Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

31 de jul de 2009

Capulanas Cia de Arte Negra entra em cartaz pelos cantos de São Paulo.

(Texto de divulgação). "Capulanas é composta por jovens de movimentos artístico-politicos da cidade de São Paulo. A cia nasce da vontade de dialogar com a sociedade sobre as descobertas, anseios e percepções da mulher negra. O espetáculo "Solano trindade e suas Negras Poesias" retrata a força da mulher negra através das poesias de Solano trindade, Elizandra Souza e Capulanas. Busca a ancestralidade das manifestações populares de matrizes afro brasileiras e por meio do elemento MC dialoga com a cultura Hip Hop. As interpretes criadoras contribuem ainda com suas vivências narrativas traduzindo-as de forma poética".

24 de jul de 2009

Barbies negras em ensaio de revista italiana

(Deu no UOL). "Após provocar burburinho no mundo da moda com a sua edição "Black Issue", em julho do ano passado, a "Vogue Itália" repetiu a ideia de apresentar uma revista apenas com modelos negras, mas desta vez feitas de plástico. Aproveitando o aniversário de 50 anos da boneca ícone de gerações e o lançamento de sua primeira versão negra, a revista lançou "The Barbie Issue", encartada na edição Julho 2009 em formato pocket (15cm x 18cm). "A boneca mais famosa da história sempre foi uma testemunha silenciosa da vida humana, mudando seu look e estilo de acordo com eventos e tendências no mundo real. Agora, a Barbie está pronta para falar ao mundo. E ela começa sua nova vida com a 'Vogue Itália', celebrando a beleza negra", diz o texto de abertura. Dividida em seções, a edição especial reúne bonecas posando em ensaios de moda miniatura, com referências a imagens da anterior "Black Issue" e Diana Ross, fotos de tapete vermelho, looks étnicos e até tendências de cabelo".

17 de jul de 2009

“We are the children"

(Por: Elisa Lucinda). "Quem me conhece sabe que não é do meu feitio batizar em outra língua uma publicação brasileira. Mas o título exerce dominação no meu peito esta semana em que fui mestre de cerimônia nos jardins do Palácio Guanabara, repleto de suas habituais autoridades e de cidadãos que raramente frequentam estes ares. Era lançamento nacional do programa Plataforma dos Centros Urbanos, uma iniciativa iluminada do Unicef, que viabiliza ações de desenvolvimento integral dos indivíduos nas cidades, a partir do olhar desta galera. São eles os GAL’s(Grupos Articuladores Locais)compostos de jovens que entrevistam, pesquisam sobre o que é vulnerável em sua comunidade, e conduzem a realização de prioridades e demandas de sua aldeia, digamos assim. Era também nesta tarde a posse de Lázaro Ramos, queridíssimo ator baiano, como embaixador do Unicef. Pois quando Marie Pierre, diretora do Unicef, me deu a palavra para que eu o homenageasse, a reflexão que tomou o proscênio de meu afeto foi a seguinte: no momento em que o mundo se despede precocemente de seu ídolo pop negro mais polêmico e criativo, este fato ganha novos recortes. Michael foi um menino abusado, explorado, castigado e mal criado pelo pai com a passiva e, não menos cruel, cumplicidade da mãe. E o pior, não só a sua aldeia, mas estas torpes histórias o mundo todo comentava. Um gênio maravilhoso, cuja infância foi roubada e cujo talento em vida sustentou aquela cambada, aquela mórbida e fria família, cujos olhos já brilham com os lucros da morte de seu gênio valiosíssimo. Um menino que ensinou ao mundo os passos da lua e era chamado de macaco pelo pai monstro com cara de cafetão escroto, morreu inseguro, infeliz, esfacelado nos trapos da palavra identidade, desfigurado, retalhado na face, frágil, doente, anoréxico e esbranquiçado, depois de ter sido o primeiro a, com sua música pioneira e única, unir as vozes brancas e negras na América e fora dela. O mundo testemunhou a tragédia de um mártir que inscreveu no corpo, na cara, nas bizarras atitudes no patético castelo de horrores da terra do nunca, as contradições, as injustiças, o racismo e a crueldade de uma nação chamada de primeiro mundo e de uma civilização omissa e equivocada. Esta morte pode ser um alerta. O menino violentado ainda pequeno, afanado em seu direito de ser criança, não cresceu e, o que nele cresceu, não gostou do que viu. A dependência crônica dos analgésicos grita em nossos ouvidos como lhe doía viver. Mas me pergunto por que um milionário que foi sacaneado na infância e impedido de se construir fora dos palcos, uma vez que a base de seus casamentos e relações pessoais parecia seguir as leis da ficção, por que este homem rico de grana e tão comprometido psicológica e emocionalmente, morreu sem tratamento adequado? Ser um homem de cinquenta anos, cheio de Mickeys e Peterpans pelas paredes de seu quarto, criar aquela face indescritível de batom sob um nariz sem cartilagem e sob olhos infantis muito tristes não era bizarro, era loucura. Ele estava dodói e poderia, com uma boa terapia e tratamento psiquiátrico, ter tido um outro destino onde seu talento pudesse realizar o mundo e a ele mesmo ainda mais, onde ele pudesse se libertar de vez daquele demônio paterno. Meu Deus, e agora estava eu ali, diante de Lázaro, aquele brasileiro negro lindo, talentosíssimo, coerente em suas ações como artista, cidadão, solidário, antenado com suas responsabilidades neste mundão segregacionista, idealizador e apresentador de um programa chamado “Espelho”, e que, por isso mesmo dispensa explicações, egresso de um daqueles bairros pobres de Salvador mas que, dentro de toda a pobreza, foi criado como menino seguro, forte, amado pelo pais, ancorados no amor por si e pelos seus. Ouvi o discurso simples do jovem embaixador, sua brilhante inteligência sob cabelos muito bons e crespos, um sorriso luminoso e delicioso, com aquela mesma cara ensolarada do primeiro Michael, o menino de ouro do gupo Jackson Five, de nariz largo, voz linda, cheio de sonhos cantando /I’ll be there/. Lázaro foi emblemático para mim naquela tarde de uma cerimônia patrocinada por uma instituição cujo foco, cuja mola mestra é a infância. Meus senhores, não há futuro possível sem uma infância e adolescência cuidadas. É uma conta que, geralmente, desanda. Ainda tem muito menino preto que cresce achando que só pode lhe sobrar ser “Triller” e “Bad”, ser preto e mau. O tema é amplo, toda criança, de qualquer tom ou origem social, merece uma opção de vida cidadã. Então, ao mesmo tempo em que meu coração chorava em luto por quem foi talvez a mais triste e genial criança americana, uma forte luz vinha daquela tarde representada em Lázaro, como a me dizer que novos tempos se anunciam. No momento em que a crise do mundo quebra as pernas da arrogância da razão, novas plataformas mais emocionais, mais humanas, mais responsáveis, surgem para dar a mão e novas saídas para o menino mundo; o que sempre é e sempre será feito de ex-crianças, de crianças que cresceram . Uma criança que não tem a infância roubada, pode envelhecer em paz, e, sem enlouquecer, viver pra sempre".

16 de jul de 2009

Contos africanos dos povos san e khoi, selecionados por Nelson Mandela

(Texto de divulgação) "Do berço da humanidade surge o caleidoscópio de um livro que refrata a África em sua miríade de facetas e cores: o brilho ofuscante do quente sol africano, o tom azul das montanhas no horizonte, o repouso misericordioso oferecido pela água e pela mata, os estratagemas e a malícia das criaturas, tanto animais como humanas, que povoam esse vasto continente selvagem, e sua generosidade humana, seus grandes corações e seu riso sempre presente. Aqui são encontrados contos tão antigos quanto a própria África, contados ao redor de fogueiras no final do dia desde tempos imemoráveis, contos herdados dos povos san e khoi, originalmente caçadores e criadores de animais pioneiros, deixados à imaginação daqueles que vieram do mar em grandes embarcações de velas ondeantes". Editora Martins Fontes.

