Bate-papo no PAF I da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Bate-papo no PAF I da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

25 de abr de 2014

Prosa literária com Ana Maria Gonçalves

 
Por  Ana   Paula  Santos
“Quando você segue as pegadas dos mais velhos, aprende a caminhar como eles”

    Ana Maria Gonçalves 
Ela  escreveu  Ao lado e à margem do que sentes por mim (2002) e  Um defeito de cor (2006) livro  que  lhe  rendeu o prêmio Casa de las Américas na categoria literatura brasileira. A nossa  entrevistada falou sobre como se descobriu  escritora, uma vez que é  formada  em  publicidade,do seu trabalho como  roteirista, paixão  pela  história de  Luiz  Gama  e  novos  projetos literários.Leiam a entrevista concedida  por Ana  Maria Gonçalves ao  Blog Literatura  Subversiva:

Quando a senhora se descobriu escritora ?
Depois do primeiro livro publicado, quando descobri que realmente gostava de e poderia escrever. Minha formação é em Publicidade, nunca tinha pensado em escrever nada até ter um blog, em 2001.
Recentemente o jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria sobre Luiz Gama intitulada “7 anos de Escravidão no Brasil,”no caderno Ilustrada, assinada pela jornalista Sylvia Colombo citando seu trabalho no roteiro de uma série e de um filme sobre este abolicionista de suma importância para a história do Brasil e da literatura negra. A senhora pode falar um pouco sobre este projeto ?
Luiz Gama é uma das figuras mais interessantes e mais importantes no cenário da luta antiescravidão, pelo qual muito pouca gente já se interessou a estudar ou divulgar. Interessei-me por ele em 2002, quando comecei a fazer as pesquisas para escrever Um defeito de cor, cuja personagem principal, Luiza Mahin, é inspirada em carta e poesia que ele escreve sobre ela, apresentada como sua mãe. O cineasta Joel Zito vem, há dez anos, tentando fazer um filme sobre ele, sem conseguir patrocínio. E agora nos unimos, esperando, inclusive que o sucesso de “12 anos de escravidão” prove que há mercado para e interesse na temática, e que nós também, aqui no Brasil, tivemos diversos Solomon Northup e similares.

O que despertou seu interesse pela história do advogado, poeta e abolicionista Luiz Gama?

Com certeza, a singularidade de experiências vividas por ele, tendo nascido livre, escravizado pelo pai, conseguido de volta a liberdade, tornando-se uma das figuras mais respeitadas entre seus pares, em diversas áreas como o jornalismo, a literatura, a maçonaria, a política e a advocacia. É algo muito raro de ser  conseguido, na época em que viveu, inclusive por brancos, quem dirá por ex-escravos negros.
Como a senhora avalia a presença das mulheres negras na literatura, hoje ?
Somos sub-representadas, com certeza, e temos pouco espaço na cena literária brasileira. Acredito que haverá um crescimento nos próximos anos, porque pode estar aí um campo ainda não conhecido e explorado, o de algumas histórias que só podem ser escritas por mulheres negras. Se literatura se faz através da experiência, a nossa foi pouquíssimo contata e considerada; há muito por dizer.
A senhora acredita que o trabalho literário precisa está vinculado a uma ação política ou literatura é apenas distração ?
Não acredito em fórmulas ou modelos, ou obrigações e vinculações, mesmo porque um escritor não tem controle algum sobre o que escreve, sobre como a obra dele será recepcionada pelo público. O escritor deve lidar com as histórias ou temáticas que lhe forem caras; o resto é com o leitor.
Este ano comemoramos o centenário de Carolina Maria de Jesus. A senhora pode falar da contribuição desta escritora para a literatura Brasileira, Afrobrasileira, negra?
Recebi alguns pedidos para escrever sobre ela durante esse ano, mas, vergonhosamente, tive que recusar todos. Como disse lá acima, não tenho formação literária, e não ter lido, ainda, Carolina Maria de Jesus, é também uma falha na minha formação, que espero preencher brevemente. Não saberia te responder essa pergunta sem cair nos clichês de sempre.
A poesia tem espaço na vida da ficcionista Ana Maria Gonçalves ?
Como leitora, sim, embora menos do que eu gostaria. Como escritora de poesia, não, porque nunca conseguiria a concisão necessária.
Quem são os seus autores ou (as) prediletos (as) ?
Tenho vários, que vão mudando com o tempo. Atualmente, é a escritora haitiana Edwidge Danticat, de quem tenho lido tudo que me cai nas mãos.
Quando o público será agraciado com o seu próximo livro ?
Acredito que agora no próximo semestre teremos livro novo.
Postar um comentário