Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

28 de jul de 2011

Entrevista com o escritor e editor Ferréz sobre Literatura Marginal

(Literatura Marginal – uma entrevista com Ferréz por Rodrigo Casarin / Canto dos Livros). "Muito provavelmente o principal nome da Literatura Marginal na atualidade, o paulistano Ferréz tem São Paulo como o seu principal cenário. A cidade também é sua musa inspiradora. Estreou na literatura em 1997 com Fortaleza da Desilusão, mas ganhou projeção com o seu segundo livro, o aclamado Capão Pecado, que o colocou na pauta de conversas e debates literários. Desde então, também publicou Manual prático do ódio, o livro infantil Amanhecer Esmeralda e Ninguém é inocente em São Paulo, de contos. Suas obras já foram traduzidas na Itália, Alemanha, Portugal, Espanha e Estados Unidos. Além da Literatura, Ferréz ainda possui uma marca de roupas (a 1DASUL) e já fez trabalhos para o cinema e a televisão. Mas a sua carreira de escritor, claro, foi o assunto de nossa conversa". Canto dos Livros: Constantemente você é definido como romancista, contista e poeta. Por qual desses meios você começou a escrever? Como derivou para os demais? Qual deles prefere? Por quê? Ferréz: Comecei por contos, acho, pois fazia redações imensas, mas depois fui para a poesia. Meu primeiro livro Fortaleza da desilusão é de poesia, foi lançado em 97. Eu me considero romancista, gosto de histórias longas, mas também faço muitos contos. CL: Na sua opinião, o que é a Literatura Marginal? F: A literatura que representa até quem nunca vai lê-la, a voz dos sem voz. CL: Como a literatura ajuda a “salvar” as pessoas da periferia? F: No dia-a-dia, a literatura deixa você crítico, ajuda nas escolhas, na postura, melhora a estima, mostra como se impor na sociedade, ainda mais numa sociedade de fantoches. CL: Muitas vezes quem é de algum movimento marginal e começa a fazer sucesso passa a ser visto como um traidor do movimento. Isso aconteceu ou acontece com você? F: Ainda não, pois faço um trabalho de base forte, palestras em escolas públicas, ONGs, fundação casa, presídios e onde a literatura couber. Não falo para ricos nos eventos. Na verdade faço muitos eventos em comunidades, então quando pinta algo mais elitizado ninguém me enche o saco, pois me vêem em outras paradas. CL: Como funciona essa espécie de mercado independente que há da Literatura Marginal? F: Funciona com muita engenhosidade e com muita alegria, apesar do corre que é levar livro em mochila, ir de busão para evento e tal. Mas quando o livro vai para a mão de quem tem que ir, desde um sarau, onde você alcança o público direto, até show, onde o público é feito um a um na hora da saída. Quem tem força para esse trampo recebe muitos sorrisos e o melhor, lida com o seu público. CL: Por que há tanta diferenciação da Literatura Marginal para a Literatura em si? Se a Literatura Marginal é Literatura ela realmente precisa vir acompanhada de Marginal? Isso não acaba gerando uma espécie de segregação do tipo “Literatura é para e feita por uma parte da população”, enquanto “Literatura Marginal é para e feita por outra parte”? F: Não acho, essa literatura ai sempre teve outros nomes, mas a periferia nunca foi definida nem inserida nesses nomes, não somos a geração 90, nem os da praça tal, nem contemporâneos. Tem gente que fala que nem literatura somos. Então no meu caso isso serve para dizer que temos uma identidade e somos muitos, mas nome é nome, a forma é mais importante no final, se não tiver qualidade não é nada, então batemos na tecla de saber o que estamos fazendo, ter estilo e tal. CL: Como você pensa a estrutura e a forma dos seus livros? F: Primeiro me vem o título, ai faço um mini conto, como se fosse uma escaleta, e depois ele vai engordando, escrevo tão fragmentado que leva mais tempo montando o quebra cabeça que criando, cada papel na rua vira um trecho, um pensamento de personagem, uma ação. Na verdade, até hoje to tentando entender como escrevo, pois é confuso até pra mim. CL: Qual a sensação de ver os seus livros sendo traduzidos para diversas outras línguas? A que você atribui esse interesse do público do exterior? F: Acho bom. Pra mim foi vitória, pois diz muito que não importa minha história de vida, o que importa é o texto. Gringo não liga pra isso, liga pra qualidade das histórias, para a viagem que o livro proporciona. Ele não compra de emocionado, ele compra pelo conteúdo, e isso dá satisfação. Mas na verdade, tenho um sonho de alcançar mais meu país, que é muito grande e fica difícil a literatura chegar em vários lugares. CL: Numa leitura de seus dois primeiros livros, Capão Pecado e Manual Prático do Ódio, é possível verificar uma sensível mudança estilística de um para outro. Arriscamos dizer que o 1º parece ter sido escrito sem grandes pretensões, para um público específico, enquanto no 2º, até catapultado pelo sucesso estrondoso do antecessor, tudo parece adquirir maior escala e maior esmero. O que acha disso? F: Foi cobrança em cima de cobrança, então eu tinha que fazer algo mais trabalhado, até porque agora eu tinha leitores, coisa que antes não, e críticas também. Através dessas criticas eu procurei melhorar o trabalho, coisa que estou fazendo nesse novo romance, o terceiro que vou publicar, depois do Capão e do Manual ficou um buraco, que é esse livro novo que estou terminando. CL: Há pouco tempo, aconteceu uma polêmica envolvendo Capão Pecado, do qual extraíram excertos para uso em sala de aula, e que foram criticados pelo conteúdo erótico. Como você reagiu a isso? F: Na verdade eu não ligo, mas cada um pensa o que quer. Um país que mata criança por falta de hospital, que mata idoso por falta de acesso a remédio, vem com hipocrisia por palavrão. Um país que obriga os travestis a se prostituírem, pois não dá entrada no mercado de trabalho, vem criticar cena de sexo? Hipocrisia. CL: Na esteira da pergunta anterior, você se sente amarrado a escrever livros e textos presos ao estilo e temática de Capão Pecado? F: Não. Quem ler o Ninguém é inocente em São Paulo já vê alguns contos de ficção total, e fora do tema de periferia. Esse livro novo não tem nada de periferia, o tema eu já moro nele, não preciso carregá-lo. CL: Usar uma variante liguística diferente da que é usada normalmente na literatura convencional já te trouxe algum problema? Como sua escrita é vista por acadêmicos e catedráticos? Ainda que eles não sejam seu público alvo, alguma vez isso te preocupou? F: Trouxe vários, discussões com editores, que dizem que sou teimoso, que a linguagem que trago é difícil, mas pra quem é daqui não é difícil, então eu bato na tecla. Os estudiosos não me preocupam, eu respeito que eles estudem isso e tal, mas meu trabalho é escrever e não debater o que escrevo. Isso nunca me preocupou. A rua me preocupa. CL: Você chegou a ser apelidado de “o romancista da traição”. Por quê? Como recebeu o apelido, acha que procede? F: Recebi em várias palestras em faculdades, de professores de literatura. Segundo eles o tema traição é recorrente nas minhas obras, parei para pensar e comecei a notar que é verdade, desde letra de rap, como a Judas, que escrevi até o Capão, Manual, Ninguém, tudo tem traição. E no novo, por incrível que pareça, também, mas quem trai nesse novo é o tempo. CL: Quais autores e obras você acha fundamentais para uma boa formação cultural? F: Vixi, vou dizer o que serviu pra mim: Hermann Hesse, Bukowski, Fante, Tchekhov, Flaubert, João Antônio e Plínio Marcos. CL: O que você acha da literatura feita no Brasil hoje? E no mundo? O que você destacaria como muito bom e como muito ruim? F: É deselegante falar assim, quem é ruim ou bom, pois cada um tem um ponto de vista, e o que é ruim pra mim pode ser o início de leitura para alguém, mas não gosto dessa literatura metida à moderna, que você não consegue nem assistir a entrevista do cara de tão chata, pois o autor diz que sua obra é isso, que sua obra é aquilo e depois vai ler o texto e é ruim demais. Tem uns caras novos que tão escrevendo que parece tudo novela da Globo, só muda que fica mais floreado. Mas tem muita coisa boa, estou lendo muitos autores de Minas Gerais, inclusive mulheres, como a Cidinha da Silva, e estou apaixonado pelo estilo e verdade deles. CL: Quando sai o seu próximo livro? O que podemos esperar dele? F: Sai esse ano, chama-se Deus foi almoçar, um romance que escrevo há sete anos. É um romance psicológico, de um personagem de meia idade chamado Calixto, que enfrenta uma separação traumática e uma vida totalmente programada. E ele tenta sair disso.

