Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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30 de ago de 2011

Recado para as escritoras negras

"Meu nome é Valéria Guedes e sou autora do blog Belezas de Kianda, espaço criado para a mulher negra. Estou à procura de autoras negras para divulgar/recomendar suas produções literárias no blog. Quem tiver interesse em colaborar, pode entrar em contato comigo através do meu perfil no Facebook ou pelo e-mail valeriaguedes.design@hotmail.com. Um grd abç!"

28 de ago de 2011

Diretor e ator Wolf Maia é condenado por racismo!

(Deu no Estadão - foto TV Globo/divulgação). "O técnico em iluminação Denivaldo Pereira da Silva teve sentença favorável contra o diretor e ator Wolf Maia proferida na última sexta-feira, 2, pela 2ª Vara Criminal de Campinas. Maia foi condenado por injúria racial e sua pena é o pagamento de 20 salários mínimos mais prestação de serviços comunitários por cerca de dois anos. Denivaldo trabalhava em uma empresa terceirizada em colaboração com a equipe de Wolf Maia na peça "Relax...It's sex...", quando o canhoneiro de luz faltou, conta o advogado de defesa Sinvaldo José Firmo. Após o término do espetáculo, Maia teria feito uma reunião com todos que trabalharam na peça, com críticas aos que trabalharam na ocasião. Maia teria dito: "...o som é uma merda, a iluminadora não tem sensibilidade e ainda me colocaram um preto fedorento que saiu do esgoto com Mal de Parkinson, para operar o canhão de luz...", segundo a sentença. O advogado de Maia, João Carlos de Lima Junior, disse que já recorreu da decisão e agora apela ao Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo. "Com certeza a decisão será revertida no Tribunal", disse Lima Junior. Ele afirmou ainda que seu cliente é uma pessoa pública, amplamente conhecida pela sociedade em mais de 30 anos de vida pública e "jamais faria uma coisa dessas." A peça foi encenada em 2000, em Campinas. Em um primeiro momento, a 6º Vara Cível da cidade julgou improcedente o caso, por considerar não haver provas suficientes. A defesa de Denivaldo apelou ao TJ que, em 2004, determinou que o juiz aceitasse a denúncia. De acordo com o advogado de defesa de Denivaldo, o técnico não conseguiu emprego na área depois do ocorrido e precisou passar por tratamento psicológico. "Ninguém mais queria contratá-lo porque ele estava mexendo com uma pessoa famosa. Ele ficou muito mal". "A justiça foi feita", concluiu." http://www.estadao.com.br/noticias/geral,wolf-maia-e-condenado-por-racismo,730202,0.htm

27 de ago de 2011

No prelo - Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica

Recebo e-mail efusivo de Eduardo de Assis Duarte, autor de "Machado de Assis Afro-descendente: escritos de caramujo" (antologia - Pallas/UFMG), avisando que a coleção Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica, organizada por ele, está quase pronta, sai em outubro! Serão 4 volumes numa caixa (editora da UFMG), totalizando 2028 páginas, com estudos e excertos de 100 escritoras e escritores afro-brasileiros. Literatura e Afrodescendência no Brasil é fruto de pesquisa realizada em todas as regiões do país com vistas ao mapeamento e estudo da literatura produzida pelos afrodescendentes desde o período pré-colonial. Integraram o projeto 61 pesquisadores, vinculados a 21 instituições de ensino superior brasileiras e 6 estrangeiras. O resultado revela 100 escritoras e escritores oriundos de tempos e espaços diversos, apresentados a partir de ensaios críticos - contendo dados biográficos, estudo da obra, relação de publicações e de fontes de consulta - a que se segue um conjunto de excertos. O primeiro volume é dedicado a escritores nascidos antes de 1930, tais como: Paula Brito, Gonçalves Dias, Maria Firmina dos Reis, Luiz Gama, Machado de Assis, José do Patrocínio, Cruz e Sousa, João do Rio, Lima Barreto, Lino Guedes, Antonieta de Barros, Solano Trindade, Abdias Nascimento, Carolina de Jesus, Ruth Guimarães e Carlos de Assumpção, dentre outros. As capas dos 4 volumes reproduzem obras do artista ouropretano Jorge dos Anjos, que gentilmente colocou toda o seu acervo à disposição do projeto. Estou lá no volume dedicado às autoras e autores mais recentes, presença que muito me honra e alegra. Quando vi os excertos de minha obra selecionados fiquei especialmente feliz, alguns por serem textos que eu não escolheria, nos quais, portanto, foram percebidos aspectos importantes que não tiveram destaque para mim, e outros, por serem textos que a mim dizem muito, mas têm merecido leitura analítica mais ou menos superficial. Estou agora curiosa para saber como meu trabalho foi analisado, mas outubro já-já chega. Estão previstos lançamentos em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Que todo mundo apareça para prestigiar este trabalho fundamental de Eduardo de Assis Duarte.

Livro novo do Buzo em São Paulo

(Texto de divulgação). "Oitavo livro do escritor Alessandro Buzo, "Do conto à poesia", como sugere o nome, traz contos e poesias do autor. Tem textos inéditos e outros publicados ao longo dos seus 10 anos de carreira em sites, blogs e na Caros Amigos. Do Conto à Poesia é um livro pra ler lido num folego só. Primeiro de contos do autor, primeiro de poesia do autor. Junto ao infantil Dia das Crianças na Periferia (previsto pra Outubro de 2011), encerra um ciclo de projetos que o autor tinha pra publicar antes de se dedicar ao seu novo romance." Do Conto à Poesia. Ponteio Editora - 2011. Autor: Alessandro Buzo. R$ 23,00 (no lançamento R$ 15,00).

