Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

30 de ago de 2007

Dois maranhenses ilustres: Tião (Carvalho) canta João (do Vale)

Escritor angolano em Belo Horizonte

Ondjaki, escritor angolano, autografa livro e lança filme em Belo Horizonte Sobre o autor: Ondjaki, nasceu em Luanda, em 1977. Licenciado em Sociologia, é ficcionista e poeta, membro da União dos Escritores Angolanos. Suas obras encontram-se traduzidas em diversos países, como Espanha, Itália, Suíça e Uruguai. Recebeu, em 2000, uma menção honrosa no Prémio António Jacinto (Angola) pelo livro de poesia Actu Sanguíneu. Em 2005, o seu livro de contos E se amanhã o medo obteve os Prémios Literários Sagrada Esperança (Angola) e António Paulouro (Portugal). Ondjaki desenvolve trabalhos artísticos como roteirista, ator e pintor (duas exposições individuais, em Angola e no Brasil). Atuou como assistente de realização no filme As cartas do Domador (Brasil, de Tabajara Ruas), na direção e edição dos vídeos Essa palavra Sonho e Faenas de Amor (2005), além da concepção e roteiros da mini-série Sede de Viver (Angola, TPA, 2004) e do guião do curta-metragem A Canoa (1988).Como cineasta, co-produziu e co-realizou Oxalá cresçam Pitangas – histórias de Luanda (2006), um documentário sobre a cidade de Luanda. Sobre o filme: Oxalá cresçam pitangas fala sobre Angola, sobre Luanda. Angola, 30 anos de Independência, três anos de paz. Capital, Luanda. Cidade construída para 600.000 habitantes. Actualmente com quatro milhões. Cruzamento de várias realidades e gente de todas as províncias. Elo de ligação com o resto do mundo. A vida desta cidade são as pessoas. Que pessoas? Através de 10 personagens, mostram-se formas diferentes de viver e interpretar a cidade. Filmado em Luanda (2005), Oxalá cresçam pitangas revela a realidade por detrás da permanente fantasia luandense. Dez vozes vão expondo, com ritmo, dignidade e coerência, um espaço ocupado por várias gerações e dinâmicas sociais complexas. Conflitos entre a população e a esfera política, a proliferação do setor informal, as desilusões e as aspirações, o questionamento do espaço urbano e do futuro de uma Angola em acelerado crescimento. O civismo. A moral. Mas estes dez personagens falam também das suas vidas, do seu modo de agir sobre a realidade, da música que não pode parar. Aparece uma Luanda onde a imaginação e a felicidade defrontam as manobras de sobrevivência; onde a Língua Portuguesa é mexida para se adaptar às necessidades criativas de tantas pessoas e tantas linguagens. Este é um filme sobre uma Luanda que recria constantemente a sua identidade: os dias, as noites e todos os ritmos da cidade que não sabe adormecer. Com uma visão que acentua a esperança no futuro, Oxalá cresçam pitangas – histórias de Luanda é uma viagem pelas pessoas, pelos bairros e pelas histórias de Luanda. Dividindo a produção e a realização do projeto, Ondjaki e Kiluanje Liberdade, nascidos depois da independência de Angola, decidiram juntar preocupações sociais a uma visão estética própria. Se o filme nasce do desejo de questionar Luanda na sua modernidade, há uma busca ainda mais profunda: o que desejam os luandenses para o seu futuro? Que cidade sonham habitar e construir? Como incorporam as adversidades sem perder o sorriso? Partindo das ocupações e das histórias dos personagens, falando do campo prático, ocupacional, mas passando por memórias e experiências, os realizadores mergulharam nas ambiências positivas de Luanda, deixando a fantasia sobrepor-se ao sofrimento, sem fugir às verdades sociais. Filmam Luanda a partir de dentro: abordando a vivência, o olhar e a voz daqueles que a freqüentam. Para inventar uma conversa sobre a cidade... para que novas vozes estéticas, angolanas, possam reinventar e modificar Angola. Depois da guerra, Luanda é uma «outra» cidade que mistura fenômenos urbanos e rurais só possíveis em tempos de paz. O setor informal, sendo a grande alternativa, agita o país e dinamiza as relações. Os jovens colocam diariamente a imaginação a serviço da sobrevivência e da felicidade, inventando formas de viver e sobreviver – por necessidade e pelo gosto de se sentirem vivos. Palco de arte, festa e alegria, Luanda é uma cidade de fantasia. A tristeza e a felicidade convivem com a euforia. Os casamentos são sempre festivos; os funerais nem sempre são tristes. Há um substrato intencional de felicidade nas ações e intenções dos luandenses. A linguagem falada traduz um modo de pensar mais local e típico. Num português carregado de calões e de adaptações, reflete-se o modo interventivo de as pessoas agirem sobre a realidade. Nos gestos e nas falas, aparece a fantasia que acompanha os ritmos do quotidiano. A cidade vive, noite e dia, com música nos lares, nas viaturas, nas ruas. É possível captar uma vivência rítmica do quotidiano pela importância que se dá à música e ao convívio. Luanda ainda não havia sido filmada sob esta perspectiva realista e humana. Dia 30/08/2007, às 20h45min, Teatro PUC Minas.. Sessão de autógrafos e debate com o autor.

29 de ago de 2007

Mande notícias do mundo de lá

Vejo algumas pessoas tão felizes quando voltam. Eu não tenho para onde voltar. Sei de onde saí, mas não tenho para onde voltar. Minhas viagens são como as de João Cabral, para encontrar o meu mundo. Para chegar ao meu interior. A volta pode ser para qualquer lugar, onde haja um amor e a família fique próxima, ao alcance da mão para visitar. Os amigos estão mesmo espalhados pelo mundo, nunca estiveram concentrados em um só lugar. Deve ser por isso que a cidade não é um tema para minha narrativa. As pessoas vivendo nas cidades, os cotidianos que cada cidade engendra, um certo jeito de olhar o mundo a partir de um lugar, isso me fascina. Mas a geografia das cidades, os lugares da urbes, os temas políticos da cidade X ou Y, isso não me dá tesão. Pelo menos assim como seduziram Lima Barreto, João do Rio e Antonio Maria. Tá certo que eles nasceram e, ou, viveram no Rio de Janeiro, cidade de singular beleza, capital da República, em períodos de intensa transformação histórica e social. Eram homens. Da noite e da boemia, características da cidade. Diferentes de Raquel que escreveu sobre o dia, o sol, a seca. Sobre viagens de barco pelo São Francisco, do Nordeste até o Rio de Janeiro, passando por Minas Gerais. A cidade para mim não é um personagem, o Estado talvez o seja mais. Acho que o Estado propicia mais estados de espírito do que as cidades. Elas te forçam mais a ser. Por exemplo, eu, mineira que sou, profundamente ligada à minha terra e a um jeito mineiro de ser, sou formatada pela cidade de São Paulo. Depois de tantos anos vivendo ali, vejo-me com preconceitos regionais com o ritmo (aos olhos dos paulistanos, mais lento) de pessoas de outros lugares do país. E são essas pessoas que constituem a São Paulo, que as obriga a ter o suposto ritmo rápido dos paulistanos. Quando dei meu primeiro livro ao Ignácio e ele leu em voz alta que eu era mineira de Belo Horizonte, um amigo dele disse: “ah... então a Adélia tem razão. Não é necessário sair de uma cidade do interior para publicar”? O Ignácio iniciou um papo sobre a política editorial no Brasil e minha vontade era dizer a ele: “ser da interiorana Belo Horizonte é diferente de ser de Divinópolis. Em Divinópolis você pode ser você mesma com mais leveza. É mais fácil sair do seu interior, sem deixar a cidade. Belo Horizonte é minha Araraquara. É meu trem fantasma. Talvez, por isso, eu não crie raízes com os lugares, mas com as pessoas.