20 de jul de 2011

Debate: Cultura, literatura, lendas e costumes da África

"Participarão três importantes escritores/as africanos/as: o angolano Zetho Cunha Gonçalves, que lança os livros “A Caçada Real” e “Brincando Não Tem Macaco Troglodita”; o guineense Abdulai Sila, com “A Última Tragédia” e Maria Celestina Fernandes, nascida em Lubango, com “A Árvore dos Gingongos”. Data: 27 de julho. 20hs. Sesc Vila Mariana / São Paulo.

15 de jul de 2011

Literatura para nossas crianças

(Texto assinado pelo QUILOMBHOJE, dedicado ao professor José Luanga Barbosa, companheiro e colaborador dos Cadernos Negros, falecido no dia 04 de julho de 2011, autor do conto “Identidade”, publicado no Cadernos Negros 32). "Algumas coisas, de tão acostumados que estamos com elas, acabam parecendo ser “naturais”. A representação do negro nos livro infantis e infanto-juvenis, por exemplo, é uma delas. Na verdade, há uma ausência de representação positiva do negro. Incrível que na maioria dos livros paradidáticos adotados pelas escolas o afrodescendente, quando não está ausente, está geralmente sub-representado sob a forma de personagens com as quais as crianças não querem ou não conseguem se identificar. Espantoso é que essa situação se perpetue ainda hoje, de forma “naturalizada”: é “natural” não vermos personagens afrodescendentes positivas nos livros infantis e infanto-juvenis. É tão “natural” que parece que a maioria das pessoas não está ligando muito para isso: as crianças têm pouco interesse pela leitura; para os professores, questões desse tipo passam a ser secundárias, diante de tantos problemas referentes ao sistema educacional; os pais optam por seguir a cartilha do que está "naturalmente" aí; assim as coisas acabam permanecendo como estão. Quem quer estimular nas crianças o hábito da leitura sabe que por vezes esse caminho apresenta muitas dificuldades. Oferecer a elas livros não basta, é preciso que nos coloquemos como exemplo, lendo. No entanto, em relação às crianças negras, será que o fato de elas pouco se verem representadas de uma forma prazerosa nos livros infantis e infanto-juvenis não contribui para o seu afastamento da leitura? Há algum tempo a média de livros lidos pelos brasileiros girava em torno de 1,8 livros por ano. Essa média passou para 4,7 livros/ano, contra, por exemplo, 10 livros/ano dos EUA. Mesmo nossos hermanos argentinos leem 5,8 livros/ano. Desses 4,7 livros lidos pelos brasileiros, 3,8 são didáticos. Certamente os programas de incentivo à leitura desenvolvidos pelo último governo têm contribuído para o crescimento do acesso aos livros. Mas nesse universo de leitura, o mercado e os leitores ainda continuam em patamares bem antigos. Os livreiros e o sistema educacional ainda não foram suficientemente sensibilizados pela lei 10639 para ofertar em quantidade livros infantis e infanto-juvenis protagonizados por afrodescendentes. Nossas crianças ainda não encontram, por exemplo, facilmente um herói negro, a despeito de termos na vida real a referência de Zumbi dos Palmares e outros. Embora tenhamos o livro “Zumbi, o Pequeno Guerreiro”, o zumbi que a maioria das crianças conhece é o dos filmes norte-americanos − na verdade uma salada que mistura ghouls (demônios da mitologia árabe, habitantes dos cemitérios) com o haitiano zombi ou nzumbe, uma espécie de “deus”. Tivemos revistas em quadrinhos com a personagem Luana, temos vários autores, como Kiusam de Oliveira, Cidinha da Silva, Edimilson Pereira, Esmeralda Ribeiro, Kayodê, Allan da Rosa, Sacolinha, Maria Rita, entre outros, que escreveram livros para crianças com uma visão “de dentro”, em que é difícil ocorrerem certos deslizes, como o recentemente acontecido na cidade de Londrina, na qual o Ministério Público mandou recolher livros didáticos que se propunham a “vivenciar" a cultura afro e indígena, mas cujo conteúdo era equivocado. Sem dúvida é fundamental termos referências afrodescendentes positivas, talvez mesmo heróis, como abordado no conto “Identidade”, do CN32, para ofertarmos às nossas crianças de todas as cores e ajudá-las em sua formação e autoestima. A questão é se a maioria se dá conta disso e se as pessoas estão dispostas a exigir isso dos professores, do mercado e de si mesmas. Podemos e devemos dar a devida atenção a uma literatura infantil e infanto-juvenil com personagens afrodescendentes positivas para que crianças e jovens de todas as cores se vejam e vivam com mais intensidade o prazer da leitura."

14 de jul de 2011

Cidinha da Silva em entrevista para pesquisadoras de literatura infantil e juvenil

