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16 de abr de 2016

Sobre-viventes! O prefácio.


Por Cidinha da Silva

O prefácio é um abre-alas. Feito por alguém que nos empresta seu prestígio e nos avaliza, nos apresenta, nos recomenda ao leitor, à leitora. Alguém que se detém na obra e a esmiúça, descobre detalhes importantes, eixos articuladores e os apresenta a quem se interessa pela leitura, junto com os aspectos mais visíveis da obra.

Quem prefacia também se posiciona e, se for o caso, discorda do livro prefaciado com elegância. Oxalá, sejam discordâncias pequenas que não comprometam o nome da prefaciadora ao associá-lo à prefaciada.

Lívia Natália, a prefaciadora de Sobre-viventes! fez um exercício generoso e arguto ao apresentá-lo e o texto fala por si. Seleciono alguns excertos para degustação.

“As crônicas são, certamente, as filhas diletas do Deus grego Cronos, imperador do tempo. No entanto, por esta perfilhação tão bem definida, elas costumam a carregar nas costas a marca dos dentes do pai. Elas nascem marcadas de tempo, eivadas de traços que as aprisionam em cenas e em contextos que as ligam umbilicalmente a situações definidas, realmente marcadas. Praticamente nenhum grande cronista, de Drummond a Rubem Braga, escapou disto.

No entanto, o que Cidinha da Silva traz aqui nestas páginas é uma surpresa ao leitor, um assomo!

Suas crônicas foram nascidas de outra divindade, do Deus Tempo: aquele que vai e volta, que faz curvas, que se curva, que dança na memória, baila no vento e se lança de hoje a um futuro amplo e indefinido, mas sempre certo. Tempo é uma divindade do Panteão Africano, um Deus poderoso, do qual cuidamos como filhos que lhe têm medo e respeito, por que sabemos que ele vai e que ele volta, e nunca sabemos de que dobra ele sairá na próxima cena! E assim, com esta vida herdada do Pai, é que se erguem as crônicas de Cidinha da Silva neste livro.


Os textos têm elementos de humor sofisticados, são chistes: irônicos e assertivos, e, através deles, como na crônica “O Vizinho do 102”, fala-se da vida dos outros delimitando, pelas reticências que continuam o papo das vizinhas curiosas, que, a continuar falando da vida do vizinho do 102, elas ali passariam a vida e nós, postos no lugar de fofoqueiros por tabela, ficamos no ar das reticências, a querer saber mais de vidas que não são de nossa conta”...  (Lívia Natália, poeta, Professora Adjunta do Setor de Teoria da Literatura da Universidade Federal da Bahia).
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