15 de jul de 2009

Oficina de Indicadores Sociais: ênfase em relações raciais, no Rio de Janeiro

"O Projeto de extensão universitária, coordenado pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais LAESER- da Universidade Federal do Rio de Janeiro, visa atuar na formação de professores da rede básica de ensino do Estado do Rio de Janeiro para a leitura, interpretação, entendimento e análise de indicadores sociais desagregados pela variável cor ou raça, bem como para o desdobramento prático dos conceitos trabalhados com as respectivas áreas do conhecimento nos quais os professores estarão inseridos, especialmente nas disciplinas de história, geografia, matemática, humanidades em geral e outras áreas a serem descortinadas no desenvolvimento das próprias. Desta forma, espera-se contribuir para a construção de ferramentas pedagógicas no espaço escolar que permitam o uso, em sala de aula e demais planos, das informações obtidas nas Oficinas. O curso se chama “Oficina de Indicadores Sociais com Ênfase em Relações Raciais” e além das atividades presenciais também terá um sistema de acompanhamento dos participantes das Oficinas através de uma plataforma a ser constituída no portal do próprio LAESER, o desenvolvimento de material didático adequado ao projeto, bem como a realização de uma Monografia de conclusão da Oficina a ser realizado sob orientação da equipe do LAESER. Coordenador: Marcelo Paixão (coordenador do Laeser)". Inscrições: http://www.laeser.ie.ufrj.br/

13 de jul de 2009

Após anos no armário, mutantes da Marvel revelam homossexualidade

(Deu no Omelete, por: Érico Assis). "Leitores mais atentos já suspeitavam há mais de 10 anos, mas só tiveram a confirmação na semana passada: Rictor e Shatterstar, ex-colegas da equipe X-Force, atualmente aparecendo na série X-Factor, são homossexuais. Na página final de X-Factor #45, lançada na semana passada, Shatterstar - após anos sem dar as caras nas HQs da Marvel Comics - é tirado de um transe por Rictor e Guido. Quando ele lembra-se quem era, Rictor lhe diz: "Sim, sou eu, cara. Está tudo bem. Não interessa o que aconteceu. Vai ficar tudo bem". Os dois então se abraçam e se beijam. Shatterstar - criado na série New Mutants, em 1991 - e Rictor - surgido na X-Factor original, em 1987 - levantavam suspeitas dos fãs desde suas aventuras conjuntas na série X-Force. Os dois atuavam sempre juntos, diziam sentir saudades um do outro e deixaram a equipe ao mesmo tempo para mudar-se, por um período, para o México para salvar a família de Rictor. O escritor Peter David, de X-Factor, vinha dizendo em entrevistas que brincaria com a suspeita homossexualidade de Rictor. A cena da edição 45 põe fim à especulação. Vale lembrar que Estrela Polar, personagem mutante da equipe Tropa Alfa, foi o primeiro super-herói dos quadrinhos que se declarou homossexual, no início da década de 90."

100 anos de nascimento de Mano Décio da Viola, no Rio de Janeiro

10 de jul de 2009

Os dois corpos de M.J.

(Deu no Observatório da Imprensa, por: Muniz Sodré). MICHAEL JACKSON (1958-2009). "É famosa a análise do alemão Ernst Kantorowicz (1895-1963) sobre o fenômeno do desdobramento do corpo do rei na monarquia absoluta. Haveria o corpo natural e o corpo divino: ao lado da d imensão física, mortal, se alinha a simbólica, suprarreal, crística, que asseguraria o poder quase divino do soberano. Um e outro convivem numa unidade, em que parece vigorar uma alteridade interior. Essa hipótese do "dois em um" encontra hoje uma variante na esfera global do entretenimento, onde um superstar pode transitar fisicamente na terra e, ao mesmo tempo, no espaço mítico dos seres de espírito. É assim possível que, extinto o corpo físico, sobreviva o simbólico, sustentado por valores que nada têm de abstratos, já que se traduzem materialmente em cifrões. Isso ocorreu com Elvis Presley, por exemplo, e tem tudo para se repetir agora com Michael Jackson. O primeiro índício é a cobertura midiática da morte do artista. Na internet, com todas as suas inovações em acesso (Facebook, Twitter etc.), o acompanhamento do fato foi maior do que aquele que se seguiu à eleição de Barack Obama. Em todas as outras formas de mídia, do papel à eletrônica, o acontecimento recebeu acolhida espaçosa. Paradigmas do horror. Talvez não seja para menos. A morte de um compositor-cantor-performer, com um crédito de 750 milhões de discos vendidos, como que obriga o sistema de informação pública, visceralmente conectado com o sistema de entretenimento, a mobilizar-se até a exaustão dos detalhes. No primeiro momento se esmiuçam as circunstâncias algo novelescas do falecimento, a situação dos filhos, os depoimentos dos próximos e os informes sobre a péssima condição financeira do astro. Depois virá certamente o drama das querelas judiciais em torno do espólio, avaliado pelo alto em 800 milhões de dólares. Não se pode deixar de observar, porém, que Michael Jackson caminhava há muito tempo numa zona de sombras. E não era em moonwalk (o famoso "passeio lunar"), já que suas pernas, dizia-se, andavam enfraquecidas, devido à saúde precária e ao paraíso do Demerol. Aliás, ele próprio teria declarado, durante um dos ensaios para a tournée iminente, estar "acabado, morto". Psicologicamente, era de fato penosa a sua condição: um infantilismo progressivo (regressivo em estrutura), que o levava a inclinar-se obsessivamente sobre a própria infância e sobre infantes outros, com a má repercussão pública que se conhece. No total, era um ser humano profundamente afetado pela suprarrealidade das formas virtuais de vida - o bios tecnomercadológico - que de certo modo condicionaram a sua incontida mutação corporal. Entre ele e algo como o Hulk pode haver mais em comum do que mostram as aparências imediatas, descartando-se as óbvias diferenças entre um personagem de ficção e um ser vivo que ficcionalizava a vida real. Se no filme o homem transforma-se em Hulk devido a um acidente radioativo, o artista transforma-se, na vida real, em um outro (ou outra, visto que seu reflexo no espelho cirúrgico era a cantora Diana Ross), por ativa irradiação dos simulacros da mídia. Em ambos os casos, os resultados podem ser conotados como monstruosos. A temática do monstro, dá para se ver, vem se popularizando há alguns anos em mais de uma frente pública. Na esfera da política internacional, existe o que parece ser uma secreta demanda do capital - o mesmo que tenta assegurar-se da organização integral da existência humana - em exibir ou dramatizar a monstruosidade como contraponto para a sua legitimidade advogada pelos EUA: de Saddam Hussein à coleção de ex-parceiros ditatoriais em todas as latitudes, o sistema de sentido hegemônico vem erigindo os paradigmas do horror que servem, por inversão, como escala de medida para as suas qualidades apregoadas. É preciso um "outro", o monstro, para encarnar o pior - sustenta o ensaísta francês Jean-Paul Curnier. Parentes e atravessadores. Na esfera do entretenimento, por outro lado, assiste-se a um interesse crescente, sobretudo entre os jovens, por mutantes, transformers, vampiros, ou seja, formas de uma monstruosidade soft, que nada mais é do que a busca do outro em si mesmo. Michael Jackson foi um dos pioneiros com o espetáculo Thriller, em que dança com zumbis. Mas as implicações culturais do fenômeno não dizem nada ao sistema de produção e consumo do entretenimento em escala global, para o qual sempre foi bastante real o talento como compositor, cantor e dançarino de Michael Jackson - não um sucedâneo de Fred Astaire, muito mais um Nijinsky da pós-modernidade. Assim como na monarquia absoluta francesa a política consistia na construção de aparências divinas para o rei, a mídia de entretenimento engendrava uma "política" de informação em que o corpo físico e o corpo simbólico do artista se fundiam numa imagem de trânsito mundial. Com tal pano de fundo, não é de se estranhar o tamanho do espaço dedicado pela mídia à morte do show-man. Não é tanto porque tenha desaparecido o corpo físico, mas possivelmente porque passe a viver com força ainda maior agora o corpo simbólico. Haverá, como no caso de Elvis Presley, romarias ao túmulo, multidões de fãs em Neverland, clones que tentarão imitá-lo em covers performáticos, monumentos feitos de bits na internet, programas de TV sobre aspectos da vida do astro. Cada um terá muito a se comover com cada instante narrado de sua existência, certamente muito mais do que aparentam seus próximos ou mesmo o seu pai, que aparece sorridente nas fotos, falando de negócios. Em imagem nenhuma se viu alguém chorando ou compungido com a morte de M.J. É que no bios da mídia parece a todos garantida a eternidade dos corpos virtuais. No mais, indústria, parentes e atravessadores estarão de olho na possibilidade de mais 750 milhões de itens vendidos".

