Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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30 de out de 2010

Serra está a um milagre de ser canonizado

(Deu na PIAUÍ). "VATICANO - Após incentivar bispos brasileiros a participarem mais da política, o papa Bento XVI iniciou o processo de canonização de José Serra. Em discurso proferido na sacada da Basílica de São Pedro, o papa destacou a "batalha silenciosa contra a simpatia, o carisma e o sex appeal" travada noturnamente pelo tucano. O pontífice destacou os valores sólidos de uma família que teve seus dados violados e permaneceu unida. Também enalteceu o combate “sem trololó” daquele que chamou de “Beato da Mooca” para acabar com o cigarro, o aborto, o PT, a maconha, o MST, o alho, empresas estatais e desvios sexuais. Em lágrimas, Bento XVI terminou a alocução lembrando “o martírio de Campo Grande”, no qual Serra enfrentou hereges e infiéis e fez desaparecer fitas de durex, de esparadrapo, band-aids e bolinhas de papel e tamanhos variados. Segundo a Santa Inquisição, falta apenas um milagre para que o beato Serra seja canonizado. "O que pode acontecer caso ele reverta os números apontados nas pesquisas eleitorais", revelou o bispo Astrogildo Afonsinho. "Ele já resistiu bravamente às investidas sórdidas de Márcia Peltier e ao convívio com Indio da Costa. Portanto, nada é impossível. É só preciso ter fé." Compungido, Serra agradeceu de joelhos a Nossa Senhora Aparecida e prometeu privatizar o Vaticano. Conheça os milagres do Beato da Móoca O Vaticano reconhece três milagres atribuídos a José Serra. Em 2009, houve uma comoção nacional diante da frondosa multiplicação de pedágios. Um ano depois, uma senhora fotografou o tucano caminhando sobre as águas durante uma enchente do Tietê. O terceiro milagre deu-se quando o beato apoiou e criticou Lula simultaneamente".

Quilombaque discute 50 anos de Quarto de despejo

29 de out de 2010

Mulheres, atenção: Serra para presidente do clube dos cafetões!

"Se você é uma menina bonita, tem que conseguir 15 votos. Pegue a lista de pretendentes e mande um e-mail. Fale que quem votar em mim tem mais chance com você”, pediu o presidenciável tucano, José Serra, diante de simpatizantes em Uberlândia (MG), nesta quinta-feira (28)." Uol 28/10/10. http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/10/28/serra-pede-que-mineiras-conquistem-votos-de-seus-pretendentes.jhtm Nós, mulheres, precisamos dar uma resposta rotunda a esta proposta machista e narcisista. Cada uma poderia tirar 30 votos dele neste segundo turno.

27 de out de 2010

Pesquisa indica que rejeição a Serra cresceu e atinge 43%

(Por Gabriela Guerreiro, de Brasília). "Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta quarta-feira mostra crescimento na rejeição ao candidato José Serra (PSDB) na disputa à Presidência da República. O índice de rejeição de Serra é o maior registrado pela pesquisa desde o início da disputa pelo segundo turno presidencial. O levantamento aponta que 43% dos eleitores não votariam em Serra, enquanto 32,5% não votariam na candidata Dilma Rousseff (PT). No dia 20 de outubro, na última edição da CNT/Sensus, Serra tinha a rejeição de 39,8%, enquanto Dilma tinha rejeição de 35,2%. "Isso é consequência do excesso de ataques promovidos pela campanha do candidato", disse o diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes. O presidente da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Clésio Andrade, considera que o aumento da rejeição a Serra está ligado às denúncias contra Dilma divulgadas pelo tucano. "A questão emocional, os ataques, foram vistos como algo pessoal do Serra." A pesquisa mostra que 69,7% dos eleitores acreditam na vitória de Dilma no dia 31 de outubro, enquanto 22,3% apostam que Serra sairá vitorioso. Os indecisos sobre quem ganhará a eleição presidencial somam 8,1%. Dilma também leva vantagem em relação aos programas eleitorais. A pesquisa mostra que 58% dos eleitores consideram os programas da petista no rádio e TV melhores que os de Serra, lembrado como melhor no programa por 42% dos eleitores. DESEMPENHO REGIONAL A pesquisa mostra que Dilma tem 58,6% dos votos válidos na corrida presidencial, enquanto Serra tem 41,4%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou menos. Realizada entre os dias 23 e 25 de outubro, em 136 municípios, com a realização de 2.000 entrevistas, a pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número 37.609/2010. No desempenho por regiões do país, Dilma vence em todas, com exceção do Sul do país --onde Serra tem 54% dos votos e a petista, 35,4%. Dilma lidera com vantagem a disputa no Nordeste, com 66,3% dos votos. Serra registra 25,5% na região, segundo a pesquisa. A petista conseguiu recuperar sua vantagem nos Estados nordestinos, já que na última edição da CNT/Sensus tinha 57,5% das intenções de votos locais. Serra também perdeu terreno no Norte e Centro-Oeste do país, onde agora tem 40,4% dos votos contra 50,7% recebidos por Dilma. Na edição anterior, Serra liderava nas duas regiões com 52,6%, contra 42,1% da petista. No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, Dilma lidera com 48,4% dos votos. Serra tem na região 36,7% das intenções de votos".

As mulheres na Guerra do Paraguai

(Texto de divulgação). "Guerra é assunto para homem? MULHERES NA GUERRA DO PARAGUAI é uma pesquisa inédita, da historiadora Hilda Hübner Flores, acerca do envolvimento da mulher, da família, da sociedade. Na Guerra do Paraguai houve grupos diferenciados de mulheres, como as costureiras, as enfermeiras, as patriotas, as residentes, as vivandeiras - tão expressivas que tiveram sua canção própria -, as "destinadas" pelo ditador López e sua companheira a serem tangidas para o interior, até a inóspita Cordilheira, onde deveriam morrer de inanição. De 4 mil, sobreviveram 400, esqueléticas, entre elas Mme. Dorothéa Lasserre, que deixou escritas suas memórias. "Mulheres na Guerra do Paraguai" resgata de maneira objetiva e clara o papel da mulher naquela guerra genocida".

26 de out de 2010

Colonos e Quilombolas, hoje, em São Paulo!

É hoje! Às 19:00 hs lanço meu livro mais recente, “Colonos e Quilombolas”, retratos da territorialidade negra em Porto Alegre. Uma co-autoria com Irene Santos e outras. O trabalho realizado por mim foi a escritura de 10 crônicas a partir de depoimentos de moradores da antiga região da Colônia Africana (atual Cidade Baixa), todos(as) com 70 anos ou mais. O cerne do livro são fotografias de pessoas, situações e modos de viver de pessoas negras, ex-escravizados (as) e seus (suas) descendentes no Porto Alegre de fins do século XIX e primeiras décadas do século XX, recolhidas por Irene Santos, organizadora da obra, e tratadas para publicação. Fiquei muito contente em participar do trabalho e também com o resultado final dos textos. Como já disse em algumas ocasiões, adoro trabalhar por encomenda. Quando não são impostos limites à criação, acho a encomenda de um texto algo desafiador. Espero vê-las(os) na Ação Educativa, rua General Jardim, 660, às 19 hs, Vila Buarque, para conversar sobre o livro,ler algumas crônicas e autografar a obra para quem desejar.

Primavera dos livros 2010

Foram muitas as visitas a stands, aquisições e conversas com editores. A Primavera dos Livros cresce a cada edição. Quanto às publicações ligadas à temática das africanidades brasileiras percebi duas coisas: 80% das publicações continuam sendo elaboradas por escritoras e escritores não negros e em segundo lugar, o mote da Lei 10.639/03 que institui os conteúdos de História e culturas africanas e afro-brasileiras nos currículos escolares tem sido usado para atualizar o mito das "três raças formadoras do povo brasileiro". É frustrante perceber como muitos autores e autoras se valem da possibilidade de tratar da África profunda e da África reinventada no Brasil para, mais uma vez, difundir o escorregadio conceito de mestiçagem na formação do povo brasileiro. E parece que todas as editoras (também as negras), em maior ou menor grau patinam nesse aspecto. Uma lástima! As africanidades na perspectiva literária se destacam na editora Pallas. Há títulos ruins também, mas sobressaem as coisas boas. Defino como ruim aquilo que se intitula literatura, mas é, de fato, didático, para-didático, auto-ajuda ou às vezes, bobagem mesmo. Outras editoras como a Mazza Edições e a Autêntica, além da Pallas, têm muitos bons títulos no formato de ensaios e para-didáticos sobre africanidades e África. Mas meu interesse maior foi a literatura. As principais obras que adquiri foram as seguintes: Islamismo e Negritude - da África ao Brasil, da idade média aos nossos dias; de João Batista M. Vargens e Nei Lopes (Estudos Árabes 1, UFRJ, 1982) e Candeia: luz da inspiração, também do João Vargens (Almadena, 3a edição, 2008). Este Candeia tem um CD encartado com 23 músicas inéditas do portelense ilustre, também fundador da Escola de Samba Quilombo. Da Pallas destaco Erinlé, o caçador e outros contos africanos e O papagaio que não gostava de mentiras e outras fábulas africanas, ambos de Adilson Martins. Comprei também o belo Xangô, o senhor da casa de fogo, de Raul Lody e As Gueledés - a festa das máscaras, do mesmo autor. Um livro que quero ler logo é Alek Wek, a biografia em primeira pessoa de Alek Wek, refugiada sudanesa que depois de ter sua beleza e elegância descobertas nas ruas de Londres tornou-se top model internacional (Panda Books, 1977). A publicação é antiga, mas só adquiri agora. Comprei uma edição atualizada de Cartola dos tempos idos, de Marília T. Barboza e Arthur de Oliveira Filho (Gryphus, 2008). E, da Beco do Azougue editorial adquiri dois livros da série "encontros - a arte de entrevistar", Milton Santos e Gilberto Gil. Em tempo: comprei também algumas boas traduções de literatura japonesa.

