Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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31 de mai de 2012

Que o céu se mantenha firme!





Texto atribuído ao Subcomandante Marcos, do EZLN - Exército Zapatista de Libertação Nacional, México, julho de 2003. Sem referências à tradução.



"Segundo nossos ancestrais, é necessário sustentar o céu para que ele não caia. Ou seja, não é que o céu não esteja firme, mas sim, que, de vez em quando, fica fraco e quase desmaia e se deixa cair como as folhas caem das árvores, e então acontecem verdadeiras calamidades, porque o mal chega ao milharal, a chuva o quebra todo, o sol castiga o solo, quem manda é a guerra, quem vence é a mentira, quem caminha é a morte e quem pensa é a dor.

Disseram nossos ancestrais que isso acontece porque os deuses que fizeram o mundo, os primeiros, se empenharam tanto em fazê-lo que, depois de terminá-lo, não tinham muita força para fazerem o céu, ou seja, o telhado da nossa casa, e o colocaram assim, do jeito que deu, e então o céu foi colocado sobre a terra como um desses telhados de plástico. Ou seja, o céu não está bem firme, e às vezes, parece que afrouxa. E é necessário saber que, quando isso acontece, se desorganizam os ventos e as águas, o fogo se inquieta e a terra quer se levantar e caminhar sem sossego.

Por isso, os que chegaram antes de nós disseram que, pintados de cores diferentes, quatro deuses voltaram ao mundo e, tornando-se gigantes, colocaram-se nos quatro cantos do mundo para prendê-lo ao céu para que ele não caísse, ficasse quieto e bem plano, para que o Sol, a Lua, as estrelas e os sonhos caminhassem por ele (o céu) sem sofrimento.

Mas aqueles que deram os primeiros passos por essas terras contam também que, às vezes, um ou mais dos pilares, os sustentadores do céu, sonhavam, dormiam ou se distraiam com uma nuvem. Então, o lado do telhado do mundo do pilar adormecido, ou seja, um pedaço do céu, não ficava bem esticado. Ficava frouxo, como se quisesse cair sobre a terra. O caminho do Sol, da Lua e das estrelas já não estava mais plano.

É o que aconteceu desde o início. Por isso, os primeiros deuses, os que deram origem ao mundo, designaram um de seus sustentadores para ficar de prontidão, para ler o céu e ver quando começava a afrouxar. Quando isso acontecer, esse sustendador deve chamar os demais sustentadores para que acordem, voltem a esticar o seu lado e as coisas se acomodem outra vez.
Esse sustentador nunca dorme. Deve sempre estar em alerta e de prontidão para acordar os demais, quando o mal cai sobre a terra. Os mais antigos no passo e na palavra dizem que esse sustentador do céu leva um caracol pendurado no peito e com ele ouve os ruídos e os silêncios do mundo, para ver se está tudo certo, e pelo caracol, chama os outros sustentadores para que não durmam ou para que acordem.

E dizem aqueles que foram os primeiros que, para não adormecer, esse sustentador do céu vai e vem para dentro e para fora do seu coração, pelos caminhos que leva no peito. Dizem aqueles mestres mais antigos que esse sustentador ensinou aos homens e às mulheres a palavra e a sua escrita, porque dizem que, enquanto a palavra caminha pelo mundo, é possível que o mal se aquiete e no mundo tudo esteja certo. Assim dizem.

Por isso, a palavra do que não dorme, do que está de plantão contra o mal e suas maldades não caminha direto de um lado para o outro, mas sim anda rumo a si mesma, seguindo as linhas do coração, e para fora, seguindo as linhas da razão. E dizem os sábios de antes que o coração dos homens e das mulheres tem a forma de um caracol e aqueles que têm bom coração e pensamento andam de um lado para outro, acordando os deuses e os homens para que fiquem de plantão para que esteja tudo certo no mundo. Por isso, quem vela quando os demais dormem usa o seu caracol, e o usa para muitas coisas, mas, sobretudo, para não esquecer."

30 de mai de 2012

Sessão de autógrafos de Cidinha da Silva na Casa das Rosas, dia 9 de junho de 2012

Caras amigas, caros amigos,
Tenho divulgado meus livros em diversos saraus realizados nas quebradas de São Paulo. Dia 09 de junho é a vez da Av. Paulista, Casa das Rosas (Paulista, 37), às 19:00, durante o sarau Femina Arte. Reservem a data e apareçam para conhecer os livros novos e participar do sarau. Espero vê-las/os por lá.

um abraço,
cidinha

O livro Oh, margem! Reinventa os rios! (Selo Povo, 2011) marca o reencontro de Cidinha da Silva com a crônica. Neste sexto livro de sua carreira literária, a escrita ágil, irônica e multifacetada da autora promove sensações diversas em quem a lê, incluindo a reflexão sobre temas como as práticas racistas arraigadas no dia-a-dia das relações humanas no Brasil, assimetrias de gênero e opressão sócio-política. Das crônicas emergem sujeitos dignos, plenos de humanidade que enfrentam (como podem) os dilemas narrativos propostos em situações amorosas, sensuais, futebolísticas e do cotidiano da pobreza, vivida e apresentada com dignidade. Como dito por Paulo Lins, na breve apresentação do livro: "A margem reinventa o rio. Cidinha reinventa a vida. A vida é feita de palavras".

29 de mai de 2012

O homem lésbico - romance de Hélio Santos!




Texto de divulgação

"Um título provocativo é a alcunha dada um herói que permeia a história de doze mulheres de diferentes gerações e épocas. “O Homem Lésbico” (Editora Global, 303 páginas), de Helio Santos, retrata essas trajetórias femininas tão distintas quanto ricas em um romance que discute a relação mulher e homem na sociedade tendo como foco central um tema antigo: o amor dos amantes.

O livro começa no bairro paulistano do Bixiga, na década de 40, passeia pela metrópole, viaja ao Canadá e Inglaterra. São nessas localidades que se espalham as personagens que têm conexão familiar, amorosa ou casual com Victor, o protagonista masculino que exerce fascínio nas mulheres e leitores pelo conhecimento de seu eu feminino – e pelo poder de sedução que isso lhe confere.

“A figura de um homem ‘fêmeo’, porém hétero veio para provocar aquele macho convencional que casa, convive e tem filhos com uma mulher sem se preocupar com seu interior; que admira a geografia feminina sem conhecer de fato aquele ‘mapa’”, explica Helio Santos. “Caso o livro consigo balançar essa postura burocrática e cômoda que a sociedade estacionou, já terá valido a pena passar nove anos trabalhando nele”.

Alguns conceitos instigantes são apresentados ao longo das passagens da obra, como a figura do marido-esgotador que, semelhante a um parasita que se alimenta da energia de outrem, sobrevive exaurindo a energia luminosa de sua mulher. As mais diversas mulheres também tem destaque no livro, da feminista à publicitária, da madame à lavadeira – todas com charme, beleza e complexidade inerentes à condição feminina."

28 de mai de 2012

TV Bandeirantes pode responder na justiça por programa humilhante

Deu no Observatório do Direito à Comunicação
Por Jeronimo Calorio

O caso da repórter Mirella Cunha, do programa “Brasil Urgente Bahia”, da TV Bandeirantes, está na mira da justiça. Após uma onda de críticas nas redes sociais e de manifestações de entidades civis à matéria da jornalista, o episódio pode gerar processos contra a repórter, o programa e a emissora por violar direitos constitucionais e os direitos humanos. A coordenação do Núcleo de Criminal do Ministério Público Federal da Bahia apresentou nesta quarta-feira (23) uma representação pedindo a investigação do caso e a tomada de medidas cabíveis. Já o Ministério das Comunicações eximiu-se da responsabilidade de punir a Bandeirantes.

A reportagem feita dias atrás pela jornalista Mirella Cunha com um rapaz suspeito de crime sexual causou indignação de diversos setores da sociedade. Durante a matéria, feita dentro da 12ª Delegacia de Itapoã, em Salvador (BA), a repórter acusa o jovem de ter tentado estuprar uma pessoa e faz piadas com o fato de o detido ter confundido exame de corpo delito com exame de próstata, além de debochar dos erros de português do acusado. Enquanto a jornalista conversa com o preso, embaixo da tela aparece a frase “Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência”

O procurador Vladimir Aras, autor da representação, alega haver indícios de abuso de autoridade, mau uso da concessão pública por parte da emissora e dano à honra do preso. “Presos tem direitos também, e um deles é a presunção de inocência até ser julgado”, diz o procurador. Ele também aponta para outros riscos subsequentes à matéria veiculada pela Band. “O caso nem foi apurado, mas sabe-se muito bem o que se faz com esses suspeitos na cadeia”, observa Aras, se referindo à violência física, incluindo estupro, comumente exercida contra acusados de violência sexual. A representação foi encaminhada à Secretaria de Segurança do governo da Bahia e ao Ministério Público estadual, que também recebeu denuncias de entidades da sociedade civil a respeito do caso.

O jornalista Pedro Caribé, do Coletivo Intervozes e um dos representantes da sociedade civil no Conselho de Comunicação da Bahia, lembra que casos como esses não são raros, e diz que não só as emissoras, mas também o Estado tem responsabilidade nessa questão. “Esse exemplo espelha bem a relação histórica entre empresas de comunicação e o aparato policial. Ele demonstra como esses parceiros atuam sem controle social devido, passando por cima dos direitos individuais e da Constituição”. Caribé também diz que o Conselho Estadual de Comunicação, implementado há um mês, pode servir como ponte entre esses casos e os entes jurídicos, mas observa que isso é insuficiente. “É necessário uma reformulação no marco regulatório, a fim de facilitar reivindicações da sociedade”, opina.

Em carta manifesto divulgada na terça (22) , diversos jornalistas baianos relembram que, além de violação constitucional, o caso também infringe o artigo 6° do Código de Ética dos jornalistas brasileiros, que diz ser “dever do jornalista: opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”. O documento também denuncia “uma evidente vinculação entre esses programas e o campo político, com muitos dos apresentadores buscando, posteriormente, uma carreira pública, sendo portanto uma ferramenta de exploração popular com claros fins político-eleitorais.”

