na vida das pessoas”(...) “Toda hora rola um café. Se vai no barraco e não toma um café não rola uma entrevista. Então cê faz da sua câmera a sua xicrinha de café. Cê oferece pra tomar do teu café também, e tudo depende de como a gente adoça esse café, pra não ser muito doce nem amargo.” MAIS: “Circulação praticamente não existe, é muito precária, de mão em mão, de email em email. Não existe circulação nem no cinemão nacional, quanto mais no nosso”(...)“A magia da exibição no escadão, numa quebrada, é a interatividade. É um jogo, tá vivo. O que importa é a própria interferência, e a do público na montagem às vezes é muito mais importante do que o próprio filme”(...) “ Nesse circuito que acontece hoje nas periferias, do Brasil e do mundo, tem algo muito parecido com o que aconteceu lá atrás, nos primórdios do cinema”(...) “Não existe uma ligação, em nada, entre nós e o cinemão nacional”(...) “Os vídeos da periferia estão agora deixando de querer ser o ‘vídeo-cidadão’ pra ser cutucante, autoral, com pegada estética”(...) “A nossa imagem, antes de virar imagem, já é um simulacro total. Periferia: a gente sempre foi o ícone do nada, do lucro, da imagem mais vazia possível. Sempre foi retalho recortado e reconstruído pra vender alguma coisa.E crucial no nosso movimento agora, por exemplo, é o corpo, como ele dialoga com a câmera”(...) “Estudo numa universidade paga e não pago. Eu vou lá na PUC e sei de onde eu sou, que tenho que chegar em casa e fazer a marmita pro dia seguinte. Tenho sempre que trazer de lá pra cá e levar algo daqui.Tenho que viver esse jogo, esse escambo, essa migração de idéias, se não não consigo viver lá dentro nem aqui fora. E você lá não é só mais um. Sua vivência é outra, sua cultura é outra. Chega no fim do ano, enquanto você pensa em fazer algo pra virar um dinheiro, os caras lá vão fazer intercâmbio no Canadá(...)E eu peguei muita coisa boa na universidade, peguei o pensamento de vários caras, juntei com o meu... teoria cinematográfica, semiótica, artística. Isso sem dúvida impulsionou vários pensamentos na minha cabeça, maquinou várias coisas”. Luiz Barata “Nas escolas da zona leste, as intenções nossas eram mostrar pros professores e pros alunos como as imagens são construídas. Quem tá por trás da construção daquilo? Porque muitas vezes as pessoas dão de barato que aquilo é real. E quando as pessoas conseguem se colocar na posição do produtor da imagem, aí rola outra experiência. Se você entende como uma fotografia é tirada, como um out-door é feito, como uma propaganda é realizada, quem as pessoas escolhem pras novelas, quem escolhe as matérias pro jornal nacional, como é construído o texto pra reportagem... quando você entende isso, você consegue se situar criticamente no seu espaço” (...) “A estética que há no cinema nacional de interessante é a de documentário, que traz uma discussão muito grande, não a de ficção” (...) “No cinema dos jovens periféricos, ainda não consigo visualizar uma estética, ver essa estética nova. O que eu vejo é um envolvimento com muitas linguagens: teatro, hip hop, outras atividades artísticas, que trazem outros elementos novos pro áudio-visual que eles estão fazendo. E nem sei se precisa, dessa tal estética nova. Esse negócio de ficar buscando vanguarda... o que acho de interessante é a possibilidade de terem o acesso às produções que são feitas e a possibilidade de produzir”(...) “Nesses grupos vem acontecendo a possibilidade de diminuir a hierarquia e a divisão das relações de trabalho. Nesses coletivos, você tem uma real discussão entre todas as pessoas enquanto estão fazendo um vídeo, alternando funções”(...) “Eu até não vejo problema numa instituição financeira, como o Itaú Cultural, montar seu acervo de vídeo, ganhar seu marketing com isso, e claro, mantendo situações hierarquizadas. O grande problema tá no uso de recursos públicos pra isso e sem nenhuma fiscalização. É um pouco incoerente até, você acessa coisas ótimas lá e, por outro lado, ao mesmo tempo, é uma instituição que cobra mais juros, altas taxas bancárias, nas agências filas de 30 pessoas com 2 caixas pra atender(...) Isso é uma necessidade da empresa de transformar a sua imagem, de dizer ‘ Eu exploro, mas por outro lado eu faço coisas legais’. E isso confunde muito”. MOVIMENTO HIP HOP: Gaspar Záfrica: “Eu vejo o Hip Hop, o MST, o MTST... aí eu visualizo o trabalho da resistência, como a luta dos quilombolas que tão tentando regularizar, reconhecer e intitular suas terras. Vejo as lutas indígenas pra manter as suas tradições. Tudo contra a sociedade escravocrata brasileira” (...) “A cultura Hip Hop é um movimento organizado que com o capitalismo perdeu força em termos de organização, em termos sociais e em termos de cultura mesmo, como algo milenar que é passado de pai pra filho. E o mais difícil nessa parada é fazer com que não se perca o rumo. E a única forma de entender o presente, mudar o futuro é compreender o passado” (...) “Se você não sabe respeitar as tradições, vai acabar na babilônia do capitalismo, seguindo norma e padrão de gravadora, cara querendo modificar e criar forma de mercado. Hoje tem mil formas de fazer sua arte. E você escolhe se quer ser popular ou se quer ser pop! Se quer trocar, fazer escambo e música pro resto da sua vida ou se quer fazer só grana” (...) “Não vamo ficar só reproduzindo bumbo e caixa, sampler de lá de fora, que eu gosto muito, mas aqui, Brasil, a gente tem mais de mil modalidades de canto falado. E através de bumbo e caixa, dos embolador de 30 anos atrás, a gente tenta fazer mistura. E o Hip Hop dá essa visão, de entender que o planeta é meu país e que aqui é meu quintal. Hip Hop é um portal pra outras possibilidades. É a única cultura capaz de pegar o novo, o antigo, o futuro e o inimaginável e transformar e colocar aqui agora. E a base de tudo é africana” (...) “Tenho um trabalho com o Záfrica que eu falo pro mundo e um trabalho com o Ilícito que eu falo pro submundo” (...) “ Meu trabalho gira em torno da obra e não em torno de álbum ou de um milhão que um produtor quiser fazer. Gira em torno da obra e não da sobra. E aí é muita ancestralidade, muito respeito”(...) “ No Nordeste tá o verdadeiro rap brasileiro, o repente brota, os moleques uma hora tão cantando a história do Luiz Gonzaga, o rei do baião, e noutra hora tão cantando um barato de rua”(...)” É preciso cantar nossa riqueza, também. É muito fácil cantar a desgraça, tá cheio de gente vivendo às custas da miséria. A gente tem que cantar a realidade, mas existem muitas realidades. Às vezes o cara