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3 de mar de 2016

Xirê, a brincadeira lírica de Dú Oliveira!


Por Cidinha da Silva



Foi Vanda Machado quem tocou o segredo. Eu os bem-digo, à leitora do oráculo e ao segredo que verbalizo sem constrangimento: Xirê, a brincadeira lírica é um livro de ronkó.

Que o digam as mulheres-pássaro, às quais o homem de Ifá, frágil e contrito, roga que não o olhem, não o alcancem, não o abracem, não o seduzam para a cópula. Que não estejam férteis ao encontra-lo. Que não o encontrem. Este, o melhor dos mundos.

O que há para ser dito (a partir e além do poema) é revelado por aquilo que os de dentro compartilham. Antes da análise insuficiente da forma.

É o dentro do segredo. O que vive no interior da pérola fina que se esconde na ostra que nasceu do lodo, como na canção popular.

A revelação é feita a mulheres e homens iniciados. Gente lavada pelo vermelho vivo de veias e artérias, não só pelo encantamento formal do dendê.

No alforje da prosa poética que intercala os versos, a fonte das especiarias do feiticeiro Guiã. O estojo de costura do bordador da linhagem polifônica das Áfricas de HampâTé Bâ – quem não se lembra de Tidijane – de Lampião, rei do cangaço, e de João Cândido, o almirante negro.

Descompassado. De travessa. Na nesga. À deriva. Dú Oliveira exuzilha sem trégua. Como quem come na festa de Tempo. Em movimento.

O menino de Orunmila nos oferece versos traiçoeiros. Gingadores. Certeiros na cabeçada que derruba a militância, artistas e intelectuais que folclorizam o segredo, que não vão além do urucum do dendê.
Xirê, a brincadeira lírica dá rasteira nos teóricos que analisarão a palavra, mas não entenderão o sopro do verbo.

Daqui do Mundubantu te saúdo, pai-grande! Saravá sua banda!
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