Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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30 de dez de 2011

2012

Que 2012 chegue manso como as águas de Lemba. Que os tons do amor sejam as nuances das cores do mel de Kissimbi. Que N'Zazi traga o que me cabe! Ngunzu!

17 de dez de 2011

A Agenda Afrobrasileira está de volta!

(Divulgação). "A primeira edição da Agenda AfroBrasileira, lançada em 1994, nasceu do trabalho de um grupo de jovens pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. (…) A publicação, que se tornou referência para militantes, professores, pesquisadores e interessados no tema, foi interrompida em 1998 e, somente agora está sendo retomada. É um livro de referência e consulta para pesquisadores, estudiosos, militantes e pessoas interessadas em cultura e história negra e em arte contemporânea. A Agenda busca incentivar a educação sobre história e cultura africana, com base na Lei Federal 10.639/2003, ajudando professores e pesquisadores na busca por informações e fatos relevantes relacionados com a África, a diáspora africana, os movimentos negros e as questões afro-brasileiras. Nas divisórias, que abrem cada mês, apresentamos 12 obras da coleção Sindika Dokolo, de Angola, fundação que possui o maior acervo de arte contemporânea africana do mundo. As obras, inéditas no Brasil, fazem parte da exposição itinerante chamada "Transit_BR", que será apresentada ano que vem em vários estados brasileiros com a curadoria da equipe da galeria Soso e dessa fundação angolana. São fotos, pinturas e instalações que compõem um panorama do universo artístico africano desde a década de 50 até os dias de hoje, contemplando artistas jovens e consagrados, de diversos países do continente, buscando um novo olhar sobre a arte africana, fugindo dos estereótipos e das referências tradicionais. Nesse sentido, as obras de arte que foram selecionadas também propõem educar o nosso olhar pra uma África mais atual. A agenda será lançada na Feira Preta nos dias 17 e 18 de Dezembro mas já está a venda pelo site. Para saber mais www.agendaafrobrasileira.com.br "

16 de dez de 2011

Carta de uma leitora de Oh, margem! Reinventa os rios!

"Olá , Cidinha, Que interessante e delicioso foi o meu passeio por essas margens escritas por você!! Durante pouco tempo, porque a sede foi aumentando à medida em que experimentava as águas desse rio. A cada gole, uma vontade de provar sempre mais. E eram sempre mais emoções vividas nos pontos de ônibus, dentro deles, nas salas de espera e nos lugares mais inusitados. Sempre a ânsia de ver a próxima crônica. Que emoção vislumbrar os avanços da construção da tão sonhada casa ! A ousadia e coragem do atleticano ao assobiar o hino do clube no momento como aquele. Da constatação do que era realmente a Broadway. Como bateu a saudade do magnífico e ingênuo Wilson Simonal e do grande Evaldo Braga! Percebe-se mesmo a torcedora fiel que você é quando relata de forma tão linda o que representou o jogador Reinaldo par a a massa atleticana. Ótimo também ver o respeito do sequestrador por Oxalá. A perplexidade diante da conversa entre os professores universitários; a carta a Paulo Mendes Campos; a exigência das empregadas de um condomínio ; o questionamento em relação á quantidade de programas entre garotas brancas e negras; o drama das catadoras de latinha; a encantadora Doutora Mundinha; o personagem Máximo que pede para ser registrado em uma história. Em relação às cenas da colônia africana em Porto Alegre, difícil escolher a mais emocionante. O safado do senhor Benzoildo com seu açougue “Carnes Frescas e Afins” ; o surpreendente policial Cassiano( o que que é isso?!!!) ; a entrevista com Luli Funkeira ( e sua filha Kadija Destelha Berçário ) muito criativa. A ótima intromissão na atitude de Norma; como dizem os garotos:”da hora”!. Como dei boas risadas!!! Que poético o texto “ Por te amar”! Lindo!!! E não poderia terminar de forma ma is graciosa! Maravilhosas e deliciosas essas margens!!! Você tem mesmo as manhas, minha amiga!!! Parabéns!!! E só nos resta um pedido: Nem pense em parar, ok? Como já disse , fica sempre o gostinho de quero mais. Um ano de 2012 bem literariamente produtivo para você, com muita saúde, paz , amor , alegria e muito sucesso sempre. Um abração carinhoso. Dôra".