precisa de exemplos de vida, da tradição oral, que saia um pouco de uma realidade que tá deixando ele louco, cara!” (...) “O trabalho do Záfrica tem a preocupação de em cada disco contar a história de um grande rei e agora pro próximo, que se chama “O Ritual”, vem a história de Acotirene, da Rainha Nzinga, pra não deixar morrer” (...) “A gente vive o escambo, porque no dia que acabar a moeda corrente só vai sobreviver quem tiver pra trocar”. Tiely Queen: “A mulher no Hip Hop tá mais segura de si. Tá chegando e tá metendo as caras, tá falando eu sei fazer, eu posso. As meninas que tão começando agora, e os meninos também, que tão querendo se envolver, sentem isso. Essa segurança na questão de direitos”(...) “Não tem essa parada de nada se cria e tudo se copia. O Hip Hop sempre traz alguma coisa nova aparecendo. Mesmo que ela tenha por base uma referência no antigo, pra manter uma raiz, manter uma questão de ancestralidade, de espiritualidade, sempre tem ali uma pincelada nova”(...) “Hip Hop tem várias articulações com Educação. As crianças não param de pedir isso e pro professor eu falo que tem que se formar, buscar uma formação dentro do Hip Hop pra poder repassar pra essas crianças. Senão qualquer carro bonito que passar tocando rap, elas vão atrás.E pode ser um caminho sem volta” (...) “A Educação necessita de idéias, de diretrizes novas. O Hip Hop só tem a crescer dentro da Educação. Você pode aprender dançando, aprender grafitando, sempre tem um assunto referente que grafitando você pode aprender... vários, direitos sexuais, direitos reprodutivos”(...) “ A mulherada tá envolvida. Já consegui achar, catalogar, mais de 50 grupos de mulheres, no Brasil” (...) “A mulherada traz versos com temas que os homens não tocam. Juntam os temas que os homens já cantam, com a realidade delas. Falam de falta de ter o que dar pro filho comer, de violência doméstica, falam da questão do aborto. Coisas que nenhum cara vai cantar e que se cantar os outros vão ficar zuando ele. E isso é de um movimento que defende uma coisa mas que na postura não é aquilo que é dito. E isso não é de uma pessoa ou outra, é do movimento” (...) “ “Às vezes, de tanto cantar a realidade da favela, a violência disso ou daquilo, as pessoas que escutam acabam se tornando violentas. É muito estranho isso”. (...) “O Hip Hop tem o que ele traz de contestação e o que ele reproduz de um sistema fechado”(...) “ O potencial de transformação do Hip Hop tá aí: ele tem olho, tem boca, tem cérebro, tá nas atitudes das pessoas” (...) “ Teve uma menina que veio cantar grávida. Falando ‘eu vou, posso passar mal de pressão mas vou cantar no lançamento do meu CD’. Não é qualquer cara que vai ter problema pra cantar dizendo que ta grávido, que tá de TPM. Aí tem muito mais barreiras. Tem mina que não vai grafitar por conta do cheiro da tinta (...) TPM é uma praga, véio” (...) “ São N, X, Y obstáculos que tem que transpor pra apresentar um trampo legal. Mas consegue: acorda mais cedo, dorme mais tarde e faz o trampo”. Mateus Subverso: “Existe sim, ainda hoje, o revide contra o sistema no Hip Hop. Eu me entendi e entendi o Hip Hop a partir deste revide. Foi o que botou a faísca no meu olho (...) e hoje eu entendo um pouco melhor porque o Hip Hop não tem um fim nele mesmo” (...) “Existe um apelo do mercado, ferramentas de um sistema de produção bem sedutoras que conseguiram construir um outro Hip Hop que não tem nada a ver com o Hip Hop que tá se praticando nas quebradas, com as Posses, pro coletivo. E hoje até infelizmente muito pouca gente sabe o significado do que é uma Posse”(...) “A escola oficial não conseguiu trazer muitas coisas que o Hip Hop me trouxe, tanto na produção como na transmissão de conhecimento, tanto na forma de uso como na postura de vida”(...) “A rua é fascinante, traz uma enorme necessidade de sensibilidade, pelas carqueragens, pela beleza... e no livro, na casa de cultura, na net, a intenção na hora que você tá recolhendo, acumulando informações é tentar relacionar elas de alguma forma, e tentar criar algum conhecimento, individual, normalmente e quase sempre numa perspectiva que tá voltada pro coletivo, a projeção é como vou poder colocar isso pras pessoas que dançam comigo. Como chegar lá na rua, na roda depois e transmitir na movimentação do meu corpo esse acúmulo, essa busca que fiz individualmente”(...) “No coletivo, na roda de dança, de verso, de capoeira, tô aprendendo ali pela observação, pelo cheiro, pelo suor, tô entendendo meu corpo, meus limites, minhas resistências, a partir da prática e da outra pessoa que tá ali comigo partilhando” (...) “Eu tenho uma proximidade e uma crescença muito grande com a tecnologia. Esse é o primeiro pavio e as coisas que acenderam ele vieram lá de trás, nos primeiros contatos com o Hip Hop. Olhar pro computador é entender ele primeiro como ferramenta, e a partir daí você consegue espremer ele e tirar o caldo, a seiva. Acho que muitas pessoas olham pra essas tecnologias como uma máquina que vai fazer as coisas pra elas. Aí tá o grande engano, e se cair nessa armadilha a gente vai cair no lance das mesmices(...) Meu trabalho aqui continua sendo Hip Hop pela questão de qual que é o conteúdo que tá se trazendo, a tentativa de sair do marasmo, da martelação que se vê todo dia na TV e no rádio. Isso tem a ver com uma intuição, uma tentativa de outra forma de produzir, de poder sentir, de trazer o afeto pra dentro do material que tô realizando. É ainda uma busca, algo misterioso pra mim ”(...) “Revista Época, Editora Abril e tantas outras aí, eu fico impressionado com a capacidade que elas têm de mentir, mano ”(...)“ A gente no Hip Hop tá se afogando nos padrões, nos ditames, que a estética das grandes emissoras trazem, desde fotografia até vídeo, a maneira como você vai escrever um texto, vai diagramar, as fontes que você vai usar” (...) “ Me marcou bastante foi fazer junto o livro do Dugueto, foi muito louco explorar, estudar as possibilidades da voz chegando no papel, ver o que o papel pode mostrar da voz. Como trazer a performance pro livro? ”(...) “ As Posses são fontes de grupos de estudo, de aproximação com a leitura, da partilha de textos. Não só a nossa Posse, mano. Vai pra São Bernardo, pra Francisco Morato, vai pra Força Ativa lá na Leste com a biblioteca Solano Trindade, pro Aliança Negra, pro Núcleo Rotação, todo esse pessoal estuda pra caramba. E é muito importante, traz muito conteúdo pra sua expressão, pra fazer sua dança, sua música, pro grafite. Isso é que vai ser o fator diferencial da sua produção, mano”.

