Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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29 de nov de 2016

Lançamento duplo na Katuka Africanidades, dia 6/12, em Salvador


Trecho do prefácio de #paremdenosmatar




Lançamento dia 06/12, na Katuka Africanidades, em Salvador https://www.facebook.com/events/200983413689937/

"Cidinha se empenha especialmente em revelar com toda a sua argúcia as complexidades do racismo e do sexismo, ideologias perversas que se desdobram em outra multiplicidade de temas que tem sido esquadrinhado pedagogicamente em seus artigos, em suas pílulas de letramento racial e em suas crônicas. Não lhe tem escapado os assuntos mais espinhosos, em relação aos quais muitos silenciam, e que agora estão reunidos neste volume, a saber: A violência racial e policial, os Autos de resistência, a redução da maioridade penal, o genocídio do povo negro, a violência de gênero". Sueli Carneiro, prefácio.

26 de nov de 2016

Lançamento duplo em Salvador, dia 06 de dezembro


http://gph.is/2fyOEzj 


Dia 06 de dezembro, às 18:00, todos os caminhos levam a Katuka Africanidades, para ouvir os comentários de Fábio MandingoLindinalva BarbosaLuis Carlos Ferreira e Vilma Reis sobre o livro #paremdenosmatar, crônicas de Cidinha da Silva. E também as percepções de Davi NunesDenise CarrascosaLivia Natália e Luciana Moreno sobre o livro de poemas Canções de amor e dengo. Vai perder? Tem também o delicioso coquetel de todos os nossos encontros oferecido pela Katuka Africanidades. Reserve a data.



25 de nov de 2016

Lançamento duplo na Katuka Africanidades, dia 6/12, em Salvador






Dia 06 de dezembro todos os caminhos levam a Katuka Africanidades, para ouvir os comentários de Fábio MandingoLindinalva BarbosaLuis Carlos Ferreira e Vilma Reis sobre o livro #paremdenosmatar, crônicas de Cidinha da Silva. E também as percepções de Davi NunesDenise CarrascosaLivia Natália e Luciana Moreno sobre o livro de poemas Canções de amor e dengo. Vai perder? Tem também o delicioso coquetel de todos os nossos encontros oferecido pela Katuka Africanidades. Resrve a data.

21 de nov de 2016

Oficina gratuita no Oi Futuro Ipanema, dia 23/11

https://www.facebook.com/mostrabenjamin/photos/a.1416836361946657.1073741828.1416636005300026/1599585153671776/?type=3&theater

 atenção Rio de Janeiro!
estão abertas as inscrições para a oficina PERSONAGENS INTERSECCIONAIS NA CRÔNICA DE CIDINHA DA SILVA
A oficina abordará a complexidade literária das personagens construídas por Cidinha Da Silva em seus cinco livros de crônicas e nas outras centenas de textos publicados pela autora na internet, com destaque para mulheres negras, população LGBT, homens negros, diversidade de faixas etárias – sujeitos dissonantes, de um modo geral.
CIDINHA DA SILVA é prosadora e dramaturga natural de Belo Horizonte. Autora de nove livros de literatura, entre crônicas para adultos e contos e romances para crianças e adolescentes.
INSCRIÇÕES e INFORMAÇÕES: http://bit.ly/2fxrldf

Canções de amor e dengo no Rio de Janeiro, dia 22/11



Lançamento de Canções de amor e dengo, dia 22/11, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, Rio de janeiro. Mais informações: https://www.facebook.com/events/330255650682430/

20 de nov de 2016

Preta, sapatão e profundamente perigosa

 Texto de 

Preta, sapatão e profundamente perigosa

Sabemos o que é gozar e não aceitaremos um mundo menos pleno do que isso. Por Pollyanna Marques Vaz