15 de dez de 2011

Deixa a Nêga em Paz: performance teatral e musical questiona estereótipos da mulher negra

"A cantora, compositora e percussionista Valquíria Rosa apresenta-se dia 21 de dezembro (quarta-feira, 21h) no Espaço Cachuera!, acompanhada por Lincoln Antonio (piano e direção musical) e Lello do Cavaco (cavaquinho), no show Deixa a Nêga em Paz. A performance questiona estereótipos da mulher negra encontrados no cancioneiro popular e na MPB, tendo como ponto de partida as condições da mulher negra contemporânea. Em sua pesquisa, Valquíria encontrou músicas que apresentam a Nêga louca, feiticeira, sedutora e vagabunda. "Meu intuito é tocar nesses pontos e caminhar na desconstrução desses conceitos", diz ela. Valquíria complementa: "vejo a mulher negra na condição de pessoa que sustenta a base da sociedade, em vários níveis, e busca se adequar ao modelo moderno de vida, construindo sua individualidade, mas ao mesmo tempo sendo colocada para fora dessa sociedade que ela constrói". Durante o espetáculo, uma boneca negra em tamanho natural contracena com Valquíria, os músicos e o público. Deixa a Nêga em Paz . Onde: Espaço Cachuera! - Rua Monte Alegre, 1.094 . Perdizes . São Paulo . Quando: 21 de dezembro de 2011 (quarta-feira), 21h . Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia entrada extensiva a estudantes, professores, músicos, atores, dançarinos, aposentados e acima de 60 anos, mediante comprovação) . Mais informações: 11 3872 8113 . 3875 5563 . cachuera@cachuera.org.br - A bilheteria abre com uma hora de antecedência. - Não aceitamos cartões de débito/crédito.

14 de dez de 2011

Ateliê Editorial investe na literatura negra e lança edição ampliada da novela A Descoberta do Frio

(Divulgação). "Metáfora do racismo, o frio ocupa lugar central nessa obra - marco da literatura negra brasileira - publicada pela primeira vez em 1979 Mais de trinta anos depois da primeira tiragem, está sendo lançada pela Ateliê Editorial a segunda edição ampliada e revista da novela A Descoberta do Frio, de Oswaldo de Camargo. O evento de lançamento acontece na próxima terça-feira, 20 de dezembro, das 18h30 às 22h, na Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul- Países Árabes (BibliAspa), na rua Baronesa de Itu, 639 - Santa Cecília- São Paulo (próximo Metrô Marechal Deodoro). Ambientada em meio urbano, a história envolve personagens afro-descendentes intelectualizados e conscientes das barreiras enfrentadas pelos negros no Brasil. Fugindo dos estereótipos, a trama se passa entre homens e mulheres que produzem e discutem Literatura Negra, registrando também a presença da Imprensa Negra.. “Em determinado momento, numa grande cidade - escreve o sociólogo Clóvis Moura no prefácio da obra – um personagem aparece com frio. Esse frio não é apenas um fenômeno meteorológico, mas um elemento que o autor aproveita para desenvolver o seu recado e articular a sua trama. Um negro com frio. Mas, esse frio não vem apenas da atmosfera – outros não o sentem - porém de uma situação existencial e social.” O autor: Nascido em Bragança Paulista em 1936, Oswaldo de Camargo é jornalista, com carreira no jornal O Estado de S. Paulo e na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (IMESP). Além de A Descoberta do Frio, publicou O Negro Escrito – Apontamentos sobre a Presença do Negro na Literatura Brasileira (1987), A Razão da Chama – Antologia de Poetas Negros Brasileiros (1986) e o volume de contos O Carro do Êxito (1972). Vários de seus poemas, contos e artigos a respeito do trajeto do negro brasileiro foram traduzidos para o alemão, inglês, francês e espanhol. Serviço: Lançamento do livro “A Descoberta do Frio” Autor: Oswaldo de Camargo Data: 20 de dezembro - terça-feira -, das 18h30 às 22h Local: BibliAspa- Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul- Países Árabes Rua Baronesa de Itu, 639- Santa Cecília- São Paulo (próximo Metrô Marechal Deodoro) Fone: tel. (11) 3661-0904 Oswaldo de Camargo: Tel.: (11) 2615-3720 Cel.: (11) 7241.4994 e-mail: oswaldodecarmargo@bol.com.br Ateliê Editorial. ISBN: 978-85-7480-566-5. 128 páginas. Formato: 14 x 21 cm. 2ª edição - 2011. Gênero: novela, ficção. Preço: R$ 25,00. Outras informações sobre a obra: http://www.atelie.com.br/shop/detalhe.php?id=588

13 de dez de 2011

Lançamento de Literatura e Afro-descendência: antologia crítica, dia 14/12, em Salvador

(Divulgação). "A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e da Fundação Pedro Calmon/ SecultBA realizam na próxima quarta-feira (14) o lançamento da coletânea Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. O evento acontece na Biblioteca Pública do Estado – Barris, a partir das 18h, com uma homenagem ao Mestre Didi, pela sua contribuição para a cultura afro-brasileira e um recital poético com os atores do Bando de Teatro Olodum. A coletânea é fruto de pesquisas realizadas em todas as regiões do país, com vistas ao mapeamento e estudo da literatura produzida pelos afrodescendentes desde o período pré-colonial. Integram o projeto, 61 pesquisadores vinculados a 21 instituições de ensino superior do Brasil e mais seis estrangeiras. Ao todo, são quatro volumes, que somam 2028 páginas e revelam 100 escritoras e escritores oriundos de tempos e espaços diversos, apresentados a partir de ensaios críticos, contendo dados biográficos, estudo da obra, relação de publicações e de fontes de consulta." SERVIÇO: O Quê: Lançamento da coletânea Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica Local: Sala Katia Mattoso da Biblioteca Pública do Estado da Bahia Data: Quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 Horário: 18h