26 de ago de 2011

ENCRUZILHADA de Marcelo D'Salete, em São Paulo

Data: sábado, 27 de agosto · 19:00 - 23:30. Localização: HQMIX LIVRARIA Pça Franklin Roosevelt, 142 - próx. ao metrô República - tel: 11 3259 1528 São Paulo, Brazil

Livro sobre Emanoel Araújo, no Rio de Janeiro

24 de ago de 2011

As Pequenas Grandes Coisas da Vida: A África Que se Mostra ao Brasil

(Por: Cristiane Madanêlo de Oliveira / UNIÃO DOS ESCRITORES ANGOLANOS http://www.ueangola.com/index.php/criticas-e-ensaios/item/352-as-pequenas-grandes-coisas-da-vida-a-%C3%A1frica-que-se-mostra-ao-brasil.html). "Uma das principais conquistas da pós-modernidade foi a de dar voz e espaço ao que sempre se designou por margens. Numa cultura mundial em que o cânone ocidental era, e ainda é, considerado hegemônico, não era comum dedicar-se a estudos aprofundados sobre um continente constituído, basicamente, de colônias de países europeus. No rastro da globalização, a contemporaneidade trouxe à baila o interesse pela África, que equivocadamente nós, ocidentais, pensamos por muito tempo no singular. Na sua complexa realidade social, o continente africano é composto de sociedades que possuem individualidade cultural. Dessa forma, um olhar singular para a pluralidade africana revela não só desconhecimento como também preconceito. A rica diversidade cultural característica do chamado "continente negro" não impede, entretanto, que se reconheça também a existência de certa unidade. Para dar relevo à unidade dentro da diversidade, o antropólogo e etnólogo alemão Leo Frobenius adotou a designação de "civilização africana", marcada no singular. Já autores ligados à revista Prèsence Africaine têm adotado o conceito de africanidade que seria essa fisionomia cultural comum a múltiplos grupos africanos. Apesar de reconhecer certa unidade em meio à diversidade de culturas na África, o objetivo deste trabalho não é discutir africanidade. Pretende-se, nesta análise, estudar que traços culturais africanos são apresentados ao público infantil brasileiro através da literatura e se isso reforça ou não uma idéia de africanidade. Percebe-se no Brasil um aumento significativo na procura por informações sobre África. Dentre os vários fatores que propiciam essa busca, merece destaque a implantação da lei 10.639 sancionada pelo presidente Lula em janeiro de 2003. Tal medida tornou obrigatória a inclusão do ensino de história e cultura afro-brasileiras no currículo escolar do ensino fundamental e médio. Diante dessa obrigatoriedade, professores, muitas vezes despreparados para lidar com tais questões, buscam títulos que contemplem a temática afro-brasileira. Ao mesmo tempo, as editoras lançam títulos para atender a essa demanda das escolas. Em meio a esse movimento, emerge uma preocupação: de que maneira a África está sendo mostrada aos estudantes? Com efeito, sabe-se que a literatura, sobretudo na infância, tem forte influência na formação da consciência de mundo dos indivíduos. Sendo assim, textos literários podem ser elementos fundamentais para a (des)construção de conceitos e preconceitos. Nesse sentido, este estudo problematizará essas questões à luz da análise da obra As tranças de Bintou, tradução do original em francês da escritora Sylviane Anna Diouf. Nascida em Paris, a escritora tem os primeiros contatos com referenciais de cultura do "continente negro" através do pai que é senegalês. Além disso, influencia em sua produção o fato de Diouf ter morado no Senegal e no Gabão. Profissionalmente, atua como historiadora e dedica seus estudos acadêmicos à história e à cultura dos povos de origem africana, em Nova Iorque. Sendo assim, pode-se notar que, apesar da nacionalidade francesa, a criadora de As tranças de Bintou não representa um simples olhar ocidentalizado frente à cultura africana. Nota-se, na leitura da história, uma preocupação em registrar a dimensão humana frente ao espaço, elemento fundamental para se pensar África. As tranças de Bintou, publicado inicialmente nos Estados Unidos em 2001 e depois na França em 2003i, ganha a versão brasileira em 2004 e mantém em todas as edições as ilustrações de Shane W. Evans. Essa é a primeira obra de ficção da escritora francesa que é reconhecida pela qualidade de seus textos ligados às temáticas da infância e do continente africano. O livro de Sylviane A. Diouf retrata o sonho da menina Bintou em ter tranças nos cabelos, que aparece registrado na primeira frase da história: "Meu nome é Bintou e meu sonho é ter tranças"ii. Para explicitar a dimensão humana desse desejo, escolheu-se a perspectiva infantil numa narração em 1ª pessoa. Dando voz à pequena Bintou, ganha mais destaque a importância que o desejo da menina assume não só para ela mas também para aquele núcleo familiar. Apesar de não haver na narrativa qualquer referência espacial explícita, a autora afirma que a inspiração para construir a personagem principal veio do Senegal. Ter os cabelos trançados, na cultura em que se insere a protagonista, é um atributo permitido somente às mulheres. Na condição de criança, Bintou tem seus cabelos penteados na forma de birotesiii. Apesar de conhecer esse costume da sociedade em que vive, a menina manifesta a vários integrantes daquela comunidade que seu maior sonho é possuir tranças. Quem vai explicar para a menina o