Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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27 de nov de 2013

Cidinha da Silva na Semana Literária Internacional da Ogum's Toques, em Salvador - Brasil, África e Cuba


A Roda Gigante e o motor da casa grande


Por Cidinha da Silva

A FIFA ao recusar Lázaro Ramos para sortear os grupos da Copa disse ao Brasil e ao mundo que pretinhos como ele devem tratar de ser bons de bola e ter destaque dentro das quatro linhas. Esse é o lugar reservado aos homens negros.

Ao recusar Camila Pitanga para a mesma função, vocifera aos quatro cantos do universo empresarial da bola que lugar de mulher negra é azarando jogador, prestando-lhes serviços sexuais ou no máximo vendendo a imagem de Globeleza.

Em uma das salas da casa grande, outra atriz negra da novela Lado a lado, surpreende a gente altiva ao apresentar-se como pregoeira de um conjunto de bundas e pernas negras naturais (hiper malhadas) ou siliconadas: glúteos, vasto lateral, bíceps da coxa, trato iliotibial. Acém. Cupim. Músculo. Coxão Duro. Paleta. E não se sabe que parte da imagem é mais triste e deprimente, a carne de segunda e seu corte de costas ou o Filé Mignon disfarçado, maquiado, bem vestido, de sorriso angelical e dengoso a serviço do leilão de mulheres no mercado dos corpos.

Mas Camila e Lázaro batem um bolão, driblam a FIFA e ganham o prêmio Emmy com a novela Lado a lado. Superaram outra adversária poderosa, a novela das nove de maior audiência nos últimos anos, Avenida Brasil. Que vitória!

Os autores da novela das seis, de maneira inaugural na teledramaturgia tupiniquim, rasgaram, dilaceraram, escancararam os privilégios dos brancos brasileiros alicerçados na exploração reiterada e arraigada dos negros ao longo de séculos e foram premiados, a novela foi considerada “a melhor do mundo.”

Ê... volta do mundo camará! Alegria e tristeza alternam lugares na Roda Gigante e o motor da casa grande funciona a pleno vapor.

26 de nov de 2013

Teaser de Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas

Cia os Crespos apresenta: Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas. Todas as quartas e quintas na funarte (São Paulo) às 21h00. Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos. Confira o Teaser. 
https://www.youtube.com/watch?v=nspM0kB



23 de nov de 2013

Contagem regressiva para o lançamento de Racismo no Brasil e afetos correlatos, de Cidinha da Silva


Agende-se:

Dia 05/12 - Salvador
Dia 09/12 - Campinas
Dia 11/12 - Recife
Dia 13/12 - São Paulo



22 de nov de 2013

Por que capitão do mato?



Por Cidinha da Silva

Poderia ser estratégia de marketing dizer que Zumbi era herói e Joaquim, capitão do mato. Era 20 de novembro, feriado sem apelo comercial  e por isso prejudicial ao comércio, fosse por estabelecer um dia de portas fechadas ou dia comum de estabelecimentos abertos, mas  sem impulso de vendas que um feriado deveria proporcionar.

Marketing para vender a ideia de que Joaquim, suposto produto midiático, ruía ao estabelecer a prisão daqueles que o STF condenou. E os membros do PIG, outrora denunciados como parte do staff do “capitão do mato”, voltam-se contra ele, quando vêem o próprio poder ameaçado.

Mas afora o 20 de novembro e seu apelo marketeiro para os defensores da consciência humana, em detrimento da consciência negra,  em que se relacionaria a postura do presidente do STF com a escravidão e a figura do capitão do mato? Que negro (além do negro drama de Joaquim) está envolvido na trama do mensalão? Onde está o negro que subjuga outros, em nome do poder dos brancos, como fazia o capitão do mato?

Parece ser assim, quando uma pessoa negra se destaca em alguma posição é necessário sacar a origem escravizada da algibeira para lembrar-lhe seu lugar social. E lançam mão de todo tipo de inversão de idéias e recursos de pirotecnia semântica para adjetivar negativamente qualquer negro que confronte o poder branco.

Se metáfora oriunda do escravismo coubesse a Joaquim, seria a da pessoa determinada a pagar pela própria liberdade.  Aquela que juntava pecúlio durante toda a vida para comprar a alforria e que o faria, mesmo com a iminência da morte. Se sentisse que não teria tempo para morrer livre, entregaria o dinheiro a uma irmandade de pretos, para ser enterrada dignamente em cemitério e não ter o corpo jogado no mato, por capitães do mato, e destroçado por urubus. 