25 de out de 2010

É amanhã, 26/10/10!

Chegou o livro novo!

Sábado recebi os primeiros exemplares do Colonos. Que alegria! O livro está lindo, lindo! Há uma capa solta que protege a capa dura e na parte de dentro um mapa de 60 centímetros das Colônias Africanas de Porto Alegre. Fui folheando página por página até chegar à página 66, onde começam os meus textos. Mais alegria! Ainda não consegui ler os outros textos do livro, escritos pela Vera Daisy e por algumas pessoas convidadas. É muita foto bonita, instigante, reveladora. Reli, entretanto, a apresentação da obra escrita pela Professora Petronilha Gonçalves e confirmei a primeira impressão de que se trata do melhor texto do livro. É uma escrita bordada de emoção e compromisso político mas arrematada pelo rigor da forma. Creio que, para um próximo livro, a Irene deve considerar um convite à Petrô para também se responsabilizar pelos textos. Mesmo sabendo da possibilidade dela não aceitar por falta de tempo. Receber um livro novo é bom demais! E não gosto dessa comparação com filhos, vocês sabem. Livro é obra de arte. Filhos são matéria de outra magnitude, vibração superior. O livro traz a emoção de um trabalho concluído e entregue ao mundo para que trilhe o próprio caminho e nos leve junto com ele. Então, Colonos e Quilombolas, que você nos leve muito longe. Em tempo: hoje faço o depósito legal do livro na Biblioteca Nacional.

24 de out de 2010

Projeto Panáfricas

(Deu no Correio Nagô, por Juliana Dias). "O Projeto Panáfricas está na África registrando sons e imagens do continente de onde saíram para o mundo milhões de seres humanos, com sua rica cultura, arte, ciência e forma de vida. O material colhido na viagem à Nigéria, Gana e África do Sul - primeira etapa do projeto – integrará uma série de televisão sobre o panafricanismo e a diáspora africana. Essa descoberta das origens dos afrodescendentes e sua luta pela cidadania está sendo conduzida pelo historiador cubano, Carlos Moore (www.drcarlosmoore.com), grande conhecedor da trajetória de ícones da luta negra pelo mundo, com os quais conviveu em diferentes países, como Fela Kuti, Cheikh Anta Diop, Aimé Cesaire, Malcolm X, entre outros. O ativista Carlos Moore está retornando à África após mais de duas décadas, para fazer o lançamento da versão africana do livro: “Fela: this bitch of the life”, biografia de Fela Kuti, lançada originalmente em 1982 e que em breve terá sua versão em português. Trata-se da primeira biografia escrita sobre um músico negro no mundo. A equipe do Panáfricas é formada pelo publicitário Paulo Rogério Nunes, produtor execuivo do Projeto, e pelos jornalistas André Santana, Lucas Santana e Mateus Damasceno, que também é cineasta e está sendo responsável pelas imagens. Paulo Rogério e André Santana são diretores da série de TV Panáfricas e integram o Instituto Mídia Étnica (www.midiaetnica.org), organização social que há cinco anos vem realizando projetos sobre mídia, tecnologia e relações étnicas, utilizando, inclusive, o audiovisual. Alguns vídeos produzidos pelo Instituto Mídia Étnica podem ser conferidos no Portal: www.correionago.com.br Mateus Damasceno e Lucas Santana fazem parte da produtora baiana Caranguejeira, que tem experiência na produção de cinema e vídeo, com produtos premiados como o documentário: Bolívia, para além de Evo, fruto da experiência dos profissionais no país latino-americano. Mateus é o diretor de fotografia da serie Panáfricas e Lucas, o técnico de áudio e som direto. A entrada em África aconteceu pela Nigéria, país de 140 milhões de habitantes. A pauta principal no país foi o legado político e musical de Fela Kuti, criador do Afrobeat e principal referência para os nigerianos. A equipe visitou as cidades de Abuja, capital da Nigéria, Abeokuta, onde Fela Kuti nasceu e Lagos, a segunda maior cidade da África e o maior contigente negro do mundo. Foi em Lagos onde Fela criou uma comunidade chamada Kalakuta, que propunha a liberdade e solidariedade entre seus habitantes. Em Lagos também está o Africa Shrine, casa de show que se eternizou na história da música pelas apresentações de Fela e hoje é conduzida por seus filhos, a produtora Yeni e o músico Femi Kuti. O Panáfricas entrevistou amigos, músicos e familiares de Fela, cinco dos seus filhos e duas das suas ex-esposas. Além de registrar o cotidiano de Lagos, com sua tumultuada rotina de megalópoles e sua flagrante desigualdade social. Neste momento a equipe está em Accra, capital de Gana, primeira nação africana a ser tornar independente do colonialismo europeu, em 1957. A pauta principal em Gana será a importância de Kwuame Nkrumah, herói da independência e primeiro presidente do país livre, e W.E.B. Du Bois, intelectual e ativista afro-americano, que escolheu viver em Gana. Ambos são considerados os pais do panafricanismo, pela contribuição ideológica e prática na luta pela soberania africana e união entre as nações africanas e os países da diáspora. Em Gana, além da capital, a equipe visitará as cidades de Kumasi, Cape Coast, no interior do país. A última parada dessa primeira etapa do Projeto Panáfricas será na África do Sul, país que ficou marcado pelo regime segregacionista de apartheid, cujas leis estabeleciam as diferentes oportunidades e direitos para entre brancos e negros, até o início da década 1990. No país que sediou a última Copa do Mundo, serão enfocados as contribuições de ativistas como Steve Biko e Nelson Mandela, através de entrevistas e registros nas cidades de Joanesburgo, Cidade do Cabo e Pretoria. A viagem começou no dia 08 de outubro e o retorno ao Brasil será no dia 20 de novembro, dia nacional da consciência negra. O projeto pretende filmar também em outros países africanos e da diáspora negra como Etiópia, Martinica, Jamaica e Índia. Mais informações: www.panafricas.blogspot.com

23 de out de 2010

Amores eternos nascidos no carnaval – texto 1 (do livro Colonos e Quilombolas)

Ela entrava majestosa no palco do Salão Modelo. Os olhos inchados. Na certa tinha interrompido o choro para cantar. Era hora de dividir as mágoas com as fãs. Junte tudo o que é seu. Seu amor, seus trapinhos. Junte tudo o que é seu e saia do meu caminho... As mães e as tias choravam por dentro. Toda mulher vivida se solidarizava com Dalva e sua coragem de cantar nas músicas as dores de amor por Herivelto. Qual é o casal que não briga? Era uma solidariedade recalcada. Da boca para fora criticavam porque Dalva expunha coisas do casal. Ela não se importava, cantava ao mundo sua dor. As tias solteironas tinham uma espécie de sentimento de vingança: fora bom não ter casado. Deus me livre sofrer daquele jeito. E nós, as mais novas, gostávamos da música porque nossos aspirantes a maridos, empenhados em nos conquistar, prestavam atenção à letra e faziam juras eternas, prometendo nunca nos magoar daquela maneira. Entretanto, gostávamos mesmo das músicas mais alegres, do lencinho branco querido, que enxugava as bocas molhadas, sem dizer que molhadas estavam. Na noite do baile eu vestia um vestido de organdi branco, acintado por uma faixa rosa bem clara, abaixo dos seios. Tinha um franzido discreto no tecido e a faixa ficava acima da cintura para não marcar os quadris. Os sapatos também eram brancos, fechados nos dedos e nas laterais, com uma tira de couro no meio, por onde passava a correia. O salto era de cinco centímetros, largo, bom para dançar a noite inteira. No cabelo, minha irmã tinha feito uma trança grossa de cada lado da cabeça e as duas fechavam um U na nuca. Tudo pronto para encontrar um príncipe da Colônia Africana. Eram vários os pretendentes, mas só um me interessava. Tínhamos nos visto na rua Esperança. Eu descia de braços dados com minha irmã e a mãe. Meu irmãozinho segurando a mão dela. Íamos para o desfile dos blocos. Ele subia sozinho. Ao passar fez uma mesura para a mãe. Ela não disse sim, nem não, mas o olhou nos olhos, era quase um sim. Ele me lançou um olhar cumprido e açucarado que durou o tempo de parar debaixo do lampião. Ainda estava escuro, o acendedor não havia chegado naquele ponto da Protásio. Ele preparou um cigarro e quando sorriu foi justamente no momento em que o acendedor subiu na escadinha e colocou a ponta da taquara dentro do lampião para acender. Um conjunto de marfins bem desenhados reluziu no rosto de canela dele. Eu gostava do Turunas, que era rosa e ele do Prediletos, que era verde. Descobrimos dançando, mais tarde. Já tínhamos uma afinidade, o branco que completava as cores dos dois blocos. Dali para o casamento foi um passo.