A grave violação aos direitos humanos identificada por milhares de pessoas, movimentos sociais e órgãos da justiça parece não ter sensibilizado o Ministério das Comunicações, responsável por aplicar sanções aos concessionários de rádio e TV quando cometem abusos. Em nota, a assessoria do Minicom afirmou simplesmente que não cabe ao órgão se posicionar quanto ao caso.

O governo tem respaldo legal para agir, caso tenha interesse. Cabe lembrar que o Decreto Presidencial nº 52.795, de 1963, institui no Art. 28 (incluído em outro decreto de 1983) que cabe as emissoras concessionárias “não transmitir programas que atentem contra o sentimento público, expondo pessoas a situações que, de alguma forma, redundem em constrangimento, ainda que seu objetivo seja jornalístico”. A multa para estes casos chega até 50 salários mínimos.

Recorte social

“Acredito que eles escolhem a nós, negros oriundos da periferia, para suas matérias, pois acreditam que somos ignorantes, e que se ao menos sabemos falar, para eles, não saberemos nossos direitos”, denuncia Enderson Araújo, diretor do grupo Mídia Periférica, um dos organizadores do twitaço realizado essa semana em protesto contra o episódio. O procurador Vladimir Aras concorda com a análise fazendo uma comparação com a cobertura da mídia em relação ao caso Carlinhos Cachoeira. Segundo ele, o caso do bicheiro também há um interesse público em interrogar o suspeito, mas seus direitos foram resguardados. “Enquanto um aparece na TV respondendo apenas o que lhe convém, o outro é exposto algemado”, compara ele.

Já a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em nota , declarou que "programas policialescos, irresponsáveis e sensacionalistas não podem ser tolerados pela sociedade por se travestirem de produções jornalísticas. Na verdade, estes programas ferem os princípios e a ética do Jornalismo e configuram abuso das liberdades de expressão e de imprensa, por violarem os direitos constitucionais da cidadania". A Fenaj ainda defende a aplicação de medidas cabíveis aos profissionais envolvidos, mas também aponta para a "necessidade de responsabilização das empresas da mídia, que definem os formatos de seus programas e os impõem aos profissionais e ao público".

Apesar da grande visibilidade atingida pelos manifestos feitos pelas redes sociais Twitter e Facebook, Enderson reconhece a importância de se tomar medidas reais. Ele aponta como uma das possíveis ações a realização de audiências públicas sobre esse tipo de programa, além da intenção de ajudar o jovem acusado. “Ele cometeu um crime sim, mas não sabemos a realidade deste jovem, nem podemos julgar, como fez a repórter. Vamos tentar ressocializá-lo, para que ele volte à sociedade”.

26 de mai de 2012

Ministra da Igualdade Racial representa o governo brasileiro na I Cúpula sobre a Diáspora em Johannesburgo




Deu no portal Áfricas

Johannesburgo, maior cidade da África do Sul, sedia até amanhã (25), a I Cúpula Africana Global sobre a Diáspora. Participam do encontro Chefes de Estado e de Governo do Caribe, da América do Sul e Latina, além de representantes da diáspora africana. A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, representa o governo brasileiro na Cúpula, que será concluída com a divulgação de uma Declaração e de um Programa de Ação com propostas de cooperação entre os países participantes.
A abertura do evento terá pronunciamentos do presidente do Benin e da União Africana, Thomas Boni Yayi, do presidente da África do Sul, JG Zuma, e de representantes da Diáspora Africana. A solenidade terá também uma breve exposição sobre a Integração da Diáspora no Continente como homenagem ao Dia da África.
A cúpula é motivada, entre outras razões, pela necessidade de estabelecimento de parcerias entre o continente africano e sua Diáspora por meio do diálogo sustentável e efetiva colaboração entre os governos e povos de diferentes regiões do mundo. O encontro considera a necessidade de celebrar e preservar a herança compartilhada entre a África e os povos de ascendência africana na Diáspora, bem como a premência de conferir uma correta perspectiva à história africana.
25 de Maio
Não por acaso, a Cúpula acontece em 25 de maio - Dia da África. A data marca a criação, em 1963, da Organização de Unidade Africana (OUA), principal defensora da causa africana a nível mundial. Em 2001, na Líbia, estadistas reunidos na V Cimeira Extraordinária da OUA, proclamaram a fundação da União Africana (UA). Justificou-se o ato pela necessidade de acelerar o processo de integração regional; promover e consolidar a unidade do continente; fomentar a união, a solidariedade e a coesão; eliminar o flagelo dos conflitos; e habilitar a África a fazer face ao desenvolvimento político, econômico e social da ordem internacional.
África
Com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados e mais de 800 milhões de habitantes em 54 países, a África é o segundo continente mais populoso e mais extenso do planeta, ficando atrás apenas da Ásia. Sua população representa cerca de um sétimo do contingente populacional do mundo. Semelhante ao Brasil, cinco dos países de África foram colônias portuguesas e usam o português como língua oficial: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
O idioma, entretanto, não se constitui em única semelhante entre países africanos e o Brasil. Similaridades culturais, históricas e sociais revelam heranças de africanidade na identidade dos brasileiros, que são mais de 50% afrodescendentes.

Não quero tchu, nem quero tcha! Quero Jessye Norman!

Não quero tchu, nem quero tcha! Quero Jessye Norman! "Quero música que não faça cera e que apure minha audição." http://www.youtube.com/watch?v=8bsvJfPyB5o&feature=related


25 de mai de 2012

Cidinha da Silva autografa Oh, margem!Reinventa os rios! no Sarau da Quebrada, em Santo André. Domingo, 27/05, ás 18:00.







Ponto de Cultura - Mistura e Gingada
Associação dos Moradores do Jardim Santo André.
Avenida 1 de dezembro, S.N - Santo André, SP.

24 de mai de 2012

Não nos enganemos: o que lastreia as aparentes vitórias nas redes sociais é ação política concreta nas ruas e junto aos órgãos concernentes ao tema em questão


Por: Cidinha da Silva

Mesmo que o sol não brilhe forte na manhã de hoje, amanhecemos radiantes com o fato de defensores públicos baianos terem visitado Paulo Sérgio Silva Sousa na cadeia, para saber como ele está (e para dar os encaminhamentos cabíveis para um acusado em situação de vulnerabilidade), depois de ter sido julgado, humilhado e torturado pela patricinha Mirela Cunha, codinominada repórter de um canal de TV.

Além de termos visto pelas imagens discriminatórias divulgadas na Internet que se trata de um jovem negro, os defensores públicos nos apresentam uma figura humana com as seguintes características: é réu primário, vive nas ruas desde criança, apesar de ter residência, tem 6 irmãos, é analfabeto e já vendeu doces e balas no transporte público de Salvador. É, portanto, diferente do personagem monstro-imbecilizado criado pela patricinha.

Como nem tudo são flores, também na manhã de hoje, ficamos sabendo que o Ministério Público Federal em Uberlândia, Minas Gerais, arquivou o procedimento administrativo que apurava uma suposta ocorrência de discriminação racial no clipe da música “Kong”, do pagodeiro Alexandre Pires. A conclusão é que a presença dos gorilas estaria relacionada a aspectos da sexualidade e não a referências raciais.

Nos dois casos, na vitória (parcial) e na derrota, as redes sociais tiveram papel fundamental na mobilização da opinião pública, chegando a forçar, no caso de Kong- Pires, que a rede de poder Globo se posicionasse em nome da manutenção do estado de coisas que subalterniza as pessoas negras no Brasil (Pires-kong em depoimento de defesa no Fantástico). Mas foi só a mobilização! A ação concreta se deu junto ao Ministério Público Federal, com agentes nominados envolvidos, a saber: SEPPIR, grupos e associações de jornalistas, ONGs, defensores públicos que cumprem seu papel constitucional. É essa ação concreta que consubstancia as ações de mobilização protagonizadas por indivíduos, cronistas, blogueiros/as e facebookianos/as.

É preciso que exista gente, muitas vezes anônima (o anonimato de quem está imbuído de um compromisso maior), que lança mão do telefone para contatar pessoas e instituições competentes, que possam encaminhar os processos rumo à solução que nosso senso de justiça deseja. É preciso que as pessoas usem ônibus, trem, metrô, carro e até avião, para se deslocar até os órgãos adequados. É preciso estar nas ruas, como esteve o pessoal da Primavera Árabe, do movimento Ocupe Wall Street, como a moçada corajosa que escrachou torturadores da ditadura militar brasileira por todo o país, em março/abril de 2012.

As pessoas que estiveram nas ruas materializando a mobilização das redes sociais durante a ocupação do Wall Street, dormiram em barracas, enfrentaram o frio e a chuva, tiveram dificuldade para usar banheiros, apanharam da polícia, foram presas, deixaram os familiares preocupados com sua segurança e integridade física e, noticiaram cada passo pela Internet. Ao ver a ação política desses protagonistas pela Web, muita gente foi checar in loco do que se tratava. Ao perceber a firmeza de princípios e o destemor daqueles jovens, ações satélites aconteceram: teve gente que foi levar café, refrigerante, cobertores, sanduíches e diversas outras formas de solidariedade para aquelas que ocuparam Wall Street, concretamente. A estupidez da polícia contra os/as manifestantes foi divulgada nas redes sociais e atraiu mais solidariedade e, finalmente, a mídia hegemônica voltou seu olhar viciado para aquela intervenção política fora dos padrões e a coisa ganhou visibilidade globalizada.

Isso tudo para corroborar o argumento de que ninguém ocupou Wall Street pelo lap top. A ocupação não foi virtual, foi humana e teve gente que ficou impossibilitada de digitar porque teve dedos quebrados por porretes ou patas de cavalos.
Está certo que a gente precisa de alegria, que precisa achar que faz algo para mudar o status quo e que dá certo, mas daí a achar que a simples manifestação de opinião pela Internet derruba ditadores ou faz com que uma rede de televisão escolha um bode espiatório para demitir, é um equívoco, no mínimo. Se centenas, milhares de anônimos não tivessem morrido nas praças, a Primavera Árabe não teria acontecido.

Existem instituições que garantem ou deveriam garantir nossos direitos e nos cabe demandá-las. Se não nos cuidarmos, daqui a pouco acharemos que o cyberativismo é a panacéia para todos os problemas do mundo e estabeleceremos mais um culto ao indivíduo e ao individualismo, facilmente manipulável.