20 de mar de 2009

Pontos de poesia na Grande São Paulo

(por Rui Mascarenhas, na Gazeta Mercantil). "Quando o poeta Frederico Barbosa, diretor da Poiesis – Organização Social de Cultura (que administra a Casa das Rosas, a Casa Guilherme de Almeida, o Museu da Língua Portuguesa e o programa São Paulo: Um Estado de Leitores), decidiu mapear os saraus poéticos na Grande São Paulo não imaginava que encontraria pela frente uma infinidade de encontros entre poetas, escritores e amantes das letras. O projeto, batizado de Pontos de Poesia, teve início em fevereiro, e já naquele mês cadastrou 28 saraus. “O Pontos de Poesia surgiu da percepção dos acontecimentos, do movimento latente desse fenômeno, da necessidade de descentralizar o foco literário espalhando suas possibilidades e riquezas em áreas carentes de literatura”, conta Frederico. A proposta do projeto é, além de mapear os saraus na Grande São Paulo, conhecer o perfil de seus freqüentadores, seus diferentes estilos e formatações, a construção temática, a história do próprio local, rico em referências, entendendo suas etapas de formação, para que seja possível desenvolver projetos multiplicadores e iniciativas que promovam a leitura. “O cadastramento e mapeamento é apenas a ponta do iceberg, e deverá estar devidamente concluído agora, no mês de maio. A partir de então, serão criadas diversas ações localizadas efetivando iniciativas, projetos e propostas multiplicadoras de oportunidades que possam alavancar a produção literária na Grande São Paulo, intensificando os prazeres da leitura”, explica o diretor da Poiesis. Em princípio, o projeto contemplará os saraus que reúnem a comunidade em torno dos diferentes aspectos com os quais a literatura se estabelece: estimulo à reflexão, leitura, criação de texto e expressão oral – tudo num mesmo lugar, de forma lúdica e descompromissada - elementos que resultam na criação e no aumento da produção literária, como vem sendo constatado. O trabalho de pesquisa está sob a coordenação do poeta e escritor Rui Mascarenhas, que trabalha como pesquisador e produtor de eventos no programa São Paulo: Um Estado de Leitores (SPEL). De trem, ônibus, carona ou a pé, Mascarenhas se desloca até os saraus e registra cada detalhe com fotos, anotando os dados importantes e gravando depoimentos. “Primeiro pesquiso onde acontecem esses eventos, em seguida estudo a logística de aproximação e retirada; às vezes em áreas distantes e de complicado acesso, o que possibilita o enorme prazer da aventura, das novas descobertas, do encontro com o inusitado”, explica. E confidencia: “Eu acho que estou ficando viciado em saraus. Um atrás do outro, sequência ininterrupta de textos, infinitos estilos, vozes, cantos, pessoas”. Em suas incursões poéticas, o coordenador do projeto Pontos de Poesia observa um novo movimento em prol da literatura. São os sem-letras, sem-livros e sem-voz, que reivindicam expressar suas realidades. Eles buscam as vias da inserção literária, invadem bares e botecos, que antes eram áreas de risco e perdição, e hoje compartilham o imaginário e o conhecimento. É possível também observar o grande número de presentes nesses saraus e o intercâmbio de poetas de diferentes comunidades – a intensa reflexão proposta em torno da atual produção literária paulistana, a diversidade dos temas e estilos apresentados. Num extremo, o manifesto, a busca de uma identidade literária genuinamente periférica composta, intrinsecamente, dos elementos desse cotidiano de exclusão. Do outro, a representação romântica de um universo em crise existencial. O projeto já registrou, entre outros, o Sarau Poesia na Brasa, em Brasilândia, com a presença de 80 jovens. Criado em julho de 2008, se manifesta como um movimento cultural de periferia para periferia, abrindo espaço para reflexão, discussão e expressão artística. “Negra, levanta para acordar o dia!”, brada Vagner “uma Rocha” Sousa, recitando em agradecido reconhecimento, uma homenagem à batalha da “mãezona” – explosão de todas as guerreiras - ali, silenciosamente orgulhosa – “bendito o fruto” - que ao lado do irmão, Sidnei das Neves, com os cuidados da Taís, organizam tamanha manifestação de congregação e luz. No canto, ao lado dos que recitam, uma biblioteca se forma (como uma caixa de letras de músicas pedindo acompanhamento). Os livros são emprestados e renovados de sarau em sarau. A meta é atingir, pelo menos, 2.009 títulos esse ano. Em Campo Limpo, o Sarau do Binho, mesmo em uma segunda-feira chuvosa, no dia 9 de fevereiro, reuniu mais 100 pessoas, de todas as idades. Localizado na altura do número 4.000 da Estrada de Campo Limpo, abriu às 20 horas com um filme: “Vídeolência" - 60 minutos de reflexão audiovisual proposta por quem vive a periferia”. Na cena, o cano de uma arma percorre os corredores da favela. Teve ainda o lançamento de livro “Lágrima Terra”, de Daniel Fagundes em co-autoria com André Luiz Pereira. “Inacreditável que em plena segunda feira – céu em prantos – risco de enchente, distante quebrada do Campo Limpo – estivessem reunidas tantas pessoas em busca de qualquer coisa incomum”, diz Mascarenhas". Sites de alguns saraus realizados na Grande São Paulo: Maloqueiristas - http://poesiamaloqueirista.blogspot.com/ Rascunhos Poéticos - http://rascunhospoeticos.blogspot.com/ Cooperifa - http://colecionadordepedras.blogspot.com/ Povo - http://saraudopovo.blogspot.com/ Elo da Corrente - http://elo-da-corrente.blogspot.com/ Politeama - http://politeamasarau.blogspot.com/ Poesia na Brasa - http://brasasarau.blogspot.com/ Griots - http://projetogriots.blogspot.com/ Assesa - http://assesaescritores.blogspot.com/ Querô - http://saraudoquero.blogspot.com/ Cidade Poesia - http://cidadepoesia.blogspot.com/ Bar do Zé - http://espacoculturaldoze.blogspot.com/ Sopa de Letrinhas - http://www.villaggio.com.br/Home.php Meiohomem - http://www.meiohomem.blogspot.com/