22 de out de 2010

Colonos e Quilombolas - um registro iconográfico e poético da territorialidade negra em Porto Alegre

O livro “Colonos e Quilombolas” registra histórias dos territórios negros urbanos formados em Porto Alegre, findo o trabalho escravizado, por meio do testemunho e da voz iconográfica de seus protagonistas, moradores da região conhecida como Colônia Africana. O território se iniciava na atual Cidade Baixa e passava pelos bairros Bom Fim, Mont’Serrat, Rio Branco e estendia-se até o bairro Três Figueiras, onde subsiste o Quilombo dos Silva, reconhecido pelo Governo Federal, mas, diuturnamente contestado pela vizinhança, como é regra no tratamento dado aos quilombos, urbanos e rurais, em todo o país. Apesar de ter suas ruas inscritas nos mapas do século XIX, a região, popularmente conhecida como Colônia Africana, nunca foi reconhecida pela Prefeitura como um bairro da cidade. Os depoimentos e as fotografias nos contam uma história de resistência e reinvenção da vida na busca da humanidade plena, roubada pelo racismo. Os moradores da Colônia Africana nos alertam, por exemplo, que os porto-alegrenses gostam de pensar que os judeus foram os primeiros habitantes do Bom Fim. Não foram, não. Os negros chegaram antes, bem no início do século XX. Aos poucos foram imprimindo suas marcas nas festas populares e de origem religiosa que envolviam os imigrantes europeus, também moradores do bairro. A região era povoada por homens e mulheres negros qualificados para diferentes ofícios: trabalhadores(as) domésticos(as), tais como jardineiros, cozinheiras e damas de companhia; acendedores de lampião, roçadores de terrenos, lavadeiras, benzedeiras, condutores de carros e bondes, costureiras e músicos, dentre os predominantes. Como define a professora Petronilha Gonçalves na introdução da obra: “Os habitantes da Colônia Africana, assim como de outros bairros negros de Porto Alegre são colonos, não porque povoaram áreas não habitadas, ou porque se dedicaram ao cultivo de terras. São colonos porque guardaram, aqueceram e lançaram em seus descendentes, sementes de culturas africanas e histórias de antepassados trazidos à força da África. Sementes que germinaram em trabalhos, celebrações, festejos, jogos, cuidados e criatividade. Os negros colonos, como os quilombolas de que trata este livro, são guardiões de conhecimentos e da sabedoria que os escravizados trouxeram em seus corpos, consciência, sentimentos, e com os quais ajudaram a erguer a nação brasileira. São colonos e quilombolas porque resistem às reiteradas tentativas de desqualificação e de extermínio, porque ergueram e continuam erguendo fundamentos das africanidades brasileiras, resistindo para não desligar de suas origens.” Para narrar estas histórias, Cidinha da Silva se juntou às gaúchas Dorvalina Fialho, Vera Daisy Barcellos e Zoravia Bettiol, sob coordenação editorial de Irene Santos, e escreveu dez textos ficcionais a partir de depoimentos de ex-moradores da Colônia Africana para o livro “Colonos e Quilombolas”, um registro épico da territorialidade negra em Porto Alegre. Em tempo: Emanoel Araújo responsabilizou-se pelo prefácio.

21 de out de 2010

70 anos de Pelé!

FM rebeldia

(Por Alceu Valença). Um dia eu tive um sonho/ Que havia começado a grande guerra/ Entre o morro e a cidade/ E o meu amigo Melodia/ Era o Comandante-em-Chefe/ Da primeira bateria/ Lá do morro de São Carlos/ Ele falava, eu entendia/ Você precisa escutar a rebeldia/ Pantera Negra, FM Rebeldia/ Transmitindo da Rocinha/ Primeiro comunicado/ O pão e circo e o poder da maioria/ Um país em harmonia/ Com seu povo alimentado/ E era um sonho ao som/ De um samba tão bonito/ Que quase não acredito/ Eu não queria acordar/ Pantera Negra, FM Rebeldia/ Transmitindo da Rocinha/ Primeiro comunicado/ Um dia desses/ Alguém falava, eu entendia/ Nós precisamos conviver em harmonia/ Ele falava, eu entendia/ Você precisa escutar a rebeldia/ Pantera Negra, FM Rebeldia/ Transmitindo da Rocinha/ Primeiro comunicado/ O pão e circo e o poder da maioria/ O país bem poderia/Ter seu povo alimentado

20 de out de 2010

Mulheres negras nas manifestações culturais urbanas de São Paulo

Lançamento no sarau Elo da Corrente, em São Paulo

(texto de divulgação). "Jéssica Balbino usa hip-hop como inspiração para escrever Traficando Conhecimento, proporcionando uma viagem pela cultura da periferia. O livro integra a Coleção Tramas Urbanas, pela Aeroplano Editora, que aborda “um dos movimentos de ponta no país”, segundo Heloísa Buarque de Hollanda, organizadora da coleção. Na obra Traficando Conhecimento, Jéssica Balbino narra as experiências vividas nas periferias e enfatiza esta caminhada com a frase “o hip-hop salvou minha vida”. O gosto pela literatura e poesia, aliado com o jornalismo e o interesse pelo que acontece em seu redor, regem a trajetória de Jéssica por dentro dos elementos do hip-hop: os toca-discos, o graffiti, o rap, o break dance e o conhecimento. A escritora se apropriou do elemento “conhecimento” para apresentar a cultura como instrumento de transformação em uma sociedade e valorizar a arte que parte do povo para o povo. Ela apresenta, no livro recheado de fotografias e boas histórias, a mescla da pesquisa com a vivência. A informação é um instrumento utilizado na prática por Jéssica Balbino, que fala de conhecimento com propriedade. O ato de repassar o que aprende por prazer e por vontade de vencer a transformou em uma traficante de conhecimento".

