Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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31 de ago de 2010

Importante nome da moda baiana, Goya Lopes prevê novos caminhos para suas criações afro-brasileiras

(Deu no UOL, por Fernanda Schimidt). “Sinto-me como uma contadora de história, por meio da nossa moda”, definiu a artista plástica e estilista Goya Lopes, 56, sobre o seu trabalho, calcado no resgate da cultura afro-brasileira. Formada em artes plásticas, Goya é um dos principais nomes da moda nordestina, desde o lançamento da marca Didara (“bom”, na língua africana ioruba) há 23 anos, quando se instalou no Pelourinho, centro histórico de Salvador, em busca de um espaço genuinamente afrodescendente em que pudesse interagir com pessoas de culturas das mais diferentes. Na época, a baiana Goya havia voltado ao Brasil após concluir uma bolsa de estudos em design na Itália e trabalhava na indústria têxtil de São Paulo. Retornou à terra natal para colocar em prática um projeto pessoal de cultura por meio da moda. No início, o foco estava na questão afro-baiana, mas acabou se expandindo. “Limitei-me ao que estava ao meu redor, aqui na Bahia, como a religiosidade. Mas existem vários ‘Brasis’ e várias religiosidades. Há referenciais também em outros lugares, como Minas Gerais e Maranhão. Com essa diversidade toda, não poderia ficar só num estado”, disse, apesar de creditar a Bahia como um poço de referências para o país. Ela queria preencher o que chama de lacuna na integração das culturas africana e brasileira na moda. Esta forte simbologia imagética foi acompanhada por tecidos naturais, como o algodão, em cortes mais retos, que remetem aos caftans. “Há 23 anos, tinham os produtos trazidos da África e aqueles produzidos nos terreiros. Não existia uma produção que as sintetizasse, com uma indumentária para o cotidiano”, afirmou. Goya acredita que a valorização desta cultura no país poderia ser maior se a população tivesse mais informação. “O brasileiro tem todo um orgulho do país, mas não busca o conhecimento. E é, a meu ver, justamente esse embasamento que falta para que exista um respeito”. É aí que entra seu trabalho. A artista-estilista olha para a história atrás de inspiração, pinça características de regiões, grupos étnicos e a interação entre eles para criar os seus contos de moda por meio da estamparia. Artefatos, ferramentas, natureza e arte pré-histórica entram na sua pesquisa, que parte sempre de uma percepção aguçada. “Se olho e sinto arrepio, é porque ali tem coisa”. Ela lembra as coincidências que culminaram em uma coleção inspirada na arte rupestre, em 1993, que lhe rendeu, entre outras coisas, um prêmio do Museu da Casa Brasileira e um painel gigante no Itamarati. Uma amiga que morava na Itália havia feito uma exposição sobre arte rupestre africana e lhe enviado um folder sobre o trabalho; outra, que ia fazer um doutorado na França, entregou-lhe livros sobre o mesmo assunto; e, logo em seguida, conheceu uma arquiteta que lhe apresentou uma pesquisa inédita sobre arte rupestre no Piauí. “O material chegou à minha mão! Então, comecei a fazer as figuras rupestres afro-brasileiras, juntando coisas da Chapada e de outros lugares, e surgiu a coleção”, disse. Goya Lopes em seu ateliê, no Pelourinho, com peças da marca Didara, em 2004 Hoje, Goya permanece sem abrir mão das referências afro-brasileiras, mas passou a investir também na fatia de mercado voltada para as tendências de moda, com a criação da linha Goya Lopes Resort, de moda praia e pós-praia, voltada para um público feminino sofisticado, que estreou com desfile no Bahia Moda Design nesta segunda (30). “É importante que essas raízes, principalmente africanas, estejam numa linguagem contemporânea”, disse. A serigrafia, exclusivamente manual no trabalho da Didara, ganhou as facilidades da tecnologia moderna e virou estamparia digital na Goya Lopes Resort. A direção criativa das coleções é dividida com Renata Córes, quem assina o estilo da nova marca – Goya manteve seu posto de designer de superfície. Os preços foram ligeiramente requintados. Enquanto as peças da Didara variam de R$ 20 a R$ 500, na “linha premium”devem ir de R$ 80 a R$ 700. Com o target reposicionado, os negócios ganharam outro foco: investir nas multimarcas, em vez de ocupar espaço das duas lojas Didara, localizadas no Pelourinho e no aeroporto de Salvador. Durante a programação do primeiro dia de Bahia Moda Design, Goya fez o lançamento local do livro “Imagens da Diáspora” (Solis Luna, 2010), criado em parceria com o historiador Gustavo Falcón e composto por 30 gravuras inspiradas pela diáspora africana no Brasil. (Foto: Goya Lopes posa em frente a criações de sua nova marca Goya Lopes Resort, durante o Bahia Moda Design, em Salvador - 30/08/2010)