Investigação sobre racismo no clipe Kong de Alexandre Pires é arquivada por ausência referências racistas



O Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia arquivou o procedimento administrativo que apurava uma suposta ocorrência de discriminação racial no clipe da música "Kong", do cantor Alexandre Pires. Ainda segundo o MPF, a decisão se baseou no entendimento de que a presença dos gorilas estaria relacionada a aspectos da sexualidade e não a referências racistas.

O MPF informou, também, que não requisitou a instauração de inquérito policial por não ter vislumbrado crime a ser apurado, uma vez que não há na conduta de Alexandre Pires a prática, indução ou incitação de discriminação ou preconceito de raça ou cor, seja através da letra ou do vídeo da música Kong.

No dia 26 de abril a ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), órgão da Presidência da República denunciou que "o vídeo utiliza clichês e estereótipos contra a população negra" e que "reforça estereótipos equivocados das mulheres como símbolo sexual". Após a denúncia, o cantor Alexandre Pires esteve em Uberlândia no dia 3 de maio para prestar depoimento ao Ministério Público. Na ocasião, o cantor disse que o conteúdo era desprovido de menções racistas ou sexistas.

Segundo o procurador da República Frederico Pellucci, que investigou o caso, a utilização da figura do macaco como expressão preconceituosa em relação à população negra não foi intencional. Ainda de acordo com Pelluci, embora historicamente a relação homem-macaco seja utilizada para desumanizar o negro, não se pode concluir que qualquer trabalho de expressão que invoque a figura do macaco (gorila) tenha, desde sempre, esse objetivo.

A letra da música do cantor Alexandre Pires bem como as cenas do videoclipe foram analisadas por Frederico Pellucci, que entendeu que “não se pode dizer que a letra da música ou o videoclipe tiveram a intenção de atacar quem quer que seja, mas sim apresentar-se de maneira descontraída e bem-humorada, não cabendo entrar na discussão quanto ao bom ou mau gosto na escolha das respectivas expressões e cenas”, disse.

O procurador também descartou a atuação quanto ao conteúdo sexista do videoclipe de Alexandre Pires. Para ele, “a presença de mulheres de biquíni no vídeo e letras de música sugestivas de movimentos sexuais povoam diuturnamente a mídia brasileira, não se podendo dizer que o fenômeno Kong desborde da rotina a qual nos submetem os meios de comunicação nesse particular”.

Defensoria apura situação de jovem entrevistado por repórter da Band



Por Cathy Rodrigues/Jornalista

Estiveram presentes hoje (quarta-feira), na 12ª Delegacia Circunscricional de Polícia de Itapuã, em Salvador, os defensores públicos Fabiana Miranda e Rodrigo Assis para acompanhar o caso do acusado de assalto e estupro Paulo Sérgio Silva Sousa, de 18 anos. O fato está sendo apurado em ação penal que tramita na 8ª Vara Crime. Ao ser entrevistado por uma repórter do programa “Brasil Urgente Bahia”, da Rede de TV Bandeirantes, o jovem nega o estupro. No entanto, a reportagem, a jornalista afirma que ele “não estuprou, mas queria estuprar”, em seguida, o ridiculariza por confundir exame de corpo de delito com exame de próstata, ele chora e ela o chama de estuprador.
O caso ganhou repercussão nacional desde ontem (terça-feira), contudo, o acusado foi preso no dia 31 de março e, desde então, está preso na Delegacia de Itapuã. A entrevista em questão foi realizada dois dias após sua prisão. De acordo com a defensora pública e subcoordenadora da Especializada de Proteção aos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado da Bahia, Fabiana Miranda, os direitos da personalidade são essenciais à vida humana e visam a preservação de sua dignidade, bem jurídico inerente ao ser humano. “A honra e a imagem são direitos da personalidade, sendo inatos, inseparáveis da pessoa, não podendo o ser humano se privar deles”, declarou.
Ainda de acordo com a defensora pública, a reportagem utilizou a imagem do acusado para humilhá-lo, achincalhá-lo, expô-lo ao ridículo, apenas com o intuito de utilizá-lo em uma tentativa de angariar audiência, de forma sensacionalista, às custas da violação da sua dignidade: “A repórter não se limitou ao dever de informar, atingiu cabalmente a honra, a dignidade e a imagem do detido”.
O detido já conta com a assistência jurídica, o que deslegitima a Defensoria Pública da Bahia a adotar qualquer medida. “Viemos aqui para ver as condições em que se encontra Paulo Sérgio e oferecer nossos serviços, pois a Defensoria é uma instituição que está a disposição de todo cidadão em situação de vulnerabilidade. Outra questão importante é que não é possível conceber a devida justiça neste caso sem uma ação por danos morais. As imagens confirmam o abuso no exercício da informação e da manifestação do pensamento da repórter. A reportagem violou a Constituição Federal em seu inciso artigo 5º, inciso X”, afirmou o defensor público Rodrigo Assis.
Paulo Sérgio é réu primário, vive nas ruas desde criança, apesar de ter residência em Cajazeiras 11. Tem seis irmãos, é analfabeto e já vendeu doces e balas dentro de ônibus. Ao ser questionado sobre como se sentiu durante a entrevista, ele diz: “Eu me senti humilhado, porque ela ficou rindo de mim o tempo todo. Eu chorei porque sabia que ali, eu iria pagar por algo que não fiz, e que minha mãe, meus parentes e amigos iriam me ver na TV como estuprador, e eu sou inocente”.

23 de mai de 2012

Repórter da Bandeirantes, Mirella Cunha, é processada pelo Ministério Público Federal na Bahia


O Núcleo Criminal do Ministério Público Federal na Bahia representou à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, do próprio MPF/BA, para que sejam adotadas as medidas cabíveis contra a repórter Mirella Cunha, do programa Brasil Urgente, transmitido pela filiada baiana da TV Bandeirantes. Por Felipe Roussolet / Revista Fórum

Há alguns meses, a jornalista entrevistou um suspeito de roubo e estupro e o ridicularizou por confundir o “exame de corpo de delito” com o exame de próstata, além de pré-julgar o suspeito como culpado dos crimes imputados a ele. O vídeo foi divulgado (blog do Rovai) depois do alerta do Fabrício Ramos, via Facebook, e em menos de 24h adquiriu repercussão nacional, levando a TV Bandeirantes a condenar, em nota oficial, a atitude da repórter.

De acordo com a representação, o vídeo mostra indícios de violação de direitos constitucionais do preso. O procurador da República, Vladmir Aras, que é o coordenador do Núcleo Criminal do MPF/BA, também encaminhou a representação à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado da Bahia; à 2ª Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília, e à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), para que cada um destes órgãos adote as providencias de acordo com suas atribuições.

A representação também foi encaminhada à Defensoria Pública da União, para ciência, e eventual exercício de suas atribuições na tutela do entrevistado, e à produção do Brasil Urgente para que preserve a fita bruta (sem edição) do programa e a encaminhe ao MPF no prazo de cinco dias.

Para Aras, na entrevista há indícios de abuso de autoridade, de ofensa a direitos da personalidade, bem como possível descumprimento da Súmula Vinculante 11 do Supremo Tribunal Federal, que limita uso de algemas a casos excepcionais.

O procurador também solicitou a Secretaria de Segurança Pública da Bahia que informe se há algum regulamento quanto à proibição de exposição de presos a programas como o Brasil Urgente, dentro das delegacias de Salvador, e também que remeta ao Ministério Público Federal uma cópia do auto de prisão do entrevistado.

(Felipe Roussolet) / Revista Fórum


Tomada de posição coletiva no caso da entrevista-tortura ao jovem negro acusado de estupro

Alô, alô pessoal de Salvador, local onde foi veiculada a entrevista-tortura de jornalista racista ao jovem negro Paulo Sérgio, preso por furto e acusado de estupro! Haverá um encontro para tomada de postura coletiva, exigência de direitos e punições cabíveis à suposta jornalista. Atenção!!! QUINTA FEIRA, DIA 24/05, ÀS 14:00, NA CASA DO OLODUM!

Boa análise do caso ocorrido num canal de TV baiano, em que a jornalista branca julga, humilha e tortura jovem negro preso por furto e acusado de estupro



Deu no blogue do Jornalismo B
A violência eufemismada de jornalismo: “Paulo Sérgio, estuprador”


Em vídeo postado recentemente no YouTube, a repórter Mirella Cunha, do Brasil Urgente Bahia, ataca um garoto negro preso por furto e acusado de estupro. Quando ele diz que não houve estupro, a repórter não pergunta, mas afirma e acusa: “não estuprou, mas queria estuprar”. O garoto, negro e desdentado, machucado por ter sido agredido pelos dois homens que o prenderam – o que a repórter em momento algum chega a questionar – garante que a polícia pode fazer os exames necessários e comprovará que não houve estupro. A partir daí, a repórter passa cerca de dois minutos não fazendo nada mais do que debochar do fato de o acusado não saber o nome do exame a que deveria submeter-se. Debocha, inclusive, quando ele cita “exame de próstata” como o que deveria ser feito. Ela insiste, sorri, dá risada e continua pedindo que ele diga o nome do exame. Enquanto isso, a legenda chama de “chororô” a alegação de inocência.


A análise da conjuntura geral da mídia brasileira, somada aos preceitos constitucionais e aos direitos universais da humanidade é a forma mais completa e complexa de demonstrar a necessidade absoluta de regulação da mídia brasileira, partindo-se de um novo marco para a comunicação no país. Mesmo assim, alguns exemplos tornam mais palpável essa necessidade. Se muitos deles partem de temáticas político-institucionais, alguns surgem da “base”, em notícias relacionadas ao cotidiano de pessoas que a classe média brasileira insiste em não enxergar.

O programa Brasil Urgente é recheado desses exemplos. Ocupando os finais de tarde na Band, esse programa é dedicado, basicamente, à cobertura policial. Afora o fato de que esse tipo de programação reforça e alimenta a violência de que, por sua vez, também sobrevive, a forma pela qual as notícias são abordadas é um deboche à inteligência do povo brasileiro e às instituições democráticas que pretendem defender o respeito a preceitos básicos de qualquer democracia, como a presunção de inocência. Que respeito uma emissora que veicula um programa como esse demonstra ter pela população brasileira?