A psicologia de massa do fascismo à brasileira

(por luisnassif). "Há tempos alerto para a campanha de ódio que o pacto mídia-FHC estava plantando no jogo político brasileiro. O momento é dos mais delicados. O país passa por profundos processos de transformação, com a entrada de milhões de pessoas no mercado de consumo e político. Pela primeira vez na história, abre-se espaço para um mercado de consumo de massa capaz de lançar o país na primeira divisão da economia mundial Esses movimentos foram essenciais na construção de outras nações, mas sempre vieram acompanhados de tensões, conflitos, entre os que emergem buscando espaço, e os já estabelecidos impondo resistências. Em outros países, essas tensões descambaram para guerras, como a da Secessão norte-americana, ou para movimentos totalitários, como o fascismo nos anos 20 na Europa. Nos últimos anos, parecia que Lula completaria a travessia para o novo modelo reduzindo substancialmente os atritos. O reconhecimento do exterior ajudou a aplainar o pesado preconceito da classe média acuada. A estratégia política de juntar todas as peças – de multinacionais a pequenas empresas, do agronegócio à agricultura familiar, do mercado aos movimentos sociais – permitiu uma síntese admirável do novo país. O terrorismo midiático, levantando fantasmas com o MST, Bolívia, Venezuela, Cuba e outras bobagens, não passava de jogo de cena, no qual nem a própria mídia acreditava. À falta de um projeto de país, esgotado o modelo no qual se escudou, FHC – seguido por seu discípulo José Serra – passou a apostar tudo na radicalização. Ajudou a referendar a idéia da república sindicalista, a espalhar rumores sobre tendências totalitárias de Lula, mesmo sabendo que tais temores eram infundados. Em ambientes mais sérios do que nas entrevistas políticas aos jornais, o sociólogo FHC não endossava as afirmações irresponsáveis do político FHC. Mas as sementes do ódio frutificaram. E agora explodem em sua plenitude, misturando a exploração dos preconceitos da classe média com o da religiosidade das classes mais simples de um candidato que, por muitos anos, parecia ser a encarnação do Brasil moderno e hoje representa o oportunismo mais deslavado da moderna história política brasileira. O fascismo à brasileira Se alguém pretende desenvolver alguma tese nova sobre a psicologia de massa do fascismo, no Brasil, aproveite. Nessas eleições, o clima que envolve algumas camadas da sociedade é o laboratório mais completo – e com acompanhamento online - de como é possível inculcar ódio, superstição e intolerância em classes sociais das mais variadas no Brasil urbano – supostamente o lado moderno da sociedade. Dia desses, um pai relatou um caso de bullying com a filha, quando se declarou a favor de Dilma. Em São Paulo esse clima está generalizado. Nos contatos com familiares, nesses feriados, recebi relatos de um sentimento difuso de ódio no ar como há muito tempo não se via, provavelmente nem na campanha do impeachment de Collor, talvez apenas em 1964, período em que amigos dedavam amigos e os piores sentimentos vinham à tona, da pequena cidade do interior à grande metrópole. Agora, esse ódio não está poupando nenhum setor. É figadal, ostensivo, irracional, não se curvando a argumentos ou ponderações. Minhas filhas menores freqüentam uma escola liberal, que estimula a tolerância em todos os níveis. Os relatos que me trazem é que qualquer opinião que não seja contra Dilma provoca o isolamento da colega. Outro pai de aluna do Vera Cruz me diz que as coleguinhas afirmam no recreio que Dilma é assassina. Na empresa em que trabalha outra filha, toda a média gerência é furiosamente anti-Dilma. No primeiro turno, ela anunciou seu voto em Marina e foi cercada por colegas indignados. O mesmo ocorre no ambiente de trabalho de outra filha. No domingo fui visitar uma tia na Vila Maria. O mesmo sentimento dos antidilmistas, virulento, agressivo, intimidador. Um amigo banqueiro ficou surpreso ao entrar no seu banco, na segunda, é captar as reações dos funcionários ao debate da Band. A construção do ódio Na base do ódio um trabalho da mídia de massa de martelar diariamente a história das duas caras, a guerrilha, o terrorismo, a ameaça de que sem Lula ela entregaria o país ao demonizado José Dirceu. Depois, o episódio da Erenice abrindo as comportas do que foi plantado. Os desdobramentos são imprevisíveis e transcendem o processo eleitoral. A irresponsabilidade da mídia de massa e de um candidato de uma ambição sem limites conseguiu introjetar na sociedade brasileira uma intolerância que, em outros tempos, se resolvia com golpes de Estado. Agora, não, mas será um veneno violento que afetará o jogo político posterior, seja quem for o vencedor. Que país sairá dessas eleições?, até desanima imaginar. Mas demonstra cabalmente as dificuldades embutidas em qualquer espasmo de modernização brasileira, explica as raízes do subdesenvolvimento, a resistência história a qualquer processo de modernização. Não é a herança portuguesa. É a escassez de homens públicos de fôlego com responsabilidade institucional sobre o país. É a comprovação de porque o país sempre ficou para trás, abortou seus melhores momentos de modernização, apequenou-se nos momentos cruciais, cedendo a um vale-tudo sem projeto, uma guerra sem honra. Seria interessante que o maior especialista da era da Internet, o espanhol Manuel Castells, em uma próxima vinda ao Brasil, convidado por seu amigo Fernando Henrique Cardoso, possa escapar da programação do Instituto FHC para entender um pouco melhor a irresponsabilidade, o egocentrismo absurdo que levou um ex-presidente a abrir mão da biografia por um último espasmo de poder. Sem se importar com o preço que o país poderia pagar".

19 de out de 2010

Frases do dia

“Nós não queremos ser os Estados Unidos da América do Sul, onde uma grande parte da população negra está na cadeia e uma parte da população branca pobre mora em trailer e não tem acesso às condições fundamentais de sobrevivência digna. Para ser respeitado, o Brasil tem que zerar a própria miséria" (Dilma Roussef, em encontro com artistas e intelectuais no Rio de Janeiro). "Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai" (Chico Buarque, no mesmo evento).

Pantera negra coloca ouro à venda

O juízo de valor do repórter ao final da matéria é ridículo, simplista e inaceitável. Incompatível, inclusive, com o mosaico de aspectos da questão desenhado ao longo da reportagem. O grifo no corpo do texto é meu. (Deu no "NEW YORK TIMES", por Wiliam Rhodem). "A notícia era perturbadora e ligeiramente inacreditável. Tommie Smith, o norte-americano campeão olímpico, colocou sua medalha de ouro em leilão. Justo Smith, um homem orgulhoso, disciplinado e de princípios. Mas lá estava, à vista de todos, no site da empresa responsável pelo leilão, a Moments in Time Memorabilia, a famosa foto que mostra Smith, Peter Norman e John Carlos, ouro, prata e bronze nos 200 m na Olimpíada da Cidade do México, em 1968. Carlos e Smith, com a cabeça inclinada, erguiam para o céu seus punhos calçados com luvas negras, enquanto a bandeira dos EUA subia ao som do hino nacional. A imagem continua a ser uma das mais conhecidas demonstrações de protesto e resistência na história do atletismo e serviu como perfeito símbolo para uma geração. Por que Smith, 66, desejaria vender algo associado a um momento tão histórico? Especialmente seu ouro? Quando a notícia surgiu, o primeiro nome que me ocorreu foi o de David Steele, colunista da AOL e coautor de "Silent Gesture", com Smith, projeto que demorou quase dez anos para ser publicado. Steele disse que estava surpreso, mas recordou que Smith já havia tentado vender o ouro nove anos atrás. O ex-velocista queria levantar dinheiro para sua fundação. Por que recolocá-la à venda? Será que Smith está com problemas financeiros? Steele não acha que é o caso. "Preocupa-me, com a divulgação dessa notícia, que todo mundo venha a ter essa impressão. A menos que alguma coisa tenha mudado nos últimos 12 meses, não creio que seja o caso", disse. Para muitos, o gesto se tornou inspirador símbolo de desafio. Para Smith e Carlos, que sofreram muito por ele, a medalha se tornou o símbolo de um pesadelo. Talvez, caso a venda ocorra, Smith consiga encerrar esse capítulo, ainda que na realidade ele e Carlos devam ser sempre definidos por aquele momento. "Ele jamais passou nem perto de se arrepender, mas tudo o que ocorreu desde então lhe causou muita dor. Ele continua a receber ameaças de morte", afirmou Steele. "Por outro lado, tem 66 anos. Talvez já não pense na medalha como objeto ao qual deve se apegar. É possível que haja um uso melhor a ser dado a ela", completou. Gary Zimet, representante da Moments in Time Memorabilia, também está vendendo as sapatilhas que Smith calçou na noite da conquista. Ele disse ter contatado Smith um ano atrás e perguntado se ele ainda tinha a medalha e desejava vendê-la. "A resposta foi: "De jeito nenhum"." Mas Zimet persistiu. Três semanas atrás, viajou à Geórgia para se encontrar com Smith e fechou o negócio. "Sei que ele deseja financiar uma iniciativa para a juventude e que boa parte do dinheiro da venda seria destinada a isso", disse Zimet. Quanto vale a medalha de Smith? Algumas casas de leilões de artigos esportivos estimam valor de venda entre US$ 8.000 e US$ 10 mil (entre R$ 13,3 mil e 16,6 mil). Zimet afirma que o valor mínimo para os lances é de US$ 250 mil (R$ 416,5 mil). O Dr. Walter Evans, proeminente colecionador de arte e proprietário de uma das maiores coleções mundiais de artefatos da cultura negra dos EUA, disse que, para colecionadores em seu campo, aquela medalha vale muito. "Smith é uma figura história. Não se trata de Martin Luther King ou Malcolm X, mas todas essas coisas combinadas ajudaram a mudar o rumo de nossa história." Smith não quis comentar sobre a venda, mas sua mulher, Delois, declarou por telefone que, "caso o leilão não propicie a soma que Tommie tem em mente, pode crer a medalha não será vendida". Zimet também procurou Carlos, bronze na mesma prova. Enviou um e-mail perguntando se Carlos estaria interessado em vender a medalha. "Não recebi resposta", afirmou Zimet. E nem deve recebê-la. "O cara nem deveria ter me procurado", declarou Carlos, em entrevista por telefone. "Ficarei com a minha medalha. Não a venderei, qualquer que seja a proposta. Minha filosofia é a de que ela é o legado que tenho para meus filhos. O que quer que decidam fazer com ela depois que eu me for é problema deles." Smith e Carlos foram a Orlando, Flórida, na semana passada para admissão à Galeria da Fama do National Consortium for Academics and Sports, organização dirigida pelo sociólogo esportivo Dr. Richard Lapchick. Carlos contou que Smith não mencionou o leilão. "Não me disse uma palavra a respeito", afirmou. "Ele ganhou a medalha. É dele. Tem direito de fazer com ela o que bem entender. Ele a merece, e a responsabilidade de dispor dela como preferir é sua. Espero que pense bem no que está fazendo, mas, ao mesmo tempo, não o desrespeito por isso." Smith deveria pensar com sabedoria sobre a venda. Sim, a medalha é dele, mas vem sendo apreciada há gerações por muitas pessoas que recordam o momento e por muitas outras que viram imagens da cena. O gesto está entre os momentos mais decisivos na história social e política do esporte nos EUA, em companhia da entrada em campo de Jackie Robinson para pôr fim à segregação no beisebol e à recusa de Muhammad Ali de servir o Exército. Smith e Carlos ergueram os punhos, em um gesto silencioso, mas muito forte. Agora, Smith quer faturar. Em um mundo ideal, alguém compraria a medalha de Smith e a devolveria como presente. A integridade não deve e não pode estar à venda. Smith deveria saber disso. Não foi por isso que agiu como agiu"? (Tradução de PAULO MIGLIACCI).