(…)
Porque preta, não existe sensação no mundo como o deslizar das suas tranças na minha pele
Preta
Como as carícias entre as tranças
Preta
Como retirar com cuidado as flores de seus cabelos
Preta
Como nos cobrir com seus lenços
Preta
Como enroscar nas suas contas e colares
Preta
Como acariciar a parte da cabeça raspada
Preta
Como me enroscar em vocês
Preta
Fio entrelaçado no pano colorido da existência das mulheres negras
Preta
Também quero ser parte de seu tecido colorido.
(Também quero ser parte do tecido coloridos de vocês)
(“Preta”, Pollyanna Marques)

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Mulheres (todos as possibilidades de mulheres) que sentem prazer são profundamente perigosas. Mulheres que sentem prazer umas com as outras, com seus múltiplos e variados corpos, formatos e cheiros, são profundamente revolucionárias. Mulheres pretas orgulhosas de sua cor, do formato dos seus lábios e das texturas de seu criativo cabelo, que sentem prazer com outras múltiplas e variadas mulheres, são profundamente perigosas, revolucionárias e visíveis.

Ser visível, nomear a nós mesmas e a nossos desejos e prazeres, é essencial para uma existência que ultrapasse a sobrevivência, aquela tradicionalmente atribuída às mulheres negras. É também fundamental para a junção de forças que, com outras maneiras e formas de vivenciar plenamente o mundo, resistem, desconstroem e transformam as forças conservadoras e monolíticas que alimentam o sexismo, o racismo, a homofobia, e que perpetuam somente uma visão do mundo que suprime qualquer potencial criativo de nossas diferença.

Há três décadas, a poeta, guerreira, negra e sapa Audre Lorde, em seu texto Usos do erótico: o erótico como poder (que, junto com outro texto, “A transformação do silêncio em linguagem e ação”, que aborda a face assustadora e revolucionária da visibilidade através da fala, integram Sister Outsider, livro de Audre Lorde que é referencia na produção e reflexão da interseccionalidade entre raça, gênero e orientação sexual), trouxe de maneira linda e arrebatadora a discussão do erótico, do prazer, como fonte de poder. Como fonte de saber criativo, de cognição, de conhecimento e de combustível para viver e lutar. É possibilidade. Através do erótico e do prazer podemos sentir e entender o quanto podemos ser grandes, o quão profundamente podemos sentir prazer. Consequentemente, passaremos a procurar nas outras esferas, em cada atividade da vida, aquilo que nos faz sentir tão grandes quanto sabemos que podemos ser. Descobrir e exercer essa capacidade na escrita, na fala e nas ações é profundamente perturbador da ordem. Talvez nada assuste mais do que uma preta, uma sapatão preta que tenha consciência de tudo que pode ser e causar. Do quanto pode abalar e do quanto pode ser absolutamente plena. Talvez nada assuste mais do que a visibilidade.

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Eu sou preta, sapatão, tenho 1,58 metro, uso 46 e moro na região noroeste de Goiânia. Muitas vezes ainda não me vejo no discurso (e nas ações) feminista, mesmo no feminismo negro. Muitas vezes ainda não me vejo no discurso (e nas ações) de igualdade racial. Muitas vezes ainda não me vejo no discurso (e nas ações) do movimento LGBT. Este local de incômodo há muito vem sendo expresso por várias escritoras, teóricas e militantes que estão nele. A visibilidade múltipla e interseccional ainda está em construção. Ela se alimenta dos valores, expressões, conhecimentos, nomes, formas, cores e estratégias compartilhadas pela população negra, pelas mulheres negras, pelas mulheres lésbicas ao longo da história. É um processo permanente, porque não se pretende monolítico e se constrói de maneira tão variada como podem ser as pessoas.

Essa visibilidade diversa e variada que aumenta as possibilidades de ser, de se expressar, de viver, de tocar em tudo com prazer se traduz em uma ampla gama de experiências, afirmações, estratégias de sobrevivência e de vivência das mulheres negras. Como o maravilhoso trabalho da autodenominada ativista visual Zanele Muholi, fotógrafa sul africana que procura através de seu trabalho o empoderamento de mulheres negras lésbicas, em uma infinidade de formas individuais e coletivas. O trabalho de Zanele Muholi faz vibrar em nós essa capacidade de prazer.

