Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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19 de mai de 2012

Simonal in concert!






Ouvi muito algumas músicas do Simonal, dentre elas a que segue, "Meu limão, meu limoeiro" , para criar o clima de "Wilson Simonal de Castro", crônica presente no livro OH.. MARGEM! REINVENTA OS RIOS! Ouço-a com freqüência e sempre penso no que é ser uma pessoa negra vitoriosa no mundo dos brancos. Penso nos amigos artistas negros que, em represália ao mundo negro que não compreendeu/reconheceu sua genialidade, nadam nas águas possíveis que os brancos lhes oferecem ou que conquistam nesses mares. Não sei o que é o melhor para os outros (o mundo negro ou o branco), sei que cada um faz as opções mais convenientes e compatíveis com seus princípios e valores. O que penso está no texto, na leitura que faço da derrocada de Simonal.


Wilson Simonal de Castro

Por Cidinha da Silva

Quando perguntado se o sucesso o tinha deixado mascarado, Simonal respondeu: “Eu sempre fui mascarado!” Um preto que diz ao mundo, - eu sou e me basto - é um preto condenado à morte.

O homem que encontrava problemas raciais apesar de se chamar Wilson Simonal de Castro e declarava isso antes de cantar um hino a Martin Luther King Junior, é um negro que sabe de si. De Castro, porque Simonal era corruptela de Simonar, sobrenome do médico que ajudou a sustentar sua família, por suposto, mal entendido pelo tabelião no momento de registrá-lo.

Um negro sabedor de si incomoda muita gente. Se, além disso, for sofisticado, incomodará muito mais. Se fizer dueto com Sara Vaunghan, se cantar samba de um jeito diferente e apaixonante, se interpretar Tom Jobim como se a música do maestro houvesse sido composta para a voz dele, se levar 40, 60, 80 mil pessoas no Maracanãzinho ao êxtase, cantando afinadamente, Meu limão, meu limoeiro, sob a regência de Simonal, um preto mascarado, incomodará ainda mais. À direita porque domina a massa, à esquerda porque diverte a massa.

Os midiáticos Cassetas disseram que Simonal, o rei do suingue, caiu no ostracismo porque não teve jogo de cintura. Conclusão torpe. A rima é outra, ele sucumbiu por racismo e é lógico, contribuiu pessoal e enfaticamente para o previsível desfecho da história com sua arrogância de preto bem sucedido, cercado de brancos, traído pela altura do Kilimanjaro.

Rei iludido, blefou ao dizer-se apadrinhado pelos milicos da ditadura. Achou que a afirmação teria o efeito cândido da amizade nutrida pelo sargento da polícia militar da esquina, com quem crescera. Rei refratário a entender como funciona a política, cavou a própria cova, enfeitiçado pelo sucesso celebrativo. E todos, a direita, a esquerda, a imprensa, a platéia branca magnetizada e os artistas concorrentes já tinham as pás de cal para enterrá-lo.

Ninguém sabe o duro que você deu, meu velho, mas a inveja dos 320 shows por ano te derrubou. Você, como definiu alguém, não se achava o rei da cocada preta, você era o rei! Mas não podia esquecer que preto na platéia de sua apresentação consagradora na Record, só mesmo Gilberto Gil, extasiado, seguindo suas ordens de regente.

A vida não foi suave contigo, Simonal. Mas você também errou, meu rei! Sentou-se à mesa de garfo e era dia de sopa! Esqueceu-se que era um preto reinando entre brancos.

http://www.youtube.com/watch?NR=1&feature=endscreen&v=uvEq8ElHvho
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