valor social das tranças é a avó Soukeye que visita a família por ocasião do batizado do irmão de Bintou. A importância da palavra dos mais velhos como fonte de ensinamento também é considerado outro traço de africanidade. Tal referencial ganha destaque na obra por intermédio das palavras de Bintou: "Vovó Soukeye sabe de tudo. É o que mamãe sempre diz. Ela me explicou que os mais velhos sabem mais porque viveram mais, e por isso aprenderam mais"iv. Dessa forma, a avó é detentora de um saber advindo da experiência vivida que goza de prestígio e respeito dentro daquele grupo familiar e social. Assim, é uma mulher mais velha que sistematiza o que é marca cultural daquele grupo quanto aos cabelos femininos. Diante da pergunta de Bintou sobre o motivo de as meninas não poderem usar tranças, a velha Soukeye conta uma história exemplar para passar o ensinamento. Num momento de afetividade, aquele ensinamento é passado de geração em geração: "Vovó me acaricia e diz: 'Querida Bintou, quando for mais velha, você terá bastante tempo para a vaidade e para mostrar a todos a bela mulher que você será. Mas agora, querida, você ainda é apenas uma criança. Poderá usar tranças no momento adequado"v. A questão do penteado na narrativa não está ligada apenas a um capricho de beleza, mas concentra uma dimensão simbólica e cultural. Sendo assim, é necessário pensar o corpo como algo produzido na e pela cultura e como marca identitária individual e coletiva. Entende-se, assim, que a noção de corporeidade está profundamente relacionada com a construção do masculino e do feminino, com as hierarquias de poder, com a diversidade étnico-social, com a sexualidade etc. A manipulação simbólica dos cabelos está presente na cultura de diversos povos. Dessa forma, as escolhas quanto aos cabelos (tamanho, corte, penteado, cor etc.) podem ser entendidas também com uma dimensão política. No que diz respeito aos referenciais de africanidade, os cabelos estão ligados à idéia de força vital de cada indivíduo, conceito de extrema importância para muitos grupos sociais africanos. Assim, para o grupo social de Bintou, o processo de pertencimento ao mundo adulto se dá por meio de um movimento de rejeição/aceitação do penteado. Em diversas culturas, o ato de trançar os cabelos caracteriza-se como um ritual que, muitas vezes, é compartilhado por mulheres de idades diferentes. Dessa maneira, trançar se transforma numa oportunidade de trocas não só de experiências, mas também de afetividade. Como registra a fala de Soukeye, as tranças nos cabelos estão associadas simbolicamente à sensualidade feminina, daí a interdição imposta à menina por causa da idade. Embora entenda e respeite as tradições de seu grupo social, Bintou alimenta o desejo de ter tranças e admira os cabelos enfeitados das mulheres que estão na festa do batizado. A protagonista-narradora vislumbra a possibilidade de ter seu sonho concretizado quando lhe é concedido, pelo grupo social, um desejo em reconhecimento a um ato de bravura ao salvar dois meninos da morte. Para atender ao desejo da menina de mudar os cabelos e manter as tradições, a avó intervém novamente. Com sua sabedoria, Soukeye chama Bintou a seu quarto e ornamenta um belo penteado com enfeites de pássaros. Como registra o Dicionário de símbolosvi, "pássaro é uma imagem muito freqüente na arte africana especialmente nas máscaras. Simboliza a força e a vida; é amiúde símbolo de fecundidade". Dessa forma, o desfecho da história é feliz porque a menina não tem mais simples birotes e se orgulha de ser reconhecida como "a menina dos pássaros no cabelo"vii. Assim, a narrativa criada por Sylviane A. Diouf resgata a importância da palavra, dos gestos, das tradições para uma cultura muito mais centrada no humano do que a cultura ocidental(izada). A obra com alguns traços do que constitui a noção de africanidade oferece ao público infantil uma pequena idéia do que se chama genericamente de "a África". Saindo do roteiro de imagens veiculadas pela National Geographic, África não é somente um grande espaço desértico em que os seres humanos são menos importantes que elefantes e leões. África é muito mais, é um mosaico de grupos sociais que se integram numa lógica diferente de diversos valores do mundo ocidental. Portanto, mostrar às crianças através da literatura a multiplicidade africana significa verdadeiramente trabalhar a cultura afro-brasileira em sua essência e não ratificar o estereótipo cunhado cânone ocidental." Referências bibliográficas: CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000. DIOUF, Sylviane A. As tranças de Bintou. Trad. Charles Cosac. Ilustrações Shane W. Evans. São Paulo: Cosac Naify, 2004. http://www.sylvianediouf.com/work5.htm. (capturado em 11/08/07) HOUAISS, Antonio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2001. i O título original é Bintou's braids e a tradução em francês recebeu o nome de Bintou quatre choux. ii DIOUF, 2004, p. 2. iii Birote: Segundo registra Houaiss, birote ou pirote é um tipo de penteado em que um "apanhado de cabelo é enrolado em espiral ou em forma de concha, e fixado na cabeça por meio de grampos, varetas, fios elásticos etc". HOUAISS, 2001, p. 832. iv DIOUF, op. cit., p. 10. v Idem, ibidem. vi CHEVALIER & GHEERBRANT, 2000, p. 689. vii DIOUF, op. cit., p. 29.