30 de ago de 2010

IV Mostra de Literatura Afro-brasileira da Prefeitura de Belo Horizonte

Estive em BH pela segunda vez em menos de dez dias, desta feita para participar da VI Mostra de Literatura Afro-brasileira da Prefeitura de Belo Horizonte. Na tarde do dia 26/08 deveria falar para um grupo de educadoras/es sobre o Tridente. Ocorre que a audiência maior era de crianças ente 8 e 11 anos. Toca a mudar o enfoque, mas deu certo. No dia 27/08 fui para a Escola Municipal Elisa Buzelin, em Venda Nova, bairro da zona norte da cidade. Ali, sim, para conversar com crianças entre 6 e 9 anos sobre processos de escritura. Foram cerca de 300 crianças de uma só vez, no pátio, em meio a um projeto da escola, no qual fui entrevistada. Foi uma manhã agitada por perguntas genuínas da criançada. Depois veio a sessão de autógrafos, não em livros, mas em papeizinhos, cadernos e agendas. No mínimo 100 autógrafos. Outra experiência inusitada. Em um intervalo de trabalho telefonei ao amigo Rique Aleixo e fiquei sabendo pela primogênita, que o livro novo do paizão, “Modelos Vivos”, será lançado no dia 11 de setembro. Data bastante simbólica. Axé, mano Rique! No deslocamento para o aeroporto desfrutei da dileta companhia de Nei Lopes. Aproveitei para crivá-lo de perguntas sobre novos talentos do samba, caminhos e descaminhos de compositores, etc. O experiente sambista, muito ético, só abria a boca para elogiar os merecedores de elogios. Falamos sobre Leandro Sapucay, que nós dois gostamos muito, Arlindo Cruz, Aline Calixto, Fabiana Cozza e mais. Ele me recomendou os CDs do Djavan que está cantando dois sambas da antiga de responsa e também o do Emílio Santiago. Ah... falamos sobre Partido Alto, sobre partideiros, outro dos meus temas prediletos. Ele me contou que uma vez perguntou ao Jamelão: escuta, Jamelão, se você parasse de cantar, a quem entregaria o microfone? Ao Tantinho! Respondeu o mestre, Tantinho da Mangueira. Para quem não conhece, Tantinho é um partideiro-monstro e acaba de ganhar o prêmio de melhor disco de samba da Música Brasileira. Foi assim a minha passagem recente pelas alterosas.

29 de ago de 2010

Amazônia em chamas, livro novo da editora Literatura Marginal

(Texto de divulgação). "O segundo livro da coleção Selo Povo já está nas ruas, "Amazônia em chamas" de Cernov. Quem é Cernov? Catia Cernov publicou seu primeiro texto pela revista Literatura Marginal Ato III, da Caros Amigos. Escreve, edita, imprime e distribui seus contos de forma independente em bancas de revistas, livrarias e sebos. Também é envolvida em manifestações e lutas ambientais. Amazônia em chamas é seu primeiro livro. Nas palavras da autora “A minha ecologia, que se reflete na literatura (quando assim o tema exige), acontece de forma mais direta, na prática. É no não consumo de coisas danosas, de ensinar aos filhos o amor á terra, de criar filhos-pessoas e não filhos-consumidores, de não tratar plantas ou animais como propriedade, de entender a importancia de todas as formas de vida, rompendo com antropocentrismo, que trabalho ecologia dentro de casa.” Nasceu no Paraná e migrou para o norte, mora há muitos anos em Porto Velho-RO. O que mais aprecia nesse estilo de trabalho é a possibilidade de interagir pessoalmente com seus leitores. Seus contos são experiências do pensamento, fruto de devires que nascem de seu universo em movimento".

