Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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26 de dez de 2013

Acervo do Muquifu e excertos de Cidinha da Silva em Pádua, 2014

 
Burrinho
 O dono do burrinho não tinha nada antes de tê-lo. Era um menino sem perspectivas que carregava sacolas no mercado, sacolas grandes, quase maiores que ele. Um dia uma senhora teve pena do menino e o levou para casa. Dava-lhe umas sobras de comida, de cadernos e lápis, roupas usadas e desprezadas pelos filhos. Mas qualquer coisa tinha valor, diante do imenso nada da vida do menino. Em outro dia na vida do menino, já rapaz depois de muitos anos de serviços prestados, a madame lhe deu um burrinho de pata quebrada, que pelas mãos de uma irmã chegou ao Muquifu, junto com essa memória de exploração humana e uma pata consertada pelo novo dono.
 
 
Folia de Reis
Se minha Ana revivesse a viola voltava a tocar. Se Deus não tivesse levado ela, a viola chorava de alegria, mas depois que ela não está mais aqui, nem gemer de tristeza a viola geme. A fala dela é silêncio, encostada na parede. As mãos e o rosto do violeiro estão secos, não precisam mais das toalhas. Eu vou emprestar os instrumentos para o Muquifu, padre, o senhor não leve a mal. Quem sabe um dia a Folia volta...
Texto: Cidinha Da Silva
Foto: Augusto de Paula
 
A Gaiola
A gaiola vazia do colecionador é metáfora da liberdade: daquilo que não está mais preso, da vida que escapou para voar, de agrupar e guardar o que para outros não tem mais utilidade, mas, para ele poderá fazer sentido um dia.
Texto: Cidinha Da Silva
Foto: Augusto de Paula
 
Boneca
 A mãe, quando criança não conseguiu ter a boneca dos sonhos. Encontra-a num brechó e compra-a para a filha. Canta para si mesma a mais bela canção de ninar que as próprias mãos puderam prover.
 
A Igreja
 A igreja da infância tinha duas torres, duas janelas laterais, uma porta central e um relógio acima dela. O sino batia a cada hora cheia marcada no relógio e a cada dia vivido as badaladas da memória revigoravam aquela imagem. Então ela se materializou nesta pequena escultura em madeira e depois tornou-se uma peça grande, edificada na fachada da sala de estar da casa do dono, para que qualquer visitante da casa entrasse na igreja que sempre morou dentro dele.
Texto: Cidinha Da Silva
Foto: Augusto de Paula
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