23 de ago de 2011

Lançamento do livro A representação social do negro no livro didático, em Salvador

(Deu no Áfricas). "No próximo dia 24 de agosto, às 17 horas, acontece o lançamento do livro A representação do negro no livro didático: o que mudou? Por que mudou?, de autoria de Ana Célia da Silva e publicado pela Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA). O evento acontece no Auditório do CEAFRO (CEAO), localizado no Largo Dois de Julho, em Salvador, e é aberto ao público. Em pesquisas realizadas anteriormente, Ana Célia da Silva percebeu que a rara presença do negro em livros didáticos era sempre marcada por estigmas e desumanização. Nesta obra, porém, analisou as mudanças que ocorreram na representação social do negro no livro didático de Língua Portuguesa de Ensino Fundamental da década de 90, investigando os fatores que as determinaram. A importância destas mudanças para o reconhecimento e respeito do negro por parte da sociedade como um todo também está presente. A autora apresenta ao leitor, ainda, o conceito de representação social. Ao apresentar os fatores que determinaram mudanças nas publicações, faz uma abordagem crítica e teórica sobre a discriminação racial, a identidade e realidade socioeconômica e cultural dos afrobrasileiros, o papel da mídia, da família e do movimento negro." Informações adicionais sobre o livro ISBN: 978-85-232-0815-8. Número de páginas: 182. Formato: 16,5 x 22,5. Ano: 2011. Serviço O quê: Lançamento do livro A representação social do negro no livro didático: o que mudou? Por que mudou?, de Ana Célia da Silva. Quando: 24 de agosto de 2011, às 17 horas. Onde: Auditório do CEAFRO (CEAO) – Pç. Inocêncio Galvão, 42, Largo Dois de Julho, Salvador – Bahia. Preço do livro: R$ 25,00. Preço especial de lançamento do livro: R$ 20,00 Fazer Valer a Lei 11.645/08

22 de ago de 2011

Lançamento do livro A representação social do negro no livro didático 21/08/2011 por Da Redação No próximo dia 24 de agosto, às 17 horas, acontece o lançamento do livro A representação do negro no livro didático: o que mudou? Por que mudou?, de autoria de Ana Célia da Silva e publicado pela Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA). O evento acontece no Auditório do CEAFRO (CEAO), localizado no Largo Dois de Julho, em Salvador, e é aberto ao público. Em pesquisas realizadas anteriormente, Ana Célia da Silva percebeu que a rara presença do negro em livros didáticos era sempre marcada por estigmas e desumanização. Nesta obra, porém, analisou as mudanças que ocorreram na representação social do negro no livro didático de Língua Portuguesa de Ensino Fundamental da década de 90, investigando os fatores que as determinaram. A importância destas mudanças para o reconhecimento e respeito do negro por parte da sociedade como um todo também está presente. A autora apresenta ao leitor, ainda, o conceito de representação social. Ao apresentar os fatores que determinaram mudanças nas publicações, faz uma abordagem crítica e teórica sobre a discriminação racial, a identidade e realidade socioeconômica e cultural dos afrobrasileiros, o papel da mídia, da família e do movimento negro. Informações adicionais sobre o livro ISBN: 978-85-232-0815-8 Número de páginas: 182 Formato: 16,5 x 22,5 Ano: 2011 Serviço O quê: Lançamento do livro A representação social do negro no livro didático: o que mudou? Por que mudou?, de Ana Célia da Silva Quando: 24 de agosto de 2011, às 17 horas Onde: Auditório do CEAFRO (CEAO) – Pç. Inocêncio Galvão, 42, Largo Dois de Julho, Salvador – Bahia Preço do livro: R$ 25,00 Preço especial de lançamento do livro: R$ 20,00 Fazer Valer a Lei 11.645/08

Com a Palavra Luiz Gama – Poemas, Artigos, Cartas, Máximas

Com a Palavra, Luiz Gama. Poemas, Artigos, Cartas, Máximas. Organização, apresentações, notas : Ligia Fonseca Ferreira. Lançamento : 22 de agosto | segunda-feira, a partir das 19 horas. Local : Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura - Avenida Paulista, 37. (Texto de divulgação). "O livro reúne, pela primeira vez, cerca de 40 textos integrais de Gama, muitos deles inéditos. O volume traz também por um conjunto de artigos e ensaios a ele dedicados por seus contemporâneos. Divide-se em 6 capítulos, cada um deles introduzido por um texto explicativo da autora. Nos três primeiros estão reunidos os poemas, os artigos e cinco cartas endereçadas ao filho e a amigos de Gama. O quarto capítulo traz uma seleção de artigos veiculados na imprensa paulista com a repercussão da sua morte, ocorrida em 24 de agosto de 1882. Uma seleção de textos sobre Luiz Gama, escritos por personalidades como os futuros fundadores da Academia Brasileira de Letras Lúcio de Mendonça e Valentim Magalhães, aprofunda um pouco mais aspectos de sua personalidade, de seu engajamento na luta pela igualdade e pelos direitos civis, de sua atuação política e de sua generosidade com as causas sociais. Através das máximas que encerram o volume, os leitores terão a oportunidade de descobrir mais um aspecto desconhecido de Luiz Gama que nos legou, igualmente, reflexões filosóficas e morais sobre temas que atravessam os tempos. O livro contém ainda mais de 30 ilustrações."