28 de ago de 2007

Ricardo Aleixo: poesia como saída

(Jornal Estado de Minas, por Marcos Vieira e Janaina Cunha Melo - 27/7/07) Poesia como saída. O escritor Ricardo Aleixo comemora 30 anos de literatura, prepara nova antologia e inaugura o projeto Modelos vivos, composto por livro, áudio, vídeo e performance. Pensar projetos coletivos sem tornar-se um homem de rebanho. Essa tem sido a grande obsessão de Ricardo Aleixo, artista de muitas faces que encontrou na poesia um modo de se situar diante do mundo. Não fosse pela palavra e pelo arrebatamento da obra de Augusto de Campos, no ainda jovem escritor, seguramente seu destino teria sido outro, inimaginável para ele, que passou pelo futebol, música e artes visuais antes de encontrar a vastidão da literatura. “A poesia não serve para nada, não se compra pão com palavras, mas não se vive sem ela. O dizer poético é a dimensão amplificada da crise do humano. Não acalma. Ao contrário, nos mostra o quanto ao vivo é muito pior”, afirma o poeta, com a maturidade de três décadas rendidas à imperativa necessidade de se expressar através de versos provocativos. Ao longo desses 30 anos, Ricardo Aleixo despertou para a convicção de que sem poesia ele seria outra pessoa, necessariamente pior, segundo avalia. Referências de todos os tempos alimentam o seu trabalho. “Não se pode ignorar o que veio antes, o que circula paralelamente e o que ainda não foi escrito. Devo o que sou a essa possibilidade de lidar com a palavra poética, minha e dos outros”, reforça. Nenhuma das outras experiências, no esporte ou nas artes, foi significativa o suficiente para levá-lo ao nível de reflexão desejado. Por sorte, ele afirma, ninguém apareceu para dizer ao adolescente negro, de família pobre, que a literatura seria um caminho inviável. Do mestre Augusto de Campos, que ele descobriu depois de ter acesso a João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade e Oswald de Andrade, entre tantos, Aleixo guarda a entrega à cultura brasileira. “Cada poema dele é um projeto existencial e cultural. Campos ilumina a compreensão do passado da poesia”, diz. Aos 17 anos, Ricardo Aleixo começou a experimentar os primeiros versos, em meio a todas as crises típicas da idade. Os dilemas ainda persistem e ganharam a dimensão da trajetória percorrida. “Ainda me pergunto quem sou, para onde vou e como articular a passagem possível entre o pessoal e o coletivo. Entender como preservar a individualidade sem se isolar tem sido minha grande obsessão de uma vida inteira.” De certa maneira, esse é também o dilema da própria poesia, que parte de universo particular para levar idéias à coletividade. Para o escritor, equivoca-se quem pensa que a poesia tem problemas para se estabelecer ou se sustentar como gênero literário de muitos adeptos. “Não é que ela esteja em crise. A poesia é a instauração da crise”, afirma, pontuando a tênue mas importante diferença entre uma afirmativa e outra. De Festim, seu primeiro livro publicado, até os dias atuais, muitas mudanças aconteceram. A maior e mais fundamental delas está na percepção de que seu trabalho interessa a muitos e não apenas a poucos amigos, como imaginava no início. Seu fazer poético tornou-se abrangente, sem que houvesse esforço além da dedicação. Para ele, o mito de que a poesia é um gênero de mercado impraticável faz parte de intenção política de manipular e cercear a liberdade dos escritores. Sua trajetória também demonstra que é possível vencer suposta “maldição” contra os poetas. “Do Modernismo para cá, estamos sendo convencidos de que nosso trabalho não dá retorno financeiro, do qual não se sustenta a existência material. Essa é uma forma de manter a poesia como algo etéreo e justificar a manipulação dos poetas enquanto sujeitos”, avalia. A despeito dessas – falsas – verdades, Ricardo Aleixo recebeu seu primeiro pagamento decorrente de trabalho escrito em 1983, com a publicação do poema Aquele olhar de leitor, em página inteira do Suplemento Literário. “Recebi algo como um salário mínimo. Fiquei chocado ao saber que pagavam”, lembra. No início daquela década, ele ainda estava empenhado em se sustentar como músico, além de trabalhar como funcionário público. Durante anos, alimentou a ilusão de que, se mantivesse o ganha-pão afastado da poesia, poderia preservá-la imaculada, em alguma medida. “Hoje tenho todo o tempo para ela, e isso é ótimo.” Autodidata criterioso, o poeta desenvolveu método próprio de estudos envolvendo semiótica, sociologia e filosofia, entre outras matérias. Foi a maneira que encontrou para lidar com a fatalidade de se acidentar durante um jogo de futebol. Uma bolada no rosto, aos 18 anos, exigiu repouso por cerca de três anos, cinco cirurgias e comprometimento de 70% da visão do olho direito. Durante esse período de dores atrozes, como descreve, Ricardo Aleixo desistiu de freqüentar a universidade, por falta de condições e também de vontade. “A poesia era a única saída, eu não tinha escolha.” Mas essa foi uma decisão sobretudo política, tomada com convicção. “Minha família nem teve tempo de se assustar. Venho de uma família pobre. Foi uma escolha imprudente”, reconhece. Feliz por ter enfrentado os riscos, Aleixo colhe os frutos. Com vários projetos em andamento, ele está em fase de preparação de sua primeira antologia poética, a convite de uma editora paulista, que ele prefere não revelar até que o trabalho se consolide. Este é um momento especial, de revisão dos quatro livros que circularam bastante em Minas Gerais, tiveram lançamento nos Estados Unidos, mas chegaram com escassez aos outros estados brasileiros. Cada um deles, aponta o autor, tem histórias muito particulares, por isso vai ser necessário estabelecer critérios extra-emocionais. Ele também acaba de ser contemplado com bolsa do programa Petrobras Cultural, que lhe permitirá desenvolver o projeto Modelos vivos, composto por livro, áudio, vídeo e performance. Para realizar o kit, ele deve produzir cerca de 60 poemas inéditos. O escritor ainda comemora ter chegado à fase de acabamento do Laboratório Interartes Ricardo Aleixo – Lira –, que deve ser inaugurado em breve. O espaço cultural em Santa Tereza está sendo preparado para abrigar acervo pessoal, documentação de curadorias (Festival de Arte Negra e Bienal Internacional de Poesia, entre outros). “Nunca pude ter em casa um espaço só para criação. O Lira atende a essa demanda. Da cozinha ao último cômodo, vai ser possível fazer arte em qualquer lugar”, conta. Violão, computadores, livros, tintas estão na lista de todos os objetos que Aleixo precisa para a criação. O ateliê vai dispor também de pequeno alojamento para a recepção de amigos de outras cidades ou países que venham a Belo Horizonte para projetos de curto prazo. E vai oferecer atividades didáticas, como aulas e workshops, além da promoção de debates e conferências. O poeta não pretende realizar programas massivos e tem previstas oficinas de designer sonoro, uso dos sons não-musicais, acompanhamento de projetos gráficos editoriais. O artista também vai ensinar a fazer livros, passando por todas as etapas, da seleção dos textos ao lançamento do trabalho. Ricardo Aleixo observa que esperou todos esses anos por esse momento. “Tenho know-how de pobreza, agora quero algum conforto. Vivia duro, tendo que escolher entre a cerveja e um livro novo. Agora posso ter os dois. Sou contra franciscanismo”, diz o artista, que conta haver se organizado sem apologia ao consumismo. Criou uma forma de vida frugal e preservou as conquistas do dia-a-dia. “Esse pouco permitiu que eu fizesse muitas coisas, até que os convites para palestras, viagens, aulas e a bolsa criaram uma nova circunstância”, conclui. “A poesia não serve para nada, não se compra pão com palavras, mas não se vive sem ela. O dizer poético é a dimensão amplificada da crise do humano. Não acalma. Ao contrário, nos mostra o quanto ao vivo é muito pior” Ricardo Aleixo, poeta

