Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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27 de abr de 2009

Quem foi que disse que os quadrinhos do Maurício embalam os sonhos das crianças (negras)?

Era uma vez uma revista em quadrinhos chamada "Ronaldinho Gaúcho e a Turma da Mônica". Eu comprava dois exemplares, a cada mês: um para mim e outro para um menino, que cedo, muito cedo, foi brincar de menino-aranha nas estrelas. Depois da partida do garoto fiquei mais de ano sem comprar a revistinha, perdera a graça, até que o fiz, com os números 25 e 26. Alguém avisa na Internet que o número 24 veicula uma história racista: Deise, a irmã do personagem Ronaldinho G., num dado momento olha-se no espelho e se assusta com a imagem refletida. Conclui: "com uma juba destas, posso ser confundida com mico-leão". E noutros balõezinhos ao lado: "escova, escova", enquanto ela penteia os cabelos. Só no Brasil é preciso argumentar e provar que isto é racismo, também, de acordo com a Lei 7.716/89, que define o crime de discriminação racial, o ônus da prova é do discriminado. No número 25, uma macaquinha esperta foge de um circo, Cleuza, é o nome dela, saberemos ao final. Ela entra no primeiro local de portas abertas encontrado, é uma barbearia. Por não falar direito, o barbeiro subentende que ela é um menino cuja mãe obriga a cortar os cabelos e que está ali a contragosto. Acostumado àquele tipo de situação,o profissional o consola, ao suposto menino, declarando que fará um corte moderninho. A macaca foge pela segunda vez, desta feita, da barbearia, vestindo o avental de cliente e com o cabelo cortado. Vai parar no campinho de futebol da turma do Ronaldinho G. Por falta de goleiro termina no gol e agarra, ora só com uma mão, ora só com um pé, todos os chutes indefensáveis do artilheiro. Quando o goleiro titular reaparece, surge também a verdade, aquele garoto é a perigosa macaca, fugitiva do circo. Acontecem mais peripécias entre a macaca, a bola e o habilidoso Ronaldinho G., até que ela volta ao circo, onde todos os bichos têm cara de bicho: o leão, o elefante, o urso. Só ela tem "carinha de gente", ao ponto de, com o cabelo cortado e um avental de cliente de barbearia, ser confundida com um menino. Desnecessário dizer que a cor dela é um marrom e-xa-ta-men-te igual à cor do Ronaldinho G., do Diego e do Assis, personagens negros da história. Para fechar com chave de ouro, o adestrador cria um novo quadro na exibição dos animais, no qual Cleuza é a goleira e Tromba, o elefante, como se pode inferir pelo nome, é o batedor de penaltis. Quem vencerá o duelo? É um pesadelo ou não é?
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