Estamos por nossa própria conta


por Cidinha da Silva

À medida que ouço as manifestações oficiais de pesar pela morte da ex-ministra Nilcéa Freire e o justo reconhecimento de seu trabalho e legado por parte de autoridades de seu partido, do governo vitorioso e transformador que ajudou a construir, relembro o quanto senti (sentimos) falta de manifestações oficiais à altura do significado da perda da querida Luíza Bairros, ex-ministra do mesmo governo e do mesmo partido, em 2016.

A institucionalidade, inclusive aquela que ajudamos a construir, sequer nos (re) conhece, não nos identifica em nossa singularidade contributiva, como podemos esperar que ela nos reverencie, Cidinha, sua tonta.

E se ousarmos desafiar as instituições como Tony Tornado fez ao criticar a voz e a forma de cantar da instituição Chico Buarque, preparem o lombo, porque o couro vai comer, e perguntarão: quem é você? Quem você pensa que é? Sabe com quem você está falando? E serão usadas todas as ferramentas discursivas para nos jogarem de volta naquele que julgam ser o nosso lugar.

É 2020 batendo à nossa porta, na nossa cara, "mais do mesmo", como dizem por aí. A frase "estamos por nossa própria conta", do líder sul africano Steve Biko, é um mantra que não podemos abandonar, sob pena de sucumbir ao achar que somos alguma coisa nesse mundo que apenas nos tolera quando necessário.

Comentários

Postagens mais visitadas