21 de nov de 2013

A estreia

Por Cidinha da Silva



Estreamos! Um espetáculo que está ficando pronto, mais uma parte do processo. Babado, confusão e gritos catárticos, a cena da melancia. Era o comentário que se ouvia. O texto ficou nas pessoas, a poesia. As atrizes brilharam sob batuta segura. As letras das músicas de Miriam Bezerra, preciosas, iluminaram a cenografia simples e precisa de Mayara Mascarenhas. Um trabalho de muito fôlego, este ENGRAVIDEI, PARI CAVALOS E APRENDI A VOAR SEM ASAS. Uma alegria! Maria Tereza gostaria e, se ela fosse você, não perdia. Nossa poética em legítima defesa floresce a humanidade plena em cada um de nós, mas não se engane, a consciência é negra. Humanidade feita de dor, amor, rancor, alegria, coragem, luto e labuta. ENGRAVIDEI, PARI CAVALOS E APRENDI A VOAR SEM ASAS é a borboleta anunciadora da chegada do Sol. Ngunzo!

20 de nov de 2013

Texto da "dona do salão" em Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas


Por Cidinha da Silva

"Meu pai foi orelha-seca da Wolkswagem durante muitos anos, ganhava bem. Hoje ele toca samba e choro na noite. Meu pai tinha uns conceitos que ele chamava de “operacionais”, por exemplo, ele gostava quando meu irmão arrumava namoradas brancas e não gostava de um primo meu, vizinho lá de casa, filho da irmã dele que namorava meninas negras e tinha um cabelão Black Power. Ele achava melhor o cabelo do meu irmão que era cortadinho. Achava que assim o negro ficava menos visado, com o cabelo cortado e com uma namorada branca".

Veja o teaser de Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas. Os Crespos. By Renata Martins, diretora de vídeo. https://www.youtube.com/watch?v=kUzgxZX2Ve8

Texto da "princesa do carnaval" em Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas




Por Cidinha da Silva

"Bonita eu sempre fui, desde pequena! Eu vou confessar para vocês, na verdade fui uma criança linda. Morenona, puxada pro árabe e o cabelo parecido com o da minha mãe que é meio índia, sabe? Meu pai é que é negrão! Lindão, como eu!Ele é mais moreno que eu. É assim um moreno corado. Ele não fica devendo nada pra branco nenhum. É mais alto do que eu, forte, tem cavanhaque... Parece aquele cantor que casou com a Cerejinha!"

Foto: Renata Martins

19 de nov de 2013

Texto da "alcoólatra" em Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas


Por Cidinha da Silva

"Ela chegou no crime porque tinha um vazio enorme dentro do peito que nada conseguia preencher.
A adrenalina dos assaltos, dos corres com as drogas silenciava o barulho de britadeira que a lembrança dos pais fazia dentro do ouvido dela. Era barulho de guerra, tiroteio, metralhadora metralhando dentro da sua cabeça".



Texto da "Puta" em Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas


"O beijo da novela nos restitui a humanidade, o desejo. Não é ópio, é sonho de padaria, espelho de realidade forjada que não nos reflete. O beijo da novela é o doce que se pode comprar clicando o power da TV". 
Por Cidinha da Silva


Os Crespos: Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas (página 21 do Metronews) - estreia dia 20/11, em São Paulo

Os Crespos: Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas (página 21 do Metronews)

http://issuu.com/folhametronews/docs/metronews-18-11-13


18 de nov de 2013

Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas

http://vejasp.abril.com.br/atracao/engravidei-pari-cavalos-e-aprendi-a-voar-sem-asas

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Resenha por Dirceu Alves Jr.
A montagem da Cia. Os Crespos tem direção de Lucelia Sergio e Sidney Santiago Kuanza e dramaturgia de Cidinha da Silva. No drama, seis mulheres negras são flagradas em seus respectivos cotidianos em um prédio. Elas não dialogam, tampouco se conhecem, mas possuem anseios semelhantes. Com Dani Rocha, Darília Lilbé, Dirce Thomaz, Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt e Dani Nega. De 20/11/2013 a 19/12/2013.