Lançamento do Cadernos Negros volume 34, dia 17/12, em São Paulo

(Divulgação). "Em primeiro lugar, mojubá pra você que acompanha, valoriza e apoia o trabalho do Quilombhoje (e dos autores afrodescendentes em geral), você que acha importante a literatura afro e mostra isso não só por palavras, mas também em suas ações. Seu axé faz com que sigamos adiante. Desejamos que você esteja no caminho da realização de seus projetos, ou que já os tenha realizado e esteja agora em busca de mais. Sabemos também que existem aqueles que não têm tanta certeza, pois é, os que não acham importante, acham que essa coisa de literatura negra é bobagem, que o caminho não é por aí. Respeitamos todas as opiniões, mas é lógico que não compactuamos com algumas e sabemos que em algum momento o texto poderá seduzir mesmo os mais resistentes. Afinal, nossa literatura fala de coisas que estão caladas no dia a dia, mas que todos sentem. E como todo ano acontece, neste ano também lançaremos um volume de Cadernos Negros. Este é de contos e tem 21 autores. É o volume 34. A vida é feita de mudanças e neste ano o lançamento será um pouco diferente. Será dentro da Feira Preta, evento que também ocorre anualmente e que agrega pessoas interessadas na produção cultural e artística e no microempreendedorismo da população afro, e que vai acontecer sábado e domingo. O lançamento do CN34 será no Centro de Exposições Imigrantes, dia 17 de dezembro, sábado, às 17h, na sala reservada aos eventos de literatura e educação. Logo mais daremos mais detalhes sobre esse evento. Abaixo estão os autores que escrevem neste volume. CADERNOS NEGROS VOLUME 34 - CONTOS - Autores: Ademiro Alves (Sacolinha), Adilson Augusto, Claudia Walleska, Conceição Evaristo, Cristiane Sobral, Cuti, Débora Garcia, Denise Lima, Elizandra Souza, Esmeralda Ribeiro, Fátima Trinchão, Fausto Antônio, Guellwaar Adún, Henrique Cunha Jr., Jairo Pinto, Luís Carlos 'Aseokaýnha', Mel Adún, Míghian Danae, Miriam Alves, Onildo Aguiar, Thyko de Souza Axé!"

12 de dez de 2011

Sarau Suburbano Convicto, festa de encerramento de 2011!

Lançamento do livro "POETAS DO SARAU SUBURBANO" (Ponteio Editora) * Livro #PoucasPALAVRAS do Renan do Inquérito * Livro "Boneco do Marcinho" de Emerson Alcalde (infanto juvenil) * Livro "Dia das Crianças na Periferia" de Alessandro Buzo (Infantil), ilustrações de Alexandre de Maio * Livro "Primeiras Prosas" do Coletivo SARAU DA ADEMAR * Livro "Antolôgia do Sarau Perifatividade" * Livro "InCorPoros - Nuances de Libido" de Akins Kinte e Nina Silva Local: Livraria Suburbano Convicto Rua 13 de Maio, 70 - 2o and - Bixiga (região central de SP) www.sarausuburbano.blogspot.com

