Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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31 de mai de 2014

Trilogia de Os Crespos na Cidade Tiradentes

Hoje, Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas, dramaturgia de Cidinha da Silva


28 de mai de 2014

Cidinha da Silva no minicurso Mulheres, feminismo e literatura, na UnB

Participe do minicurso
"Mulheres, feminismo e literatura"!


29/5, das 19h às 22:00.
LINK: Trasmissão e chat

A nossa proposta é refletir e debater a produção literária de mulheres e sua contribuição para uma leitura feminista do mundo, das relações, do lugar das mulheres na sociedade, dando um enfoque especial à produção literária das mulheres negras no Brasil. Três escritoras participarão desta atividade: Ana Rüsche, Cidinha da Silva e Nina Rizzi. Elas também disponibilizarão textos sobre o tema para reflexão.

Você pode acompanhar e participar do debate pelo Livestream, dia 29/5, das 19h às 22:00. O link é https://new.livestream.com/accounts/382410/mulheresfeminismoeliteratura. Para participar do chat é preciso de inscrever no próprio Livestream. Para quem não conseguir acompanhar, na próxima semana, disponibilizaremos o vídeo da atividade na nossa TV Feminista

A atividade está inscrita como um minicurso no II Colóquio de Estudos Feministas e de Gênero - ArticulAÇÕES e Perspectivas da Universidade de Brasília. Se você quiser saber mais sobre a programação do colóquio, acesse http://www.coloquiofeminista2014.com/.

Obituário de uma lembrança


Por Cidinha da Silva




A notícia de tua morte chegou pela gentileza de uma mensagem privada de rede social, não por um mural público. Felizmente, pois ficaria ainda mais desacorçoada.

És a primeira pessoa de meu círculo próximo de convivência assassinada e quero que seja a última. Não sei lidar com isso e não quero aprender. Sou fraca e insignificante. Não tenho a força da poeta que declara firme: dos nove homens de minha família assassinados, sete foram mortos pela polícia.

A primeira pergunta que me fiz foi pelos teus filhos, como estariam, como ficariam. Numa das várias viagens que fizemos à Genebra, no início da década de 2000, fomos vizinhos de cadeira e conversamos sobre nossas vidas pessoais, para além do ativismo político que nos unia. Perguntei-te se tinhas filhos. Dois, me respondeste, dois meninos. Em algum momento me contaste que havias sido criado por mulheres, a mãe e as tias, e eu disse que meninos precisam mais da figura do pai do que as meninas. Que um homem é fundamental na formação de outro homem. Tu me ouviste, entre a serenidade e o susto.

Prosseguias calado e continuei a falar. Abri um capítulo sobre os homens que abandonam os filhos em nome do trabalho, das causas políticas. Tu argumentaste que a causa era maior do que tudo. Eu disse que nada era maior do que os filhos e nossa responsabilidade por eles, e que, nos homens, a satisfação do ego costuma movê-los mais do que a causa. Tu ouvias, quieto, reflexivo, como se eu fosse uma mãe grande e tu, um guri pequeno.

Em Genebra te vi triste, sozinho, amargurado, mas ali não conversamos, como havíamos feito no avião. Pudera. O mundo dos homens é cruel, implacável, e os velhos lobos não abrem espaço para o lobo novo que chega sequioso de caça e poder.

Voltamos, a vida seguiu. O projeto em que apostaras todas as fichas naufragou. Tu saíste de cena, recomeçaste em outra área, que décadas mais tarde se revelaria trágica. Voltaste a teu próprio começo, a atuação em sindicatos.

De um sindicato viriam os que te mataram, como disse alguém, integrantes de máfias que, além de bloquearem as conquistas de direitos pelos trabalhadores, corroem a democracia e lançam mão de expedientes vis de imposição da vontade pela força.

Outra vez te encontrei num aeroporto e perguntei pelos teus filhos. Estão se tornando homens, me respondeste pimpão. E eu disse: é assim que tem que ser. Rimos. Me contaste que havias descasado. Perguntei se os meninos estavam contigo. Respondeste que não, estavam com a mãe, como devia ser. Rimos outra vez e ao nos despedirmos, comentei que assim era, se tu achavas que deveria ser.

Depois da fatalidade da notícia, nutro a certeza renovada de que amaste muito a teus filhos, embora, talvez, não o tenhas dito na medida que gostarias. Estou certa também de que se tornarão bons homens que honrarão tua memória.

Despeço-me de ti apagada pela tristeza e pela perplexidade. O N”Zázi que habita em mim saúda o Xangô que habita em ti e clama a Zambi e às Águas que deem paz a teu espírito.

4a capa do Baú de Miudezas, Sol e Chuva




26 de mai de 2014

Engravidei, pari cavalos e aprendi a olhar salões populares de beleza com ternura


por Cidinha da Silva

Tudo é festa, música, alegria e cor quando um livro de amor e poesia, o Baú de Miudezas, Sol e Chuva galopa como unicórnio no horizonte da vida de todo dia que por vezes nos apequena. Tudo é abundância quando a flecha de Mutalambô acerta os corações que desbordam na água maior de Kissimbi.

Entretanto, diante do livro novo e do retorno de peça vitoriosa e transformadora aos palcos, o reino vil dos repolhos acéfalos e estéreis se manifesta e macula com saliva amarga as costas da “insuportável” autora. O reino da fertilidade ri em resposta, gargalha e dá beijinho no ombro para os repolhos. Volta ao amor, sem rancor, depois do beijinho no ombro gozador.