Museu Afro Brasil completa 6 anos

18 de out de 2010

Vivendo e aprendendo a jogar

Na semana passada estive em Bonsucesso, para participar da cerimônia de formatura de jovens e mulheres ligados ao CCDS - Centro de Capacitação e Desenvolvimento Social. Foi uma deferência muito gentil ao fato de o Pentes ter sido trabalhado durante o curso de construção civil para mulheres e outros cursos profissionalizantes para jovens. O curso foi resultado de uma emenda parlamentar proposta pela Secretaria de Políticas para Mulheres, encampada por um deputado da região que não se reelegeu. Trata-se de um deputado negro e sempre que me deparo com essas situações, pergunto-me o que será dos nossos? Daqueles para os quais os partidos não destinam cargos e proteção quando o mandato eletivo não vinga. Ainda não encontrei a resposta, só a constatação do abandono. Estive ao lado da Ministra Nilcéia Freire, simpática e assertiva como sempre. Aproveitei para fazer campanha política, para potencializar a valorização de minha presença como autora do Pentes e declarei meu voto em Dilma no segundo turno, e mais do que isso, conclamei as pessoas a votarem no projeto político representado por ela e que nos representa, também. Levei um puxão de orelhas da apresentadora. Parece que, como havia um deputado à mesa, não se podia pedir votos. Será que a intenção era não identificar o referido à campanha política (o deputado faz mas não pede votos) ou alguma represália à não-reeleição? Não sei! O certo é que cumpri o papel político que me cabia antes de ser avisada que não podia fazê-lo.

17 de out de 2010

Mais uma piada racista contra um jogador de futebol negro

A cena: derrotado por 3 x 0 pelo Flamengo, o jogador Tinga, do Internacional, concede entrevista coletiva. Visivelmente constrangido pelo péssimo desempenho do time na partida, o jogador, acuado pelos microfones (qualquer pessoa percebe que ele está intimidado pela situação) fala coisas truncadas, repetitivas, circulares e que pouco dizem. Salva-se em seu discurso, a explicitação da necessidade de aprender com a derrota, argumento dissonante da maioria dos jogadores de futebol que, ao contrário dos atletas das demais modalidades, acham que as derrotas devem ser esquecidas. Nos studios do Sport TV, o apresentador Sérgio Maurício não explicita seu descontentamento com a teor da entrevista de Tinga - eu concordaria com ele, se o fizesse - mas faz um comentário sobre a necessidade do Tinga "fazer a barba", pois, "com aquele cabelo" (dreadlocks) a barba mal feita se destaca ainda mais. Bob Faria e André Lofredo, companheiros de studio do comentarista, digo, do comentário racista, riem animados. Luís Carlos Júnior, no aúdio externo, também oferece um risinho e procura a cumplicidade de Paulo César Vasconcellos, melhor comentarista do Sport TV, que não sorri, alheia-se da cena e mira a câmera, sereno, como de hábito. Em outro lugar qualquer do mundo isso seria uma manifestação de racismo, sujeita à punição. Aqui, as coisas não são bem assim e os risinhos dos participantes da cena têm, historicamente, naturalizado as práticas de discriminação racial. Racismo seria apenas o que acontece nos campos de futebol da Europa. Vida que segue! Enquanto não tivermos gente como Samuel Etö nos nossos campos, craques de bola que empenham seu prestígio pessoal para defender-se e para defender aos seus do racismo, gente como esse Sérgio Maurício continuará impune, expelindo piadinhas racistas que perpetuam a inferioridade forjada dos negros e a falsa superioridade dos brancos. Definitivamente, o Brasil não é um país para principiantes! (Foto: o jogador Tinga) .

16 de out de 2010

Dilma Rousseff: sonhando e criando o futuro

"Eu, HILTON COBRA, ator, diretor da Cia dos Comuns, uma companhia de teatro composta de atores e atrizes negros, que foi criada com a missão artística, cultural e política de se criar um espaço voltado para a pesquisa teatral negra que possibilite um maior conhecimento da nossa cultura, apuro técnico e ampliação do espaço de atuação de profissionais negros no mundo das artes cênicas, tenho absoluta e profunda admiração e respeito por essa corajosa mulher, Dilma Vana Roussef. Não tenho dúvida, teremos um Brasil muito melhor nas mãos da Dilma. Será extraordinário para o Brasil ser governado por uma mulher, e uma mulher inteligente, competente e determinada. Mas ressalto. Somente teremos uma eleição realmente democrática quando os(as) candidatos(as), sobretudo à Presidência da República, discutirem a questão do racismo brasileiro em seus programas e debates. Mas como isso está longe de acontecer, resta apenas a esperança de um dia a gente negra brasileira, que representa hoje 51,3% da população do país, negar o seu voto e forçar os(as) candidatos(as) a assumirem nos seus programas de governo o combate efetivo e implacável ao racismo com a mesma intensidade com que os temas aborto, meio ambiente e religião estão forçando o adversário e a nossa candidata Dilma a se manifestarem. Somente seremos livres, desenvolvidos e democráticos quando erradicarmos o racismo. Ah! se a candidata, através de seus programas e metas, se comprometesse a combater o racismo institucional, a colocar realmente e de forma honesta as instituições federais – todas elas – a serviço do equilíbrio de forças políticas e econômicas entre os "vários" povos brasileiros, incluindo portanto os negros, não seríamos mais: · a maioria dos encarcerados nos presídios brasileiros; · a maioria dos favelados; · a maioria das crianças e dos jovens mortos nas guerras do tráfico; · a maioria dos “soldados” do tráfico; · a maioria analfabeta; · a maioria dos catadores de lixo; · a maioria da população de rua; · a maioria desempregada; · a maioria das crianças mortas por falta de higiene, comida e saúde; · a maioria nos manicômios; · a maioria, a maioria, a maioria... Seria um ótimo começo, minha querida candidata, e uma extraordinária visão de futuro. Estou com a senhora candidata e esperançoso de que sairemos vitoriosos no dia 31. Sem dúvida, será um marco histórico para o Brasil e, sobretudo, para o Brasil feminino. Parabéns, mulheres brasileiras"! (Foto: Hilton Cobra no papel de Policarpo Quaresma).

13 de out de 2010

Nelson Mandela não quer mais ser "um santo"

