Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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30 de dez de 2011

2012

Que 2012 chegue manso como as águas de Lemba. Que os tons do amor sejam as nuances das cores do mel de Kissimbi. Que N'Zazi traga o que me cabe! Ngunzu!

17 de dez de 2011

A Agenda Afrobrasileira está de volta!

(Divulgação). "A primeira edição da Agenda AfroBrasileira, lançada em 1994, nasceu do trabalho de um grupo de jovens pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. (…) A publicação, que se tornou referência para militantes, professores, pesquisadores e interessados no tema, foi interrompida em 1998 e, somente agora está sendo retomada. É um livro de referência e consulta para pesquisadores, estudiosos, militantes e pessoas interessadas em cultura e história negra e em arte contemporânea. A Agenda busca incentivar a educação sobre história e cultura africana, com base na Lei Federal 10.639/2003, ajudando professores e pesquisadores na busca por informações e fatos relevantes relacionados com a África, a diáspora africana, os movimentos negros e as questões afro-brasileiras. Nas divisórias, que abrem cada mês, apresentamos 12 obras da coleção Sindika Dokolo, de Angola, fundação que possui o maior acervo de arte contemporânea africana do mundo. As obras, inéditas no Brasil, fazem parte da exposição itinerante chamada "Transit_BR", que será apresentada ano que vem em vários estados brasileiros com a curadoria da equipe da galeria Soso e dessa fundação angolana. São fotos, pinturas e instalações que compõem um panorama do universo artístico africano desde a década de 50 até os dias de hoje, contemplando artistas jovens e consagrados, de diversos países do continente, buscando um novo olhar sobre a arte africana, fugindo dos estereótipos e das referências tradicionais. Nesse sentido, as obras de arte que foram selecionadas também propõem educar o nosso olhar pra uma África mais atual. A agenda será lançada na Feira Preta nos dias 17 e 18 de Dezembro mas já está a venda pelo site. Para saber mais www.agendaafrobrasileira.com.br "

16 de dez de 2011

Carta de uma leitora de Oh, margem! Reinventa os rios!

"Olá , Cidinha, Que interessante e delicioso foi o meu passeio por essas margens escritas por você!! Durante pouco tempo, porque a sede foi aumentando à medida em que experimentava as águas desse rio. A cada gole, uma vontade de provar sempre mais. E eram sempre mais emoções vividas nos pontos de ônibus, dentro deles, nas salas de espera e nos lugares mais inusitados. Sempre a ânsia de ver a próxima crônica. Que emoção vislumbrar os avanços da construção da tão sonhada casa ! A ousadia e coragem do atleticano ao assobiar o hino do clube no momento como aquele. Da constatação do que era realmente a Broadway. Como bateu a saudade do magnífico e ingênuo Wilson Simonal e do grande Evaldo Braga! Percebe-se mesmo a torcedora fiel que você é quando relata de forma tão linda o que representou o jogador Reinaldo par a a massa atleticana. Ótimo também ver o respeito do sequestrador por Oxalá. A perplexidade diante da conversa entre os professores universitários; a carta a Paulo Mendes Campos; a exigência das empregadas de um condomínio ; o questionamento em relação á quantidade de programas entre garotas brancas e negras; o drama das catadoras de latinha; a encantadora Doutora Mundinha; o personagem Máximo que pede para ser registrado em uma história. Em relação às cenas da colônia africana em Porto Alegre, difícil escolher a mais emocionante. O safado do senhor Benzoildo com seu açougue “Carnes Frescas e Afins” ; o surpreendente policial Cassiano( o que que é isso?!!!) ; a entrevista com Luli Funkeira ( e sua filha Kadija Destelha Berçário ) muito criativa. A ótima intromissão na atitude de Norma; como dizem os garotos:”da hora”!. Como dei boas risadas!!! Que poético o texto “ Por te amar”! Lindo!!! E não poderia terminar de forma ma is graciosa! Maravilhosas e deliciosas essas margens!!! Você tem mesmo as manhas, minha amiga!!! Parabéns!!! E só nos resta um pedido: Nem pense em parar, ok? Como já disse , fica sempre o gostinho de quero mais. Um ano de 2012 bem literariamente produtivo para você, com muita saúde, paz , amor , alegria e muito sucesso sempre. Um abração carinhoso. Dôra".

15 de dez de 2011

Deixa a Nêga em Paz: performance teatral e musical questiona estereótipos da mulher negra

"A cantora, compositora e percussionista Valquíria Rosa apresenta-se dia 21 de dezembro (quarta-feira, 21h) no Espaço Cachuera!, acompanhada por Lincoln Antonio (piano e direção musical) e Lello do Cavaco (cavaquinho), no show Deixa a Nêga em Paz. A performance questiona estereótipos da mulher negra encontrados no cancioneiro popular e na MPB, tendo como ponto de partida as condições da mulher negra contemporânea. Em sua pesquisa, Valquíria encontrou músicas que apresentam a Nêga louca, feiticeira, sedutora e vagabunda. "Meu intuito é tocar nesses pontos e caminhar na desconstrução desses conceitos", diz ela. Valquíria complementa: "vejo a mulher negra na condição de pessoa que sustenta a base da sociedade, em vários níveis, e busca se adequar ao modelo moderno de vida, construindo sua individualidade, mas ao mesmo tempo sendo colocada para fora dessa sociedade que ela constrói". Durante o espetáculo, uma boneca negra em tamanho natural contracena com Valquíria, os músicos e o público. Deixa a Nêga em Paz . Onde: Espaço Cachuera! - Rua Monte Alegre, 1.094 . Perdizes . São Paulo . Quando: 21 de dezembro de 2011 (quarta-feira), 21h . Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia entrada extensiva a estudantes, professores, músicos, atores, dançarinos, aposentados e acima de 60 anos, mediante comprovação) . Mais informações: 11 3872 8113 . 3875 5563 . cachuera@cachuera.org.br - A bilheteria abre com uma hora de antecedência. - Não aceitamos cartões de débito/crédito.

14 de dez de 2011

Ateliê Editorial investe na literatura negra e lança edição ampliada da novela A Descoberta do Frio

(Divulgação). "Metáfora do racismo, o frio ocupa lugar central nessa obra - marco da literatura negra brasileira - publicada pela primeira vez em 1979 Mais de trinta anos depois da primeira tiragem, está sendo lançada pela Ateliê Editorial a segunda edição ampliada e revista da novela A Descoberta do Frio, de Oswaldo de Camargo. O evento de lançamento acontece na próxima terça-feira, 20 de dezembro, das 18h30 às 22h, na Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul- Países Árabes (BibliAspa), na rua Baronesa de Itu, 639 - Santa Cecília- São Paulo (próximo Metrô Marechal Deodoro). Ambientada em meio urbano, a história envolve personagens afro-descendentes intelectualizados e conscientes das barreiras enfrentadas pelos negros no Brasil. Fugindo dos estereótipos, a trama se passa entre homens e mulheres que produzem e discutem Literatura Negra, registrando também a presença da Imprensa Negra.. “Em determinado momento, numa grande cidade - escreve o sociólogo Clóvis Moura no prefácio da obra – um personagem aparece com frio. Esse frio não é apenas um fenômeno meteorológico, mas um elemento que o autor aproveita para desenvolver o seu recado e articular a sua trama. Um negro com frio. Mas, esse frio não vem apenas da atmosfera – outros não o sentem - porém de uma situação existencial e social.” O autor: Nascido em Bragança Paulista em 1936, Oswaldo de Camargo é jornalista, com carreira no jornal O Estado de S. Paulo e na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (IMESP). Além de A Descoberta do Frio, publicou O Negro Escrito – Apontamentos sobre a Presença do Negro na Literatura Brasileira (1987), A Razão da Chama – Antologia de Poetas Negros Brasileiros (1986) e o volume de contos O Carro do Êxito (1972). Vários de seus poemas, contos e artigos a respeito do trajeto do negro brasileiro foram traduzidos para o alemão, inglês, francês e espanhol. Serviço: Lançamento do livro “A Descoberta do Frio” Autor: Oswaldo de Camargo Data: 20 de dezembro - terça-feira -, das 18h30 às 22h Local: BibliAspa- Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul- Países Árabes Rua Baronesa de Itu, 639- Santa Cecília- São Paulo (próximo Metrô Marechal Deodoro) Fone: tel. (11) 3661-0904 Oswaldo de Camargo: Tel.: (11) 2615-3720 Cel.: (11) 7241.4994 e-mail: oswaldodecarmargo@bol.com.br Ateliê Editorial. ISBN: 978-85-7480-566-5. 128 páginas. Formato: 14 x 21 cm. 2ª edição - 2011. Gênero: novela, ficção. Preço: R$ 25,00. Outras informações sobre a obra: http://www.atelie.com.br/shop/detalhe.php?id=588

13 de dez de 2011

Lançamento de Literatura e Afro-descendência: antologia crítica, dia 14/12, em Salvador

(Divulgação). "A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e da Fundação Pedro Calmon/ SecultBA realizam na próxima quarta-feira (14) o lançamento da coletânea Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. O evento acontece na Biblioteca Pública do Estado – Barris, a partir das 18h, com uma homenagem ao Mestre Didi, pela sua contribuição para a cultura afro-brasileira e um recital poético com os atores do Bando de Teatro Olodum. A coletânea é fruto de pesquisas realizadas em todas as regiões do país, com vistas ao mapeamento e estudo da literatura produzida pelos afrodescendentes desde o período pré-colonial. Integram o projeto, 61 pesquisadores vinculados a 21 instituições de ensino superior do Brasil e mais seis estrangeiras. Ao todo, são quatro volumes, que somam 2028 páginas e revelam 100 escritoras e escritores oriundos de tempos e espaços diversos, apresentados a partir de ensaios críticos, contendo dados biográficos, estudo da obra, relação de publicações e de fontes de consulta." SERVIÇO: O Quê: Lançamento da coletânea Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica Local: Sala Katia Mattoso da Biblioteca Pública do Estado da Bahia Data: Quarta-feira, 14 de dezembro de 2011 Horário: 18h