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Faz vibrar também profundamente ler nas crônicas de Cidinha da Silva, prosadora, a mulher Iansã que desce pela ladeira sob o olhar atento e intencionado de outras:

A gata também tinha torcida feminina. Não pensem que só os meninos notavam sua exuberância. “É de Iansã!” Dizia uma admiradora ao entrar no carro, saindo de uma joalheria na rua de cima. “Como você sabe?” Pergunta a amiga já dentro do veículo, no banco de trás. “É de Iabá! Não tenho dúvidas. Não é de Iemanjá, de Nanã, nem de Obá. Se fosse de Oxum teria mais dois dedos de saia”. “Olha que pode ser de Euá, viu?” Comenta a segunda amiga, que conhecendo a motorista, acha por bem aboletar-se no banco da carona.

“Pode ser!” A entusiasta conclui, deslocando o freio de mão e preparando-se para descer a ladeira, bem devagar. No ritmo dos passos da diva. “Pode ser, mas o Xangô que mora em mim, avisa que ela é de Iansã.” “Hunf! Que Xangô é esse que nunca veio, nunca vi?” Pergunta uma das amigas. “Ousada desse jeito só pode ser de Iansã”, ela insiste. (Cidinha da Silva, Baú de miudezas, sol e chuva, 2014)

E a maneira perfeita de descrever o azul para conquistar a amada:

E o ceguinho trovador, será que me ajudaria? O que faria para encantá-la? Ele me disse que descreveria o azul. Desentendi. Como seria isso, se ele nunca viu o azul? Ali morava o segredo. O desconhecido você imagina e molda, a seu gosto. Aceitei o conselho e perguntei a ela o que era o azul. Antes de a incauta desmanchar a interrogação do rosto, dei uma chave de pescoço naquele coração relutante. Expliquei que o azul é a cor da voz de Milton Nascimento cantando Dolores Duran no ouvido, sob a lua cheia, perfumada por uma dama da noite. Não deu outra. Ela quis conhecer o azul. (Cidinha da Silva, Oh, margem! Reinventa os rios!, 2011)

Topar, num belo dia de 2013, com a escrita de timeline de Alessandra, grande amiga, dizendo: “Apaixone-se por uma vadia.(…) Deleite-se no caminho que lhes couber na jornada delas, elas são confiáveis, pq não zelam por uma imagem na sociedade e sim pelo respeito ao que são. Enrabichar por uma vadia é um ato de coragem (…) Sabe aqueles olhos profundos como o oceano, q vc quase pode pegar a confiança, fuja delas…” – isso faz vibrar, faz existir.

Construir nossas (novas) imagens afirmando a existência, o prazer, a vivência e construção conjuntas, o questionamento de uma maneira única de construir relacionamentos afetivos e sexuais faz vibrar, consolida nossa capacidade de viver e expressar prazer, de sermos sujeitos e de alterarmos coletivamente a ficção do mundo monolítico.

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Esse saber erótico, esse tocar com prazer a vida, individual e coletivamente, nos traz ainda a possibilidade de ampliar nossa relação com as outras diferenças, outras lutas.  Audre coloca que “Existe diferença entre pintar uma cerca no quintal e escrever um poema, mas só uma de quantidade. E não há, para mim, diferença alguma entre escrever um bom poema e me mover à luz do sol contra o corpo de uma mulher que eu amo” (1984). Podemos estender essa ideia e encarar que somente em quantidade será diferente o quanto luto pelas causas que me definem, e o quanto luto pela reforma agrária, pela preservação da natureza ou pela autonomia de outros povos.

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Nós mulheres pretas lésbicas, e outras, outros e outrxs também, sabemos o que é gozar e não aceitaremos um mundo ou uma vida menos plena do que isso.