Concedi entrevista para duas pesquisadoras da UERJ, Camila Sabino e Patrícia Condé, integrantes do projeto de pesquisa "Literatura Infantil e Juvenil - Perspectivas Contemporâneas", que consiste em uma atividade de pesquisa e extensão "que pretende investigar a produção literária contemporânea produzida para crianças e jovens e promover a discussão entre docentes acerca de temas relevantes na relação literatura e educação." Que gosto dá responder a perguntas bem formuladas. São um estímulo para a reflexão e nos fazem dizer coisas que não esperávamos. Leia abaixo a nossa conversa. Os Nove Pentes d'África é autobiográfico? Há experiências pessoais inseridas na trama? Não, não é autobiográfico. É uma história criada a partir de determinados símbolos. O livro nasceu do desenho de cinco pentes e do mote criador de um artesão negro que, ao chegar ao fim da vida tinha apenas alguns pentes de madeira ao estilo africano. Antes de morrer ele deixaria seu único bem, os pentes, para os filhos. Quando me apresentaram a idéia, de cara não gostei do destino fracassado desse homem. Transformei-o em um bem sucedido artista da madeira, que, aliás, tornou-se artista por amor, por amar uma mulher a quem entregou o melhor de si, ao longo da vida. Pedi à ilustradora o desenho de mais 4 pentes (a esta altura já havia testado vários números até chegar aos 9, sempre atenta ao que acreditava ser o alcance do meu fôlego para escrever uma narrativa extensa) e já sabia que o livro teria o formato de uma novela, com capítulos mais ou menos autônomos, em torno de um velho artista negro chamado Francisco Ayrá, que deixaria pentes africanos como herança para os 9 netos, trançados à lenda pessoal de cada um deles. Daí surgiram os pentes do amor, da alegria, da perseverança, da liberdade, da abundância, da admiração, da generosidade e solidariedade, da sabedoria e do tempo. Quanto às experiências pessoais, creio que, em alguma medida elas sempre estão presentes na criação artística, mas não há nada específico que eu tenha tido a intenção de destacar no “Pentes”, ou a necessidade de explicitar agora. Você buscou simbologia específica sobre o elemento pente? Qual? Sim, os pentes africanos estão diretamente relacionados a uma textura de cabelo, os vários tipos de cabelo crespo das pessoas negras, em África, na Diáspora, no mundo. O cabelo crespo tem sido usado pelo racismo como um instrumento de opressão aos negros, encrustado em suas cabeças, no vórtice energético que os conecta ao universo e à espiritualidade. O cabelo crespo, ao contrário do que prega o racismo, é belo e libertador, oferece inúmeras possibilidades estéticas e o pente que o penteia é símbolo da desconstrução da história que quer nos subalternizar e construção de uma outra, que nos irradia em nossa plenitude humana. Por que classificar Os Nove Pentes d'África como novela? Como já disse, porque a história é organizada em capítulos mais ou menos independentes. Além disso, embora tenha personagens muito bem estruturados, o enredo não tem a complexidade que um romance mereceria, mesmo um romance curto. Por que você resolveu escrever para crianças? Porque quando publiquei meu primeiro livro, “Cada tridente em seu lugar”, uma sobrinha, à época com 6 anos, em processo de alfabetização, tentava lê-lo. Entre a alegria e o constrangimento, eu pedia desculpas a ela porque o tipo de letra era muito pequeno e explicava que se tratava de um livro para adultos, etc. Ela então me perguntou “quando eu escreveria livros para crianças.” Três anos depois, em 2009, publiquei o “Pentes.” Este ano publiquei o “Kuami”, um romance para crianças de todas as idades e em breve sairá do forno “O mar de Manu”, um conto para crianças. Como se pode notar, gostei da experiência e continuo escrevendo para os pequenos, movida pelo desejo de ser lida pelas minhas crianças. Quais livros atuais você considera obras de arte no campo da literatura infanto-juvenil brasileira? Por quê? Há 3 autores no campo da literatura infantil e juvenil que, a meu ver, construíram uma obra basilar, são eles: Bartolomeu Campos de Queiroz, Marina Colassanti e Edimilson de Almeida Pereira. Desses autores não consigo citar um livro apenas, toda a obra é consistente, complexa, poética, encantadora. Para citar três livros de outros autores, gosto muito de “ O meu amigo pintor”, de Lygia Bojunga, pela delicadeza e acuidade para abordar o tema do suicídio com as crianças; “A cor da ternura”, de Geni Guimarães, pela poesia cortante e “Didó – o curandeiro”, de Sônia Hirsh, um dos livros mais completos e encantadores que já li. Seu trabalho gera discussões em torno do valor da memória e da tradição. Como é possível, nos dias atuais, desenvolver nos jovens uma relação com memória e tradição? No meu caso, na minha linha de trabalho, gosto muito de mesclar elementos da tradição com outros da contemporaneidade, às vezes signos da cultura de massas. Em “Dublê de Ogum”, por exemplo, conto do meu primeiro livro, abordo os mitos de Ogum me valendo de personagens de desenhos animados que usam espada. No “Pentes”, Zazinho usa dreadlocks e estuda Direito. É bem possível que goste de reggae. É filho de N’Zazi, provavelmente um filho dileto e muito fiel ao arquétipo do pai, pois seu apelido sintomático é Zazinho. Levando em conta a formação educacional atual voltada para a individualização do ser e para uma formação tecnicista voltada para o mercado de trabalho, de que forma você vê o ensino das artes, principalmente da literatura, nos dias atuais? Creio que enquanto quem ensina literatura insistir em “respostas certas” para a interpretação de textos e naquilo que, supostamente, “o autor quis dizer”, não investiremos no gosto pela leitura. Por outro lado, existe hoje todo um movimento a favor da leitura que acontece fora da escola e começa a chegar até ela. Falo das políticas públicas de incentivo à produção/circulação do livro e à leitura, bem como do movimento de literatura periférica, predominante em São Paulo, mas que também já é perceptível em outras cidades do país. Este movimento, por meio da produção de livros, saraus e outros eventos literários, tem arejado o debate literário e acendido nas pessoas em formação, matriculadas nas escolas públicas, principalmente, o gosto pela leitura. Qual é o tema do seu novo livro? “Kuami”, lançado em maio, é um romance para crianças de todas as idades. Narra as aventuras de Kuami, um elefante mirim, que, apoiado por Janaína, uma pequena sereia que se torna sua amiga-irmã, arregimenta amigos para resgatar Dara, mãe dele, seqüestrada em África por plantadores de soja transgênica. A história se passa em algum lugar da Amazônia brasileira. Como aconteceu no “Pentes”, as relações de amor em família estão em alta. A diferença é que em “Pentes” destaquei uma família nuclear e, em “Kuami”, o amor se faz na família estendida formada por Kuami e Janaína. Você poderia comentar rapidamente sobre o seu processo de escrita para crianças e jovens? É similar à elaboração das crônicas e contos, crio uma história e quero contá-la. No caminho ela vai crescendo, ganhando consistência, cor, detalhes, ritmo, poesia e às vezes me surpreende, como foi o caso de “Kuami”. O livro contaria a história de Janaína, uma pequena sereia, enquanto ela passava da infância à adolescência, cercada de elementos afropop. Kuami sequer existia no texto. Era apenas um elefantinho de pelúcia com quem convivi durante alguns dias. Aliás, ele nem tinha nome, era o “fantinho”, simplesmente. Kuami, por sua vez, seria o nome de uma criança. Quando Janaína saiu do Sereal para explorar a superfície, encontrou o simpático elefantinho à beira do igapó e a história mudou. Kuami, meu querido Kuami, nasceu ali, ouvindo rock pesado num “tudo-pode” e com aquele jeito sedutor e amoroso roubou a cena e a história passou a ser dele. Desde que Kuami apareceu e cresceu em proporções elefânticas, o nome do livro mudou de “Janaína, a sereia afropop” para “Janaína e Kuami” e depois para “Kuami, o fantinho de Matamba.” Matamba é uma região de Angola, pela qual tenho fascinação. Ocorre que é uma área de floresta e, em nome da verossimilhança, Dara, a mãe de Kuami, foi seqüestrada na Lunda, uma região de savana. Assim fui tecendo a história e o livro se tornou “Kuami”.