De 20 de novembro a 19 de dezembro

3 Estrelas
Alameda Nothmann, 1058 - Campos Elíseos - São Paulo - SP - Tel.: (11) 3662 5177
Sala Arquimedes Ribeiro
Quarta e quinta, 21h.
A bilheteria abre uma hora antes. Estreia prometida para 20/11.
Ingresso: R$ 15,00

Sobre o Ministro Do STF Joaquim Barbosa, no livro Racismo no Brasil e Afetos Correlatos, de Cidinha da Silva



Joaquim Barbosa, um operador do Direito na Corte!
Por Cidinha da Silva

Muito da esquerda rabugenta e obtusa que ora procura holofotes para achincalhar o julgamento do mensalão consolidou-se em oposição à esquerda festiva e irresponsável, e a reação é compreensível, entretanto, podiam nos poupar de tanto fundamentalismo ideológico. Há que haver um caminho do meio, pautado pela lucidez, definição precisa de princípios e valores, coroados pela assertividade. Chega de discurso inoperante!

Há um suspiro ideológico moribundo da esquerda que se aferra à crucificação do Ministro Joaquim Barbosa, como se fosse ele seu algoz. Confundem a indicação de Joaquim ao Supremo, feita pelo ex-Presidente Lula, com uma fidelidade canina que ele, bem como os demais magistrados recomendados por Lula e Dilma à Corte, deveria ter ao PT. Esperável seria que esses militantes partidários se regozijassem pelo fato de dois Presidentes da República, oriundos do PT, terem optado por varrer o bolor das janelas do STF. No entanto, parecem desejar que esta bancada do Supremo não julgue membros do PT, quando réus, ou absolva-os pela origem partidária, constituindo um tribunal de exceção.

Argumentar que não existem provas para punir os responsáveis pelo mensalão é o mesmo que insistir na não existência de provas de que os agentes militares da ditadura agiram respaldados por empresas, da agroindústria aos conglomerados de comunicação (escrita e televisiva), ricaços, ricões e outros suficientemente bem-postos no mundo dos privilegiados. Todos garantiram que os milicos não agissem por livre e espontânea maldade. Eles tiveram costas largas e quentes para espoliar, torturar e matar por mais de 20 anos seguidos. As provas existem, são cabais, é só olhá-las com olhos de ver. É o que a maioria do STF fez. É o que a Comissão de Verdade faz.

Quem se aproveita do mensalão para tentar punir o PT por “ter criado o maior programa de transferência de renda do mundo, por construir mais de um milhão de moradias populares, por criar cerca de 15 milhões de empregos, por triplicar o salário mínimo (em 10 anos de governo), por incluir no mercado de consumo (cerca de) 40 milhões de pessoas”, por ter construído 14 universidades federais, por ter criado o ProUni e o Reuni, por ter dado orgulho e dignidade a todos os Silva do país, não é o STF progressista e ainda menos o Ministro Joaquim Barbosa, ele mesmo, um Joaquim nascido no tempo em que este era um nome de gente muito simples. Quem busca desqualificar o PT, usando como mote a parcela de seus ex-dirigentes julgados no processo do mensalão, são os herdeiros da Casa Grande, protegidos pelo verniz das leis, das universidades, das telecomunicações, pela indústria do terror e do genocídio da juventude negra, patrocinada pelo Estado nas periferias do Brasil.

Não creio que Joaquim Barbosa queira “brandir o cajado da lei para punir os poderosos” (de esquerda). Vejo-o como um operador do Direito, muitíssimo bem preparado, exercendo com competência, legitimidade e dignidade o cargo para o qual foi escolhido e para o qual é muito bem remunerado. O mais é nossa sede implacável de ícones negros que, por vias tortas, o transforma em super-herói.

17 de nov de 2013

Esquenta: essa Coca é Fanta!

18/01/2013




Por Cidinha da Silva

A apresentadora olha para a câmera aberta e dispara “vou fortalecer meu bonde que sempre me fortalece.” O que vem depois é a estética da laje, da favela, do funk, do samba de folhagem em meio a alguma raiz, do pagofunk. Os moradores da favela e seu orgulho por viver lá. 

A definição de moda do Rio e São Paulo Fashion Week vem de Paris, chega ao Saara e é devolvida ao mundo customizada pelo Complexo do Alemão. 

As travestis são mostradas de um jeito mais humano, com algum respeito. A Presidenta Dilma dá o ar da graça e discursa em defesa das cotas como forma de diminuir as desigualdades raciais. Fundamentada, enche os olhos de qualquer ativista. Ainda estava tudo no campo do entretenimento e nisso Regina Casé é imbatível. O Esquenta é incomensuravelmente melhor do que o Faustão, Os Trapalhões, velho ou novo, e qualquer outro humorístico da Globo. O problema é o sociologuês da diversidade, forma pseudo-intelectualizada de coroar a mistura defendida pelo programa.