21 de ago de 2011

Morgan Freeman vai defender o casamento gay em peça na Broadway

(Deu no portal Terra). "O ator Morgan Freeman vai defender a legalização do casamento homossexual em 8, uma obra teatral centrada na batalha judicial vivida na Califórnia desde 2008 sobre as uniões entre pessoas do mesmo sexo e que terá uma única apresentação na Broadway no dia 19 de setembro. A American Foundation for Equal Rights, uma organização que luta contra a Proposição 8, que proíbe o casamento gay na Califórnia, impulsiona a produção de 8junto a Broadway Impact, um grupo de atores e artistas que defendem os direitos da comunidade homossexual. Freeman, ganhador de um prêmio Oscar por Menina de Ouro em 2008, será um dos protagonistas da peça, que conta também com a participação da atriz Marisa Tomei, que levou a estatueta dourada em 1992 por Meu Primo Vinny. Ambos se uniram no elenco da obra teatral junto com Anthony Edwards e Christine Lahti, ambos premiados com um Globo de Ouro, além da ganhadora de um Emmy, Yeardley Smith. O ator e diretor Rob Reiner, conhecido por filmes como Harry e Sally – Feitos um para o Outro (1989) e Conta Comigo (1986), e o ator e cantor Cheyenne Jackson, que apareceu na comédia de televisão Glee, entre outras produções, completarão a repartição. A obra, que será apresentada no teatro Eugene O’Neill de Nova York, foi escrita pelo roteirista Dustin Lance Black, ganhador de um Oscar por Milk – A Voz da Igualdade(2008), e será dirigida por Joe Mantello, conhecido por seu trabalho em bem-sucedidas produções no circuito comercial do teatro nova-iorquino que lhe renderam dois prêmios Tony. A peça 8 centra a trama dos argumentos finais apresentados em junho de 2010 durante o julgamento Perry contra Schwarzeneggerna Corte Suprema da Califónia em San Francisco, o mesmo tribunal que chegou a legalizar em maio de 2008 o casamento entre pessoas do mesmo sexo no estado. O vídeo do julgamento ainda não foi divulgado por causa de uma ordem judicial e a American Foundation for Equal Rights já pediu nos tribunais a autorização para projetá-lo, embora ainda não há garantias de que se torne disponível, e esse foi um dos motivos que levaram Black a escrever 8, segundo seus impulsores. Coincidindo com as eleições de novembro de 2008, os casamentos homossexuais foram proibidos com a aprovação nas urnas da chamada Proposição 8, uma iniciativa cidadã que modificou a Carta Magna da Califórnia para estabelecer como único casamento possível, o realizado entre um homem e uma mulher. Em 2009, o alto tribunal californiano rejeitou a denúncia de inconstitucionalidade contra esse projeto de lei, apresentada por várias organizações favoráveis à união entre pessoas do mesmo sexo, que acabaram levando o assunto para os tribunais federais em 2010. Em agosto de 2010 o juiz federal Vaughn Walker rejeitou em primeira instância a validade da Proposição 8por considerar que vai contra os direitos de igualdade e o processo legal amparados pela Constituição dos Estados Unidos. As autoridades californianas não recorreram da decisão. Estas estavam encarregadas de defender oficialmente a Carta Magna do estado, e os grupos conservadores se apresentaram como os atingidos perante a Corte Federal de Apelações. Esse tribunal tem pendente ainda decidir sobre a legalidade da Proposição 8, já que não tinha poder para determinar se os grupos conservadores podem exercer como defensores desse projeto de lei, ao invés do Governo da Califórnia."

18 de ago de 2011

Próximo lançamento do Selo Povo

(Do blogue do Ferréz). "Depois do emocionante lançamento de Sob o Azul do Céu de Marcos Teles, agora tudo está ficando pronto para o lançamento de Oh, Margem! Reinventa os Rios! de Cidinha da Silva. O livro está entrando na gráfica e em breve anunciamos o lançamento do quarto livro do Selo Povo. Esse é o último trabalho com apoio do CCE e onde o lançamento é feito na Ação Educativa, a partir do próximo estamos na contenção, mas como sempre foi o firma não para. Literatura Marginal prossegue!"