Grande abraço


Pollyanna Marques Vaz é preta, sapatão, estudante de letras e escreve às vezes.
Ilustrações: Gunther Ishiyama.

Bibliografia

Riese. (19 de setembro de 2012). Epic Gallery: 150 Years Of Lesbians And Other Lady-Loving-Ladies. Acesso em 24 de outubro de 2014, disponível em AUTOSTRADDLE: http://www.autostraddle.com/150-years-of-lesbians-144337/
Silva, Cidinha d. (2011). Oh,margem! Reinventa os rios! São Paulo: Selo do Povo.
Silva, Cidinha d. (2014). Baú de miudezas, sol e chuva. Mazza Edições.

Para saber mais um pouco:
Blog Cidinha da Silva – http://cidinhadasilva.blogspot.com.br/

Entrevista de Cidinha da Silva na Folha de Pernambuco sobre literatura negra

Entrevista de Cidinha da Silva na Folha de Pernambuco sobre literatura negra

#Paremdenosmatar, GIF





#Paremdenosmatar! livro novo de Cidinha da Silva





Meu livro mais recente, #Paremdenosmatar (Ijumaa, 2016) não é um livro que se tenha alegria ao fazer, é o contrário disso, pois fala da morte imposta à população negra no Brasil, na diáspora e em África, tanto pelo extermínio físico, quanto pela morte cultural e simbólica. Mas a Ijumma o fez belo como objeto-livro sonhado e o entregamos muito felizes às mãos leitoras.

A obra trata também da resistência em suas 240 páginas, ao longo de 72 crônicas escritas entre 2012 e 2016, pois, insistimos em viver. É livro para ser lido e discutido, para circular por escolas, bares, saraus, universidades, equipamentos públicos de educação e cultura, festas literárias e por todos os lugares, nos quais mulheres, pessoas trans, crianças, jovens e homens negros estão.

Trata-se de leitura densa que exige estômago e coragem. É um livro que exige mais do que o desgastado uso do termo “denúncia” para caracterizá-lo.  Este #Paremdenosmatar! é testemunha de acusação do genocídio contemporâneo da população negra. É memória viva em transformação que se vale da crônica como suporte.

Depois de Santos e São Paulo, a agenda de lançamentos ainda inclui: Rio de Janeiro (22/11) https://www.facebook.com/events/330255650682430/; Seabra (BA) dia 30/11 https://www.facebook.com/events/204583929955503/; Caetité (BA) dia 02/12; Salvador (06/12) e Belo Horizonte (21/12). 

Se você deseja informações sobre as condições necessárias para organizar um lançamento em sua cidade em 2017, escreva para  cidinha.tridente@gmail.com e apresente sua pré-proposta.

16 de nov de 2016

14 de nov de 2016

#paremdenosmatar, lançamento dia 17/11, no Aparelha Luzia, em São Paulo





Todas as informações aqui: https://www.facebook.com/events/349367978750840/

"A Marcha das Mulheres Negras foi aberta pelas zeladoras da secular Irmandade da Boa Morte, da cidade de Cachoeira, Bahia, em mensagem direta e contundente de paz e respeito às diferenças, principalmente religiosas. Teve uma comissão de frente composta por Iyalorixás vindas dos quatro cantos do país. Mulheres-símbolo da sabedoria ancestral africana que há séculos oferece sustentação espiritual e acolhimento ao povo brasileiro, nos milhares de templos das religiões de matriz africana, cujas portas são indistintamente abertas a brancos, negros, orientais, a todos, com generosidade e amor". (Marcha das Mulheres Negras, 2015. Cidinha da Silva no livro #paremdenosmatar).

