Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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8 de ago de 2007

Dugueto Shabazz, o poeta

A poesia de Dugueto Shabazz é corte de adaga, profundo e seco, sem sangue, mas dilacerante. Tem um pouco de esperança desbordada no tapete do gênio da lâmpada. Um quê de menino que sonha (e luta) por um mundo de paz. Um brado de quem desafia a lógica do extermínio e um canto que desafina e rejeita o côro dos que querem torná-lo herói, protagonista de documentário de mocinho para exibição na Faculdade como trabalho de conclusão de curso. Ou dissertação de mestrado, tese de doutoramento. É poesia de quem tem as rédeas da própria vida nas mãos. "A guerra se prolifera. O levante da favela./Não é uma ameaça. É uma promessa./Promessa de terror. Horror. Incêndio./Por isso playboy, tenha medo". Na Internacional Palmarina I elege-se a primeira Presidenta do Brasil: "Uma presidente chamada Maria./ Sobrenome Cariri. Líder de periferia./Prum reino de sotaques. Cores. Corações./Tradições. Regiões. Amores. Religiões./ Em apoio ao comboio caros amigos raros./ Vieram Sandino. Steve Biko e Tupac Amaru./ E fica claro pra quem viu e ouviu:/ Declaro a República Palmarina do Brasil". No poema Volta pro condomínio, a fala que poucos têm coragem, propriedade e domínio da forma para asseverar: "Êu no rap. Cê no rock. Pipa já não quero mais./ Cê paga de rebelde na verdade é incapaz./ Um terço de malandragem ensaiada e de tabela./ Aprendia quando subia atrás de fumo na favela (...)Cê quer saber, quer entender minha cultura./ Sou pedra na viatura só que um pouco mais madura./ Minha cultura é armadura, alvará de soltura./ Antiescravatura. Liberdade pura (...) O título do meu depoimento é nós por nós./ Meu sofrimento não será mestrado de playboy./ Nas linhas da malandragem eu escrevo minha história./ Minha biografia é de autoria própria./ Miséria não é fashion. Favela não é pop./ Meu conceito é contexto Dugueto e te deixa em choque./ Desde muito eu cursei favelês./ Agora vêm vocês dizer que eu sou a bola da vez"./ "Junto à polícia que invade, agride, revista./ Enquanto o repórter registra a entrevista (...) Luz, câmera. Mão pro alto. O que é mais soturno:/ O sobrevôo do globocop ou o robocop de coturno?"/ "Eu não temo a polícia e sua corrupção./ Tenho a ficha limpa e não pertenço à facção./ Sem drogas no bolso ou armas na cintura./ Não perambulo pelas ruas à procura da mais pura./ Eu não compro. Não vendo. Não porto. Não uso./ Contra crack. Nike. Red Label e Tag Hauer./ A força do break dance e a beleza do black power./ Quem não tem valor. Tem preço. Vê se não se esquece". Na foto, Dugueto é o rapaz do centro, de jaqueta jeans.
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