24 de ago de 2007

Era dia de ventania

Nos tempos em que a regularidade climática permitia, 24 de agosto, dia de São Bartolomeu, era dia de ventania. Nunca conheci a relação do santo com o vento, mas assim se dizia. Depois aprendi que vento é mudança: "sente-se, levante-se, prepare-se pra celebrar o Deus MU-dança; o dia da MU-dança; a hora da MU-dança". Mu também é som de vaca, que fica parada olhando para o nada, comendo capim e processando a mudança toda por dentro, enquanto digere, enquanto rumina. Ruminante é quem é touro, na astrologia, quem é cabra, no horóscopo chinês. Na China paro a brincadeira de emendar rima e vou para a objetividade celebrativa do pôste. Pra dizer que tanta notícia boa, nos últimos dias houve, que faltou tempo e fôlego para comentar. As revisttinhas Erê e Dandara, procuradas nas bancas, ainda não chegaram, devem chegar no final da semana. A Dóris cantando a história do samba recebeu bela resenha no Boletim Eparrei on Line, editado pela Casa de Cultura da Mulher Negra de Santos. Há também uma entrevista curtinha desta vossa escriba, dêem uma olhada lá www.casadeculturadamulhernegra.org.br Zezé Motta foi homeageada em Gramado pelos 40 anos de carreira artística. Lindo! Cantou para agradecer. Eu procurei uma resenha que fiz há algum tempo sobre a biografia dela, "Muito prazer", publicada pela coleção Aplauso/Perfil da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Não encontrei, mas quando achar, posto aqui.A Tereza lançou o "Negrices em flor" na Cooperifa, saiu na Folha de São Paulo e terça, 28/08, tem mais lançamento. Ontem assistimos Milton Santos no cinema, eu esperava mais Milton Santos e menos opiniões do diretor sobre a globalização. Tudo bem, valeram as imagens do mestre, as lições de sempre, os textos por nós quase decorados. Milton Santos, iluminado. Uma estrela de cá, outro mestre, Oswaldo de Camargo, iniciará o "1o Encontro de gerações no Museu Afro-Brasil". Literatura negra para todos os gostos e idades, a partir de 1o se setembro. A princípio senti falta das escritoras, mas devem chegar com o tempo. Aguardo ansiosa para ver Oswaldo e Edimilson de Almeida Pereira, juntos. Antológico, vou gravar. E Paulinho da Viola com Happin Hoody, vai dar o que falar. Saiu também a 2a edição do jornal Irohin, cada vez melhor. www.irohin.org.br

22 de ago de 2007

Revistas infantis, Erê e Dandara, nas bancas

"Chegam às bancas de todo país, esta semana, as revistas infantis: ERÊ e DANDARA. As publicações trazem desenhos para pintar, jogos, caça-palavras e os conteúdos em sua maioria relacionados à cultura afro-brasileira. Por meio de atividades lúdicas e criativas, as revistas falam sobre diversidade para crianças de 0 a 12 anos. Ambas terão sua periodicidade mensal. A iniciativa inédita do cartunista Maurício Pestana se baseia na Lei 10.639/2003 que obriga o ensino nas escolas da história da África e de seus descendentes no Brasil".

Dóris canta a história do samba em BH

21 de ago de 2007

Mais uma obra das Edições Toró!

1o Encontro de Gerações no Museu Afro Brasil: arte e sonho de Oswaldo de Camargo

Sou fã do LIRA, não posso negar!

O poeta Rique Aleixo, criador e fomentador do LIRA, Laboratório Interartes Ricardo Aleixo, abre inscrições para o curso "palavra falante: a voz na poesia". Quisera estar lá para fazê-lo. O curso é "voltado para poetas, compositores, músicos, cantores, atores, professores e praticantes de áreas (artísticas ou não) que se valem da palavra, o curso tem como objetivo trabalhar, nos planos prático e teórico, as múltiplas possibilidades de uso criativo da voz tanto na difusão quanto na composição da poesia. O curso se divide em 6 aulas individuais de 2 horas cada (uma aula por semana). Explanações teóricas, exercícios e audição comentada de gravações de poemas de diversas épocas e tendências artísticas compõem a metodologia do curso. Será fornecida apostila com material teórico e reprodução de poemas-partituras". Há um pré-requisito: pede-se aos interessados que enviem carta de intenções e breve currículo para o email ricardoaleixo@terra.com.br. Outras informações sobre o professor: "Ricardo Aleixo é poeta, editor, artista sonoro e visual. Publicou, entre outros, os livros Trívio (2001) e Máquina zero (2004). Já apresentou performances e espetáculos intermídia na Argentina, na Alemanha, em Portugal, na França e nos EUA. Foi curador da Bienal Internacional de Poesia de Belo Horizonte (1998) e do Festival de Arte Negra (1995, 2003 e 2005/06). É professor da disciplina Design Sonoro na universidade Fumec. Atualmente, desenvolve o projeto Modelos vivos (livro + áudio + vídeo + performance), com recursos oferecidos pelo programa Petrobras Cultural".

20 de ago de 2007

Lançada em BH, a (Re)vista da Laje e Kit da Memória, com histórias sobre um dos maiores conjuntos de favelas de Belo Horizonte

“Pensando em sistematizar a vivência e experiência dos moradores do Aglomerado Santa Lúcia, foi desenvolvido nos últimos dois anos o Projeto “Para Além do Horizonte Planejado: a memória no Aglomerado Santa Lúcia”, o Projeto Memória. Como resultado deste trabalho, foi lançada dia 18 de agosto, na Praça de Esportes da Barragem Santa Lúcia (avenida Artur Bernardes, 3770), em frente à Casa da Fazendinha, a (Re)vista da Laje e o Kit Memória. A fazendinha é um dos casarões mais antigos de Belo Horizonte, sua construção remonta à formação da capital mineira. No entanto, são poucos os registros oficiais sobre a história dessa comunidade e de outras favelas. Ao longo de dois anos, o projeto desenvolveu atividades que garantiam a participação direta dos moradores do aglomerado, por meio de uma troca entre os saberes acadêmicos e populares. Foram reconstituídos momentos importantes dessa comunidade, além de entrevistadas lideranças comunitárias e pessoas comuns que, quotidianamente, escrevem capítulos dessa história. O projeto resulta da parceria entre Grupo do Beco, Associação dos Universitários do Morro (AUM) e Programa Conexões dos Saberes (UFMG). A (Re)vista da Laje traz os perfis de moradores, reportagem sobre os primeiros anos do aglomerado, um ensaio que fala sobre a Casa da Fazendinha, contos, poesias e fotos sobre diversos grupos e festas organizadas no aglomerado. Ainda traz uma entrevista com a professora de história da UFMG Regina Helena da Silva, que fala da relação da memória das favelas e as cidades. Os textos foram escritos por universitários moradores do aglomerado e por bolsistas da UFMG, do programa Conexões dos Saberes. O Kit da Memória é composto por um VHS e um DVD, contendo filmes e documentários sobre o Aglomerado Santa Lúcia; um CD com fotos da comunidade e um exemplar da (Re)vista da Laje. Ele será distribuído a 40 instituições entre associações de moradores, escolas, centros culturais e grupos religiosos”. Aguardo a revista para ler e comentar aqui no blogue. A imagem é da Iléa Ferraz.

18 de ago de 2007

Que orgulho, Zezé! Parabéns!

Amarelo de sábado

(por Maria Tereza - www.poetasnauticos.space.live.com) "hoje lembrando que é sábado acordei muito além da hora/ pulei a parte de exercícios obrigatórios pra continuar de pé/ comi banana, mixirica, bolo e bebi café com uma força pedindo passagem em meu ser saudei mamãe Oxum pedi muita, mas muita doçura , que às vezes me engasgo contando amarguras cantei,/ cantei várias vezes uma música nova pra ela/ guardei as lágrimas quase doendo e fui me lavar/ cantei mais, agradeci por tudo o que acontecera até aqui/ antes de melancolicas, sorri e pedi/ um amor novo pra me agradar, preu me enroscar, pra tocar esse barco que de repente/ vira uma viola sem corda.../ pra brincar de andar de dois que nem criança quando dá a mão e olha pra frente/ naturalmente/ já agradeci pedindo, lembrando que o dia agora tá no fim/ e tanto fiz e lembro da força que me fez açao afrorústica brasileira". (ilustração: Iléa Ferraz - Dança com sol II)