Escrever a dramaturgia de Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas me expôs a violências, solidão e desencantos, quando não, desesperos, muito comuns à vivência das mulheres negras brasileiras. Preciosa, de Sapphire, manifestou-se com virulência inesperada, desconhecida de meus sentidos e experiências. E, atendendo ao imperativo dessa lava incandescente, escrevi o texto teatral, como muitos dizem (todos homens expectadores), sem refresco, mas com a expectativa de que a lava passado o caos seja o mais poderoso fertilizante do renascimento.

Porém, nem tudo foi dor, a relação das mulheres populares com os salões de beleza, também populares, porque de baixo custo e muito acesso, me humanizou. Devo confessar que antes do Pari Cavalos achava aquele ambiente insuportável, até degradante. Continuo não gostando, mas gotas de entendimento umedecem as raízes do cactos que carrego a tiracolo.

O salão de cabeleireiros popular é divã sem o aparato de Freud ou Lacan para quem não consegue pagar sequer psicoterapias alternativas executadas por profissionais comprometidos com a saúde mental desse público. Além de divã para auto-análise da cliente da vez, assessorada pelas profissionais e demais colegas atendidas, a cadeira do salão popular é palco de devaneios, de alívio de frustrações pela conversa incessante, da cura pela palavra, mesmo que irrefletida, e da busca voraz da beleza vendida no mercado.

Fazer-se bela nos padrões da moda é mais do que o desejo incontido de aceitação social, de legitimação de um lugar escravizado de mulher, é um devir de desejo maior, aquele que quer, pela beleza conquistada e comprada, portanto, pertencente a ela, aplacar o desamor de não ser vista nem desejada, ou, pelo menos, não na medida que gostaria ou mereceria.

É mesmo complexo o universo de um salão popular de beleza com todo o imaginário evocado pela novela, do homem perfeito, cheiroso, carinhoso, pegador de mulher única, ela; dos filhos em casa, quietinhos, esquecidos por alguns minutos da existência da mãe; do apoio de outra mulher para fazer todo o trabalho de casa. Há que haver alguma ternura para decodificá-lo.

Engravidei, pari cavalos e aprendi a olhar salões populares de beleza com ternura

Cidinha da Silva hoje, no Nota de Rodapé

"O salão de cabeleireiros popular é divã sem o aparato de Freud ou Lacan para quem não consegue pagar sequer psicoterapias alternativas executadas por profissionais comprometidos com a saúde mental desse público. Além de divã para auto-análise da cliente da vez, assessorada pelas profissionais e demais colegas atendidas, a cadeira do salão popular é palco de devaneios, de alívio de frustrações pela conversa incessante, da cura pela palavra, mesmo que irrefletida, e da busca voraz da beleza vendida no mercado."

Foto by Renata Martins: elenco de Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem
asas, 2013

23 de mai de 2014

Baú de Miudezas, Sol e Chuva: o lirismo em pequenas doses.


 Release




A prosadora, como gosta de se definir, Cidinha da Silva apresenta ao público mais um fruto de sua profícua carreira de escritora, iniciada em 2006. Desde então, são oito livros, contando com este último, que passeiam por contos, textos opinativos, crônicas, narrativas infantis.... E são sobretudo crônicas, ou, como percebe o olhar aguçado da prefaciadora Grace Passô, “poesia transfigurada em crônicas”, que formam  o consistente recheio de Baú de Miudezas, Sol e Chuva, lançamento da Mazza Edições, mesma editora na qual Cidinha da Silva começou sua trilha literária.
O interior de Baú guarda 41 miudezas, e não por serem as crônicas, em sua maioria, pequenas em tamanho. Miudezas em função de outra acepção que esta palavra encerra:  delicadeza.  Essa qualidade Cidinha da Silva emprega em todos os textos, mesmo quando se trata de abordar temas nem sempre tão digeríveis, como amores frustrados,  relacionamentos interrompidos ou a busca de liberdade para o amor homoafetivo. Aliás, Baú de Miudezas, Sol e Chuva escancara o amor, com todas as letras e lágrimas e sorrisos que costumam acompanhá-lo. Não há o que se estranhar, afinal, a autora é, declaradamente, uma amante, isto é, alguém que ama “grande” e se incomoda com aquele tipo de amor que se manifesta “apenas na parte interna da orelha dos livros”, como revela a crônica Memória. Sua poética arquetípica dos Orixás impregna sentimentos e personagens, são testemunho do coração livre e libertário de Cidinha da Silva.
Como todo bom/boa cronista, Cidinha da Silva se alimenta, principalmente, do cotidiano, e mais ainda, dos pequenos fatos do cotidiano, a cuja narração empresta leveza, humor e subversão. Baú de Miudezas, Sol e Chuva é daquelas arcas que dão prazer abrir e contemplar os simples e pequenos tesouros que guarda. Mas, que o leitor não se engane, a literatura de Cidinha é “suave como o pássaro que controla o próprio voo”, é prosa poética refinada, corta e perfura tal qual lâmina de adaga. 