O que temos ali, além de preconceito, covardia e desumanidade, é tortura. Mirella tortura o acusado durante três minutos. Tortura verbal, não física, mas não menos humilhante. É a espetacularização da notícia, o circo dos horrores em rede nacional. Nada de notícia, nada de informação, nada de prestação de serviços, nada de interesse público.

Criminalização da pobreza, preconceito social – ou racial, como escreveu Cristóvão Feil –, homofobia e desconstrução das políticas públicas de saúde preventiva – nas piadas sobre o “exame de próstata” -, acusação sem provas, ridicularização da imagem privada. De tudo isso pode-se acusar Mirella, e está tudo ali, no vídeo. Tudo isso é motivo mais do que suficiente para que seu registro de jornalista – caso tenha um – seja cassado, assim como é motivo para que o programa da Band seja imediatamente retirado do ar – até porque está longe de ser a primeira vez em que situações desse tipo são provocadas pelo Brasil Urgente em todo o país.

O “mercado” não irá regular esse tipo de barbaridade – no sentido último do termo, de ação de barbárie – e um espaço público, como uma concessão de televisão, não pode ser usado dessa forma. É, portanto, o governo federal e o Poder Legislativo quem têm o dever de impedir que essa bestificação da população brasileira – tanto da audiência quanto dos “personagens” envolvidos nas reportagens – tenha continuidade. Tudo isso foi feito utilizando-se de uma concessão pública, ou seja, o poder público brasileiro assina embaixo de tudo o que a “repórter” colocou, assim como assinam embaixo a Band, seus diretores de jornalismo e todos os patrocinadores do Brasil Urgente. São estes os responsáveis por essa violência eufemismada de jornalismo.

22 de mai de 2012

O "paliativo" essencial





Artigo da Ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, para o jornal Correio Braziliense, em 19/05/2012

O debate sobre políticas de ação afirmativa tal como se conhece hoje teve início em 29 de novembro de 1983. Nessa data, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o parecer do relator, deputado Elquisson Soares, pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do Projeto de Lei nº 1.332/1983.

O projeto, de autoria do deputado Abdias Nascimento, definia um conjunto de medidas de natureza compensatória, no mercado de trabalho e na educação, e previa cotas para mulheres e homens negros. Um dos marcos mais ostensivos do debate que se estenderia para décadas seguintes acabou arquivado, mas o pioneirismo do mandato de Abdias fez avançar a Constituição de 1988 em muitos aspectos.

Em novembro de 2001, após a Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, com destacado protagonismo brasileiro, a Assembleia Legislativa fluminense aprovou o sistema de cotas no acesso à Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a qual foi seguida por dezenas de instituições de ensino superior em todo o país. Ainda em dezembro de 2001, o Supremo Tribunal Federal (STF) lançou edital para a contratação de empresa jornalística, incluindo cota (20%) de jornalistas negros.

Nas três últimas décadas, com grandes mobilizações nacionais, passamos pela denúncia do racismo e das desigualdades raciais, pela disputa acirrada sobre a legitimidade das ações afirmativas e avançamos para as políticas de inclusão da população negra, em especial na educação superior.

A audiência pública realizada pelo STF, em março de 2010, antecedeu em dois anos a histórica decisão unânime de seu plenário, favorável à constitucionalidade das ações afirmativas para negros. Uma decisão longamente amadurecida que se permitiu considerar diferentes argumentos, os avanços da consciência social e a sedimentação das experiências dos últimos 10 anos no Brasil.

Por isso, diante de um processo com tal duração e presença na dinâmica do país, impressionam comentários veiculados pela mídia, após a decisão do STF. Na contramão das avaliações positivas de nossa experiência com as ações afirmativas, situam-se os que ainda as veem como "importação dos Estados Unidos", os que, contra toda a evidência, mantêm inalteradas suas previsões catastróficas. Para negar a decisão do STF, vale, como recurso argumentativo, negar a realidade brasileira!

Também importa considerar que se as ações afirmativas, como alguns ainda insistem, não passam de um "paliativo", então, como explicar reação tão prolongada contra uma medida que estaria apenas encobrindo e dissimulando, sem atacar, o mal que se precisa combater?

Nenhuma medida paliativa motivaria discursos desafiadores tanto da decisão unânime do STF, quanto das evidências do real. Tal desproporção faz supor que a luta travada nos últimos anos, em toda sua densidade, abalou de algum modo os pilares da injustiça e das desigualdades no Brasil.

A leitura atenta dos votos do STF, um exame crítico do que têm a dizer os protagonistas e estudiosos das ações afirmativas, forneceria avaliação isenta. Convém lembrar que o preconceito é o maior obstáculo para que os críticos dessas medidas reconheçam esse passado recente de paulatina inclusão, ao qual o futuro do Brasil se vincula. A verdade dos fatos é que, assim como em diferente momento na história do Brasil, abrem-se oportunidades de acesso a outros grupos excluídos na esteira das conquistas da população negra.

A declaração de constitucionalidade das ações afirmativas pelo STF cria fundadas expectativas de que entramos em um novo tempo. É imperativo que os governos federal, estaduais e municipais elevem as políticas de inclusão a outro patamar, fortalecendo nosso processo democrático. Afinal, já se passaram 124 anos desde o fim legal da escravidão.

I WANASEMA, no Rio de Janeiro


21 de mai de 2012

Lançamento de OH, MARGEM! REINVENTA OS RIOS! no Sarau da Quebrada, em Santo André, dia 27/05, às 18:00




A associação dos Moradores do Jardim Santo André, onde está localizado o Ponto de Cultura Mistura e Gingada está reinaugurando o seu espaço. Depois de uma longa reforma, enfim, as portas estão abertas!!!
E para iniciar a festa com grande estilo. Nesse domingo, dia 27/05/12, teremos a “2° Saraivada”. Uma série de coisas em torrente. Um verdadeiro desencadeamento de poesia, música, feijoada, lançamento de livros, e futebol.
Para que você entenda a 2° Saraivada será assim:

9:00h - Abertura com uma Partida de Futebol, com times formados pelos moradores do Jardim Santo André e adjacências .

12:00h- Almoço – uma deliciosa Feijoada , feita pelas mulheres e homens da Comunidade do Jardim Santo André.No valor de R$10,00 reais.

13:00h - Feijão com música , lançamento do Grupo Recomeço , que trará em seu repertório muito samba de raiz , pagode, e chorinho.

16:00h -Cine pipoca infantil e Fantoche .

18:00h –Lançamento do livro : Oh, margem !Reinventa os Rios! de Cidinha da Silva .Livros à venda no local.

Cidinha da Silva é prosadora.

Tem dois livros de histórias curtas publicados pela Mazza Edições: "Cada Tridente em Seu Lugar" (2007, 3a edição) e "Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor!" (2008). Também a novela juvenil, "Os nove pentes d'África" (2009).

Publicou em 2011: "Kuami" (romance infantil, Nandyala); "O mar de Manu" (conto, Kuanza Produções) e "Oh, margem! Reinventa os rios" (crônica, Literatura Marginal).

No total há 23.000 exemplares de seus livros individuais circulando por mãos e estantes.

Participa da coletânea "Questão de pele", organizada por Luiz Ruffato para a editora Língua Geral, com o texto "Dublê de Ogum".

É uma das 100 autoras e autores afrodescendentes, cuja obra foi analisada na coletânea “Literatura e Afrodescendência: antologia crítica” (Org. Eduardo Assis, Editora UFMG, 2011).


19:00h-Sarau na Quebrada, com a participação do grupo Zambas

Ao todo são 12 horas de muita diversão!!! Participe da nossa Festa!Compareçam!!

* Incentive a cena local.Compre Livros.Vá aos Shows e os Saraus!*

Endereço :Rua A ,Jardim Santo André - Santo André - SP
Pegar no centro o b-47 sentido Vila Luzita , descer próx. do local.

20 de mai de 2012

Não vi Pelé jogar, mas vejo Luiza Bairros fazendo o nosso jogo!





''Negros têm de ser prioridade no Brasil sem Miséria''

Deu em O Estado de S.Paulo, por Roldão Arruda

Os negros e os pardos constituem a maioria (70,8%) da população de 16,2 milhões de miseráveis que o programa Brasil Sem Miséria pretende beneficiar. Para a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, tal constatação, anunciada na semana passada, deveria levar os mentores do programa, a ser lançado nos próximos dias, a explicitar que seu alvo principal é a população negra. A decisão contribuiria para focar as ações, orientar agentes sociais e atrair um segmento populacional que acredita "muito pouco" na capacidade do poder público de lhe oferecer atenção.


Em entrevista ao Estado, a ministra defendeu a permanência de cotas raciais nas universidades e a sua extensão a concursos públicos, como forma de superar os efeitos de séculos de exclusão. Para ela, o Brasil precisa superar a tendência de achar natural a pobreza entre negros: "Existe o pressuposto, alimentado pelo racismo, de que os negros são pessoas sem capacidade, sem força de vontade".

No dia do 123.º aniversário da Lei Áurea, que oficialmente pôs fim à escravidão no País, a ministra diz que o Brasil ainda tem muito a mudar, mas já pode comemorar o fato de cada vez mais negros brasileiros assumirem a cor de sua pele, como demonstrou o último censo.

A senhora tem sido ouvida nas conversas sobre o programa Brasil Sem Miséria, que deve ser lançado nos próximos dias?

Participamos de reuniões com o Ministério do Desenvolvimento Social. A nossa preocupação foi sempre no sentido de que se deve ir além do diagnóstico de que os negros constituem a maioria dos miseráveis. Para nós, o fato de a maioria dos miseráveis identificados pelo governo serem negros tem que ser traduzido nas ações do programa. Sugerimos que seja explicitado que as categorias que serão prioritariamente beneficiadas são formadas por pessoas negras. É importante deixar isso explícito, considerando que existe certa tendência no Brasil de se naturalizar a presença de negros na condição de pobreza. Ela não causa estranheza porque existe um pressuposto, alimentado pelo racismo, de que os negros são pessoas sem capacidade e sem força de vontade, além de uma série de outras imagens negativas.