(Deu no Le Mond, por Sébastien Hervieu). “Em 2004, Nelson Mandela nos telefonou dizendo: ‘Venham até minha casa, tenho algo para vocês’”, conta Verne Harris, diretor do Centro da Memória da Fundação Nelson Mandela. Quando chegaram, o primeiro presidente negro da África do Sul lhes trouxe uma caixa. Dentro, estavam seus arquivos pessoais, que incluíam seus diários íntimos e agendas nas quais anotava seus encontros, seu peso e às vezes até mesmo os sonhos que teve no decorrer de seus 27 anos de prisão. “Ele nos disse: ‘Peguem, façam o que quiserem com isso”, conta ainda Verne Harris, “era uma forma de ele se libertar de um fardo, o de uma vida extraordinária”. Em “Nelson Mandela, Conversas Comigo Mesmo” (ed. La Martinière), uma seleção de arquivos com o prefácio de Barack Obama, que será publicado em 14 de outubro na França, dois dias após o lançamento mundial, o Prêmio Nobel da Paz de 1993 lembra essa vontade: “Um dos problemas que me incomodavam profundamente na prisão era a falsa imagem que eu tinha, sem querer, projetada no mundo; me consideravam um santo. Eu nunca o fui, ainda que se referissem à definição prosaica segundo a qual um santo é um pecador que tenta melhorar a si mesmo”. Depois da figura política onipresente em sua autobiografia, “Longo Caminho para a Liberdade”(publicada em 1994), é o homem Mandela que é revelado nessa antologia traduzida para vinte idiomas. É o marido de Winnie que descreve seu sofrimento por estar tão longe daquela que ele ama, em cartas enviadas de sua cela. É o pai de Thembi, que teve recusado seu direito de assistir ao enterro de seu filho, morto aos 24 anos em 1969. É o líder de uma luta de libertação, ciente demais dos sacrifícios pessoais aos quais teve de ceder. Nesses cadernos, ele conta como seu encontro com separatistas argelinos, em 1962, no Marrocos, viria a influenciá-lo. O líder do Congresso Nacional Africano (ANC) também observou, em 1998: “Muitas vezes, os revolucionários de outros tempos sucumbiram à isca do lucro, e se deixaram levar pela tentação de se apropriar de recursos públicos para seu enriquecimento pessoal”. À parte a menção de uma violenta briga com sua primeira esposa, Evelyn, essa obra praticamente não compromete a reputação do ícone mundial. “Madiba [que é também o nome de seu clã] nos deu total liberdade, mas é um ‘livro autorizado’. Há questões, como a do balanço de sua presidência, que não levantamos,” reconhece Verne Harris, “mas os arquivos estão abertos a todos”. Com a expectativa de que historiadores se debrucem sobre eles, a popularidade Mandela poderá crescer ainda mais, segundo Dirk Kotzé, professor de ciências políticas em Pretoria: “Há dez anos, ele vem repetindo que não quer nenhum culto à personalidade, mas sua humildade só faz ampliar sua aura”. (Tradução: Lana Lim).

12 de out de 2010

Publicação resgata história da nação angola na Bahia

(Texto de divulgação). "No próximo dia 19, das 19 às 22 horas, no Museu Carlos Costa Pinto, será lançado o livro A Casa dos Olhos do Tempo que fala da Nação Angolão Paquetan. Com a coordenação editorial do fotógrafo Aristides Alves, a obra resgata a história da nação Angolão Paketan, a partir do terreiro de Mutalambô ye Kaiongo, localizado em Cajazeiras XI e liderado pelo tata de inquice Mutá Imê. Além disso, o livro traz um texto do doutor em antropologia Renato da Silveira sobre a história da constituição do candomblé de nação angola no Brasil. Já a jornalista e mestre em Estudos Étnicos e Africanos, Cleidiana Ramos, escreveu sobre a história da família de santo do terreiro de Mutalambô ye Kaiongo. A obra traz também informações sobre as comidas sagradas; o uso das plantas, com análise dos biólogos Aion Sereno Alves e Ana Paula de Sales S. Alencar; ilustrações dos inquices (as divindades do culto angola) feitas por Marco Aurélio Damasceno, além de um CD com os cantos sagrados da nação que teve direção musical de Tuzé de Abreu. As fotografias que ilustram o livro são de autoria de Aristides Alves e serão exibidas em uma exposição que será realizada de 20 de outubro a 20 de novembro no Museu Carlos Costa Pinto. Também no museu acontecerá um seminário no dia 21 de outubro às 19h30 intitulado A Nação Angola na Bahia, com a participação do tata de inquice Mutá Imê, Renato da Silveira, Cleidiana Ramos, Jaqueline Freitas, da Fundação Palmares e Paula Barreto, coordenadora do Centro de Estudos Afro Orientais da Ufba (Ceao) e do Instituto Nzinga. A Casa dos Olhos do Tempo que Fala da Nação Angolão Paquetan foi realizado com apoio do Ministério da Cultura, via a Fundação Cultural Palmares. Os exemplares serão distribuidos gratuitamente para instituições que realizam pesquisas sobre a cultura e a religião afro-brasileira". Mais informações: Aristides Alves: (71) 8868-3596 3247-3596 Tata de Inquice Mutá Imê- (71) 8748-6136 Janja: (71) 9609-0106 Serviço: O quê: Lançamento do Livro A Casa dos Olhos do Tempo que fala da Nação Angolão Paquetan Quando: 19 de outubro das 19 às 22 horas Local: Museu Carlos Pinto, Av. 7 de setembro 2490- Vitória. Telefone: 3336-6081 Apresentação dos Cantos Sagrados da Nação Angolão Paquetan e da Orquestra de Berimbau do Grupo Nzinga O quê? Exposição: O Terreiro de Mutalambô ye Kaiongo Quando:De 20 de outubro a 20 de n ovembro, de segunda a sábado (exceto terça-feira, domingos e feriados). Das 14h30 às 18 horas O quê: Seminário A Nação Angola na Bahia Quando: 21 de outubro às 19h30 Local: Auditório do Museu Carlos Costa Pinto. Palestrantes: Mutá Imê- Tata de Inquice do Terreiro de Mutalambô ye Kaiongo Renato da Silveira- Doutor em Antropologia e professor da Ufba Cleidiana Ramos- Jornalista e mestre em Estudos Étnicos e Africanos Jaqueline Freitas- Jornalista, pós graduada em História e em Educação e representante da Fundação Palmares Paula Barreto-Diretora do Ceao-Ufba e do Instituto Nzinga

11 de out de 2010

Assim é Dilmais!

(Por Luis Nassif). "Desculpem amigos, vou votar no SERRA. “Cansei…Basta”! Vou votar no Serra, do PSDB. Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte. Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia. Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares. O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega… Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro a juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. ” É uma vergonha! “, como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro. Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz. Vergonha, vergonha, vergonha… Cansei de ir em banco e ver aquela fila de idosos no Caixa Preferencial, todos trabalhando de office-boys. Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou “empreendedor” no Nordeste. Pode? Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo, SBT, Band, RedeTV, CNT, Fôlha SP, Estadão, etc.). A coitada da “Veja” passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo. Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito… Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça. Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula… Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim… Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender com altos lucros. Chega dessa baboseria politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco… Quem pode, pode, quem não pode, se sacode. Tenho culpa eu, se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça? Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior. Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no SERRA. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. “Quero minha felicidade de volta.” Estou com muito MEDO. Chega! Assim está DILMAIS".

10 de out de 2010

Avante, Cuba!

Ganhamos uma vez e podemos ganhar outra. É difícil, mas não é impossível. Que a volta seja para ficar. Espero postar uma foto de vocês com a medalha de ouro, primeira de Cuba em mundiais.

9 de out de 2010

Uma História da Cultura Afro-brasileira premiado com o Jabuti 2010

(Do Correio Nagô por Juliana Dias). "Entre os 21 livros que receberão o 52º Prêmio Jabuti, no dia 04 de novembro de 2010, em São Paulo, está “Uma História da Cultura Afro-brasileira”, dos autores Walter Fraga e Wlamyra R. de Albuquerque, vencedor da categoria Livro Didático e Paradidático. A obra aborda diversas referências sobre a história, a geografia e a cultura da África, sobre o tráfico de escravizados e sobre suas condições de vida no Brasil. Em entrevista ao CORREIO NAGÔ, a Doutora em História Social pela Unicamp e professora adjunta da Universidade Estadual de Feira de Santana – BA, Wamyra R. de Albuquerque (foto) fala sobre a importância de ganhar o mais importante prêmio literário do Brasil e sobre a produção voltada para essa temática. Correio Nagô: Do que trata o livro? Wlamyra R. de Albuquerque:O livro trata da cultura afro-brasileira numa perspectiva histórica. O que fizemos (o livro é co-autoria com Walter Fraga) foi escolher assuntos importantes da nossa história e, a partir de pesquisas de diversos autores, recontá-los enfatizando o papel decisivo que os povos africanos e descendentes tiveram na constituição da nossa cultura. Em “Uma História da cultura afro-brasileira” não tratamos as histórias destes povos como contribuições periféricas à cultura nacional, mas como forças dinâmicas que formaram os modos de viver no Brasil. CN: Para você qual a importância de ganhar o mais importante prêmio literário do Brasil? WA: Sobre a importância do prêmio devo dizer que ainda estou numa nuvem de surpresa e felicidade, porque nunca imaginei que esta temática pudesse nos render um prêmio. O Jabuti é o mais importante prêmio literário do país, portanto estamos entre perplexos e orgulhosos pelo livro. Passado o susto, começo a pensar na importância desta premiação para dar visibilidade ao esforço de tantos autores que pesquisam e publicam nesta área. CN: Qual a importância deste tipo de produção, já que os professores ainda reclamam da falta de material pedagógico para cumprir a lei 10.639? WA: Acho que para os professores este livro se soma ao empenho deles, tanto os da rede pública quanto da privada, em oferecer aos alunos conteúdos e abordagens mais antenadas com questões que ainda são difíceis de serem abordadas no espaço escolar. As discussões sobre raça e cultura nacional estão, e acho que continuarão a estar, em aberto na nossa sociedade, porque não fundamentais e sempre inacabadas. E é bom que seja assim. Um dos saldos positivos das políticas de inclusão racial foi o de tirar da sombra os debates sobre raça, identidades e culturas miscigenadas no Brasil. A gente espera que o livro ajude os professores a enfrentar estas questões com os seus alunos.