O sociologuês é o ponto de mutação em que a Coca se revela Fanta. É a mudança conservadora, a transformação pelo alto, velha conhecida. Primeiro a apresentadora faz um comentário animador: "muita gente criticava o Esquenta dizendo que o programa só tinha preto. A produção contou e era 50/50. O problema é que nos outros não tem nada e aqui parece que tem muito." Animada, pensei que ela havia aprendido alguma coisa com as bordoadas dos pares. Naquele momento o nome do texto seria "aceita que dói menos", mas a seguir, a apresentadora emplacou a pérola sobre Obama. O programa afirma que ele é importante por ser o Presidente negro, ok, mas o é, principalmente, porque sua mãe casou-se com um africano e por isso gerou Obama. Depois casou-se com um cara da Indonésia e por isso ela é fantástica! O texto é o da diversidade torta, mas a entrelinha é o depoimento pessoal da mulher branca que supera todos os preconceitos (nutridos pelos seres inferiores) e primeiro casa-se com um africano, depois com um asiático, um indonésio que, via de regra, tem mais melanina do que japoneses, coreanos e chineses. E viva a miscigenação subordinada, a mistura, nome popular e contemporâneo que até hoje não conseguiu provar sua efetividade para os pretos, tampouco diminui os privilégios dos brancos.

Cansada, peço ao garçom o obséquio de uma garapa. Nem Coca, nem Fanta, uma garapa, por favor.

16 de nov de 2013

Mais comentários sobre a abordagem a Lado a lado no livro novo de Cidinha da Silva



"As crônicas de Cidinha da Silva sobre episódios da novela Lado a Lado caminharam livremente e chegaram também até a escola, como rico instrumento pedagógico. Seus textos possibilitaram reflexão sobre as questões históricas entrelaçadas ao enredo da novela; colaboraram para a educação do olhar sobre as relações étnico-raciais que são estabelecidas no Brasil, como também ajudaram no aprofundamento do debate sobre a presença negra na mídia brasileira.No uso competente da palavra, a cronista, de escrita zelosa e bem humorada; leve e acessível, contribuiu, através de seus textos, para que a literatura cumprisse esses multifacetados papéis junto a professores e estudantes. É com muita alegria que como leitora e educadora recebo mais essa publicação de Cidinha da Silva". (Rosa Margarida Carvalho Rocha, Mestre em Educação,Coordenadora do Grupo Gestor de Promoção da Igualdade Racial- GGPIR/SMED/BH).

"Cidinha da Silva, com maestria, em suas crônicas sobre a novela Lado a lado, de Cláudia Lage e João Ximenes Braga, nos surpreendeu com a maneira que, com leveza e lirismo, usava a palavra real que, nunca é suave, para nos fazer refletir sobre a situação dos negros após a abolição da escravatura e também sobre a condição atual do negro no Brasil. Suas crônicas são um descortinar, um abrir as cortinas, a fim de que vejamos pela janela o que acontece fora das telas". (Anderson Feliciano, escritor e dramaturgo).

14 de nov de 2013

Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas: Os Crespos encenam texto de Cidinha da Silva


Dos textos sobre a novela Lado a lado no livro novo de Cidinha da Silva




Noveleira que sou, não me lembro de outra novela como “Lado a lado”. Sua honestidade ímpar, ao tratar de tabus embrulhados há séculos em papel prateado, como a escravidão e as relações raciais, a intolerância religiosa e a desigualdade de gênero, entre outros, foi ao mesmo tempo desconcertante e inspiradora, vigorosa. E ninguém captou isto como a Cidinha da Silva, com seus textos memoráveis, toras de lenha seca na fogueira acesa pelos autores. Este livro não poderia ser mais oportuno. (Junia Puglia, cronista e colunista do blogue Nota de Rodapé).


As impressões de Cidinha da Silva sobre Lado a Lado dão conta da maior virtude do folhetim – afirmar a humanidade que corre por baixo, por cima e através de nossa pele. Contribui com vivacidade para o debate racial ao aproximar a política e a vida cotidiana das personagens e dos leitores. Mas não somente. Demonstra também que ver televisão pode ser muito mais do que querem nos fazer crer. Um leitura saborosa que certamente vai mudar a sua maneira de assistir ao próximo capítulo. (Charô Lastra, arquiteta, facilitadora  do Blogueiras Negras).