22 de mai de 2014

O museu como arma de resistência e memória de uma favela


Favela é artePor Denise Bergamo da Rosa
Paralela a Avenida Nossa Senhora do Carmo, ao lado de um conjunto de apartamentos de classe média conhecido como “Belvedere”, á frente de uma barragem conhecida como Santa Lúcia, lá no alto, onde disputam espaços no aperto da passagem entre os becos e vielas: “kinder ovos” (coletivos que circulam na favela) carros, motos e gente, se chega ao “Beco da Santa Inês”. Neste Beco há, como venho vendo nesse curto espaço de tempo que ando pelos movimentos culturais nas periferias, um muro e nele um lindo grafite “esculpido” pelo artista da favela Santa Lúcia, o famoso “Pelé”, que identifica o Museu de Quilombos e Favelas Urbanos de Belo Horizonte, o “MUQUIFU”.
Nele fui rever uma grande escritora, Cidinha da Silva, que aborda de forma sempre crítica, atenta e contundente o nosso cotidiano, relacionando as questões étnicas, de gêneros, de sistema econômico vigente, com seu toque irônico, sutilmente ácido, diria eu, mineiro. Tratava-se da décima segunda semana nacional de Museus, onde havia uma rica programação, entre eles o diálogo “Coleções criam conexões”, antes do início ao diálogo visitei o museu onde fui recebida pela simpática e atenciosa curadora Lúcia, ela nos apresentou as exposições, o acervo, as exposições permanentes e transitórias.
Ela nos mostrou que todas as peças são doadas pelos moradores da comunidade e das comunidades próximas (no Morro do Papagaio há 05 vilas nas quais minha fragmentada memória só se recorda das: Vila São Bento, Vila Esperança). Há além da doação das peças um contexto e um motivo para que seja doada, como soubemos a história do Burrinho de carga, emblemática por sinal, que seria a metáfora da história de vida de um garoto de 12 anos que teve sua infância subtraída pelo trabalho infantil, carregando sacolas, o diálogo entre a peça e a pessoa é imediata.
Antes de prestigiar a escritora, assistimos a um vídeo que retrata o dilema que passam os moradores das comunidades Vila São Bento e Vila Esperança: a especulação imobiliária. Em época de grandes eventos, as problemáticas da nação saltam aos olhos, tornou-se gritante que estamos muito aquém do Estado.
Mil e quinhentas famílias serão retiradas destas vilas para a construção de um parque municipal, nos relatos de duas moradoras soube-se que havia um projeto de habitação popular que “contemplaria” quatrocentas e oitenta famílias, mas que não atenderia as demandas de cada família em particular, como por exemplo, a acessibilidade nas moradias, a resolução que se chegou, pelos depoimentos é que o município entendeu que, quem sempre morou em barracos e aglomerados, se “viraria” muito bem em apartamentos. Conclusão na qual eu cheguei e acredito que não me distancio da realidade.
E o MUQUIFU está na barragem de Santa Lúcia, para trabalhar a autoestima do morador de favela, devolvendo o que o cotidiano os rouba: o seu valor. Preservando suas histórias através de seu acervo, com objetos, fotos e vídeos, resgatando seu patrimônio imaterial, como vimos na exposição temporária “Meu Reino sem Folia” da fotografa e moradora da comunidade Bianca Sá, registrando a “Folia de Reis” celebração realizada em todo o final de ano e que se perdeu com a mudança e morte de seus moradores.
O museu se coloca na favela mais do que um aparato artístico, ele é engajado e tem toda uma representação social de resistência, um evento que por exemplo, seria, a principio,  apenas um dialogo entre o acervo e suas conexões virou um importante momento de denuncia ao dilema que vive o morro hoje, com a famigerada especulação imobiliária.

