Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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13 de fev de 2008

*Inimigo íntimo - por Sérgio Vaz

(Do blogue do Vaz) www.colecionadordepedras.blogspot.com "HOMENAGEM AOS MALANDROS. Povo lindo, povo inteligente, fiz um conto em homenagem aos malandros dessa nova literatura e música de quem eu sou muito grato em ser contemporâneo. Tentei usar nomes de livros, autores, músicas e personagens que contemplam esse momento único em que vive a periferia, culturalmente falando. Nada demais, apenas uma brincadeira. A História também tem bem a ver com o que os manos e as minas andam escrevendo, só que não com a mesma força e lirismo que eles escrevem. Vai também como uma boa dica cultural. Tamo junto"! *(baseado em fatos que não aconteceram, mas que poderiam ter acontecido facilmente. De verdade ninguém morreu, ninguém matou, por isso não vale como estatística para Segurança Pública) "A Guerreira em questão morava no topo da favela, lá, onde subindo a ladeira mora a noite, e chegava do trabalho lá pelas dez. Um ônibus lotado, mais o que doía mesmo era o trem. Chegou em casa e o suposto marido, graduado em marginalidade já estava louco de cachimbo, na cidade de Deus onde todos foram esquecidos, o nóia era conhecido como colecionador de pedras. Um dia já foi trabalhador, mas... Pensamentos vadios é foda. Elizandra já não suportava mais essa vida, mas não se sabia porque vivia pelo vão da felicidade, enquanto o desgraçado do Ademiro vivia na fortaleza da desilusão. E assim, viviam a vida que ninguém vê. No sábado, hoje é quinta, ela vai matar o desgraçado, só que ela ainda não sabe, nem ele, por isso seguia sobrevivendo no inferno no seu castelo de madeira noite adentro planejando o assassinato. Pronto, já é sábado -resolvi cortar a sexta-feira e partir direto para os acontecimentos. Quando Elizandra chegou, moída do trabalho, encontrou novamente o traste bem louco na cadeira no canto da cozinha. A casa estava imunda, um quarto de despejo. Foi a gota D´agua. Ela o matou com o tiro bem no meio da cabeça. Foi assim: Há alguns dias ela tinha conseguido um revólver emprestado de um admirador, que não via a hora do nóia se mudar do Capão pecado para ele logo se entocar na goma do malandro. A Guerreira já chegou decidida, o zóio estava pegando fogo, vixe, ela era o próprio manual prático do ódio. Chegou no barraco às cegas, mas qualquer um podia sentir o rastilho da pólvora que ela trazia no olhar. Estava ali, de passagem, mas não a passeio, e pensando que cada tridente em seu lugar, ou seja, ela feliz, ele a caminho do inferno. Já podia vê-lo no cemitério no buraco do terrão, tipo desenho de chão. Ela o chamou pelo nome: -Ademiro, vou te dar uma letra. Ele olhou para ela e para o cano do cano do brinquedo assassino que ela trazia nas mãos. -Eita porra, que porra é essa? -Acabou! Disse mais um monte de coisa e gastou toda sua gramática da ira contra o aspirante a defunto. Dizem alguns vizinhos que ela deu várias letras, mais ou menos, 85 letras e um disparo.O barraco virou um angu de sangue, deu até no notícias jugulares: “Morre nóia que batia na mulher”. A vizinha que lia a manchete olhou para o dono da banca e disse: -A morte desse verme foi um presente para o gueto". Periferia é periferia em qualquer lugar! Sérgio Vaz. dados bibliográficos: Guerreira, O Trem: Alessandro Buzo. Subindo a ladeira mora a noite, Pensamentos vadios, Colecionador de pedras: Sérgio Vaz.Graduado em marginalidade, 85 letras e um disparo, Ademiro: Ademiro Alves, Sacolinha. Cidade de Deus: Paulo Lins. Às cegas: Luiz Alberto Mendes. Vão: Allan da Rosa. Fortaleza da desilusão, Capão pecado, Manual prático do ódio: Ferréz. A vida que ninguém vê: Eliane Brum. Sobrevivendo no inferno: Racionais Mc´s. Castelo de madeira, Brinquedo Assassino: Grupo A Família. Noite adentro : Robson Canto. Elizandra Mjiba Quarto de despejo: Carolina de jesus. De passagem, mas não a passeio: Dinha. Rastilho da pólvora: Antologia do sarau da Cooperifa. Cada tridente em seu lugar: Cidinha da Silva. Desenho de chão: Silvio Diogo. Gramatica da ira: Nelson Maka. Angu de sangue: Marcelino Freire. Notícias jugulares: Duguetto Shabbaz. Um presente para o gueto: Fuzzil. Periferia é periferia em qualquer lugar: GOG.
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