10 de dez de 2011

Lançamento da antologia Negrafias – Literatura e Identidade vol. 3, em São Paulo

(Divulgação)"O Convite é irresistível: Lançamento da antologia Negrafias – Literatura e Identidade vol. 3. São vinte autor@s, que se debruçam sobre o pálido papel, com liberdade criativa, formando um mosaico de gênero, alcançando outra forma de contar nossa história. Como descrito na orelha do livro “Negrafias é chama de fogueira justiceira que queima o pau apodrecido e alumia o pensamento. É lâmina de obé amolado que rasga o pálido conforto da consciência incolor de mocinhos e mocinhas. É água de chuva, daquelas que purifica a vida e rega colheita. É livro que contém histórias e personagens imateriais, porém de uma realidade tão porosa que será difícil não ser, de algum modo, cúmplice. É um prazer servir na sua mesa um cardápio literário repleto de negros contos, poesias e ousadias”(...). O local do lançamento será no recomendável Bar Paiol, do nosso amigo Bru, que se localiza na Rua Inácio Pereira Rocha, n. 273 no bairro de Pinheiros Ficaremos muito contentes com a presença de tod@s vocês para que possamos celebrar mais essa conquista e trocar positivas energias! O valor arrecadado com a venda deste livro será destinado para a construção de um espaço comunitário na Comunidade de Terreiro Ilê Axé de Yansã, no município de Araras/SP." Organização: Marciano Ventura. Autores participantes: André Luis Patrício (SP), Andrio Candido (SP), Damazze Lima (SP), Elis Regina Feitosa do Vale (SP), Fau Ferreira (BA), Fernanda Rodrigues Miranda (SP), Geranilde Costa e Silva (CE), Hamilton Borges Walê (BA), Janaína Santana (SP), Jociara Keila (SP), Juliana Queiroz (SP), Marcelo Mafra (SP), Marciano Ventura (SP), Marcio Folha (SP), Nina Silva (RJ), Paulo Cigano (SP), Pollyanne Carlos da Silva (PE), Priscila Preta (SP), Sirlene Santos (SP), Sueide Kintê (BA). Programação: Mestre de Cerimonia: Rubão O Iluminado; Grupo Raizarte – O malandro e a dançarina; Dança para Oxum - Coletivo Esperança Garcia com participação de Giovani di Ganzá DJ Edmilson, o Dj Diferenciado; Pocket show com Felipe Augusto - Quilombrasa; Sarau de Poesia - Mercado Preto: Omosholá Artes Africanizadas , cds, artesanatos. Atrações surpresas!!! Ciclo Contínuo de Literaturas - Coordenação Geral/Editorial: Marciano Ventura; Coordenação de Produção: Valéria Alves de Souza; Coordenação Pedagógica: Sylvia Sabrina Santander; Projeto Gráfico e capa: Denis A. Figueiredo; Ilustração da Capa: Conde (in memoriam); Revisão: Fernanda Rodrigues de Miranda; Colaboradores: Marcio Custódio de Oliveira, Elis R. do Vale Feitosa, Samuel Galvase, Rubens Barbosa Leal; Apoio: Ilê Axé de Yansã e Bar Paiol; Patrocínio Programa VAI/Prefeitura de São Paulo.

9 de dez de 2011

Começa o 6o FAN - Festival de Arte Negra em Belo Horizonte

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, realiza de dezembro de 2011 a maio de 2012 o 6º FAN – Festival de Arte Negra de Belo Horizonte. Com o tema “Territórios Móveis”, a 6ª edição organiza-se para ressaltar o valor político e cultural de um percurso simbólico fundamental para o entendimento da experiência africana e afro-diaspórica: o que se inicia no corpo, microcosmo do espaço amplo, expande-se para a casa, lugar das alianças afetivas, e transborda para a rua. De 9 a 11 de dezembro, diversas atividades gratuitas marcam a abertura do Festival no Cine Santa Tereza, com o objetivo de criar um diálogo continuado com a cidade. “A programação que dá início ao 6º FAN traz uma dinâmica de escuta e diálogo entre a sociedade civil e os órgãos públicos, a partir de um questionamento feito pela própria comunidade - ‘Que FAN queremos?’”, explica Ricardo Aleixo, um dos membros da comissão organizadora dessa edição, ao lado de Celina Albano, Gil Amâncio, Ibrahima Gaye e Leda Martins. A co-realização é da Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes – APPA. Após as atividades de abertura, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2012 estão previstos encontros quinzenais entre a comissão organizadora do Festival e representantes da sociedade civil para discutir ideias, sugestões e diretrizes a serem trabalhadas na formatação das ações futuras do FAN. Além dos encontros presenciais, a comissão organizadora circulará por diversos territórios da cidade dialogando com o segmento organizado da comunidade negra interessado na discussão das políticas públicas de cultura em Belo Horizonte. Depois desse período de “coleta” e “escuta”, nos meses de março e abril, a comissão se reunirá para avaliar e documentar as propostas. O resultado desse diálogo, iniciado em dezembro/2011 e estendido até fevereiro/2012 será considerado como insumo fundamental para a definição das atividades artísticas que terão curso no mês de maio/2012, data em que ocorrerão shows musicais, performances e apresentações artísticas, além do Ojá, feira de comidas e artesanato típicos africanos. “De dezembro a maio, vamos seguir todo um cronograma, uma metodologia, a fim de que realmente possamos debater, construir e consolidar o FAN que todos nós queremos”, afirma a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaïs Velloso Cougo Pimentel, adiantando que durante a programação de abertura, será lançado o edital “Movimentos Urbanos”, voltado para a seleção pública de grupos artísticos de Belo Horizonte que queiram se apresentar no Festival no mês de maio. Thaïs ressalta ainda que a escolha da comissão e da dinâmica proposta para a 6ª edição do Festival “realça o compromisso e a preocupação da FMC em reunir profissionais qualificados e compromissados em pensar, discutir e ampliar o debate com a sociedade, na busca pela construção coletiva do FAN”. Programação O cantor e compositor Chico César é quem dá início às atividades no dia 9 de dezembro, às 19h, com a aula-espetáculo “Da Mama África à Mama Mundi”. Em seguida, as cantoras líricas Inaicyra Falcão (BA), Elizeth Gomes (MG) e o griot senegalês Zal Idrissa Sissokho entoam cânticos de louvação aos orixás no concerto “Loas da travessia da calunga grande”. Seguindo a proposta de discussão com a sociedade acerca da construção coletiva do Festival, no dia 10, às 15h, as “Políticas públicas para as culturas negras” serão debatidas por representantes da Fundação Municipal de Cultura, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR, da Fundação Cultural Palmares, da Funarte, da Coordenadoria Especial de Políticas Pró-Igualdade Racial - CEPIR/MG e da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial - CPIR/BH, com mediação de Marcos Cardoso. Às 17h30, o próprio “Festival de Arte Negra de Belo Horizonte” é tema de uma roda de conversa entre os membros da comissão organizadora, Gil Amâncio, Ibrahima Gaye, Leda Martins e Ricardo Aleixo. Às 21h, o artista, intelectual e ativista político da causa negra no Brasil, falecido esse ano, ganha homenagem na performance “Abdias do Nascimento: rito de recordação”, com participação de Benjamin Abras, Elisa Larkin, Elisa Lucinda, Grace Passô, Léa Garcia, Renato Negrão, Rui Moreira e Waldemar Euzébio. Dia 11, às 16h, exibição do videopoema “Acrobata da Dor” de Ricardo Aleixo, em homenagem aos 150 anos de nascimento do poeta Cruz e Sousa. Em seguida, o professor e ensaísta Eduardo Assis Duarte e a escritora Ana Maria Gonçalves debatem “Afrografias: escrever as diferenças”, com mediação de Íris Amâncio. Às 18h, o sambista, pesquisador e romancista Nei Lopes participa da aula-espetáculo “Sambeabá: o samba que não se aprende na escola”. E encerrando a primeira etapa do 6º FAN, às 19h, show com Carla Gomes, Zaika + convidados, Mariella Santiago, Sérgio Pererê, Lokua Kanza e discotecagem da DJ Black Josie. Mais informações: (31) 3277-4643 / 3277-4366