16 de mar de 2009

A grande mídia e o golpe de 64

(Deu no boletim Carta Capital de 13/03/09, por Venício A. de Lima ). Ao se aproximar os 45 anos do 1º de abril de 1964 e diante de tentativas recentes de revisar a história da ditadura e reconstruir o seu significado através, inclusive, da criação de um vocabulário novo, é necessário relembrar o papel – para alguns, decisivo – que a grande mídia desempenhou na preparação e sustentação do golpe militar. A análise é de Venício A. de Lima. "No debate contemporâneo sobre a relação entre história e memória, argumenta-se com propriedade que a história não só é construída pela ação de seres humanos em situações específicas como também por aqueles que escrevem sobre essas ações e dão significado a elas. Sabemos bem disso no Brasil. Ao se aproximar os 45 anos do 1º de abril de 1964 e diante de tentativas recentes de revisar a história da ditadura e reconstruir o seu significado através, inclusive, da criação de um vocabulário novo, é necessário relembrar o papel – para alguns, decisivo – que a grande mídia desempenhou na preparação e sustentação do golpe militar. Referência clássica A participação ativa dos grandes grupos de mídia na derrubada do presidente João Goulart é fato histórico fartamente documentado. Creio que a referência clássica continua sendo a tese de doutorado de René A. Dreifuss (infelizmente, já falecido), defendida no Institute of Latin American Studies da University of Glasgow, na Escócia, em 1980 e publicada pela Editora Vozes sob o título “1964: A Conquista do Estado” (7ª. edição, 2008). Através das centenas de páginas do livro de Dreifuss o leitor interessado poderá conhecer quem foram os conspiradores e reconstruir detalhadamente suas atividades, articuladas e coordenadas por duas instituições, fartamente financiadas por interesses empresariais nacionais e estrangeiros (“o bloco multinacional e associado”): o IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática e o IPES, Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais. No que se refere especificamente ao papel dos grupos de mídia, sobressai a ação do GOP, Grupo de Opinião Pública ligado ao IPES e constituído por importantes jornalistas e publicitários. O capítulo VI sobre “a campanha ideológica”, traz ampla lista de livros, folhetos e panfletos publicados pelo IPES e uma relação de jornalistas e colunistas a serviço do golpe em diferentes jornais de todo o país. Além disso, Dreyfuss afirma (p. 233): O IPES conseguiu estabelecer um sincronizado assalto à opinião pública. Através de seu relacionamento especial com os mais importantes jornais, rádios e televisões nacionais, como: os Diários Associados, a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo (...) e também a prestigiosa Rádio Eldorado de São Paulo. Entre os demais participantes da campanha incluíam-se (...) a TV Record e a TV Paulista (...), o Correio do Povo (RS), O Globo, das Organizações Globo (...) que também detinha o controle da influente Rádio Globo de alcance nacional. (...) Outros jornais do país se puseram a serviço do IPES. (...) A Tribuna da Imprensa (Rio), as Notícias Populares (SP). Vale lembrar às gerações mais novas que o poder relativo dos Diários Associados no início dos anos 60 era certamente muito maior do que o das Organizações Globo neste início de século XXI. O principal biógrafo de Assis Chateaubriand afirma que ele foi “infinitamente mais forte do que Roberto Marinho” e “construiu o maior império de comunicação que este continente já viu”. A visão do USIA Há outro estudo, menos conhecido, que merece ser mencionado. Trata-se de pesquisa realizada por Jonathan Lane, Ph. D. em Comunicação por Stanford, ex-funcionário da USIA, United States Information Agency no Brasil, publicado originalmente no Journalism Quarterly, (hoje Journalism & Mass Communication Quarterly), em 1967, e depois no Boletim n. 11 do Departamento de Jornalismo da Bloch Editores, em 1968, (à época, editado por Muniz Sodré) sob o título “Função dos Meios de Comunicação de Massas na Crise Brasileira de 1964”. Lane enfatiza a liberdade de imprensa existente no país e a pressão exercida pelo governo sobre os meios de comunicação utilizando os recursos a seu dispor (empréstimos, licenças para importação de equipamentos, publicidade, concessões de radiodifusão e “recursos de partidos comunistas”). A grande mídia, no entanto, resiste, até porque “o governo não é a única fonte de subsídio com que contam os jornais. Existem outras, interesses conservadores, econômicos e políticos que controlam bancos ou dispõem de outros capitais para influenciar os jornais” (p. 7). O autor, curiosamente, não menciona o IBAD ou o IPES e conclui que as ações do governo João Goulart e da “esquerda” retratadas nos meios de comunicação provocaram um “desgaste da antiga ordem baseada na hierarquia e na disciplina” que se tornou “psicologicamente insuportável” para os chefes militares e para a elite política, levando, então, ao golpe. O artigo de Lane, no entanto, traz um importante conjunto de informações para se identificar a atuação da grande mídia. Tomando como exemplo a cidade do Rio de Janeiro - “o centro de comunicações mais importante” – afirma: “Apesar das armas à disposição do governo, Goulart passou um mau bocado com a maior parte da imprensa. A maioria dos proprietários e diretores dos jornais mais importantes são homens (e mulheres) de linhagem e posição social, que freqüentam os altos círculos sociais de uma sociedade razoavelmente estratificada. Suas idéias são classicamente liberais e não marxistas, e seus interesses conservadores e não revolucionários” (p. 7). No que se refere aos jornais, Lane chama atenção para a existência dos “revolucionários”, de circulação reduzida, como Novos Rumos, Semanário e Classe Operária (comunistas) e Panfleto (Brizolista). O mais importante jornal de “propaganda esquerdista” era Última Hora, “porta-voz do nacionalismo-esquerdista desde o tempo de Vargas”. Já “no centro, algumas apoiando Jango, outras censurando-o, estavam os influentes Diário de Notícias e Correio da Manhã”. E continua: “Enfileirados contra (Jango) razoavelmente e com razoável (sic) constância, encontravam-se O Jornal, principal órgão da grande rede de publicações dos Diários Associados; O Globo, jornal de maior circulação da cidade; e o Jornal do Brasil, jornal influente que se manteve neutro por algum tempo, porém opondo forte resistência a Goulart mais para o fim. A Tribuna da Imprensa, ligada ao principal inimigo político de Goulart, o governador Carlos Lacerda, da Guanabara (na verdade, a cidade do Rio de Janeiro), igualmente se opunha ferrenhamente a Goulart” (pp. 7-8). Quanto ao rádio e à televisão, Lane explica: “Cerca de metade das estações de televisão do país são de propriedade da cadeia dos Diários Associados, que também possui muitas emissoras radiofônicas e jornais em várias cidades. (...) Os meios de comunicação dos Diários Associados, inclusive rádio e tevê, empenharam-se numa campanha coordenada contra a agitação esquerdista, embora não contra Goulart pessoalmente, nos últimos meses que antecederam ao golpe” (p. 8). Participação ativa A pequena descrição aqui esboçada de dois estudos que partem de perspectivas teóricas e analíticas radicalmente distintas não deixa qualquer dúvida sobre o ativo envolvimento da grande mídia na conspiração golpista de 1964. A relação posterior com o regime militar, sobretudo a partir da vigência da censura prévia iniciada com o AI-5, ao final de 1968, é outra história. Recomendo os estudos de Beatriz Kushnir, “Cães de Guarda – Jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1988” (Boitempo, 2004) e de Bernardo Kucinski, “Jornalistas e Revolucionários nos tempos da imprensa alternativa” (EDUSP, 2ª. edição 2003). As Organizações Globo merecem, certamente, um capítulo especial. Elio Gaspari refere-se ao “mais poderoso conglomerado de comunicações do país” como “aliado e defensor do regime” (Ditadura Escancarada, Cia. das Letras, 2004; p. 452). Em defesa da democracia Não são poucos os atores envolvidos no golpe de 1964 – ou seus herdeiros – que continuam vivos e ativos. A grande mídia brasileira, apesar de muitas e importantes mudanças, continua basicamente controlada pelos mesmos grupos familiares, políticos e empresariais. O mundo mudou, o país mudou. Algumas instituições, no entanto, continuam presas ao seu passado. Não nos deve surpreender, portanto, que eventualmente transpareçam suas verdadeiras posições e compromissos, expressos em editoriais, notas ou, pior do que isso, disfarçados na cobertura jornalística cotidiana. Tudo, é claro, sempre feito “em nome e em defesa da democracia”. Por todas essas razões, lembrar e discutir o papel da grande mídia na preparação e sustentação do golpe de 1964 é um dever de todos nós".

13 de mar de 2009

O que é o Selo Povo?