14 de ago de 2011

Obra de Cidinha da Silva é analisada no Seminário Mulher e Literatura

Há pouco terminou o seminário "Mulher e Literatura", em Brasília. Tive oportunidade de conhecer e abraçar duas autoras que muito admiro, Geni Guimarães (A cor da ternura) e Ana Maria Gonçalves (Um defeito de cor). Contabilizei 4 trabalhos sobre aspectos dos meus escritos: uma participação em mini-curso do prof. Eduardo Assis, da UFMG; uma comunicação de Susana Carneiro Fontes, pesquisadora da UERJ, sobre meu conto "Dublê de Ogum" - "Espaço, corpo e memória: decifração e recriação no conto Dublê de Ogum." Um poster da estudante de Letras da UFG, Pollyanna Marques, sobre a 1a edição do Tridente. Estive lá na fila do gargarejo para ouvi-la e fiquei orgulhosa de um livro meu ter sido objeto de trabalho tão esmerado. Ao que parece, a comissão avaliadora também gostou, pois o poster da Pollyanna foi classificado em primeiro lugar. Por fim, o doutorando da UFMG Marcos Fabrício também apresentou belo trabalho, desta feita sobre duas crônicas do Tambor, "Amor na pós-modernidade" e "O outro amor". O Fabrício, atendendo a meu pedido, fez a gentileza de enviar o texto para postagem no blogue. Segue abaixo. Leiam e comentem. Os desacertos comunicacionais nos escritos de Cidinha da Silva, por Marcos Fabrício Lopes da Silva (Doutorando – FALE/UFMG). RESUMO: Nesta comunicação, pretendo destacar e analisar, nos escritos de Cidinha da Silva, a crítica dirigida aos desacertos comunicacionais que prejudicam as relações afetivas entre o Eu e o Outro na pós-modernidade. Para tanto, foram selecionados para análise os textos “O outro amor” e “Amor na pós-modernidade”, que fazem parte do livro Você me deixe, viu?: eu vou bater meu tambor!, de 2008. "A literatura, ressalta Antenor Antonio Gonçalves Filho, ocupa, na prática cultural, “um lugar de privilégio, como exercício de liberdade, de inquietação e de perplexidade” (2000, 13). Ignoradas pela cultura patrimonialista conduzida pelo poder oficial do Estado e/ou pela “mão invisível” do Mercado, a pobreza material e a pobreza de espírito, enquanto temáticas, experimentam um acolhimento irrestrito e ímpar no campo literário das produções simbólicas. O tratamento radical de tais questões espinhosas se faz presente no empenho de escritores que endereçam seus textos à realização de uma crítica voltada ao fenômeno da concentração dos bens materiais e imateriais nas mãos de uma elite hegemônica, que se afirma como orientadora e detentora dos comportamentos a serem seguidos ou perseguidos pelas demais classes sociais. A escrita-tambor de Cidinha da Silva rivaliza com o barulho ensurdecedor das músicas ligeiras, que visam acomodar escutas superficiais oriundas de uma armação perceptiva embotada, automatizada pelas sombrias rotinas do cotidiano segregador e desigual. No livro Você me deixe, viu?: eu vou bater meu tambor! (2008), Cidinha da Silva deixa repercutir, de maneira afirmativa, um conjunto de vozes que sistematicamente são interditadas pela ideologia dominante. Trata-se de composições rítmicas, cuja batida oferece um histórico de resistências identitárias, que protagonizam a luta em defesa da expressão da alteridade. Na contracapa da referida obra, Nazareth Fonseca empresta outro sentido relevante ao ato de bater tambor como se este fosse um rito de criação literária desenvolvida por Cidinha da Silva: Bater tambor, neste livro, tem múltiplos significados, sempre ligados à vivência da sexualidade pilhada em desassossego que é, aliás, o mote reiterado no livro. A busca constante de afeto, amor, sexo faz-se sintoma de um corpo atormentado, em desassossego, mas é também expressão de vitalidade (2008, contracapa). Para empregar uma preciosa observação cunhada por Conceição Evaristo, podemos dizer que a escrita-tambor de Cidinha da Silva adquire “um sentido de insubordinação” (EVARISTO, 2007, 20), no momento em que a autora, unindo ativismo e arte em sua literatura, dedica seus textos para fazer frente ao enquadramento violento da diversidade social. Nesse sentido, vamos comentar, em especial, dois textos presentes no mencionado livro de Cidinha da Silva, “O outro amor” e “Amor na pós-modernidade”. O foco de nosso estudo se concentra na análise de uma temática comum aos escritos em questão: a crítica feita pela autora aos desacertos comunicacionais que prejudicam as relações afetivas entre o Eu e o Outro na pós-modernidade. No conto “O outro amor”, Cidinha da Silva elogia a ousadia publicitária expressa na composição de um anúncio de jeans, no qual, junto ao produto em questão, uma cena homoafetiva ganhou destaque. Tal fato escandalizou a Justiça Brasileira, que resolveu “barrar” a campanha, apresentando como motivo a infração de atentado violento ao pudor. A decisão judicial foi questionada pela escritora, havendo naquela atitude uma ação preconceituosa, de origem homofóbica. Vejamos como se deu o andamento de tais fatos, na perspectiva da autora: No século XXI o amor ousou dizer o nome e foi retirado do outdoor por força de liminar. Dois homens lindos e fortes se beijavam. Era tudo igual às outras propagandas de jeans. Nada de camisa. Calça semi-aberta, pêlos pubianos à mostra. Mas os detratores alegaram atentado violento ao pudor (SILVA, 2008, 43). Nota-se que a medida descabida adotada pelos juristas, que deveriam zelar pelo bem-estar social, sem estabelecer distinções de qualquer espécie no tratamento dos cidadãos, acaba justificando a nomeação dada pela escritora aos agentes da lei em questão: “detratores”. Detrator é aquele que detrai, difama, diz mal. No caso, Cidinha da Silva expõe o comportamento heterossexista de agentes da Justiça Brasileira, que, ao invés de combater a homofobia e promover a alteridade, se comportou como cúmplice do processo opressivo movido pela repulsa abusiva frente às relações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Ao longo do conto, Cidinha da Silva, dando prosseguimento ao questionamento do comportamento judicial estigmatizador e estereotipado, enumera um conjunto de atentados violentos ao pudor que fazem jus a essa nomenclatura, mas que são ignorados ou superficialmente observados com rigor legal e censura fiscalizadora pelas instâncias de poder responsáveis pela defesa do Estado Democrático de Direito. Eis o conjunto de ofensas às leis ou à moral pública reveladas pela escritora: Universitário de Vectra abusando de menina vendedora de balas no semáforo, não é atentado violento ao pudor. Promessa de sanduíche no McDonald’s. Estupro, alegação de consentimento, também não (...) Nem as rampas antimendigo, para morador de rua não dormir embaixo de viaduto, constituem atentado violento ao pudor (...) Tampouco violenta o pudor de outrem, um governador de Estado estampado nas primeiras páginas de todos os jornais do país, empunhando uma escopeta, numa visita à Academia de Polícia. Não configura atentado violento ao pudor o uso do rap para ambientar o clima dos exercícios de defesa e ataque no escuro, simulado por policiais daquela mesma instituição (SILVA, 2008, 43-44). Como podemos perceber, tais ocorrências revelam situações insuportáveis que exibem a ausência de práticas sociais de acolhimento mútuo, em que a instância do Outro é inferiorizada pela arrogante manifestação identitária do Eu. O filósofo Mario