Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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17 de fev de 2009

Parabéns Dugueto!

(Deu no Estadão- Do caos ao minuto de silêncio para a poesia, por Livia Deodato ). "Na quinta-feira (12/02) à noite ocorreu um encontro em que o silêncio e a atenciosa escuta se fazem providenciais. Após um dia estressante de trabalho, trânsito acompanhado de buzinaços e uma garoa fina que parece não querer deixar a capital, mais de 50 pessoas se deixaram levar pela poesia de palavras duras, doces, fantasiosas, divertidas e até mesmo pornográficas. Quinta-feira foi dia da 2ª edição do ZAP!, abreviação de Zona Autônoma da Palavra, um slam brasileiro organizado pela atriz Roberta Estrela D?Alva, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos. Criado por Marc Smith em 1986 em Chicago, nos Estados Unidos, o slam nada mais é do que uma competição de ?spoken work?, a palavra falada. Uma arte de escrever e apresentar os poemas. "Existem muitas iniciativas de poesia pipocando pela cidade. Acredito que há uma necessidade urgente de as pessoas se organizarem coletivamente e pararem para se ouvir", diz Roberta. "Precisamos de silêncio para prestar atenção naquilo que tem de mais genuíno, que vem de dentro do coração de cada um." Pouco antes da primeira edição do evento, também organizada na sede do Núcleo no fim do ano passado, Roberta encontrou o e-mail de Smith na internet e arriscou escrever para ele. No dia seguinte, lá estava a resposta do criador do movimento que mais tarde foi levado para Nova York por Bob Holman. "Pedi algumas dicas", conta a atriz, que bem tentou encontrar algo nesses moldes por aqui, sem sucesso. Entre as regras estão a duração máxima de 3 minutos para cada poesia, a proibição de acessórios, figurino especial ou acompanhamento musical e a soberania do júri, formado por cinco pessoas, sorteadas ou escolhidas pelo apresentador, que atribuem nota de 0 a 10 após a exposição de cada poema. A entrada e a inscrição são gratuitas. Anteontem, 14 concorrentes disputaram o slam cujo prêmio era uma pilha de mais de dez livros. "Coloquei um livro que tinha acabado de comprar pra mim, Poemas, do Brecht, além de muitas outras doações. Não contamos com nenhum apoio ainda, infelizmente", diz Roberta. Mix de castanhas, brigadeiros caseiros deliciosos, vinho e cerveja são vendidos a preço de custo. Todo um evento para saciar a fome de poemas declamados em torno do substituto moderno da velha fogueira, o microfone. Tula Pilar Ferreira fez rir e emocionou com Formas Femininas. Moradora de Taboão da Serra e vendedora da revista Ocas há seis anos, Pilar descobriu a poesia como fuga de uma realidade difícil, que por pouco a fez ir morar na rua junto a seus três meninos. Ficou entre os finalistas, mas não levou o prêmio. Nada que tirasse o seu sorrisão do rosto. Nina Levisky, de 10 anos, preparou O Amor numa folha de sulfite cheia de corações. Arrancou aplausos e garantiu que não foi buscar inspiração em nenhum menininho, não. O vencedor da noite foi Ridson Mariano da Paixão, de 25 anos, mais conhecido como Dugueto, poeta nato, morador do Jd. Jaqueline, zona oeste de São Paulo. Sem ler nenhum de seus três poemas, pôs vida em cada verso dito, como "Cabelo rebelde não aceita ser condicionado/Coroa do poder negro Deus seja louvado/Herança musical de tradição oral/Poesia criada na dor do canavial". Comemorou a premiação ao lado de dois dos integrantes de sua banda de rap, Denegri, Dena (cuja voz é inexplicavelmente bela) e James, entoando a capela o convite em forma de canção Vamos pra Palmares. Em meados de março tem mais slam." Não entendi porque a voz da Dena seria "inexplicavelmente bela"? Caso encontre a jornalista perguntarei.
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