17 de ago de 2007

Negrices em flor, livro novo de Maria Tereza

Maria Tereza Moreira Jesus. Este é o nome da escritora da foto, metaforizada em Curupira, pela arte do Rodrigo Bueno. Tereza, amiga querida, lançará pelas Edições Toró, o aguardado “Negrices em Flor”, segundo livro de sua produção, escrito e ilustrado por ela. Prometo comentá-lo, assim que sair do forno e que eu consiga um exemplar. Na semana que vem, certamente. Posso adiantar, pela leitura do denso, “Ruídos”, livro de estréia, que a literatura de Tereza é vigorosa, surpreendente, descompromissada com formalismos e agrados. Tampouco pretende chocar ou causar impacto. Choca e impacta, simplesmente. Vejam dois poemas do Negrices, de Tereza: “Faz muito tempo.” As mulheres/ As meninas/ As moças/ As mães e tias da periferia/ Querem homens profundamente/ Mais educados educadores/ Mais pensantes pensadores/ Mais elegantes não só reprodutores/ Mais generosos não geniosos/ Mais humanos cidadãos/ Porque a história tem seus ciclos sim/ E tudo se renova de olhos atentos/ E principalmente as avós/ Querem homens que enterrem seus mortos/ “Oxumarê movimentar” Serpente quer se mudar/ Esticada no chão em minha casa/ Leio orikis com demora/ O quarto limpei com água, sabão e fumaça/ Recolhi trecos, peças de vidro/ Pelo fresco da hora agradeço Oxalá/ Hoje não estou de passagem/ A luz se mostrou plenamente/ O altar requer presentes/ No início da lágrima sorrio/ Arco-íris pintando o infinito/ Ser mulher de cabeça menino/ Lançamentos: dia 22/08, às 20:00, no Sarau da Cooperifa - Rua Bartolomeu dos Santos, 797, Bar do Zé Batidão. Jardim Guarujá. Alto da Piraporinha. Tel: 5891-7403. Dia 28/08, às 18:30, na Ação Educativa – Rua General Jardim, 660, próximo ao Metrô República, 3151-2333. Tudo em Sampa. Neste lançamento, participações de Gaspar (Záfrica Brasil) e Beth Belli, querida mestra, dentre outros artistas.

15 de ago de 2007

Tridente na biblioteca "Café com Leitura", em Sapopemba, zona leste de Sampa

A biblioteca foi inaugurada recentememte e fui convidada pelas amigas Bel Santos e Vera Lion (IBEAC) para ir até lá bater um papo com um grupo de 30 jovens e adolescentes. "Desde 1999 o IBEAC vem trabalhando com a formação e a supervisão de projetos de Jovens Agentes de Direitos Humanos na periferia de São Paulo – em Cidade Tiradentes (zona leste) e no Jardim São Savério (zona sudeste) para aprofundar conteúdos teóricos, fortalecer e implementar novos projetos de direitos humanos. Para apoiar o processo multiplicativo foi publicado o manual 100% Direitos Humanos. Os Jovens Agentes gerenciam duas Bibliotecas Comunitárias que funcionam como pólos culturais: Biblioteca Comunitária e Centro de Documentação de Direitos Humanos Solano Trindade, em Cidade Tiradentes e Biblioteca Comunitária Livro-Pra-Que-Te-Quero e Maloca Espaço Cultural, no Jardim São Savério (Ipiranga). Em 2006, foi criada na favela do Parque Santa Madalena, a Biblioteca do Sapopemba, que é um “Café com Leitura”. Entre as atividades do Projeto, pretendemos proporcionar aos adolescentes e jovens da região de Sapopemba, que têm interesse na gestão de bibliotecas, instrumentos que facilitem esta ação; propomos, portanto, um encontro envolvendo adolescentes e jovens de Sapopemba e representantes das bibliotecas Solano Trindade e Livro-Pra-Que-Te-Quero. O Encontro será nos dias 15 e 16 de agosto, no Cedeca Mônica Paião Trevisan, rua Vicente Franco Tolentino, 45 – Parque Santa Madalena - São Paulo, das 8h00 às 17h00". Minha participação será amanhã, das 13:30 às 16:30, durante uma oficina que estou chamando de "Histórias de tridentes e outros contos e crônicas". Aproveito também para doar exemplares dos meus livros para a biblioteca "Café com Leitura". Pretendo trazer os "produtos" da oficina para o blogue. Vamos ver se a moçada topa.

14 de ago de 2007

Casa Grande e Senzala em quadrinhos: o revisionismo da escravização nas salas de aula