13 de nov de 2013

Prorrogadas até 30 de novembro as inscrições para os Editais Palmares 25 Anos


terça-feira by Ascom
Serão prorrogadas até 30 de novembro de 2013, as inscrições para os editais Editais Palmares 25 anos: 3º Ideias Criativas e 1º Imagens da Memória, que têm como foco as ações da cultura afro-brasileira, na valorização da presença histórica da população negra no Brasil e na promoção da resistência cultural negra.
Um total de R$ 2,3 milhões serão investidos em ações para o registro e dinamização das culturas negras brasileiras. Com recurso do Fundo Nacional de Cultura, o 1º Edital Imagens da Memóriapremiará, com R$1,3 milhão, 12 obras audiovisuais que irão captar as narrativas de mulheres e homens negros das comunidades quilombolas, tradicionais de matriz africana e ícones das manifestações culturais afro-brasileiras sobre de temas diversos, adotando as histórias sobre a escravidão como parâmetro prioritário para os registros.
Já a terceira edição do Edital Ideias Criativas, com apoio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, vai destinar R$1 milhão à 38 projetos para elaboração e execução de atividades socioeducativas formativas, assim como para pesquisa produção e publicação de trabalho. As ações devem, principalmente, promover a dinamização, preservação e difusão da memória da população negra no Brasil.

Michelangelo dá um ninja no rio e é capturado

Por Cidinha da Silva


A companheira mais antiga de papai foi encontrada no rio Amazonas da Bolívia. Tem extensos 17 metros e 3 toneladas bem pesadas. Não bastassem as dimensões gigantescas, são quase 500 anos de vida, a quantos equivalerão em sabedoria?

Quanto de solidão abriga aquele casco, duro como rocha, a emparedar (e proteger) a carcaça mole esculpida pelo tempo e alimentada por flores e plantas nativas?

Quanto da mudança do mundo viram aqueles olhos, mesmo escondidos em áreas preservadas da floresta? Quantas lágrimas choraram por índios e negros nas Américas de Colombo? Pela Amazônia brasileira? Pelos povos da floresta?

Diante de tanta solidão no infinito belo e grandioso da natureza, não há respostas, só perguntas.

Lançamento do documentário Sangoma, da Cia Capulanas de Arte Negra


12 de nov de 2013

O texto de Lado a lado e a sublevação do senso comum sobre as assimetrias raciais no Brasil


O capítulo de Lado a lado, veiculado no entardecer do primeiro sábado de março, do ano da vitória de 2013, entrou para os anais da teledramaturgia brasileira. Eram inacreditáveis, insondáveis, imprevisíveis, cenas como aquelas na Rede Globo, onde a liberdade de expressão tem sido tão limitada.

Na primeira cena antológica, Isabel (Camila Pitanga) amparada por Afonso (Milton Gonçalves) conta a Elias (Cauê Campos) que a moça dos doces, sua avó, Constância (Patrícia Pillar) é a bruxa da história. Quando indagada por Elias sobre por que Constância não gostava dela, Isabel diz que era pobre. Elias, o menino esperto, tem resposta para tudo e argumenta que não são mais pobres e que Constância pode ter mudado, ter-se arrependido, faz tanto tempo que ela o roubou da mãe. O diálogo é mais rico e dramático do que esta síntese. A memória recente apagou detalhes, haja vista que a analista foi para o espaço e me tornei simples telespectadora, sem caneta e caderno à mão.

A cena descrita foi muito feliz ao captar a ignomínia do racismo, já anunciada por Isabel em capítulos anteriores. Como é que a mãe explica a uma criança que ela vale menos porque é negra, contrariando todo o empenho dela, a mãe, para tratá-lo como menino especial. Se bem observarmos, Elias e Melissa (Eliz David) vestem-se de maneira diferente de todas as outras crianças do morro, comem outra comida em suas respectivas casas, têm outros hábitos e acessos. Melissa é branca e rica, Elias é como as crianças do morro, mesmo tendo se tornado de classe média.

O novo é a explicitação de que não interessa ter recursos econômicos e simbólicos frente ao racismo, você continua sendo negro e por isso, considerado inferior, manipulável. Elias é aquele que deveria crescer escondido para não envergonhar a família branca da avó. Aquele que não foi assassinado na hora do parto porque num rudimento de humanidade a vilã resolve trocar a criança viva por outra morta, comprada de uma mãe infeliz e miserável qualquer. Isabel, Afonso, tia Jurema (Zezeh Barbosa), Zé Maria (Lázaro Ramos) e o restante do núcleo negro, incluindo as comparsas de Constância, parecem ser os únicos a compreender a monstruosidade da baronesa em toda sua extensão. Ela pagou a alguém para comprar uma criança morta, usada para substituir outra, nascida viva, caso alguém tenha esquecido.