Canções de amor e dengo


13 de nov de 2016

Trecho do prefácio de #paremdenosmatar

#Paremdenosmatar em São Paulo, dia 17/11, no Aparelha Luzia



"Cidinha se empenha especialmente em revelar com toda a sua argúcia as complexidades do racismo e do sexismo, ideologias perversas que se desdobram em outra multiplicidade de temas que tem sido esquadrinhado pedagogicamente em seus artigos, em suas pílulas de letramento racial e em suas crônicas. Não lhe tem escapado os assuntos mais espinhosos, em relação aos quais muitos silenciam, e que agora estão reunidos neste volume, a saber: A violência racial e policial, os Autos de resistência, a redução da maioridade penal, o genocídio do povo negro, a violência de gênero". Sueli Carneiro, prefácio.

Canções de amor e dengo na estrada


O Canções de amor e dengo caiu no mundo embalado pela chuva, em Santos, SP. Agora é abrir mais trilhas, ampliar o número de estradas e fazer o caminho. Ngunzo ao décimo livro!
Próxima parada, São Paulo, dia 17 de novembro https://www.facebook.com/events/349367978750840/

11 de nov de 2016

Canções de amor e dengo, o prefácio de Emerson Inácio...


Capa do livro #Paremdenosmatar!, de Cidinha da Silva


Este não é um livro que se tenha alegria ao fazer, é o contrário disso, pois fala da morte imposta à população negra no Brasil, na diáspora e em África. Mas a Ijumma o fez belo como objeto-livro sonhado e o entregamos muito felizes às mãos leitoras.

A obra trata também da resistência, ao longo de 72 crônicas escritas entre 2012 e 2016, pois, insistimos em viver. É livro para ser lido e discutido, para circular por escolas, bares, saraus, universidades, equipamentos públicos de educação e cultura, festas literárias e por todos os lugares, nos quais mulheres, pessoas trans, crianças, jovens e homens negros estão.

É uma leitura densa que exige estômago e coragem. Este #paremdenosmatar! é testemunha de acusação do genocídio contemporâneo da população negra.

8 de nov de 2016

Show Canções de amor e dengo






O show Canções de amor e dengo, de Danielle Almeida, tem repertório especialmente escolhido por mim em diálogo com o livro de poemas homônimo. São algumas das canções de amor que têm embalado minha vida. Se eu fosse você, não perdia.

#paremdenosmatar livro novo de Cidinha da Silva

#paremdenosmatar livro novo de Cidinha da Silva

Oficina e lançamentos em Santos, dia 12/11


SANTOS

Cidinha da Silva lança livro e realiza oficina neste sábado (12)