A escritora angolana, Amélia Dalomba, lança Uma mulher ao relento no Rio de Janeiro

Sobre o livro: Uma mulher ao relento, Nandyala Editora, Belo Horizonte, 2011. O romance Uma mulher ao relento trata da trajetória de vida da narradora que, em primeira pessoa, revela suas tristezas, alegrias, indignações e resistências à prática contemporânea do alembamento (cerimônia do dote oferecido à família da noiva, quando de oficializa o trato do casamento entre as famílias envolvidas) que não respeita a mulher como sujeito ou senhora de seu futuro, contrariamente às tradições bantoangolanas, de base matriarcal. Esta obra consolida a maturidade da produção literária de Amélia Dalomba, nas tensões cotidianas das relações de gênero. Sobre a autora: AMÉLIA DA LOMBA , nasceu na Cidade de Cabinda, Angola. Tem artigos e poemas publicados em revistas e jornais e participações em CDs musicais angolanos, com letras e músicas. Ministra palestras sobre literatura e culturas de Angola, bem como sobre as relações de gênero em seu país. Estudou Psicologia Geral e simultaneamente desenvolveu a sua atividade profissional na área do Jornalismo, nomeadamente o jornalismo radiofônico e de imprensa. É colaboradora do Jornal de Angola, tendo publicado alguns dos seus textos poéticos na sua página cultural. Frequentou diversos seminários de Jornalismo, Administração e Gestão de Empresas e Formação Política. Integrando a geração de 80, denominada pelo crítico e poeta Luís Kandjimbo como a "Geração das Incertezas", ao lado de nomes como Ana Paula Tavares, Ana de Santana, Lisa Castel, entre outros, Amélia Dalomba é uma das novas vozes femininas do universo literário, cujo contributo se reveste da maior importância para o desenvolvimento da poesia angolana. Como a obra dos restantes poetas dessa geração, filha da geração da guerra colonial, a sua poiesis, assentando num projeto metalinguístico e literário de recuperação da língua, constituiu-se como um espaço de denúncia da realidade angustiante vivida na sua Angola pós-independência, sem cair no "panfletarismo ideológico" que, muitas vezes, compromete a qualidade estética. Fruto da grande desilusão provocada pela situação de corrupção, de fome, de miséria e de total desrespeito pelos direitos humanos, que caracteriza Angola, a poesia desta autora projeta, então, um "sujeito poético" desconcertado e desiludido, que vai usar a melancolia, associada à resistência, como forma de se libertar da catástrofe social que o envolve. Serviço: sábado, dia 10/12, às 18:00 no Museu da República. Rua do Catete, 153.