13 de jul de 2011

Livro de autora franco-senegalesa em breve, nas livrarias

(Divulgação). "A atmosfera noturna dá à história da autora franco-senegalesa Marie NDiaye, vencedora do Goncourt de 2009, um caráter sombrio e misterioso. O sincretismo de NDiaye ecoa em seu texto, mescla de metáforas dos contos de fada tradicionais e de elementos da literatura antilhana. No livro, uma diaba sai todas as noites da floresta à procura de sua filha que desapareceu misteriosamente, junto com a casa onde moravam. Foi quando a diaba percebeu também que seus delicados pés haviam se transformado em cascos de cabra – deformidade que causa repulsa nas pessoas. A ambiguidade da personagem – alegoria da noite –, de face graciosa, olhos doces, mas com cascos no lugar dos pés, suscita no leitor alguma hesitação e muitos questionamentos. Um livro enigmático que nos convida a refletir sobre como o afeto é capaz de humanizar até a aparentemente mais aterrorizante criatura e sobre a importância de se respeitar as diferenças, visíveis e invisíveis." “NDiaye escreve sobre os nossos medos e o modo como eles são colectivamente construídos. Escreve sobre a necessidade de classificarmos os outros e os arrumarmos em bons e maus, em anjos e monstros.” Mia Couto

