Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

29 de abr de 2014

Santo deus das bananas olhai por eles!

Por Cidinha da Silva





Olhai pelos tolos seguidores dos idiotas, senhor deus das bananas. Porque eles são ingênuos, não sabem o que fazem. Mas, aos imbecis, portadores de mau caráter, aproveitadores de todos os matizes, racistas quatrocentões e também os de primeira geração, aplicai a dureza da lei.

Racismo é crime. Sem açúcar e sem afeto, ao contrário do que pensam os adoradores da banana. É preciso investigar e punir para coibir manifestações futuras. Assim fez o Villarreal, time responsável pela torcida que atirou a campo uma banana, devorada pelo jogador Daniel Alves. O clube identificou o torcedor responsável pela atitude racista durante partida entre a equipe e o Barcelona, pelo Campeonato Espanhol, punindo-o com a suspensão do carnê de sócio e o banimento do estádio El Madrigal pelo resto da vida.

O clube não agiu sozinho, partilhou o sucesso da ação com os responsáveis pela segurança no estádio, bem como a torcida, todos imbuídos em identificar o autor da discriminação racial, para impedir, inclusive, uma possível punição desportiva à agremiação. Ou seja, ao investigar, encontrar o racista e puní-lo, o Villarreal apresenta à sociedade espanhola e ao mundo, o compromisso inequívoco de respeito aos direitos humanos, ao direito de trabalhar em condições dignas.

À presença de espírito de Daniel Alves ao comer a banana, ao transgredir e ter uma atitude inusitada diante da clássica discriminação racial que associa pessoas negras a macacos, com o objetivo de desumanizá-las, seguiu-se uma campanha marqueteira de quinta categoria nas redes sociais, evocando o macaco que as teorias evolucionistas guardaram dentro dos seres humanos.

O senhor está perplexo, senhor deus das bananas? Nós estamos, pois, ao cabo, se somos todos macacos, não existem mais racistas.

Merece algumas linhas adicionais, senhor deus das bananas, a atitude de Daniel Alves, sertanejo brioso que não teme a ingestão de veneno. Porque o senhor sabe, aquela banana era tóxica, continha uma quantidade secular de energia radioativa. E Daniel, no ímpeto de reagir (talvez de marquetear) comeu-a inteira. Mesmo um primata não faria isso. Os animais sabem reconhecer as plantas venenosas e o perigo de morte. Só nós, humanos, subvertemos a lógica da natureza e achamos que comendo a banana produziremos anticorpos que destruirão os racistas.

Ensina o manual de faxina étnica, senhor deus das bananas, que, sua eficácia está diretamente relacionada à desumanização do grupo que se quer exterminar e/ou explorar. Os nazistas comparavam os judeus a ratos e baratas. À colonização europeia, por sua vez, a associação de africanos a macacos é intrínseca.  

A opressão racial é tão vil e eficiente no Brasil que consegue fazer com que um jovem destacado de sua comunidade de origem, o jogador Neymar, visivelmente, notadamente, escancaradamente afrodescendente (sem a opção do escapismo moreno), nomine-se como macaco, mas não se reconheça preto.

E, se é verdade que "todos somos macacos" (nós - os negros, os "brancos" como Neymar, e os brancos como Luciano Huck), Dani Alves e o companheiro midiático estão absolvidos do estigma do racismo que lhes é tão oneroso (a nós também) porque não é algo humano, porque não é mesmo suportável.

Mas, a diferença entre uns humanos e outros, senhor deus das bananas, é que os primeiros não têm alternativa de sobrevivência, senão, enfrentar o racismo, por isso se afirmam negros, ao tempo em que mandam os macacos-humanos plantar bananeira no asfalto quente para divertir os brancos. Quanto aos racistas, o grupo de primitivos humanóides negros manda-os para a cadeia.

O segundo grupo de humanos negros, aquele composto por pessoas descoladas que se auto-elogiam como macacas, mas não suportam o aniquilamento provocado pelo racismo, a despeito dos cartões de entrada vip para o jogo da vida (fama, dinheiro, prestígio social), optam por enfatizar, como o fez Dani Alves, que brasileiros têm samba no pé e alegria de viver. Por conseguinte, conclui-se, driblam o racismo com irreverência e criatividade.

Seguindo esse raciocínio, são capazes de entortar os adversários (e os pares) ao propor uma campanha contra o racismo tão racista quanto o ato deflagrador. Assim, eles demonstram orgulho por serem macacos, mas negam que sejam pretos. Santa lobotomia, senhor deus das bananas! Triste fim da humanidade! 
Postar um comentário