Lançamento do Cadernos Negros volume 34, dia 17/12, em São Paulo

(Divulgação). "Em primeiro lugar, mojubá pra você que acompanha, valoriza e apoia o trabalho do Quilombhoje (e dos autores afrodescendentes em geral), você que acha importante a literatura afro e mostra isso não só por palavras, mas também em suas ações. Seu axé faz com que sigamos adiante. Desejamos que você esteja no caminho da realização de seus projetos, ou que já os tenha realizado e esteja agora em busca de mais. Sabemos também que existem aqueles que não têm tanta certeza, pois é, os que não acham importante, acham que essa coisa de literatura negra é bobagem, que o caminho não é por aí. Respeitamos todas as opiniões, mas é lógico que não compactuamos com algumas e sabemos que em algum momento o texto poderá seduzir mesmo os mais resistentes. Afinal, nossa literatura fala de coisas que estão caladas no dia a dia, mas que todos sentem. E como todo ano acontece, neste ano também lançaremos um volume de Cadernos Negros. Este é de contos e tem 21 autores. É o volume 34. A vida é feita de mudanças e neste ano o lançamento será um pouco diferente. Será dentro da Feira Preta, evento que também ocorre anualmente e que agrega pessoas interessadas na produção cultural e artística e no microempreendedorismo da população afro, e que vai acontecer sábado e domingo. O lançamento do CN34 será no Centro de Exposições Imigrantes, dia 17 de dezembro, sábado, às 17h, na sala reservada aos eventos de literatura e educação. Logo mais daremos mais detalhes sobre esse evento. Abaixo estão os autores que escrevem neste volume. CADERNOS NEGROS VOLUME 34 - CONTOS - Autores: Ademiro Alves (Sacolinha), Adilson Augusto, Claudia Walleska, Conceição Evaristo, Cristiane Sobral, Cuti, Débora Garcia, Denise Lima, Elizandra Souza, Esmeralda Ribeiro, Fátima Trinchão, Fausto Antônio, Guellwaar Adún, Henrique Cunha Jr., Jairo Pinto, Luís Carlos 'Aseokaýnha', Mel Adún, Míghian Danae, Miriam Alves, Onildo Aguiar, Thyko de Souza Axé!"

12 de dez de 2011

Sarau Suburbano Convicto, festa de encerramento de 2011!

Lançamento do livro "POETAS DO SARAU SUBURBANO" (Ponteio Editora) * Livro #PoucasPALAVRAS do Renan do Inquérito * Livro "Boneco do Marcinho" de Emerson Alcalde (infanto juvenil) * Livro "Dia das Crianças na Periferia" de Alessandro Buzo (Infantil), ilustrações de Alexandre de Maio * Livro "Primeiras Prosas" do Coletivo SARAU DA ADEMAR * Livro "Antolôgia do Sarau Perifatividade" * Livro "InCorPoros - Nuances de Libido" de Akins Kinte e Nina Silva Local: Livraria Suburbano Convicto Rua 13 de Maio, 70 - 2o and - Bixiga (região central de SP) www.sarausuburbano.blogspot.com

10 de dez de 2011

Lançamento da antologia Negrafias – Literatura e Identidade vol. 3, em São Paulo

(Divulgação)"O Convite é irresistível: Lançamento da antologia Negrafias – Literatura e Identidade vol. 3. São vinte autor@s, que se debruçam sobre o pálido papel, com liberdade criativa, formando um mosaico de gênero, alcançando outra forma de contar nossa história. Como descrito na orelha do livro “Negrafias é chama de fogueira justiceira que queima o pau apodrecido e alumia o pensamento. É lâmina de obé amolado que rasga o pálido conforto da consciência incolor de mocinhos e mocinhas. É água de chuva, daquelas que purifica a vida e rega colheita. É livro que contém histórias e personagens imateriais, porém de uma realidade tão porosa que será difícil não ser, de algum modo, cúmplice. É um prazer servir na sua mesa um cardápio literário repleto de negros contos, poesias e ousadias”(...). O local do lançamento será no recomendável Bar Paiol, do nosso amigo Bru, que se localiza na Rua Inácio Pereira Rocha, n. 273 no bairro de Pinheiros Ficaremos muito contentes com a presença de tod@s vocês para que possamos celebrar mais essa conquista e trocar positivas energias! O valor arrecadado com a venda deste livro será destinado para a construção de um espaço comunitário na Comunidade de Terreiro Ilê Axé de Yansã, no município de Araras/SP." Organização: Marciano Ventura. Autores participantes: André Luis Patrício (SP), Andrio Candido (SP), Damazze Lima (SP), Elis Regina Feitosa do Vale (SP), Fau Ferreira (BA), Fernanda Rodrigues Miranda (SP), Geranilde Costa e Silva (CE), Hamilton Borges Walê (BA), Janaína Santana (SP), Jociara Keila (SP), Juliana Queiroz (SP), Marcelo Mafra (SP), Marciano Ventura (SP), Marcio Folha (SP), Nina Silva (RJ), Paulo Cigano (SP), Pollyanne Carlos da Silva (PE), Priscila Preta (SP), Sirlene Santos (SP), Sueide Kintê (BA). Programação: Mestre de Cerimonia: Rubão O Iluminado; Grupo Raizarte – O malandro e a dançarina; Dança para Oxum - Coletivo Esperança Garcia com participação de Giovani di Ganzá DJ Edmilson, o Dj Diferenciado; Pocket show com Felipe Augusto - Quilombrasa; Sarau de Poesia - Mercado Preto: Omosholá Artes Africanizadas , cds, artesanatos. Atrações surpresas!!! Ciclo Contínuo de Literaturas - Coordenação Geral/Editorial: Marciano Ventura; Coordenação de Produção: Valéria Alves de Souza; Coordenação Pedagógica: Sylvia Sabrina Santander; Projeto Gráfico e capa: Denis A. Figueiredo; Ilustração da Capa: Conde (in memoriam); Revisão: Fernanda Rodrigues de Miranda; Colaboradores: Marcio Custódio de Oliveira, Elis R. do Vale Feitosa, Samuel Galvase, Rubens Barbosa Leal; Apoio: Ilê Axé de Yansã e Bar Paiol; Patrocínio Programa VAI/Prefeitura de São Paulo.

9 de dez de 2011

Começa o 6o FAN - Festival de Arte Negra em Belo Horizonte

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, realiza de dezembro de 2011 a maio de 2012 o 6º FAN – Festival de Arte Negra de Belo Horizonte. Com o tema “Territórios Móveis”, a 6ª edição organiza-se para ressaltar o valor político e cultural de um percurso simbólico fundamental para o entendimento da experiência africana e afro-diaspórica: o que se inicia no corpo, microcosmo do espaço amplo, expande-se para a casa, lugar das alianças afetivas, e transborda para a rua. De 9 a 11 de dezembro, diversas atividades gratuitas marcam a abertura do Festival no Cine Santa Tereza, com o objetivo de criar um diálogo continuado com a cidade. “A programação que dá início ao 6º FAN traz uma dinâmica de escuta e diálogo entre a sociedade civil e os órgãos públicos, a partir de um questionamento feito pela própria comunidade - ‘Que FAN queremos?’”, explica Ricardo Aleixo, um dos membros da comissão organizadora dessa edição, ao lado de Celina Albano, Gil Amâncio, Ibrahima Gaye e Leda Martins. A co-realização é da Associação Pró-Cultura e Promoção das Artes – APPA. Após as atividades de abertura, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2012 estão previstos encontros quinzenais entre a comissão organizadora do Festival e representantes da sociedade civil para discutir ideias, sugestões e diretrizes a serem trabalhadas na formatação das ações futuras do FAN. Além dos encontros presenciais, a comissão organizadora circulará por diversos territórios da cidade dialogando com o segmento organizado da comunidade negra interessado na discussão das políticas públicas de cultura em Belo Horizonte. Depois desse período de “coleta” e “escuta”, nos meses de março e abril, a comissão se reunirá para avaliar e documentar as propostas. O resultado desse diálogo, iniciado em dezembro/2011 e estendido até fevereiro/2012 será considerado como insumo fundamental para a definição das atividades artísticas que terão curso no mês de maio/2012, data em que ocorrerão shows musicais, performances e apresentações artísticas, além do Ojá, feira de comidas e artesanato típicos africanos. “De dezembro a maio, vamos seguir todo um cronograma, uma metodologia, a fim de que realmente possamos debater, construir e consolidar o FAN que todos nós queremos”, afirma a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaïs Velloso Cougo Pimentel, adiantando que durante a programação de abertura, será lançado o edital “Movimentos Urbanos”, voltado para a seleção pública de grupos artísticos de Belo Horizonte que queiram se apresentar no Festival no mês de maio. Thaïs ressalta ainda que a escolha da comissão e da dinâmica proposta para a 6ª edição do Festival “realça o compromisso e a preocupação da FMC em reunir profissionais qualificados e compromissados em pensar, discutir e ampliar o debate com a sociedade, na busca pela construção coletiva do FAN”. Programação O cantor e compositor Chico César é quem dá início às atividades no dia 9 de dezembro, às 19h, com a aula-espetáculo “Da Mama África à Mama Mundi”. Em seguida, as cantoras líricas Inaicyra Falcão (BA), Elizeth Gomes (MG) e o griot senegalês Zal Idrissa Sissokho entoam cânticos de louvação aos orixás no concerto “Loas da travessia da calunga grande”. Seguindo a proposta de discussão com a sociedade acerca da construção coletiva do Festival, no dia 10, às 15h, as “Políticas públicas para as culturas negras” serão debatidas por representantes da Fundação Municipal de Cultura, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR, da Fundação Cultural Palmares, da Funarte, da Coordenadoria Especial de Políticas Pró-Igualdade Racial - CEPIR/MG e da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial - CPIR/BH, com mediação de Marcos Cardoso. Às 17h30, o próprio “Festival de Arte Negra de Belo Horizonte” é tema de uma roda de conversa entre os membros da comissão organizadora, Gil Amâncio, Ibrahima Gaye, Leda Martins e Ricardo Aleixo. Às 21h, o artista, intelectual e ativista político da causa negra no Brasil, falecido esse ano, ganha homenagem na performance “Abdias do Nascimento: rito de recordação”, com participação de Benjamin Abras, Elisa Larkin, Elisa Lucinda, Grace Passô, Léa Garcia, Renato Negrão, Rui Moreira e Waldemar Euzébio. Dia 11, às 16h, exibição do videopoema “Acrobata da Dor” de Ricardo Aleixo, em homenagem aos 150 anos de nascimento do poeta Cruz e Sousa. Em seguida, o professor e ensaísta Eduardo Assis Duarte e a escritora Ana Maria Gonçalves debatem “Afrografias: escrever as diferenças”, com mediação de Íris Amâncio. Às 18h, o sambista, pesquisador e romancista Nei Lopes participa da aula-espetáculo “Sambeabá: o samba que não se aprende na escola”. E encerrando a primeira etapa do 6º FAN, às 19h, show com Carla Gomes, Zaika + convidados, Mariella Santiago, Sérgio Pererê, Lokua Kanza e discotecagem da DJ Black Josie. Mais informações: (31) 3277-4643 / 3277-4366

