Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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21 de out de 2008

Conceição Evaristo lança antologia poética em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro

A obra: Memória, feminilidade e resistência negra. Esta é a tônica de Poemas da recordação e outros movimentos, antologia poética com 44 poemas da consagrada escritora afro-mineira Conceição Evaristo, que inaugura a Coleção Vozes da Diáspora Negra (Nandyala Editora). Tecendo os fios de suas vivências pessoais e coletivas, a poeta convida o leitor a mergulhar em profundas "águas-lembranças", espelho hídrico do qual emergem imagens e vozes femininas a revelar uma tessitura poética inscrita na ancestralidade, "nova velha seiva" que "borda os tempos do viver". Assim, avó, tia, mãe e filha performatizam a "letra-desenho" de vidas traçadas em sonhos e esperanças, apesar da dor, do banzo, da fome e do frio que habitam o cotidiano de sujeitos negros em exclusão sócio-racial. Restaurados poeticamente, corpos femininos reamanhecem esperançosos, como "força-motriz" reativa aos naufrágios da vida. Do fundo das águas da memória, esses sujeitos revisam suas relações com corpos masculinos, numa mescla de lirismo e repulsa; ao mesmo tempo, percebem suas interações com outros corpos femininos. Com essa fluidez e intensidade, Conceição Evaristo vivifica e teima em afirmar ao leitor, uma vez mais, sua habilidade e excelência na configuração das linhas do seu corpo-linguagem, cosido "por mãos ancestrais". (Iris Maria da Costa Amâncio, PUC Minas). A autora: Conceição Evaristo (Maria da Conceição Evaristo de Brito) nasceu em 29 de Novembro de 1946, em Belo Horizonte /MG. É a segunda filha em uma família de 9 filhos. Em 73, após terminar o antigo Curso Normal, no Instituto de Educação de Minas Gerais, emigra para o Rio de Janeiro e, por meio de concurso, ingressa no magistério público. Conjugando trabalhos e estudos, forma-se em Português-Literaturas pela UFRJ. Mais tarde, já viúva e cuidando de sua especial menina, Ainá Evaristo de Brito, torna-se Mestre em Literatura Brasileira pela PUC/Rio e inicia seu curso de Doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Sua estréia na literatura acontece em 1990, na série Cadernos Negros – antologia editada anualmente pelo Grupo Quilombhoje, de São Paulo, um coletivo de escritores afro-brasileiros reunidos, desde 1978. A partir de então, seus textos vêm obtendo cada vez mais leitores e pesquisadores nacionais e estrangeiros. Além de Cadernos Negros e de antologias literárias e críticas brasileiras, seus textos aparecem nas seguintes antologias: Schwarze prosa, Alemanha(1993); Moving beyond boundaries: international dimension of black women’s writing(1995); Women righting – Afro-brazilian Women’s Short Fiction, Inglaterra(2005) ; Finally Us: contemporary black brazilian women writers (1995); Callaloo, vols. 18 e 30 (1995,2008); Fourteen female voices from Brazil(2002), Estados Unidos; Chimurenga People (2007), África do Sul; Brasil-África: como se o mar fosse mentira, Brasil/Angola(2006). Conceição Evaristo tem participado de eventos internacionais de literatura e já se apresentou como palestrante: na Áustria, Porto Rico e nos Estados Unidos. Suas obras individuais - Ponciá Vicêncio (2003/2006) e Becos da Memória (2006) representam uma excelente contribuição ao leitor contemporâneo. O romance Ponciá Vicêncio, indicado para o Vestibular 2008 da UFMG, do CEFET/BH e de mais quatro faculdades mineiras, ainda compõe a lista das obras indicadas para o vestibular da Universidade Estadual de Londrina 2008/2009. Em 2007 e em 2008, depois de uma calorosa recepção em 2003, devido ao seu conto “Ana Davenga” ter sido incluído em uma antologia americana de escritoras brasileiras, a autora retorna a convite a várias instituições americanas, para o lançamento da versão em inglês de seu romance Ponciá Vicêncio, traduzido para a língua inglesa, pela Host Publications, Texas, Estados Unidos. Oriunda de família em que o hábito de contar histórias sempre se fez presente, Conceição Evaristo afirma que a sua escrita nasce primeiramente do contato profundo que sempre teve com uma oralidade presente nas culturas afro-brasileiras. A transmissão dessa herança cultivada no interior de sua família se configura principalmente na pessoa de sua mãe, Joana Josefina Evaristo, assim como nas narrativas, em que ela ouvia da tia, hoje falecida, Maria Filomena da Silva. Contar e ouvir histórias, do mesmo modo como a observação atenta do cotidiano, mais o exercício prazeroso da leitura, é base para a construção de seus contos, poemas, romances e até mesmo seus ensaios. A crítica: "Em conhecida entrevista, Conceição Evaristo revelou a natureza íntima de sua criação literária através de uma única e sonora palavra: escrevivência. Ao assumir que sua escrita – seja em prosa ou poesia – está definitivamente comprometida com sua existência, ela nos brinda com uma obra contaminada pela angústia coletiva, testemunha da opressão de classe, gênero e raça, mas porta-voz da esperança de novos tempos. Esta literatura de autoria assumidamente negra – ao mesmo tempo projeto político e social, testemunho e ficção – inscreve-se de forma definitiva na literatura contemporânea, e contém as marcas identitárias das mulheres que reescrevem a história literária brasileira." (Constância Lima Duarte, UFMG). "Estou aqui feliz com a notícia do lançamento - FINALMENTE!!! - desse livro de poemas, há tanto tempo esperado. No dia 23, estarei aqui da Alemanha, acompanhando em pensamento mais esta vitória. De vocês duas!! Fico muito grata à Editora NANDYALA por essa iniciativa, importante e necessária. Seus poemas, Conceição, fazem parte do que a literatura brasileira de mais significativo produziu, não só no campo da poesia afro-brasileira, não só no campo da poesia de expressão feminina, na literatura brasileira em geral. Sempre fui desta opinião; cada leitura que faço de certos poemas é uma renovada emoção." (Moema Parente Augel Bielefeld, Alemanha).
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