9 de jul de 2009

11o FNLIJ Salão do Livro para Crianças e Jovens

Aconteceu de 11 a 21 de junho de 2009, o 11º Salão FNLIJ do livro para crianças e jovens. Estive lá, como tenho procurado fazer nos últimos anos. Uma mudança fundamental desta edição foi o local de realização do Salão. Tradicionalmente ele ocorria nas dependências do MAM – Museu de Arte Moderna, agora realiza-se no Centro Cultural Ação e Cidadania, na zona portuária do Rio. O espaço é lindo, uma antiga fábrica reformada. Os stands deixaram de ser apertados, há mais espaço de circulação entre um e outro e, conseqüentemente, mais conforto para folhear os livros, conversar com autores(as), etc. Entretanto, os expositores reclamavam muito do local, porque, segundo eles, o pessoal da “Zona Sul” (os ricos e de classe média), efetivos compradores de livros, não se deslocaria até um lugar pobre, feio e deteriorado como aquele. Zona portuária chic, só a de Buenos Aires, pensava comigo. Tá certo que ainda falta muito, muitíssimo, para revitalizar a zona portuária do Rio, mas nas considerações dos expositores gritavam os preconceitos de classe, no mínimo. Segundo o que consegui apurar, as três primeiras edições do Salão não foram sucesso de público, mesmo acontecendo no MAM. Mas, paciência. Minhas principais impressões foram as seguintes: 1) Vi autores(as) e ilustradores(as) negros(as) presentes nos catálogos de algumas editoras medianas, quando não, aspirantes a grandes e isso é excelente. Destaco a amiga querida, Maria Tereza Moreira de Jesus, que publicou o livro infantil - “Vermelho”, trabalho bem cuidado da Editora 34. O Marcelo D’Salete, ilustrador e parceiro de vários amigos, está com um livro novo, o infantil “E assim surgiu o Maracanã”, pela Difusão Cultural do Livro. Pela mesma editora ele havia ilustrado o “Zagaia”, do amigo Allan da Rosa. 2) Percebi um certo (quando não, descarado) didatismo em várias publicações literárias cuja centralidade são as relações raciais, as culturas negras brasileiras, africanas e afins. Chegando a aberração de orelhas e prefácios mais parecidos com introduções a livros didáticos, feitos por especialistas renomados. A editora Cosac Naif, por exemplo, reconhecida pelo excelente trabalho gráfico e de conteúdo, apresenta dois livros infanto-juvenis, pretensamente literários, mas de didatismo inconteste na abordagem: “Agbala” e “Chica e João” (sobre Chica da Silva e o contratador de diamantes). Fugindo a esses exemplos, a mesma editora apresenta belíssima edição em quadrinhos de “O homem que sabia javanês”, do Lima Barreto. 3) Ainda sobre o tema dos quadrinhos, são lindas as edições da Escala Educacional de contos não tão conhecidos do mesmo Lima Barreto, tais como “Edith e seu tio”, “Um músico extraordinário” e “A nova Califórnia”. Não falta também o clássico “O triste fim de Policarpo Quaresma.” Vocês sabem que sou fã de quadrinhos e procuro acompanhar as novidades. De quebra passei também por uma edição em quadrinhos de Erasmo de Roterdã, “O elogio da loucura”, que me levou de volta aos 15 anos, quando li o livro. 4) Vi muitas publicações em Braile, ótima notícia. 5) O angolano Ondjaki esteve por lá lançando o seu “Avó Dezanove e o segredo soviético”, pela Companhia das Letras. Deve ser um bom título, a julgar pelo fôlego das publicações anteriores. 5) Não consegui comprar os livros de uma autora adorada, a Carolina Cunha, que publica pela espanhola LM Edições. Fui ao Salão no primeiro e no último dia e deixei as compras para o final, na expectativa de os preços baixarem. Só que os livros da Carolina foram todos vendidos, mantenho-me apenas com o “Caminhos de Exu”, comprado na Bienal de São Paulo há uns anos. 6) Um ou outro stand sem escrúpulos vendia livros de Paulo Coelho, Nelson Rodrigues, os Cassetas, dentre outros best sellers, todos de temática adulta, sem qualquer relação com livros para crianças e jovens. A FNLIJ deveria multar pesadamente esses espertalhões que, além de tudo, ludibriam as editoras que pagam pelos stands no afã de expor e comercializar os próprios livros dirigidos ao público infantil e juvenil. 7) O stand do INSPI – Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, cujo lema é: “nosso saber é nossa marca”, está a cada ano mais estruturado e lançando novos escritores e escritoras indígenas. Estão desenvolvendo também um trabalho incisivo para levar a literatura indígena às escolas. Adquiri alguns títulos, li três, por enquanto. À medida que o tempo der, comento-os aqui.

8 de jul de 2009

Primeiro Encontro Hip Hop Mulher, em São Paulo

"O projeto HIP HOP MULHER vem desde 2007 produzindo projetos voltados ao universo feminino e com participação de todas e todos. No primeiro projeto “MULHERES DO HIP HOP CANTAM AS REALIDADES”, foi criado o site www.hiphopmulher.com.br e o “CD REALIDADES” com a participação de 14 grupos de mulheres do estado de São Paulo cantando músicas com temáticas relacionadas à suas vidas ou às realidades de outras mulheres como: violência, gravidez precoce, discriminação, preconceito, aborto, família, sexualidade, etc. Foram produzidas 2000 cópias com o apoio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e várias parcerias! Com isso, o projeto do CD REALIDADES resultou no 1º Encontro HIP HOP MULHER que será realizado em julho deste ano, onde iremos reunir mais de 40 mulheres de São Paulo e de outros estados brasileiros, com a finalidade de discutir a realidade da mulher não somente dentro do Hip Hop, mas na sociedade como sujeita atuante e política. Além do 1º Encontro HIP HOP MULHER, produziremos uma cartilha chamada “HIP HOP MULHER, CONQUISTANDO ESPAÇOS”, com o apoio da UNIFEM e parcerias da ONG Ação Educativa e Edições Toró, que será distribuída na oficina itinerante que leva o mesmo nome, no segundo semestre de 2009. O projeto HIP HOP MULHER vem desde sua fundação como Associação participando de eventos com entidades parceiras para o fortalecimento de seus objetivos como instituição que tem a Mulher como seu principal eixo temático." www.hiphopmulher.com.br PROGRAMAÇÃO: 25/07/2009 (SÁBADO): 10h (manhã) Painel de Abertura: Nosso papel é mudar!Vários(as) convidados(as). 13h30m às 15h30m: 1ª OFICINA - “Respeito Acima de Tudo! – Diversidades”, com Valéria Melki Busin – Católicas pelo Direito de Decidir; 15h30m: Intervalo - (projeção de curtas e café); 16h00m às 18h30m: 2ª OFICINA: “Mulher e Política – Conquistando espaços de Direito” com Fernanda Papa – Fundação Friedrich Ebert. 26/07/2009 (DOMINGO): 10h00m às 12h30m: 3ª OFICINA: “A mulher no Hip Hop, vozes só pra causar!”, com Ana Lúcia Silva Souza – colaboradora da Ação Educativa; 14h00m às 16h30m: 4ª OFICINA: “Ler e Escrever – O Poder em nossas mãos!”, com Cidinha da Silva – escritora; 16h30m: Intervalo - (projeção de curtas e café); 17h00m às 19h00m: 5ª OFICINA: “Produção Cultural – Quando o lúdico se transforma em profissão.” com Nega Duda do Recôncavo (Cantora e compositora) e Giselda Perê (Artista e Educadora, integrante do Coletivo Agbalá). 20h00m: FESTA DE ENCERRAMENTO (ABERTA AO PÚBLICO) – AS APRESENTAÇÕES SERÃO DEFINIDAS NA PRIMEIRA SEMANA DE JULHO. LOCAL DO 1º ENCONTRO HIP HOP MULHER: ONG Ação Educativa, Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque – São Paulo/SP. Fone: (11) 3151-2333 -- CONHEÇA OS NOSSOS ESPAÇOS NA INTERNET: www.hiphopmulher.ning.com (Veja quanta gente já é amig@ do Projeto, seja um (a) também)! www.hiphopmulher.com.br (CONHEÇA NOSSO PROJETO!) www.myspace.com/hiphopmulher (OUÇA E BAIXE NOSSAS MÚSICAS!) www.mulherhiphop.blogspot.com (DEIXE COMENTÁRIOS!!!) (Imagem: Iléa Ferraz).

7 de jul de 2009

Personagens negras nos quadrinhos de Maurício de Sousa

Saiu a aguardada revistinha da Tina, personagem do Maurício de Sousa, bem interessante, gostei. Existem dois figurantes negros entre os 34 personagens secundários ou de figuração, meio por cento. Será alguma fumaça de mudança? Não riam, o comum é não aparecer qualquer figurante negro e já são dois... será? Outro sinal, aparentemente positivo, é que, dentre os 11 personagens principais, como esperado, não há um só negro, mas a morte é azul, tem olhos amarelos e veste-se de marrom, uma indumentária similar àquela usada pelos franciscanos. Na edição número 11 da Turma da Mônica Jovem, o Jeremias finalmente deu o ar da graça, ou permitiram que ele aparecesse com fala, ainda que mínima. Para quem não acompanha a Turma, trata-se de um personagem negro. Na mesma história apareceu a Cascuda, uma gatinha negra, namorada do Cascão, e o próprio. Como sabido, um "mestiço" (Cascão), quando posto lado-a-lado com outros negros, o Jeremias e a Cascuda, no caso em tela, evidencia sua negritude,até para quem não quer ver. Então fiquei feliz da vida com três peronagens negros, protagonistas, numa única historinha do Maurício de Sousa. Será que nossas reclamações e sugestões estão sendo ouvidas? A história ficou tão simpática, tão brasileira, como gostam de dizer por aí, aqueles que enaltecem a presença do negro nas ruas e cenários comuns e empobrecidos do país. E na revista do Ronaldinho Gaúcho número 30, pasmem, na história-título - "O craque borralheiro" - Diego, o amigo inseparável do Ronaldinho (um garotinho negro, a título de informação) é o príncipe. Acrescente-se a isso os dreads irados do Ronaldinho, no papel de Gato Borralheiro. Sinal dos tempos nos quadrinhos do Maurício? Tomara!