A segunda cena abre com Isabel dizendo ao pai: “negro, porque você é negro! Eu não consegui dizer ao meu filho que a avó o roubou de mim porque ele é negro.” É diálogo de dois negros em carne-viva, dilacerados pelo racismo, o que se ouve a seguir, às sete da noite, como uma lua linda dando o ar da graça pela janela. De quebra, o pai conservador parece compreender que o ofício da filha, de empresária e dona de um teatro, cujas atividades acontecem também à noite, é um trabalho digno.

Noutra cena do capítulo magistral, Laura (Marjorie Estiano) aceita a proposta de Edgar (Thiago Fragoso) de que ela seja a testemunha responsável por reabrir o processo do rapto de Elias, considerando que ela, mulher branca, filha da vilã, ouviu a megera confessar a Isabel e Afonso (dois negros que nada valem e diretamente interessados no litígio) que, realmente, raptara o recém-nascido Elias. Bingo! O mocinho advogado e a mocinha filha da vilã entenderam o papel estratégico que tinham a desempenhar naquela situação. Edgar honra a alcunha de ser um dos melhores advogados do Rio de Janeiro de então e Laura agirá de acordo com sua consciência ética e sua noção imparcial de justiça.

Na última cena do memorável dia, Laura trava luta corporal com a mãe para entregar uma matéria sobre corrupção no Judiciário para o jornal de Guerra (Emílio de Mello). Reportagem assinada por ela, Laura Vieira, não por Paulo Lima, seu fantasma e, ainda melhor, incriminando o promotor Coimbra, responsável pelo arquivamento do processo de Constância mediante polpudo suborno.

Arre Frederico, foi um capítulo de tirar o fôlego. Que os orixás mantenham Ali Kamel em estado hibernal. Caso esteja acordado, pode apenas ser uma no cravo, outra na ferradura. Lógica global, enquanto pipoca a chamada para a próxima novela.

Que Lado a lado crie raízes fortes, floresça e frutifique, pelo menos entre seus seguidores e seguidoras que a tem levado para o debate sobre relações raciais nas escolas públicas, em universidades, em trabalhos de conclusão de curso, artigos, monografias e dissertações sobre mídia e representação social. (CRÔNICA DO LIVRO: RACISMO NO BRASIL E AFETOS CORRELATOS)



11 de nov de 2013

Racismo no Brasil e Afetos Correlatos

 Por Cidinha da Silva


Racismo no Brasil e Afetos Correlatos é o sétimo livro em sete anos de carreira literária.

Três vezes sete são os nomes das mulheres que o abrem. 

É nove, o caminho dele (e da autora) grafado na capa.

Dia 04 a data prevista para o nascimento, nos braços da ventania, entre raios e trovões das águas de dezembro, no porto alegre para o desassossego.

A editora é Conversê, mas é papo reto. Sentiu no ar a potencialidade do projeto, investiu, acreditou e já deu certo. Oyá é por nós!

São 37 crônicas e 17 textos opinativos, todos divulgados previamente pelo blogue http://cidinhadasilva.blogspot.com.br/, que mesmo sendo de navegação pouco ágil, segundo uma especialista homenageada, tem primado em acessos pelo conteúdo.

O tema de fundo é a mídia e a forma como as relações raciais assimétricas são ali estampadas, enraizadas e perpetuadas, mesmo travestidas de roupa nova.

Os vetores de percepção da cronista foram as novelas Lado a lado, Avenida Brasil e o Mensalão; o remake de Gabriela, Salve Jorge, o Esquenta (que não deixa de ser um novelão) e Subúrbia.  Elen Oléria no reality show musical e Joaquim Barbosa na mídia impressa. A cena dos pretos e dos pobres no submundo das celebridades. Michelle e Obama, o casal 21. Os afetos do escravizador pelo escravizado, nas mídias eletrônicas e na PEC das Domésticas.

Deu pano para a manga e a costura está bem feita, limpa, sem fiapos. Agora é entregar o livro aos leitores e  leitoras, à crítica. 