A escritora angolana, Amélia Dalomba, lança Uma mulher ao relento no Rio de Janeiro

Sobre o livro: Uma mulher ao relento, Nandyala Editora, Belo Horizonte, 2011. O romance Uma mulher ao relento trata da trajetória de vida da narradora que, em primeira pessoa, revela suas tristezas, alegrias, indignações e resistências à prática contemporânea do alembamento (cerimônia do dote oferecido à família da noiva, quando de oficializa o trato do casamento entre as famílias envolvidas) que não respeita a mulher como sujeito ou senhora de seu futuro, contrariamente às tradições bantoangolanas, de base matriarcal. Esta obra consolida a maturidade da produção literária de Amélia Dalomba, nas tensões cotidianas das relações de gênero. Sobre a autora: AMÉLIA DA LOMBA , nasceu na Cidade de Cabinda, Angola. Tem artigos e poemas publicados em revistas e jornais e participações em CDs musicais angolanos, com letras e músicas. Ministra palestras sobre literatura e culturas de Angola, bem como sobre as relações de gênero em seu país. Estudou Psicologia Geral e simultaneamente desenvolveu a sua atividade profissional na área do Jornalismo, nomeadamente o jornalismo radiofônico e de imprensa. É colaboradora do Jornal de Angola, tendo publicado alguns dos seus textos poéticos na sua página cultural. Frequentou diversos seminários de Jornalismo, Administração e Gestão de Empresas e Formação Política. Integrando a geração de 80, denominada pelo crítico e poeta Luís Kandjimbo como a "Geração das Incertezas", ao lado de nomes como Ana Paula Tavares, Ana de Santana, Lisa Castel, entre outros, Amélia Dalomba é uma das novas vozes femininas do universo literário, cujo contributo se reveste da maior importância para o desenvolvimento da poesia angolana. Como a obra dos restantes poetas dessa geração, filha da geração da guerra colonial, a sua poiesis, assentando num projeto metalinguístico e literário de recuperação da língua, constituiu-se como um espaço de denúncia da realidade angustiante vivida na sua Angola pós-independência, sem cair no "panfletarismo ideológico" que, muitas vezes, compromete a qualidade estética. Fruto da grande desilusão provocada pela situação de corrupção, de fome, de miséria e de total desrespeito pelos direitos humanos, que caracteriza Angola, a poesia desta autora projeta, então, um "sujeito poético" desconcertado e desiludido, que vai usar a melancolia, associada à resistência, como forma de se libertar da catástrofe social que o envolve. Serviço: sábado, dia 10/12, às 18:00 no Museu da República. Rua do Catete, 153.

8 de dez de 2011

Acontecimento editorial

(Por Anelito de Oliveira, escritor). "O grande acontecimento editorial deste 2011, no âmbito dos estudos literários, é Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica, quatro volumes organizados por Eduardo de Assis Duarte - um em parceria com Maria Nazareth Fonseca -, belo produto da Editora UFMG. Sou um dos autores incluídos no trabalho, o que me deixa numa condição meio desconfortável para dizer algo, sobretudo elogiar o trabalho. Mas minha presença, claro, é apenas um detalhe, como a de outros autores pouco conhecidos, sem prêmios e sem livros publicados por grandes editoras - que é o que conta mesmo na vida literária fomentada pela indústria cultural. O importante é o conjunto da obra, o grande número de autores que ali se encontram, tanto criadores quanto pesquisadores - e, no caso destes, muitos não negros, convictos sobre a importância de se ler criticamente essa produção. O conjunto da obra é simplesmente espantoso, tanto pela quantidade quanto pela qualidade. O mínimo que se pode dizer diante desse trabalho é que ressoa, por toda parte, o êxito de Eduardo de Assis Duarte, que se dedicou por dez anos à pesquisa de textos e autores afrobrasileiros, à reflexão rigorosa sobre seus trabalhos, ao diálogo com muitos daqueles que estão em atividade, à articulação de pesquisadores em torno do tema e, o que é muito significativo, à meditação sobre a natureza da literatura afrodescendente. A seriedade desse trabalho, seu caráter altamente respeitável, começa na vontade de saber o que é realmente a literatura afrodescendente no Brasil. Assis Duarte não parte de certezas ortodoxas, mas de dúvidas elementares, que o levaram a orquestrar uma antologia - como vemos agora - viva, pulsante, que constitui, especialmente, um convite generoso a diálogos diferenciantes sobre diferenças. Em movimento oposto à tradição crítica não só nos estudos literários, mas também nos estudos de história e sociologia, política e economia, Literatura e afrodescendência no Brasil não opera no sentido de construir uma imagem homogênea da comunidade afrodescendente brasileira, solucionando, no plano do discurso, problemas que atravessam sistematicamente essa comunidade na vida social. O traço marcante da Obra é precisamente a heterogeneidade da produção literária afrodescendente no Brasil, acusando a heterogeneidade que, de fato, define essa comunidade. Somos (não posso me negar) autores muito diferentes, tanto os fundadores quanto os consolidadores e, mais ainda, os contemporâneos, cada um expressando a condição afrobrasileira a sua maneira, mas enfrentando um mesmo problema: a dificuldade de se afirmar no mundo literário. Eduardo de Assis Duarte, na abertura da Obra, vai direto ao ponto, perguntando, no rastro de Gayatri Spivak, se nós negros podemos falar na sociedade brasileira enquanto tais, ou seja, enquanto negros, sem negar a nossa própria negritude. Naturalmente, não, porque a sociedade brasileira está programada para funcionar cordialmente, e negros falando como negros perturbam essa cordialidade. O sistema literário - que não é feito só de obra, autor e leitor, mas também de agentes, editoras, distribuidoras, livreiros e cadernos culturais, como pensa Robert Darnton - contribui, eficientemente, com essa programação, à medida que ignora a produção de poetas, ficcionistas e ensaístas negros, preferindo encarar tudo que se faz no Brasil sob o signo da uniformidade, tudo como literatura brasileira, isto é, pastiche da pior literatura estadunidense. A antologia é um atestado eloquente - o mais eloquente, sem dúvida, de todos - de existência de uma literatura afrodescendente no Brasil, que se define por um estranhamento no seio da própria literatura brasileira, que é e não é literatura brasileira, que se alimenta de uma fértil crise identitária, reveladora, portanto, da conflituosa situação que os negros vivenciamos no país, sempre sob suspeita de toda ordem, inclusive de não escrever literatura brasileira propriamente dita (excelente suspeita). Ao reunir dezenas de autores e pesquisadores numa Obra tão audaciosa, Eduardo de Assis Duarte logrou produzir algo que, na verdade, extrapola o espaço acadêmico, o âmbito da pesquisa, bem como o espaço editorial, o âmbito dos livros, para se afirmar como uma ação política contundente, oportuna, um divisor de águas na organização e valoração da produção literária no país. Axé babá!"

7 de dez de 2011

Comentário de Abílio Ferreira sobre as manifestações anti-literatura negra de F.G.

(Por Abílio Ferreira, escritor). "Vejo essa manifestação do Ferreira Gullar com regozijo. Acho extremamente positivo isso. *Primeiro *porque demonstra desespero, por conta da mesquinharia que tem permeado essa disputa entre (como já escreveu Drumond) os escritores federais, estaduais e municipais. *Segundo *porque revela o despreparo dessas elites intelectuais diante de algo (ainda!!!) novo, que ela não domina. Gullar é só mais um exemplo. Basta lembrar as confusões que outros atores e alguns dos principais órgãos de imprensa fazem toda vez que se propõem a abordar a nossa tão complexa e multifacetada existência como grupo social. *Terceiro *porque justifica pensar que o processo que vimos construindo extrapola os limites de um eventual público afrodescendente, tendo muito valor a adicionar também (ou talvez principalmente) ao cenário político-cultural contemporâneo como um todo. Desde o surgimento do projeto das cotas, passando pelas observações do Conselho Federal de Educação sobre a obra de Monteiro Lobato, entre outros fatos, tem ocorrido algo impensável no contexto do final do século passado: os representantes das elites se remexendo em suas confortáveis poltronas para debater. Foi com isso, creio, que sempre sonhamos: visibilidade, agenda, debate. Assim avançamos, sempre com a nossa perturbadora alegria."

Lançamento de livro da Capulanas Cia de Arte Negra em São Paulo

6 de dez de 2011

Sobre a nova investida de Ferreira Gullar contra qualquer coisa que fortaleça a alteridade dos negros brasileiros