(Por Ana Paula Maravalho - conselheira gestora do Observatório Negro) Quando o francês Jean Marie Le Pen, presidente do Front National (o mesmo que desbancou o candidato do Partido Socialista, Leonel Jospin, nas eleições presidenciais de 2002, obrigando os franceses a votar massivamente em Jacques Chirac para evitar que a França fosse governada pela extrema direita) declarou em 07 de janeiro de 2005[1], que "na França, pelo menos, a ocupação alemã não foi particularmente desumana, mesmo que tenha havido abusos", iniciou uma onda de protestos no seu próprio país e no mundo, que o forçou a se retratar posteriormente. A retratação se deu menos por uma revisão de suas convicções pessoais[2] que pelo risco de ser enquadrado no crime de revisionismo, previsto na Loi Gassot, lei de 1990 que, entre outras medidas destinadas a coibir a discriminação racial, qualifica como delito e pune com sanções penais toda "negação de crimes contra a humanidade". Protestos nas ruas, mobilização social (com direito a quebra-quebra e vaias ao então Primeiro Ministro, Nicolas Sarkozy) forçaram igualmente um recuo do Conselho Constitucional francês, quando, ao modificar a proposta original da deputada guadalupeana Christiane Taubira[3] , fez referência ao "papel positivo desenvolvido pela colonização". Embora não equiparado juridicamente ao revisionismo, as conseqüências políticas desta tese para o governo foram as mesmas que as assumidas pelo oposicionista de extrema direita Le Pen. Imagine-se então qual seria a reação dos franceses à publicação de um livro em quadrinhos, retratando os campos de concentração, com as imagens que nos acostumamos a ver em documentários e fotografias oficiais, em que se apresentasse a mesma tese revisionista do Front National, mas de forma simplificada para o publico infanto-juvenil, "informando", por exemplo, que os judeus tinham as cabeças raspadas para impedir a proliferação de piolhos, que sua magreza era parte de um regime alimentar destinado a fazê-los perder o excesso de gordura - para o seu próprio bem! -, que as câmaras de gás na verdade tinham como finalidade a desbaratização[4] ou outras monstruosidades semelhantes. Pior: se o tal livro fosse adotado pelo governo e distribuído nas escolas publicas republicanas, principalmente naquelas onde se concentram a maioria dos jovens egressos da imigração. As conseqüências políticas e sociais de tal iniciativa seriam incomensuráveis. Nem mesmo os partidários da extrema direita liderados por Jean Marie Le Pen ousariam sequer pensar em tal ação. Pois bem, vivemos no Brasil situação análoga à delirante hipótese. Em 2005, Ano da Promoção da Igualdade Racial, a Editora Globo, em parceria com a Fundação Gilberto Freyre e a Fundação Joaquim Nabuco, por ocasião dos cem anos de nascimento do sociólogo pernambucano, relançaram a adaptação para os quadrinhos da conhecida obra de 1938. Casa Grande e Senzala em quadrinhos procura tornar acessível ao publico infanto-juvenil as idéias que nortearam a obra que sintetiza o mito da democracia racial. O livro em quadrinhos traduz, em imagens de uma plasticidade inatacável, aquilo que a obra original deixa a cargo do leitor imaginar: índias e negras nuas, oferecendo a opulência de seus dotes físicos a portugueses devidamente vestidos, absolvidos de toda a culpa por ceder às tentações; crianças negras - sempre referidas no livro como "moleques" ou "crias", ao contrario das crianças brancas, que merecem o tratamento de "meninos" - sendo montadas como se fosse cavalo por crianças brancas, ao lado do texto que louva "a participação do escravo na vida sexual e de família do brasileiro". Tal participação é mostrada, no livro, de forma a acentuar o papel utilitário da população negra, como quando identifica a mulher "negra ou mulata" como "o grande atoleiro da carne", a terceira "vitima" na linha de sucessão dos "vícios nos quais escorregava a meninice dos ioiôs", logo depois dos moleques (leia-se crianças negras) e dos animais domésticos. A reedição da obra em quadrinhos tem o objetivo explicito de "difundir a obra de Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala, junto ao publico infantil e adolescente, em formato quadrinizado, possibilitando o conhecimento da origem do caráter nacional (SIC), formado pela tríade branco, negro, índio"[5] . Com este objetivo, a Fundação Gilberto Freyre celebrou convênios com o Ministério da Cultura (Convênio SIAFI n° 588641, destinado a apoiar o projeto "Casa Grande e Senzala em Quadrinhos, no valor de R$ 300.000,00, valor integralmente liberado em 29 de dezembro de 2006)[6] ; com o Governo do Estado de Pernambuco (que investira R$ 100.000,00 na produção de 40 mil exemplares do livro, destinados aos alunos da rede publica)[7]; e com a Prefeitura do Recife, que desde 2001 realiza oficinas de iniciação à leitura para alunos da rede municipal, tendo por base o Casa Grande e Senzala em Quadrinhos. O caráter revisionista da obra fica evidente na abordagem justificadora e romantizada da escravização de indígenas e africanos, naturalmente inferiorizados em relação aos portugueses; na minimização dos crimes bárbaros cometidos contra pessoas, tais como a tortura e o estupro e, sobretudo, na absoluta invisibilização da resistência à escravização. A imagem de negros amordaçados com uma mascara de flandres merecem no livro em quadrinhos a seguinte justificativa: "os africanos possuíam o estranho vicio de comer terra. Para protegê-los, os senhores os prendiam ou os amordaçavam com uma mascara de metal". Para uma imagem de uma pessoa negra presa numa espécie de armadilha suspensa (castigo físico que lembra em muito o "pau-de-arara"), o texto segue com a mesma justificativa de "proteção": "ou então, era o paciente suspenso do solo e preso a um panacum de cipó. O isolamento durava vários dias, durante os quais o negro ficava sujeito a um regime especial de alimentação". E o livro segue em sua associação medonha de imagens aviltantes da população negra a textos mentirosos, hipócritas. Textos que não fazem outra coisa senão negar a crueldade da escravização de africanos no Brasil, e inventar um passado em que não há lugar para os negros e negras brasileiros/as enquanto sujeitos da historia ou enquanto "participes do processo civilizatorio nacional"[8]; em suma, em que o negro desaparece como pessoa para assumir o lugar de animal de carga exótico e/ou erótico (no caso das mulheres) – papel, alias, que se estende aos indígenas. A concepção contemporânea dos direitos humanos, inaugurada com a Declaração Universal de 1948, baseia-se sobre o universalismo e indivisibilidade dos direitos humanos, tendo como ponto de partida a preservação da dignidade da pessoa humana[9]. Compreender que "os direitos humanos não são um dado, mas um construído"[10] é perceber que o que é considerado "direitos humanos" sofre variações de acordo com a época e a demanda dos sujeitos políticos constituídos a partir do combate, da luta pelo "direito a ter direitos". O entendimento de que o trafico de seres humanos e escravização de africanos durante o período de colonização das Américas constituiu um crime contra a Humanidade embasou o Movimento Negro a requerer da comunidade internacional o reconhecimento dos efeitos maléficos da colonização, bem como a reparação dos danos à população negra, através de ações afirmativas, na Conferência de Durban, em 2001. O paralelo com a situação de exclusão e de extermínio vivida pelos judeus não é absurdo, tanto que vem sendo incorporado pelo Governo brasileiro em outros momentos: assim, a única jurisprudência definitiva em crime de racismo no Brasil refere-se exatamente ao caso Ellewanger[11], em que se negou Habeas Corpus ao editor contumaz de livros que pregavam a minimização do genocídio nazista e o ódio contra os judeus. Da mesma forma, em 2005, Ano de Promoção da Igualdade Racial, o governo federal incluiu os judeus brasileiros entre a população credora de ações afirmativas que equilibrem as desigualdades causadas pela discriminação. Assim, o repudio ao revisionismo das crueldades e crimes cometidos durante o período escravista no Brasil é conseqüência lógica da política de Igualdade Racial do Estado Brasileiro, decorrente dos princípios anti-racistas da Constituição Federal de 1988 e herdeira direta dos compromissos internacionais assumidos pelo Estado Brasileiro quando ratificou a Convenção pela Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial e a Declaração e Programa de Ação de Durban. Voltando ao livro "Casa Grande e Senzala em Quadrinhos", os efeitos danosos de sua publicação são ampliados pelo fato do livro ter sido adotado em programa de iniciação à leitura nas escolas publicas estaduais e municipais. Foi exatamente por reconhecer na escola um espaço privilegiado de constituição da identidade e cidadania e por identificar neste espaço a reprodução de praticas racistas, que o Estado Brasileiro elegeu a educação como campo prioritário para ações de combate ao racismo. No entanto, apesar das boas intenções, as iniciativas governamentais neste sentido - desde os Grupos de Trabalho implementados no Governo FHC à Lei 10.639/2003, ainda carente de implementação efetiva - esbarram no colossal despreparo dos professores em lidar com a questão racial, na falta de livros adequados, na falta de recursos. Neste quadro, as situações representadas no Casa Grande e Senzala em Quadrinhos são particularmente desastrosas, pois reforçam graves estereótipos racistas sem qualquer atenuante, causando danos gravíssimos às identidades em construção. Como explicar aos alunos negros (maioria dos que freqüentam a escola publica) que o livro não é o retrato da realidade? Como ensina-lo a se defender dos seus colegas "brancos" que, sem duvida, vão querer repetir a imagem ensinada pelo livro como "brincadeira entre companheiros", fazendo-os de montaria? Como impedir que as meninas negras incorporem na construção de sua personalidade a função descrita no livro: a de objeto sexual, de reprodutora, de ama de leite, de trabalhadora sujeita à violência? Como impedir que as crianças brancas incorporem, por sua vez, a idéia de superioridade racial e de gênero que o livro explicita e ilustra em diversas ocasiões? Onde recuperar e reconstruir as imagens que o livro não traz: a resistência à escravidão, as rebeliões, a participação dos negros na literatura, na política, na medicina, na engenharia? A publicação do livro e sua adoção em escolas publicas afronta o ordenamento jurídico brasileiro em suas diretrizes de promoção da igualdade e combate ao racismo, a partir da Constituição Federal (art. 5º, XXXIV, "a" e XXXV; arts. 127, caput, e 129, I, III e VI), passando pela Lei 7716/89, que regulamenta o dispositivo constitucional segundo o qual a pratica de racismo é considerada crime inafiançável e imprescritível, e fere especialmente a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, cujo conteúdo programático deverá incluir "o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil" (art.1°). Ao financiar a publicação do livro com dinheiro publico e adotá-lo nas escolas publicas, o poder publico federal, estadual e municipal assume o contraditório papel de, em nome da promoção da igualdade, disseminar idéias racistas e perpetuar estigmas inferiorizantes em relação à população negra e indígena. O Observatório Negro, ONG de combate ao racismo e sexismo requereu judicialmente a criminalização dos responsáveis pela edição desta obra, como incursos no art. 20, § 2° da Lei 7.716/89 – praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, através de publicação de qualquer espécie - bem como sua responsabilização civil pelos danos irremediáveis causados à população brasileira, em especial crianças e adolescentes, pelas idéias revisionistas que difundem através da malfadada publicação. Conclamamos a população brasileira a REPUDIAR esta publicação, juntando esforços no sentido de desconstruir os danos já causados às crianças e adolescentes que foram expostos às idéias do livro sem uma visão critica, no ambiente da própria escola. Finalmente, em nome da verdade histórica é preciso que se diga: os negros escravizados comiam terra como ultimo recurso para resistir à escravidão, através do suicídio. O desespero, a coragem e a resistência implícitos neste ato merecem o respeito de todos os brasileiros à memória destes ancestrais – e não foram poucos – que fizeram de suas vidas o mais radical libelo pela liberdade. Este é o nosso legado, e é nosso dever transmiti-lo às novas gerações. -------------------------------------------------------------------------------- [1] Entrevista ao semanário de extrema direita Rivarol [2] Em 1987, Jean Marie Le Pen havia qualificado as câmaras de gás como um "mero detalhe da historia da Segunda Guerra Mundial" [3] Deputada de Guadalupe, Território de Além do Mar (Territoire Outre-Mer) da Republica Francesa, Christiane Taubira é negra e uma das principais vozes contra o racismo na França. [4] Teses efetivamente difundidas pelos revisionistas, entre outros, Albert Rousset, Conselheiro Regional do Front Nacional que, em 2004, declarou que "a função das câmaras de gás nos campos de concentração nazista era desinfetar milhares de prisioneiros portadores de pulgas e de tifo". [5] Relatório anual da Fundação Gilberto Freyre, 2001 – pg. 19. [6] Consulta possível no endereço: www.cgu.gov.br/convenios/DetalhaConvenio.asp?CodConvenio=553584 [7] Conforme anunciado no portal do Governo do Estado, no dia 02/08/2007: www2.pe.gov.br/web/portalpe/exibirartigo?companyId=communis.com.br&articleId=4227 [8] CF, art. 215, § 1° [9] Preâmbulo da DUDH [10] Hannah Arendt, em "As origens do totalitarismo". [11] HC 15155/RS, Habeas Corpus 2000/0131351-7, julgado em 18/12/2001 e pulbicado no DJ de 18.03.2002, p. 277.