8 de out de 2010

Marina: paradoxos

(Por Sueli Carneiro). "Há algo perturbador na performance eleitoral de Marina da Silva. Celebrada como alternativa às candidaturas de Dilma Roussef e José Serra a candidata procurou encarnar um projeto político fincado numa perspectiva ambientalista, de desenvolvimento sustentável e inclusivo que se desdobraria em políticas públicas preservadoras do meio ambiente e das populações diretamente afetadas pelos interesses econômicos ligados a exploração ambiental; na busca de compromissos junto ao empresariado mais avançado em relação à responsabilidade social das empresas para com o meio ambiente, com a mudança nos padrões de produção e consumo, e a convocação da sociedade para o acolhimento de práticas ecologicamente corretas. Uma agenda que dialoga com proposições contemporâneas de lideranças de primeiro mundo engajadas na defesa ambiental e que sensibiliza parcela dos segmentos supostamente mais escolarizados, críticos e exigentes da sociedade brasileira. No entanto, Marina é, ao mesmo tempo, portadora de valores morais decorrentes de sua filiação religiosa que dialogam com o obscurantismo e a intolerância. E, paradoxalmente, esses valores que afetam especialmente as camadas menos esclarecidas da população foram os elementos fundamentais de identificação desses segmentos com a candidata e que potencializaram as suas chances de forçar o segundo turno das eleições presidenciais. Portanto, encontra-se em Marina Silva, essa complexa junção de uma modernidade que ainda não se instituiu com um arcaísmo que resiste bravamente a desaparecer. Dessa tensão entre o velho e o novo, parece ter vencido o velho. Porque o Partido Verde enquanto defensor da causa ambiental, da descriminalização da maconha, da livre orientação sexual, entre outros temas polêmicos não se beneficiou eleitoralmente do sucesso da candidata, na medida em que, não conseguiu aumentar a sua bancada federal. No entanto, se a onda verde não foi capaz de aumentar os 14 deputados que o Partido Verde já dispunha, os elementos conservadores da candidatura foram catalizadores de uma cruzada religiosa homofóbica e contra o direito individual de decidir em termos de contracepção que influiu sobre o resultado final do primeiro turno. O desolador é que uma candidatura que prometia elevar o nível do debate político, introduzir temas de vanguarda como os afeitos à agenda ambiental e reposicionar os valores republicanos, limitou-se a rebaixar a eleição presidencial, no primeiro turno, a uma disputa eivada de moralismo vil, insuflada pelo oportunismo daqueles que se beneficiam da pobreza, ignorância e dos preconceitos para conquistar ou manter posições de poder (político ou religiosos) e as beneses deles decorrentes. Um desfecho melancólico que os 19% de votação e as negociações que esse percentual estão viabilizando, não podem esconder, nem livrar do constrangimento tanto a candidata que, a despeito de suas convicções religiosas, se posiciona eticamente acima desse patamar, quanto os seus eleitores mais ilustrados. Assim, os 20 milhões de votos da candidata não parecem representar, em sua maioria, o avanço de uma consciência política e social disposta a confrontar, conforme propõe Leonardo Boff, uma velha mentalidade representada, segundo ele, pelo “agrobusiness, o latifúndio tecnicamente moderno e ideologicamente retrógrado, parte da burguesia financeira e industrial. Esse é, para Boff, “o núcleo central do velho Brasil das elites que precisamos vencer pois elas sempre procuram abortar a chance de um Brasil moderno com uma democracia inclusiva.“ Infelizmente, os riscos e sequelas desse tipo de aborto não foram considerados pela expressiva parcela de seus eleitores tão sensível a esse tema".

Declaração de voto!

Voto em Dilma para a Presidência. Mas nem sempre foi assim. Embora tenha votado no PT em todas as eleições presidenciais, esta seria a primeira vez que não o faria. Votaria em Marina Silva, do PV. Uma mulher negra, de caráter e currículo incontestáveis, entretanto, de posições políticas retrógradas, quando não reacionárias, em relação a certos direitos das mulheres e a todos os direitos de lésbicas, gays e transgêneros. Uma estadista não pode posicionar-se aquém das bandeiras políticas mais nobres carregadas por seu campo político, em nome de princípios religiosos imbecis e cerceadores. Imagino que Obama tenha lá seus conservadorismos de gaveta, mas sabe que deve mantê-los trancados, pois ele representa o campo político mais avançado do país e não pode sucumbir a questiúnculas pessoais. Este, o principal motivo de mudança do meu voto. Voto em Fernando Gabeira, do PV, para governador do Rio de Janeiro. Voto no 13 para o Senado, duas vezes. Voto útil, sem qualquer entusiasmo, apenas para barrar o sacripanta. Não tenho qualquer apreço pelos caras-pintadas, embora reconheça que cumpriram papel midiático significativo no empeachment de Collor. Os candidatos ao Senado, nos quais votaria com convicção seriam: Marta Suplicy, em São Paulo, e Fernando Pimentel, em Minas Gerais. Para deputada federal voto em Benedita da Silva, pelo que ela representa em minha história. Benedita foi a primeira mulher negra inspiradora que tive na vida, depois das mulheres da minha família e antes de Sueli Carneiro. Eu ficava embevecida com a Benedita da Constituinte. Anos mais tarde, a pedido de Sueli, fui hospedada na casa dela, no Chapéu Mangueira. Dormi tão pouco aquela noite. Era grande a emoção de estar na casa de Benedita da Silva, aquela que conheci no Tribunal Winnie Mandela em São Paulo, 1988. Para deputado estadual voto em Marcelo Freixo, do PSOL. Há pessoas nas mãos dos bandidos, nas mãos da polícia e nas mãos da milícia. Tudo é ruim, não arriscarei dizer o que é pior, mas sei que pouca gente tem a coragem desse rapaz que está condenado à morte pela truculência das milícias. Votarei nele, mas não sei se quero realmente que ele seja eleito. Não acredito em heróis. Talvez seja melhor que ele não ganhe a eleição e que no dia seguinte ao fechamento da urnas, já tenha asilo político garantido em outro país, para lutar, lá fora, contra as milícias. Aqui, ele será morto por elas.

3 de out de 2010

Colonos e Quilombolas na imprensa de Porto Alegre

Em tempo: Emanoel Araújo, prefaciador do Colonos, confirmou presença no lançamento do livro em Porto Alegre, dia 19 de outubro de 2010.

APALPE – A Palavra da Periferia

APALPE – A Palavra da Periferia é um projeto que desenvolve oficinas artísticas por meio de uma metodologia inovadora. Absorvendo os conceitos de territorialidade e pertencimento, os participantes são levados a criar experimentações artísticas a partir do uso da PALAVRA. O projeto busca ressaltar a PALAVRA não somente na Literatura, mas também em suas livres expressões, como vídeo, artes plásticas e fotografia. Para finalizar o primeiro ciclo de oficinas, oferecidas a 35 jovens, nos dias 7, 8 e 9 de outubro, uma série de eventos gratuitos serão realizados. PROGRAMAÇÃO: Dia 07 de outubro / AÇÃO ESPECIAL - Apalpe apresenta Mano Brown na Universidade das Quebradas Local: UFRJ Praia Vermelha às 18h Dia 08 de outubro - Encontro com Ronaldo Correia de Brito – Autor do romance Galiléia (2008 – Editora Alfaguara) que recebeu o Prêmio São Paulo de Literatura/2009, Melhor Livro do Ano. Local: Sede Cia dos Atores às 19h Intervenção Urbana “A palavra da periferia”: - Abertura da Intervenção Urbana Apalpe – Toda a Rua Teotônio Regadas sofrerá intervenções visuais a partir do uso de palavras, transformando a via pública num local de experimentação estética, onde a memória do território, arte e vida se misturam: projeções, pinturas, cartazes, performances, etc. - Happening com mais de 35 artistas da metrópole do Rio - Abertura da exposição Carrinho Ambulante Literário – um carro que circula pelas ruas da Lapa reúne expressões plásticas produzidas pelos 35 participantes no processo da oficina Apalpe: vídeos, pod cast, fotomontagens, etc. - Distribuição da Revista Apalpe – 35 contos produzidos no processo de oficinas - Pocket Show com Numa Ciro (performer, cantora e atriz) - Bailão Literário - Coquetel e som eletrônico com o DJ Saens Peña festejam a literatura, onde os participantes fantasiados de personagens da literatura concorrem ao prêmio Apalpe de melhor fantasia. No Bailão teremos ainda a ação performática Livro Livre. Local: Escola Livre de Palavra e Rua Teotônio Regadas a partir das 21h Dia 09 de outubro Local: Sede Cia dos Atores - 10h às 12h: Oficina Apalpinho – Apalpando palavras com crianças (25 vagas) *Ministrada pelos arte-educadores: Renata Freitas e Raphael Couto - 13h: Abertura do Mercado Apalpe – Projetos formais e informais expõem seus produtos para o público do evento: livros, roupas, objetos de decoração, cd’s, etc. - 13h às 15h: Oficina de Cordel (25 vagas – jovem e adulto) - 15h: Debate – Subúrbio, Palavra de Origem Convidados: Cecília Gianetti (RJ), Marcelo Moutinho(RJ) e Vinícius Reis (RJ) /Mediadora: Érica Peçanha (SP) - 17h: Debate – A palavra como militância no território Convidados: Cannibal (PE), Heraldo HB (RJ) e Alessandro Buzo (SP)/ Mediador: Écio Salles (RJ) - 19h30: Sarau Apalpe Os mestres de Cerimônias Augusto Bapt e Combatente conduzem a noite de apresentações com música, rap e poesia. Serviço: Escola Livre da Palavra Rua Teotônio Regadas 26, Lapa Capacidade: Livre Sede Cia Atores Rua Manoel Carneiro, nº 10 e 12 – Lapa (Escadaria Selarón) Capacidade: 100 lugares UFRJ Praia Vermelha Av. Pauster 250 – Fórum de Ciência e Cultura (Salão Dourado) Capacidade: 100 lugares Entrada Gratuita www.apalpe.wordpress.com