Livro novo da Tereza no Sesc Pompéia

6 de jul de 2009

Resposta do professor Kabengele Munanga ao ilusionista midiático Demétrio Magnóli

*Manifestação do professor Kabengele Munanga acerca da matéria “Monstros tristonhos” publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 14 maio de 2009, de autoria de Demétrio Magnoli* "Em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 14 maio de 2009 (http://arquivoetc . blogspot. com/2009/ 05/demetrio- magnoli-monstros -tristonhos. html), intitulada “Monstros tristonhos”, o geógrafo Demétrio Magnoli critica e acusa agressivamente as Universidades Federais de Santa Maria (UFSM) e de São Carlos (UFSCAR) e também a mim, Kabengele Munanga, Professor do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. As duas universidades são criticadas e acusadas por terem, segundo o geógrafo, criado ”tribunais raciais” que rejeitam as matrículas de jovens mestiços que optam pelas cotas raciais. No caso da Universidade Federal de Santa Maria, trata-se apenas de Tatiana de Oliveira, cuja matrícula foi cancelada menos de um mês após o início do curso de Pedagogia.. No caso da Universidade Federal de São Carlos, trata-se do estudante Juan Felipe Gomes. O acusador acrescenta que um quarto dos candidatos aprovados na UFSCAR pelo sistema de cotas raciais neste ano de 2009 teve sua matrícula cancelada pelo “tribunal racial” dessa universidade. A questão que se põe é saber se além desses estudantes, cujas matrículas foram canceladas, outros alunos mestiços ingressaram em cerca de 70 universidades públicas que aderiram à política de cotas. Se a resposta for afirmativa, os que tiveram sua matrícula cancelada constituem casos raros ou excepcionais que mereceriam a atenção não apenas de Demétrio Magnoli, mas também de todas as pessoas que defendem a justiça e a igualdade de tratamento. Mas por que esses casos raros, que constituem uma exceção e não a regra, foram “injustiçados” pelas comissões de controle formadas nessas universidades para evitar fraudes, comissões que o sociólogo Demétrio rotula de “tribunais raciais”? Por que só eles? Por que não ocorreu o mesmo com os outros mestiços aprovados? Houve realmente injustiça racial ou erro humano na avaliação da identidade física dessas pessoas que foram simplesmente consideradas brancas e não mestiças apesar de sua autodeclaração? Os erros humanos, quando são detectados, devem ser corrigidos pelos próprios humanos, como o foi no caso dos estudantes gêmeos da UnB. As injustiças, flagrantes ou não, devem ser apuradas e julgadas pela própria justiça que, num estado democrático de direito como o Brasil, deverá prevalecer. Acho que os estudantes Tatiana de Oliveira e Juan Felipe Gomes, e tantos outros que o sociólogo menciona sem entretanto nomeá-los, devem procurar um advogado para defender seus direitos se estes tiverem sido efetivamente violados pelos chamados “tribunais raciais”. Entendo que o geógrafo Demétrio tenha pena deles, considerando a sua sensibilidade humana. Se realmente houve erro humano na verificação da identidade desses estudantes, a explicação não está na citação intencionalmente deturpada de algumas linhas extraídas de um texto introdutório de três páginas ao livro de Eneida de Almeida dos Reis, intitulado* MULATO: negro-não-negro e/ou branco-não-branco,* publicado pela Editora Altara, na Coleção Identidades, São Paulo, em 2002. Veja como é interessante a estratégia de ataque do geógrafo Demétrio Magnoli. Ele escondeu de seus leitores o título do livro de Eneida de Almeida dos Reis, assim como a casa editora e a data de sua publicação para evitar que possíveis interessados pudessem ter acesso à obra para averiguar direta e pessoalmente o fundamento das acusações. De fato, ele não disse absolutamente nada sobre o conteúdo desse livro, e passa a impressão de ter lido apenas vinte linhas do total de três páginas da introdução, a partir das quais constrói seu ensaio e sua acusação. Com sua inteligência genuína, acho que ele poderia ter feito uma pequena síntese desse livro para seus leitores; se ele o tivesse mesmo lido, entenderia que nada inventei sobre a ambivalência genética do mestiço que não estivesse presente no próprio título da obra “Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco”. Desde quando a palavra ambivalência é sinônimo de “monstro tristonho”? Estamos assistindo à invenção, pelo geógrafo, de novos verbetes dos dicionários da língua portuguesa? O livro de Eneida de Almeida dos Reis resultou de uma pesquisa para dissertação de mestrado defendida na PUC de São Paulo sob a orientação de Antonio da Costa Ciampa, Professor do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da PUC São Paulo. Ele foi convidado a fazer a apresentação do livro, na qualidade de professor orientador, e eu para escrever a introdução, na qualidade de ex-professor na disciplina “Teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, ministrada no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP. O livro se debruça sobre as peripécias e dificuldades vividas pelos indivíduos mestiços de brancos e negros, pejorativamente chamados mulatos, no processo de construção de sua identidade coletiva e individual, a partir de um estudo de caso clínico. É uma pena que nosso crítico acusador não tenha tido a coragem de apresentar a seus leitores o verdadeiro conteúdo desse livro, resultado de uma meticulosa pesquisa acadêmica, e não da minha fabulação. Para entender porque essas pessoas mestiças foram consideradas brancas, apesar de terem declarado sua afrodescendência, é preciso voltar ao clássico “Tanto preto quanto branco: estudos de relações raciais”, de Oracy Nogueira (São Paulo: T.A. Queiroz, 1985). Se o geógrafo Demétrio tivesse lido esse livro, acredito que teria entendido porque as pessoas brancas que possuem algumas gotas de sangue africano são consideradas pura e simplesmente negras nos Estados Unidos – apesar de exibirem uma fenotipia branca – e brancas no Brasil. Ensina Nogueira que a classificação racial brasileira é de marca ou de aparência, contrariamente à classificação anglo-saxônica que é de origem e se baseia na “pureza” do sangue. Do ponto de vista norteamericano, todos os brasileiros seriam, de acordo com as pesquisas do geneticista Sergio Danilo Pena, considerados negros ou ameríndios, pois todos possuem, em porcentagens variadas, marcadores genéticos africanos e ameríndios, além de europeus, sem dúvida. Quando essas pessoas fenotipicamente brancas e geneticamente mestiças se consideram ou são consideradas brancas no decorrer de suas vidas e assumem, repentinamente, a identidade afrodescendente para se beneficiar da política das cotas raciais, as suspeitas de fraude podem surgir. Creio que foi o que aconteceu com os alunos cujas matrículas foram canceladas na UFSM e na UFSCAR. Se não houver essa vigilância mínima, seria melhor não implementar a política de cotas raciais, porque qualquer brasileiro pode se declarar afrodescendente, partindo do pressuposto de que a África é o berço da humanidade.. Lembremo-nos de que no início dos debates sobre as cotas colocava-se a dificuldade de definir quem é negro no Brasil por causa da mestiçagem. Falsa dificuldade, porque a própria existência da discriminação racial antinegro é prova de que não é impossível identificá-lo. Senão, o policial de Guarulhos não teria assassinado o jovem dentista identificado como negro pelo cidadão branco assaltado, e os zeladores de todos os prédios do Brasil não teriam facilidade para orientar os visitantes negros a usar os elevadores de serviço. Por sua vez, as raras mulheres negras moradoras dos bairros de classe média não seriam constantemente convidadas pelas mulheres brancas, quando se encontram nos elevadores, para trabalhar como domésticas em suas casas. Existem casos duvidosos, como o dos alunos em questão, que mereceriam uma atenção desdobrada para não se cometer erros humanos, mas não houve dúvidas sobre a identidade da maioria dos estudantes negros e mestiços que ingressaram na universidade através das cotas. Bem, o geógrafo Demétrio Magnoli leva ao extremo a acusação a mim dirigida quando me considera um dos “*ícones do projeto da racialização oficial do Brasil”. *Grave acusação! Infelizmente, ele não deu nomes a outros ícones. Nomeou apenas um deles, cuja obra não leu, ou melhor, demonstra não ter lido. Mas por que só o meu nome mencionado? Porque sou o mais fraco, pelo fato de ser brasileiro naturalizado, ou o mais importante, por ter chegado ao ponto mais alto da carreira acadêmica? Isso parece incomodá-lo bastante! Um negro que chegou lá, ao topo da carreira acadêmica, numa das melhores universidades do país, mas nem por isso esse negro deixou de ser solidário, pois milita intelectualmente para que outros negros, índios e brancos pobres tenham as mesmas oportunidades. De acordo com as conclusões assinaladas no livro de Eneida de Almeida dos Reis, muitos mestiços têm dificuldades para construir sua identidade por causa da ambivalência (Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco) , dificuldades que eles teriam superado se tivessem política e ideologicamente assumido uma de suas heranças, ou seja, a sua negritude, que é o ponto nevrálgico de seu sofrimento psicológico. Se o sociólogo acusador tivesse lido este livro e refletido serenamente sobre suas conclusões, ele teria percebido que não alimento nenhum projeto ou plano de ação para suprimir a mestiçagem no Brasil. Isto só pode ser chamado de masturbação ideológica, e não de análise sociológica, nem geográfica! Como seria possível suprimir a mestiçagem, que é um fato fundamental da história da humanidade, desafiando as leis da genética e a vontade dos homens e das mulheres que sempre terão intercursos interraciais? Nem o autor do ensaio sobre as desigualdades das raças humanas, Arthur de Gobineau, chegou a acreditar nessa possibilidade. Se as leis segregacionistas do Sistema Jim Crow no Sul dos Estados Unidos e do Apartheid na África do Sul não conseguiram fazê-lo, os ícones da racialização oficial do Brasil, entre os quais nosso colega me situa, terão esse poder mágico e milagroso que ele lhes atribui? Entrando na vida privada, gostaria que o sociólogo soubesse que tenho um filho e uma neta mestiços que não são monstros tristonhos como ele pensa, pois são educados para assumir sua negritude e evitar assim os graves problemas psicológicos apontados na obra de Eneida de Almeida Dos Reis, através da indefinida personagem Maria, (ver p.39-100). Como se pode dizer que os mestiços são geneticamente ambivalentes e que política e ideologicamente não podem permanecer nessa ambivalência e ser por isso taxado de charlatão acadêmico? Creio que se trata apenas de uma reflexão que decorre das conclusões do próprio livro e que de /per si/ não constituiria nenhum charlatanismo. Não seria um contra-senso e um grave insulto à USP que esse “charlatão acadêmico” tenha chegado ao topo da carreira acadêmica? E que tenha orientado dezenas de doutores hoje professores nas grandes universidades brasileiras, como a USP, UNICAMP, UNESP, UFMG, UFF, UFRJ, Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal de São Luiz do Maranhão, Universidade Estadual de Londrina, Universidade Candido Mendes, PUC de Campinas, etc. Creio que, salvo o geógrafo Demétrio, os que me conhecem através de textos que escrevi, de minhas aulas e de minhas participações nos debates sociais e intelectuais no país e no exterior, não me atribuiriam esse triste retrato. Disse ainda o geógrafo Demétrio que */“do ponto mais alto da carreira universitária, o antropólogo professa a crença do racismo científico, velha de mais de um século, na existência biológica de raças humanas, vestindo-a curiosamente numa linguagem decalcada da ciência genética”./ *Sinceramente, não entendo como Demétrio conseguiu tirar tanta água das pedras. Das 20 linhas extraídas, de maneira deturpada, de um texto de três páginas de introdução, ele conseguiu dizer coisas horríveis, como se tivesse lido tudo que escrevi durante minha trajetória intelectual sobre o racismo antinegro. A colonização da África, contrariamente