13 de ago de 2007

Afro-lembranças dos Jogos Panamericanos

Na abertura, Virna e Robson Caetano. A primeira, contra as cubanas, às vésperas de encerrar a carreira, disse que o time brasileiro de volei feminino iria pegar "aquelas nega". Yo soy cubana desde criancinha, soy una de las nega. O segundo se vira nos trinta. Multifacetado. É apresentador, comentarista, canta e dança no Domingão do Faustão. É admirável. A duras penas consegue se manter em evidência. Diogo Silva, o belo que não figura em nenhuma lista de belos. Só na minha, lida apenas aqui no blogue. Menino de ouro. Mãe de diamante. Mas vocês viram quantos sósias arrumaram para ele? Sósia careca, de cabelo curto, de trança, cara de lua, e ele, todo longilíneo. Nenhum sósia rasta, de dreadlocks. Engraçado. Sósia, no meu entendimento, precisa ser parecido na singularidade. No caso do Diogo, singular é o cabelo. Ao acharem tantos sósias para ele estão dizendo que o campeão tem características muito comuns, facilmente encontráveis. Quantos homens rastas, brasileiros, você conhece no esporte nacional? Atletas de ponta, de alto nível e visibilidade? Eu conheço o Diogo e o Roque Júnior, que passou a cultivar dreads depois de ter descoberto sua magia na Europa. Muitos homens negros de dreads eu só vejo na Bahia, em Salvador, na limpeza das ruas, nos caminhões de carregar cerveja, para além do ambiente dos blocos Afro. Revolucionário, depois disso, só as tranças coloridas do Wagner Love e as madeixas do Ronaldinho Gaúcho e seus seguidores na sub-20, sub-17 e nas outras sub. Pois é, Zé. E a lista das mais belas? Na minha não pode faltar Kátia Cilene, atleta do futebol feminino. Tá aí na foto. E Marta Sobral, do basquete. Aposentou-se há tempos, mas Marta é eterna. Sua beleza e elegância estão para as quadras, como Naomi está para as passarelas. Marta, for ever. E os meninos do boxe? Pedro Lima e o outro. Seguindo o escript da entrevista global carregaram nas tintas da pobreza, dos sofrimentos na infância, da ajuda à mãe, etc. Aí a repórter achou que eles estavam exagerando e os interrompeu. "Tá bom, tá bom. Vocês sofreram, mas o importante é que conseguiram. Estão classificados para disputar a final." Ednanci Silva. Gloriosa. Ainda bem que não desapareceu como Edwaldo Valério. Edwaldo Bala. Alguém viu nosso menino da natação? As meninas do futebol feminino. Divinas. Tinha até placa no Maracanã: "não vi Pelé, tô vendo a Marta". "Dunga, é Marta e mais dez". Só foi dispensável aquela reboladinha, ridícula, assim que subiram ao pódio. E ainda tantas afro-medalhas de prata. Outras de bronze. Quero aproveitar o mote e propor mudança nas manchetes. Chega de "Claudinei Quirino, mais um vitorioso contra a pobreza". Eu quero Quirinos, Silvas e Santos apresentados assim: "Cláudio Berkerck, velejador por diversão". Quero os meus velejando, não quero criança esperança. Sem essa de esporte como "inclusão social". Quero os meus patinando, jogando tênis, de quadra e de mesa, nadando, montando cavalos, se inspirando em Daiane dos Santos, porque é gostoso, divertido, desafiador. Quero o esporte para fluir, não porque não tem saída pra preto. Ou por ser a "saída" da pobreza. E continuar sendo tratado como preto, sempre. Jadel Gregório, um rei Iorubá, face a crise dos aeroportos, ao chegar em Saõ Paulo, vindo de uma competição na Europa, ouviu pergunta cretina sobre ida de ônibus para o Rio de Janeiro, para a disputa do PAN que nos trouxe o ouro. Ele riu irônico e respondeu "vou tentar ir de avião". Era como se dissesse, "se eu não conseguir, espero que o poder público ou o COB providencie um helicóptero para me levar". É que o repórter acha que preto agüenta tudo e mesmo sendo atleta de alto nível, ele continua preto, fortão, e poderia passar seis horas num ônibus, antes de uma competição internacional. Até valorizaria a medalha. A ministra alçou Eliete Cardoso dos Reis (24 anos), campeã da patinação, ao posto de mãe da ginasta Daiane (22 anos). Por quê, perguntou a moça, irritada. "Porque vocês duas são moreninhas." Durma-se com um barulhos desses. Por essas e outras, eu canto: "Euuu sou afro-brasileirooooo, com muito orgulhooo, com muito amooorrr. Eu sou afro-brasileiroooo"...

11 de ago de 2007

Mais um dia dos pais e um homem negro sem camisa

A propaganda é alusiva ao dia dos pais e vários homens brancos, um oriental e um negro aparecem com seus respectivos rebentos trocando carinho. Todos os homens trajam camisa. Diferentes tipos de camisa, de manga comprida, esportivas, coloridas, sóbrias. Diferentes também são os homens brancos. De cabelos pretos, de cabelos amarelos, lisos, encaracolados, de barba, sem barba, com a barba por fazer. Modernos. Despojados. Clássicos. Uns sérios, outros risonhos. O oriental é um só e também veste uma camisa. Ele é único, mas eles são 1% da população brasileira. Só o homem negro, também único representante de seu grupo racial, está sem camisa. Como os demais homens da propaganda, ele é bem bonito e ainda tem o detalhe dos músculos em destaque, do óleo que deixa a pele dele brilhando. As roupas das crianças são compatíveis com a roupa dos pais. Exceto o figurino da criança negra. O pai de peito desnudo sugere uma situação de praia, clube, calor, despojamento. Mas deve ter havido erro na escolha da roupa porque a menina negra não está vestida como uma criança que vai brincar em um clube, um parque ou praia. Ela parece um bibelô, uma bonequinha antiga, vestida com extremo mau gosto e desconforto. Traja um vestido de duas saias, cheio de babados e rendas. Como é que a bichinha vai correr presa em um trambolho daqueles? O produto é anunciado e cada pai eleva o rebento aos céus. Pois pai que se preza deve dar essa demonstração de força e controle motor. O pai negro é o mais escondido (deve ser porque seus músculos são muito salientes) e a garota negra passa como uma nuvem de chuva rala. Termina a propaganda e as interrogações permanecem. Por que a menina negra é a única vestida com uma roupa tão cafona e anacrônica? Por que se representa apenas a diversidade dos homens brancos? Por que, justamente o modelo negro, foi escolhido para figurar sem camisa?