12 de jul de 2011

O drible no racismo

(Por Ronald Augusto). "O episódio acerca da discriminação racial de que foi vítima o jogador de futebol Grafite, que à época (2005) atuava pelo time do São Paulo, gerou um debate revelador a propósito de um sem-número de imposturas no tocante ao modo de abordagem do racismo brasileiro em âmbito futebolístico. Não é de agora que se percebe que a barbárie – ou uma irracionalidade circunscrita, e como que tolerada, dentro dos limites “da rodada” – se refugia nos apreciadores e nas coisas relacionadas ao futebol. De outra parte, não recuso de modo nenhum o futebol que, não só para mim, aliás, para muitos, é considerado uma forma de arte e, portanto, de modo análogo como o poeta Charles Baudelaire a entende, também o futebol tem os dois elementos constitutivos da modernidade artística: um que é contingente (pode ser jogado com mais ou menos cadência, pode ser mais ou menos defensivo, etc.) e outro que é eterno (são onze contra onze, habilidade com a bola e eficiência na ocupação dos espaços). Sou torcedor convicto do meu time e dessa arte que eventualmente ele e outras equipes são capazes de nos oferecer por meio de algumas sinédoques, como, por exemplo: a plasticidade dos movimentos; contra-ataques precisos; gols de fora da área; goleiros pegadores de pênaltis; tabelinhas geniais só comparáveis a parcerias musicais também geniais; um gol de bicicleta; o zagueiro ou o volante que joga de cabeça erguida e se antecipa ao atacante, enfim, nomes são mais eloquentes: Pelé, Garrincha, Maradona, Ademir da Guia, Manga, Zidane e Messi. Mas, ao mesmo tempo, presto atenção à fala dos envolvidos (torcedores, jogadores, técnicos, cartolas e a crônica esportiva) e sua rebaixada argumentação erística cuja meta é antes vencer do que convencer o oponente, não interessando por que meios, isto é, estando ou não ao lado da razão. Em função disso, não há como negar o preconceito entranhado no discurso que informa esse esporte e sua circunstância. Retorno, portanto, ao início deste texto com um resumo do fato acontecido com o jogador Grafite. O caso diz respeito ao episódio que envolveu o atacante brasileiro e o zagueiro argentino Leandro Desábato, então defendendo a equipe do Quilmes, durante partida válida pela primeira fase da Copa Libertadores do ano de 2005. O jogador brasileiro acusou o argentino de racismo, que recebeu voz de prisão ainda no gramado do Morumbi. Desábato ficou preso por dois dias em São Paulo acusado de injúria com agravante de racismo depois de ter insultado Grafite, em campo, chamando-o de “negro de merda”. O fato desencadeou uma onda de mal-estar, e nessas ocasiões há um comentário recorrente que aparece aqui e acolá defendendo o seguinte: “Sinceramente, não sei o que este tipo de discussão de portas abertas pode trazer de benefício”. Só um pouco! Quero entender essa angústia: o racismo seria então uma “questão de foro íntimo”? Ouvi algo equivalente a isso da boca de um renomado comentarista esportivo do rádio e da televisão do Rio Grande do Sul, não é por outro motivo que seus pares de jornada futebolística o chamam de Professor. Pois esse Professor, a propósito do caso Grafite, deu mostras de sua sabedoria, prevaricando com uma argumentação que dizia mais ou menos assim: a intimidade indecorosa das quatro linhas, o espaço mítico do campo deve ser preservado, pois o que se passa no interior das marcas de cal não deve sair dali. Nessa peleja de constantes contatos físicos, onde as emoções estão à flor da pele, onde muitas injúrias, palavrões e impropérios são lançados mutuamente e em que, não por outra razão, nos últimos tempos tem-se cobrado, inclusive, o fair play dos atletas; enfim, em que, por todas essas tensões, as sequelas ríspidas advindas deveriam ser relevadas e mantidas tão só ali, já que depois dos noventa minutos tudo retorna ao seu leito normal, todos são adultos e profissionais e sabem que se trata apenas de mais uma partida. A paixão envolvida, ou melhor, mais do que isso, requerida nesse desporto, até seria uma atenuante dos eventuais “excessos de força” aplicados, seja numa entrada de sola, seja num epíteto ofensivo. Essa roupa suja não se lavaria em público. O arrazoado do Professor não destoa da visão de mundo em que estamos imersos até o pescoço quando tal tema é trazido à tona. A recusa covarde ao debate público sobre fraturas sociais que, o mais das vezes, se mantêm arraigadas nas esferas do espaço privado, suporta a sensação de segurança de quem patrocina essa regressão permanente da indiferença ao preconceito – ou à sua naturalização –, tornando os envolvidos diretos aptos apenas para desempenhar as tarefas e as falas estupidificantes que a sociedade exige deles. Os boleiros hesitam entre a elegância do carrossel holandês e o círculo vicioso da várzea, onde é cada um por si e o preconceito racial