Programação acontece no Sesc Santos e faz parte do projeto Habitar Afetos e Narrativas – Negr@s Protagonist@s
08 de novembro de 2016 - 11:24
Da Redação
No dia 12 de novembro, pela primeira vez em Santos, a escritora Cidinha da Silva realizará oficina literária, durante a manhã e tarde. E ao final do dia, acontecerá o lançamento de seus livros: “#Parem de nos matar!” (Ijumaa, 2016) e “Canções de Amor e Dengo” (Me Parió Revolução, 2016).
A oficina, que acontecerá das 10 às 17 horas, propõe trabalhar as principais características do gênero crônica (leveza, crítica, ironia, ritmo, humor, entre outras), em diferentes formatos, tais como relato, diálogo, texto jornalístico, texto opinativo, crítica cultural e/ou de costumes.
Com marcante presença na obra de diversos autores e autoras, como Drummond, Fernando Sabino, Machado de Assis, Lima Barreto, João do Rio, Pedro Juan Guterrez, Clarice Lispector, Rachel de Queiroz e Carolina Maria de Jesus, a crônica possui papel central na escrita brasileira, do jornal impresso à disputa de narrativas nas mídias digitais.
Também serão apresentadas diferentes expressões artísticas da crônica nacional recorrentes no universo da música, como é o caso do samba, rap, funk, rock dos anos 80, forró e até das músicas de “dor de cotovelo”.
A mineira Cidinha da Silva é prosadora e dramaturga. Tem nove livros de literatura publicados. Possui centenas de crônicas, ensaios e artigos publicados na internet, principalmente em seu blog cidinhadasilva.blogspot.com.br. É colunista dos portais Fórum, Diário do Centro do Mundo e Geledés.
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Lançamento dos livros, das 17h30 às 18h30
O livro “#Parem de nos matar!” (Ijumaa, 2016), décimo da escritora Cidinha da Silva, aborda o genocídio da população negra no Brasil, via extermínio físico de jovens negros, principalmente, e morte simbólica e cultural praticada pelas ferramentas de comunicação de massa. Foram selecionadas 72 crônicas escritas entre 2012 e 2016 que recobrem a interseção racismo e futebol, arte, políticas públicas de educação, imigração e cultura, movimentos sociais, homoafetividades e resistência a esse estado de coisas.
O poemário “Canções de Amor e Dengo” (Me Parió Revolução, 2016), é o primeiro livro de poemas de Cidinha e sintetiza no título o resgate do afeto, cada vez mais raro na poesia brasileira contemporânea. São poemas de voos, da arte de ter asas e da engenharia de ser passarinho, expressos em linguagem coloquial com forte pegada lírica.
Essas atividades fazem parte do projeto Habitar Afetos e Narrativas – Negr@s Protagonist@s: Aos sábados do mês de novembro, mulheres negras – artistas, educadoras e pesquisadoras – partilham seus saberes e dramas, tramando a muitas mãos uma teia de alteridade e auto-amor formada por palavras, histórias e corpos.
Cinema, escrita literária, dança, vivências lúdicas, entre outras formas expressivas, jogam luz às potencialidades deste grupo numericamente e culturalmente tão significativo na sociedade brasileira e, ainda assim, tão suprimido e invisibilizado.
Pensadoras e realizadoras que evidenciam a irreversibilidade da mulher negra como sujeito político, a despeito do machismo e racismo ainda tão presentes nos tempos do agora.

Serviço
Habitar afetos e narrativas – negr@s protagonist@s
Oficina de Criação Literária, com Cidinha da Silva | das 10h às 13h e 14h às 17h;
Lançamento dos livros: “#Parem de nos matar!” (Ijumaa, 2016) e “Canções de Amor e Dengo” (Me Parió Revolução, 2016), de Cidinha da Silva | 17h30 às 18h30;
Dia: 12 de novembro de 2016;
Local: Sesc Santos – Rua Conselheiro Ribas, 136;
Grátis

6 de nov de 2016

Alô Pauliceia! Bora desvairar o coração?


Livros novos! Agendem-se!


#PAREM DE NOS MATAR!
O livro #Parem de nos matar! (Ijumaa, 2016), décimo primeiro da escritora Cidinha da Silva, aborda o genocídio da população negra no Brasil, via extermínio físico de jovens negros, principalmente, e morte simbólica e cultural praticada pelas ferramentas de comunicação de massa. Foram selecionadas 72 crônicas escritas entre 2012 e 2016 que recobrem a interseção racismo e futebol, arte, políticas públicas de educação, imigração e cultura, movimentos sociais, homoafetividades e resistência a esse estado de coisas.

CANÇÕES DE AMOR E DENGO
O poemário Canções de amor e dengo (Me Parió Revolução, 2016), primeiro livro de poemas da escritora Cidinha da Silva, sintetiza no título o resgate do afeto, cada vez mais raro na poesia brasileira mais contemporânea. São poemas de voos, da arte de ter asas e da engenharia de ser passarinho, expressos em linguagem coloquial com forte pegada lírica.
Em breve lançamentos em: Santos (12/11), São Paulo (17/11) e Campinas (25/11) - SP; Rio de Janeiro (22/11); Seabra - BA (30/11); Caetité - BA (02/12); Salvador (06/12) e Belo Horizonte (22/12).

5 de nov de 2016

Livros novos!