8 de dez de 2011

Acontecimento editorial

(Por Anelito de Oliveira, escritor). "O grande acontecimento editorial deste 2011, no âmbito dos estudos literários, é Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica, quatro volumes organizados por Eduardo de Assis Duarte - um em parceria com Maria Nazareth Fonseca -, belo produto da Editora UFMG. Sou um dos autores incluídos no trabalho, o que me deixa numa condição meio desconfortável para dizer algo, sobretudo elogiar o trabalho. Mas minha presença, claro, é apenas um detalhe, como a de outros autores pouco conhecidos, sem prêmios e sem livros publicados por grandes editoras - que é o que conta mesmo na vida literária fomentada pela indústria cultural. O importante é o conjunto da obra, o grande número de autores que ali se encontram, tanto criadores quanto pesquisadores - e, no caso destes, muitos não negros, convictos sobre a importância de se ler criticamente essa produção. O conjunto da obra é simplesmente espantoso, tanto pela quantidade quanto pela qualidade. O mínimo que se pode dizer diante desse trabalho é que ressoa, por toda parte, o êxito de Eduardo de Assis Duarte, que se dedicou por dez anos à pesquisa de textos e autores afrobrasileiros, à reflexão rigorosa sobre seus trabalhos, ao diálogo com muitos daqueles que estão em atividade, à articulação de pesquisadores em torno do tema e, o que é muito significativo, à meditação sobre a natureza da literatura afrodescendente. A seriedade desse trabalho, seu caráter altamente respeitável, começa na vontade de saber o que é realmente a literatura afrodescendente no Brasil. Assis Duarte não parte de certezas ortodoxas, mas de dúvidas elementares, que o levaram a orquestrar uma antologia - como vemos agora - viva, pulsante, que constitui, especialmente, um convite generoso a diálogos diferenciantes sobre diferenças. Em movimento oposto à tradição crítica não só nos estudos literários, mas também nos estudos de história e sociologia, política e economia, Literatura e afrodescendência no Brasil não opera no sentido de construir uma imagem homogênea da comunidade afrodescendente brasileira, solucionando, no plano do discurso, problemas que atravessam sistematicamente essa comunidade na vida social. O traço marcante da Obra é precisamente a heterogeneidade da produção literária afrodescendente no Brasil, acusando a heterogeneidade que, de fato, define essa comunidade. Somos (não posso me negar) autores muito diferentes, tanto os fundadores quanto os consolidadores e, mais ainda, os contemporâneos, cada um expressando a condição afrobrasileira a sua maneira, mas enfrentando um mesmo problema: a dificuldade de se afirmar no mundo literário. Eduardo de Assis Duarte, na abertura da Obra, vai direto ao ponto, perguntando, no rastro de Gayatri Spivak, se nós negros podemos falar na sociedade brasileira enquanto tais, ou seja, enquanto negros, sem negar a nossa própria negritude. Naturalmente, não, porque a sociedade brasileira está programada para funcionar cordialmente, e negros falando como negros perturbam essa cordialidade. O sistema literário - que não é feito só de obra, autor e leitor, mas também de agentes, editoras, distribuidoras, livreiros e cadernos culturais, como pensa Robert Darnton - contribui, eficientemente, com essa programação, à medida que ignora a produção de poetas, ficcionistas e ensaístas negros, preferindo encarar tudo que se faz no Brasil sob o signo da uniformidade, tudo como literatura brasileira, isto é, pastiche da pior literatura estadunidense. A antologia é um atestado eloquente - o mais eloquente, sem dúvida, de todos - de existência de uma literatura afrodescendente no Brasil, que se define por um estranhamento no seio da própria literatura brasileira, que é e não é literatura brasileira, que se alimenta de uma fértil crise identitária, reveladora, portanto, da conflituosa situação que os negros vivenciamos no país, sempre sob suspeita de toda ordem, inclusive de não escrever literatura brasileira propriamente dita (excelente suspeita). Ao reunir dezenas de autores e pesquisadores numa Obra tão audaciosa, Eduardo de Assis Duarte logrou produzir algo que, na verdade, extrapola o espaço acadêmico, o âmbito da pesquisa, bem como o espaço editorial, o âmbito dos livros, para se afirmar como uma ação política contundente, oportuna, um divisor de águas na organização e valoração da produção literária no país. Axé babá!"

7 de dez de 2011

Comentário de Abílio Ferreira sobre as manifestações anti-literatura negra de F.G.

(Por Abílio Ferreira, escritor). "Vejo essa manifestação do Ferreira Gullar com regozijo. Acho extremamente positivo isso. *Primeiro *porque demonstra desespero, por conta da mesquinharia que tem permeado essa disputa entre (como já escreveu Drumond) os escritores federais, estaduais e municipais. *Segundo *porque revela o despreparo dessas elites intelectuais diante de algo (ainda!!!) novo, que ela não domina. Gullar é só mais um exemplo. Basta lembrar as confusões que outros atores e alguns dos principais órgãos de imprensa fazem toda vez que se propõem a abordar a nossa tão complexa e multifacetada existência como grupo social. *Terceiro *porque justifica pensar que o processo que vimos construindo extrapola os limites de um eventual público afrodescendente, tendo muito valor a adicionar também (ou talvez principalmente) ao cenário político-cultural contemporâneo como um todo. Desde o surgimento do projeto das cotas, passando pelas observações do Conselho Federal de Educação sobre a obra de Monteiro Lobato, entre outros fatos, tem ocorrido algo impensável no contexto do final do século passado: os representantes das elites se remexendo em suas confortáveis poltronas para debater. Foi com isso, creio, que sempre sonhamos: visibilidade, agenda, debate. Assim avançamos, sempre com a nossa perturbadora alegria."