(Texto de divulgação, do blogue do Ferréz). "Selo feito para livros de bolso, livros esses escritos por e para mãos operárias, rebeldes, marginais, periféricas. Que possa alcançar o público despossuído de recurso que geralmente vê o livro como um item raro e elitista. Um vinho guardado e nunca degustado, enquanto queremos que todos bebam pelo menos sua tubaína diária. Um selo em um livro de bolso, para ser posto na sexta básica, para ser lido na rua, no horário de almoço, nas prisões, nos acampamentos, nas zonas, nos bares, barracos e barrancos desse imenso país periferia. Esse selo garante um livro de fácil leitura e que será lido, relido, emprestado, e gasto, andando de mão em mão até que volte para onde veio, a vida. Ao preço de 1 cerveja e meia, e mais barato que um prato feito, a desculpa para não ler acabou. Bem vindo ao Selo Povo, feito pra você e pra todo mundo. O Selo Povo é o primeiro projeto totalmente feito pela editora Literatura Marginal, terá 8 livros. O primeiro será "Cronista de um tempo ruim" Ferréz, seguido por "Guilhotina" de Cernov. veja logo abaixo quem é Cernov, que chegará a São Paulo nesse sábado para conhecer a editora e acompanhar a revisão do livro. Catia Cernov é escritora amadora, tem 40 anos, 3 filhos. Nasceu no Paraná e migrou para o norte, mora há muitos anos em Porto Velho-RO. Publicou seu primeiro texto pela Literatura Marginal Ato III, da revista Caros Amigos. Tem publicado seus contos e poemas de forma independente, ela mesma escreve, edita, imprime e distribui em bancas de revistas, livrarias e sebos. Também vende seus livros pessoalmente nas ruas, nas praças, nos bares, escolas, universidades, e por todos os lugares onde costuma viajar. O que mais aprecia nesse estilo de trabalho é a possibilidade de interagir pessoalmente com seus leitores. Seus contos são experiências do pensamento, fruto de devires que nascem de seu universo em movimento. já estamos cadastrando pessoas ou entidades para representarem o Selo Povo e a editora Literatura Marginal, basta mandar e-mail para literaturamarginal@ibest.com.br com nome, telefone, endereço, e bairro que pretende distribuir. os livros serão vendidos a R$ 5,00 e pretendemos fazer eles circularem onde é mais preciso, nesse imenso país periferia. vamos montar nossa própria rede e ficar de pé, porque de joelhos não dá pra caminhar". www.editoraliteraturamarginal.blogspot.com

12 de mar de 2009

Somos fãs do Aranha!

(Texto de divulgação). "Chega ao Brasil a revista publicada pela Marvel em janeiro deste ano, antes da posse de Barack Obama, com história na qual o herói encontra o presidente norte-americano. A HQ foi a mais vendida do século 21 nos EUA. A história que tanto atraiu os leitores, "O Aranha Conhece o Presidente" (na versão brasileira da revista), mostra em cinco páginas o encontro dos personagens. No dia da posse de Obama, um dos mais antigos inimigos do Homem-Aranha tenta se passar pelo presidente dos EUA. A farsa é descoberta pelo super-herói, que é chamado de "parceiro" por Barack Obama. O presidente dos EUA, de acordo com o editor-chefe da Marvel, Joe Quesada, é um grande admirador do herói -- por isso a idéia da historinha. A arte da HQ é de Todd Nauck e Frank D'Armata. O roteiro é de Zeb Wells".

3ª Diáspora – Culturas Negras no Mundo Atlântico

(Texto de divulgação). "A produção cultural dos portos da diáspora negra não pára de se reinventar. Depois de uma primeira diáspora com os deslocamentos históricos do tráfico negreiro e o retorno de ex-escravos para a África, uma segunda diáspora se deu pela via dos deslocamentos voluntários, como a migração de jamaicanos para Londres; de cubanos para New York; de beninenses para Paris; de caboverdianos para NY; de angolanos para o Brasil, etc. A terceira diáspora é o deslocamento de signos provocado pelo circuito de informação tecnológico/virtual tais como discos, filmes, cabelos, slogans, gestos, modas, bandeiras, ritmos, ícones, ideologias,etc. É um movimento que investe no circuito de comunicação da diáspora negra que se tornou possível com a globalização eletrônica e se potencializou através da Web colocando em conexão virtual os repertórios culturais de cidades como Salvador, Kingston, Havana, New York, New Orleans, Londres, Lisboa, Dakar, Luanda, Johanesburgo, etc. Grafiteiros em Salvador; performances multimídia no Harlem, Nova York; salões de beleza em Londres; estúdios de gravação de Kingston; cafés literários na Martinica; santeria cubana; carnaval em Trinidad; restaurantes de Lisboa; bandas afro-pop em Paris; artes plásticas em Dakar; filmes nigerianos; Kuduro em Luanda; festival de vodum no Benin. São alguns dos elementos do repertório em questão".

11 de mar de 2009

Cordel dos excomungados

(Deu no SimplesRap / Notícias; autor: Miguezim de Princesa - Poeta popular, paraibano radicado em Brasília). I - Peço à musa do improviso/ Que me dê inspiração,/ Ciência e sabedoria,/ Inteligência e razão,/ Peço que Deus que me proteja/ Para falar de uma igreja/ Que comete aberração./ II - Pelas fogueiras que arderam/ No tempo da Inquisição,/ Pelas mulheres queimadas/ Sem apelo ou compaixão,/ Pensava que o Vaticano/ Tinha mudado de plano,/ Abolido a excomunhão./ III - Mas o bispo Dom José,/ Um homem conservador,/ Tratou com impiedade/ A vítima de um estuprador,/ Massacrada e abusada,/ Sofrida e violentada,/ Sem futuro e sem amor./ IV - Depois que houve o estupro,/ A menina engravidou./ Ela só tem nove anos,/ A Justiça autorizou/ Que a criança abortasse/ Antes que a vida brotasse/ Um fruto do desamor./ V - O aborto, já previsto/ Na nossa legislação,/ Teve o apoio declarado/ Do ministro Temporão,/ Que é médico bom e zeloso,/ E mostrou ser corajoso/ Ao enfrentar a questão./ VI - Além de excomungar/ O ministro Temporão,/ Dom José excomungou/ Da menina, sem razão,/ A mãe, a vó e a tia/ E se brincar puniria/ Até a quarta geração./ VII - É esquisito que a igreja,/ Que tanto prega o perdão,/ Resolva excomungar médicos/ Que cumpriram sua missão/ E num beco sem saída/ Livraram uma pobre vida/ Do fel da desilusão./ VIII - Mas o mundo está virado/ E cheio de desatinos:/ Missa virou presepada,/ Tem dança até do pepino,/ Padre que usa bermuda,/ Deixando mulher buchuda/ E bolindo com os meninos./ IX - Milhões morrendo de Aids:/ É grande a devastação,/ Mas a igreja acha bom/ Furunfar sem proteção/ E o padre prega na missa/ Que camisinha na lingüiça/ É uma coisa do Cão./ X - E esta quem me contou/ Foi Lima do Camarão:/ Dom José excomungou/ A equipe de plantão,/ A família da menina/ E o ministro Temporão,/ Mas para o estuprador,/ Que por certo perdoou,/ O arcebispo reservou/ A vaga de sacristão.

