Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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13 de mai de 2014

Túnel do tempo (em tempo), o 13 de maio de sempre!

125 Anos de abolição e eles gritam mais uma vez que o poder é branco!



Por Cidinha da Silva

Um juiz do Maranhão conseguiu suspender na Justiça Federal os editais da FUNARTE/MinC destinados a artistas e produtores culturais negros. O fato é tão surreal que as pessoas duvidam da seriedade da notícia. Não seria trote como a nota de suspensão abrupta do Bolsa-família plantada na mídia?

Às vezes tenho medo do país em que vivo. Temo por meus mais-novos. Fico escandalizada com a incúria da branquitude que não dá trégua, não larga o osso, não admite perder milímetros, gotas, milésimos de seus privilégios arraigados.

O Brasil real, branco e racista, quando se manifesta é tão virulento que produz certa apoplexia. Ele se organiza à revelia da legislação, da constitucionalidade das ações afirmativas, das decisões do STF e rasteja circularmente pelo assoalho da casa grande. Ele desconsidera tudo e todos em nome dos próprios interesses egoístas, autoritários, desumanos, dos privilégios quase de casta. Ele se regozija em afirmar que se não for do jeito dele e se não for tudo para usufruto dele, não será de mais ninguém.

Esse Brasil tem milhões de defensores, uns mais empedernidos, outros menos. Gente que se locupleta da arbitrariedade vil, pronta a argumentar que tudo deve ser de todos e para todos, leia-se, dos brancos e para os brancos que sempre tiveram tudo. E essa, no entendimento deles, é a ordem natural das coisas. E que os negros continuem nos seus lugares, domesticados.

Quando esse Brasil percebe que os negros estão se organizando, conquistando umas coisinhas poucas, tratam logo de contra-atacar com os instrumentos bélicos adequados a cada momento. Seja no capítulo de novela das nove no dia 20 de novembro, em que uma personagem branca dá uma bofetada na protagonista negra que lhe pede perdão de joelhos por sentir-se responsável pelo acidente que deixara a filha da mulher branca tetraplégica, seja noutra novela, na qual um homem negro chamado Pescoço cai nas graças do povo pelo jeitão encostado, explorador de mulheres, somado ao racismo internalizado. É Pescoço, mas poderia ser joelho, cotovelo, calosidade, qualquer coisa, qualquer nota. Seja na decisão da Justiça Federal de suspender os editais de ação afirmativa da FUNARTE/MinC destinados a artistas e produtores culturais negros, em atendimento ao reclame de um juiz qualquer que resolve obstar a vida e os sonhos de mais de dois mil proponentes negros.

Esse Brasil se levanta e vocifera que o poder é branco e continuará a sê-lo! E nós o encaramos nos olhos e prosseguimos. Embora por vezes pareça meta inatingível, é só questão de tempo para que o Brasil negro diga ao Brasil branco e racista: Perdeu playboy, perdeu!
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