24 de ago de 2010

Colonos e Quilombolas: memória fotográfica da Colônia Africana em Porto Alegre

O livro “Colonos e Quilombolas” registra histórias dos territórios negros urbanos formados em Porto Alegre, findo o trabalho escravizado, por meio do testemunho e da voz iconográfica de seus protagonistas, moradores da região conhecida como Colônia Africana. O território se iniciava na atual Cidade Baixa e passava pelos bairros Bom Fim, Mont’Serrat, Rio Branco e estendia-se até o bairro Três Figueiras, onde subsiste o Quilombo dos Silva, reconhecido pelo governo federal, mas, diuturnamente contestado pela vizinhança, como é regra no tratamento dado aos quilombos, urbanos e rurais, em todo o país. Apesar de ter suas ruas inscritas nos mapas do século XIX, a região, popularmente conhecida como Colônia Africana, nunca foi reconhecida pela Prefeitura como um bairro da cidade. Os depoimentos e as fotografias nos contam uma história de resistência e reinvenção da vida na busca da humanidade plena, roubada pelo racismo. Os moradores da Colônia Africana nos alertam, por exemplo, que os porto-alegrenses gostam de pensar que os judeus foram os primeiros habitantes do Bom Fim. Não foram, não. Os negros chegaram antes, bem no início do século XX. Aos poucos foram imprimindo suas marcas nas festas populares e de origem religiosa que envolviam os imigrantes europeus, também moradores do bairro. Para narrar estas histórias, Cidinha da Silva se juntou às gaúchas Dorvalina Fialho, Vera Daisy Barcellos e Zoravia Bettiol, sob coordenação editorial de Irene Santos, e escreveu dez textos ficcionais a partir de depoimentos de ex-moradores da Colônia Africana para o livro “Colonos e Quilombolas”, um registro épico da territorialidade negra em Porto Alegre. (Fotos de arquivos particulares: "Indo para a praia", "Orquestra Jazz Império" e "Família - 1915").

23 de ago de 2010

Escrever é preciso!

Entrego o livro autografado à diretora. Ela lê e me abraça. Pergunta como adivinhei? Sim, a leitura do Pentes dialogará com as histórias afrodescendentes do país dela, pois está preparando um espetáculo baseado nas lendas que sua babá negra lhe contava na infância. Eu recolho meu sorriso, empunho a caneta e continuo a escrever minhas próprias histórias. (Imagem do cenário da peça "Os nove pentes d'África", de Iléa Ferraz)

20 de ago de 2010

O Pentes vai II

Eu avisei, não foi? O Pentes está voando em céu de brigadeiro. Ontem, em Belo Horizonte, recebi da editora a grata notícia de que o livro foi selecionado para integrar a mochila dos estudantes da prefeitura, em 2011. Explico: há alguns anos a prefeitura de BH vem mantendo a prática saudável de ofertar livros de literatura para cada estudante no início do ano letivo. As editoras inscrevem as obras que são lidas e avaliadas por uma comissão de bibliotecárias/os e educadoras/es. O Pentes foi selecionado, serão impressos mais quatro mil exemplares. Bom demais! Estou contente! Assim também fiquei com as conversas literárias mantidas na Faculdade de Letras da UFMG. As turmas foram simpáticas, receptivas e o diálogo rolou solto e leve. O pessoal está discutindo dois textos do Tridente, a saber, "Dublê de Ogum" e "Aconteceu no Rio de Janeiro". Ainda recebi um presente, o livro "Escritoras mineiras: poesia, ficção, memória", organizado pela professora Constância Duarte, do qual consta o texto: "Cada tridente em seu lugar: personagens afrodescendentes na obra de Cidinha da Silva", escrito pela jovem historiadora Luana dos Santos. Foi tri-bom passar por BH.