(Por Dalmir Francisco - professor no Departamento de Comunicação Social da UFMG). "Tentarei ser breve. Há dias, enviei para interlocutoras e interlocutores, vídeo de Chico Buarque de Hollanda denunciando que sua filha branca e seu genro, o artista Carlinhos Brown (negro, cantor, compositor, produtor, arranjador, pesquisador eincentivador musical) tiveram que se mudar de um condomínio na Barra, no Rio de Janeiro, pois não suportaram as ofensas racistas. Chico disse mais: quando Carlinhos, sua filha e seu neto querem estar no Rio de Janeiro, ficam na casa de Marieta Severo, para a proteção do casal e do neto dos Buarque de Hollanda. A denúncia do racismo acabou obnulada pela fala de Chico Buarque de Hollanda segundo o qual "nnão tem branco no Brasil" - e o que é mais grave (do meu ponto de vista), a enézima defesa da miscigenação como remédio e "saída" para o racismo. Vamos, agora, ao Ferreira Gullar. Primeiro: Gullar, ao lado do finado Darcy Ribeiro, atacou o movimento social negro na década de 1980 - e tive o desprazer de enfrentar o poeta (?), ao lado de Abdias do Nascimento e de Lélia Gonzales, em encontro de Secretários de Cultura de todo o Brasil, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em 19873, promovido pelo então Secretário de Cultura José Aparecio de Oliveira (há registros e como há registros sobre sobre este autêntico movimento de brancos e demais racistas de todas as cores, gritando "calem-se, negros!!!"). E, salvo engano, Gullar continua atacando o movimento social negro até hoje. Gullar é herdeiro do partidão (o antigo PCB) e, como tal, crê com impenitente etnocentrismo que a única cultura, a única experiência de vida válida, a única forma de registro da experiência humana é européia e todas as formas de registro da experiência humana que não seja a "escrita européia" ou originária dos facistizadores europeus da língua (lembrem de Barthes) - não tem valor para eles, os impenitentes etnocêntricos e cada vez mais assumidos racistas. Para Gullar - no seu estalinismo (melhor dizer marxismo de fancaria) -, o que temos é burguesia, proletariado e lumpenproletariado (Lumpenproletariat 'seção degradada e desprezível do proletariado', de Lump 'pessoa desprezível, patife, velhaco' e Lumpen 'trapo, farrapo' + Proletariat 'proletariado'). É nessa categoria que o movimento negro é enquadrado pela indigente esquerda brasileira - que prefere roubar sindicatos, assaltar movimentos sociais, extorquir ONGs e ongueiros, do que se aproximar, tentar organizar e buscar junto ao povo recursos para uma luta por justiça. Para a indigente esquerda brasileira, os movimentos sociais são (pasmem!!!!) linhas auxiliares do proletariado revolucionário (há uma ala do movimento negro, em São Paulo, com certeza, que aceita essa desqualificação ou propõe, ao contrário, um socialismo sob a hegemonia do povo negro!!!!). E este é o ponto. De que nos vale dialogar com esse passado que, já na década de 1980, já havia passado? De que nos vale repercutir textos de velhos racistas, com as velhas receitas de que somos um povo mestiço e que na mestiçagem (desaparecimento de brancos e, sobretudo, de negros) está a redenção do Brasil. Que Gullar e poetas (?) não queiram identificar Machado de Assis ou Cruz e Souza como negros - é problema dele. Afinal, nada impede a ninguém, inclusive a racistas de direita ou de esquerda, buscar no próximo - um negro, ou um asiático - o traço de identidade que dê ao racista maior conforto. O que é insuportável é Gullar (e demais etnocêntricos e racistas empedernidos) não querer que nós, negros e brancos que aceitamos nossa identidade afrodescendente, nossa negrice ou que abraçamos a diversidade cultural e humana, busquemos o negro que está na escrita de Machado de Assis, ou na negrice que está no jazz ou na música de Pixinguinha. Sinceramente, de que nos vale dialogar e esgrimir com farrapos da história como Gullar? De que nos vale repercutir a fala racista, rançosamente freyriana e outros racistas para os quais a cultura que existe – e quando existe – é branca e de certos grupos europeus cultivadores de certas expressões artísticas? Temos que nos divulgar. Buscar nossos leitores. Buscar nossos jovens que podem e querem nos escutar, quando nós falamos e produzimos para esses jovens – tenham eles a idade que tiver, pois o importante é que sejam dispostos a enfrentar o mundo presente, o tempo presente. Em tempo: para quem mesmo escreve a Folha de S~´ao Paulo, que vende menos que o tablóide de 25 centavos, o mineiro “Supernotícias”? BUSQUEMOS O DIÁLOGO COM QUEM PODE, DEVE E PRECISA DIALOGAR COM SEU TEMPO, SUA GENTE, OS QUE CAMINHAM JUNTOS E ANDAM DE MÃOS DADAS. AFINAL, DESCOBRIR (DESVELAR, DESENCOBRIR, DESVENDAR) A NEGRICE DOS NOSSOS ESCRITORES NEGROS OU (NÃO É CRIME DIZE-LO) MULATOS NÃO CONSTITUI NEM CRIME. APENAS AMPLIAMOS OS HORIZONTES DE NOSSA RICA DIVERSIDADE CULTURAL".

1 de dez de 2011

Firmado acordo entre a Biblioteca Nacional e a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial

(Deu na revista da Biblioteca Nacional). "Anhamona Brito, da Seppir, Elisa Machado, coordenadora geral SNBP, e Ivonete Carvalho, da Seppir, firmaram o convênio entre a BN e a secretaria. A edição de diversas obras de autores afrodescendentes, que fazem parte do acervo da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), é apenas uma de uma série de ações que serão implementadas a partir de um acordo firmado ontem entre a FBN e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do governo federal. O convênio foi assinado num momento marcante para o movimento negro brasileiro: o lançamento de uma antologia crítica que reúne autores afrodescendentes desde o século XVIII. A proposta de cooperação entre a BN e a Seppir prevê ainda a implantação, em comunidades quilombolas, de cinco Pontos de Leitura chamados “Ancestralidade Africana no Brasil”. A ideia é que este seja o início de uma rede literária de valorização e resgate da memória dos moradores de comunidades tradicionais. A FBN vai doar cinco acervos temáticos aos pontos de leitura, compondo mais de 600 obras para cada povoado contemplado. Os dois órgãos vão ainda lançar editais para estudos e pesquisas sobre homens e mulheres negros brasileiros. Dessa forma, as iniciativas pretendem – juntamente com a edição de obras de escritores negros – divulgar a longa produção de autores afrobrasileiros, que contarão ainda com mostras e envio de livros para bibliotecas e demais ações de incentivo à leitura. As iniciativas fazem parte da campanha “Igualdade racial é pra valer”, lançada pela Seppir para marcar o Ano Internacional dos Afrodescendentes, instituído pelas Nações Unidas. “Há tempos trabalhamos para firmar esse acordo, e estamos ansiosos para pôr muitos planos em prática. Os pontos de leitura em comunidades quilombolas, por exemplo, é uma iniciativa inédita, que deve ser estendida e poderá propiciar a troca de informações entre os descendentes e a preservação da tradição desses brasileiros”, disse Elisa Machado, coordenadora geral do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas da Fundação Biblioteca Nacional. Anhamona Brito, secretária de Políticas de Ações Afirmativas da Seppir, destacou que tais iniciativas fazem parte de novas estratégias para combater o preconceito. “A atenção política da BN foi de primeira hora. Juntos, estamos pensando em novos caminhos de enfrentamento ao racismo. A produção intelectual de negros e negras precisa ter visibilidade, com o fortalecimento de nossa autoestima. Se, em 2012, conseguirmos que essa produção chegue aos mais variados espaços, teremos saído muito vitoriosos”, comentou Anhamona. Já a secretária de Comunidades Tradicionais da Seppir, Ivonete Carvalho, ressaltou o “momento histórico do Rio”. “A presença negra aqui hoje é de uma riqueza imensa, por reunir grandes lideranças que há décadas combatem junto ao movimento negro. Estamos aqui unidos para tirar da invisibilidade grande parcela da população negra que produz, e muito, neste país. Muitas vezes o sistema neoliberal nos impõe uma cultura e nossas raízes acabam se extinguindo, mas iniciativas como essas ajudam a preservar nossa matriz nos quilombos e terreiros do Brasil” A solenidade ontem na Biblioteca Nacional contou com a presença de mais de 20 autores que participaram do livro. Houve ainda uma homenagem póstuma ao ativista, professor, escritor e poeta Abdias Nascimento, autor de um dos textos da antologia “Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica”, organizada por Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Soares Fonseca. “Nos dedicamos a este projeto durante 10 anos, período de muita luta, reuniões, discussões, viagens e, sobretudo, muito garimpo de livros raros. Os jovens que, até então, não sabiam onde encontrar obras referência de autores negros, agora têm esta obra à disposição. Pretendemos não só resgatar autores negros esquecidos pelos manuais de história literária, mas também fazer uma releitura de escritores que, muitas vezes, foram interpretados de forma alheia às discussões étnicas”, exaltou Eduardo. Com quatro volumes, a obra é composta por ensaios, referências biográficas e bibliográficas sobre 100 autores negros do Brasil Colônia até os dias atuais. Literatura e Afrodescendência, que foi desenvolvida com auxílio de 61 pesquisadores de 21 universidades brasileiras e seis estrangeiras, propõe uma reflexão acadêmica sobre o tema."

28 de nov de 2011

Leia "A dúvida", mais uma crônica de "Oh, margem! Reinventa os rios!", livro novo de Cidinha da Silva

Cada detalhe da sala de recepção repleta de cartazes é observada por Paula. Mensagens de cuidado com o amor-próprio, alertas sobre a violência contra mulheres e crianças, locais de denúncia e busca de apoio. Há também cartazes de seminários, imagens de mulheres felizes e sorridentes em situações de interação com outras. Ela espera a vez de ser atendida e folheia as publicações dispersas pela mesinha. São pequenas e de rápida leitura: uma fala sobre prevenção do câncer de mama, outra do câncer de útero, outra sobre DSTS e AIDS. Esta mobiliza seu interesse. Ela lê com mais atenção. Vê que há vários exemplares. Antes mesmo de perguntar, a recepcionista responde que ela pode levar, se quiser. Ela agradece e coloca dois exemplares daquele sobre AIDS na bolsa. Continua folheando. Chegam duas outras mulheres. A funcionária explica que serão atendidas primeiro porque têm hora marcada. Paula veio sem aviso, será encaixada logo depois. Ela sente um certo alívio,pois ainda não sabe como abordar o problema. Até hoje, só conversou sobre suas atividades profissionais no próprio ambiente de trabalho, com amigas e clientes. Nem considera o trabalho como profissão;afinal, não escolheu,foi jogada nele. Distraída, Paula nem percebe que chegou sua vez. Ela entra na sala pintada de amarelo lindo. Fica encantada com as almofadas coloridas e a casinha com fogo onde borbulha uma água cheirosa,coisa que ela nunca vira antes. A psicóloga a recebe na porta, sorri afável, convida-a sentar-se. Ocupa outra cadeira, não há mesa separando as duas, como noutros consultórios. Começam a conversar. “Então, Paula, como vai? Em que podemos ajudá-la? Daqui a pouco eu vou pedir para você preencher um formulário de cadastro,tudo bem?” “Não,senhora. Quer dizer, eu sei ler um pouco, mas não sei escrever.” “Foi bom você ter avisado. Não tem problema,eu te ajudo. Mas o que te traz aqui?” “Bem,doutora...” “ Por favor, não me chame de doutora, meu nome é Jucinete, já lhe disse.Pode me chamar de Ju, se quiser”.” Bem, doutora Jucinete,quer dizer Jucinete, eu sou puta, sabe!?Foi uma colega que me disse que vocês atendiam mulheres aqui, então eu fiz o último programa, tomei banho e vim.” “Sim, fique à vontade, continue.Depois te explico como trabalhamos.””Eu sei mais ou menos. Minha colega disse que vocês fazem exames, dão orientação,camisinha. Eu vim mesmo para tirar uma dúvida.” “ Estou aqui para ajudá-la,Paula, pode falar.” “É o seguinte, eu sou puta, já falei para a senhora...””Sim, você já disse e sabe que conosco não existe problema por isso, certo?” “Sei sim, senhora.” “Então, fale!” “É que, na rua onde eu trabalho, nós somos seis mulheres. Cada uma faz dez programas por noite, é a exigência do cafetão. Às vezes faz onze, doze, quando o movimento tá bom, em dia de pagamento, pra tirar um extra também, sabe? Do mesmo jeito eu motorista de táxi alugado”, sorri. “ O problema é que as brancas fazem dez programas por noite e, às pretas, o cafetão obriga a fazer quinze. E, quando a gente reclama, eu e a outra colega preta, ele ameaça bater e diz que é assim porque preta agüenta mais.”. “Eu não agüento, não senhora. Nem a minha colega, mas ela tem vergonha de vir aqui perguntar. Eu vim saber para nós duas, se eu e ela estamos doentes, porque preguiçosa a gente não é. Mulher preta precisa agüentar mais, mesmo?”