chuta as suas canelas. Sabe-se que na aurora do futebol brasileiro seus adeptos e praticantes eram todos brancos; coisa da alta sociedade. Com o passar do tempo, quando os negros começaram a praticá-lo acontecia um fenômeno curioso: durante os noventa minutos sacrossantos do jogo, dentro da intimidade das quatro linhas, as faltas só existiam dos negros sobre os brancos. Era o futebol inglês aclimatado ao jeitinho brasileiro, digamos assim. O drible-ginga nasce como resposta à cegueira do juiz com relação às faltas que os brancos infligiam aos negros. Podemos supor que o juiz, esse despachante menor da garantia do direito republicano à igualdade, fazia vista grossa a maior parte do tempo; favorecia os desfavorecidos de cintura dura. Portanto, os jogadores brancos tinham uma quota de faltas a infligir aos jogadores negros. Estes, para escapar, ou fugir das faltas, inventaram o drible, a finta, o jogo de corpo, o corta-luz, a pedalada. O modus faciendi da capoeira é transposto ao futebol. Assim, cada vez que alguém, agora, dá um drible no mané de plantão, reprisa-se a superioridade da sutileza sobre a barbárie. A cada vez que revemos Edson Arantes do Nascimento dando um drible memorável, mesmo que sua vítima-escada seja um “irmão de cor”, reinventa-se, por meio desse lance de desobediência civil, o trauma, a humilhação, a transgressão – porque tal coisa parece ser contra natura –, em suma, a infração do negro se impondo sobre o branco. Por que contrabandear de dentro das quatro linhas para o ar respirável aqui de fora essa questão impertinente? No Brasil não se discute publicamente o racismo, não só porque a maioria ainda aceita o mito da democracia racial, mas porque levar às últimas consequências esse debate talvez faça com que o “pessoal tome gosto pela coisa”, vale dizer, que se aperceba de que ser abertamente racista talvez seja plausível. (O silêncio em torno do problema do suicídio obedece à mesma lógica supersticiosa: “falar do assunto à vista de todos só faz piorar as estatísticas a respeito”, dizem). Por isso reiteramos o lugar comum de que nossa situação de “racismo cordial” seria preferível à do histórico segregacionismo estadunidense; serve de desculpa para deixarmos as coisas do mesmo jeito: pelo menos não piora. É engraçado que o aparente estado de barbárie daquele país – relativamente a este quesito em que somos mais civilizados e, supostamente, tocamos o primeiro violino, afinal somos uma “nação morena” – tenha permitido que um negro se elegesse presidente. Enquanto isso, bulimos e lambemos nossas feridas, lendo de maneira fleumática – espécie de iluminismo de fachada, de branco cor de fiambre – a inquietação neurastênica do texto “O Presidente negro” de Monteiro Lobato, esse intelectual e mestre fundador da identidade brasileira, cuja blindagem começa a fazer água, e que dizia: “...será o choque da raça negra com a branca, quando a primeira, cujo índice de proliferação é maior, alcançar a raça branca e batê-la nas urnas, elegendo um presidente negro!”. Para finalizar este artigo, adapto de Manuel Bandeira uma ideia que o poeta defende em crônica datada de julho de 1958 – em que, despretensiosamente, apela à arte da bola, ao ludopédio, em seu sentido tanto estético quanto ético –, qual seja, que diante da capitalização política da conquista brasileira da Copa do Mundo daquele ano, os nossos grandes representantes se preparavam para desfazer com as mãos (fast fingers) o que os campeões fizeram com os pés." ANEXO: Fragmento de uma crônica sobre futebol, de Manuel Bandeira: “(...) uma briga no jogo entre adversários sem educação pode acarretar movimentos de antipatia entre os países a que eles pertencem. Não é insensato? O campeonato sul-americano recentemente disputado [Bandeira se refere ao certame de 1959] em Buenos Aires ofereceu um exemplo desse perigo. Brigamos com os uruguaios, povo de que somos fraternalmente amigos, salvo em futebol, e foi com imensa apreensão que entramos em campo para disputar a final com os argentinos. Felizmente estes se portaram de maneira irrepreensível, o resultado foi o melhor que se poderia desejar – o empate na partida, embora tenhamos perdido o campeonato. Na verdade o perdemos quando empatamos com os peruanos. É preciso que as entidades do esporte inglês, a imprensa, os torcedores, toda a gente, se capacitem de que esses prélios internacionais são antes de tudo grandes festas de aproximação, de confraternização. A honra nacional está em causa não na vitória ou na derrota, mas no fair play.” [08 de abril de 1959] *Ronald Augusto Poeta, músico e crítico de poesia. É autor de, entre outros, Homem ao Rubro (1983), Puya (1987), Kânhamo (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004) e No Assoalho Duro (2007). Despacha no blog www.poesia-pau.blogspot.com e é diretor-associado do website www.sibila.com.br