às demais colonizações conhecidas na história da humanidade, foi justificada e legitimada por um /corpus/ teórico-cientí fico baseado nas idéias evolucionistas e racialistas produzidas na modernidade ocidental. Teria algum sentido para mim, que milito contra o racismo, professar o racismo científico para lutar contra o racismo à brasileira? Acho que nosso geógrafo quer me transformar num demente que não sou. As pessoas que leram seu texto no jornal O Estado de S. Paulo podem pensar que eu sou esse negro ex-colonizado que professa as mesmas idéias do racismo científico que postulou a inferioridade e a desumanidade dos africanos, incluída a dele mesmo. Como entender que meus alunos de Pós-graduação, a quem ensino há vinte anos “As teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, uma disciplina freqüentada por alunos da USP, de outras universidades e outros estados, têm a coragem de ocupar um semestre inteiro para escutar profissões de fé em favor do racismo científico? Se o geógrafo Demétrio quer saber mais sobre mim, ingressei na Faculdade em 1964, aos vinte e dois anos de idade. Tive aulas de Antropologia Física com um dos melhores biólogos e geneticistas franceses, Jean Hiernaux. Uma das primeiras coisas que ele me ensinou era que a raça não existe biologicamente. Através de suas aulas, li François Jacob, Nobel de Fisiologia (1965) e um dos primeiros franceses a decretar que a raça pura não existe biologicamente; e J.Ruffie, Albert Jacquard e tantos outros geneticistas antirracistas dessa época. Portanto, sei muito bem, e bem antes de Demétrio que o racismo não pode ter mais sustentação científica com base na noção das raças superiores e inferiores, que não existem biologicamente. Sei muito bem que o conteúdo da raça enquanto construção é social e político. Ou seja, a realidade da raça é social e política porque tivemos na história da humanidade povos e milhões de seres humanos que foram mortos e dominados com justificativa nas pretensas diferenças biológicas. Temos em nosso cotidiano, pessoas discriminadas em diversos setores da vida nacional porque apresentam cor da pele diferente. Nosso sistema educativo é eurocêntrico e nossos livros didáticos são repletos de preconceitos por causa das diferenças. Não sou um novato que ingressou ontem na universidade brasileira. No Brasil, fui introduzido ao pensamento racial nacional por grandes mestres, como João Baptista Borges Pereira, que foi meu orientador no doutoramento, Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Oracy Nogueira, entre outros. Não sei onde estava Demétrio nessa época e em que ano ele descobriu que a raça não existe. Acho um exagero querer me dar lição de moral sobre coisas que eu conheço muito antes dele. Isto não quer dizer que ele não possa me ensinar temas pertinentes à geografia, como por exemplo, o que se pode ler em seu livro sobre a África do Sul – “Capitalismo e Apartheid”, publicado pela Editora Contexto, São Paulo, 1998, que oferece algumas informações interessantes sobre a história do sistema do apartheid. Esse livro faz parte da bibliografia recomendada na disciplina ministrada na Graduação, não obstante algumas incorreções históricas nele contidas. Um dos maiores problemas da nossa sociedade é o racismo, que, desde o fim do século passado, é construído com base em essencializações sócio-culturais e históricas, e não mais necessariamente com base na variante biológica ou na raça. Não se luta contra o racismo apenas com retórica e leis repressivas, não somente com políticas macrossociais ou universalistas, mas também, e, sobretudo, com políticas focadas ou específicas em benefício das vítimas do racismo numa sociedade onde este é ainda vivo. É neste sentido que faço parte do bloco dos intelectuais brancos e negros que defendem as políticas de ação afirmativa e de cotas para o acesso ao ensino superior e universitário. Na cabeça e no pensamento de Demétrio Magnoli, todos os que fazem parte desse bloco querem racializar o Brasil, e isso faz parte de um projeto e de um plano de ação. Que loucura! Defendemos as cotas em busca da igualdade entre todos os brasileiros, brancos, índios e negros, como medidas corretivas às perdas acumuladas durante gerações e como políticas de inclusão numa sociedade onde as práticas racistas cotidianas presentes no sistema educativo e nas instituições aprofundam cada vez mais a fratura social. Cerca de 70 universidades públicas estaduais e federais que aderiram à política de cotas sem esperar a Lei ainda em tramitação no Senado entenderam a importância e a urgência dessa política. Acontece que essas universidades não são dirigidas por negros, mas por compatriotas brancos que entendem que não se trata do problema do negro, mas sim do problema da sociedade, do seu problema como cidadão brasileiro. Podemos dizer que todos esses brancos no comando das universidades querem também racializar o Brasil, suprimir os mestiços e incentivar os conflitos raciais? Afinal, podemos localizar os linchamentos e massacres raciais nos Estados onde se encontram as sedes das universidades que aderiram às cotas? Tudo não passa de fabulações dos que gostariam de manter o /status quo/ e que inventam argumentos que horrorizam a sociedade. Quem está ganhando com as cotas? Apenas os alunos negros ou a sociedade como um todo? Quem ingressou através das cotas? Apenas os alunos negros e indígenas ou entraram também estudantes brancos da escola pública? Concluindo, penso que existe um debate na sociedade que envolve pensamentos, filosofias e representações do mundo, ideologias e formações diferentes. Esse pluralismo é socialmente saudável, na medida em que pode contribuir para a conscientização de seus membros sobre seus problemas e auxiliar a quem de direito, o legislador e o executivo, na tomada de decisões esclarecidas. Este debate se resume a duas abordagens dualistas. A primeira compreende todos aqueles que se inscrevem na ótica essencialista, segundo a qual a humanidade é uma natureza ou uma essência e como tal possui uma identidade genérica que faz de todo ser humano um animal racional diferente dos demais animais. Eles afirmam que existe uma natureza comum a todos os seres humanos em virtude da qual todos têm os mesmos direitos, independentemente de suas diferenças de idade, sexo, raça, etnias, cultura, religião, etc. Trata-se de uma defesa clara do universalismo ou do humanismo abstrato, concebido como democrático. Considerando a categoria raça como uma ficção, eles advogam o abandono deste conceito e sua substituição pelos conceitos mais cômodos, como o de etnia. De fato, eles se opõem ao reconhecimento público das diferenças entre brancos e não brancos. Aqui temos um antirracismo de igualdade que defende os argumentos opostos ao antirracismo de diferença. As melhores políticas públicas, capazes de resolver as mazelas e as desigualdades da sociedade, deveriam ser somente macro-sociais ou universalistas. Qualquer proposta de ação afirmativa vinda do Estado que introduza as diferenças para lutar contra as desigualdades, é considerada, nessa abordagem, como um reconhecimento oficial das raças e, conseqüentemente, como uma racialização do Brasil, cuja característica dominante é a mestiçagem. Ou, em outras palavras, as políticas de reconhecimento das diferenças poderão incentivar os conflitos raciais que, segundo dizem, nunca existiram. Assim sendo, a política de cotas é uma ameaça à mistura racial, ao ideal da paz consolidada pelo mito de democracia racial, etc. Eu pergunto se alguém pode se tornar racista pelo simples fato de assumir sua branquitude, amarelitude ou negritude? Como se identifica então o geógrafo Demétrio: branco, negro, mestiço ou Demétrio indefinido? Pelo que me consta, ele se identifica como branco, mas não aceita que os negros e seus descendentes mestiços se identifiquem como tais e lutem por seus direitos num país onde são as grandes vítimas do racismo. A menos que ele negue a existência das práticas racistas no cotidiano brasileiro, e as diferenças de cor, sexo, classe e religiões que exigiriam políticas diferenciadas. A segunda abordagem reúne todos aqueles que se inscrevem na postura nominalista ou construcionista, ou seja, os que se contrapõem ao humanismo abstrato e ao universalismo, rejeitando uma única visão do mundo em que não se integram as diferenças. Eles entendem o racismo como produção do imaginário destinado a funcionar como uma realidade a partir de uma dupla visão do outro diferente, isto é, do seu corpo mistificado e de sua cultura também mistificada. O outro existe primeiramente por seu corpo antes de se tornar uma realidade social. Neste sentido, se a raça não existe biologicamente, histórica e socialmente ela é dada, pois no passado e no presente ela produz e produziu vítimas. Apesar do racismo não ter mais fundamento científico, tal como no século XIX, e não se amparar hoje em nenhuma legitimidade racional, essa realidade social da raça que continua a passar pelos corpos das pessoas não pode ser ignorada. /Grosso modo, /eis as duas abordagens essenciais que dividem intelectuais, estudiosos, midiáticos, ativistas e políticos, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Ambas produzem lógicas e argumentos inteligíveis e coerentes, numa visão que eu considero maniqueísta. Poderão as duas abordagens se cruzar em algum ponto em vez de se manter indefinidamente paralelas? Essa posição maniqueísta reflete a própria estrutura opressora do racismo, na medida em que os cidadãos se sentem forçados a escolher a todo momento entre a negação e a afirmação da diferença. A melhor abordagem seria aquela que combina a aceitação da identidade humana genérica com a aceitação da identidade da diferença. Para ser um cidadão do mundo, é preciso ser, antes de mais nada, um cidadão de algum lugar, observou Milton Santos num de seus textos. A cegueira para com a cor é uma estratégia falha para se lidar com a luta antirracista, pois não permite a autodefinição dos oprimidos e institui os valores do grupo dominante e, conseqüentemente, ignora a realidade da discriminação cotidiana. A estratégia que obriga a tornar as diferenças salientes em todas as circunstâncias obriga a negar as semelhanças e impõe expectativas restringentes. Se a questão fundamental é como combinar a semelhança com a diferença para podermos viver harmoniosamente, sendo iguais e diferentes, por que não podemos também combinar as políticas universalistas com as políticas diferencialistas? Diante do abismo em matéria de educação superior, entre brancos e negros, brancos e índios, e levando-se em conta outros indicadores socioeconômicos provenientes dos estudos estatísticos do IBGE e do IPEA, os demais índices do Desenvolvimento Humano provenientes dos estudos do PNUD, as políticas de ação afirmativa se impõem com urgência, sem que se abra mão das políticas macrossociais. Não conheço nenhum defensor das cotas que se oponha à melhoria do ensino público. Pelo contrário, os que criticam as cotas e as políticas diferencialistas se opõem categoricamente a qualquer política de diferença por considerá-las a favor da racialização do Brasil. As leis para a regularização dos territórios e das terras das comunidades quilombolas, de acordo com o artigo 68 da Constituição, as leis 10639/03 e 11645/08 que tornam obrigatório o ensino da história da África, do negro no Brasil e dos povos indígenas; as políticas de saúde para doenças específicas da população negra como a anemia falciforme, etc., tudo isso é considerado como racialização do Brasil, e virou motivo de piada. Convido o geógrafo Demétrio Magnoli a ler o que escrevi sobre o negro no Brasil antes de se lançar desesperadamente em críticas insensatas e graves acusações. Se porventura ele identificar algum traço de defesa do racismo científico em meus textos, se encontrar algum projeto ou plano de ação para suprimir os mestiços e racializar o Brasil, já que ele me acusa de ícone desse projeto, ele poderia me processar na justiça brasileira, em vez de inventar fábulas que não condizem com minha tradicionalmente pública e costumeira postura."