10 de ago de 2007

Festa celebra a obra de Fela Kuti

Fela Kuti foi um artista nigeriano que gravou mais de 70 discos em 30 anos de carreira. Inventou o afrobeat (mistura de jazz e funk com ritmos africanos), candidatou-se à presidência da Nigéria, fez frente à corrupção no país,foi preso, e morreu há dez anos, em 02/08/1997, aos 59 anos, vítima da Aids. Sua obra foi largamente estudada pelo historiador caribenho Carlos Moore, mas o trabalho só está publicado em francês e inglês. A música de Fela impressionou figuras como Paul McCartney, James Brown, Gilberto Gil e Miles Davis. Entretanto, nem a grandeza de sua obra, tampouco sua trajetória peculiar, têm sido suficientes para que o multiinstrumentista tenha o reconhecimento devido. Para celebrar sua música, a Festa Fela promove uma noite inspirada no afrobeat. A intenção é divulgar uma cultura ainda pouco conhecida no Brasil com uma discotecagem 100 % afro (DJs MZK, Ramiro e Tahira) e distribuição gratuita de "Fela Kits" - um aglomerado de informações sobre Fela e o afrobeat (mixtape, reportagens, pôsteres, etc...) embrulhadas em envelopes personalizados. A Festa Kuti é uma parceria da grife Zeroum com o site Radiola Urbana e participação dos artistas Kboco, MZK, Prila Paiva e Valentina Fraiz. FESTA FELA Quando: sábado, 11/08, a partir das 23h Onde: Núcleo Bartolomeu, R. Augusto de Miranda, 786, Pompéia. São Paulo. Quanto: R$ 12 Informações: ramiro@radiolaurbana.com.br

9 de ago de 2007

Bolo de aniversário do Tridente - confeiteira: Iléa Ferraz

Boas vindas ao novo livro do Edimilson - "Malungos na escola: questões sobre culturas afrodescendentes e educação"

( texto de divulgação da editora) "Malungos na escola - questões sobre culturas afrodescendentes e educação tem como principal objetivo oferecer subsídios aos educadores na implementação da Lei nº. 10.639, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-brasileira, nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio. Estudioso e pesquisador da cultura popular afro-brasileira, o professor Edimilson de Almeida Pereira projeta a importância da inclusão do tema nos currículos para além das "políticas afirmativas que permitem à sociedade brasileira reconhecer sua dívida para com os africanos e seus descendentes". O livro está dividido em três partes. Na primeira, é feito um inventário das heranças africanas que influenciaram e influenciam a sociedade brasileira: alimentação, danças, vestuário, festas, religião, habitação e língua. Segundo o autor, uma compreensão maior das influências africanas na cultura permite que se entenda, também, os modos de funcionamento da sociedade brasileira. Na segunda parte do livro, é feito um estudo de elementos banto-católicos no sistema de valores do Congado, de Minas Gerais (uma das mais importantes manifestações da cultura afro-brasileira). A partir da análise dos cantos, o autor identifica a "relação que os devotos estabelecem entre os temas sagrados e os temas sociais"; relação que confere à festa o caráter político e pedagógico, permitindo que a comunidade envolvida discuta suas experiências de socialização. Ao tomar o Congado como referência, é possível estabelecer o parâmetro das diferenças que transitam nas escolas brasileiras, para encaminhar propostas de "práticas educacionais voltadas para a promoção do diálogo". Na terceira parte, são levantadas questões sobre a existência de corpus literário que "se insinua" como Literatura Negra ou Afro-brasileira. Nesse sentido, são apresentados alguns autores, além da análise de fragmentos de suas obras. E, finalmente, cinco autores afro-brasileiros contemporâneos são entrevistados pelo autor e fazem uma reflexão sobre literatura, educação e formação de identidades". Malungo (do banto = companheiro) era o termo usado pelos cativos para identificar àqueles que tinham viajado no mesmo navio, quando foram trazidos da África.

8 de ago de 2007

Coletivo Ubuzima na área

O Coletivo Ubuzima - arte, tranças e acessórios afro tem o prazer de convidar todos vocês para a inauguração da exposição UBUZIMA DE CORPO E ALMA. Será dia 10 de agosto na Galeria COMCAT de arte comunitária e contará com intervenções artísticas e participação do rapper canadense THEVOYCE. Não perca essa!!! COMCAT - Beco João José, n.07. Largo São Francisco da Prainha. Próximo à praça Mauá e Sacadura Cabral. Rio de Janeiro. Para conhecer o trabalho do Coletivo acesse: www.ubuzima.vipflog.com.br

Dugueto Shabazz, o poeta

A poesia de Dugueto Shabazz é corte de adaga, profundo e seco, sem sangue, mas dilacerante. Tem um pouco de esperança desbordada no tapete do gênio da lâmpada. Um quê de menino que sonha (e luta) por um mundo de paz. Um brado de quem desafia a lógica do extermínio e um canto que desafina e rejeita o côro dos que querem torná-lo herói, protagonista de documentário de mocinho para exibição na Faculdade como trabalho de conclusão de curso. Ou dissertação de mestrado, tese de doutoramento. É poesia de quem tem as rédeas da própria vida nas mãos. "A guerra se prolifera. O levante da favela./Não é uma ameaça. É uma promessa./Promessa de terror. Horror. Incêndio./Por isso playboy, tenha medo". Na Internacional Palmarina I elege-se a primeira Presidenta do Brasil: "Uma presidente chamada Maria./ Sobrenome Cariri. Líder de periferia./Prum reino de sotaques. Cores. Corações./Tradições. Regiões. Amores. Religiões./ Em apoio ao comboio caros amigos raros./ Vieram Sandino. Steve Biko e Tupac Amaru./ E fica claro pra quem viu e ouviu:/ Declaro a República Palmarina do Brasil". No poema Volta pro condomínio, a fala que poucos têm coragem, propriedade e domínio da forma para asseverar: "Êu no rap. Cê no rock. Pipa já não quero mais./ Cê paga de rebelde na verdade é incapaz./ Um terço de malandragem ensaiada e de tabela./ Aprendia quando subia atrás de fumo na favela (...)Cê quer saber, quer entender minha cultura./ Sou pedra na viatura só que um pouco mais madura./ Minha cultura é armadura, alvará de soltura./ Antiescravatura. Liberdade pura (...) O título do meu depoimento é nós por nós./ Meu sofrimento não será mestrado de playboy./ Nas linhas da malandragem eu escrevo minha história./ Minha biografia é de autoria própria./ Miséria não é fashion. Favela não é pop./ Meu conceito é contexto Dugueto e te deixa em choque./ Desde muito eu cursei favelês./ Agora vêm vocês dizer que eu sou a bola da vez"./ "Junto à polícia que invade, agride, revista./ Enquanto o repórter registra a entrevista (...) Luz, câmera. Mão pro alto. O que é mais soturno:/ O sobrevôo do globocop ou o robocop de coturno?"/ "Eu não temo a polícia e sua corrupção./ Tenho a ficha limpa e não pertenço à facção./ Sem drogas no bolso ou armas na cintura./ Não perambulo pelas ruas à procura da mais pura./ Eu não compro. Não vendo. Não porto. Não uso./ Contra crack. Nike. Red Label e Tag Hauer./ A força do break dance e a beleza do black power./ Quem não tem valor. Tem preço. Vê se não se esquece". Na foto, Dugueto é o rapaz do centro, de jaqueta jeans.

7 de ago de 2007

Notícias jugulares!