Sergio Cortella ressalta que os latinos usavam uma expressão para “eu”, que é a própria noção de ego, e duas para o não-eu: alter – o outro, e alius – estranho. Diante de tais distinções elementares, Cortella esclarece: “entender a alteridade é ser capaz de olhar o outro como outro e não como estranho” (2009, 31). Trazendo tal abordagem para a compreensão do conto “ O outro amor”, de Cidinha da Silva, percebemos que o Outro é tratado numa construção egóica como alius e não como alter. Alius, em português, significa, além de estranho, “alienígena”, “alienação” e “alheio”. Nesse sentido, revela-se como os homens da lei interpretam o amor homossexual, considerando-o uma atitude estranha, alheia, que fere a moral e os bons costumes. Porém, quem estipula tais parâmetros, diferentemente de simbolizar uma universalidade globalmente atendida, representa uma particularidade ortodoxa e detentora da “ordem do discurso”: a matriz heterossexual reacionária. Cidinha da Silva denuncia a existência, em pleno seio do Poder Judiciário, do ódio, do preconceito e da repugnância nutridos contra os homossexuais. A intolerância, dissimuladamente, foi confundida com pudor. A autora demonstra que não houve do ponto de vista ético um acolhimento legal endereçado a proteger a diversidade sexual existente na sociedade. Para fazer justiça aos fatos, sem pré-julgamentos moralistas, Cidinha da Silva busca na expressão da alteridade fundamentar uma compreensão essencialmente pluriafetiva: “eu digo que dois homens adultos que se beijam é ato de outra magnitude. É amor. É fulgor. É paixão. E os arautos do pudor que se lasquem” (SILVA, 2008, 44). A autora belorizontina, em outro conto, “Amor na pós-modernidade”, prossegue a sua escrita vigilante, ao mostrar mais uma vez a existência de um desacerto comunicacional que prejudica as relações afetivas entre o Eu e o Outro. Trata-se de um ruído unilateral que bloqueia o funcionamento dialético da dinâmica social em rede. A exacerbação da ideologia do individualismo, no entender de Cidinha da Silva, explica a seguinte conjuntura salientada pela escritora: Quão novo é esse jeito pós-moderno de deixar as coisas na superfície. No limite da pele, das línguas, do sexo. É proibido aprofundar, se envolver (...) Risquem-se do dicionário as palavras compromisso e entrega. Extingam-se do breviário as conjugações dos verbos: amar, cuidar, entrelaçar, encantar, plantar, colher. Apague-se o brilho dos olhos de expectativa do próximo encontro. Substitua-se o verbo encontrar por manter contato. Substitua-se o suor das mãos enamoradas pela sequência de beijos em bocas mil (SILVA, 2008, 47-48). O recorde de beijos na boca, em pleno amor ‘fast-fútil’, faz mais sentido que as alianças construídas por mãos dadas e por todo o sentimento do mundo compartilhado pela convivência desafiadora de egos e incentivadora de acertos coletivos. “Manter contato”, por sua vez, significa preservar a distância entre os seres, sem estreitar muito os laços, pois o compromisso pode ser comprometedor. Sob tal parâmetro, um contrato de interesses comuns é o máximo que se deve almejar em uma associação entre os indivíduos. Face ao exposto, compreendemos melhor o comentário contundente de Adorno e Horkheimer: “o que importa não é aquela satisfação que, para os homens, se chama ‘verdade’, mas a ‘operation’, o procedimento eficaz” (1985, 20, grifo do autor). O refúgio no individualismo hedonista e privatista, criticado por Cidinha da Silva, revela-se como a atual prática anti-social vigente nos tempos pós-modernos. Ou seja, a nova era individualista inviabilizou a autoridade do ideal altruísta, desculpabilizou o egocentrismo e legitimou o direito de cada um a viver para si próprio. Estimula-se, assim, a auto-suficiência identitária que fundamenta “a cultura do self-love”, segundo destaca Lipovetsky (1994, 58). O narcisismo, que marca a personalidade preponderante da chamada pós-modernidade (SEVERIANO; ESTRAMIANA, 2006, 41), encontra uma abordagem satírica, por conta do teor irônico empregado por Cidinha da Silva, a ponto de a narradora do conto preferir a Pré-história à Pós-Modernidade, o que se trata de uma escolha ousada, feita à contramão do avançar do tempo e em oposição explícita ao retrocesso sentimental hoje experimentado de maneira massificadora e narcotizante: Ah, que saudade da Pré-história, quando as pessoas namoravam e se casavam. Quando casar era mais do que dividir despesas e ter sexo seguro aos domingos à noite, depois do Fantástico. Que saudades dos tempos em que Baco fazia a festa dos amantes. Nestes tempos pós-modernos, a energia e a disposição dos ficantes é definida por alucinógenos, energéticos e drogas diversas (SILVA, 2008, 48) Em termos afetivos, os amantes, como admiradores e cúmplices do Outro, estão saindo de cena. Entra em cartaz o PSF. Como explica Cidinha da Silva, tal sigla significa o insignificante: “parceiro(a) sexual fixo(a), flutuante, fugaz. Depende da constância do ‘F’”. Ou seja, da aventura casual sem compromisso, do sexo sem nexo. Verifica-se, portanto, nos painéis culturais destacados por Cidinha da Silva o retorno ao Eu concebido como refúgio ante à sociedade, considerada incapaz em satisfazer as aspirações do indivíduo, o que representa uma descrença nos ideais coletivos. Somado ao fenômeno do “neo-individualismo”, temos, conforme pode se perceber no conto em questão, a presença do “imediatismo” e do “hedonismo” (SEVERIANO; ESTRAMIANA, 2006, 39). O culto ao corpo, a posse, o gosto de si mesmo, a exigência de vivência imediata do prazer canalizam os interesses anteriormente direcionados para a busca de transformações nas estruturas sociais e na conduta individual. Egocentrado, particularista e hedonista, o narcisista busca viver intensamente o momento, desprezando o passado e negligenciando o futuro. Sedutor e predominantemente manipulador, busca apenas a própria vantagem e só necessita do outro, conforme salienta Cidinha da Silva em seus escritos, como instrumento de confirmação e admiração do próprio “Eu”. Eu grandioso significa Outro apequenado: prejuízo para a expressão da alteridade." Referências: ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. CORTELLA, Mario Sergio; LA TAILLE, Yves de. Nos labirintos da moral. 5.ed. Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2009. EVARISTO, Conceição. Da grafia-desenho de minha mãe, um dos lugares de nascimento de minha escrita. In: ALEXANDRE, Marcos Antônio (Org.). Representações performáticas brasileiras: teorias, práticas e suas interfaces. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007. p. 16-21. GONÇALVES FILHO, Antenor Antônio. Educação e literatura. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. GOERGEN, Pedro. Pós-modernidade, ética e educação. 2.ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2005. LIPOVETSKY, Gilles. O crepúsculo do dever: a ética indolor dos novos tempos democráticos. Lisboa: Dom Quixote, 1994. _____. A condição pós-moderna. Lisboa: Gradiva, 1985. SEVERIANO, Maria de Fátima Vieira; ESTRAMIANA, José Luis Álvaro. Consumo, narcisismo e identidades contemporâneas: uma análise psicossocial. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2006. SILVA, Cidinha da. Você me deixe, viu?: eu vou bater meu tambor! Belo Horizonte: Mazza Edições, 2008.

