Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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9 de jul de 2009

11o FNLIJ Salão do Livro para Crianças e Jovens

Aconteceu de 11 a 21 de junho de 2009, o 11º Salão FNLIJ do livro para crianças e jovens. Estive lá, como tenho procurado fazer nos últimos anos. Uma mudança fundamental desta edição foi o local de realização do Salão. Tradicionalmente ele ocorria nas dependências do MAM – Museu de Arte Moderna, agora realiza-se no Centro Cultural Ação e Cidadania, na zona portuária do Rio. O espaço é lindo, uma antiga fábrica reformada. Os stands deixaram de ser apertados, há mais espaço de circulação entre um e outro e, conseqüentemente, mais conforto para folhear os livros, conversar com autores(as), etc. Entretanto, os expositores reclamavam muito do local, porque, segundo eles, o pessoal da “Zona Sul” (os ricos e de classe média), efetivos compradores de livros, não se deslocaria até um lugar pobre, feio e deteriorado como aquele. Zona portuária chic, só a de Buenos Aires, pensava comigo. Tá certo que ainda falta muito, muitíssimo, para revitalizar a zona portuária do Rio, mas nas considerações dos expositores gritavam os preconceitos de classe, no mínimo. Segundo o que consegui apurar, as três primeiras edições do Salão não foram sucesso de público, mesmo acontecendo no MAM. Mas, paciência. Minhas principais impressões foram as seguintes: 1) Vi autores(as) e ilustradores(as) negros(as) presentes nos catálogos de algumas editoras medianas, quando não, aspirantes a grandes e isso é excelente. Destaco a amiga querida, Maria Tereza Moreira de Jesus, que publicou o livro infantil - “Vermelho”, trabalho bem cuidado da Editora 34. O Marcelo D’Salete, ilustrador e parceiro de vários amigos, está com um livro novo, o infantil “E assim surgiu o Maracanã”, pela Difusão Cultural do Livro. Pela mesma editora ele havia ilustrado o “Zagaia”, do amigo Allan da Rosa. 2) Percebi um certo (quando não, descarado) didatismo em várias publicações literárias cuja centralidade são as relações raciais, as culturas negras brasileiras, africanas e afins. Chegando a aberração de orelhas e prefácios mais parecidos com introduções a livros didáticos, feitos por especialistas renomados. A editora Cosac Naif, por exemplo, reconhecida pelo excelente trabalho gráfico e de conteúdo, apresenta dois livros infanto-juvenis, pretensamente literários, mas de didatismo inconteste na abordagem: “Agbala” e “Chica e João” (sobre Chica da Silva e o contratador de diamantes). Fugindo a esses exemplos, a mesma editora apresenta belíssima edição em quadrinhos de “O homem que sabia javanês”, do Lima Barreto. 3) Ainda sobre o tema dos quadrinhos, são lindas as edições da Escala Educacional de contos não tão conhecidos do mesmo Lima Barreto, tais como “Edith e seu tio”, “Um músico extraordinário” e “A nova Califórnia”. Não falta também o clássico “O triste fim de Policarpo Quaresma.” Vocês sabem que sou fã de quadrinhos e procuro acompanhar as novidades. De quebra passei também por uma edição em quadrinhos de Erasmo de Roterdã, “O elogio da loucura”, que me levou de volta aos 15 anos, quando li o livro. 4) Vi muitas publicações em Braile, ótima notícia. 5) O angolano Ondjaki esteve por lá lançando o seu “Avó Dezanove e o segredo soviético”, pela Companhia das Letras. Deve ser um bom título, a julgar pelo fôlego das publicações anteriores. 5) Não consegui comprar os livros de uma autora adorada, a Carolina Cunha, que publica pela espanhola LM Edições. Fui ao Salão no primeiro e no último dia e deixei as compras para o final, na expectativa de os preços baixarem. Só que os livros da Carolina foram todos vendidos, mantenho-me apenas com o “Caminhos de Exu”, comprado na Bienal de São Paulo há uns anos. 6) Um ou outro stand sem escrúpulos vendia livros de Paulo Coelho, Nelson Rodrigues, os Cassetas, dentre outros best sellers, todos de temática adulta, sem qualquer relação com livros para crianças e jovens. A FNLIJ deveria multar pesadamente esses espertalhões que, além de tudo, ludibriam as editoras que pagam pelos stands no afã de expor e comercializar os próprios livros dirigidos ao público infantil e juvenil. 7) O stand do INSPI – Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, cujo lema é: “nosso saber é nossa marca”, está a cada ano mais estruturado e lançando novos escritores e escritoras indígenas. Estão desenvolvendo também um trabalho incisivo para levar a literatura indígena às escolas. Adquiri alguns títulos, li três, por enquanto. À medida que o tempo der, comento-os aqui.
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