Menina Flor e o Boto, estréia de Dira Paes na literatura

(Texto de divulgação). "A obra – que inaugura a coleção Mãe Brasil, da Editora Língua Geral – conta a história de Flor, menina peralta e sabida, criada numa ilha da floresta amazônica e traz o texto sob o acordo ortográfico dos países de língua portuguesa. A brincadeira da cabra-cega no quintal rodeado de mata, pés de frutas como açaizeiro, pupunheira, taperebazeiro, cupuçuazeiro e o rio Campompema são os ele-mentos que compõem a vida desta família. A pequena Flor é estudiosa e gosta de ler poemas para se “exibir, declamando com graça e desenvoltura”. Sentia pela lín-gua portuguesa o mesmo respeito que dedicava às coisas naturais: ela “respeitava cada vírgula, cada verbo, cada respiração”. Em lindas ilustrações de P.P. Condu-rú, o livro nos traz o encanto do desabrochar de uma flor, da natureza, dos encantos da Amazônia e nos apresenta uma das mais importantes lendas da região".

10 de mar de 2009

Seminário "Mãe Beata de Iyemonjá e a Memória Cultural Preservando a Ancestralidade"

14 E 15 DE MARÇO DE 2009 – 10h AS 17h. ILE OMIOJUARO. Rua Francisco Antonio do Nascimento, nº 42. Bairro Miguel Couto – Nova Iguaçu. Contatos: (21) 2886-1432 / (21) 9118-4143. indecomiojuaro@yahoo.com.br PROGRAMAÇÃO: 14/03/ 2009 (sábado). 10h – Abertura oficial do seminário – Cânticos e danças afro-brasileiras. 11h – Homenagem a Mãe Beata de Iyemonjá Entrega de placa pela sua contribuição relevante à cultura afro-brasileira. 11h30min – O papel das líderes religiosas de matriz africana na cultura afro-brasileira. Palestrante: Mãe Beata de Iyemonjá e Adaílton Moreira Costa, Babá Egbé da comunidade de terreiro Ile Omiojuaro, Sociólogo. 12h30min – Almoço. 13h30min – Performance Afro. 14h – Exibição de vídeo-documentário sobre capoeira angola. 14h30min – Capoeira: ginga de corpo e identidade cultural. Palestrante: Antonio Liberac, capoerista e Prof. Dr. da Faculdade de Cachoeira de São Félix, BA. 15h30min – Lanche. 16h – Candomblé: núcleo de resistência cultural – a importância da divindade Ibeji na sociedade Iorubá. Palestrante: Gelson Oliveira, Asogbá do Ile Omiojuaro e pesquisador. 17h – Encerramento: Grupo de samba de roda do Ile Omiojuaro – “Odo Lailai”. 15/03/2009 (domingo). 10h– O povo do samba – ícones e suas histórias. Palestrante: Prof. Drª Helena Theodoro – Universidade Veiga de Almeida / UVA-RJ. 11h – Cinema: elemento de expressão da cultura afro-brasileira. Palestrante: Gustavo Mello, Omo Orisá do Ile Omiojuaro e ator. 12h – Almoço. 13h– A Performance e a Afro-Brasilidade. Palestrante: Zeca Ligiéro, Mogbá Sango do Ile Omiojuaro, Prof. Dr. UNIRIO, coordenador do NEPAA – Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias. 14h – TEN – Teatro Experimental do Negro: suas experiências sobre a teatralidade brasileira. Palestrante: Marcos Serra, Omo Orisá do Ile Omiojuaro, Ator, arte-educador e pesquisador do NEPAA/UNIRIO – Núcleo de Estudos das Performances Afro-Ameríndias da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. 15h – Homenagem ao Mestre Abdias do Nascimento. 16h – Religião afro-brasileira e educação multicultural. Palestrante: Stela Guedes Caputo, Prof. Drª UERJ. 17h - Encerramento. REALIZAÇÃO: Ilê Omiojuaro.

9 de mar de 2009

Ausência de representação de mulheres negras nos romances brasileiros 1990-2004

(Da Agência UnB, postado no Irohin) "Pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, coordenado pela professora Regina Dalcastagnè, do Departamento de Teoria Literária e Literaturas, revelou um capítulo sombrio da literatura brasileira contemporânea produzida no período entre 1990 e 2004: a quase ausência da representação de mulheres negras nos romances publicados pelas três maiores editoras do país, Companhia das Letras, Rocco e Record. De um total de 1.245 personagens catalogadas em 258 obras, apenas 2,7% são mulheres negras. Nas poucas vezes em que apareceram nas páginas dos romances, em aproximadamente 70% dos casos, as negras ocupavam posições como empregadas domésticas e profissionais do sexo. Outros papéis recorrentes são a de escrava, dona de casa e bandida. “Lamentavelmente, esses dados não surpreendem. Vivemos em um país de forte tradição escravocrata, em que a imagem da mulher negra ainda é marginalizada”, diz a professora do departamento de Sociologia da UnB e subsecretária de planejamento da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Lourdes Bandeira. “Elas não só são representadas em papéis subalternos, como ocupam posições subalternas no enredo”, afirma Regina. A pesquisa detectou que em apenas três vezes a mulher negra foi protagonista da história e somente em uma foi narradora. Para Marina Farias Rebelo, mestranda do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, a presença de apenas uma mulher negra como narradora traduz grande significado. “A mulher negra não fala, ela é falada”, ressalta. Em seu estudo, ela compara a literatura com o rap como lugar de expressão para esse grupo. “No rap, a mulher negra reivindica a voz para si, elas cantam a sua mensagem, coisa que não acontece na literatura”, explica. Lourdes Bandeira acredita que o fato de existir só uma narradora negra em quase 15 anos de publicações demonstra que essa figura é silenciada. “Os escritores brasileiros estão tirando delas o direito do uso da palavra. Com isso, a mulher fica mantida no anonimato”, destaca. A professora Regina reforça a importância de ser dona do seu próprio discurso. “Quando ums personagem fala, ela adquire poder, faz com que o leitor siga pela perspectiva da mulher negra”, afirma. O estudo produzido na UnB também revelou que mais de 70% dos autores catalogados eram homens, brancos, de classe média, com nível superior e heterossexuais. “É uma ilusão que a literatura seja um objeto artístico muito crítico. Ela é produzida por uma elite branca, que reflete suas representações, assim como o cinema, o teatro”, afirma Regina. “É um segmento social predominantemente masculino que não está atento as mudanças sociais e ainda mantém valores de certo menosprezo à mulher negra”, completa subsecretária de planejamento da Secretaria Especial de Política para as Mulheres. A mestranda Marina Farias adverte que a intenção da pesquisa não é censurar os escritores, mas sim fazer com que eles reflitam sobre perspectivas sociais diferentes. “Não queremos policiar ninguém. Defendemos o direito de cada um escrever o que quer, mas queremos que isso seja feito de forma responsável.” De acordo com a professora Dione Moura, da Faculdade de Comunicação, existe uma produção emergente que traz um desejo de transformação dessa realidade. Dar voz a isso, diz ela, ajudaria a mudar os números apresentados pela pesquisa. “É preciso fortalecer as produções alternativas que têm voz de igualdade. Editais públicos e programas governamentais seriam um bom meio de se fazer isso”, aponta".