17 de nov de 2011

Oh, margem! Reinventa os rios! Em São Paulo, dia 22/11

Lançamento de "Oh, margem! Reinventa os rios!" em São Paulo. Dia 22/11 às 19:00, na livraria Suburbano Convicto. Rua 13 de Maio, 70, 2o andar. Todas as publicações de Cidinha da Silva estarão disponíveis. Leia: "Bandido também tem santo", uma das crônicas do livro. Era terça-feira e eu ia para mais uma entrevista de emprego. Estava marcada às nove, por segurança resolvi sair de casa às seis. Tinha lotação, trem e metrô pela frente. O relógio tocaria às cinco horas, mas às quatro, eu estava desperta. Me banhei. Fiz as orações do dia. Pedi o emprego com fé. Senti aquela brisa quente atrás da cabeça de quando a resposta de Ogum está a caminho. Resolvi me vestir de branco. Saí. Fechei o portão. Caminhei em direção ao ponto de parada da lotação. Um sentimento de que faltava alguma coisa tomou conta de mim. Abri a bolsa, tudo o que eu precisava estava lá: Carteiras de trabalho e de identidade, conta de luz paga, cópia do currículo impressa, endereço dos três lugares onde buscaria emprego naquele dia, sanduíche de pão com goiabada, garrafa de água e um livro para ganhar o tempo no transporte público. Não faltava nada, mas a sensação permanecia. A brisa na cabeça voltou e me impeliu de volta para dentro de casa. Fui direto até a gaveta da cômoda, peguei um fio de contas. Coloquei no pescoço, ajeitei dentro da blusa. O retorno à casa me fez perder a lotação. Fiquei sozinha no ponto, mas logo, logo, encheria de gente. Veio vindo um rapaz de tênis de cano longo, bermudão, camiseta larga, boné e, lógico, headfone no último volume. Óculos escuros também. Ele se sentou na murada ao meu lado e tirou um cigarro. Antes de acender, parou uma Blazer de vidro fume na nossa frente, saltaram dois caras e cada um pegou num braço dele. Mandaram ficar calado e o jogaram dentro do carro. Alguém gritou lá de dentro: “Pega a mina dele também, vacilão! Vai deixar aí?” A nuvem do desespero turvou meu olhos. Não havia outra mulher por ali. A mina do desconhecido era eu. Me empurraram para o banco de trás junto com meu companheiro de espera da lotação. Eu tentei dizer que era engano. Eu nunca o tinha visto antes, só estava ali esperando o transporte. Ia fazer entrevista de emprego. Tinha a carta de convocação na bolsa, podia mostrar... O motorista mandou que eu calasse a boca, não estava interessado. Ao meu lado, os grandões espancavam o rapaz e gritavam: “Você vai me dar meu dinheiro, vagabundo. Se não der, vai morrer. Tá ligado? Fala! Onde é que você escondeu o dinheiro? Fala, vagabundo, fala”. E dá-lhe porrada. O rapaz calado. Eu queria interferir, pedir para eles pararem de bater no menino, mas aí pensariam mesmo que eu era namorada dele. Paramos num sinal. Tinha um carro da polícia estacionado, vazio. Os policiais deviam estar na padaria comendo coxinha. Por via das dúvidas, afundaram o rapaz no vão entre os dois bancos. Nossos sequestradores ficaram tensos. Engatilharam as armas. Eu, uma filha de Ogum, entro em pânico quando vejo arma de fogo e comecei a tremer e a chorar. Um dos caras passou o braço pelas minhas costas, tapou minha boca com uma mão e com a outra encostou o cano do revólver no meu fígado. Disse que se eu não calasse a boca naquele instante, ele apertaria o gatilho, sem dó. Calei. O sinal abriu. O motorista arrancou devagar. Os donos do carro deram mais umas voltas com a gente. O rapaz espancado não dizia palavra. Eu também, não. Um dos rapazes que batia pegou meu pescoço, apertou meus seios com violência, disse ao suposto namorado que ele veria o que fariam comigo, na frente dele, caso não contasse onde estava o dinheiro. O menino nem abria os olhos, tinha apanhado muito, estava quase desacordado. Chamei por Ogum e a massa de calor em movimento atrás da cabeça me levou a colocar a mão no ombro do caladão sentado à frente. Disparei a falar, era a chance única de salvar minha vida. Repeti a história da entrevista para o emprego, puxei minha carteira de trabalho, o sanduíche de goiabada. Disse que não conhecia o desafeto deles, que simplesmente eu estava no lugar errado, na hora errada. E o outro, louco, noiado, apertando meu pescoço com uma mão e esticando a outra para rasgar minha blusa. Ele arrancou dois botões e enroscou a mão na conta, puxou, cortou o dedo no fio de nylon. Arrebentou tudo. As pedras brancas, como pombas, voaram pelo carro. Bateram no vidro fume, no teto da Blazer, caíram no colo do moço da frente. Ele abriu as mãos para as miçangas e sorriu. Mandou parar o carro. Desceu, abriu a porta, estendeu a mão para mim e disse: “pode ir embora”. Ainda ouvi ele dizendo para os amigos: “Deixa a menina em paz. Não viu que ela é filha de Oxalá? Gente de Oxalá, não mente, não!”

16 de nov de 2011

Sarau dos Vira-latas convida Cidinha da Silva, em Belo Horizonte

Sábado, 26 de Novembro, das 17:00 às 22:00, o Sarau dos Vira-latas convida Cidinha da Silva para lançar "Oh, margem! Reinventa os rios!" e para autografar seus outros livros. Vai ser no Espaço Fluxo, localizado à rua Bueno Brandão, 259, Santa Teresa, Belo Horizonte. Informações: 31 - 25352676 O Sarau dos Vira-latas é animadíssimo e conta com diferentes DJs, exposição de grafite, pocket show e minha singela participação lendo alguns textos de "Oh, margem! Reinventa os rios!", autografando os outros livros e batendo papo. A produção é do amigo querido, Kdu dos Anjos, sempre cercado de boa companhia.

13 de nov de 2011

Escritores lançam antologia sobre literatura negra na Biblioteca Nacional

(Deu no Boletim da Biblioteca Nacional). "Será lançada no dia 28 de novembro, no Rio de Janeiro, a coleção “Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica”, organizada pelo professor Eduardo de Assis Duarte, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A coleção reúne, em quatro volumes, uma série de ensaios e referências bibliográficas sobre cem escritores afrodescendentes dos tempos coloniais até hoje. Fruto da colaboração de 61 pesquisadores de 21 universidades brasileiras e seis estrangeiras, a coletânea procura organizar a ainda dispersa reflexão acadêmica atual sobre o tema, num percurso histórico que vai de clássicos (Machado de Assis, Lima Barreto, Cruz e Souza) a contemporâneos (Nei Lopes, Paulo Lins, Ana Maria Gonçalves), passando por nomes importantes esquecidos (Maria Firmina dos Reis, José do Nascimento Moraes). Coordenador do grupo de pesquisa “Afrodescendências na Literatura Brasileira” da UFMG (cujo trabalho pode ser acompanhado no site: http://www.letras.ufmg.br/literafro/), Eduardo de Assis Duarte diz que o objetivo da antologia não é estabelecer um cânone da literatura afro-brasileira, e sim compensar omissões da crítica nacional a autores negros – e à presença da questão racial na obra de escritores consagrados (tema de outro livro do pesquisador, “Machado de Assis Afrodescendente”, de 2007). “Nossa antologia não pretende instituir um cânone, mas trazer elementos para se refletir sobre as diversas facetas desta literatura brasileira como um todo. Não se trata de evangelizar, criar novos altares (ou novas alturas), mas de fornecer elementos para uma formação mais aberta à diversidade, sobretudo para os jovens estudantes e pesquisadores de nossa literatura”, disse Duarte. Já disponível nas livrarias, o lançamento oficial da coleção contará com a presença de 20 escritores cariocas (ou residentes no Rio) incluídos na antologia e uma homenagem a Abdias Nascimento." Serviço O quê: Lançamento da coleção “Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica”, organizada pelo professor Eduardo de Assis Duarte Onde: Teatro Machado de Assis da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro Quando: Dia 28 de novembro, segunda-feira, às 18h

12 de nov de 2011

Instituído Dia Nacional da Consciência Negra

Onde estão agora os corneteiros que acusavam a Ministra Luiza Bairros de "atuação apagada"? Ou alguém duvida do apreço que a Presidenta Dilma tem por ela e pelo trabalho que realiza junto com sua equipe? Alguém ainda duvida do poder de articulação e convencimento desta mulher? Roam-se, infelizes invejosos! Imprensazinha mal informada, parcial e tendenciosa. E saboreiem a vitória que a Ministra Luiza Bairros, generosamente, entrega a todos nós. Ngunzo, Ministra! (Divulgação). "A presidenta da República, Dilma Rousseff, sancionou ontem (10) a Lei 12.519, que institui o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares. A resolução oficializa uma iniciativa bem-sucedida dos movimentos sociais negros, iniciada em meados dos anos mil novecentos e setenta. Hoje, incorporado ao calendário das escolas e de muitas outras instituições públicas e privadas, o 20 de Novembro destaca-se como um evento cívico vibrante e de grande participação popular. “As justas homenagens que prestamos a Zumbi e seus companheiros e companheiras exprimem o reconhecimento da nação às lutas por liberdade e pela afirmação da dignidade humana de africanos e seus descendentes que remontam ao período colonial”, declara a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros. O Dia Nacional da Consciência Negra já é celebrado em 20 de Novembro e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Apesar do ponto alto da celebração coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, a cada ano as atividades alusivas à data são expandidas ao longo do mês, ampliando os espaços dedicados à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade. Um número cada vez mais significativo de entidades da sociedade civil, principalmente o movimento negro, tem se mobilizado em todo país, em torno de atividades relativas à participação da pessoa negra na sociedade em diferentes áreas: trabalho, educação, segurança, saúde, entre outros temas. Neste Ano Internacional dos Afrodescendentes – instituído por Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Nacional da Consciência Negra ganha caráter internacional. No Brasil, o ápice desta celebração será o AfroXXI – Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodecendentes, que acontece em Salvador, de 16 a 19 de novembro. O evento reunirá representações de países sul-americanos, caribenhos, africanos e ibero-americanos, em torno de debates acerca da situação atual desses povos nas regiões participantes."

