Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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11 de mai de 2009

Disco arranhado

No pôste anterior, “Sinal dos tempos”, faltou dizer porque seria incompatível ser atleticana e em dado momento torcer pelo Flamengo. Escapou aí uma atitude típica de torcedora de futebol, qual seja, a gente acha que todo mundo domina a história do nosso time do coração. E mais, caso o leitor não tenha conhecimento pelo menos dos fatos marcantes da história do clube amado, o problema é dele. Mas, como torcedora light há muito convertida, e agora escritora, explico: a última (e talvez única) vez que o centenário Clube Atlético Mineiro ganhou um campeonato nacional foi em 1971, sob a batuta de Telê Santana. De lá para cá, não ganhamos mais nada. Ou seja, o torcedor ou torcedora de menos de 38 anos não viu o Atlético ganhar qualquer certame significativo, sequer ouviu o foguetório de 1971. No fim da década de 70, o Atlético tinha um timaço, disputava títulos nacionais, ameaça chegar: em 77 perdemos para o São Paulo, naquele jogo detonador da violência em campo, quando o Chicão, um perna- de-pau, quebrou a perna do Ângelo, defensor do Atlético. Em 78 perdemos para o Flamengo, em 79 para alguém que não me lembro quem, deve ter sido para o Flamengo ou para o Inter, o importante é que perdemos. Em 1980, de novo, fomos vencidos pelo Flamengo, naquele que, segundo o youtub, ficou conhecido como “o maior roubo da história do futebol brasileiro”. O Juiz da partida foi imortalizado, desde então, como “José Roberto Rato”. É isso, lembranças tristes. Deve passar por aí minha identificação e solidariedade com o Cuca, sabemos como dói ser vice por vezes seguidas. O Flamengo tripudiou sobre o Atlético e os flamenguistas sobre os atleticanos. Imperdoável! Lembro-me que durante a minha infância toda, o único problema de caráter da minha tia mais querida, era ser atleticana e torcer para o Flamengo, quando se tratava de times cariocas. Até meu pai, o atleticano-mor da minha vida, um dia chegou em casa com uma camisa do Flamengo, ainda que fosse o uniforme B, branco e vermelho, não aquele vermelho e preto acintoso, era Flamengo e quase me matou de desgosto. Quando vi meu pai vestindo aquilo foram noites insones pensando em como abordá-lo, sem desperta-lhe a ira, para cobrar uma satisfação. Tomada de coragem, chamei-o num canto em dia de bom humor e inquiri: “pai, que negócio é esse do senhor usar uma camisa do Flamengo?” Peguei na curva, o traidor. Ele tossiu, disfarçou e saiu com essa: “eu não comprei, ganhei, e cavalo dado a gente não olha os dentes.” Para meu desespero, encerrou a conversa continuou a vestir o presente.
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