Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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21 de dez de 2007

Grupo Nós do Morro recebe recursos para refletir sobre 20 anos de atividade artística

Um colunista social noticiou que o grupo Nós do Morro, da Favela do Vidigal, Rio de Janeiro, recebeu uma dotação de R$ 250 mil reais do BNDES para a confecção de um livro sobre os 20 anos de trajetória do grupo. Louva a iniciativa, mas pergunta se “não seria melhor usar o dinheiro diretamente na favela”? Eu pergunto por que investir em arte na favela não significa investimento direto na favela? Pobre só tem fome de comida? Só tem necessidade de saneamento básico, luz, segurança e água? A fome de circo só tem sentido se cantada pelo Titãs, para o público de classe média do Titãs? Gente empobrecida materialmente também quer dinheiro e felicidade, justiça, liberdade e arte; quer inteiro e não pela metade. Algumas informações, de fato relevantes, não tiveram destaque. Os R$ 255 mil reais, este é o valor correto, foram concedidos ao grupo via Lei Rouanet, um instrumento público aberto à concorrência para qualquer projeto artístico-cultural legalmente constituído no país. “A realização do projeto compreende as fases de pesquisa e organização do acervo de material documental e artístico dos 21 anos de atuação do grupo; a publicação do livro comemorativo, com imagens do acervo, entremeado de depoimentos, artigos e ensaios, especificamente elaborados para a publicação; a promoção do evento de lançamento do livro; e a realização de uma exposição com as fotos e objetos do acervo do grupo. A estimativa é que a execução do projeto resulte na geração de 33 empregos diretos”, conforme disposto no sítio do BNDES. Trata-se de um livro de arte sobre as duas décadas do grupo Nós do Morro, “incluindo nesta narrativa a história do Morro do Vidigal e o cenário social e artístico no período. A edição do livro terá tiragem mínima de 3 mil exemplares, sendo 50% destinada à distribuição gratuita a instituições públicas de todo o país, tais como bibliotecas, escolas, universidades, centros culturais e museus. Os demais serão vendidos com preço abaixo dos praticados pelo mercado. A publicação será acompanhada de CD-ROM com imagens de peças e filmes do Nós do Morro”. É bom que se apresente o projeto integralmente, caso contrário, fica parecendo que é muito dinheiro para pouca coisa. Há uma mentalidade colonial e colonizada que nos domina e propugna que dinheiro aplicado à arte produzida por grupos como o Nós do Morro seria melhor utilizado no suprimento de necessidades básicas de moradores de favela. Arte, para morador de favela, não seria necessidade básica, seja a produção de arte, seja o consumo de bens artísticos. Há também elementos de burrice e desconhecimento nesse tipo de raciocínio. Para resolver os problemas estruturais das favelas são necessários milhões em investimento. R$ 255 mil nada significam para este tipo de finalidade, como também nada significam para a produção de espetáculos e artistas de “alto nível”. Aqueles mesmos que espernearam quando o Ministério da Cultura, na gestão Gilberto Gil, inverteu prioridades e passou a considerar mais os coletivos e seus projetos de intervenção cultural e, menos, as estrelas singulares e individualistas. Entretanto, R$ 255 mil reais significam muito para a proposta de intervenção artístico-cultural de grupos como o Nós do Morro. Que a Lei Rouanet e outras leis de incentivo à cultura alcancem, cada vez mais, grupos dessa natureza. Nós do Morro por ele mesmo: “O Grupo Nós do Morro surgiu na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro e, desde então, vem alcançando amplo reconhecimento da sociedade pelo trabalho realizado junto à comunidade carente, tendo recebido diversos prêmios teatrais. Em 2003, com o sucesso do grupo foi criada a Companhia de Teatro Nós do Morro, com o objetivo de aperfeiçoar e dar continuidade ao processo de criação e produção de sua linguagem artística. A Companhia mantém o vínculo sócio-cultural com a comunidade original, tendo em seu elenco atores e técnicos fundadores e integrantes do grupo, que atende anualmente cerca de 300 crianças, jovens e adultos da comunidade, nas áreas de teatro e audiovisual. Os espetáculos do grupo foram encenados no Rio e em São Paulo, integrando a agenda cultural dessas cidades, e foram contemplados com diversos prêmios, incluindo uma Menção Honrosa da UNESCO em 2002. Além da criação do Grupo de Teatro, o Nós do Morro criou um Núcleo Audiovisual, em que são produzidos roteiros, filmes de longa e curta-metragem de ficção e documentários, como no fortalecimento de importantes parcerias com produtoras como Diller Trindade, Rio Vermelho, Raccord, e Copacabana Filmes, possibilitando a inserção no mercado de trabalho de vários dos seus técnicos e artistas. Com 20 anos de existência, hoje o Nós do Morro, que se tornou referência cultural e social, é um centro de formação artística que atende a 320 alunos no Vidigal, cumprindo sua missão de formar artistas-cidadãos e de dar sua contribuição às Artes através do desenvolvimento do processo de construção da linguagem cênica fundada na cultura nacional e popular”. (Do sítio do BNDES) “O surgimento do Nós do Morro, nos anos 80, ocorreu justamente em um momento em que as organizações comunitárias ganhavam força nas favelas do Rio de Janeiro. O movimento de formação do grupo promoveu uma fusão entre diferentes associações de favela. À época, a parte baixa do morro – mais próxima à avenida Niemeyer – era morada de artistas, intelectuais e jornalistas. Já na subida da encosta – nas partes média e alta – crescia o número de moradias da população mais pobre. Foi a partir da relação criada entre artistas e intelectuais e os jovens de baixa renda da comunidade do Vidigal que foi originado o Nós do Morro. Hoje, o chamado Casarão, sede das atividades do grupo, encontra-se na parte média do morro. Desde o início de suas atividades, já passaram por suas oficinas mais de 3 mil pessoas. Atualmente o Nós do Morro oferece cursos de formação de atores e técnicos em artes cênicas para cerca de 300 jovens e adultos da comunidade, ainda que com poucos recursos, vindos principalmente de um apoio anual da Petrobrás”. Visite a página do grupo: www.nosdomorro.com.br
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