2 de nov de 2011

Leia Bandido também tem santo, crônica de OH, MARGEM! REINVENTA OS RIOS!

Era terça-feira e eu ia para mais uma entrevista de emprego. Estava marcada às nove, por segurança resolvi sair de casa às seis. Tinha lotação, trem e metrô pela frente. O relógio tocaria às cinco horas, mas às quatro, eu estava desperta. Me banhei. Fiz as orações do dia. Pedi o emprego com fé. Senti aquela brisa quente atrás da cabeça de quando a resposta de Ogum está a caminho. Resolvi me vestir de branco. Saí. Fechei o portão. Caminhei em direção ao ponto de parada da lotação. Um sentimento de que faltava alguma coisa tomou conta de mim. Abri a bolsa, tudo o que eu precisava estava lá: Carteiras de trabalho e de identidade, conta de luz paga, cópia do currículo impressa, endereço dos três lugares onde buscaria emprego naquele dia, sanduíche de pão com goiabada, garrafa de água e um livro para ganhar o tempo no transporte público. Não faltava nada, mas a sensação permanecia. A brisa na cabeça voltou e me impeliu de volta para dentro de casa. Fui direto até a gaveta da cômoda, peguei um fio de contas. Coloquei no pescoço, ajeitei dentro da blusa. O retorno à casa me fez perder a lotação. Fiquei sozinha no ponto, mas logo, logo, encheria de gente. Veio vindo um rapaz de tênis de cano longo, bermudão, camiseta larga, boné e, lógico, headfone no último volume. Óculos escuros também. Ele se sentou na murada ao meu lado e tirou um cigarro. Antes de acender, parou uma Blazer de vidro fume na nossa frente, saltaram dois caras e cada um pegou num braço dele. Mandaram ficar calado e o jogaram dentro do carro. Alguém gritou lá de dentro: “Pega a mina dele também, vacilão! Vai deixar aí?” A nuvem do desespero turvou meu olhos. Não havia outra mulher por ali. A mina do desconhecido era eu. Me empurraram para o banco de trás junto com meu companheiro de espera da lotação. Eu tentei dizer que era engano. Eu nunca o tinha visto antes, só estava ali esperando o transporte. Ia fazer entrevista de emprego. Tinha a carta de convocação na bolsa, podia mostrar... O motorista mandou que eu calasse a boca, não estava interessado. Ao meu lado, os grandões espancavam o rapaz e gritavam: “Você vai me dar meu dinheiro, vagabundo. Se não der, vai morrer. Tá ligado? Fala! Onde é que você escondeu o dinheiro? Fala, vagabundo, fala”. E dá-lhe porrada. O rapaz calado. Eu queria interferir, pedir para eles pararem de bater no menino, mas aí pensariam mesmo que eu era namorada dele. Paramos num sinal. Tinha um carro da polícia estacionado, vazio. Os policiais deviam estar na padaria comendo coxinha. Por via das dúvidas, afundaram o rapaz no vão entre os dois bancos. Nossos sequestradores ficaram tensos. Engatilharam as armas. Eu, uma filha de Ogum, entro em pânico quando vejo arma de fogo e comecei a tremer e a chorar. Um dos caras passou o braço pelas minhas costas, tapou minha boca com uma mão e com a outra encostou o cano do revólver no meu fígado. Disse que se eu não calasse a boca naquele instante, ele apertaria o gatilho, sem dó. Calei. O sinal abriu. O motorista arrancou devagar. Os donos do carro deram mais umas voltas com a gente. O rapaz espancado não dizia palavra. Eu também, não. Um dos rapazes que batia pegou meu pescoço, apertou meus seios com violência, disse ao suposto namorado que ele veria o que fariam comigo, na frente dele, caso não contasse onde estava o dinheiro. O menino nem abria os olhos, tinha apanhado muito, estava quase desacordado. Chamei por Ogum e a massa de calor em movimento atrás da cabeça me levou a colocar a mão no ombro do caladão sentado à frente. Disparei a falar, era a chance única de salvar minha vida. Repeti a história da entrevista para o emprego, puxei minha carteira de trabalho, o sanduíche de goiabada. Disse que não conhecia o desafeto deles, que simplesmente eu estava no lugar errado, na hora errada. E o outro, louco, noiado, apertando meu pescoço com uma mão e esticando a outra para rasgar minha blusa. Ele arrancou dois botões e enroscou a mão na conta, puxou, cortou o dedo no fio de nylon. Arrebentou tudo. As pedras brancas, como pombas, voaram pelo carro. Bateram no vidro fume, no teto da Blazer, caíram no colo do moço da frente. Ele abriu as mãos para as miçangas e sorriu. Mandou parar o carro. Desceu, abriu a porta, estendeu a mão para mim e disse: “pode ir embora”. Ainda ouvi ele dizendo para os amigos: “Deixa a menina em paz. Não viu que ela é filha de Oxalá? Gente de Oxalá, não mente, não!”

30 de out de 2011

Leia "Por te amar", crônica de "Oh, margem! Reinventa os rios!"

Por te amar, eu pintei um azul do céu se admirar. Até o mar adocei e das pedras leite eu fiz brotar. De um vulgar fiz um rei e do nada, um império para te dar. Enfim um horizonte melhor me sorriu. Minha dor virou gota no mar. Saí daquela maré, Luiz, não vivo mais à sombra dos ais. Não foi fácil, meu velho. Vieram para mim de barba de bode e eu de comigo-ninguém-pode fiz o mar desaguar no chafariz. Fui ao Cacique de Ramos, planta onde em todos os ramos, cantam os passarinhos nas manhãs. Quando a moçada puxou suas músicas, meu coração desaguou, de alegria e saudade. Olhei para o alto das tamarineiras, as guardiãs da poesia, e elas vestiam um laço branco, como Kitembo. E só ele, para acomodar dores e saudade. Continuamos cantando, buscando o tom, um acorde com lindo som, para tornar bom, outra vez, o nosso cantar. Então os meninos entoaram seu samba para D. Ivone: “Lara, o seu laraiá é lindo. São canções de quem tantos corações retém com seu canto. Baila e baila o ar ao te ouvir”. Tão singela e precisa definição. Na volta passei por Manguinhos, mirei a lua de Luanda que veio para iluminar a rua. Visitei a fachada da escola pública batizada com o seu nome: Luiz Carlos da Vila! Que alegria. Eu já sabia, passei para te ver. É Luiz, a chama não se apagou, nem se apagará, enquanto as ondas do mar brincarem com a areia. São luzes de eterno fulgor, Candeia e Luiz Carlos da Vila. O tempo que o samba viver, o sonho não vai acabar e ninguém se esquecerá de vocês, os timoneiros. O não-chorar e o não-sofrer se alastrarão, do jeito que você sonhou em seu dia de graça, Luiz. Valeu poeta, seu grito forte dos Palmares.