Balaio de Ideias: Compreender não é aceitar



Mãe Stella lança novo livro. Foto: Margarida Neide/Ag. A TARDE/ 29.11.2012
Mãe Stella faz bela reflexão sobre religião. Foto: Margarida Neide/Ag. A TARDE/ 29.11.2012
Por Maria Stella de Azevedo Santos
Mais uma polêmica para que possamos refletir e dar um passo rumo a um estágio evolutivo elevado que ajude a construir uma sociedade harmônica e equilibrada. O noticiário televisivo deu a seguinte manchete: “Juiz não reconhece manifestações afro-brasileiras como religiões. A decisão gerou polêmica e surpreendeu líderes do candomblé e da umbanda e o Ministério Público Federal.” Sou uma líder do candomblé e confesso que eu não fiquei nem um pouco surpreendida.
Venho de um tempo em que a referida religião era perseguida pela polícia, em virtude de na época o Brasil ter uma religião oficial – o catolicismo. A atitude do juiz precisa ser compreendida, porém jamais pode ser aceita. Optei por não dizer seu nome, pois o nome de uma pessoa é tão sagrado que não deve ser pronunciado quando o dono dele comete atos impensados e infelizes.
Um belo e significativo ensinamento da Ordem Rosa Cruz diz: “Eu te compreendo, mas em nome do verdadeiro amor não posso aceitar.” Podemos compreender uma atitude que tem por base o preconceito, que é fruto da ignorância sobre o tema que o juiz ousou julgar. O ignorante é assim mesmo: é insolente, “grosseiro nos gestos, nas palavras ou nas ações.”
Não fiquei surpresa, fiquei indignada. Senti repulsa, não pelo cidadão em si, mas pelo seu ato vergonhoso. Quanto a meu irmão que praticou tal ato, verdadeiramente, senti pena e, consequentemente, desejo de ajudá-lo. Afinal, ele é meu irmão, somos filhos de uma única energia, que para o candomblé é chamada de Olorum – o Deus Supremo, que vive no céu (no orum), o qual se expandiu e Dele fez surgir todos os seres vivos que habitam a Terra.
Essa é uma explicação que dou para ajudar meu irmão a entender que as religiões de matriz africana têm, sim, um texto base no qual se baseiam para realizar seus rituais, mas principalmente para ajudar seus adeptos a se tornarem cidadãos “assentados” no bem e na verdade. Esse texto base nos ensina que não basta sentir pena. O Código de Ifá, conjunto de ensinamentos no qual se baseia o candomblé, ensina a seus adeptos que a ignorância precisa ser perdoada, compreendida, mas nunca aceita, e que cabe àquele que conhece os mistérios, instruir aqueles que não os conhecem. Obedecendo, portanto, às orientações dadas pelos seres superiores, esclareço a meu irmão alguns detalhes do candomblé sobre o qual ele demonstra não ter o conhecimento necessário para realizar um julgamento.
A religião trazida para o Brasil por um povo possuidor de dignidade e generosidade inigualáveis tem um texto base, o qual é inclusive codificado através de códigos matemáticos. Não podemos, nem devemos esquecer-nos que um texto, em seu sentido amplo, é um conjunto de palavras expressas de maneira oral ou escrita, que pode ser longo ou breve, antigo ou moderno. Preciso pacientemente repetir que o texto base do candomblé é o Código de Ifá, pois um educador é educado para ser paciente. E nós, sacerdotes de qualquer religião, somos educadores de almas. Explicando ainda mais um pouco, o Código de Ifá é um sistema longo e antigo, considerado axiomático por revelar verdades universalmente dignas e válidas, ditas de maneira simples para expressar a complexa realidade da vida.
Também pacientemente repito que o candomblé possui um Deus Supremo, sendo os orixás divindades que servem como intermediárias entre Olorum e os humanos. Quanto à hierarquia, este é um dos grandes e fortes pilares dessa religião milenar, tanto no que se refere ao mundo das divindades quanto à comunidade dos “terreiros”.
No mundo sagrado se tem: Olorum, orixás funfun (descendente direto do hálito do Deus Supremo), orixás vinculados ao ar, água, fogo e terra, seres humanos, animais, vegetais e minerais. Nas comunidades do candomblé a hierarquia está em tudo: nos cargos (iyalorixá, iyakekere egbomi, yaô, abian); no respeito à idade de nascimento do corpo (os “nossos mais velhos”) e à idade de nascimento, na Terra, da essência divina de cada um. Encerrarei este texto com um provérbio contido no Código de ifá: “O tempo pode ser longo, mas uma mentira não cai em esquecimento.”
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Quinzenalmente, ela escreve para o jornal A TARDE, sempre às quartas-feiras.
- See more at: http://mundoafro.atarde.uol.com.br/?p=5475#sthash.pgUqgq9Q.dpuf

21 de mai de 2014

Cidinha da Silva em cartaz com Os Crespos, curta temporada em Sampa

Crédito: Roniel Felipe e Ana Paula Conceição

Espetáculos acontecem de maio a junho de 2014 no Espaço dos Fofos, Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes e Galeria Olido

A Cia. Os Crespos finaliza o projeto “Dos Desmanches aos Sonhos – Poética em Legítima Defesa”, cujo o foco é investigar através de pesquisa cênica-áudio-visual o impacto da escravidão e as esferas das relações entre afetividade, negritude e gênero no Brasil, com uma trilogia de espetáculos que abordam as relações intersubjetivas de desejo e construção de identidade. Entre os meses de maio e junho de 2014, a Cia. apresenta três espetáculos que integram a pesquisa: o aclamado “Além do Ponto”, “Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas” e “Cartas à Madame Satã ou me desespero sem notícias suas”. As peças serão apresentadas em três espaços diferentes na cidade, O Espaço dos Fofos, Centro de Formação Cultural de Tiradentes e na Galeria Olido, entre os dias 21 de maio e 15 de junho de 2014 (confira programação).



Desde 2013, Os Crespos vem desenvolvendo pesquisas de campo, entrevistas e palestras para com o objetivo de obter material para propor discussão e debate cênico para a construção de uma cena teatral de abordagem racio-social, que articule a experiência existencial do negro a partir de sua afetividade, abordando aspectos como o corpo, alteridade, família, sexo, marginalidade, beleza e valorização.

Crédito: Pablo Rodrigues

ALÉM DO PONTO

O aclamado espetáculo da Cia. Os Crespos" Além do Ponto" é o primeiro espetáculo trilogia " Dos Desmanches aos Sonhos", juntamente com as pesquisas sobre mulheres negras e Afro Homo-afetividade. A partir da perspectiva do impacto da escravidão na forma de amar da população brasileira surgiu o argumento da primeira montagem: Um casal em separação tenta entender suas dificuldades de viver e enfrentar o amor.

