Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

19 de fev de 2009

Uma noite de terror em Paraisópolis: policiais usaram violência contra trabalhadores que vivem na região

(Deu no Brasil de Fato)."Ao andar pelas ruas íngremes e apertadas de Paraisópolis é fácil perceber que o assunto principal é a violência da polícia e o medo da comunidade por represálias, como foi dito por diversas pessoas. Um líder comunitário, que já está há aproximadamente 30 anos na comunidade, vem sendo muito solicitado por moradores que trazem relatos dos mais absurdos cometidos pelos policiais que ocupam a área, compostos por três corporações: Rondas Intensivas Tobias Aguiar (Rota), o Choque e o Comando de Operações Especiais (COE). Ele relata que, no dia 2 por volta das 23 horas, com a situação já controlada, homens das três corporações da Polícia Militar invadiram a comunidade e mesmo sem ter ninguém nas ruas atiraram bombas de efeito moral e disparavam tiros de borracha contras as janelas das casas, inclusive contra as pessoas que voltavam do trabalho. “Crianças e idosos gritavam desesperados pela dificuldade de respiração que a fumaça da bomba causava, inclusive idosos acamados”, diz. Para a comunidade foi uma noite de terror, mas para um morador em especial quase lhe custou a vida. O jovem garçom de um restaurante situado na Avenida Paulista, que resguarda sua identidade, contou que, preocupado com a violência desmedida quando da invasão dos policiais, foi encontrar sua mulher que voltava do trabalho, mas ao sair de casa ele encontrou com “aproximadamente oito policiais, eles pediram para eu entrar em casa novamente, mas quando coloquei a mão na cabeça e virei as costas levei muitos tiros de balas de borracha e o pior, a bomba de efeito moral foi atirada contra meu corpo, estilhaçando na minha perna” . Arrastando -se até a sala e sangrando muito foi socorrido por sua esposa que chegou logo em seguida e havia assistido tudo. Ela conta que mesmo com o uniforme de serviço, quando gritou para que deixassem seu marido em paz, recebeu insultos. “Me xingaram muito, deram muitas risadas e continuaram a percorrer pelo bairro”. O pior estava por vir, quando chamou a ambulância e a demora em chegar persistia, ela retornou a ligação para a central de atendimento da Prefeitura. Pelo telefone lhe informaram que a unidade móvel estava na entrada de Paraisópolis, mas impedida de prestar qualquer socorro aos moradores por ordem da polícia. “Meu marido ficou das 22h às 2h15 da madrugada sem atendimento médico, só conseguimos sair de madrugada quando um vizinho que tem carro nos prestou ajuda”, desabafa. Ainda não se sabe, pela gravidade dos ferimentos, se o jovem conseguirá recuperar os movimentos da perna ou mesmo se terá que amputá-la. Em casa, ele lamenta o ocorrido e promete que irá processar o Estado. “Um pai de duas filhas precisa trabalhar, eles pensam que na favela só tem bandidos, sou muito criminalizado por morar aqui”, conclui. A vizinha da frente conta que teve sua casa invadida sem nenhum mandado judicial e ainda que, quando os policiais viram sua televisão e computador novos, pediram nota fiscal. “Fui humilhada, sou trabalhadora, será que só porque eu moro na favela, se tiver algo é porque roubei, quase esfreguei na cara deles as notas”, revela. O líder comunitário deixa claro que não é contra a polícia na comunidade, mas ressalta, “somos contra pelo modo de agir da mesma, tenho relatos e vi barbaridades nesses últimos dias, os negros são os que mais são abordados, policias revistam mulheres e crianças de 10 a 13 anos de idade, menores e moradores algemados, os pedidos de ajuda são respondidos com bombas de efeito moral”, indigna-se. Quando o líder da comunidade repudiava a atuação da polícia para a reportagem do Brasil de Fato, parece ter tomado outro golpe ao ser interrompido por uma moradora que diz que seu filho foi agredido, porque é deficiente auditivo e quando abordado tentou se comunicar por sinais. “Essa polícia não tem preparo nenhum, bateram no meu filho, porque ele sofre de uma deficiência, será que nem deficientes eles respeitam”, questionou. Atordoado, ele diz que nos dias a rotina foi essa, sair pelas ruas e escutar reclamações de todos os lados sobre as abordagens dos policiais. “A revolta contra a polícia é geral, por isso, a atuação da polícia não melhora a comunidade, precisamos muito mais de educação do que repressão”, reflete".
Postar um comentário