29 de out de 2011

Entrevista da Ministra Luiza Bairros

(Por Eduardo Garcês). UNFPA (Fundo de Populações das Nações Unidas) – De que forma a Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra contribui para ampliar o debate sobre desenvolvimento no Brasil? Luiza Bairros - É uma contribuição muito importante. Porque os temas os temas de saúde da população negra ainda dependem muito de mobilização social. Todos os avanços que nós conseguimos nos últimos anos em relação a esse tema são devidos fundamentalmente ao trabalho que é feito por especialistas em saúde da população negra e por várias organizações que existem no Brasil que mantêm essa agenda viva e, portanto também forçam o setor público a adotar medidas que favoreçam a população negra nessa área. A relação com o desenvolvimento é total. Porque na verdade, quando falamos em saúde da população negra nós também estamos falando nas condições de nascer, viver e morrer de uma população com taxas de mortalidade que são mais precoces e maiores comparativamente a outros grupos sociais. Então se trata de defender um direito, que é o direito fundamental de viver com dignidade e de ser atendido nas suas necessidades e nas suas particularidades. De maneira que, em a população negra tendo as suas condições de saúde atendidas de forma devida e respeitando o que ela tem de singularidade, nós também teremos uma população negra mais apta a participar de todos os benefícios do desenvolvimento. Uma população que deixa, portanto, de ser vista como um problema, para ser vista como parte de tudo o que o país precisa mobilizar de bom para que possamos constituir uma sociedade que beneficia a todos e todas sem distinção de raça, por exemplo. UNFPA – A Mobilização é uma iniciativa da sociedade civil, mas o governo se engajou e, nesse período, realiza ações nas três esferas de gestão. Como a Mobilização se alinha com as ações estratégicas da SEPPIR? A SEPPIR desde 2003 tem realizado varias iniciativas no sentido de fazer com que a saúde da população negra seja incorporada com uma política dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, nós estamos retomando aquilo que considero uma segunda fase deste esforço – dos últimos oito anos – e uma fase onde não temos mais que inventar nenhum tipo de desculpa para justificar o fato da Política Nacional de Saúde da População da Negra não estar devidamente implementada. Todos os passos já foram dados nesse sentido. O Estatuto da Igualdade Racial transformou esta Política em lei, portanto o que nos resta agora é fazer com que estas experiências que ainda são isoladas em alguns estados brasileiros sirvam de plataforma para uma ação mais concentrada capaz de mobilizar as secretarias estaduais e municipais de saúde em todo o país. A este propósito, nós estamos hoje, a SEPPIR, assinando um protocolo de intenções com o Ministério da Saúde, visando algumas ações exatamente nessa direção de fazer da Política Nacional um instrumento vivo. A senhora poderia destacar ações realizadas pela SEPPIR e o Ministério da Saúde para a promoção da equidade e enfrentamento ao racismo na saúde? Exatamente. O protocolo de intenções com o Ministério da Saúde tem objetivo de reavivar o compromisso entre os dois ministérios. Para ele, nós estamos pensando em fazer uma campanha de comunicação ‘Igualdade Racial é pra valer!’ no Sistema Único de Saúde. Pretendemos retornar, agora em outras bases, a questão do racismo institucional dentro do SUS, uma ação estratégica da maior importância, considerando as evidencias que se tem de um atendimento inadequado para pessoas negras, o que resulta em que muitas doenças sejam agravadas entre pessoas negras e que, por um lado, tem levado também a uma negligencia com aquelas doenças que são prevalentes na população negra e que poderíamos, através de um SUS que incorporasse esses princípios de equidade racial, ter como resultado uma qualidade de vida melhor para a população negra. Outro aspecto importante dessa segunda fase relação SEPPIR e Ministério da Saúde é trabalhar sob a vigência do Estatuto da Igualdade Racial que, como eu disse inicialmente, transforma a Política Nacional de Saúde da População Negra em Lei. Como já foi dito pela senhora, a SEPPIR tem contribuído para que a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra tenha uma gestão mais efetiva para dentro do Ministério da Saúde e para que se torne uma realidade nos estados e municípios. Mas, o que ainda precisa ser feito? É preciso que junto com o Ministério da Saúde e com o Comitê Técnico de Saúde da População Negra elencar e efetivamente executar aquelas medidas que tornem possível para o sistema como um todo, absorver essa realidade. A realidade de que existe um campo de pesquisa, de intervenção, de ação pratica na atenção a saúde que está ligada as necessidades de um determinado grupo populacional. Gostaria que a senhora falasse especificamente dos seguintes temas: mortes maternas entre mulheres negras e mortes por causas violentas entre jovens negros de sexo masculino. Isso tem relação com racismo institucional? De que forma a SEPPIR está atuando para enfrentar esse problema? Quem são os parceiros? Em relação a mortalidade na juventude negra a SEPPIR está trabalhando junto com outros ministérios no âmbito do Fórum Direitos e Cidadania na montagem de uma sala de ação, para não apenas monitorar as situações, mas para articular um conjunto de ações de prevenção a essas mortes. A mortalidade na juventude negra, a gente sabe, está ligada a diversos aspectos e, portanto isso tem implicado da nossa parte um trabalho de articulação com diferentes ministérios. Entram o Ministério da Justiça, o Ministério da Saúde, mais especificamente na questão da prevenção ao consumo de drogas, o Ministério da Educação com ações que para nós são fundamentais no sentido de provocar na juventude negra expectativa e possibilidade de participação social e entra também o Ministério do Desenvolvimento Social naquilo que se refere na parcela da juventude negra ainda submetida a situação de empobrecimento muito grave e da distância das oportunidades mínimas na nossa sociedade. No que se relaciona a mortalidade materna, que tem sido um dos temas centrais dessa discussão mais ampla de saúde da população negra, o nosso esforço deverá agora e no futuro próximo deverá ser no sentido de que as ações de prevenção da mortalidade materna feitas pelo Ministério da Saúde sejam feitas em função da situação detectada entre as mulheres negras. Como todos sabem temos taxas de mortalidade materna superiores entre mulheres negras em todos os estados brasileiros e acho esse dado eloqüente o suficiente para fazer com que daqui pra frente às políticas tenham foco direcionado as mulheres negras que morrem mais de causas totalmente evitáveis.

28 de out de 2011

Igualdade racial é pra valer!

Acompanho a agenda da Ministra Luiza Bairros, semanalmente. Observo o trabalho da Ministra e sua equipe e me nutro de ânimo, alegria e orgulho, periodicamente. Como admiro esta mulher e sua capacidade imensurável de trabalho sério, produtivo e conseqüente. A Ministra Luiza Bairros é minha esperança de que saiamos do lugar de maioria social, consolidado na gestão do Presidente Lula, e passemos ao lugar de maioria política. É óbvio que esta é uma tarefa da sociedade civil organizada, que vem cumprindo bem seu papel, ainda que volta e meia perca algum tempo confrontando um ou outro paspalho midiático, aspirante ao posto de celebridade instantânea. Mas, seguimos, sem perder o foco, dialogando com a Presidenta Dilma, dialogando com quem constrói e com quem decide. Minha esperança na Ministra Luiza Bairros é porque a cada ação sua, vejo o Estado brasileiro cumprindo seu papel de efetivar políticas públicas de enfrentamento do racismo e superação das desigualdades raciais. A Ministra Luiza Bairros e sua atuação à frente da SEPPIR são a certeza renovada de que estamos no caminho certo. Ngunzo, Ministra! (Deu no portal Áfricas) "O ministro da Saúde, Alexandre Padilha e a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR), Luíza Bairros, assinaram um acordo para adesão à campanha “Igualdade Racial é Pra Valer!”. O acordo visa a produção e divulgação de peças da campanha no SUS; cria estratégias para implementar a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra; implementa o Programa de Enfrentamento ao Racismo Institucional no Ministério e no SUS; e divulga o Estatuto da Igualdade Racial. Também cria a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra."

27 de out de 2011

Leia "UM HINO", crônica de "Oh, margem! Reinventa os rios!"

Dona Ernestina, funcionária dedicada, vê-se obrigada a telefonar aos ex-colegas comunicando a morte do patrão. “Morreu, foi?” Diz o ex-office-boy. “Como ele morreu, Dona Ernestina?” “Atropelado, meu filho. Na Av. Paraná, em frente ao Ministério do trabalho.” É provável que saísse de mais uma das incontáveis audiências de conciliação trabalhista, quando ele decretava falência da empresa para não pagar os direitos dos funcionários. Pensa o ex-office-boy. Este não vai ao velório. Não adianta. Outra vez ela pega o caderninho de notas, folheia, encontra o nome do Vilson, ex-faxineiro. Telefona, é recebida entusiasticamente pelo ex-colega, sempre muito simpático. “Morreu? Já foi tarde, heim, Dona Ernestina?” “Oh meu filho, não fale assim que Deus castiga.” “Castiga a quem, Dona Ernestina? Carcamano, filho da mãe. Acidente coisa nenhuma. Ele deve ter se matado, o covarde.” “Mas Vilson, por que tanta mágoa?” A pergunta morre sem resposta. O Vilson desliga o telefone, está de saída. Diz ter sido um prazer falar com ela. Não falta mais ninguém para avisar. Parece que só mesmo ela e a família irão ao velório. Dona Ernestina brinca com a manivela da caixa registradora, pensa no futuro. Sentirá falta da loja, mas felizmente não ficará desamparada, já tem idade para a aposentadoria. Faz planos com o dinheirinho do acerto. Vai pedir à filha do Seu Scliar que a demita para aumentar o montante. Só mais tarde ela saberá que o patrão nunca recolheu o fundo de garantia. Na rua passa um menino assoviando o hino do Galo – “vencer, vencer, vencer, esse é o nosso ideal”... ela sorri ao lembrar do Vilson, atleticano fanático. “Lutar, lutar, lutar, com toda a nossa raça pra vencer”... Recorda também o dia da crise hipertensiva do Seu Scliar. Ele socava as peças de tecido. Até jogou algumas no chão, apanhadas por ela e pelo Vilson para recolocar no lugar. Gritava para os funcionários: “Eu sou um fracassado! Não consegui nada na vida. Vou terminar a vida como meu avô. Uma lojinha de tecidos na Lagoinha e um funcionário preto-encardido vestindo uma camisa surrada do Atlético, entupindo meus ouvidos com o hino do time o dia inteiro.” O Vilson viu a ambulância chegar e levar o patrão para o João XXIII. Ficou calado o dia inteiro, cozinhando as palavras amargas. No final da tarde, depois de umas doses de soro, o Seu Scliar voltou, pálido como cera. Dona Ernestina recebeu o patrão, mas estava mesmo intrigada com o Vilson que não havia dado palavra durante o serviço. O Vilson trocou de roupa antes do horário do ponto. Juntou os trens dele, a garrafa térmica, a marmita, o vidrinho de pimenta malagueta, mais uma ou outra coisinha sua, arranjou tudo dentro da mochila. Puxou uma cadeira, sentou, não desviou os olhos do assustado Seu Scliar. Assobiou o hino do Atlético, inteirinho. Na hora do “galo forte, vingador”, pegou a carteira de trabalho no bolso da calça e deixou sobre o balcão. Foi embora.

25 de out de 2011

Poema de Priscila Preta

("Entre" por Priscila Preta). "Sua boca toca a pele de minhas costas, quase não tocando/ Meus pêlos respondem se levantando/ O beijo molhado quase seco tem respostas em movimento/ O Vento percorre do coro cabeludo a sola do meu pé/ Seu peito toca minhas costas/ Sinto seu peso/ Sua boca encontra minha orelha/ A minha boca solta um suspiro/ Respiramos juntos/ Não sei mais onde eu começo e você acaba/ Um cheiro nosso que exala/ O encontro de nossas pretas peles pétalas/ Estamos um em posse do outro/ Como uma locomotiva chegamos a 200 por hora/ Juntos apertamos o freio da satisfação/ Me dissolvo em você/ Você desmancha em mim/ Somos o encontro do rio e do mar/ A pororoca do Tesão."

Sarau na Suburbano Convicto!

23 de out de 2011

II Feira do Livro Indígena

(Deu no PublishNews). "Já está a todo vapor os preparativos para a II Feira do Livro Indígena de Mato Grosso (FLIMT), que ocorrerá de 23 e 26 de novembro no Palácio da Instrução, em Cuiabá. O evento já conta com mais de 30 convidados confirmados, entre autores e artistas indígenas e não-indígenas, de diferentes regiões do País, que tem a missão de divulgar a cultura indígena, por meio de suas produções. Com o tema Tecnologias da Memória, o evento contará com oficinas, palestras, saraus literários e comercialização de obras literárias. Ainda devem acontecer ações como a Premiação do Concurso da Logomarca do Centenário da Biblioteca Pública Estadual "Estevão de Mendonça" e um debate sobre o Decreto que institui o Plano Estadual do Livro e da Leitura de Mato Grosso, agregando ainda, os projetos Conversando sobre a Literatura e Cultura Indígena e o Encontro de Literatura Indígena de MT."

