Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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15 de jan de 2009

Tenso equilíbrio na dança da sociedade

Lia o "Tenso equilíbrio na dança da sociedade" (Oragnização de Carmute Campelo, Sesc, 2005)na casa de um amigo que o utilizava para a dissertação de mestrado, precisei fazê-lo rapidamente. Escolhi quatro artigos: "Palavrarmas", do Ferréz; "Toma lá, dá cá", do Paulo Lins; "Caminhos das cidades", do Ivaldo Bertazzo e "A África encontra a América em São Paulo", do Anani Dzidzienyo, dentre os especialistas em antropologia, urbanismo e políticas públicas que escreveram. Os textos do livro constituem múltiplas abordagens do trabalho de dança desenvolvido por Ivaldo Bertazzo com garotas e garotos talentosos, moradores das periferias de São Paulo, no projeto "Dança Comunidade". Há também belíssimas fotos das várias etapas do projeto. Valmir Santos, na Folha de São Paulo, às vésperas da estréia do espetáculo em 2006, asseverou que: "Passo a passo, o coreógrafo Ivaldo Bertazzo constrói uma identidade possível para um teatro musical brasileiro mais original na incorporação da dança e da música. Desde o início da década, ele monta espetáculos corais que incluem estudantes das periferias de São Paulo e Rio de Janeiro. A partir de "Samwaad - Rua do Encontro" (2004), o projeto ganhou status de grupo, o Dança Comunidade, berço para profissionalização de jovens entre 14 e 29 anos. Eles podem enveredar pelo fazer artístico ou pelo trabalho social, por exemplo, o futuro dirá. Por enquanto, dançam para a pré-estréia nacional de "Milágrimas", na próxima quinta-feira, no teatro do Sesc Pinheiros em São Paulo. No palco, 41 dançarinos-cidadãos vinculados a sete ONGs (organizações não-governamentais) dos extremos da cidade. Fazem a travessia de uma ponte que os levam à cultura popular da África do Sul, por meio do canto e da dança. No mesmo caminho, com atalhos outros, o grupo chegou à Índia em "Samwaad". Não dá para pisar o continente africano sem falar de exclusão, com a qual o Brasil também se alinha. "Ouso dizer que a idéia desse trabalho é fazer a contaminação cultural do lado de lá, na periferia", diz Bertazzo, 56. Ao lidar com suas carências, afirma, os estudantes se revelam "soberbos em sua existência fresca, capazes de transformar qualquer coisa em algo imediatamente criativo". Bertazzo vê no jogo de cintura e deslocamento natural desses adolescentes pela cidade (trem, metrô, ônibus, a pé) potencial para ir mais longe. Daí o grau de exigência e aperfeiçoamento a cada novo espetáculo. Nos primeiros ensaios de "Samwaad", diz o coreógrafo, seus corpos comunicavam insegurança quanto à capacidade de se expressar diante do público. As amarras e as travas musculares foram diluídas aos poucos. "Isso era natural para quem tinha dúvida até em sair de casa para passear com os amigos na avenida Paulista, por causa do apartheid social monstruoso em que vivemos", diz Bertazzo. Agora, a identificação é mais direta em se tratando da cultura africana. "Milágrimas" quer transcender estereótipos de uma inclusão da periferia fixada na batida perfeita da lata. Quer ampliar o trânsito para além da base percussiva". Confesso que esperava mais dos textos escolhidos, o do Ferréz, achei burocrático; do Paulo Lins aguardava o brilho habitual do pensamento sensível e fiquei querendo mais; do Bertazzo tinha a expectativa de uma análise mais profunda da situação socio-econômica brasileira refletida na precariedade de acesso da maior parte da população aos bens culturais produzidos e à possibilidade de produzi-los, com qualidade e tecnologias adequadas. Só o artigo do Anani me tirou da letargia. Anani Dzidzienyo, um pensador e acadêmico africano (ganense) radicado nos EUA, é o primeiro afro-brasilianista de que temos notícias. Publica estudos sobre as questões raciais no Brasil desde 1970 (International Minority Rights Group, Inglaterra)e já orientou dezenas de estudantes universitários, em todos os níveis, sobre a temática. o artigo é objetivo, quase seco na análise das relações culturais entre o Brasil (negro e branco)e o continente africano, muito bom. Não posso comentar os demais artigos, por não tê-los lido, mas asseguro que, belo, o livro é. Tomara que os outros textos tenham dado conta das pretensões do título da obra.
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