Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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23 de fev de 2009

Sinais distorcidos e o nariz de palhaço

(Deu no Irohin, por Edson Lopes Cardoso) “Othelo lutava por seu filme, mais até do que eu (...) para ele, as dificuldades que enfrentávamos em conseguir recursos para filmar tinham um sentido penoso suplementar: davam a medida de seu prestígio, revelavam os limites da consideração e da confiança dos que batiam amistosamente em suas costas e traziam de volta seus bordões clássicos. ‘Eles me querem do lado, mas não me dão a palavra’. ‘Eles me vêem como um palhaço’.” "O fragmento citado é de Roberto Moura, extraído de “Grande Othelo – um artista genial”. Rio de Janeiro: Relume-Dumará/Prefeitura, 1996, p.145, e pode ajudar a quem queira compreender tanto um “núcleo negro” de novela da Globo (p. ex. Três Irmãs, a atual novela das sete), quanto uma candidatura a presidente da República. Nem os personagens negros estereotipados se vinculam à trama, por mais medíocre que ela seja, nem (im)prováveis candidaturas negras se incluem entre as considerações dos caciques partidários e analistas políticos. Podemos até repetir, e faço isso com freqüência, uma das três irmãs da peça de Tchecov, escrita na Rússia do final do século XIX, dizendo que a vida não é só isso, e até sinto que alguma coisa grande se aproxima. Mas, por enquanto, vamos continuar chorando no banheiro de um cinema no Catete, como fez Grande Othelo durante a exibição de Malcolm X, de Spike Lee. Pior do que não ter candidato, só mesmo um candidato de mentirinha. Mas parece que não é o caso, porque desde 26 de novembro de 2008 sabe-se que os setores de movimento negro mais diretamente ligados à base do governo proclamaram em ato realizado no Palácio do Planalto o nome de sua preferência e as razões da escolha. Vejam trecho de Eduardo Scolese e Simone Iglesias, repórteres da Folha de S. Paulo: “Explícita, a primeira declaração eleitoral veio de uma integrante do movimento negro. Cleide Ilda de Lima, 46, filiada ao PT de Belo Horizonte, falou em nome da Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras). ‘Acreditamos que esse governo tem cumprido o que veio realizar. Nós acreditamos que ele precisa dar conta de sair de 2010 elegendo a nossa sucessora, a nossa candidata Dilma Rousseff a presidente’, disse Cleide, para aplausos. ‘Queremos elegê-la para dar continuidade aos programas que o Lula construiu nesses oito anos’, completou, já sob os gritos de ‘Dilma, Dilma, Dilma’. ‘Desculpe, mas já estamos em campanha’, finalizou Cleide. Ao lado dos colegas Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e Guido Mantega (Fazenda), a ministra da Casa Civil sorriu diante da cena”. A presumida candidatura Paim explicitaria algum racha na base negra do governo? Não creio. Houve uma recente aclamação de Dilma em Belém, com vibrante participação negra semi-oficial, durante o Fórum Social Mundial. A reeleição de Paim ao Senado enfrenta oposição forte no interior do PT gaúcho? É muito provável, há uma enxurrada de candidatos fortes (inclusive uma reedição do embate com Emília Fernandes), e talvez seja esse o alvo da marola: faturar (perdoem, é o jargão utilizado pelos políticos profissionais) o efeito Obama e fortalecer a candidatura Paim ao Senado. Cada palavra, cada gesto, cada mensagem na internet, portanto, correspondem a imperativos da lógica eleitoral, mas nada é o que parece. No entanto, o reconhecimento desses sinais não é, felizmente, uma graça concedida a poucos".
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