Notícias Jugulares é mais uma obra publicada pelas Edições Toró, projeto do visionário, poeta, dramaturgo e educador, Allan da Rosa. A concepção editorial é de Matheus Subverso, do editor, Allan, e do autor, Dugueto Shabazz. Ridson Dugueto e Sharif Abdul Al Hakim são seus outros nomes. Várias personas para um só coração, intenção, direção, meta. Dugueto é o cara, o escritor que eu precisava. O livro me aguardava na fila de leituras e as três tentativas anteriores (de livros) naufragaram. Eu precisava de Notícias Jugulares. O renomado rapper GOG sentencia na orelha da publicação: "Numa rapidez de raciocínio admirável munido pelo verso, pela prosa e a verdade ele ataca a jugular do Sistema num bote certeiro e fatal. Chega, na sua estréia, trazendo a certeza de que a Periferia tem motivos de sobra para bater no peito e dizer: Temos uma literatura nossa!" Dugueto é profético com sabedoria (mesmo sendo muito jovem), ou seja, não manipula, como dono, a verdade da periferia, observada e vivida. Dá um recado direto, contundente, mas deixa espaço para que quem lê decida em que acreditar, o que ver. Por isso gosto mais do Dugueto prosador, embora o poeta seja mais admirado e reconhecido. Mas, sobre livros que gosto muito, escrevo pouco. Prefiro citar trechos da leitura que me absorveu. Vamos a alguns deles. Na dedicatória a Iran e Carlos, dois amigos que não chegaram a se conhecer, o autor escreve: "A pólvora que os alvejou, em tempos e lugares diferentes, vale mais que quem os abateu".O cotidiano da morte, cru, como as fotos dos jovens negros abatidos nas operações policiais "bem-sucedidas" nos morros cariocas e outros morros do Brasil, se faz presente todo o tempo. É o presente, o inferno de todo dia. Dugueto não se furta da autoridade que tem para falar dele. Anuncia que o Manifesto Jugular é "o fio da percepção auto-didata lendo as entrelinhas subliminares dos becos". Sobre a língua, no mesmo Manifesto, diz: "Definitivamente não! Não falamos português. Não. Nosso latim é afrofavelizado". Conclama mais à frente: "Somos a INTERNACIONAL PALMARINA e Notícias Jugulares é uma carta de convocação (...) Isso aqui é literatura marginal e ponto final. Não fomos nós que inventamos esses muros e nós não temos que dividir o pouco que temos em nome de nenhuma igualdade hipócrita e falsária (...)Dessas páginas voam tiros e scratches. As questões periféricas agora são centrais. Jugulares. E serão viscerais". Apertem os cintos. Dugueto é o piloto. Profissional seguro, tem plano de vôo, os reversores funcionam e a pista está seca. "Então nenhum dos caminhos é doce, e o sonho tem que voltar à cena. E eu já dei a minha palavra, e nunca fui bom em exatas porque não oferecem nenhuma margem pra discussão; mas vou ter que achar um jeito de transformar esse complexo químico de que eu falei (incapacidade, culpa, dor e revolta) em oxigênio". No próximo pôste falarei sobre o oxigênio da poesia de Dugueto Shabazz. Para contatar o autor: noticiasjugulares@yahoo.com.br Para conhecer a proposta e os livros das Edições Toró: edicoestoro@yahoo.com.br (11) 37259919. Leiam este menino, vale a pena.

6 de ago de 2007

"Uma cidade em camadas" - ensaios sobre o romance Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato

"Desde que foi lançado, em 2001, Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato, vem despertando as mais diversas reações. Apontado como uma das revelações da literatura contemporânea, o livro causou impacto no campo literário brasileiro, recebendo resenhas nos principais jornais do país, obtendo prêmios (APCA e Machado de Assis) e despertou uma série de interpretações no meio acadêmico. Além disso, o livro foi apontado como a quarta obra de ficção brasileira mais importante em votação realizada em 2005. Destacando uma das características marcantes da obra de Ruffato - a pluralidade de perspectivas - a Editora Horizonte lança Uma cidade em camadas - ensaios sobre o romance Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato. Organizado nos Estados Unidos por Marguerite Itamar Harrison, o livro reúne 15 ensaios de estudiosos do Brasil e do exterior, todos tomando os Cavalos como ponto de partida para pensar uma obra em processo, como define Regina Dalcastagné na orelha da publicação. Os ensaios abordam os mais diversos temas, desde a filiação de Ruffato ao modernismo da década de 1920, em especial a aproximação da experimentação da linguagem com Oswald de Andrade, guardadas as devidas proporções e distanciamentos, passando por comparações ligeiras com a Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade. A leitura dos Cavalos à luz de outras obras de Ruffato. Análises semióticas dos índices da escrita do autor, a posição do narrador, a pluralidade de vozes, a temática da degradação urbana, a cidade-personagem que se manifesta nas histórias individuais, pequenas, nas quais Ruffato destaca o anonimato como condição de resistência e possibilidade de alteridade". Dia 07 de agosto, às 19:30, na FFLCH/USP. Prédio de Geografia e História. Sala de vídeo do departamento de Geografia. Em tempo: Ana Rüsche e Dirceu Villa avisam que oferecerão o curso Poetas da Modernidade: Um Panorama Internacional, no espaço Barco Virgílio, no mês de setembro. Os objetivos são apresentar de forma agradável e próxima os principais poetas que produziram durante o século XIX e XX, cujo conhecimento se faz imprescindível para compreensão da arte moderna, como os nomes de Rimbaud, Baudelaire, Rilke, Hölderlin, Eliot, Pound e Pessoa, dentre outros. Informações: www.barcovirgilio.com.br

3 de ago de 2007

Leituras negras em Porto Alegre

"Você está recebendo um convite pessoal e intransferível para participar das LEITURAS NEGRAS IV. LEITURAS NEGRAS é uma atividade que iniciou em outubro do ano de dois mil e cinco, com o objetivo de possibilitar o encontro com obras sobre a questão racial, reunir homens e mulheres negras de diferentes áreas de formação interessados na reflexão desta temática, e enriquecer através da leitura e da discussão nosso pensar, nossa capacidade de criar, elaborar e intervir. Em outubro de dois mil e cinco, trabalhamos o livro Frente Negra Brasileira, do escritor e poeta Márcio Barbosa; em maio de dois mil e seis nos reunimos em torno da obra Triste Pampa – Resistência e Punição dos Escravos em Fontes Judiciárias no RS, de Solimar Oliveira Lima. Em nosso terceiro encontro, dezembro de dois mil e seis, trabalhamos o livro Pele Negra, Máscaras Brancas , de Franz Fanon. Em agosto do corrente ano, trabalharemos o livro CADA TRIDENTE EM SEU LUGAR E OUTRAS CRÔNICAS, de Cidinha da Silva. A LEITURA DA OBRA É CONDIÇÃO SINE QUA NON PARA PARTICIPAR DESTA ATIVIDADE". Você poderá adquirir o livro na Palavraria Livraria e Café, localizada na Rua Vasco da Gama, 165 – telefone: 32684260. Solicitamos a confirmação de sua participação até o dia 20 de agosto pelos e-mails: silviaprado@terra.com.br ou froesjorge@pop.com.br ou pauloluizrodrigues@gmail.com ou pelo celular 9955-9607 com Sílvia Prado. (Agradeço aos/às organizadores/as e quero acompanhar os descobramentos da conversa)

1 de ago de 2007

III Encontro de Professores de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa – UFRJ e UFF

Pensando África: crítica, pesquisa e ensino A Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com o Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense, tendo o apoio de outras instituições envolvidas nos estudos africanos, vem comunicar a realização do III Encontro de Literaturas Africanas – Pensando África: crítica, pesquisa e ensino - que acontecerá, nos dias 20, 21, 22 e 23 de novembro de 2007, na UFRJ (Rio de Janeiro) Em continuidade aos objetivos dos encontros anteriores, o III Encontro visa ao aprofundamento de discussões relativas aos estudos sobre as Literaturas Africanas, bem como sobre outras disciplinas afins, envolvendo as Ciências Sociais, as Artes e demais áreas humanas voltadas para as culturas africanas e afro-brasileiras. Este Encontro propõe, como um de seus focos principais, o debate acerca do que determina a Lei 10.639/2003, buscando pensar determinadas estratégias e metodologias de ensino, pesquisa e crítica que auxiliem a consolidar um efetivo progresso dos estudos africanos no Brasil e um maior e mais sério conhecimento da cultura afro-brasileira em Escolas e Universidades brasileiras. É também intenção do III Encontro divulgar escritores africanos de língua portuguesa e suas obras, bem como a crítica literária produzida por estudiosos dessas literaturas. Nesse sentido, foram convidados diversos escritores, assim como pesquisadores e professores brasileiros e estrangeiros que se vêm dedicando aos referidos estudos. Outro objetivo do evento é a criação de uma Associação Brasileira de Estudos Africanos . Mais informações no sítio:http://www.letras.ufrj.br/pensandoafrica/.