5 de jul de 2009

Serena conquista o 3º título em Wimbledon e devolve revés de 2008 contra irmã

(Deu no UOL Esporte). "Em uma final sem surpresas, que confrontou as irmãs Williams, presentes em oito das últimas dez decisões em Wimbledon, foi a caçula Serena quem se deu melhor e faturou a taça do tradicional Grand Slam, o terceiro da temporada. Neste sábado, a norte-americana bateu a irmã Venus em dois sets e, além de faturar sua terceira taça na grama de Londres, devolveu o revés na decisão do último ano, também entre as duas. Na sequência, as irmãs levantaram a taça na disputa de duplas. Serena Williams chegou à sua terceira taça, voltando a vencer após ter sido campeã nas temporadas de 2002 e 2003 na Inglaterra Serena comemora a conquista sobre Venus por 2 sets a 0, na decisão deste sábado CONFIRA AS FOTOS DA DECISÃO COMENTE A CONQUISTA DE SERENA TÍTULO DE MARIA ESTHER FAZ 50 ANOS VEJA A TRAJETÓRIA DE SERENA LEIA MAIS NOTÍCIAS SOBRE TÊNIS Número 2 do ranking mundial, Serena chegou ao tricampeonato (venceu em 2002 e 2003) com uma vitória dura, definida em 7-6(7-3) e 6-2. Provando todo o domínio da família na grama, a irmã mais nova conquistou o seu 11º título de Grand Slam, mas ainda perde para Venus no total de taças no torneio inglês, já que Venus é pentacampeã. Além disso, o duelo marcou o desempate no retrospecto entre ambas. No confronto direto, cada uma possuía dez vitórias e, com este resultado, é Serena quem passa a ter vantagem. Foi ainda a quarta final entre ambas no torneio inglês, a terceira em favor da caçula. "Eu me sinto maravilhosa, nem acredito que estou segurando este troféu", comentou Serena, com seu 11º prêmio em um Grand Slam. "A Venus é quem sempre ganha, então estou muito emocionada e honrada por todas estas conquistas." Para a mais velha, que perdeu a chance de ser hexacampeã, não houve lamentações. "Ela jogou o melhor tênis hoje e tenho de parabenizá-la. Não foi a pior coisa (perder para Serena), tanto que ainda estou sorrindo. Já tive grandes momentos aqui e ainda terei outras chances, vejo vocês no ano que vem." Pelo lado de Venus, terceira do mundo, restou à veterana de 29 anos lamentar a quebra de sua invencibilidade em Wimbledon. Ela já totalizava 20 partidas sem derrotas no tradicional torneio e chegou com certo favoritismo à final, após atropelar a líder do ranking Dinara Safina, por 6-1 e 6-0. Para Serena, a vitória representa uma chance para voltar à liderança do ranking mundial, no duelo particular contra Safina. Campeã do Aberto dos Estados Unidos, em 1999, 2002 e 2008, ela terá boas chances para tentar retornar ao topo até o fim da temporada."

