A catarse coletiva das cartas a Lula


 


Por Cidinha da Silva

 

Trata-se de uma campanha para que as pessoas amigas de Lula lhe enviem cartas pelos correios, para o endereço da Polícia Federal, em Curitiba.

Uma boa ideia nesse momento em que todas as formas de mobilização são bem vindas. Há de haver diferentes modalidades de ação para que as mais diversas pessoas possam engajar-se, à medida que desejarem. Até mesmo crianças e idosos, aos quais, a prudência recomenda que se mantenham distantes das mobilizações de rua, alvo de ataques covardes da polícia.

De fato, a ideia já circulava pela internet após o ato ecumênico por intenção do aniversário de nascimento de Marisa Letícia, antes de deflagrado o movimento de envio massivo de cartas no dia seguinte à prisão de Lula. Após sua comunicação sobre a decisão de cumprir o mandado do juiz de primeira instância, a tristeza e frustração que se abateram sobre as pessoas ligadas ao movimento Lula Livre foi enfrentada por muita gente por meio da escrita.

Houve uma catarse expressa em textos, nos quais as pessoas sentiram necessidade de tornar pública a origem socio-econômica similar à de Lula; a trajetória de inúmeras batalhas e superações; de externar solidariedade e comoção a um igual.  

Nessas cartas espontâneas, pessoas descreveram calvários pessoais que são retrato vivo da precarização em que vive a maior parte da sociedade brasileira, articulando-os às possibilidades de superação oferecidas pelas políticas públicas de combate às desigualdades implementadas no período Lula-Dilma. E as pessoas pareciam querer contar isso a Lula como forma de agradecimento e oferecimento de apoio a partir de um lugar de igual, também por meio de fotos que documentavam desde quando o acompanham. Pareciam mesmo querer compartilhar suas vitórias com o mundo e como romperam o lugar de subalternidade imposto a seus ancestres, como cultivaram a alegria de sonhar, lutar e vencer.

A idéia do envio abundante de cartas ao Presidente preso pretende criar uma polofinia inusitada, uma mobilização da voz das pessoas para gritarem seu descontentamento com o golpe, seu anseio por justiça e liberdade para Lula, revolvendo o aspecto significativo da subjetividade e dos afetos. Colocando na ponta da caneta de Ogum, o coração.

Trata-se de uma iniciativa saudável e plena de humanidade. As pessoas se irmanam na dor e na solidariedade e além de se acalentarem mutuamente, isso pode evitar, ou pelo menos, diminuir os picos de pressão arterial que esse cotidiano político manipulado por forças retrógradas tem provocado.

As ideias e as emoções precisam manifestar-se em liberdade.


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