Pode dar um exemplo de como essa explicitação seria útil?

Podemos citar o caso das ações específicas que o programa terá para a agricultura familiar, setor no qual existe a tendência a se esquecer o negro. O agricultor familiar não é associado ao trabalhador negro e, por isso, é preciso deixar claro à pessoa que trabalha no programa que está procurando comunidades negras rurais, quilombos, e que é isso que vai encontrar. Se a gente nomear, o programa também fica mais evidente para quem se deseja atingir. Essa recomendação tem a ver com o que aconteceu com a adoção de cotas para negros nas universidades.

O que aconteceu?

À medida que ficou evidente a intenção de se democratizar o acesso à universidade pela via da inserção de estudantes negros, ocorreu uma reação positiva no meio da juventude negra, que passou a se inscrever no vestibular - coisa que não fazia antes, porque a universidade não era para ela. Por isso, o programa de combate à miséria deve deixar explícita a vontade de incluir segmentos até agora esquecidos e que acreditam muito pouco na capacidade do poder público de olhar para sua situação.

As cotas têm sido muito criticadas. Como vê essa reação?

Era esperada, porque a sociedade conviveu por muito tempo com a desigualdade e, como já disse, passou a achar natural. O que sustenta a permanência da desigualdade racial no Brasil é justamente o fato de pessoas acharem que negros e brancos não são iguais, que não têm a mesma capacidade. Sob esse ponto de vista é mais fácil manter a sociedade do jeito que sempre foi do que criar condições para mudanças. O que deve ficar evidente, por outro lado, é que estamos passando por processos de transformação profundos. O fato de o último censo demográfico ter demonstrado que a população negra ultrapassou a metade do total de brasileiros é emblemático.

Por quê?

Porque demonstra a mudança de mentalidade. Os analistas do censo perceberam que houve um aumento em todas as faixas etárias de pessoas que se declararam negras. Isso ocorreu até com pessoas que haviam declarado outra coisa em 2001. É uma mudança que contraria todos os prognósticos feitos no início do século 20. A aposta era de que a população negra desapareceria, por meio da miscigenação, embranquecimento e de outros caminhos.

Existem coisas para serem comemoradas neste 13 de Maio?

Na questão racial, a cada patamar alcançado aparecem novas contradições. É por isso que muitas vezes surge a sensação de que continuamos no mesmo lugar. Hoje, ao mesmo tempo que celebramos o fato de a população negra constituir maioria no Brasil, convivemos com esse cenário no qual mais de 70% dos miseráveis são negros.

Existem problemas também para os negros em situação econômica melhor. Na iniciativa privada, ganham menos e enfrentam maiores dificuldades.

Ainda não temos um levantamento de todos os efeitos das ações afirmativas no ensino superior, mas já sabemos que há uma quantidade de pessoas negras com título universitário muito maior do existia há dez anos. E agora? Se você cria estímulos, agora tem que assegurar a inserção no mercado de trabalho, de modo compatível com a formação que se adquiriu.

A elevação do grau de escolaridade ocorreu no meio de toda a população mais pobre. Por que desenvolver políticas específicas para negros, em vez de garantir boa inserção para todos?

Porque sem políticas específicas não se consegue produzir resultados na rapidez ideal. A grande questão é diminuir a desigualdade. Com todo o investimento que se fez em educação, ainda existe uma diferença de cerca de 1,8 ano de estudos entre negros e brancos.


QUEM É

Gaúcha de Porto Alegre, é doutora em sociologia. Mudou-se para a Bahia em 1979, quando passou a militar no movimento negro. Atuou na conferência mundial contra o racismo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e trabalhou no Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional, na implementação do programa de combate ao racismo.


19 de mai de 2012

Simonal in concert!






Ouvi muito algumas músicas do Simonal, dentre elas a que segue, "Meu limão, meu limoeiro" , para criar o clima de "Wilson Simonal de Castro", crônica presente no livro OH.. MARGEM! REINVENTA OS RIOS! Ouço-a com freqüência e sempre penso no que é ser uma pessoa negra vitoriosa no mundo dos brancos. Penso nos amigos artistas negros que, em represália ao mundo negro que não compreendeu/reconheceu sua genialidade, nadam nas águas possíveis que os brancos lhes oferecem ou que conquistam nesses mares. Não sei o que é o melhor para os outros (o mundo negro ou o branco), sei que cada um faz as opções mais convenientes e compatíveis com seus princípios e valores. O que penso está no texto, na leitura que faço da derrocada de Simonal.


Wilson Simonal de Castro

Por Cidinha da Silva

Quando perguntado se o sucesso o tinha deixado mascarado, Simonal respondeu: “Eu sempre fui mascarado!” Um preto que diz ao mundo, - eu sou e me basto - é um preto condenado à morte.

O homem que encontrava problemas raciais apesar de se chamar Wilson Simonal de Castro e declarava isso antes de cantar um hino a Martin Luther King Junior, é um negro que sabe de si. De Castro, porque Simonal era corruptela de Simonar, sobrenome do médico que ajudou a sustentar sua família, por suposto, mal entendido pelo tabelião no momento de registrá-lo.

Um negro sabedor de si incomoda muita gente. Se, além disso, for sofisticado, incomodará muito mais. Se fizer dueto com Sara Vaunghan, se cantar samba de um jeito diferente e apaixonante, se interpretar Tom Jobim como se a música do maestro houvesse sido composta para a voz dele, se levar 40, 60, 80 mil pessoas no Maracanãzinho ao êxtase, cantando afinadamente, Meu limão, meu limoeiro, sob a regência de Simonal, um preto mascarado, incomodará ainda mais. À direita porque domina a massa, à esquerda porque diverte a massa.

Os midiáticos Cassetas disseram que Simonal, o rei do suingue, caiu no ostracismo porque não teve jogo de cintura. Conclusão torpe. A rima é outra, ele sucumbiu por racismo e é lógico, contribuiu pessoal e enfaticamente para o previsível desfecho da história com sua arrogância de preto bem sucedido, cercado de brancos, traído pela altura do Kilimanjaro.

Rei iludido, blefou ao dizer-se apadrinhado pelos milicos da ditadura. Achou que a afirmação teria o efeito cândido da amizade nutrida pelo sargento da polícia militar da esquina, com quem crescera. Rei refratário a entender como funciona a política, cavou a própria cova, enfeitiçado pelo sucesso celebrativo. E todos, a direita, a esquerda, a imprensa, a platéia branca magnetizada e os artistas concorrentes já tinham as pás de cal para enterrá-lo.

Ninguém sabe o duro que você deu, meu velho, mas a inveja dos 320 shows por ano te derrubou. Você, como definiu alguém, não se achava o rei da cocada preta, você era o rei! Mas não podia esquecer que preto na platéia de sua apresentação consagradora na Record, só mesmo Gilberto Gil, extasiado, seguindo suas ordens de regente.

A vida não foi suave contigo, Simonal. Mas você também errou, meu rei! Sentou-se à mesa de garfo e era dia de sopa! Esqueceu-se que era um preto reinando entre brancos.

http://www.youtube.com/watch?NR=1&feature=endscreen&v=uvEq8ElHvho

18 de mai de 2012

Oito Estados poderão ter Comissões da Verdade locais

Deu em O Globo, por Juliana Castro e outros

"Pelo menos oito estados brasileiros podem ter suas próprias comissões da verdade para investigar crimes de violação dos direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985). Propostas para a criação de grupos com esta finalidade tramitam em seis assembleias legislativas: Rio, Santa Catarina, Goiás, Pará, Bahia e Espírito Santo. Em Pernambuco, o projeto já foi aprovado pelos deputados e encaminhado para a sanção do governador Eduardo Campos. São Paulo é a única unidade da federação com uma comissão já formalizada.
Ao contrário da Comissão Nacional da Verdade, que investigará crimes entre 1946 e 1988, a maioria dos projetos de lei nos estados foca na apuração de casos ocorridos durante o regime militar (1964-1985).

Em São Paulo, a Comissão da Verdade foi criada em dezembro do ano passado. O primeiro caso a ser analisado pelos deputados paulistas será o de Rubens Paiva, político e engenheiro preso e morto pela Ditadura Militar em 1971. Vera Paiva, filha de Rubens, dará um depoimento à comissão.