3 de jul de 2009

Não deixe a sua cor passar em branco – o que esperar para o Censo de 2010

(Por: Wania Sant’Anna*, do Irohin). “Afastada a questão de desigualdade, resta na transformação biológica dos elementos étnicos o problema da mestiçagem. Os americanos do Norte costumam dizer que Deus fez o branco, que Deus fez o negro, mas que o Diabo fez o mulato. É o ponto mais sensível do caso brasileiro. O que se chama de arianização do habitante do Brasil é um fato de observação diária. Já com um oitavo de sangue negro, a aparência africana se apaga por completo é o fenômeno do passing nos Estados Unidos. E assim na cruza contínua de nossa vida, desde a época colonial, o negro desaparece aos poucos, dissolvendo-se até a falsa aparência de ariano puro.” Paulo Prado, Bacharel em Direito, fazendeiro, empresário e influente porta-voz da aristocracia paulista, em Retratos do Brasil, de 1928. "Em maio de 2008, no aniversário de 120 anos da Abolição do trabalho escravo, o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) fez ecoar por vários órgãos uma informação, para muitos, bombástica: mantendo-se as tendências demográficas atuais para a população brasileira de “cor/raça” branca e negra, em 2010 a população negra deverá ser maioria no país. No Brasil, acontecimento como esse tem uma longa história, com vários capítulos, e todos difíceis de serem tratados em um único artigo. No entanto, existe algo sobre ele que ressalta como especial. Ao contrário do desejo – manifesto ou oculto – de transformar o país em uma nação menos negra que o perfil da população demonstrava ao final da escravidão – e ao contrário da ideologia do embranquecimento – empreendida e glorificada por diversos meios ao longo de mais de um século – os afro-descendentes no Brasil não desaparecerão de forma tão simples quanto se pôde, um dia, imaginar. Essa provavelmente maioria em 2010 demonstra a superação de barreiras impressionantes a sua existência física e cultural. Nunca é demais lembrar, por exemplo, que os incentivos público e privado à política de migração européia de finais do século XIX e início do século XX, responsável, em seis décadas, pelo ingresso de mais de 4 milhões de cidadãos europeus, teve como uma de suas justificativas o embraquecimento da população brasileira e resultou, entre outras conseqüências, no desprezo e restrição ao uso da mão-de-obra recém-liberta em atividades produtivas tanto nas regiões urbana como rural. O histórico de esquecimento e desvalorização dessa parcela da população pode ser percebido em quase todas as esferas de realização de direitos sociais, econômicos, políticos e culturais. Por todo o país, a grande maioria da população afro-brasileira enfrentou, no seu primeiro século pós-escravidão, o infortúnio da fome, da insalubridade, do analfabetismo, da interdição ao voto por não saberem ler e escrever. Por todo século, em liberdade, os afro-brasileiros viram-se como alvos de aparatos de segurança por cultuarem os orixás, por jogar capoeira, por realizar rodas de samba, por não terem carteira de trabalho assinada, por terem uma “aparência suspeita”. Como diz o samba enredo, atravessou-se o século longe dos açoites da senzala, preso na miséria das favelas. Assim, uma maioria afro-brasileira em 2010 desafia o histórico de taxas mais elevadas de mortalidade infantil, as sugestões freqüentes de esterilização das mulheres como o caminho mais “adequado” de redução da pobreza no país, as taxas mais elevadas de homicídio entre os jovens negros em qualquer região metropolitana. Assim, nós acreditamos que ser maioria, em 2010, é um acontecimento resultante da consciência forjada pelo discurso anti-racista de elevação da auto-estima da população negra e de luta por direitos elaborados pelas organizações do movimento negro e seus ativistas. Se em mais de 120 anos os indicadores sócio-econômicos da população branca e negra permanecem apresentando diferenças tão expressivas na educação, nas condições de moradia, na ocupação, nos rendimentos resultantes do trabalho, na formação profissional, na ocupação de posições de decisão nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, qual o significado de, ainda assim, os afro-brasileiros virem a ser, numericamente, maioria em 2010 senão a consciência de que se deve, ao menos, respeitar a sua própria existência? A persistência das classificações de cor. Considerando as classificações utilizadas nos censos brasileiros realizados desde o século XIX, é possível afirmar que a identificação étnico/racial da população brasileira não constitui uma realidade recente e que há 137 anos o país realiza levantamento sistemático sobre as origens étnico/raciais ou culturais de seus residentes. A novidade, desde os anos 80 do século passado é a pressão do movimento negro e seus ativistas para que os dados coletados fossem divulgados com regularidade para toda a população e a vitória obtida, nos anos 90, com o atendimento a essa demanda. Nessa trajetória de classificação étnico/racial, importa relembrar que, no Brasil, o primeiro levantamento censitário, em 1872, foi determinado por uma lei tida como golpe fatal ao regime escravo: a Lei Rio Branco, ou como ficou popularmente conhecida, a Lei do Ventre Livre – de 28 de setembro de 1871. Interessados em realizar o “mais relevante levantamento sobre a população escrava” no Brasil, e proceder às medidas de libertação dos cativos, a Lei aponta no seu Artigo 8o que “O Governo mandará proceder à matricula especial de todos os escravos existentes no Império, com a declaração do nome, sexo, estado, aptidão para o trabalho e filiação de cada um”. Desde então, e à exceção dos censos realizados em 1900, 1920 e 1970, todos os levantamentos censitários nacionais têm incluído perguntas referentes à cor e à etnia da população brasileira. Em 1910 e 1930 não foram realizados os levantamento censitários. A literatura disponível sobre o assunto informa que a não realização dos censos se deu por problemas de ordem política. No Censo de 1872 foram utilizadas, além das classificações “livres” e “escravos”, as classificações de cor/etnia branco, preto, pardo e caboclo. No caso da população cabocla, esta incluía os indígenas e seus descendentes. Em 1890, não sendo mais necessário coletar informações sobre o status de livres ou escravos, foram utilizadas as classificações branco, preto, caboclo e mestiço. Com a criação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1936, e a realização do primeiro levantamento censitário sob sua responsabilidade, em 1940, as classificações de cor/etnia serão mantidas com as denominações: branco, preto e amarelo. A novidade será a introdução de um espaço em branco reservado à resposta quando fosse impossível determinar a cor do recenseado. Neste caso, os recenseadores optaram por classificações tais como “caboclo, mulato e moreno”. As classificações resultantes da opção em aberto levaram a decisão de agrupá-las em uma única classificação: “pardos”. Data desta época a consolidação do “pardo” como uma síntese das classificações caboclo, mulato, moreno, cafuzo, entre outras denominações tidas como expressões do caráter miscigenado da população brasileira. Finalmente, a única alteração substantiva é a introdução, em 1991, da classificação indígena, consolidando cinco opções de classificação de “cor/raça” no país: branco, preto, pardo, indígena e amarelo. São essas as cinco classificações clássicas, consolidadas entre os brasileiros nos levantamentos censitários, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e que tem ancorado as reivindicações de políticas públicas voltadas à população afro-descendente por todo o país. Ou seja, reivindicações pautadas em um sólido histórico de levantamentos nacionais sobre a “cor/raça” dos residentes no país e, portanto, sem nenhum motivo substantivo para alteração no Censo 2010. Os rumores sobre as mudanças na coleta e na classificação de “cor/raça”. Em novembro de 2008, uma representante do IBGE presente ao Seminário Censo 2010 y la inclusión del enfoque étnico – Hacia una construcción participativa com pueblos indígenas y afrodescendientes de Amércia Latina, organizado pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), no Chile, anunciou, entre outros destaques, uma significativa – senão decisiva – mudança na forma de coletar as informações sobre “cor/raça” no próximo censo brasileiro. Segundo essa representante, o IBGE já haveria decidido transferir a pergunta relativa à “cor/raça” da população do “questionário da amostra” para o “questionário básico”. O que isso quer dizer? O processo de recenseamento inclui a utilização de dois questionários – o básico e o da amostra. O “questionário básico” é destinado à coleta de alguns dados junto a todas as pessoas residentes no país – ou seja, ele é o instrumento a ser aplicado a todos os domicílios ocupados. O “questionário da amostra”, ao contrário, é aplicado apenas a uma parcela das pessoas residentes no país e, como o nome adianta, trata-se do ponto de vista da ciência estatística de uma amostra, um “extrato” do universo. Trata-se, portanto, de um instrumento a ser aplicado a uma fração dos domicílios ocupados. Mas um extrato suficientemente robusto porque substantivamente estratificado para representar de modo adequado o universo da população recenseada. Além dessas duas distinções sobre a quem toca responder a um e outro questionário, outro diferencial fundamental nos dois instrumentos de coleta tem a ver com o seu conteúdo. Enquanto o “questionário básico” é composto de pouquíssimas perguntas o “questionário da amostra” inclui um vasto e variado conjunto de temáticas traduzidas em considerável número de perguntas. No que diz respeito aos domicílios visitados no Censo de 2000, o “questionário básico” incluiu apenas seis perguntas relacionadas às características dos moradores – a saber: sexo, relação com a pessoa responsável pelo domicílio, mês e ano de nascimento, idade, condição de alfabetização (sabe ler e escrever) e escolaridade (última série concluída). No caso do “questionário da amostra”, além de todas as perguntas do “questionário básico”, este inclui um amplo conjunto de perguntas sobre característica do domicílio e de seus moradores. Em 2000, as perguntas relacionadas às pessoas residentes no domicílio ultrapassavam sessenta e, como de praxe, as respostas eram condicionadas a situações individuais, tais como a de ser mãe, estudante, empregado, aposentado, entre outras. Através dele é possível obter amplo diagnóstico dos domicílios, das pessoas e das famílias residentes no país – tipos de moradia, condição de ocupação e equipamentos domésticos no domicílio, posição na família, perfil das migrações internas, escolaridade, condição de atividade (emprego, desemprego, aposentarias), rendimento resultante de atividade produtiva ou não, informações sobre gestações, entre outros. Até o presente, é no questionário da amostra que encontramos a pergunta sobre “cor/raça” da população brasileira. De fato, será no questionário da amostra que iremos encontrar as perguntas relacionadas ao campo da diversidade como, por exemplo: sexo, idade, religião, deficiência, naturalidade, nacionalidade, estado civil, entre outros. Resumindo, o “questionário da amostra” fornece informações importantes para um conjunto imenso de análises sócio-econômicas sobre a população residente no país bem como para o estabelecimento de políticas públicas para essa população. Tendo isso em mente, a robustez da amostra e sua capacidade de representar o universo da população brasileira nos diversos temas investigados no Censo, que motivo levaria o IBGE a tomar a decisão de retirar a pergunta relativa à “cor/raça” da população do “questionário da amostra”, transferindo-a para o “questionário básico”? Nossa crença é a de que essa decisão não se justifica por outro motivo senão o de provocar problemas na coleta de informações sobre a “cor/raça” da população brasileira. Outro rumor em torno do Censo de 2010 diz respeito a alterações das classificações de “cor/raça”. Segundo tais rumores, o IBGE estaria pensando em ampliar as classificações disponíveis, tendendo a incluir “matizes” de cor. Os argumentos estariam pautados na consideração de que, pelo país afora, as cinco classificações adotadas até aqui não dariam conta de captar o matiz “miscigenado” da população – ou seja, as classificações “preto” e “pardo” a partir das quais temos conseguido fazer expressar a consciência relacionada à afro-descendência e ao legado de 4 milhões de africanos – homens e mulheres – trazidos como escravos para o Brasil, devem ser alteradas para dar sentido ao vazio da “morenice”. Isso é o que poderíamos chamar, na linguagem do futebol, de um “tapetão”. Para as organizações do movimento negro e seus ativistas a classificação “pardo” sempre foi um incômodo – pardo são os gatos e papel de embrulho. No entanto, também é verdade que nos últimos 35 anos essas organizações e seus ativistas logram conscientizar a população brasileira, em especial a população negra, de que o fenótipo negro, aquele que indica sem sofisma a herança da escravidão, constitui um dos mais fortes motivos de preconceito, discriminação racial e racismo, e que os indicadores de vulnerabilidade social, econômica, política e cultural de “pretos” e “pardos” são, rigorosamente, os mesmos. Assim, não existem divisões no interior desse grupo que justifique separações, ou negações à sua luta por direitos sociais, econômicos, políticos e culturais. E, talvez, isso explique, por exemplo, outra importante mudança no padrão de identificação da população brasileira por cor ou raça. Entre 1991 e 2000, as variações em termos da participação relativa da composição da população total, segundo os grupos de cor, mostram que o percentual de população de cor preta aumentou mais de 22%, enquanto o de brancas só se incrementou em 3.5%, e as pessoas autodeclaradas pardas diminuiram em mais de 8%. Enfim, todos esses dados não são sutilezas. Eles expressam muitos acontecimentos – da ampliação da consciência ao contato com um mundo globalizado que nos informa, a cada dia com mais vigor, as lutas contra a discriminação étnico/racial em todos os continentes. Nesse contexto, de emergência do debate sobre a má distribuição dos recursos simbólicos e políticos, em nível planetário, é ingênuo pensar que mudanças apresentadas às pressas e com intuito de frear esse sentido de consciência e conscientização possam ser estancadas dessa maneira. É tempo de alerta. Não se pode correr o risco de perder tudo o que se conseguiu construir como série histórica de indicadores sobre o perfil das desigualdades sócio-econômicas que os levantamentos censitários, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME) nos fornecem de forma fidedigna. Quebrar essa série histórica é uma aventura sem limites. O Censo está aí e talvez seja o momento adequado de, mais uma vez, lembrar e atualizar a campanha, desenvolvida durante a realização do Censo de 1991, “Não deixe sua cor passar em branco – Responda com bom c/senso”. Àquela época a Campanha listou três objetivos sensíveis, a saber: Sensibilizar pessoas de origem africana a declarar sua cor a partir do referencial étnico; Contribuir na construção de indicadores nacionais sobre as condições sócio-econômicas da população de origem africana; Fazer veicular uma mensagem positiva da população de origem negra tendo em vista a recuperação de sua auto-estima cultural e política. Ao que tudo indica, em 2010, vamos ter a oportunidade de acrescentar ao menos mais um: assegurar que o combate ao preconceito, à discriminação racial e ao racismo seja um objetivo permanente de uma sociedade que deseje ser justa, democrática e anti-racista." * Historiadora, pesquisadora de relações de gênero e relações raciais. Atualmente atua como consultora permanente da Comissão de Diversidade da Petrobrás.

