Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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1 de abr de 2010

Johnny Alf, o "pai da bossa nova"

O querido Johnny Alf se foi e não consegui escrever sobre ele no blogue, a velha querela da falta de tempo. E ele é um músico tão importante nos meus encontros com a boa música. Gosto, especialmente, de um CD lançado há vinte anos ou mais, no qual ele canta com convidados: Gal Costa, Gil, Sandra de Sá, Leny Andrade e outros. Além da qualidade musical, creio que sempre me encantou o forte registro estético-político representado pelo disco. Johnny, até onde acompanhei, reclamava pouco da expropriação de seu trabalho, precurssor da Bossa Nova. Parecia-me que era sua opção responder ao não-reconhecimento artístico com uma qualidade cada vez maior da música. Dizia-se também sobre ele, vindo da boca de outros músicos, que Johnny era o profissional mais respeitador do público que já havia passado por um palco. São lendárias as histórias de músicos e maestros que fugiam dos seus trabalhos à noite e se dirigiam ao Beco das Garrafas, para ouvir, pelo menos uma palhinha de Johnny nas boates do Rio de Janeiro dos anos 50 e 60. Deve estar agora regendo orquestras de colibris, o Johnny. (Por:Larry Rohter). "Embora não fosse muito conhecido fora do Brasil e tenha desfrutado de uma popularidade intermitente em sua terra natal, Alf é muito admirado por músicos e musicólogos brasileiros O influente compositor, pianista e cantor brasileiro Johnny Alf, cuja música delicada foi precursora da bossa nova, morreu em 4 de março em Santo André, no ABC paulista. Ele tinha 80 anos e morava em São Paulo. A causa da morte foi um câncer na próstata, disse seu agente, Nelson Valência. Embora não fosse muito conhecido fora do Brasil e tenha desfrutado de uma popularidade intermitente em sua terra natal, Alf, nascido Alfredo José da Silva, é bastante admirado por músicos e musicólogos brasileiros. O escritor Ruy Castro, autor de vários livros de referência sobre a música popular brasileira, chamou-o de “o verdadeiro pai da bossa nova” Alf foi contemporâneo de Antonio Carlos Jobim, João Gilberto e outros que transformaram a bossa nova num fenômeno mundial, mas ele começou sua carreira mais cedo e passou meados da década de 50 tocando no chamado Beco das Garrafas, uma rua em Copacabana cheia de bares e clubes noturnos. Seus fãs mais jovens entravam nesses bares para ouvi-lo tocar e estudar sua técnica e estilo cheio de improvisação. “Foi com ele que aprendi todas as harmonias modernas que a música brasileira começou a usar na bossa nova, no samba-jazz e nas músicas instrumentais”, disse o pianista e arranjador João Donato na sexta-feira (12). O violonista e compositor Carlos Lyra acrescenta: “Ele abriu as portas para nós com seu jeito de tocar piano, com sua influência do jazz. Quando minha geração chegou, ele já havia plantado as sementes.” Alfredo José da Silva nasceu no bairro de Vila Isabel no Rio de Janeiro, um reduto do samba, em 19 de maio de 1929. Seu pai era soldado do Exército, sua mãe dona-de-casa. Ele começou a estudar piano aos 9 anos, concentrando-se num repertório clássico. Mas sua paixão por filmes americanos o levou para longe dos clássicos e aproximou-o do jazz, uma mudança que ele descreveu mais tarde em uma divertida composição chamada “Seu Chopin, desculpe”. Alf começou a tocar profissionalmente aos 14 anos, quando assumiu seu nome de palco americanizado. Ele ajudou a fundar um fã-clube de Frank Sinatra no Rio e também admirava George Gerswhin e Cole Porter. Mas sua maior influência, como pianista e cantor, foi provavelmente Nat King Cole, cujo vocal suave, o toque sensível e os acordes sofisticados combinavam bem com o jeito quieto, e até mesmo tímido, de Alf. “Sempre toquei no meu estilo próprio”, disse Alf numa entrevista no ano passado para o jornal Folha de S. Paulo. “Tive a ideia de misturar a música brasileira com o jazz. Tento misturar tudo para atingir um resultado agradável.” Em seu melhor, a música de Alf tinha um jeito leve e aéreo que expressava o otimismo e a alegria de viver que os brasileiros consideram uma das características nacionais. Isso se reflete não só no título de sua música mais conhecida, “Eu e a Brisa”, mas também em sucessos como “Ilusão à Toa” e “Céu e Mar”, assim como em “O Tempo e o Vento” e “Rapaz de Bem”, um single de 78 rpm lançado em 1955 e agora visto por muitos como os primeiros registros gravados da bossa nova. Mas, cansado da vida agitada do Rio, mudou-se para São Paulo em meados dos anos 60 e aceitou um emprego de professor num conservatório. Depois disso, embora continuasse a se apresentar regularmente, ele passou a gravar apenas esporadicamente. Em 1990, ele gravou “Olhos Negros”, um CD amplamente elogiado, em que predominam duetos com uma segunda geração de admiradores, incluindo Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Gal Costa. De acordo com reportagens da imprensa brasileira, Alf não deixou herdeiros imediatos. “Pelo menos não serei completamente esquecido”, disse ele no ano passado. “Minha música sempre foi considerada difícil. As gravadoras percebiam o valor da minha música, mas ela nunca teve o apelo comercial que elas gostariam.” Tradução: Eloise De Vylder.
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