Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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21 de mar de 2017

Cidinha da Silva no Leia Mulheres de Ribeirão Preto

Por Carolina Motta
O dia era de Oxum e Iemanjá, mas todas as mães d'água se fizeram presentes. Oyá e Nanã tomaram assento no último minuto. Acho que não queriam, assim como nós, perder a oportunidade de ouvir a Cidinha da Silva e todos as outras que estavam presentes. Haviam homens também, mas em minoria e na plateia, no lugar de ouvintes e acompanhantes.
Era, definitivamente, um dia de louvar o poder feminino. Leia, veja e ouça MULHERES. Ouça o que elas tem pra falar. Lideranças políticas, culturais e mestras da educação. As águas definitivamente se fizeram presentes! Esse símbolo feminino maior, que em alguns momentos até abafou nossas vozes.
Muitas questões importantes foram levantadas. A necessidade de lutar contra a morte das nossas irmãs e irmãos negros. Morte matada, morte morrida e morte em vida também. Números, estatísticas, relatos. E silêncio. Silêncio de quem o coração ainda grita exatamente pela morte dos seus.
Em meio à tantas discussões políticas e politizadas, leveza e doçura. O resultado de um trabalho feito por mulheres. Gente impressionada com a eficiência e a sintonia feminina, a vontade de fazer e a urgência em falar. Ou nesse caso, trazer outras pra falarem. Falarem para nós.
Éramos um corpo só de uma perspectiva, mas completamente diferentes umas das outras. Cores, dores, cabelos, roupas, idades, vivências, diásporas, trabalhos, opressoes, silenciamentos, desamores. Muita coisa pra compreender, mas o mais importante é que há uma pré-disposição pra sentir. Amor fora das caixas, livre e forte como correnteza de rio, ressaca de mar ou tempestade inesperada.
Palavras, de alguma forma, são da ordem do masculino. O feminino precisa de PRESENÇA - nas mais diversas formas em que isso pode ocorrer. Através da invocação das nossas ancestrais por meio dos livros. Se isso não é ritual, não é a união (da mulher) selvagem entre o sagrado e o profano, eu não sei o que é. Mesmo quando a natureza está longe, tivemos a prova de que ela se faz presente com extrema facilidade. E que se cuidem as instalações humanas, porque elas lavam e levam o que tiver pela frente.
Aos que não puderam ou não conseguiram ir, deixo as imagens. Essa presença pela metade é a minha forma de demonstrar uma gratidão completa. E a sensação de continuidade, de círculo, de coragem.
Que haja afeto, que haja respeito pelas que estão entre nós e pelas que já foram, que hajam refúgios como esse, porque haverá luta!
Escrito por Carolina Motta
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