Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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6 de abr de 2010

Mais comentários críticos sobre o livro inédito

(Por: *Nena de Souza). "Para dentro de mim esse é um livro de cuidados. Cuida dos caminhos, dos encontros. Transcende. E devolve para quem o lê e/ou o lê para acalentar alguém, para ouvir e refletir, sentidos. É re-significar a vida e a História nas brechas entre o passado e o presente. Revela o necessário cuidado com o mundo. Cuidados ao lembrar. Cuidados na busca intuitiva e profunda, digo, primorosa, atenta e encantada - nem por isso infantilizada – por ser aquilo que pode ser que não conheçamos. Ainda assim, cuidado com o belo exposto, pois quem o descreve, a escritora, oferece palavras, sons, imagens e a decisão de falar para quem? Para ascender os mais novos, para ascender a todos nós. Os sons que ouço são os sons das belezas da terra ao trazer, intencionalmente, as perdas, canções, homenagens, ações e determinações que visam dissipar um retorno do passado ao presente, e ao mesmo tempo retê-lo na memória e nos discursos. Reúne e cuida, Xamã, curumim, erês. Bichos e plantas empoderados. Cuida com movimentos de quem sofre na modernidade relações que a sociedade de classes retoma ao banalizar o mal, dando a algumas pessoas o uso da vida das outras para enriquecimento próprio. Cumpliciza. Porque coloca em foco o que acontece naquele instante e muitas vezes não refletimos esse instante devido às ofertas da sociedade pós-moderna da indústria do entretenimento e do consumo. E ai chega você, a artista, insere, encanta e propicia: essa imaginação, essas imagens, o compromisso das palavras às crianças, adolescentes e adultos. Problematiza. E sem exigir... insere buscas profundas de conhecimento. Quem lê, devora. Desfaz a mínima possibilidade de continuísmos. A brecha está, digamos, em primar na leitura por tons que façam interagir olhares e sentidos que entrelaçam o livro a esses versos de Manoel de Barros: "Ainda não entendi porque herdei esse olhar para baixo. Sempre imagino que venha ancestralidades machucadas. F.ui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão. Antes que das coisas celestiais. Pessoas pertencidas de abandono me comovem: tanto quanto as soberbas coisas ínfimas". E se não fosse este livro inédito, Cidinha, Tridente, Você me deixe, viu?, as pessoas pertenceriam ao abandono... como diz Hannah Arendt “se não fosse isso, nós não teríamos arte, mas apenas Kitsch”. Essas pérolas, vindas de você, são presentes que determinam o enfrentamento quando o novo é o velho, e o velho é o novo. Onde os contra-valores presentes nas entrelinhas da cotidianidade precisam gerar conhecimento. A sua oralidade mostra que a banalização do mal pode ser superada sob diversas manifestações. E que, nesse lugar dado, há olhares cuidadosos mostrando nas entrelinhas formas de amar que sejam cuidadas desde os primeiros dias de vida, para que na continuidade da vida saúdem a vida nas suas diversidades. Senti ao longo do livro, as imagens de um mundo em transmutação, desde os fatos mais duros à vida como o tráfico e o trabalho escravo, às manifestações de afetos, determinação de compromissos que promovem o pensamento à descobertas que modificam a vida. Aí, minha irmã, você se encontra num intrincado labirinto... Sei que isso não reduz sua chama. Essa leitura da vida chegará aos nossos erês? Mesmo na dúvida coloque-a à disposição. É possível que as suas palavras ocupem um lugar que transborde suas leitoras e seus leitores e esses passem a ver que há um desafio entre o passado e o presente para ser buscado. E re-signifiquei o livro no afã das minhas emoções, pelo que lia e via. Vi o livro num filme infanto-juvenil. Vi o Davi produzindo telas enormes naquele galpão onde trabalho. Vi Áurea e Zulmira bordando cada capítulo e Antônio, transformando tudo em histórias em quadrinhos, como uma forma de superação de seu próprio abandono. Vi que agir implica uma práxis cúmplice na profundidade das palavras. Por fim, Sylvie Courtine-Denamy encontrou outra pérola “para manifestar o cuidado com o mundo, ocupando-se dele e assim salvando-o da ruína, as mulheres e os homens disporiam, então, de duas faculdades bem distintas: a ação política e o trabalho com as palavras, tanto pela forma do testemunho quanto pela forma do poema”. Estou em êxtase! Eu vou pra Palmares! Desde a infância, a amiga, Nena". *Nena é educadora e ativista política.
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