09/02/2010

Voa Pena Branca!

(Deu no UOL). "Faleceu aos 70 anos, vítima de infarto, na noite dessa segunda-feira (8), José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, que por 37 anos formou dupla com seu irmão Xavantinho, falecido em 1999. Pena Branca estava em sua casa, em São Paulo, ao lado da esposa, quando reclamou de dores no peito e caiu da cadeira. O cantor foi levado ao hospital São Luiz Gonzaga, no Jaçanã, mas não resistiu. Ícones da música sertaneja de raiz, os irmãos apresentavam um contraste curioso: eram típicos caipiras, no comportamento simples e na forma de falar, mas sempre estiveram envolvidos com nomes importantes de um sertanejo mais poético, de Rolando Boldrin, por quem já foram produzidos, e de Renato Teixeira, com quem lançaram um CD ao vivo em 1992. A música mais lembrada nesses próximos dias, provavelmente será "O cio da terra", composta por Chico Buarque e Milton Nascimento. No entanto, o público sertanejo deverá se lembrar mesmo da canção "Cuitelinho", que já apareceu em várias listas sobre músicas sertanejas mais importantes da história. Além dessas duas, existem outros inúmeros clássicos nas vozes dos irmãos, entre eles, "Calix Bento" e "Chuá, Chuá". Na década de 1980, a dupla passou mais de cinco anos sem gravar, após negar um pedido da gravadora de se adequar ao mercado sertanejo que começava a crescer. No último sábado, a simplicidade de Pena Branca foi lembrada na gravação do DVD de Sérgio Reis e Renato Teixeira. Durante uma pausa na gravação, Sérgio Reis contou que certo dia, Pena Branca ligou em sua casa perguntando: "recebi uma carta aqui dizendo que eu ganhei um tal de Grammy, que isso?". Pena Branca se referia ao Grammy Latino conquistado em 2001, com o álbum "Semente caipira", o primeiro gravado após o falecimento do irmão".