As circunstâncias sobre a tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog, do estudante Alexandre Vannucchi e de outros mortos e desaparecidos durante o regime já estão na pauta.
- Podem surgir mais coisas. Desde o dia 1º de março, quando iniciamos os trabalhos, estamos recolhendo documentos – disse Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo.
O deputado diz que houve pressão do governo estadual paulista para restringir o período analisado pela Comissão da Verdade criada pelo Legislativo. A comissão paulista vai investigar casos de desrespeito aos direitos humanos entre 1964 e 1982.
- É um certo receio porque persistiu no governo do Franco Montoro, eleito democraticamente em 82, um órgão policial que fazia investigação política. Era a Delegacia de Comunicação Social (DCS) que não fazia a repressão como o DOPS, mas fazia investigação política. Eu, por exemplo, fui investigado – diz Adriano, autor do requerimento que criou a comissão.
Para o deputado, o governo Montoro foi democrático e respeitou os direitos humanos, mas, ainda assim, seria importante que a investigação se prolongasse para auxiliar a Comissão Nacional.
- Todo nosso trabalho será repassado para a comissão nacional. A busca é pela veracidade dos fatos.
À reportagem do GLOBO, a assessoria de imprensa do governador Geraldo Alckmin (PSDB) negou a interferência do Palácio dos Bandeirantes e disse que a Assembleia tem total autonomia para discutir o assunto. O líder do governo na Alesp, deputado Samuel Moreira (PSDB), disse que Diogo está sendo injusto e que a questão do período analisado pela Comissão da Verdade foi discutido pela Casa diversas vezes, sem objeções.
— Ele está sendo injusto, não está sendo verdadeiro. O projeto teve alterações, sem manifestação ou objeção de qualquer deputado, inclusive dele (Diogo) próprio. Houve concordância, até para homenagear o espírito democrático do próprio governo Montoro. E o governo atual em nada influenciou. A Assembleia tem total autonomia para discutir o assunto — salienta Moreira.
A comissão é integrada por seis deputados de diversos partidos e terá também assessores. O único já nomeado é o ex-preso político Ivan Seixas, cujo pai, David dos Santos Araújo foi morto pela ditadura.
Comissão em Pernambuco terá 9 membros com salário de R$ 5,5 mil
Em Pernambuco, o projeto de lei que dispõe sobre a criação da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara foi enviado ao Legislativo pelo governador Eduardo Campos em março deste ano. A proposta passou por duas votações - a última ocorrida na segunda-feira - e seguiu para a sanção do governador. No estado, os nove membros do grupo receberão mensalmente pouco mais de R$ 5,5 mil, valor correspondente à metade da remuneração paga por mês aos integrantes da Comissão Nacional da Verdade.
Os projetos são iniciativas espontâneas das unidades da federação e não foram uma determinação da lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff que criou a Comissão Nacional da Verdade. O número de integrantes nos grupos dos estados varia entre cinco e nove. A exemplo da comissão empossada na quarta-feira pela presidente, os textos preveem dois anos de funcionamento para os grupos de trabalho. Todos os projetos em tramitação - e os textos já aprovados - estabelecem que as investigações nos estados serão remetidas à Comissão Nacional da Verdade. Cada unidade da federação que aprovar a proposta vai apurar a violação de direitos humanos ocorridas contra qualquer pessoa em seu território ou contra seus cidadãos, ainda que fora do estado, durante a ditadura.
Muito parecidos entre si, os projetos estabelecem ainda que os membros das comissões poderão requisitar dados e documentos de órgãos e entidades do Poder Público, mesmo os sigilosos, convocar pessoas, além de poder determinar a realização de perícias e diligências para coleta ou recuperação de informações.
No Rio, o projeto de lei prevê a nomeação de sete membros para a comissão e não dispõe sobre a remuneração dada mensalmente a eles. O valor ficará a cargo do Executivo, caso o governador Sérgio Cabral sancione a proposta. O texto já foi aprovado na primeira votação, no final de abril. Como houve emendas, o projeto voltou às comissões e deve entrar em pauta para uma segunda votação. Se aprovado, o texto segue à sanção do governador."




Novo 'Catálogo da Terra inteira', Facebook faz das pessoas marqueteiros de si mesmos



Por Marion Strecker
De San Francisco, Califórnia


"A escravidão voluntária que multidões dos quatro cantos do planeta prestam ao Facebook está transformando o serviço numa espécie de catálogo da Terra inteira. Senão da Terra, ao menos dos terráqueos.

Cada brasileiro com acesso à internet gastou em média 7 horas, 50 minutos e 26 segundos no Facebook em abril passado. Nenhum outro site consome tanto tempo do público brasileiro quanto o Facebook, que lidera esse ranking desde agosto de 2011. 78,5% dos que usam a internet no país usam também o Facebook.

Nem era preciso consultar o Ibope. Basta ficar no Facebook certo tempo para saber quão viciante o serviço pode ser, trazendo de volta pessoas do passado, abrindo contato com parentes desconhecidos, novos contatos, transformando seres humanos que riem e que choram em seres humanos que quase apenas riem, porque se tornaram marqueteiros de si mesmos.

O Facebook é o serviço em que as pessoas fazem broadcast de suas vidas, ou ao menos da parte que interessa divulgar. Muitos se iludem achando que é uma boa forma de manter o contato com amigos e familiares, para quem sabe um dia descobrir que aquele contato superficial, à base de textos curtos e fotos escolhidas a dedo, pode esconder a possível ausência de um relacionamento inteiro, verdadeiro e de carne e osso. Afinal, o dia continua a ter apenas 24 horas.

Sejamos honestos. Será que você realmente sabe o que está se passando com pessoas que importam para você ao restringir seu contato com elas ao Facebook?


O catálogo foi publicado regularmente entre 1968 e 1972. Ainda está disponível na Internet, em PDF, no Twitter e em outras versões. Veja aqui.

Steve Jobs era um fã ardoroso, chamava de uma das bíblias da sua geração e chegou a defini-lo como “um tipo de Google” de 35 anos atrás, num discurso que deu na vizinha universidade Stanford em 2005.

“Nós somos deuses e é melhor nos acostumarmos com isso”, escreveu Stewart Brand na abertura do primeiro número, em 1968. Em plena contracultura, enquanto os hippies cultuavam abstrações nas vizinhanças, Stewart Brand levantou a bandeira de que dar poder às pessoas era dar a elas conhecimento, especialmente técnico e prático. Bem no espírito americano do “faça você mesmo“.

Ainda na abertura da primeira edição, Stewart Brand questiona os ganhos reais obtidos pela sociedade via sistema político, grandes empresas, educação formal e Igreja. Defende devolver o poder ao indivíduo, para que este conduza sua própria educação, encontre sua própria inspiração, moldada pelo seu ambiente, para depois dividir sua aventura com quem se interessar. “Ferramentas que ajudem esse processo são buscadas e promovidas pelo Catálogo da Terra Inteira”, anunciou.

Foi Stewart Brand quem persuadiu a Nasa a liberar a primeira foto do planeta Terra. Aquela memorável bola de mármore azul se tornou a capa do catálogo. E Stewart ainda está na ativa, pensando grande e longe, fazendo maluquices como o Relógio do Longo Agora, que está sendo construindo num lugar remoto do Texas para funcionar por pelo menos 10 mil anos, medindo anos, séculos e milênios em vez de medir horas, minutos e segundos.

Há uma fundação e um museu chamados The Long Now, em San Francisco, Califórnia, com maquetes e protótipos.

Enquanto não sabemos qual será o longo agora do Facebook, é bom lembrar que Stewart, ali na mesma Menlo Park, ajudou a definir o mundo do compartilhamento da informação e do trabalho colaborativo como conhecemos hoje com a internet.

Assim como Mark Zuckerberg, com seu moletom de capuz e suas sandálias de plástico de natação, ajudou a modificar o mundo da comunicação."

15 de mai de 2012

Valeu, Marcelo Rubens Paiva!

Deu no Estadão

Sensação estranha essa.

O que você faria se soubesse do endereço do militar responsável pela tortura e morte do seu pai?

E que ele circula pelo bairro livremente?

Soube hoje pelo vídeo postado no Youtube que um dos responsáveis pela morte do meu mora na Rua Marques de Abrantes, Botafogo, zona sul carioca, em que passo direto, sem nunca ter me dado conta de que no 218 mora a figura que mudou a vida da minha família e trouxe tanto sofrimento para nós e muitas outras famílias.

O que vou fazer a respeito?

Nada.

Vou esperar que a Comissão da Verdade faça.

Nem desviarei do meu caminho. Nunca desviei.

O vídeo foi postado pelo movimento Levante Popular da Juventude:

http://www.youtube.com/watch?v=jf_9AaTywVM&feature=player_embedded

Que promove o esculacho a torturadores e agentes da repressão suspeitos em todo o país; os esculachos [ou escrachos] são ações similares às promovidas na Argentina e no Chile, em que jovens fazem atos de denúncias e revelações de torturadores da ditadura militar que não foram presos ou julgados.

No início de abril, um protesto semelhante foi realizado em São Paulo contra Harry Shibata, médico que teria atestado o suicídio do jornalista Vladimir Herzog, em 1975.

No manifesto do grupo:

“Os manifestantes apoiam a instalação da Comissão da Verdade, cobram a localização e identificação dos restos mortais de desaparecidos políticos e exigem que os torturadores sejam julgados e punidos.

Os jovens condenam a movimentação dos setores conservadores dentro e fora das Forças Armadas, que não aceitam a democracia e não admitem a memória, a verdade e a justiça, desrespeitando a autoridade da presidenta Dilma Rousseff e ministros de Estado, como no manifesto “Alerta à nação”.

Por isso, os jovens saem às ruas para denunciar a impunidade de torturadores e criminosos da ditadura com o objetivo de sensibilizar a sociedade e garantir que a Comissão tenha liberdade para fazer o seu trabalho e alcance seus objetivos.”

No dia 26 de março, o movimento fez protestos em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belém e Curitiba contra agentes da ditadura suspeitos de torturaram, mataram, perseguiram militantes.

E segundo matéria no ESTADÃO de hoje, de João Coscelli:

Manifestantes fazem uma nova rodada de “esculachos” contra torturadores e agentes ligados à ditadura segunda-feira, 14, em cidades de 12 Estados do País. Os protestos ocorrem poucos dias depois de a presidente Dilma Rousseff nomear os membros da Comissão da Verdade, destinada a esclarecer casos de violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.

No Guarujá, litoral de São Paulo, cerca de cem pessoas protestaram em frente ao prédio onde mora tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) como torturador. Membros do grupo Levante Popular da Juventude, que organiza os atos, afirmaram ter recebido informações de que o ex-militar, chamado de “torturador pra presidente Dilma”, estaria em casa, mas ele não se manifestou. O protesto teve início às 10h e durou uma hora.

Em Belo Horizonte, o alvo do esculacho foi João Bosco Nacif da Silva, médico-legista da Polícia Civil da ditadura, que teria atestado uma laudo médico de suicídio para um prisioneiro torturado em uma delegacia da capital mineira em 1969. Cerca de 50 pessoas compareceram em frente ao prédio do médico com cartazes denunciando sua participação na repressão. De acordo com um dos manifestantes, Nacif da Silva se exaltou e tentou agredi-los, o que motivou o encerramento precoce do ato. A Polícia Militar apenas acompanhou a ação.

O grupo também promoveu manifestação em frente à residência do general da reserva José Antônio Nogueira Belham, denunciado como torturador do militante Rubens Paiva. Belham, que atualmente mora na zona sul da capital fluminense, foi o chefe do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) do Rio durante a ditadura.

Na capital baiana, quem recebeu o esculacho foi Dalmar Caribé, cabo do Exército acusado de ser o responsável pelos assassinatos dos militantes Carlos Lamarca e Zequinha Barreto. Em Recife, o desembargador aposentado Aquino de Farias Reis, ex-delegado do Dops também foi alvo de manifestação.

Houve protestos também em Teófilo Otoni (interior de Minas), João Pessoa (Paraíba), Belém (Pará), Aracaju (Sergipe), Fortaleza (Ceará) e em Natal (Rio Grande do Norte).