Ogum's Toques Negros - nova identidade visual





#OgumsToques: Nova identidade visual da Editora Ogum's Toques, fruto da mais recente parceria com a Barabô 
Design Gráfico e Editora e seu Diretor de Arte, Dadá Jaques.

Assim como Exu é irmão de Ogun e ambos dominam as encruzilhadas, caminhos e estradas, nossa equipe deseja que o ano de 2014 seja permeado de realizações, beleza, saúde, boas amizades e superação de desafios/ limites. 


Textos de Cidinha da Silva encenados por Capulanas e Os Crespos neste 2013


Filme da querida Carmen Luz


10 de nov de 2013

As grandes damas

                              
 Por Cidinha da Silva

imagem: Renata Felinto
Conversê livraria e editora


São 21 honoráveis senhoras escolhidas para a primeira saudação do livro.

Sueli Carneiro, a que abriu todas as portas com a certeza do ferro, a força do vento, a fluidez da água e o acalanto do mel.

Luiza Bairros, a coroa guardada por sabres e tigres, o coração de água protegido pela muralha de pedras.

Lira Marques, que fazia música com nossos rostos no barro, que grafava a memória ancestral ao queimá-lo.

Nazareth Fonseca, a professora  generosa que acolheu, acalentou e orientou  uma geração inteira de jovens mulheres negras na Belo Horizonte do final dos anos 80 e início dos 90.

Leda Martins, o exemplo.

Inaldete Pinheiro  que quando ouviu a escritora, menina entusiasmada descobrindo o Baobá,  ofereceu-lhe uma muda que há quase 30 anos a espera no Recife.  Quem sabe por esse caule chegou à sua vida  a mais bela flor da rua do cajueiro?

Nô Homero, a amiga do conselho certeiro  “escreva, Cidinha, escreva, não importa que seja só para você!”

Mazza, a primeira editora, aquela que fez o sonho florescer.

Dora Bertúlio e Maria de Lourdes Teodoro, rainhas elegantes.  Esta, de dorso tão esguio, coluna ereta e texto fino, diamante no cascalho da mesmice infecunda. Aquela,  o vernáculo perfeito,  erres profundos, lembrança do canto de Elizeth.

Ana Célia da Silva, a alegria mais sincera com o êxito de seus pares, puro amor fraterno.

Petronilha Gonçalves, a serenidade.

Amélia Nascimento, a que centrou a cabeça e ensinou que ser guerreira pode ser uma marca temporal, não precisa ser uma camisa de força.

Léa Garcia, Vanda Ferreira e Helena Theodoro, gratos encontros cariocas.

Leci Brandão, a força do Ogum que vai à frente e também  guarda as costas.

Zezé Motta, aquela que nos fez acreditar que éramos (e somos) invenções possíveis e poderosas.

Áurea Martins, a voz rouca, firme e afinada, perfeita na extensão delicada do samba-canção que faz adormecer ou acordar, a depender do momento.

Makota Valdina, senhora das terras banto onde descansa a coroa do rei.

Paulina Chiziane, convergência de águas, requinte de linguagem e da tradição que sustenta o poder da renovação. 

9 de nov de 2013

Rosane Borges sobre Racismo no Brasil e afetos correlatos, de Cidinha da Silva

Imagem da capa: Renata Felinto
Conversê livraria e editora


Movimentando-se sobre um largo espectro de temas tão corriqueiros quanto instrutivos, Cidinha da Silva, em Racismo no Brasil e afetos correlatos, concede relevo aos fatos visibilizados pela mídia brasileira com espírito aguçado de cronista irremediavelmente conectada com o seu tempo. De sua perspicácia analítica, sempre magistral e singela, extraem-se desconcertantes lições que descortinam, com vigor renovado, as múltiplas faces do Brasil desenhadas com os traços do racismo, do sexismo e da homofobia. Evitando toda e qualquer avaliação literal sobre esses assuntos, a autora nos confirma o clássico adágio de Dostoievsky: “Deus está no particular”. Rosane Borges, Professora doutora do departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina. 

7 de nov de 2013

Livro novo de Cidinha da Silva, no prelo: Racismo no Brasil e Afetos Correlatos



Em dezembro, águas, palavras.