Lançamento de livro da Capulanas Cia de Arte Negra em São Paulo

6 de dez de 2011

Sobre a nova investida de Ferreira Gullar contra qualquer coisa que fortaleça a alteridade dos negros brasileiros

(Por Dalmir Francisco - professor no Departamento de Comunicação Social da UFMG). "Tentarei ser breve. Há dias, enviei para interlocutoras e interlocutores, vídeo de Chico Buarque de Hollanda denunciando que sua filha branca e seu genro, o artista Carlinhos Brown (negro, cantor, compositor, produtor, arranjador, pesquisador eincentivador musical) tiveram que se mudar de um condomínio na Barra, no Rio de Janeiro, pois não suportaram as ofensas racistas. Chico disse mais: quando Carlinhos, sua filha e seu neto querem estar no Rio de Janeiro, ficam na casa de Marieta Severo, para a proteção do casal e do neto dos Buarque de Hollanda. A denúncia do racismo acabou obnulada pela fala de Chico Buarque de Hollanda segundo o qual "nnão tem branco no Brasil" - e o que é mais grave (do meu ponto de vista), a enézima defesa da miscigenação como remédio e "saída" para o racismo. Vamos, agora, ao Ferreira Gullar. Primeiro: Gullar, ao lado do finado Darcy Ribeiro, atacou o movimento social negro na década de 1980 - e tive o desprazer de enfrentar o poeta (?), ao lado de Abdias do Nascimento e de Lélia Gonzales, em encontro de Secretários de Cultura de todo o Brasil, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 19873, promovido pelo então Secretário de Cultura José Aparecio de Oliveira (há registros e como há registros sobre sobre este autêntico movimento de brancos e demais racistas de todas as cores, gritando "calem-se, negros!!!"). E, salvo engano, Gullar continua atacando o movimento social negro até hoje. Gullar é herdeiro do partidão (o antigo PCB) e, como tal, crê com impenitente etnocentrismo que a única cultura, a única experiência de vida válida, a única forma de registro da experiência humana é européia e todas as formas de registro da experiência humana que não seja a "escrita européia" ou originária dos facistizadores europeus da língua (lembrem de Barthes) - não tem valor para eles, os impenitentes etnocêntricos e cada vez mais assumidos racistas. Para Gullar - no seu estalinismo (melhor dizer marxismo de fancaria) -, o que temos é burguesia, proletariado e lumpenproletariado (Lumpenproletariat 'seção degradada e desprezível do proletariado', de Lump 'pessoa desprezível, patife, velhaco' e Lumpen 'trapo, farrapo' + Proletariat 'proletariado'). É nessa categoria que o movimento negro é enquadrado pela indigente esquerda brasileira - que prefere roubar sindicatos, assaltar movimentos sociais, extorquir ONGs e ongueiros, do que se aproximar, tentar organizar e buscar junto ao povo recursos para uma luta por justiça. Para a indigente esquerda brasileira, os movimentos sociais são (pasmem!!!!) linhas auxiliares do proletariado revolucionário (há uma ala do movimento negro, em São Paulo, com certeza, que aceita essa desqualificação ou propõe, ao contrário, um socialismo sob a hegemonia do povo negro!!!!). E este é o ponto. De que nos vale dialogar com esse passado que, já na década de 1980, já havia passado? De que nos vale repercutir textos de velhos racistas, com as velhas receitas de que somos um povo mestiço e que na mestiçagem (desaparecimento de brancos e, sobretudo, de negros) está a redenção do Brasil. Que Gullar e poetas (?) não queiram identificar Machado de Assis ou Cruz e Souza como negros - é problema dele. Afinal, nada impede a ninguém, inclusive a racistas de direita ou de esquerda, buscar no próximo - um negro, ou um asiático - o traço de identidade que dê ao racista maior conforto. O que é insuportável é Gullar (e demais etnocêntricos e racistas empedernidos) não querer que nós, negros e brancos que aceitamos nossa identidade afrodescendente, nossa negrice ou que abraçamos a diversidade cultural e humana, busquemos o negro que está na escrita de Machado de Assis, ou na negrice que está no jazz ou na música de Pixinguinha. Sinceramente, de que nos vale dialogar e esgrimir com farrapos da história como Gullar? De que nos vale repercutir a fala racista, rançosamente freyriana e outros racistas para os quais a cultura que existe – e quando existe – é branca e de certos grupos europeus cultivadores de certas expressões artísticas? Temos que nos divulgar. Buscar nossos leitores. Buscar nossos jovens que podem e querem nos escutar, quando nós falamos e produzimos para esses jovens – tenham eles a idade que tiver, pois o importante é que sejam dispostos a enfrentar o mundo presente, o tempo presente. Em tempo: para quem mesmo escreve a Folha de S~´ao Paulo, que vende menos que o tablóide de 25 centavos, o mineiro “Supernotícias”? BUSQUEMOS O DIÁLOGO COM QUEM PODE, DEVE E PRECISA DIALOGAR COM SEU TEMPO, SUA GENTE, OS QUE CAMINHAM JUNTOS E ANDAM DE MÃOS DADAS. AFINAL, DESCOBRIR (DESVELAR, DESENCOBRIR, DESVENDAR) A NEGRICE DOS NOSSOS ESCRITORES NEGROS OU (NÃO É CRIME DIZE-LO) MULATOS NÃO CONSTITUI NEM CRIME. APENAS AMPLIAMOS OS HORIZONTES DE NOSSA RICA DIVERSIDADE CULTURAL".