Indicação etária: 12 anos

Duração: 90 minutos

Ficha Técnica

Realização: Os Crespos Atores: Sidney Santiago Kuanza, Lucelia Sergio e DJ Dani Nega Dramaturgia : José Fernando de Azevedo e Os Crespos Direção: José Fernando de Azevedo Assistência de Direção: Ricardo Henrique Trilha sonora e execução: DJ Dani Nega Direção de Arte: Antonio Vanfill Iluminação: Mauro Júnior Operação de luz: Agnaldo Nicoleti Contrarregragem: Rogério Aparecido Edição de Vídeo: Mario Matiello

Fotos: Roniel Felipe Assistente de Produção: Guilherme Bezerra Direção de produção: Eneida de Souza

ENGRAVIDEI, PARI CAVALOS E APRENDI A VOAR SEM ASAS

Considerando questões como relações com o corpo, traumas psicológicos, violência masculina, sexo, sobrevivência e aferição social, o espetáculo é baseado em depoimentos e experiências reais de 55 mulheres negras entrevistadas em 2013 pelo Coletivo. Os depoimentos foram dados por mulheres de diversas camadas sociais e profissões: integrantes do sistema prisional, donas de casa, sambistas, religiosas de matrizes africanas, empresárias, líderes comunitárias, prostitutas, entre outras. A peça propõe dar voz e rever os estereótipos sobre a mulher negra, construindo uma nova relação de alteridade e valorização.

Indicação etária: 12 anos

Duração: 90 minutos

Ficha Técnica

Realização: Os Crespos Elenco: Dani Rocha, Darília Lilbé, Dirce Thomaz, Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt e Dani Nega Direção: Lucelia Sergio Co-direção: Sidney Santiago Kuanza Dramaturgia: Cidinha da Silva Trilha Sonora: DJ Dani Nega Músicas Compostas: Miriam Bezerra Direção de arte, cenários e figurinos: Mayara Mascarenhas Iluminação: Ricardo Silva Orientação teórica: Flavia Rios Preparação vocal e canto: Silvia Maria Preparação corporal: Luciane Ramos Fotografia: Roniel Felipe e Ana Paula Conceição Designer Gráfico:Rodrigo Kenam Direção de vídeo: Renata Martins Direção de produção: Eneida de Souza Assistente de produção: Guilherme Funari Assessoria de Imprensa: 7 Fronteiras Comunicação

CARTAS À MADAME SATÃ OU ME DESESPERO SEM NOTÍCIAS SUAS

O espetáculo parte da pesquisa sobre a homoafetividade de homens negros, sua sociabilidade diante dos estereótipos sexuais de virilidade que cerceiam sua experiência afetiva. A personagem, em tom confessional, mescla a força do gesto com a delicadeza

do discurso, buscando a cumplicidade do espectador para tornar público uma afetividade cercada de tabus. São histórias ou pedaços de histórias que ganham vida na pele da personagem (Sidney Santiago), que é um ator, e que portanto pode viver muitas vidas. Ele se corresponde com a figura mítica de Madame Satã, através dessas histórias, ao mesmo tempo que constrói imagens e discursos sobre elas.

Indicação etária: 14 anos

Duração: 80 minutos

Ficha técnica

Direção: Lucélia Sergio Ator criador: Sidney Santiago Kuanza Dramaturgia: José Fernando de Azevedo Direção de arte: Antonio Vanfill Trilha Sonora: Dani Nega Direção de Vídeo: Renata Martins Preparação Vocal: Frederico Santiago Preparação Corporal: Janette Santiago Direção de Produção: Eneida de Souza Assistente de Produção: Guilherme Funari Atores colaboradores: Vitor Bassi e Luís Navarro Operador de luz: Aguinaldo Nicoleti

Serviço e locais de apresentação

* Espaço dos Fofos - Temporada: de 21 a 26 de maio

Endereço: Rua Adoniran Barbosa, 151, Bela Vista – SP - Fone: (11) 3101.6640

Capacidade: 80 lugares. Ingressos: R$ 15,00 / R$ 7,50. Aceita todos os cartões. Meia entrada: para estudantes, professores da rede pública, maiores de 60 anos e classe

teatral. Acessibilidade: tem acesso a deficientes. Bilheteria abre 2 horas antes do espetáculo.

Cartas à Madame Satã ou Me Desespero sem Notícias Suas – Dias 21, 22 e 26 de maio (quarta, quinta e segunda) às 21:00h

Além do Ponto - 23 de maio, sexta-feira, às 21:00h

Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar sem Asas – Dia 24 de maio, sábado, às 21:00h

Cartas às Madame Satã ou Me Desespero sem Notícias Suas – Dia 25 de maio,domingo, às 19:00h

* Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes - Temporada: 30 e 31 de maio e dias 6, 7 e 8 de junho

Endereço: Rua Inácio Monteiro, 6.900, Cidade Tiradentes, Fone: (11) 2555-2810 Capacidade: 70 lugares. Ingressos: GRATUITO Acessibilidade: tem acesso a deficientes.

Além do Ponto – Dia 06 de junho, sexta-feira, às 20h30

Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar sem Asas – Dia 07 de junho, às 20h

Cartas à Madame Satã ou me Desespero sem Notícias Suas – Dia 08 de junho, domingo, às 19h

* Galeria Olido - Sala Olido - Temporada – 13/14 e 15 de junho

Endereço: Avenida São João, 473 – Telefone: 3397-0171 e 3331-8399 Sala Olido – capacidade 297 lugares, acessibilidade a cadeirantes na bilheteria e na sala de espetáculo, não possui estacionamento, não possui lanchonete e cafeteria

Retirada de ingressos 01 (uma) hora antes do espetáculo

Preço: R$ 15,00 inteira e R$ 7,50 meia entrada para estudantes, idosos acima de 60 anos, professores da rede pública de ensino e deficientes.

