Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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28 de jan de 2014

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é!


Por Cidinha da Silva

O ator da novela atirou na bissexualidade com a intenção de atingir a heteronormatividade e o tiro saiu pela culatra. É que ele pretendia afirmar a homossexualidade inequívoca de seu personagem, um homem gay que, manipulado por uma das várias mulheres más da trama destrói uma relação homoafetiva feliz, bem estruturada e amorosa, trocando-a por uma família padrão de papai, mamãe e filhinho. Impensadamente, o ator disparou “a bissexualidade não existe”.

Sim, não existe para seu personagem que é gay-gay, mas se deixa seduzir pelo jogo de aparências heteronormativo. Mas, o apressado decretou a inexistência da bissexualidade de maneira genérica e o mundo LGBT caiu sobre ele. Como tudo o que está ruim ainda pode piorar, o moço cometeu a deselegância de questionar a orientação sexual de uma cantora, acusando-a de ser lésbica e não bissexual como alardeia. Deixe a moça, rapaz! Assim fica parecendo que você a paquerou, ela não quis nada contigo e você, como o policial civil rejeitado pelo objeto do desejo ao fim da balada, meteu bala.

Uma pena! O próprio emissor despotencializou a segunda parte do discurso que era muito interessante, um crítica contumaz à estruturação e aos destinos do núcleo gay da novela dados pelo autor e possivelmente reforçados pelo diretor. O ator queria ver mais seriedade no trato dos conflitos do núcleo gay, menos pilhéria e falta de compromisso com a construção de relações familiares saudáveis entre os próprios personagens gays e também com seus familiares diretos, pais, mães, irmãos.

Entretanto, ainda que, de maneira enviesada, o depoimento bombástico do ator toca em questões submersas que a cada dia exigem a luz do dia. Por exemplo, certo aspecto bipolar de muitas mulheres bissexuais que gostam de mulheres entre quatro paredes e de homens no mundo público. Homens que são apresentados à família, aos amigos de infância, que circulam com elas, devidamente fotografados e postados na Internet. Ou ainda, o crescente número de mulheres que se relacionam homoafetivamente com outras, não pelo desejo, propriamente, mas por cansaço e frustração com os homens, suas canalhices e despreparo para viver relações respeitosas com as companheiras.

Há muita coisa nebulosa entre o paraíso do “todo mundo, no fundo é bissexual” e o inferno da “não existência da bissexualidade.” A ver! 
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