Bacana. Criativo. Justo.

Obrigado, garotada.

A família agradece.

14 de mai de 2012

I WANASEMA - FESTIVAL INTERNACIONAL DE DIÁLOGOS ARTÍSTICO-INTERCULTURAIS - Encontro da literatura negro-brasileira com a literatura moçambicana


Por Ricardo Riso





Dia 23 de maio, das 17h às 21h

LOCAL: RENASCENÇA CLUBE - Rua Barão de São Francisco, 54 - Andaraí - Rio de Janeiro



Inscrições gratuitas!

Os participantes que realizarem previamente suas inscrições pelo e-mail wanasemafestival@ymail.com receberão Certificado de Participação.





"Hoje a cidade do Rio de Janeiro apresenta-se com enorme destaque no cenário mundial em virtude de eventos que ocorrerão nos próximos anos, tais como a Rio +20, a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas, para além dos diversos movimentos de remodelação e desenvolvimento para a cidade adaptar-se da melhor maneira e receber numerosa quantidade de turistas jamais presentes.

No aspecto cultural torna-se necessário a retomada de debates de cariz intelectual a respeito das questões que envolvem os negros na sociedade brasileira, e na carioca em particular. Esses debates desenvolvem-se gradativamente na esfera acadêmica e ampliam as discussões das lutas antirracistas para um espaço ainda relutante ao embate étnico-racial. Entretanto, sentimos o momento propício para expandir essas inquietações para além das universidades e trazê-las para tradicionais espaços de resistência negra carioca, tal como o RENASCENÇA CLUBE e promover uma parceria com a sua área cultural visando apoiar o Projeto de Memória, colaborando de forma objetiva na produção e preservação de atividades artísticas, que salvaguardam seus 61 anos de resistência na tradição da cultura afro brasileira, em conformidade com o Decreto 3551/00, retoma as suas atividades culturais, as quais prestigiam ilustres artistas e intelectuais negros e negras de diversas áreas no consagrado espaço do samba.

As matrizes culturais negras encontram na resistência do Renascença Clube o espaço de exposição e disseminação dessas manifestações de cultura tradicional, popular e oral negra, tendo no samba a sua principal representação. Esses bens intangíveis enquadram-se na definição de patrimônio imaterial, transmitido de geração em geração e ininterruptamente recriado e apropriado por indivíduos e grupos sociais como fundamentais elementos de sua identidade. O patrimônio imaterial está expresso nos artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988: “Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. Ressalte-se que esta definição é consonante ao texto da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, ratificada pelo Brasil em 1° de março de 2006.

Por outra vertente, a Kitabu Livraria Negra, já com cinco anos de existência e resistência, presta sua contribuição para a valorização do patrimônio imaterial desenvolvido nas produções acadêmicas de docentes de diferentes áreas do saber que ganhou inestimável estímulo com a promulgação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008. Com um acervo dedicado às temáticas afro-brasileira e africanas, a Kitabu fornece, principalmente, material didático-pedagógico para a formação dos profissionais de Educação, assim como livros na área de Literatura, História, Antropologia etc.

Com a perspectiva de associar os artigos 215 e 216 da Constituição Federal e as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 que propomos a parceria Kitabu Livraria Negra eRenascença Clube para a realização do I WANASEMA – Festival Internacional de Diálogos Artístico-Interculturais, Encontro da Literatura Negro-Brasileira com a Literatura Moçambicana. Wanasema possui o sentido de ‘eles falam’, ‘eles dizem’conversa’ na língua swahili, e é com este intuito que teremos a participação de artífices da literatura negro-brasileira e da literatura moçambicana. Para o primeiro encontro, que também celebrará o Dia da África (25 de maio), visto que simboliza a luta dos povos do continente africano pela sua independência e emancipação, e representa a data da Libertação da África. Os negros do Brasil e do mundo celebram a oportunidade de medir os progressos, as dificuldades e as obras realizadas no continente conhecido como berço da humanidade, idealizamos uma troca de experiências das tessituras literárias negro-brasileira e moçambicana, dos caminhos da crítica literária de dois segmentos à margem do cânone literário estabelecido e ainda estigmatizados: a literatura negro-brasileira e as literaturas africanas de língua portuguesa, representada pela literatura de Moçambique. Na ocasião, os autores lançarão suas obras mais recentes e haverá uma feira de livros. Frisa-se a pertinência da presença de Moçambique, já que o país passará a presidir os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP’s) a partir de 2012.

Com a participação dos moçambicanos Aurelio Furdela (poeta e contista), Lucilio Manjate (romancista e doutor em Literatura/Universidade Mondlane) e Sangare Okapi (poeta), escritores revelados neste século XXI; e Éle Semog (poeta e ensaísta), Lia Vieira (poeta e contista), entre outros escritores como representantes da literatura negro-brasileira, procuraremos desvendar os rumos convergentes e divergentes dessas literaturas, os percursos e os desafios para publicação e divulgação de obras em nossos países, as polêmicas com a crítica literária canonizada e a inserção dessas literaturas no universo acadêmico, entre outros assuntos.

O Wanasema pretende ser um espaço para fomentar a reflexão dos percursos do passado, do presente e do futuro do(a) Negro(a) no Brasil, nas Américas e na África, as encruzilhadas de ontem e de hoje, com a apresentação de debates que estimulem os diferentes olhares da produção negra nas mais diversas áreas culturais, tendo em vista os espaços ainda restritos para as discussões negras tanto na sociedade civil quanto nas universidades."



OBJETIVOS GERAIS:

- promover o intercâmbio entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOPs);

- proporcionar o encontro de autores, pesquisadores e público interessado na temática, por conseguinte, fortalecer a construção de espaços de saberes fora da academia;

- estimular a periodicidade de eventos literários e/ou culturais entre os artistas negro-brasileiros com artistas africanos e da diáspora africana;

- promover feira de livros negro-brasileiros e africanos.





OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

- apresentar ao público participante os novos artífices da literatura moçambicana;

- iniciar troca de experiências entre os escritores dessas literaturas;



DATA DO EVENTO:

23 de maio de 2012, com início às 17h e término do evento às 22h.



INSCRIÇÕES:

Gratuitas e por e-mail do evento - wanasemafestival@ymail.com.

blog wanasemafestival.blogspot.com



PALESTRANTES:

AURÉLIO Manuel FURDELA é membro efetivo da Associação dos Escritores Moçambicanos – AEMO. Publicou De Medo Morreu o Susto (contos, 2003), Gatsi Lucere (texto dramático, 2005), e O Golo que Meteu o Árbitro (contos, 2006). Está antologiado em Lusofônica La Nuova Narrativa in Língua Portoghese (2005).

Assinou no jornal “Desafio” a coluna “Foradijogo” e colaborou, como dramaturgo e actor, no programa de teatro radiofônico da Rádio Moçambique “Cena Aberta”, para o qual escreveu cerca de 25 peças originais.

É Prêmio Revelação de Ficção AEMO/ICA (Instituto Camões), 2002; Prêmio Revelação de texto dramático AMOLP/ICA, 2002; Prémio Nacional de Teatro UNESCO/Ministério da Cultura, 2002; e Prêmio Revelação da Revista TVZINE, 2003.

Atualmente escreve uma telenovela e prepara a publicação da sua quarta obra. É Administrador da AEMO e graduando em História.



LUCÍLIO Orlando MANJATE é membro efetivo da AEMO. Publicou manifesto (contos, 2006), Os Silêncios do Narrador (romance, 2010) e O Contador de Palavras (contos, 2012).

Co-organizou as antologias de contos Esperança e Certeza 2 (AEMO – 2008) e Era uma vez... (AEMO – 2009).

É Prêmio Revelação Bienal TDM – Telecomunicações de Moçambique, 2006, e Prêmio Literário 10 de Novembro (da Cidade de Maputo), 2008.

É editor da revista de artes e letras Proler, do Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, ensaísta e docente na Universidade Eduardo Mondlane.



CARDOSO Lindo CHONGO (SANGARE OKAPI) é membro efetivo da AEMO. Publicou a seguinte obra poética: Inventário de Angústias ou Apoteose do Nada(2005), Mesmos barcos ou Poemas de Revisitação do corpo (2007) eMafonematográfico também Círculo Abstracto (2012). Está antologiado na revista brasileira Poesia Sempre, 2007.

É co-autor da antologia de contos Era uma vez... Co-produziu e encenou a peça “Pereto di Onti”, distinguida com mérito no Festival Regional de Teatro Amador Zona Sul, organizado pela Casa da Cultura do Alto-Maé, 1996.

É Prêmio Revelação de Poesia AEMO/ICA, 2004, Menção Honrosa do Prêmio Revelação Rui de Noronha/FUNDAC, 2002, e Menção Honrosa do Prêmio Nacional José Craveirinha, 2008. É professor de Língua Portuguesa.



ÉLE SEMOG, pseudônimo de Luiz Carlos Amaral Gomes, militante do movimento social negro. Na década de 1980 participou da fundação do jornal Maioria Falantee do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, onde também foi presidente. Atualmente é membro do Conselho Executivo do Instituto Palmares de Direitos Humanos.

Na literatura, fundou os grupos Negrícia - Poesia e Arte de Crioulo e Bate Boca de Poesia. Organizou o I e o III Encontro de Poetas e Ficcionistas Negros Brasileiros. Escritor e ensaísta, de sua obra, citamos: O arco-íris negro (coautoria com José Carlos Limeira, 1979), A cor da demanda (poesia, 1997), Tudo que está solto(poesia, 2010), Abdias Nascimento, o griot e as muralhas (coautoria com Abdias Nascimento, ensaio, 2006). Presente em diversas antologias no Brasil e no estrangeiro, integra diversas edições de Cadernos Negros e está em Literatura & Afrodescendência (2011), organizada por Eduardo de Assis Duarte.



LIA VIEIRA, pseudônimo de Eliane Barbosa Vieira (1958), escritora e ativista do movimento negro feminino, é doutoranda em Educação pela Universidade Estácio de Sá, em convênio com a Universidade de Havana. É presidente da Associação de Pesquisa da Cultura Afro-Brasileira (ASPECAB). Estreia na 14ª edição de Cadernos Negros, desde então participou de diversas edições, entre outras antologias. De sua autoria são: Eu mulher – mural de poesia (1990), Chica da Silva (2001) e Só as mulheres sangram (contos, 2010).



