Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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13 de jun de 2010

Mais do mesmo na Copa!

Ah... vi uma mulher tão linda em meio à torcida de Gana. E todos os canais de TV mostraram aquela imagem, mas ninguém destacou a beleza dela. Dos africanos é mencionada à exaustão do estereótipo infantilizante, a alegria. "Oh... eles são tão alegres (leia-se ingênuos)"... "Ah, veja a alegria (leia-se o descompromisso, o alheamento dos problemas do mundo) deles" ou " A alegria da Copa da África contrasta com a frieza da Copa da Alemanha". Um jogador inglês, negro, machucou a boca e o narrador da TV brasileira (Sport TV) disse que "ele punha um gelinho tentando fazer parar de sangrar o beiço". Fosse um jogador branco a se machucar e aquela parte do corpo humano se chamaria lábio? Outro comentarista, Maurício Noriega, ao enfatizar as qualidades de futebolista de Gionani do Santos, atleta negro da Seleção do México, atribuiu-as ao "sangue brasileiro que ele carrega nas veias". Giovani é filho de brasileiro! A bilologização é sempre perigosa e neste caso, burra, incompatível com um homem "formado e reformado" pela universidade. Existiria um gene brasileiro determinante do bom futebol ou do futebol arte. E o comentarista tentaria me convencer que o mesmo "gene" faria de Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Júnior, Djalminha, Dener, Reinaldo e... (Amancooo... dá-me um craque branco, dá-me um craque branco) Tostão, Sócrates ou Falcão, jogadores geniais. Conseguiria se eu fosse idiota, se não soubesse diferenciar biologia e cultura, talento que se desenvolve com lastro e talento que se desenvolve na marra, como única forma de sobrevivência, se não conseguisse detectar as armadilhas da decantada mestiçagem brasileira. Ainda que todos os jogadores citados, negros e brancos, tivessem a mesmíssima origem socio-ecônomica, o mundo teria cores diferentes para uns e para outros, porque o racismo intercepta os negros numa esquina e acolhe os brancos na outra, simplesmente por serem brancos, sequer precisam escolher entre ser racistas ou não. As vantagens geradas pelo racismo (contra os negros) valem para todos os brancos, sem exceção. Esses homens desse mundo branco não podem mesmo reparar na beleza intensa, de bochechas gordas, lábios carnudos emoldurando uma coleção de marfins, e tranças que por sua vez emolduram o rosto daquela mulher africana. Seu sorriso tão genuíno deve ter inibido os comentários deles sobre a tal alegria africana. Mas eu vi, irmã, eu vi seu sorriso e sua beleza, que naquele momento eram o meu sorriso e a minha beleza. O sorriso e beleza do meu povo de Gana, do meu povo da Nigéria, do meu povo da Costa do Marfim, do meu povo da África do Sul! Do meu povo negro-africano! Do meu povo afro-diaspórico!
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