Além do Ponto - Dia 13 de junho, sexta-feira, às 20:00h

Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar sem Asas – Dia 14 de junho, sábado, às 20:00h

Cartas à Madame Satã ou Me Desespero Sem Notícias Suas – Dia 15 de junho, domingo, às 18:00h

19 de mai de 2014

Programação Quilombola na Suburbano Convicto, dia 20 de maio de 2014

Dia 20 de maio, na livraria Suburbano Convicto!
Programação Quilombola nesta terça... 20/5 + cedo ... 19h

Sarau Suburbano nesta terça vai ter 3 super lançamentos.... 2 livros e 1 CD. Almerio Barbosa, Cidinha e Grupo Pensamento Negro .................................... VAI PERDER ?

20/05/2014 (Das 19h30 às 22h) - Sarau Suburbano no Bixiga

* Traga sua poesia (ou) sua rima

ABERTURA (19h) com CAPULANAS.......
* Chegar + cedo.

Lançamento dos livros:

Família Periferia - Nivelando por Cima de Almerio Barbosa

Racismo no Brasil e Afetos correlatos da CIDINHA

Lançamento do CD "Não Desista de Lutar" do Grupo Pensamento Negro de Embu Guaçu-SP.

Apresentação: Alessandro Buzo e Tubarão Dulixo

Livraria Suburbano Convicto, Rua 13 de Maio, 70 - 2o andar
Inf: (11) 2569-9151 - suburbanoconvicto@hotmail.com

www.sarausuburbano.blogspot.com
 (4 fotos)
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17 de mai de 2014

"Não sou noveleira! Apenas leio a novela quando a assisto."



É novela, quer o quê? Para de chiar e muda de canal!
Por Cidinha da Silva

Escrever textos opinativos sobre novelas ou aspectos delas é um grande aprendizado. É vespeiro de abelhas bravas e vingativas. Você passa pelo inferno do desprezo, ora intelectualóide, ora esquerdizante e vai até outro inferno, do pessoal que compra a ideologia da novela e a assiste sem frestas de criticidade. É um risco para sua reputação porque de uma ponta a outra há um corredor polonês preparado para cumprir o papel de um corredor polonês.

Mesmo a crítica mais participativa, aquela localizada no entremeio dos infernos, confunde papeis. São ditas coisas como “muito bom o texto! Faça-o chegar à autora da novela!” Ora, faça-o você, se acha que vale o trabalho de movimentar-se nessa direção. A escritora escreve, põe o texto no mundo e ele anda com as próprias pernas. E quem quiser que o carregue, promova, critique, execre-o, com argumentos, por favor, principalmente no caso dos textos opinativos. Assim a autora se sentirá motivada a debater.

Ainda outra dimensão negativa é que o texto sobre novelas publicado na Web é lido de maneira imediatista e grudada no tema abordado. É um texto sem asas. Parece que o peso do papel é que continua a possibilitar voos mais satisfatórios.

Pelo lado mais positivo, esse tipo de crítica também encerra a percepção de que autora não consagrada joga nas onze. Ou seja, escreve, corrige, edita, escolhe a ilustração, publica, divulga e deve fazer o texto chegar às mãos dos possíveis interessados.

Na resposta aos textos novelísticos ocorre também a manifestação dos donos da verdade. Gente que tem coisas prontas a dizer e que, pretensamente, pairam sobre a abordagem boboca da autora, bem como sobre a participação insignificante dos demais mortais. Um exemplo significativo, que não se refere à novela, propriamente, mas se adéqua de maneira perfeita ao perfil de dono da verdade, é a afirmação de que o espaço midiático e a repercussão conseguida pela declaração de amor de Daniela Mercury à companheira, Malu Verçosa, é “um pouco exagerado demais.”

É de dar nó em pingo d’água! A coisa é “um pouco exagerada demais!” Diria que o sujeito inventou um pleonasmo torto da exacerbação quantitativa, precedido (contradito) por um quantificador de leveza linguística (a função inventada para o advérbio “pouco”, na frase). Tudo disfarce cínico da heteronormatividade para desqualificar a atitude da cantora, perfeitamente afinada com o respeito aos direitos humanos das pessoas LGBT no Brasil.

Existe uma versão ainda mais tosca dos donos da verdade, os fatalistas: ”é a Rede Globo! O que esperavam? O que assusta é vocês ainda esperarem alguma coisa das novelas.” Ou, ainda, “é novela, quer o quê? Para de chiar e muda de canal!” As variações são muitas, tem o cara que diz: “se eu não gosto, desligo a TV, não fico revoltadinho e abro mil assuntos no Face (rede social).”

 É candidato a rei também o arauto da esquerda: “o povo ainda não entendeu que uma mídia corporativa burguesa não pensa no povo e cultura como seres humanos, só pensa no lucro... o pior é que o povo ainda dá audiência.” É dureza receber essas mensagens, ainda mais para a autora que não é noveleira. Ela apenas lê a novela quando a assiste.

Tem os comentários impossíveis de decodificar, seja por pretenderem uma ironia (fracassada), seja por serem vagos ao afirmar algo, ao mesmo tempo em que contrariam o que disseram antes. É confuso mesmo. Você lê, relê e não consegue perceber se a concordância (ou discordância) é com a afirmação da autora ou com a crítica a ela.