PROGRAMAÇÃO:

17h – 19h - Poesia do Atlântico e do Índico

19h – 21h - Narrativas de lá e de cá


13 de mai de 2012

Sobre a herança da branquitude e as cotas

Por Alex Castro

"A História ainda é uma bola de ferro que os descendentes dos escravos arrastam pelos tornozelos. Os efeitos nocivos da escravidão continuam afetando os bisnetos de suas vítimas diretas.

Eu (n.1974) cursei o ensino fundamental no Colégio Santo Agostinho, o médio na Escola Americana do Rio de Janeiro e, depois, História no IFCS/UFRJ (’99) porque meu pai cresceu em Botafogo, fez o ensino médio no Colégio Andrews e se formou bacharel em Economia (’70) pela mesma UFRJ.

Meu pai (n.1946) estudou na UFRJ porque meu avô estudou engenharia no Instituto Eletrotécnico de Itajubá, atual Universidade Federal de Itajubá (’38) e trabalhou durante muitos anos para a Chesf (Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco), inclusive nas obras do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso.

Meu avô (n.1909) foi engenheiro porque meu bisavô (n.1876) saiu do Mato Grosso (onde seu pai, veterano do Paraguai, estava servindo desde a guerra) pra estudar no Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde foi comandante-aluno de 1897, depois formando-se engenheiro militar, participando do episódio dos 18 de Forte e reformando-se coronel.

Em 1888, com 12 anos de idade, meu bisavô estudava na capital do Império, em um dos melhores colégios públicos do país, com bolsa integral, soldo e emprego garantido após a formatura.

Se, ao invés disso, nesse mesmo ano, ele tivesse sido libertado (leia-se posto pra fora de casa) com a roupa do corpo, analfabeto e despreparado, sem conhecer pai e mãe, desprovido de qualquer poupança ou bens*, teriam seus descendentes estudado nas melhores escolas e universidades do país e feito parte da elite brasileira?

Sem esse capital socio-econômico e cultural acumulado pelo meu bisavô em 1888 (para não irmos mais longe), onde teria ido parar a cadeia de acontecimentos que desembocou na minha vida? Estaria eu, nesse momento, sadio e medindo 1,80m, cursando um doutorado em Nova Orleans e escrevendo essas linhas? Dentre minhas realizações, quantas são exclusivamente por mérito meu e quantas são consequência direta da vida privilegiada que eu e meus antepassados levamos? Que tipo de dívida EU tenho com as pessoas que não tiveram tanta sorte? Será ético simplesmente dizer “sorte minha, azar deles, e foda-se, hoje já nivelou tudo e no vestibular todos têm chances iguais”?

Dado que os efeitos nocivos da escravidão ainda se fazem sentir na pele dos descendentes das vítimas, não é tarde demais para serem indenizados pelo Estado.

E as cotas são um bom começo."

12 de mai de 2012

A verdade para quem mais precisa da verdade

Emir Sader, na Carta Maior:


"O poeta alemão Bertold Brecht, em seu texto “As dificuldades para dizer a verdade” enumera uma série dessas dificulades, até concluir pela última e mais importante: fazer chegar a verdade para quem mais precisa da verdade.

Como disse a Presidenta Dilma no seu histórico depoimento no Senado, na ditadura não há verdade, só mentira. A verdade só pode existir na democracia, porque é objeto da livre vontade das pessoas de dizer as coisas como realmente säo.

O Brasil tinha uma dívida com sua democracia: dizer a verdade do que aconteceu quando a democracia foi violentada, saqueada, sangrada, por militares golpistas e por todos os que os apoiaram e se beneficiaram da aventura ditatorial. A transição democrática necessita, para se completar, da versão oficial do que realmente aconteceu quando foi instaurado o pior momento da história republicana do Brasil.

A aprovação da Comissão da Verdade - e agora a nomeação dos membros que a compõem, - coloca a democracia brasileira em condições de conhecer a verdade do que foi feito, em nome do Estado brasileiro, durante a ditadura. Como, alguns valendo-se da força selvagem, em nome dos supostos interesses da “segurança nacional”, usurparam o Estado e todo seu poder – de armas a impostos, de capacidade de espionagem à de assassinato e desaparição dos corpos das vítimas, de cerceamento da verdade e imposição da mentira – liquidaram a democracia a duras penas construída pela cidadania e impuseram o reino do terror durante mais de duas décadas no Brasil.

Precisam da verdade, antes de tudo, as vítimas e seus familiares, que têm o direito de saber o que foi feito, quais os responsáveis por tudo o que foi feito em nome do Estado brasileiro contra os que resistiam à ditadura militar. Precisam saber o destino dos seus seres queridos, encontrar seus corpos e dar-lhes a respeitosa sepultura, honrando-os para sempre como mártires da luta pela democracia no Brasil.

Precisam da verdade os meios de comunicação que não se vergaram à convocação ao golpe militar, ao apoio ao terrorismo de Estado – a sua quase totalidade naquele época -, para cumprirem com seu dever democrático de dar a informação veraz dos fatos e resgatar a liberdade democrática a toda a informação, conspurcada por órgãos de imprensa que se dobraram diante do regime de terror, prosperaram com ele e se fizeram seus porta-vozes.

Precisa da verdade, sobretudo, a democracia, que só pode existir quando passa a limpo o que foi feito dela, em nome supostamente da sua defesa. Precisa da verdade, porque a democracia só existe com a verdade e a transparência.

Os membros da Comissão da Verdade nomeados pela Presidenta Dilma tem todas as qualificações e as condições de resgatar a verdade para a democracia brasileira e podemos estar certo que farão isso. O Brasil sairá melhor do seu trabalho, que merece todo o apoio, porque a democracia não tem medo da verdade e só existe plenamente na verdade".

11 de mai de 2012

Ministra Luiza Bairros fala ao UOL sobre o caso Alexandre Pires e seus kongs

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, considera que o fato de as imagens do clipe de divulgação da música “Kong”, do cantor Alexandre Pires, ser em tom de brincadeira “agrava ainda mais a situação”. A Procuradoria Geral da República de Uberlândia (MG) investiga denúncia de suposto racismo na música.

“É preciso considerar que a figura do macaco tem sido, historicamente, a mais utilizada para inferiorizar, desumanizar a pessoa negra, particularmente o homem. É disto que se trata o racismo - de desumanização”, afirmou a ministra à reportagem do UOL.

A ministra citou casos recentes, como a discriminação de um músico em um show de humor em São Paulo, da atendente de um cinema em Brasília, “sem contar o que acontece frequentemente com jogadores de futebol e outros atletas negros”.




Alexandre Pires se diz 'chocado' com acusação de racismo em clipe
Ministério Público abre investigação para apurar suposto racismo em música de Alexandre Pires
“O fato de as imagens do videoclipe passarem um clima de brincadeira só agrava mais a situação”, acrescentou. Na opinião de Luiza de Bairros, no Brasil “há uma tendência de que o racismo seja praticado com máscara de brincadeira inocente”, o que dificulta a percepção de quem é discriminado e livra a prática da reprimenda social.

“Este caso nos obriga a lidar com certo 'jeitinho brasileiro' de manter o racismo existindo sem, no entanto, responsabilizar pessoas ou instituições por atitudes racistas”, disse.

A denúncia de racismo referente ao videoclipe, que conta com a participação do jogador Neymar e do funkeiro Mr. Catra, de homens fantasiados de gorilas e mulheres seminuas próximas a uma piscina, foi encaminhada à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, pelo Observatório do Racismo Virtual. O documento defende que o clipe tem conteúdos “comprometem as lutas do movimento negro na superação do racismo e no movimento das mulheres na superação do sexismo”.

Luiza Bairros explicou que, além do Ministério Público Federal, também receberam os ofícios a gravadora Sony Music, a Polícia Federal e as ouvidorias da Secretaria de Políticas para as Mulheres. “Cabe ao Ministério Público Federal convocar os envolvidos e decidir se há conteúdo racista no videoclipe ou não”.

Até o momento, o procurador da república Frederico Pelucci, responsável pelo caso, ouviu apenas o cantor Alexandre Pires. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal, o caso ainda está em processo de apuração e não há previsão de quando os demais envolvidos serão convocados para prestar depoimento.

Em nota, o cantor disse que se sentia profundamente chocado com qualquer leitura racista ou sexista no videoclipe. “Não me consta que meu histórico deixe alguma dúvida sobre o meu respeito à mulher ou ao negro, e a edição deste filme em nenhum momento faz brotar qualquer insinuação similar”.

A Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial contabiliza a abertura de procedimentos administrativos referentes a 254 denúncias de racismo apresentadas entre janeiro de 2011 e março de 2012. Segundo a ministra, todas as denúncias foram encaminhadas aos órgãos competentes para análise e providências cabíveis. “Geralmente, o acompanhamento dos casos é feito até o momento da propositura da ação judicial ou do arquivamento da denúncia”.

Sobre o cenário brasileiro com relação à discriminação racial, Luiza Bairros disse que “ainda há muito que andar”. “Mas o cenário atual é de crescente consciência de que temos que mudar as mentalidades. Temos que abrir o acesso a oportunidades para todos os grupos raciais.”

9 de mai de 2012

Cidinha da Silva em Belo Horizonte, dia 12 de maio de 2012


Palestra e Bate-papo com Cidinha da Silva

Horário:14:00
Local: PUC Barreiro-Auditório, Av. Afonso Vaz de Melo, 1.200 - Barreiro de Baixo/BH



Sarau de Poesias
Coletivoz convida Sarau Vira Lata + Cidinha da Silva

Horário: 15:30
Local: PUC Barreiro-Espaço de Convivência, Av. Afonso Vaz de Melo, 1.200 - Barreiro de Baixo/BH

8 de mai de 2012

Oh, margem! Reinventa os rios! no Sarau Vila Fundão!

Cidinha da Silva lança "Oh, margem! Reinventa os rios!" no Sarau Vila Fundão, dia 10 de maio, às 20:00. Rua Glenn, s.n. - metrô Capão Redondo, terceira travessa à dirita subindo a Av. Sabin.