Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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29 de abr de 2010

Poesia de Cruz e Sousa, por Rubem Fonseca

(Por Rubem Fonseca, no Portal Literal). "Sou ficcionista, porém para a Seção Relançamentos escolhi um poeta; gosto mais de ler poesia do que ficção. Meus poetas favoritos são todos modernos, mas, por várias razões, optei por um poeta simbolista. O Simbolismo é um movimento poético hoje completamente ignorado. E o poeta Cruz e Sousa é um ilustre desconhecido para a maioria das pessoas alfabetizadas que conheço. O Simbolismo surgiu no início do século 20 como oposição ao Parnasianismo. O Parnasianismo, por sua vez, foi um movimento originado na França, no século 19, que se opunha ao Romantismo, e que teve como seus mais ilustres expoentes Théophile Gautier, Leconte de Lisle, Théodore de Banville e Sully Prudhomme. No Brasil, nessa época, a poesia romântica também já não possuía tantos seguidores. Castro Alves saíra de moda, e então surgiram os primeiros parnasianos, com destaque para Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira. Mas não demorou muito para que poetas parnasianos como Alberto de Oliveira , Raimundo Correia e Olavo Bilac dominassem o cenário poético. A partir de 1890, o Simbolismo, também originário da França, começou a superar o Parnasianismo. (Porém demorou para que o termo “parnasiano” fosse usado de maneira ofensivamente derrogatória.) Note-se que o Simbolismo, além da literatura, abrangeu outras artes, como o teatro, a pintura, a música. Na área da literatura, os nomes mais importantes foram Baudelaire, Claudel, Mallarmé, Verlaine e Rimbaud. Os simbolistas encenavam a realidade com signos que representavam um conceito ou sugestão, com metáforas e figuras de linguagem que consistiam em misturar duas imagens ou sensações de natureza distinta. E sua influência foi universal. No Brasil surgiram vários poetas simbolistas, como Alphonsus de Guimaraens, Emiliano Perneta, Virgílio Várzea, Nestor Vítor, Francisca Júlia, Pedro Kilkerry, mas o mais importante de todos foi Cruz e Sousa. João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, hoje Florianópolis. Filho de escravos, sofreu uma série de perseguições raciais. Em 1890 veio para o Rio de Janeiro, onde descobriu a poesia simbolista francesa. Ele escreveu também livros de prosa como Tropos e Fanfarras (em conjunto com Virgílio Várzea) e Missal, mas a sua obra mais importante é a poética, destacando-se Broquéis, publicado em 1893, Faróis em 1900 e Últimos sonetos em 1905. Seus dois últimos livros foram publicados depois da sua morte, em 19 de março de 1898. O poeta conseguiu um emprego humilde na Estrada de Ferro Central. Em 1893 casou-se com Gravita Rosa Gonçalves, que também era negra. O casal teve quatro filhos e todos faleceram prematuramente; o que teve vida mais longa morreu quando tinha apenas 17 anos. Gravita sofria das faculdades mentais e passava longos períodos internada em hospitais psiquiátricos. Cruz e Sousa contraiu tuberculose, doença infecciosa que ocorria freqüentemente entre as pessoas pobres, enfermidade que o matou, aos 36 anos, miserável, discriminado, desconhecido. Seria interessante se pudéssemos reduzir o silêncio que cerca o seu nome e a sua obra". (Texto garimpado e divulgado por Paula Fanon).
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