1 de dez de 2011

Firmado acordo entre a Biblioteca Nacional e a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial

(Deu na revista da Biblioteca Nacional). "Anhamona Brito, da Seppir, Elisa Machado, coordenadora geral SNBP, e Ivonete Carvalho, da Seppir, firmaram o convênio entre a BN e a secretaria. A edição de diversas obras de autores afrodescendentes, que fazem parte do acervo da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), é apenas uma de uma série de ações que serão implementadas a partir de um acordo firmado ontem entre a FBN e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do governo federal. O convênio foi assinado num momento marcante para o movimento negro brasileiro: o lançamento de uma antologia crítica que reúne autores afrodescendentes desde o século XVIII. A proposta de cooperação entre a BN e a Seppir prevê ainda a implantação, em comunidades quilombolas, de cinco Pontos de Leitura chamados “Ancestralidade Africana no Brasil”. A ideia é que este seja o início de uma rede literária de valorização e resgate da memória dos moradores de comunidades tradicionais. A FBN vai doar cinco acervos temáticos aos pontos de leitura, compondo mais de 600 obras para cada povoado contemplado. Os dois órgãos vão ainda lançar editais para estudos e pesquisas sobre homens e mulheres negros brasileiros. Dessa forma, as iniciativas pretendem – juntamente com a edição de obras de escritores negros – divulgar a longa produção de autores afrobrasileiros, que contarão ainda com mostras e envio de livros para bibliotecas e demais ações de incentivo à leitura. As iniciativas fazem parte da campanha “Igualdade racial é pra valer”, lançada pela Seppir para marcar o Ano Internacional dos Afrodescendentes, instituído pelas Nações Unidas. “Há tempos trabalhamos para firmar esse acordo, e estamos ansiosos para pôr muitos planos em prática. Os pontos de leitura em comunidades quilombolas, por exemplo, é uma iniciativa inédita, que deve ser estendida e poderá propiciar a troca de informações entre os descendentes e a preservação da tradição desses brasileiros”, disse Elisa Machado, coordenadora geral do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas da Fundação Biblioteca Nacional. Anhamona Brito, secretária de Políticas de Ações Afirmativas da Seppir, destacou que tais iniciativas fazem parte de novas estratégias para combater o preconceito. “A atenção política da BN foi de primeira hora. Juntos, estamos pensando em novos caminhos de enfrentamento ao racismo. A produção intelectual de negros e negras precisa ter visibilidade, com o fortalecimento de nossa autoestima. Se, em 2012, conseguirmos que essa produção chegue aos mais variados espaços, teremos saído muito vitoriosos”, comentou Anhamona. Já a secretária de Comunidades Tradicionais da Seppir, Ivonete Carvalho, ressaltou o “momento histórico do Rio”. “A presença negra aqui hoje é de uma riqueza imensa, por reunir grandes lideranças que há décadas combatem junto ao movimento negro. Estamos aqui unidos para tirar da invisibilidade grande parcela da população negra que produz, e muito, neste país. Muitas vezes o sistema neoliberal nos impõe uma cultura e nossas raízes acabam se extinguindo, mas iniciativas como essas ajudam a preservar nossa matriz nos quilombos e terreiros do Brasil” A solenidade ontem na Biblioteca Nacional contou com a presença de mais de 20 autores que participaram do livro. Houve ainda uma homenagem póstuma ao ativista, professor, escritor e poeta Abdias Nascimento, autor de um dos textos da antologia “Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica”, organizada por Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Soares Fonseca. “Nos dedicamos a este projeto durante 10 anos, período de muita luta, reuniões, discussões, viagens e, sobretudo, muito garimpo de livros raros. Os jovens que, até então, não sabiam onde encontrar obras referência de autores negros, agora têm esta obra à disposição. Pretendemos não só resgatar autores negros esquecidos pelos manuais de história literária, mas também fazer uma releitura de escritores que, muitas vezes, foram interpretados de forma alheia às discussões étnicas”, exaltou Eduardo. Com quatro volumes, a obra é composta por ensaios, referências biográficas e bibliográficas sobre 100 autores negros do Brasil Colônia até os dias atuais. Literatura e Afrodescendência, que foi desenvolvida com auxílio de 61 pesquisadores de 21 universidades brasileiras e seis estrangeiras, propõe uma reflexão acadêmica sobre o tema."