11 de jul de 2011

Simples Raportagem lança CD de Rap em Salvador

(Divulgação). "O grupo Simples Raportagem, lançará, em sua terra natal, Salvador, no dia 16 de julho de 2011 (sábado), seu primeiro álbum musical, intitulado "Em primeira mão." O evento acontecerá na Praça Tereza Batista, Pelourinho a partir das 19h e será aberto ao público. Ao comando da mestra de cerimônia Mia Lopes, o Simples Rap’ortagem promete um show interativo, cênico, com muita irreverência e boas idéias. A ambientação é assinada pelo cenógrafo Deilton José, responsável por importantes trabalhos no Teatro Castro Alves. Inovando a cena rap baiana, o grupo apresenta dançarinos sob o comando da coreógrafa Jedjane Mirtes e o B.boy Ananias, que trazem novas possibilidades rítmicas para o hip-hop. Os vocalistas Jorge Hilton e Preto Du interpretam personagens criados para o show, dentre eles estão Zeca e Tião, que ao som do blues, passam uma mensagem crítica e bem humorada sobre a violência contra a mulher; além do pastor e o endemoniado, fazendo uma sátira aos líderes religiosos que atuam de modo preconceituoso; e a esperada revanche do Duelo de Gênero entre o ultra machista-sexista MC Bengala e a feminista MC Eduarda. O repertório do show trará canções inéditas do CD, além de músicas consagradas na trajetória do grupo. Participarão da festa os artistas Afro Jhow, Lucas Kintê e o DJ Erry-G que vem direto de São Paulo prometendo uma discotecagem pra sacudir o público. Através do telão, a platéia poderá acompanhar a projeção de imagens montadas especialmente para cada música, além de clipes e entrevistas da banda. O álbum musical do Simples Rap’ortagem contendo 14 faixas e mais adesivo será vendido exclusivamente no evento a preço promocional de R$ 5,00." Confira o VT 27'': http://www.youtube.com/watch?v=FMDPdbLlu3s Serviço: Show de lançamento do CD "Em Primeira Mão" - Simples Raportagem. Convidados: DJ Erry G, Afro Jhow e Lucas Kintê. Data: 16 de julho de 2011 (Sábado). Local: Largo Tereza Batista (Pelourinho). Horário: A partir das 19h. Entrada Franca.

7 de jul de 2011

A Legião Negra, romance histórico de Oswaldo Faustino

Romance histórico do jornalista Oswaldo Faustino aborda uma faceta pouco conhecida da história nacional: a participação voluntária de um grande número de afro-brasileiros a Revolução Constitucionalista de 1932, contra o regime de Getúlio Vargas a quem, contraditoriamente, grande parte desses combatentes reverenciava como “pai dos pobres”. (Release) "Entre julho e outubro de 1932, milhares de paulistas lutaram contra a ditadura de Getulio Vargas, instituída dois anos antes. Entre os objetivos dos revoltosos estavam a promulgação de uma nova Constituição e a deposição de Vargas. Muito já se contou sobre esse episódio, mas em A Legião Negra (Selo Negro Edições, 224 p., R$ 50,90), do jornalista Oswaldo Faustino, um ângulo quase inédito do episódio é apresentado: a brava atuação de uma legião formada, a princípio por três batalhões voluntários compostos exclusivamente de afrodescendentes. A ideia para o livro surgiu quando o ator Milton Gonçalves contou a Faustino que gostaria de fazer um filme sobre a Legião Negra e pediu ao escritor que pesquisasse o assunto. Recorrendo a documentos e publicações de época, obras acadêmicas e entrevistas com familiares dos combatentes, Faustino entrou em contato com a história de personagens reais que, no romance interagem com os concebidos pelo autor. A pesquisa permitiu-lhe também reconstruir o contexto social, cultural e econômico da São Paulo da década de 1930 – ora em situações conflituosas ora em aparente harmonia se interrelacionavam paulistas quatrocentões, negros, mestiços, imigrantes europeus e migrantes oriundos principalmente de estados do Nordeste. Cada qual com seus costumes e em espaços determinados, é verdade. Aos negros e pardos restavam apenas os cortiços, porões e subúrbios, as rodas de tiririca, o jogo ilegal e os biscates. O livro começa apresentando ao leitor o centenário Tião Mão Grande, que nos dias de hoje relembra sua participação, como voluntário, na Revolução de 1932. Sua memória recupera episódios e personagens que mudaram sua vida e a dos paulistas para sempre: alguns reais, como Maria Soldado, empregada doméstica que decidiu engrossar as fileiras revolucionárias; o advogado Joaquim Guaraná Santana e o grande orador Vicente Ferreira; outros fictícios, mas inspirados em arquétipos históricos, como Teodomiro Patrocínio, protegido de uma rica família que de início renega a ascendência africana e a negritude, mas depois se torna um grande líder militar da Legião Negra; Luvercy, jovem negro alistado contra a vontade pelo próprio pai, também combatente de ideais patrióticos; John, um jamaicano foragido nos EUA, onde participava das lutas anti-racistas e conviveu com pensadores como seu conterrâneo Marcus Garvey. A cada capítulo, Faustino recria os valores de uma época pautada pelo patriotismo, mas também por um intenso preconceito racial. Um dos méritos do livro é mostrar que, apesar de alijados de direitos e com chances mínimas de ascensão social, milhares de negros aderiram a uma causa estranha à sua realidade – causa que, embora justa, traria ínfimas mudanças à sua situação de excluídos. “Poucos brasileiros sabem que esses bravos batalhões existiram. Infelizmente, o protagonismo negro continua fora da história oficial”, afirma Faustino. Por conta disso, um dos objetivos do autor foi criar uma obra acessível à juventude brasileira. De acordo com o escritor e compositor Nei Lopes, que assina o prefácio da obra, “A Legião Negra rompe com paradigmas, enganos e preconceitos, ajudando a reconstruir a história dos afrodescendentes com seriedade e dignidade”. O autor: Oswaldo Faustino é jornalista desde 1976, além de escritor e estudioso de relações etnorraciais. Foi repórter de rádio, TV, revistas e jornais, como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, além de editor de Cultura do Diário Popular. Escreveu a biografia de Nei Lopes, primeiro volume da Coleção Retratos do Brasil Negro (Selo Negro, 2009). É coautor de diversos livros infantojuvenis e colaborador da revista Raça Brasil. Ministra palestras e minicursos para educadores sobre formas práticas para a implementação da Lei n. 10.639/03, que institui o ensino obrigatório de História e Cultura Afro-Brasileira."