18 de ago de 2010

O Pentes vai!

Movimentados estes dias recentes da minha vida literária. O Pentes é a estrela. Amanhã estréia o espetáculo em processo “Os nove pentes d’África”, concebido e dirigido por Iléa Ferraz, no teatro Tom Jobim, no Rio de Janeiro. A temporada vai de 19 a 21 de agosto, com entrada gratuita. Só assistirei ao espetáculo no sábado, 21, porque na quinta, 19, às 16:00 estarei na Faculdade de Letras da UFMG (Belo Horizonte) conversando com estudantes de pós-graduação sobre minha obra. Na sexta, 20, pela manhã, converso com estudantes de graduação. Estes encontros acontecem a convite das professoras Constância Duarte e Leda Martins. Pelo mesmo motivo não conseguirei estar em Brasília, no dia 19/08, para o lançamento do livro “O negro na TV pública”, organizado pelo amigo Joel Zito Araújo, no qual há um texto de minha lavra: “Notas sobre a ausência de escritoras e escritores negros na cena literária da TV brasileira”. Axé!

7 de ago de 2010

Diretor Jeferson De quer que "Bróder" chegue ao Oscar

(Por Neusa Barbosa, no UOL). “A gente pleiteia concorrer a uma vaga no Oscar. Temos todas as credenciais”. Essa foi a afirmação entusiasmada do diretor paulista Jeferson De, diretor de “Bróder”, primeiro concorrente exibido no 38º Festival de Gramado, na coletiva do filme, nesta manhã de sábado. Para Jeferson, “é importante sim, concorrer ao Oscar, sejamos nós, o ‘5 x Favela – Agora por Nós Mesmos’ ou qualquer outro filme”. O cineasta destacou que, nesta que é a terceira passagem de “Bróder” por um festival – o filme teve sua première mundial em Berlim, em fevereiro, fora de competição, e em Paulínia, em julho, concorrendo – ele finalmente superou as próprias dúvidas em relação à capacidade de comunicação da história. “Nunca confessei isto, mas eu também tinha dúvidas. Berlim me mostrou que a história não era apenas meu umbigo. Em Paulínia, foi ótimo, teve a maior repercussão e eu também sou caipira paulista. Ontem, em Gramado, foi a projeção mais bonita que vi, inclusive tecnicamente. E me deu a certeza de que eu escolhi certo meu elenco. Isto salta da tela. Estou aliviado”, afirmou. A vinda a Gramado fecha,também,uma espécie de ciclo, já que o projeto de “Bróder”nasceu aqui, em 2003, quando Jeferson veio apresentar, em competição, seu curta “Carolina”. “Naquela época, era o projeto de um curta e se chamava ’24 Horas com Dois Negros’. Graças a Deus, passou todo esse tempo e chegamos a ‘Bróder’”. Drama ambientado no Capão Redondo, zona sul da capital paulista, “Bróder” centra-se na amizade de três jovens (Caio Blat, Sílvio Guindane e Jonathan Haagensen), confrontados com dilemas pessoais e sociais. No elenco, o principal papel feminino é de Cássia Kiss, como Sonia, a mãe de Macu (Caio Blat). A atriz, que veio a Gramado, foi perguntada como se sente diante de vários papeis em que interpreta mulheres sofridas e desglamourizadas, inclusive este. “Eu também fico impressionada com a minha falta de vaidade, porque na tela, tudo fica daquele tamanho”, divertiu-se a atriz. Cássia destacou que pertence a um “grupo de atrizes que não fez plástica e não vai fazer, porque precisa do rosto como é”. E acrescentou que “cuida muito da própria alma”. “Nós atores somos muito vaidosos. Precisamos jogar o ego na lata do lixo, senão, não rola a generosidade”