Ficha técnica:

Editora: Conversê Livraria e Editora (Porto Alegre)
Gênero: crônica e textos opinativos sobre mídia e relações raciais
Capa: Renata Felinto
Revisão: Bebel Nepomuceno
Prefácio: Marcos Fabrício Lopes da Silva
Orelha: Fábio Mandingo
Divulgação: Ogum's Toques Negros

Imagem da capa: Mãe Iansã, de Renata Felinto

6 de nov de 2013

Plantão de dúvidas para os proponentes dos editais "Ideias Criativas (3a edição" e "Imagens da Memória" da FCP-MinC




Às pessoas e instituições interessadas nos editais públicos de projetos culturais alusivos à comemoração dos 25 anos da FCP-MinC, nossos melhores votos de dias bons!


Durante o mês de outubro de 2013, conforme ampla divulgação, a Fundação Cultural Palmares-MinC - Representação São Paulo, realizou 8 oficinas de divulgação dos editais "Ideias Criativas (3a edição)" e "Imagens da Memória" nas cidades de Sorocaba, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Campinas e região metropolitana, além de São Paulo, nas regiões do Centro, Pirituba, Ipiranga e São Miguel Paulista. 

Atingimos cerca de 120 produtores culturais (pessoas físicas e associações / grupos) e cumprimos a meta de maximizar as informações como ferramenta significativa para ampliar democraticamente a participação da sociedade civil nos editais, reverberando positivamente no volume de inscrições, bem como na qualidade dos projetos.

Como etapa final deste trabalho, convidamos as pessoas e instituições interessadas a participarem do plantão para discussão coletiva de dúvidas na redação dos projetos (que a esta altura estão quase prontos, presumimos) que a Representação da FCP-São Paulo realizará dia 11 de novembro de 2013, das 11:00 às 13:00 e das 15:00 às 18:00, no Auditório do MinC (Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos). 

É necessário fazer inscrição. Por gentileza, procurem a técnica Isabela Sela por telefone (11 - 27664300) ou e-mail isabela.sela@palmares.gov.br 

Boa sorte,
Cidinha da Silva
Representante da FCP-MinC em São Paulo

2 de nov de 2013

Os crespos estreiam "Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas", texto de Cidinha da Silva



Cia Os Crespos, novo espetáculo, estreia dia 20/11, na FUNARTE - SP. "Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas." Texto: Cidinha da Silva.


1 de nov de 2013

Cidinha da Silva no II Seminário Institucional Prodocência-Pibid UERJ - Rio de Janeiro



II Seminário Institucional Prodocência-Pibid UERJ

Apropriação e Circulação de saberes no Contexto Escolar:  reflexões sobre a formação docente


05 de novembro de 2013 - Auditório 93 – Bloco F
Das 9:00 às 18:00 h


O II Seminário Institucional Prodocência-Pibid da UERJ objetiva constituir-se como um espaço de aprendizagem para os licenciandos, de formação contínua para professores da escola de Educação Básica e de diálogo múltiplo entre docentes de diferentes Licenciaturas da UERJ, em um contexto de socialização de pesquisas, experiências e reflexões com convidados de outras Instituições de Ensino que trabalham com processos formativos de professores.
O projeto “Interação Universidade-Escola: vivenciando a formação docente” articula um conjunto de atividades, ações e subprojetos na tentativa de aproximar teoria e prática pedagógica, promover a integração entre as Licenciaturas e maior interação entre a UERJ e as escolas públicas de Educação Básica. O projeto integra o Prodocência da CAPES, desde 2010, usufruindo de recursos que auxiliam na montagem e na manutenção de diversos laboratórios de ensino.
O projeto “Saber Escolar e Formação Docente na Educação Básica” promove ações direcionadas para a formação inicial e continuada de professores, por meio da integração entre a universidade e dezesseis escolas públicas da Educação Básica, situadas nos municípios de Itaboraí, São Gonçalo, Mesquita e Rio de Janeiro. O projeto faz parte do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) da CAPES, tendo sido contemplado pelo edital do ano de 2011 e ampliado pelo edital de 2012, perfazendo um conjunto de 13 subprojetos.




INSCRIÇÕES EM MINICURSOS




14:00 às 17:00h – Minicursos
Minicurso 5
“Literatura Negra em Diálogo com a Lei 10.639: o texto além do testemunho”
Cidinha da Silva - Escritora
(Local: 11º andar, bl. F, Salão Nobre)


CONTATOS:
2334-0970 / 2334-0971


ORGANIZAÇÃO

Coordenação do Prodocência-UERJ
e-mail: fatgomes@uerj.br

Coordenação do Pibid-UERJ
e-mail: coord.pibid.sr1uerj@gmail.com


COPEI/SR1/UERJ
e-mail: copei.sr1@uerj.br



Museu para quem?