8 de mar de 2009

Ressaca do 8 de março

Fico apavorada a cada "feliz dia das mulheres recebido", principalmente vindo de pessoas que não têm idéia do que aconteceu no primeiro 8 de março da História, para que este dia passasse a ser o Dia Intenacional da Mulher. No 8 de março do ano passado falei aqui no blogue sobre as congratulações sinceras, vindas de homens que nos admiram e vêem na data uma chance de manifestar carinho e apreço por nós. Há também as amigas que acham que devemos mesmo fazer festa e nos apropriar do dia. Meu pânico é porque a cada 8 de março passado, acho-o mais parecido com o dia das mães e seus milhões em promoções comerciais. À guisa de demarcação de espaço segue texto enviado por um amigo querido: "OBRIGADO A VOCÊS POR FAZEREM O MUNDO, POR ENQUANTO, SUPORTÁVEL. ESPERO QUE VOCÊS CONSIGAM FAZER O MUNDO SE TORNAR FEMININO. A HUMANIDADE AGRADECERÁ". A despeito de que a responsabilidade por tornar o mundo melhor continue sobre nossos ombros... enfim... como dizem os amigos paulistas...

7 de mar de 2009

"Pensam que nós somos macacos, mas vão descobrir que somos leões!"

(Do blogue do Rique Aleixo). "Não se trata de montagem, você que vê, nesta foto, livros do (e sobre o) presidente dos EUA, Barack Obama - além da biografia de sua mulher, Michelle -, dispostos em torno de um volume sobre macacos numa vitrine de livraria. Trata-se da vitrine da tradicional Barnes & Noble, em sua filial de Coral Gables, Flórida, em foto clicada na semana passada. Não tive tempo para conferir a repercussão do fato na imprensa internacional, mas, aqui no Brasil, o silêncio foi estrondoso. Como sempre. O etnólogo e escritor cubano Carlos Moore, em mensagem enviada a intelectuais envolvidos com a luta anti-racismo em todo o mundo, propõe boicote à livraria. Eu, que já não proponho coisa alguma nesta época de surdez funcional, apenas contenho a ânsia de vômito e volto aos meus afazeres" (o título é do Reverendo Al Sharptom, líder religioso em New York).

6 de mar de 2009

Cidinha da Silva na 4a edição da revista eletrônica África e Africanidades

www.africaeafricanidades.com ARTIGOS: A invenção da África no Brasil: os africanos diante dos imaginários e discursos brasileiros dos séculos XIX e XX. Anderson Ribeiro Oliva (UnB – Brasil). Arquitecturas do abandono: espaço-tempo, ruína e memória em O outro pé da sereia de Mia Couto. Tiago Aires (FLUL – Portugal). Educação Afro-indígena: caminhos para a construção de uma sociedade igualitária. Alexandre Francisco Braga (PUC – MG e UNENEGRO – Brasil). Corpo negro em liberdade na poética de Ruy Duarte de Carvalho. Isabelita Maria Crosariol (PUC-RIO – Brasil). O fenômeno da intolerância religiosa – produtor de novas identidades sociais no interior da religião afro-brasileira. Álvaro Roberto Pires (UFMA – Brasil). A organização do etnoconhecimento: a representação do conhecimento afrodescendente em Religião na CDD. Marcos Luiz Cavalcanti de Miranda (UNIRIO – Brasil). RESENHAS: Ancestrais: uma introdução à história da África Atlântica, de Renato Pinto Priore e Mary Del Venâncio. José Alexandre da Silva (SEED/PR - Brasil). COLUNAS: CARICATURA / Barack Obama. Alexandre Magalhães (Brasil). CELEBRIDADE / Emanuella de Paula: beleza negra de Pernambuco para o mundo. CHARGE / Feminicídio no Congo. Diego Novaes (UFRJ – Brasil). CINEMA / Centro Afro Carioca de Cinema. Roberto de Oliveira (Brasil). CORPO: SOM E MOVIMENTO / Danças brasileiras de matriz africana: “Quem dança seus males espanta!” Denise Guerra (SME de Queimados - RJ – Brasil). CRÍTICA LITERÁRIA / Sopinha de Alfabeto – ironia nas artes cabo-verdianas. Ricardo Riso (UES – Brasil). CRÔNICA / Dal e os peixinhos dourados. Lasana Lukata (Brasil). DIREITOS HUMANOS / Direito Humano à Liberdade Religiosa e o Povo de Santo. Walkyria Chagas da Silva Santos (UFBA - Brasil). FINANÇAS / Controle Financeiro Atual, Controle Financeiro Ideal e Previsão Financeira Para Aquisições Futuras. Marcelo Fernando Ferreira Theodoro (Brasil). JUVENTUDE / Funk carioca: crime ou cultura? Cidinha da Silva (Brasil). LITERATURA AFRO-BRASILEIRA / Legados Africanos na Poesia de Autores Afro-Brasileiros. Assunção de Maria Sousa e Silva (NEPA – Brasil). PERFIL LITERÁRIO / Um breve relato sobre o notável contato com as Literaturas Africanas: conhecer para reconhecer-se e amar ou viagens em vôos, pássaros, árvores, terras e raízes do outro e de si mesmo. Patrícia Camargo (UFF – Brasil). RODA DOS ORIXÁS / Notas sobre Exu, o deus pós-moderno. Alexandre de Oliveira Fernandes (CEFET-BA e UESC – Brasil). Suplemento: ÁFRICA E AFRICANIDADES NA SALA DE AULA. LITERATURA INFANTIL / Questões de Literatura Infantil e Afrodescendência: O Poder de Ação do Personagem Negro nas Áreas de Decisão da Narrativa. Valdinei José Arboleya (SEED do PR - Brasil). UMA OUTRA HISTÓRIA / “Professor, (...) não gosto da história de negros, eu tenho dó”. Maria Antonia Marçal (SEEPR – Brasil). Entrevistas: Piedade Marques: mulher negra e militante, sim senhora! Sonia Rosa: A busca do prazer pela leitura. Sônia Maria Santos: valorização da mulher negra na academia, na política e na mídia

5 de mar de 2009

Editora Literatura Marginal e livro Cronista de um tempo ruim

(Do blogue do ferréz). "Primeiro lançamento da editora L.M, no primeiro semestre de 2009. A coleção de 8 livros segue com a escritora Cernov (Manaus). E muita mais marginália vem ai. Distribuição periférica.(leia-se saraus, ruas, escolas, Ongs, bares, igrejas, estúdios, lojas e qualquer lugar que quiser traficar informação). o que é Selo Povo? É o nome da coleção da Editora L.M. que publicará 8 autores, todos a um preço bem acessível e com distribuição que privilegiará a periferia, os locais já foram mapeados e os livros chegarão lá primeiro e com melhor preço. O Selo Povo foi criado para fazer o livro chegar a quem realmente precisa ler, é também uma forma de mostrar ao mercado a falta de senso referente ao preço das obras, pois um livro de bolso chega a custar até R$ 20,00 em livrarias. Privilegiando a distribuição nos bairros, nós da L.M. colocamos a periferia no centro do trabalho, já que somos nós que produzimos todo o conteúdo e depois temos de"viajar" para encontrar um local que venda nossos produtos. Cultura da periferia em alta voltagem. Quem for morador de bairro, e quiser ser um distribuidor, favor mandar e-mail para literaturamarginal@ibest.com.br para fazermos o cadastro. www.editoraliteraturamarginal.blogspot.com "