Outros comentários mostram porque a novela emplaca, explicitam o tipo de pensamento representado por ela, neste caso, com certo verniz intelectual para referir-se à crônica da escritora sobre o núcleo de moradores de favela da telenovela Salve Jorge: “a novela não é grande coisa mesmo, mas é ficção e não documentário. E quem acha que novela vai fazer pensar? A maioria dos jovens de favela e periferias não quer nada mesmo: vejo aqui, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, rapazes soltando pipas, fazendo rachas com motos... moças que não trabalham, só querem namoro, e olha que não se vestem mal, não... não sei onde acham dinheiro pra comprar; é cabelo chapado, shortinhos curtos, funk em volume ensurdecedor, etc, etc...”

Felizmente, predominam os comentários inteligentes, mas a gente que lê o mundo destaca sempre o que precisa ser reconstruído, por isso a ênfase naqueles que deixam escapar visões de mundo que interessam muito à novela.

Um exemplo de comentário positivo é: “desligar a TV é uma boa mesmo, mas não resolve o que se discute aqui: invenções e reforços dos estigmas racistas! Por favor, a ideia é questionar e combater violências, não fechar os olhos, as portas, as janelas, a TV, os ouvidos... Detesto novela, não as assisto, mas estou com quem questiona o que elas veiculam.”

Texto do livro "Racismo no Brasil e afetos correlatos."

13 de mai de 2014

Túnel do tempo (em tempo), 0 13 de maio de sempre!

Nota sobre a abolição da escravidão e o racismo - blogagem coletiva 13 de maio de 2013
Por Cidinha da Silva para o Blogueiras Negras


A abolição da escravidão é um tempo de longa duração. O evento terminou, mas o tempo dele perdura.
O racismo, como sistema ideológico, não é desdobramento da escravidão. Trata-se de uma formulação construída no século XIX para justificá-la, para ratificar a inferioridade atribuída às pessoas escravizadas.
Discutir o racismo, explicitá-lo, combatê-lo, é mais profícuo e profundo do que insistir nos efeitos da escravidão que fossilizam o lugar da lentidão inexorável das mudanças socioeconômicas necessárias para o crescimento da população negra, atribuído ao ônus da escravidão. Vil armadilha!
É o debate sobre o racismo que nos permite decodificar a estratégia de pessoas brancas e até mestiças confusas e embranquecidas que ressignificam o lugar da casa-grande a cada pequena ação. Dia desses publiquei crônica que narrava uma cena de discriminação racial protagonizada por um homem negro que discriminava uma mulher negra durante cena de novela e tive exemplo desse raciocínio.
O texto ativou o seguinte comentário: “Ah! Por favor! Adoro a página (Nomes Afro e Africanos e Seus Significados) e estou sempre na luta contra o racismo, intolerância religiosa, na luta dos gays, violência doméstica e tudo mais… mas, sinceramente, já virou paranoia, até a novela? Pelo amor de deus!!!!!! Nada mais se pode falar que é discriminação, bulling, etc… até negro falando com negro vocês agora acham que é racismo? Vocês estão precisando procurar um tratamento, porque o racismo está em vocês, me desculpe.”
É uma assertiva pobre, previsível, fácil de analisar à luz do modus operandi do racismo no Brasil, vejamos:
1 – O texto citado pela leitora é autoral, assinado, mas ao invés de criticar a autora, sabidamente negra, ela se dirige ao coletivo negro, aconselhando-o a procurar tratamento psicoterapêutico ou psiquiátrico, pois o racismo estaria internalizado nos membros do coletivo, adoecendo-os. O racismo funciona exatamente assim, toma parte pelo todo. Os racistas destacam parte do grupo, fazem generalizações absurdas e tentam atingir a todos, porque não importa o indivíduo, importa que ele integre o coletivo discriminado.
2 – Como o objetivo de se auto-preservar e proteger, a pseudo defensora dos negros, em primeira mão, nomeia as causas em que está envolvida: adora coisas de negros (a fan page citada), luta contra o racismo, violência doméstica, intolerância religiosa, a favor dos gays e deve saber o que é melhor para esses sujeitos, pois quando os discriminados ousam levantar a voz contra a opressão, cometem exagero.
3 – O mundo do entretenimento, da novela ideologicamente construída seriam locus inofensivos, segundo o raciocínio rastejante da leitora. Logo, enxergar o racismo ali seria despropositado, paranóico.
4 – Por fim, a contradição: o racismo seria um problema internalizado pelos negros, segundo sua compreensão, mas estes não cometeriam atitudes discriminatórias em relação a outros negros. Deste modo, a percepção da autora quanto à discriminação racial de uma personagem negra contra outra seria absurda, ainda mais, em uma novela.
5 – Como coroamento de tudo, um pedido de desculpas que infantiliza os leitores e leitoras do comentário, como se a autora dissesse: “Sinto muito, mas eu precisava alertá-los, vocês são idiotas.”
Viram? Não é difícil. É cansativo, mas não é difícil. Se nos detivermos no legado da escravidão faremos o jogo da leitora, estacaremos no lugar de vítimas, na moradia da subalternidade. Ficaremos de braços abertos para sermos resgatados por redentoras, como ela.
Contudo, se assumimos o lugar de alvos do racismo, olharemos dentro dos olhos dos racistas, decodificamos suas práticas e ardis e poderemos destruí-los.
BC_Blogueiras Negras
Esse post faz parte da Blogagem Coletiva Luiza Mahin organizada pelas Blogueiras Negras nos 125 anos de Abolição.

Túnel do tempo (em tempo), o 13 de maio de sempre!