07/02/2010

No Quênia, "escolas móveis" para os filhos de pastores nômades

(Deu no Le Monde, por Brigitte Perucca, enviada especial a Garissa - nordeste do Quênia). "A lâmpada pendurada nas folhagens da acácia prova: a aula começa cedo e termina tarde para as crianças de Saka Junction, um acampamento instalado a cerca de 80 quilômetros de Garissa, cidade situada no nordeste do Quênia. Um dia de escola dividido em dois, sendo que a maior parte do tempo restante é dedicada às cabras, búfalos e camelos, que devem ser vigiados e levados aos pastos. Amanhã, dentro de alguns dias ou alguns meses, a lousa será pendurada em uma outra árvore, a algumas dezenas de quilômetros de lá. Aqui, nessas províncias desfavorecidas do país onde vivem mais de 5 milhões de pessoas, as escolas seguem um ritmo que se adapta ao cotidiano e sobretudo ao vai e vem desses somalis criadores de animais que podem, dentro de um mesmo mês, se mudar até duas ou três vezes, e percorrer centenas de quilômetros em um ano. Essa classe itinerante faz parte das “escolas móveis” que se multiplicaram nos últimos meses nessa região árida. Elas reúnem 110 mil crianças, em 91 escolas. Mas seu número efetivo é ainda maior, se contarmos aquelas que, assim como a de Saka Junction, ainda não são financiadas pelo governo. O Quênia, que deu um salto bastante impressionante em dez anos no campo da educação (de 68,8% em 1999, o índice de escolarização primária passou para 92,5%), tem seus marginalizados. Entre eles, os filhos dos pastores somalis, juntamente com as crianças das favelas de Nairóbi, certamente são os mais abandonados tanto em questões escolares quanto sanitárias. Cúmulo da desigualdade, ainda que o Quênia tenha instaurado a gratuidade na escola primária em 2003, as famílias de Kibera, a maior favela de Nairóbi, com 1 milhão dos 3 milhões de habitantes da capital, devem pagar entre 100 e 200 xelins (entre R$ 3,30 e R$ 6,60) por mês. Pois das 148 escolas registradas em Kibera, somente seis são públicas, e as demais são administradas por ONGs. Resultado: em Mombasa e na costa, 83% das crianças frequentam a escola primária, e em Nairóbi somente 60%, sendo que 64% das que estão em zonas áridas, concentradas no nordeste do país, são excluídas delas. Excluídas entre os excluídos, menos de um quarto das meninas são escolarizadas ali. De Garissa, chega-se aos vilarejos e aos acampamentos pelas “Shell roads”, pistas abertas na época da colonização e assim apelidadas porque os britânicos procuravam petróleo na região. Com pouca ou nenhuma água, exceto por alguns reservatórios. Ignorado na época do Império (exceto por essas riquezas petrolíferas), o nordeste do Quênia, muçulmano em um país majoritariamente cristão, continua assim há mais de 40 anos. Ninguém aqui fala suaíli, a língua dominante. A criação de animais, ainda bastante lucrativa, sustenta esses pastores: um camelo é negociado por cerca de 50 mil xelins (R$ 1.213). Mas a contrapartida desse modo de vida pastoral é muito pesada. A partir de Saka Junction, a primeira escola primária se situa a 21 quilômetros, e a primeira clínica a 24 quilômetros. Cidade do Quênia ganha projeto que dá laptop para crianças Depois que as ONGs iniciaram o movimento em favor das escolas móveis, o governo assumiu. “Cada vez mais nômades abandonam o pastoreio, daí a importância de que eles recebam um mínimo de educação”, explica Mohammed Elmi, o ministro do Desenvolvimento do Norte, cuja pasta foi criada há 18 meses para tentar eliminar o enorme abismo que há entre essas regiões e o resto do país. A seca, terrível como a de outubro e novembro passados, constitui uma das razões desse abandono, mas a necessidade de garantir uma paz social entre as tribos prestes a entrar em conflito representa uma outra motivação governamental para desenvolver a educação e a formação dos nômades. Mas o Estado queniano parece mais seguir o movimento do que precedê-lo, de tão forte que é a demanda das comunidades por escolas nômades. Cada vez mais determinadas, as famílias organizam o emprego do tempo, determinam quais das crianças irão à escola, ao passo que as outras se encarregarão de levar o gado por longas distâncias e, sobretudo, escolhem o professor. Nesse acampamento de uma centena de famílias, nenhum adulto sabe ler, mas todos têm grandes esperanças com a educação. “Nós somos ignorantes como animais. O futuro será pior sem educação”, diz Abdi, um dos homens. Isso poderá fazer com que eles vão para as cidades e abandonem a criação de animais? Essas famílias, em via de sedentarizarão, parecem dispostas a tentar. Sinal dessa crescente sedentarizarão, a mesquita é construída de forma definitiva, ao passo que as casas ainda são cabanas redondas desmontáveis e transportáveis por camelos. Hassan Farah acaba de assumir as classes, desde o início de janeiro. Dois grupos foram formados: um com 22 crianças de 4 a 6 anos, e outro com 32 alunos de 9 a 15 anos. Aos 36 anos, Hassan Farah dispõe de certa experiência por ter sido “assistente” em uma escola durante vinte anos. Ibrahim, outro desses voluntários, frequentou a universidade durante dois anos. O número efetivo de sua classe, com 134 crianças, é bem maior. Para esses dois homens, a ajuda levada às comunidades pastorais constitui a motivação principal. Com segundas intenções para Ibrahim, que “quer ser político mais tarde” e então mostrar “que fez o bem para sua comunidade”. Seguido pelo salário esperado, de cerca de 20 mil xelins (R$ 486). Mas por enquanto, foi a comunidade que se juntou para comprar a lousa e as primeiras mobílias. Ainda que muito minoritárias, as meninas têm representação. Mas a resistência das famílias a escolarizá-las permanece muito forte. Sobretudo quando se trata de enviá-las para uma das “boarding schools”, internatos rurais existentes na região e que eram, antes da criação das escolas nômades, a única opção possível para os nômades. “As meninas podem ser estragadas. Além disso, elas são as melhores no trabalho”, acredita Rukia, uma mãe de oito filhos, dos quais quatro frequentam a escola. A escola mais próxima, a cerca de vinte quilômetros, reúne 750 alunos, dos quais 280 são internos. Entre eles, 60 meninas. Cerca de 100 alunos desse total vêm de famílias nômades. Prova da explosão escolar nesse país, a mesma escola tinha, em 1986, 73 alunos! Aos 15 anos, Fatima frequenta o internato há quatro anos. Está feliz aqui e alimenta grandes expectativas para o futuro. Ela quer ser médica. E já é a primeira mulher de sua família a saber ler e escrever". Foto: Crianças quenianas caminham de volta da escola para casa na favela de Kibera, em Nairóbi.Tradução: Lana Lim.