22 de out de 2011

Selo Povo lança livro roxo

(Deu no blogue do Ferréz). "Já está nas lojas da 1DASUL (galeria 24 de Maio, Centro, para quem não vai até a loja do Capão)o livro roxo da Selo Povo, escrito por Cidinha da Silva (MG). Já vai anotando na sua agenda, pois o autógrafo da autora você só consegue no grande lançamento dia 22 de Novembro na Suburbano Convicto, no Bixiga. Mais um livro, para ser traficado por mãos operárias." Grifo do blogue.

17 de out de 2011

É quarta-feira, 19/10! Lançamento de "O mar de Manu" em São Paulo!

Luiza Bairros, Ministra da Igualdade Racial, integra comitiva da presidenta Dilma em visita à África

(Da Agência Brasil). "O roteiro no continente africano inclui reuniões em África do Sul, Moçambique e Angola, além de participação na 5ª Cúpula do Fórum de Diálogo do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul), países que despontam na comunidade internacional por avanços sociais e pelo crescimento econômico Agenda na África inclui participação na 5ª Cúpula do Fórum de Diálogo do Ibas Agenda na África inclui participação na 5ª Cúpula do Fórum de Diálogo do Ibas A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, embarcou ontem (16) para a África, integrando a comitiva liderada pela presidenta Dilma Rousseff. No continente africano, a missão brasileira terá reuniões bilaterais com presidentes de África do Sul, Moçambique e Angola. A agenda prevê também participação na 5ª Cúpula do Fórum de Diálogo do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul), países que despontam na comunidade internacional por avanços sociais e pelo crescimento econômico. A comitiva desembarcou por volta das 11h na capital sul-africana, Pretória (7h pelo horário de Brasília), onde participa da 5ª Cúpula do Ibas. Os líderes dos três países querem a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Eles pretendem um assento permanente do conselho e são críticos das ações militares para encerrar impasses – posição oposta à dos Estados Unidos e da União Europeia. Nas reuniões entre os líderes, Dilma, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, deverão conversar sobre a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os impactos da crise econômica internacional e os desafios dos países em desenvolvimento, entre outros temas. Haverá ainda reuniões técnicas setoriais nas áreas de defesa, energia e ciência e tecnologia. A cúpula acontece a poucos dias da reunião do G20, prevista para o início de novembro, considerada determinante para a manutenção da estabilidade econômica em boa parte do planeta. Para Índia, Brasil e África do Sul, a prioridade deve ser a chamada cooperação Sul-Sul, com o objetivo de gerar contribuições efetivas no combate à desigualdade e à exclusão social. O Fundo Ibas para o Alívio da Fome e da Pobreza, criado em 2004, é o principal instrumento para a execução das metas. Além da ministra Luiza Bairros, nas visitas à África a presidenta estará acompanha pelos ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Mesma língua A passagem de Dilma Rousseff por Moçambique e Angola – que assim como o Brasil, foram colonizados por Portugal – pretende reforçar metas de desenvolvimento e parcerias econômicas, comerciais e sociais entre o trio. A presidenta passa de 18 a 20 em Maputo (Moçambique) e Luanda (Angola), retornando a Brasília no final da tarde de quinta-feira (20). Especialistas apontam Moçambique como o país com previsão de maior crescimento econômico entre os africanos nos próximos anos. Brasileiros e moçambicanos têm vários projetos comuns. O principal deles é o Complexo de Miatize, de exploração de minas de carvão, desenvolvido pela Vale, num investimento de US$ 6 bilhões, segundo informações da Agência Brasil. Em Moçambique, a cooperação brasileira mantém investimentos em saúde, educação, agricultura e formação profissional. O comércio entre os dois países aumentou de US$ 25 milhões, em 2010, para US$ 60 milhões, nos primeiros meses deste ano. Angola De 2002 a 2008, o comércio bilateral cresceu mais de 20 vezes, atingindo US$ 4,21 bilhões. Em 2010, chegou a US$ 1,441 bilhão. Os maiores investimentos brasileiros em Angola se concentram nas áreas de construção civil, energia e exploração mineral. Os angolanos são os principais beneficiários das linhas de crédito brasileiras do Fundo de Garantia de Exportações à Exportação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). A presidenta encerra a visita a Luanda com uma homenagem ao monumento a Agostinho Neto (1975-1979), primeiro presidente de Angola. Por 27 anos (de 1975 a 2002), Angola viveu sob intensa guerra civil, que provocou mais de 500 mil mortos e que ainda hoje provoca inúmeros problemas, como as minas terrestres que mutilam e matam principalmente crianças."

CARTA ABERTA DA ARTICULAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES DE MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS PARA A SUA EXCELÊNCIA SRA. DILMA ROUSSEFF

Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff "A luta das mulheres negras brasileiras tem sido ininterrupta ao longo destes cinco séculos de existência de nosso país. Somos nós as maiores vítimas da profunda desigualdade racial que vigora na sociedade brasileira. É sobre nós que recai todo o peso da herança colonial, onde o sistema patriarcal apoia-se solidamente com a herança do sistema escravista. A interseccionalidade do racismo, sexismo, das desigualdades econÃ?micas e regionais produz em nossas vidas um quadro de destituição, injustiça e exclusão, aprofundados pela expansão mundial do neoliberalismo e suas formas de ataque à capacidade dos estados democráticos em nos oferecer as condições mínimas de bem estar. Todo e qualquer avanço ocorrido em nossas vidas deve-se a luta, sem tréguas que conquistamos. É neste cenário de busca do empoderamento de nós, mulheres negras, que surge a AMNB em 2001. Entendendo que todas as denúncias já haviam sido feitas, e que era momento de fazer com que o Brasil passasse a reparar a imensa dívida contraída com a população negra, especialmente com as mulheres negras, que a AMNB participa, de forma protagÃ?nica, da construção e da realização da III Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância em 2001, em Durban, na África do Sul. É importante destacar que o governo brasileiro é signatário do Relatório e do Plano de Ação produzidos, comprometendo-se, oficialmente com a sua execução. O Brasil, em 2006, no Chile, participa da Conferência que ratificou as decisões da Conferência de Durban. No dia 21 de setembro de 2011, em Nova Iorque, o governo brasileiro, representado pela Ministra Luiza Bairros, esteve presente na Comemoração dos 10 Anos da Conferência de Durban. Fruto da luta do povo negro no mundo, a escravidão foi considerada crime de lesa humanidade, e os países que se nutriram deste regime devem responsabilizar-se pela elaboração e pela implementação de políticas, que visem reparar os danos causados a milhões de pessoas pelo regime escravista. Embora um tanto aquém de nosso desejo, a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) no ano de 2003, representou e representa um avanço no processo de construção de uma democracia substantiva, pois, significa a concretização de uma das importantes demandas do movimento negro e de mulheres negras junto ao Estado brasileiro, um dos (co) responsáveis pelos séculos de escravismo e manutenção de mecanismos de subalternização da população negra até hoje – inclusive através do racismo institucional . É a partir deste cenário que nós Mulheres Negras, dirigimo-nos a Vossa Excelência para manifestar nossa apreensão face às notícias de extinção e ou alteração de espaços governamentais importantes para as mulheres negras. A AMNB manifesta-se publicamente em defesa da manutenção da Secretaria de Políticas Para as Mulheres – SPM -, do Ministério dos Direitos Humanos – MDH - e da Secretaria Especial de Políticas Para Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR – a fim de que o Brasil possa cumprir todos os protocolos, todas as decisões, todos os acordos e todos os planos de ações das conferências que o país subscreveu, para efetivamente promover a equidade de gênero, de raça e respeitar os direitos humanos das mulheres negras brasileiras. A AMNB ressalta que somente com a existência de espaços governamentais específicos, com políticas públicas direcionadas aos setores, até aqui, excluídos, é que as mulheres, sobretudo, as mulheres negras terão acesso à cidadania. Certas do compromisso de seu governo com os direitos das mulheres de nosso país, manifestado por Vossa Excelência, em seu discurso de posse que emocionou de norte a sul do Brasil, as mulheres de diferentes idades, credos, orientações sexuais, identidade de gênero, raças e religiões ao dizer: (..) “Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha de sua imensa energia”, e naquele momento todas as mulheres em pensamento, palavras e orações lhe mandaram a desejada energia. E como primeira mulher a discursar na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), mais uma vez, Vossa Excelência demonstrou o seu compromisso com as mulheres do Brasil e do mundo ao dizer (..) “ Vivo este momento histórico com orgulho de mulher. Tenho certeza que este será o século da mulher.". Assim, a AMNB, através de suas organizações filiadas, despede-se reforçando a manifestação e o desejo pela continuidade da SPM, SEPPIR e SDH e, solicitando a Vossa Excelência, um pronunciamento à nação, garantindo a todas brasileiras a permanência dessas Secretarias, garantindo assim, o compromisso com as Mulheres Negras Brasileiras." Atenciosamente, ACMUN - Associação Cultural de Mulheres Negras - RS Bamidelê – Organização de Mulheres Negras da Paraíba - PB CACES - RJ Casa da Mulher Catarina - SC Casa Laudelina de Campos Melo - SP CEDENPA – Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – PA Coletivo de Mulheres Negras Esperança Garcia – PI CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas – MG Criola - RJ Grupo de Mulheres Felipa de Sousa - BA Geledés – Instituto da Mulher Negra – SP Grupo de Mulheres Negras Mãe Andressa - MA Grupo de Mulheres Negras Malunga – GO IROHIN - DF IMENA – Instituto de Mulheres Negras do Amapá – AP INEGRA – Instituto Negras do Ceará – CE Instituto AMMA Psique e Negritude - SP Instituto Kuanza - SP Kilombo - RN Maria Mulher – Organização de Mulheres Negras – RS Mulheres em União - MG NZINGA – Coletivo de Mulheres Negras de Belo Horizonte – MG Observatório Negro – PE Rede de Mulheres Negras do Paraná – PR Uiala Mukaji - Sociedade das Mulheres Negras de Pernambuco - PE