6 de jul de 2011

Carta convite para participação da antologia Negrafias - Literatura e Identidade vol. 03

"Motumbá! Estamos preparando o terceiro volume da antologia Negrafias – Literatura e Identidade. O livro é organizado por Marciano Ventura e publicado Selo Editorial Ciclo – Contínuo que esse ano teve um projeto de difusão de Literatura Afro-brasileira aprovado pelo Programa VAI/SP. Resolvemos dar continuidade à proposta da antologia, que pretende prioritariamente propiciar à autor@s negr@s, a oportunidade de expor, através de textos literários, suas idéias, anseios e visão da realidade. Entendemos que tal publicação seja de suma importância, dada a escassez de produções literárias e difusão de jovens escritor@s negr@s, além de promover a continuidade de um trabalho independente e fortalecer a produção e circulação dessa literatura. A publicação de Negrafias – literatura e Identidade tem aintenção de ser um meio para @ escritor@ divulgar seus textos e experimentar um exercício enriquecedor que é a responsabilidade de vê-los publicados e criticados pelo leitor, estimulando, desse modo, uma reflexão sobre seu próprio fazer literário. Além disso, intenta apresentar-se como um espaço de produção artístico/intelectual negra, colaborando tanto para a construção de referenciais positivos quanto na difusão dessa vertente da literatura brasileira. Portanto, pretendemos que a edição do volume 03 de Negrafias - Literatura e Identidade possa apresentar ao leitor visões de mundo versificadas presentes nas elaborações de nov@s autor@s e contar com sua contribuição e participação. OBJETIVO DA ANTOLOGIA NEGRAFIAS: - Divulgar a produção literária de autores negros; - Promover encontros e diálogos entre grupos e pessoas dedicados às questões raciais e à cultura afro-brasileira; - Fortalecer e divulgar as produções intelectuais voltadas às culturas negras; - Contribuir para a formação de comunidades de leitores; FORMATO DO LIVRO: Tamanho final fechado 14X21 cm; capa em 4 cores, laminação brilhante, hotmelt; miolo em preto e branco, PAPEL OFF-SET 90 gramas; TEMA: Serão aceitos textos com qualquer temática, exceto: - os de conteúdo estritamente pornográfico; - textos de cunho preconceituoso ou racista, fora do contexto da história. TEXTOS: - Pode se inscrever textos literários. Poesia, conto, crônica, teatro; - Deverão ter no máximo 5 páginas, incluindo os espaços, escritos com fonte tamanho 12, preferencialmente Times New Roman, no formato A4, espaçamento 1,5; - Cada texto deverá conter o Título, Nome do Autor ou Pseudônimo, Endereço completo para contato, Telefone, E-mail, sem nenhum tipo de imagem. - Caso o autor selecionado queira ser publicado com pseudônimo, deverá fornecê-lo juntamente com seu nome verdadeiro; - Os textos deverão estar obrigatoriamente no idioma português, o que não impede a utilização de nomes e termos estrangeiros ou gírias; - Breve biografia dos autores selecionados (10 linhas cada) e fotografia. ENVIO DOS TEXTOS: Os arquivos poderão ser enviados via e-mail, sendo 1 (um) arquivo para cada texto, com sua respectiva folha de rosto. Endereço para envio de textos via e-mail: ciclocontinuo.literatura@gmail.com PARTICIPANTES: - Serão aceitos autores inéditos ou não. - Textos inéditos ou publicados apenas na Internet em sites de cunho literário ou blogs podem ser inscritos normalmente. - Cada autor poderá inscrever até 5 (quatro) poesias. - Serão aceitos autores de todo o Brasil, de qualquer escolaridade ou formação. DISTRIBUIÇÃO E CIRCULAÇÃO: - Os autores que tiverem textos escolhidos para completar a obra, receberão 10 livros cada para divulgação; - Haverá três lançamentos oficiais onde a renda arrecadada será revertida à Comunidade de Terreiro Ilê Axé de Yansã – Araras/SP; - Caso haja interesse em adquirir mais exemplares, os mesmos serão repassados para os autores participantes a preços promocionais. - Os livros serão vendidos ao preço de R$ 15,00 cada exemplar. LANÇAMENTO DO LIVRO: - Primeira semana dezembro de 2011. DA COMISSÃO ORGANIZADORA: A comissão organizadora será a responsável pela escolha das obras, e será definida pelo Projeto editorial Ciclo Contínuo, sendo formada por colaboradores e convidados. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O Projeto Editorial Ciclo Contínuo informa que o simples ato da inscrição para a participação faz com que o participante aceite todas as regras expostas no presente documento. Dúvidas subseqüentes à escolha e até a publicação do Livro Negrafias vol. 03 serão resolvidas de comum acordo pela Comissão Organizadora. Por isso, sugerimos que os interessados leiam atentamente o presente documento." SOBRE PRAZOS: 04 de setembro – Prazo para envio dos textos; Previsão de lançamento - Segunda semana de dezembro. Contatos: ciclocontinuo.literatura@gmail.com www.ciclocontinuodeliteraturas.blogspot.com/