4 de mar de 2009

Obra de Cidinha da Silva discutida no "Favela é isso aí", em Belo Horizonte

BOLETIM ELETRONICO FAVELA É ISSO AÍ – N°88- 02/03/2009 Mulher é tema de discussão literária / No mês da mulher serão realizadas várias atividades pela cidade. No centro cultural Urucuaia acontece, neste sábado (07), o estudo literário “Amores de Mulher nas crônicas de Cidinha da Silva” no qual será analisado o livro “Você me deixe, viu, eu vou bater meu tambor”. O estudo será mediado pelo mestrando de literatura, PUC MG, Rogério Coelho. A atividade começa às quatro horas da tarde. A entrada é gratuita. O centro cultural fica Rua W3, 500, bairro Urucuia. Mais informações pelo telefone (31)3277-4648.

3 de mar de 2009

Mostra de cinema africano no Rio

SINOPSES: O jardim de outro homem (ficção). Direção: João Luis Sol de Carvalho (Moçambique/ Portugal/ França, 2006, 80 min.) Maior produção cinematográfica moçambicana realizada até agora, "O Jardim de outro homem" retrata o cotidiano de uma jovem estudante que enfrenta muitas dificuldades para realizar seu maior sonho: tornar-se médica. Na trama, Sol de Carvalho também denuncia a presença da Aids na sociedade local. Indicado ao 3º Cineport, em 2007, na categoria melhor filme. Cabo Verde, meu amor (ficção). Ana Lisboa (Portugal/ França/ Cabo Verde, 2007, 76 min.). A condição feminina em Cabo Verde na atualidade é o foco principal deste primeiro longa metragem da cineasta Ana Lisboa. Falado em crioulo cabo-verdiano, foi totalmente rodado na Cidade da Praia com um vasto elenco de atores amadores. Primeiro filme realizado e produzido em Cabo Verde, por cabo-verdianos. Bafata Blues (documentário). Direção:Babetida Sadjo (Guiné Bissau, 2007, 26 min) Em dezembro de 2004, Babetida volta ao país pela primeira vez desde 8 anos, após viver 13 anos em vários lugares da África, 4 anos no Vietnã e residir na Bélgica, desde 2000. Ela reencontra uma aldeia, um passado, uma família. O filme retrata de modo intimista esse reencontro com seu país de origem, comentado sobre a forma de um livro de viagens. O Comboio da Canhoca (ficção). Direção: Orlando Fortunato (Angola/ Portugal / França/ Tunísia/ Marrocos, 2005, 90 min.) O filme descreve a luta pela sobrevivência de um grupo de angolanos detidos pelas autoridades coloniais portuguesas na província de Malanje. Durante cinco dias, os homens detidos são esquecidos no vagão e chegam a se acusar de traição e morte. Ossudo (animação). Direção: Júlio Alves (Portugal, 2007, 14 min.) Baseado no conto "Ossos", do famoso escritor moçambicano Mia Couto, este filme é uma história de amor entre duas pessoas desamparadas. Participou de mais de vinte festivais pelo mundo. Recebeu, entre outros, o Troféu de Melhor Filme Português e o Troféu Ouro Animação no 36º Festival Internacional do Algarve. Cinderelas, lobos e um príncipe encantado (documentário). Direção: Joel Zito Araújo (Brasil, 2008, 107 min.). O filme vai do nordeste brasileiro a Berlim, buscando entender os imaginários sexuais e raciais de jovens, que se arriscam num caminho até a Europa, para mudar de vida ou encontrar seu príncipe encantado, e que compõem uma realidade de 900 pessoas traficadas para fins de exploração sexual e 1,8 milhões de crianças vítimas de pornografia e turismo sexual. O som e o resto (ficção). Direção: André Lavaquial (Brasil, 2007, 23min). Jahir é um virtuoso baterista carioca que toca numa banda evangélica. Ao se indispor com o pastor da igreja, se vê sozinho na rua com seu instrumento e inicia uma jornada existencial rumo à sua música. Participou de importantes festivais internacionais e, em 2008, foi o único curta-metragem brasileiro a conquistar uma vaga do Festival de Cannes, na seção Cinéfondation. Cariocas (documentário). Direção: Ariel de Bigault (França, 1989, 57 min.). "Cariocas" mostra diversas facetas do samba no Rio de Janeiro. Grande Otelo, nos guia ao encontro dos grandes músicos da cidade. Realizado originalmente para a TV francesa, conta com importantes depoimentos de Martinho da Vila, Paulo Moura, Velha Guarda da Portela, Nelson Sargento, Wilson Moreira, e Joel Rufino dos Santos. Doze discípulos de Nelson Mandela (documentário). Direção: Thomas Allen Harris (EUA/ África do Sul, 2005, 75 min.) O filme mostra o encontro de 12 amigos que deixaram a cidade de Bloemfontein (África do Sul) nos anos 60 para montar o Congresso Nacional Africano com Nelson Mandela. Com entrevistas, material de arquivo e reconstituições dramáticas, Harris recria essa importante história. Vencedor do Festival de filmes de Pan Africanos de Los Angeles, na categoria melhor documentário, em 2006. Adeus, até amanhã (documentário). Direção: Antonio Escudeiro (Portugal/ Angola, 2007, 60 min.). Antonio Escudeiro é conhecido com diretor de fotografia. Forçado a sair de Angola contra sua vontade, a volta só acontece trinta e dois anos mais tarde. O filme é uma viagem pelo tempo, pelas belas paisagens da África e pelas recordações do diretor. Selecionado para a competição o último DocLisboa – Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa. Graffiti (ficção). Direção: Lílian Solá Santiago (Brasil, 2008, 10 min.) São Paulo é a cidade mais grafitada do mundo. "Graffiti" acompanha o rolê solitário de Alê numa das noites mais sinistras que essa cidade já viveu. O que o move a enfrentar as ruas nessa noite? Ganhador do Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem (2006), do Governo do Estado de São Paulo, o filme é a estréia na ficção desta premiada documentarista. Com Sidney Santiago e Chico Santo. Esperando os homens (ficção). Direção: Katy Lena Ndiaye (Senegal/ Mauritânia/ Bélgica, 2007, 56 min.). Em Hassania, no abrigo de Oualata, uma cidade vermelha na fronteira distante do deserto de Sahara, três mulheres praticam pintura tradicional decorando as paredes da cidade. Em uma sociedade dominada pela tradição, pela religião e pelos homens, estas mulheres expressam-se livremente, discutindo o relacionamento entre homens e mulheres. Presente em mais de 20 festivais internacionais.