Bate-papo no PAF I da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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16 de fev de 2015

Mais sobre o livro Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil




Por Cidinha da Silva

O capítulo IV, sobre as dimensões de africanidades e relações raciais nas políticas públicas para a leitura no Brasil, desafiou autoras e autores a articular o combate ao racismo e a formação do leitor-literário, ou seja, a apresentar propostas de fortalecimento da luta política contra o racismo por meio de políticas públicas no campo da leitura, sem impor textos panfletários e pobres no campo da fabulação. Como nos alerta Teresa Colomer acerca do ensino literário na escola, [ele] “pode definir-se também como a ação de ensinar o que fazer para entender o que estão fazendo ali e o que se deve avaliar. Na sua intimidade, seus gostos, seu prazer ou sua liberdade de escolha. Nada disso pode ser, efetivamente, obrigatório” (COLOMER, 2007, p.45).

Mariana de Assis, além  de definir  literatura periférica para o tópico conceitos, escreve texto instigante sobre as questões relativas ao currículo, racismo e legislação na formação de leitores negros.
A poeta Dinha e o sociólogo Eduardo Mota refletem sobre as relações entre livro, literatura, identidade racial e programas governamentais de incentivo à leitura. Abordam mais detidamente as salas de leitura, sua estrutura e utilização em equipamentos públicos de educação e cultura.
Rubenilson de Araújo, diretamente dos rios caudalosos do Tocantins, problematiza a formação humanista de leitores de textos literários pela necessidade de inclusão das temáticas ligadas à diversidade sexual e racial em políticas públicas educacionais de leitura e no próprio uso do livro em sala de aula.
Euclides da Costa, educador e agente de segurança penitenciária no Presídio de Igarassu, em Recife, relata-nos sua experiência com a promoção da leitura em presídios e o papel desta no enfrentamento do “castelamento”  (no jargão penitenciário, mente vazia, desocupada, que pensa em coisas negativas)e na prevenção do aparecimento de doenças degenerativas, como a demência, provocada  pelo convívio em condições sub-humanas em espaço superlotado.
Marco Antonio Silva, reeducando privado de liberdade, também do Presídio de Igarassu, presenteia-nos com reflexão acurada sobre o papel dos livros e da literatura no sistema prisional em diálogo  com teóricos da envergadura de Erving Goffman, Michel Foucault, Gilles Deleuze, Felix Guattari e Virgínia Kastrup. 
A Mestra Janja, que além do ofício de capoeirista ocupa cadeira de professora da Universidade Federal da Bahia, dá vazão à veia poética no belo texto Versos que gingam, no qual faz contextualização sócio-histórica das cantigas da tradicional Capoeira Angola.
Renato Botão e Silvane Norte discutem consistentemente a identidade cultural e a educação como promotores do reconhecimento positivo de estudantes quilombolas, com ênfase no papel das instituições públicas na preservação das culturas baseadas na oralidade.  Em tela, a necessidade de apoio institucional para preservação da língua Cupópia, falada pelos moradores mais velhos da Comunidade Quilombola do Cafundó, no Estado de São Paulo.
O poeta Edimilson de Almeida Pereira encerra o capítulo com o texto O país que desejo ler para meus filhos e filhas, no qual discute os desafios apresentados a escritoras e escritores negros para produzir literatura dirigida a crianças e adolescentes.
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