06/02/2010

Fábula amarga conduz livro "Preciosa" da lama à tela

(Deu na Folha de S.Paulo, por Fábio Vítor) "Eu levei bomba quando tava com 12 anos por causa que tive um neném do meu pai. (...) Minha filha tem Sindro de Dao. É retardada." "Desde a abertura, a narradora de "Preciosa", livro no qual se baseou o filme homônimo, um dos cotados ao Oscar, revela-se sofrida e iletrada --o texto reproduz sua fala, uma fala repleta de erros. O estilo se adéqua ao peso da história: Claireece Precious Jones, a tal Preciosa, é enorme de gorda, negra, analfabeta, vive com a mãe (que lhe espanca e abusa sexualmente dela) no Harlem nova-iorquino e, aos 16 anos, espera o segundo filho, também de um estupro do pai. De tão atormentada, a trama soa como ficção. Mas é (quase) tudo verdade, conta a autora do livro, a poeta performática Sapphire (Safira), nome artístico de Ramona Lofton. "Eu dava aulas no Bronx, o bairro mais pobre de Nova York, meus alunos eram na maioria negros e latinos. Uma delas contou que tinha uma filha retardada, que nascera quando ela tinha 12 anos e era filha do próprio pai. Outra era espancada pela mãe", disse Sapphire à Folha, por telefone. Entretanto, como se numa fábula underground, surgem os anjos de Preciosa: o enfermeiro que lhe ajuda no parto, a professora da escola especial, a assistente social do abrigo... Uma epígrafe do livro traz um trecho do "Talmude", um dos livros sagrados do judaísmo: "Toda folha de grama tem seu Anjo que se curva sobre ela e sussurra: 'Cresce, cresce'". Então Sapphire, poeta marginal, acredita em anjos? "Sim. Na igreja afro-americana temos um spiritual que diz: 'Deus não tem mãos, só as suas'. Nós somos os anjos. Preciosa começa precisando de anjos, mas, quando se levanta, ela é o anjo." O caminho desde o chão é duro, e, como parábola do papel das letras para a vida, a escrita é o elevador. Talvez aí esteja o pulo do gato do romance, o que o diferencia de um mero conto de fadas urbano: acompanhamos a alfabetização da garota, paralela à sua redenção. É um processo tortuoso, que atravanca a leitura, já que a narradora por vezes abandona a linguagem oral e passa a escrever. "Os ano tod eu sta na sl nuc apeni (os anos todos eu sentava na sala e nunca aprendia) mas tv neem de nov Neem me pai (mas tive neném de novo, o Neném é do meu pai)". Estamos lendo a carta à professora que Preciosa escreve em seu diário escolar. "Ver as pessoas aprendendo a usar a língua é como ver um bebê começando a caminhar, um cego de repente enxergando", compara Sapphire. A escritora afirma que seu livro não existiria sem que houvesse antecessoras como Alice Walker e Toni Morrison. "As situações que descrevo foram descritas em "A Cor Púrpura" [de Walker] e "O Olho Mais Azul" [de Morrison]." O filme estourou no festival de Sundance e acumula aplausos. O livro ("Push", no título original), de 1996, está há 20 semanas na lista de mais vendidos do "New York Times". De família pobre, ex-dançarina noturna, ativista de círculos negros, gays e feministas, Sapphire se viu de súbito num universo "red carpet" que nunca foi seu --o "NYT" escreveu que ela sofreu abusos na infância, o que ela se nega a comentar. "Outro dia uma repórter perguntou quem desenhara o meu vestido, e eu disse que tinha comprado numa loja de departamento", conta. A mesma alegria que demonstra ao falar de Barack Obama. "É o primeiro a se preocupar com saúde e educação. Não fará milagre, mas começa a reparar os erros de Bush. E o fato de estar lá já muda uma cultura." (Foto: Sapphire, autora do livro no qual se baseou o filme "Preciosa"). PRECIOSA Autora: Sapphire Tradução: Alves Calado Editora: Record Quanto: R$ 29,90 (192 págs.)

04/02/2010

Lançamento de Várzea - A bola rolada na beira do coração, um vídeo-documentário de Akins Kintê, em São Paulo

01/02/2010

75 anos de nascimento de Lélia Gonzales

Produção: Memorial Lélia Gonzales

30/01/2010

Dia 08 de fevereiro tem Pentes no Centro Afro-carioca de Cinema

27/01/2010

Filmes brasileiros no Centro Afro-carioca de Cinema