2 de jul de 2009

Conexões Griô 2009 em: Festival Cultural da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha

"Estarão abertas, de 06 a 20 de junho, as inscrições para as apresentações artísticas, vídeos, palestras e ações do Festival Conexões Griô 2009, que neste ano tem como tema o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha. A data foi criada em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Negras da América Latina e Caribe, na República Dominicana. Alguns dos objetivos na escolha do tema são: reunir organizações de mulheres afro-latino-americanas e caribenhas e consolidar esta data tão importante para promover algumas transformações nas relações de gênero e raça, além de valorizar e proporcionar auto-estima para as mulheres. Serão três dias de evento com apresentações artísticas, festas, palestras, ações afirmativas e cineclube. A realização do festival é uma parceria entre Griô Produções e Associação Coturno de Vênus, com apoio da Secretaria de Cultura, Câmara Legislativa do Distrito Federal, Fórum de Mulheres Negras, Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial, Cojira, Prefeitura do Setor de Diversões Sul e Balaio Café. Outras parcerias estão sendo estabelecidas no sentido de agregar o máximo de entidades e vozes ao projeto. Para a diretora de projetos da Associação Lésbica Feminista de Brasília, Luana Ferreira, o festival será um espaço de diálogo sobre a situação política, cultural e econômica das mulheres afro-latino-americanas e caribenhas. “A perspectiva é buscar propostas de enfrentamento aos desafios impostos pelo machismo, racismo e falta de acessos”, explica Luana. O festival será realizado de 23 a 25 de julho, com mesas-redondas e cineclube, no Balaio Café, e apresentações artísticas na Praça Zumbi dos Palmares, Conic. As artistas interessadas em se apresentar deverão encaminhar e-mail para conexoesgrio@gmail.com, anexando foto e release. Para apresentações musicais, incluir uma música em mp3. Para intervenções, exposições e apresentações teatrais, bem como ações e palestras, deverão encaminhar no e-mail a proposta ou projeto. Para a inscrição de filmes, encaminhar sinopse e ficha técnica. A programação será divulgada no dia 25 de junho, um mês antes do evento. “O Conexões Griô já é um festival bastante querido nas periferias do Distrito Federal, agora viemos para o centro, com a mulher afro-latino-americana e caribenha no foco. Não foi à toa a instituição do dia 25 de julho, mulheres negras ainda sofrem diariamente todo tipo de violência, abuso e apartação social no mundo todo, sobretudo na América Latina e Caribe”, afirma Jaqueline Fernandes, uma das diretoras da Griô Produções." Mais informações: www.grioproducoes.blogspot.com www.latinidades.ning.com Conheça as realizadoras do projeto: www.coturnodevenus.org.br www.grio.art.br 61- 8571 4531 Griô Produções valores que agregam produção www.grio.art.br

1 de jul de 2009

Boletim Casa Poema 2009 - No 1

"Se você ainda na viu o Parem nestes 07 anos, você perdeu. Em compensação, o que você verá jamais terá sido visto antes, porque esse é um espetáculo que honra o ineditismo de qualquer rotina, às últimas conseqüências. Cada dia é realmente um, e ímpar. Há dois domingos, estava na platéia uma vovó pretinha linda, vestida de linho pérola e brilhosos cabelos crespos e brancos, no auge dos seus 98 anos, vendo a peça já pela terceira vez. Aquela mulher hirta, que, calada, já é um exemplo. Mas, como se não bastasse sua vistosa existência exemplar, ao ser abordada por mim, interessada em sua idade e nome, vó Maria respondeu e prosseguiu: “quero dizer, tenho 98, mas gravei meu primeiro disco aos 91”. Chamei-a ao palco, emocionada, para lhe oferecer flores; ela, como que correspondendo ao bouquet, canta o primeiro samba gravado da história (“O chefe da polícia pelo telefone”), para deleite meu e da platéia, imediatamente transformados em coro. Um luxo! Como um programa de TV ao vivo, cada dia é uma noite nova nos palcos do “Parem de falar mal da rotina”, por isso e pelo que ainda não sei, espero você e a seus amigos. Todas as noites tem sempre alguém que viu a peça mais de duas, três, quatro, dez...vinte vezes. Isso pode querer dizer que se trata de um espetáculo de utilidade pública. Agradeço ao público que tem lotado nossas sessões, e vamos juntos até 02 de agosto, com exceção desta sexta-feira (26) e do domingo 26 de julho. No quesito Minha Voz Minha Vida, a pedida desse sábado que passou foi na Casa Rosa. Explico: sou madrinha da Orquestra Voadora, a ma-ra-vi-lho-sa, que nasceu por ocasião do carnaval de meu aniversário, e por isso dela virei madrinha. Pois eu, Áurea Martins e a Orquestra Voadora fizemos um show de tremer os ares de Laranjeiras. Só de metais são 12, e mais percussivos e originais instrumentos de batucar o peito da gente. O próximo será no Circo Voador, que avisamos todos vocês. No mais, temos o Workshop de Poesia Falada, ou seja, um curso profundo de comunicação oral, em julho no Rio de Janeiroe em agosto em São Paulo. Eu, se fosse você, parava de adiar a presença elucidadora da poesia em sua vida. A grande novidade do ano fica por conta de minha estréia como colunista no Correio Braziliense, excelente jornal da capital federal. Estou abraçando essa querida ocasião para aproveitar e conversar mais amiúde com o meu país. Fiquem espertos, acessem, colaborem. Na coluna falarei sobre o que mais sei: a pimenta do reino cotidiano." Elisa Lucinda. AGENDA CASA POEMA: Workshop de Férias - Poesia Falada. De 21 a 29 de julho. Curso de Poesia Falada para escritores. Dentro de um conteúdo programático, os participantes exercitarão seus poemas e finalizarão com um recital. Início em agosto. Curso de Formação de Professores em Poesia Falada. Capacitação para pessoas que tenham interesse em lecionar a metodologia de poesia falada criada por Elisa Lucinda. Início em agosto. Curso de Português Instrumental "Na Ponta da Língua." Excelente oportunidade de aprender e tirar dúvidas sobre assuntos essenciais da Língua como um dos maiores instrumentos de interação humana, a partir da metodologia e do conteúdo especialmente elaborados. Em módulo compacto, quatro horas de estudo e prática, para aprender, revisar e tirar dúvidas. Datas: 04 e 07 de julho, das 09h às 13h. Informações e Inscrições: (21) 2286-5976 / 5977 Local: Casa Poema. Paulino Fernandes, 15 – Botafogo - Rio de Janeiro/RJ CASA POEMA Escola Lucinda de Poesia Viva 21 2286 5977 21 2286-5976 www.casapoema.com.br