Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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5 de fev de 2017

Lula no velório de Marisa Lula da Silva


Por Cidinha da Cidinha

A política tradicional exige coisas para as quais não tenho estômago, por exemplo, não sei como Lula conseguiu receber "condolências" de Temer, o usurpador. Também as mensagens de pêsames de Aécio Neves, Renan Calheiros e José Serra, entre outros, enviadas a Lula e sua família para publicação. Porque essa é a ideia, mandar uma mensagem para ter o nome publicizado como alguém que se irmana nas dores humanas para além das disputas políticas. E a assessoria de Lula cumpre a etiqueta, publica os nomes. Não. Não tenho estômago.

Eu que não sou isentona, tenho lado e procuro me manter lúcida nas posições que tomo, não agiria como Lula no discurso que encerrou o velório da esposa.

Por simples questão de temperamento e falta de habilidade para a política tradicional, eu encerraria o tema logo. Não receberia os crápulas, os facínoras e seus representantes. Não aceitaria condolências como uma pessoa civilizada. Então, isso eliminaria a necessidade de voltar à guerra no momento prévio à cerimônia de cremação porque antes, não teria feito política ao receber os cumprimentos de Temer, o cínico. Ele que, obviamente, cumprimentou Lula de olhos baixos. Não poderia olhá-lo nos olhos, sob pena de cair morto, fulminado pela ira que o Presidente se obrigava a conter.

Existe uma guerra midiática em curso, uma guerra de construção de narrativas na disputa do país e Lula está imerso nela, talvez até chafurde nela, porque ele não tem um canal de televisão a seu serviço. Porque rema contra a corrente hegemônica da mídia completamente aparelhada pela direita e pelas elites para destruí-lo e a seu projeto de país. Porque Lula está em guerra mas precisa fazer política. Porque sabe a força que tem, mas por responsabilidade política não pode usá-la para incendiar a sociedade (precisa ratificar que é o Lulinha paz e amor) e, como é muito emotivo, como é forte, mas não é de ferro, às vezes escapa do lugar de refém que a própria política o colocou e dá nome aos bois.

Na guerra, quando não se pode atingir o grande alvo, os inimigos se acercam das pessoas próximas e as ameaçam, fragilizam, torturam, violentam com o simples objetivo de destabilizar o grande alvo, de caracterizar sua impotência frente aos ardis da máquina que quer destroçá-lo.

Convenhamos, isentões e isentonas de plantão, críticos fundamentados e críticos insanos de Lula, o vazamento de conversas de Marisa Lula da Silva com o filho, na qual falou palavrão; o sequestro do smartphone dos netos, a intimidação das crianças pela Polícia Federal; o clima de pânico e desamparo criado na casa dos filhos; a condução coercitiva de Lula para depor, tudo isso em contraponto ao tratamento dado a Eduardo Cunha e sua família, aos políticos do PSDB, a Temer, a Renan Calheiros, aos ministros e artífices do golpe parlamentar, dezenas de vezes delatados, faz todo sentido para um lado da história.

Isso tudo somado à morte misteriosa do Ministro do STF, arquivo-vivo das acusações ao PSDB, são motivos suficientes para fragilizar e agravar a situação de saúde de alguém (Marisa Lula da Silva) colocada no olho do furacão.

Convenhamos, senhores e senhoras, principalmente os que têm uma concepção mais holística da vida, o estado de exceção em que vivemos (vivemos num estado de exceção, certo?) atingiu em cheio a ex-primeira dama e agravou seu estado de saúde. E seu marido, o grande alvo, diretamente ferido, mortalmente ferido, tem o direito de, em algum momento de sua dor, dar nome aos abutres, vermes e hienas.
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