Não adianta louvar o leite declarado

A nova onda é o jovem político liberal branco que saiu do armário em rede nacional, com hora marcada na corrida presidencial, no país do mandatário genocida (a quem ele apoiava) e da TV que decide quem vencerá eleições. Solidariedade e respeito foram o mínimo que ele conseguiu da galerinha progressista que segue roteiro de novelas, principalmente o pessoal do seu estado natal, amigas e amigos negros inclusive, todos hetero, que se posicionaram diante da “coragem” do tal político. Quem é alvo de discriminação, diferente da opinião do autodeclarado “governador gay”, ainda que não queira, será identificado como aquilo que é, independente de sua identidade como membro do grupo discriminado. Eu posso dizer para a vida “não sou negra, nananinanão” e o mundo me dirá, “é negra, sim senhora, você não tem escolha”. Nesse sentido, Obama, por óbvio, foi um homem negro que presidiu os EUA em contraposição ao que disse o jovem político branco liberal. Em estruturas sociais racistas e LGBTQIA+fóbicas, o fato de ser uma pessoa negra, trans, lésbica, gay, vem à frente de tudo, queiramos ou não, e nossas vidas valerão menos por sermos carimbades por esses marcadores. Por essas e outras, coragem foi demonstrada por Fátima Bezerra, governadora do Rio Grande do Norte, e Elen Oléria, cantora, oriunda do DF. Duas mulheres negras lésbicas no país de adolescentes brancos que queimam indígenas e pessoas trans em situação de rua. Ao pessoal hetero-afobado, cuidado! Escolham uma liderança (individual ou coletiva) no campo LGBTQIA+, acompanhem seu pensamento; atentem à complexidade impressa nos debates pelos protagonistas da cena; orientem suas reflexões e posicionamentos vanguardistas em diálogo com elas, as lideranças. Caso contrário, vocês se assemelharão aos arroubos de gente branca dando lições morais sobre racismo, ou não passarão de bobalhões pongando no like da vez.

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