Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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24 de jul de 2013

Dominguinhos!




José Domingos de Morais, o encantador Dominguinhos, é filho ilustre de Garanhuns, PE, como o ex-Presidente Lula. Tem uma das carreiras mais longevas da MPB: aos 8 anos tocava pandeiro, acompanhando o irmão mais velho, primeiro sanfoneiro da família, que mais tarde trocaria a sanfona pelo piano. Aos 9 anos tocava a sanfona de 8 baixos, conhecida no Nordeste como “pé de bode”. Aos 11 já tocava sanfona profissional. Ainda criança conheceu Luís Gonzaga que imediatamente reconheceu seu grande talento. Foi só chegar à adolescência e mudou-se para o Rio de Janeiro, foi aprender com o mestre. Era comum Dominguinhos assistir as gravações de Gonzagão em estúdio e um dia, aos 16 anos, foi apresentado por seu Luís, como o chamava, à imprensa, como seu herdeiro artístico. Luís Gonzaga iniciou uma canção e sem qualquer combinação prévia, ainda na introdução, descansou o fole no chão, deixando a Dominguinhos a tarefa de continuar na própria sanfona. E ele não decepcionou. A partir daí começou a acompanhar Gonzagão em shows pelo Brasil. Existe um belo registro no youtube da dupla de sanfoneiros cantando e dançando Xaxado http://www.youtube.com/watch?v=Z91xqCp-kUM


Dominguinhos tem 71 anos de vida, 63 anos de carreira artística e 70 documentos sonoros gravados, entre LPs, CDs, regravações, DVDs e filme. Em 2002 ganhou o Grammy Latino com o CD “Chegando de mansinho”.
Algumas de suas músicas são luminares do cancioneiro brasileiro, como Eu só quero um xodó –“que falta eu sinto de um bem / que falta me faz um xodó / mas como eu não tenho ninguém / eu levo a vida assim tão só / eu só quero um amor / que acabe o meu sofrer...” e quem não quer? São letras fundas e sentidas interpretadas na melodia harmônica da sanfona, tocam qualquer vivente que tenha coração. De volta pro aconchego é outra bela composição imortalizada por Elba Ramalho: “estou de volta pro meu aconchego / trazendo na mala bastante saudade... é duro ficar sem você vez em quando / parece que falta um pedaço de mim”. Ainda na mesma toada romântica pontuada pelo dengo da sanfona, Gostoso demais: “quando estou com você / estou nos braços da paz... pensamento viaja e vai buscar meu bem querer...”

Mas, talvez seu primeiro grande sucesso nacional tenha sido a bela e filosófica Quem me levará sou eu, uma reflexão sobre o afeto dos amigos e o simples da vida a que qualquer estrada bem trilhada leva. “Amigos a gente encontra / o mundo não é só aqui / repare naquela estrada / que distância nos levará...”
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