125 Anos de abolição e eles gritam mais uma vez que o poder é branco!



Por Cidinha da Silva

Um juiz do Maranhão conseguiu suspender na Justiça Federal os editais da FUNARTE/MinC destinados a artistas e produtores culturais negros. O fato é tão surreal que as pessoas duvidam da seriedade da notícia. Não seria trote como a nota de suspensão abrupta do Bolsa-família plantada na mídia?

Às vezes tenho medo do país em que vivo. Temo por meus mais-novos. Fico escandalizada com a incúria da branquitude que não dá trégua, não larga o osso, não admite perder milímetros, gotas, milésimos de seus privilégios arraigados.

O Brasil real, branco e racista, quando se manifesta é tão virulento que produz certa apoplexia. Ele se organiza à revelia da legislação, da constitucionalidade das ações afirmativas, das decisões do STF e rasteja circularmente pelo assoalho da casa grande. Ele desconsidera tudo e todos em nome dos próprios interesses egoístas, autoritários, desumanos, dos privilégios quase de casta. Ele se regozija em afirmar que se não for do jeito dele e se não for tudo para usufruto dele, não será de mais ninguém.

Esse Brasil tem milhões de defensores, uns mais empedernidos, outros menos. Gente que se locupleta da arbitrariedade vil, pronta a argumentar que tudo deve ser de todos e para todos, leia-se, dos brancos e para os brancos que sempre tiveram tudo. E essa, no entendimento deles, é a ordem natural das coisas. E que os negros continuem nos seus lugares, domesticados.

Quando esse Brasil percebe que os negros estão se organizando, conquistando umas coisinhas poucas, tratam logo de contra-atacar com os instrumentos bélicos adequados a cada momento. Seja no capítulo de novela das nove no dia 20 de novembro, em que uma personagem branca dá uma bofetada na protagonista negra que lhe pede perdão de joelhos por sentir-se responsável pelo acidente que deixara a filha da mulher branca tetraplégica, seja noutra novela, na qual um homem negro chamado Pescoço cai nas graças do povo pelo jeitão encostado, explorador de mulheres, somado ao racismo internalizado. É Pescoço, mas poderia ser joelho, cotovelo, calosidade, qualquer coisa, qualquer nota. Seja na decisão da Justiça Federal de suspender os editais de ação afirmativa da FUNARTE/MinC destinados a artistas e produtores culturais negros, em atendimento ao reclame de um juiz qualquer que resolve obstar a vida e os sonhos de mais de dois mil proponentes negros.

Esse Brasil se levanta e vocifera que o poder é branco e continuará a sê-lo! E nós o encaramos nos olhos e prosseguimos. Embora por vezes pareça meta inatingível, é só questão de tempo para que o Brasil negro diga ao Brasil branco e racista: Perdeu playboy, perdeu!

12 de mai de 2014

Cidinha da Silva na XII Semana de Museus em Belo Horizonte, dia 14/05, no Muquifu e Museu Abílio Barreto





As coleções são a semente dos museus, e logo deles se tornam corpo e alma.  Fazem com que o conhecimento se enriqueça e se amplie no diálogo com os elementos recolhidos e reunidos como testemunhos vivos da arte, da história, da ciência e da vida.  Coleções criam conexões - enfatiza o ICOM, Conselho Internacional de Museus, ao propor esse tema instigante para as celebrações de 18 de maio de 2014. A Semana Nacional de Museus provoca a realização de numerosos eventos em todo o Brasil, por intermédio dos quais as coleções estarão conectadas com os mais variados e surpreendentes pontos de ligação.

Quando se destaca a importância das coleções e se busca a sua valorização, sendo-lhes oferecida a possibilidade de proteção legal, ainda que não musealizadas ou já visitáveis, desvendar essa rede infinita de conexões é revelar novos modos e meios de interação no universo em que gravitam. Coleções são complexos legados da memória cultural, e é preciso que gerem todo tipo de conexão para que possam ampliar sempre mais os seus efeitos em termos de comunicação, educação, participação e fruição.

Programação da 12ª Semana Nacional de Museus no Muquifu

12 a 18         10 às 17       Abertura do Muquifu em horário continuado
                                                Beco Santa Inês, 30 - Barragem Santa Lúcia

13                   19 horas       Missa Quilombola e Entronização de São Martinho de Lima
20 horas       Chá da Dona Jovem
                                  Igreja dos Pretos, Santo Antônio do Monte, 708 - Vila Estrela

14                   14 horas       Mesa Redonda: As Coleções e as Conexões do Muquifu
Augusto, Cidinha da Silva, Mariana e Pe. Mauro
                                               Beco Santa Inês, 30 - Barragem Santa Lúcia

                        17 horas       Chá da Dona Jovem e Percurso Educativo: Andando na Cidade
                                               Caminhada na Av. Prudente de Morais, do Muquifu ao Mhab

                        18 horas       Homenagem à Senhora do Rosário e Conversa com Cidinha
                                               Jardins do Mhab, Av. Prudente de Morais, 202 - Cidade Jardim

18                   10 horas       Inauguração do Painel-Memória: Guernica e Fica Vivo!
                                               Visita aos afrescos recém-restaurados: Fabiano Valentino
13 horas       Almoço no Muquifu - Favor confirmar presença: R$ 20,00
                                               Beco Santa Inês, 30 - Barragem Santa Lúcia


Muquifu: 3296 6690 I Pe. Mauro: 9257 0856 I Site do Museu: www.muquifu.com.br