2 de out de 2010

IMPROVISUAIS: acabou, não tem mais!

(Comunicado do Ricardo Aleixo). "A convite da professora, poeta e ensaísta Vera Casa Nova, organizei a mostra de poemas gráficos IMPROVISUAIS, integrando-a ao ciclo de atividades que marcam a minha chegada à casa dos 50 anos, no último dia 14/09, conforme amplamente divulgado na imprensa mineira. Hoje pela manhã, ao montar a mostra, fui surpreendido por dois atos de violência contra minha obra. No primeiro caso, uma estudante pisou, inadvertidamente, numa das peças, saindo do local – e é a esse gesto que dou o nome de violência – como se não tivesse quebrado o vidro de uma das molduras. Cerca de 20 minutos mais tarde, depois de ter fotografado o estrago provocado pela distraída aluna acima mencionada, vi o momento exato em que um energúmeno travestido de estudante pisou propositalmente na obra, enquanto eu falava ao telefone. Com uma câmera fotográfica/filmadora em punho, parti na direção do rapaz, que continuou a investir contra o meu trabalho, ignorando o alerta dos colegas que o acompanhavam. Trêmulo de ódio e impotência, consegui registrar, em poucos segundos, o triste símbolo de uma universidade que, decididamente, já não parece ser um lugar seguro para a poesia/arte – razão pela qual decidi cancelar a mostra".

Galo x Galo

Em meio a tantas explicações sobre o fracasso do Galo no campeonato brasileiro de futebol 2010, também darei meus pitacos. A culpa é do provincianismo da administração atleticana. De nada adianta ter o CT mais moderno do Brasil, quando não se considera que, na iminência de fecharem o Mineirão, com vistas aos preparativos para a Copa 2014, seria necessário investimento pesado e célere na recuperação do Independência. Times como Atlético e Cruzeiro não podem ficar sem um estádio de futebol em Belo Horizonte. A massa atleticana, todos sabem, é fonte importante de receita para o Alvinegro. Não é possível prescindir dela por falta de estádio de futebol na capital. Mas, o Kalil III ou IV deve ter pensado: com um cafezim e uns pão de queijo a gente convence a CBF a não fechar o Mineirão. O Ricardo Teixeira é mineiro ou não é? Pensando bem, a gente chama o Perrella e manda ele trazer uma lingüicinha de porco e a gente serve cachaça na xícara, do mesmo jeito que a politicagem fingia tomar café ali na Praça Sete. Quero ver se a gente não convence até a FIFA. Jogadores acostumados a ver o mundo, experimentados no futebol dos grandes centros do Brasil e outros centros do mundo (hoje há vários deles no Atlético), familiarizados com mentalidades administrativas mais afinadas com a modernidade, devem se sentir inseguros frente a um dirigente tacanho. Sim! Deve assustar! Até eu, nascida e criada em Minas fico assustada. Imagino uma pessoa de fora. O provincianismo sequer se reinventa. Ao invés de se preocupar em administrar o clube (não é só o Luxa que se acha hiper-mega-ultra) o Kalil III ou IV se arvora a cabo eleitoral da situação. Deve ser por inveja do Cruzeiro que tem um deputado federal próprio, lança a candidatura de mais um e também de um suplente ao Senado. Ele deve achar que a participação da dinastia Perrella na política nacional é responsável pela estrutura de familiaridade com a vitória que o arqui-rival desfruta há tantos anos, e o Atlético, infelizmente, nunca alcançou. Um comandante que entrega seus comandados aos abutres, não merece o posto. Onde já se viu um presidente de clube de futebol incentivar a torcida a dar porrada em jogador encontrado nas baladas? Ora, o Kalil III ou IV está mais para chefe truculento de organizada do que para presidente de clube. A continuar desse jeito não tem jeito. É assim desde que o mundo é mundo: galo que acompanha pato morre afogado.

1 de out de 2010

Apoio ao povo do Haiti!

E que tudo pareça um acidente: Incêndio no Real Parque

(Deu no blogue do Ferréz). "O esquema é semelhante á máfia italiana. Tudo tem que aparentar ser um simples acidente. Qualquer semelhança ao ocorrido no início do ano na região do Jd. Pantanal tem que mostrar-se como uma mera coincidência. Cada região com sua peculiaridade, cada qual com o seu tratamento diferenciado. No Paraisópolis não adianta fechar as comportas ou a barragem da Usina da Traição, pois os barracos não estão em uma baixada e o resultado seria o transtorno do moradores do Morumbi e Panamby que passam com seus respectivos carros pela Marginal Pinheiros. O jeito foi optar por outro elemento fundamental da natureza. O fogo. Na manhã do dia 24 de setembro, parte dos barracos da favela do Real Parque, zona sul de São Paulo, foram incendiados. Não por um, mas por três focos de incêndio em pontos diferentes. Um deles, segundo moradores, foi próximo aos eucaliptos que ficam na parte de cima do morro. Incêndio criminoso? Como provar se a nossa força pública eficientemente limpou o local do atentado antes da chegada da perícia. O mais curioso é que na madrugada de quinta para sexta parte da favela estava sem energia elétrica. Um dos focos do incêndio começou por volta das 4:30 horas e outro lá pelas 8 ou 9 horas da manhã. O resultado: parte do tumor que assombra a elite paulistana moradora da nobre região do Morumbi e imediações desapareceu. Para garantir que os moradores não retomem o terreno da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A.), foram feitas bases provisórias por onde circulam a Guarda Civil Metropolitana, Guarda Florestal e alguns homens do Exército. Parte deste mesmo terreno já tinha sido desocupado por uma ação de despejo em dezembro de 2007, momento em que a própria empresa declarou não ter grandes planos de construção para área por ser inapropriado devido seu aclive. A ação desta vez teve o papel somente de retirar da área famílias que moravam em grande parte em abrigos provisórios, próximos ao CDHU. Muitos dos que alí estavam já vinham de outras áreas evacuadas. O resultado: cerca de 350 família, quase 1.200 pessoas, ocupam garagens e casas de parentes próximos. Perderam quase tudo. Mas lembrem-se, tudo isto tem que ser avaliado de maneira desarticulada. O incêndio na favela do Jaguaré, os despejos na região da antiga Avenida Águas Espraiada, as enchentes e remoções na região do Jd. Pantanal, os ocorridos na região do Parque Residencial Cocaia, Cantinho do Céu, Grajaú, não passam de fatos isolados. Para qualquer um dos casos, o padrão de desculpas já é bem conhecido: moradias em área de risco e incêndio provocados por ligações clandestinas de energia. O mais incrível é que estes acidentes ocorrem de preferência em áreas de intensa especulação imobiliária e/ou espaços no qual há uma opção clara do discurso de preservação ambiental em detrimento da população que já está na situação de excedente do excedente do exército de reserva de mão-de-obra. E a tendência é que estes acidentes aumentem de modo exponencial até 2012, 2014. A cidade precisa mudar rapidamente, mas investimentos na área da moradia parecem estar definitivamente fora dos planos da Secretaria de Habitação que recusa-se insistentemente a ouvir parte considerável dos movimentos que lutam por moradia. Portanto, desarticulados, continuaremos a ouvir de maneira solta e desconexa as mesmas notícias?"