Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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19 de nov de 2010

Pentes e Colonos em Salvador, dias 25 e 26/11

Na próxima semana terei 3 compromissos em Salvador. No dia 25/11 lanço o Colonos e Quilombolas no CEAFRO. Dia 26/11 lanço Os nove pentes d'África e faço a conferência de encerramento do I Fórum Internacional de Educação, Diversidade e Identidades (27/11). Em breve postarei informações mais detalhadas. Por ora, fica a breve entrevista que concedi à jornalista Neire Matos, disponível no sítio do Fórum: www.fied.com.br Qual é o papel de uma prosadora? É o papel de quem escreve, de quem cria por meio da palavra. Uma prosadora escreve predominantemente o gênero prosa (conto, crônica, romance, novela) e brinca com a poesia em textos que não são poemas Qual sua área de atuação e como a senhora desenvolve seu trabalho? Escrevo literatura, prosa, crônicas, contos e novelas - ainda não escrevi um romance, mas estou me preparando para fazê-lo. Não sei se a pergunta se refere ao meu processo criativo, caso seja, varia bastante. Depende do tempo que disponho para escrever, se estou realizando atividades que me permitem trabalhar em casa e conquistar assim uma flexibilidade maior de horários ou se preciso sair todos os dias para trabalhar, o que limita terrivelmente meu tempo e disponibilidade mental para a criação artística. Em geral, faço muitas anotações antes de ir para o teclado. Desenvolvo as características básicas das personagens e do enredo à mão. Depois de escrito o texto na tela passo meses revisando, submeto- o a leituras críticas, volto a revisar. Por fim, vem o período de sofrimento e chateação, ou seja, o tempo de submeter o texto a editoras e esperar a avaliação delas para publicar. Salvador tem uma rede pública de ensino fundamental com mais de 100 mil alunos, a grande maioria negra, que vivem em comunidades de baixa renda. Como a leitura e formação de leitores pode ajudar no processo inclusivo dessas crianças É problemático pensar que cem mil estudantes ou a maioria deles está excluída e precisa ser integrada - excluída de quê? Integrada a quê? Deveríamos nos perguntar ou explicitar o que seriam essas exclusões e as supostas inclusões como solução. Porque se não agirmos assim, parece que as coisas são como são porque têm de ser, é um determinismo sem escapatória. Sou bastante reticente com expressões como "processo inclusivo de determinados sujeitos", pelo potencial que a expressão carrega de manutenção de certos lugares sociais de subalternização, mais do que de transgressão, mudança e superação. Vejamos se consigo ser mais objetiva naquilo que intento dizer. Me incomoda muito pensar que alguns sujeitos sociais, a maioria negra, como a pergunta enuncia, necessita usar a leitura como ferramenta de inclusão (sic!). Ora, desejo que as crianças e todas as pessoas leiam, porque ler é bom, é gostoso, porque nos torna seres humanos melhores. Não desejo que as crianças tenham o hábito da leitura como salvação, mas o gosto pela leitura como algo bom, prazeroso, apaixonante. O letramento é uma ferramenta fundamental para conquistar a cidadania. O gosto pela leitura, por sua vez, é conquista de outra magnitude. É assegurar espaço cativo em um tapete mágico e voador. Fale um pouco sobre o livro que a senha vai lançar durante o evento. Lançarei minha terceira obra, uma novela juvenil que se chama "Os nove pentes d'África". Na obra, tradição e contemporaneidade tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e rituais cotidianos da narrativa. O livro tem tido uma saída excelente, por exemplo, foi adotado pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte para compor a "mochila do estudante", 2011. Isso significa que o Pentes será um dos seis livros de literatura doados a cada estudante do EJA, neste caso específico. Além disso, a obra foi transformada em espetáculo teatral por Iléa Ferraz, que é também ilustradora do livro. O trabalho foi apresentado em curta temporada no teatro Tom Jobim, no Rio de Janeiro (agosto 2010) e será reapresentado dia 27/11/10 no Sesc Madureira, na mesma cidade. O que a senhora acha que vai mudar com o Fórum? Não sei. Acho apenas que é um espaço de discussão significativo e que as pessoas podem realizar trocas interessantes, além de pensar em políticas públicas conseqüentes.
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