Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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16 de out de 2008

Wole Soyinka

Há 22 anos, dia 16 de outubro de 1986, Wole Soyinka recebia o Prêmio Nobel de Literatura. A ele, nossa reverência de sempre. (Wole Soyinka - Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre). "Wole Soyinka (n. 13 de julho de 1934 -) é um escritor da (Nigéria). Soyinka foi agraciado com o Nobel de Literatura em 1986. Muitas pessoas o consideram o dramaturgo mais notável da África. Soyinka nasceu em uma família humilde de origem iorubá em Abeokuta, Nigéria. Ele fez o primário escolar em Abeokuta e o secundário no Government College, em Ibadan. Soyinka fez faculdade na University College (1952-1954), em Ibadan, e na University of Leeds (1954-1957), na Inglaterra, onde ele se formou com menção honrosa em Literatura inglesa. Ele trabalhou no Teatro da corte real (Royal Court Theater) em Londres antes de retornar a Nigéria para se dedicar ao estudo da dramaturgia africana. Soyinka lecionou nas universidade de Lagos e Ife (tornando-se professor de Literatura comparativa nesta instituição de ensino em 1975). Soyinka participou ativamente na história política da Nigéria. Em 1967, durante a Guerra civil nigeriana, ele foi preso pelo Governo federal mantido em confinamento solitário na prisão por suas tentativas de mediar a paz entre os partidos em guerra. Na prisão ele escreveu poemas que mais tarde viriam a ser publicados em uma coleção sob o título Poems from Prison. Soyinka foi liberado vinte e dois meses mais tarde após haver se formado uma conscientização internacional sobre a sua situação. Mais tarde ele recontou a sua experiência no confinamento em um livro: The Man Died: Prison Notes. Soyinka tem criticado abertamente as administrações da Nigéria e de tiranias políticas mundo afora, inclusive fez denúncias contra o regime de Mugabe de Zimbabwe. Muitos de seus escritos tratam do que ele chama de "the oppressive boot and the irrelevance of the colour of the foot that wears it", ou seja, parafraseando: o coturno opressivo e a irrelevância da cor do pé que a calça. Essas formas de pensar e de se expressar tem causado grande risco de vida ao autor, especialmente durante o governo do ditador nigeriano Sani Abacha (1993-1998). Durante a ditadura do General Abacha, Soyinka se retirou de seu país de origem em exílio voluntário (passando a maioria desse tempo nos Estados Unidos onde lecionou na University of Emory, na cidade de Atlanta. Quando do retorno do governo civil na Nigéria, em 1999, Soyinka aceitou emérito da Ife (agora Obafemi Awolowo University, mas somente com a condição de que nenhum dos ex generais do regime prévio jamais fossem designados como chanceller da universidade no futuro. Após algum tempo na África, ele passou a ocupar a cadeira Elias Ghanem Professor of Creative Writing no Departamento de inglês da University of Nevada, na cidade de Las Vegas, Estados Unidos". (Do sítio Parlamento Europeu, entrevista com Wole Soyinka, o primeiro Nobel da Literatura africano Cultura - 12-09-2008 - 11:13) Wole Soyinka, escritor e poeta nigeriano, Nobel da Literatura em 1986, esteve presente na semana africana. Durante a sua intervenção na reunião dedicada ao diálogo intercultural, Soyinka insistiu firmemente na necessidade de julgar os responsáveis por violações dos direitos humanos. Detido diversas vezes na Nigéria pelas suas críticas às forças militares e governamentais, o escritor dedica grande parte da sua obra à corrupção, à tirania, ao culto da personalidade e aos ditadores africanos. Quais são, na sua opinião, os factores mais importantes no diálogo intercultural? "O diálogo intercultural é um fenómeno humano. O que está em causa é a forma de pôr em prática e de melhorar esse diálogo. Espero que a comunidade internacional já tenha percebido que a hierarquia de culturas não existe. O reconhecimento das culturas desconhecidas ou estranhas avançou muito e há um conhecimento cada vez melhor dos fenómenos culturais. Isso significa que é necessário desenvolver e melhorar os mecanismos de troca cultural". O seu trabalho está muito ligado a alguns temas políticos em África, como a corrupção e o abuso de poder. Qual é, no seu entender, o papel dos escritores na sociedade?"Voltamos à questão da interacção cultural e é evidente que cada cultura tem as suas prioridades. De certa maneira, a política encontra sempre uma forma de ocupar o seu próprio espaço nos programas culturais. As pessoas continuam a questionar-se sobre o papel do indivíduo na comunidade. Acredito que a cultura, seja sob a forma de literatura, poesia, prosa, romance, em África ou na Rússia, possa estar sempre impregnada de elementos socio-políticos. É como a água: encontra sempre o seu nível". O que significam, para si, os mecanismos de troca entre culturas? "Vou dar um exemplo concreto: o British Council e a Alliance Française enviam esporadicamente grupos de teatro a África, designadamente à Nigéria, para actuações e debates. Em seguida, os grupos nigerianos podem viajar para o estrangeiro e dar a conhecer ao público novos idiomas teatrais. Basta participar numa destas acções para constatar a forma enriquecedora como as pessoas abrem os seus horizontes. Um outro exemplo é o fenómeno da internacionalização dos festivais locais. Na minha Universidade organizamos um festival denominado "Máscaras, Mascaradas e Marionetas". Foi uma oportunidade de introduzir os nigerianos às tradições de máscaras do resto do mundo. Convidámos o Japão, a China e os países escandinavos. Muitos nigerianos não sabiam que existe uma tradição de máscaras nesses países e pensavam que era uma tradição exclusivamente africana. Foi duplamente útil para os nigerianos porque, como sabemos, o fundamentalismo religioso está a limitar a compreensão entre culturas e os horizontes das pessoas. Muitos cristãos e muçulmanos nigerianos, incluindo os próprios estudantes, ainda acreditam que as máscaras são um sinal de feiticismo, de paganismo e de barbárie". Como se sente por participar na semana africana do Parlamento Europeu? "Como é que me sinto? Em casa! Enquanto a Nigéria esteve em crise, eu costumava visitar e conversar com os deputados ao Parlamento Europeu. Agora que as coisas parecem ter estabilizado, entendi o convite como uma forma de regressar aqui e agradecer o apoio do Parlamento Europeu durante a última ditadura na Nigéria. Geralmente sou convidado em momentos de crise na Nigéria e espero nunca mais ter que voltar nessas circunstâncias. Mas estou muito feliz por estar aqui novamente". REF.: 20080904STO36282.
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