7 de ago de 2011

Marvel anuncia que novo Homem-Aranha é negro de origem hispânica

(Deu no UOL). "A Marvel anunciou nesta terça-feira (2) que o herdeiro do uniforme do Homem-Aranha após a morte de Peter Parker será Miles Morales, um jovem negro de origem hispânica que protegerá Nova York de vilões a partir desta quarta-feira, data em que o quarto número da série "Ultimate comics fallout" chegará às bancas dos Estados Unidos. "Quando apareceu a oportunidade de criar um novo Homem-Aranha, sabíamos que tinha que ser um personagem que representasse a diversidade, tanto pela origem como pela experiência, do século XXI", disse em comunicado o editor-chefe da Marvel, Axel. Assim, pela primeira vez na história será possível ver um novo Homem-Aranha que não está vivido pelo fotógrafo Peter Parker, que morreu em junho pelas mãos do vilão Duende Verde na saga "Ultimate", embora Parker continue vivo na série de histórias em quadrinhos original, "The Amazing Spider-Man". Agora, o encarregado de proteger a cidade dos vilões nesta saga será Morales, que a Marvel qualifica de "novo personagem mais importante do século" e que em breve descobrirá "que junto com seus grandes poderes também vêm grandes responsabilidades... e grandes perigos", afirma a editora. A história do novo Homem-Aranha foi escrita por Brian Michael Bendis, Jonathan Hickman e Nick Spencer, desenhada por Sara Pichelli, Salvador Larroca e Clayton Crain, e a capa ficou por conta de Mark Bagley. A série "Ultimate" começou em 2000 com o objetivo de atrair jovens leitores com histórias alternativas e atualizadas dos super-heróis mais populares de Marvel, como Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico e os X-Men."