Em breve lançamentos em: Santos (12/11), São Paulo (17/11) e Campinas (25/11) - SP; Rio de Janeiro (22/11); Seabra - BA (30/11); Caetité - BA (02/12); Salvador (06/12) e Belo Horizonte (22/12).


Aos que ficam nos portões do ENEM


Por Cidinha da Silva

O professor me contou que fazia compras no Atacadão de Cajazeiras XI num belo domingo de praia, quando o serviço de auto-falante anunciou: caros clientes, o Atacadão pede desculpas pela demora na fila dos caixas, mas, como os senhores sabem, hoje é dia de prova do ENEM e as empresas são obrigadas por lei, a liberar seus funcionários.

Eu e o amigo especulamos, e se não fosse obrigatório? A moçada seria liberada? Cremos que a espetacularização anual da tristeza e desalento, às vezes desespero, das pessoas que chegam atrasadas ao exame e encontram os portões fechados, responde parcialmente à pergunta. Afinal, são mulheres e homens, nem sempre jovens, um povo periférico e negro, a quem a consolidação do ENEM como forma de seleção para a Universidade garantiu o sonho de cursá-la.

É uma gente a quem o transporte público atende de maneira traiçoeira e ainda mais restritiva nos finais de semana. Como? Você não sabe? O número de carros é diminuído e o espaçamento entre um e outro alargado. Em muitos casos os ônibus de determinados trajetos são simplesmente recolhidos à garagem nos domingos e feriados, ou seja, as empresas de transporte só oferecem seu precário serviço à população nos dias “úteis”.

Trata-se de uma turma que os pais não levam de carro até a porta dos locais de prova e que não receberá curso de línguas no exterior como prêmio de consolação, caso fracasse. Um pessoal que precisa negociar duas horas de antecipação na saída do trabalho e, como se não bastasse, pela Lei de Murphy, pelo patrão ou pela falta de solidariedade dos colegas que o julgam esnobe por desejar a universidade, sempre rolará um imprevisto na hora H.

São mulheres que só saem do lar depois de deixar a comida pronta para os filhos; que dependem do favor de alguém que dê uma olhada nas crianças enquanto elas fazem a prova e correm para retornar à casa. Trabalhadoras domésticas só são liberadas do trabalho depois de deixar fresquinho o almoço dos patrões, ou de cumprir a rotina de passeio e banho do cachorro da casa.

Apesar da mídia empenhada em humilhar os candidatos atrasados há esperança de que temas mais relevantes do ENEM mereçam holofotes na imprensa, tais como o pensamento de Simone de Beauvoir sobre como nos tornamos mulheres e de como a violência de gênero, imposta ao longo da vida, é marcante na construção dessa identidade. Ou o pensamento da feminista chicana Glória Anzaldúa na prova de inglês. Quem sabe a auto-cartografia social dos povos e comunidades tradicionais da Amazônia que georreferenciam sua própria presença e transformação no território.

A atualidade do pensamento de Paulo Freire abordada na prova também merece atenção, a poesia impressa no saco de pão, bem como o fantástico e oportuno tema da redação, a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira, entre outras preciosidades. Todos, sinais evidentes de que estudantes precisam exercitar a reflexão e a expressão do respeito ao humano e convivência com o diverso e contraditório. Oportunidade única para as pessoas expressarem suas idéias, sustentando-as com argumentos dinâmicos e convincentes, sem ferir os direitos humanos, por suposto.

À gente que sai do Coque e da Bomba do Hemetério; de Neves e Contagem; da Maré e de Belford Roxo; de Cidade Tiradentes, Pantanal e Carapicuíba; de Fazenda Coutos, Itinga e Sussuarana; de Chaparral e Ceilândia em direção ao centro de Recife, de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Salvador e de Brasília para as provas, tal qual Agostinho Neto no poema escolhido pela equipe do ENEM, eu vos acompanho pelas emaranhadas áfricas do nosso Rumo. E vamos nós, significativa parcela dos sete milhões de candidatos-leitores, com Pixinguinha, saravar Xangô.