Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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12 de mai de 2009

Mestre Didi: o Escultor do Sagrado é tema de exposição no Museu Afro Brasil

(Divulgação). "O Museu Afro Brasil inaugura no dia 13 de maio, às 19h, a exposição Mestre Didi: o escultor do sagrado. Com curadoria de Emanoel Araujo, também escultor e diretor do museu, a mostra, que vai até 10 de julho, reúne 50 peças – pertencentes ao acervo do artista e do Museu Afro Brasil. Haverá ainda uma instalação elaborada pelo artista sobre Onilé, a Dona da Terra, orixá que representa o mundo em que vivemos. Completando a mostra, dois vídeos exibirão festas e cerimônias onde os ancestrais Egunguns são cultuados, além de exposição de livros escritos pelo escultor. Mestre Didi é Deoscoredes Maximiliano dos Santos, escultor de obras reconhecidas no Brasil e no mundo. Já foram expostas em várias cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Nova Iorque, Frankfurt, Buenos Aires, Paris, Londres, Acra e Lagos, só para citar algumas. E agora, aos 92 anos, Mestre Didi se apresenta em uma grande mostra no Museu Afro Brasil, que mantém em seu acervo permanente algumas peças do artista. Além de artista, Mestre Didi é uma referência no mundo da religião Afro-Brasileira. Filho de Maria Bibiana do Espírito Santo, a Dona Senhora, e afilhado de Dona Aninha, reinadoras do Templo do Axé Opó Afonjá, na Bahia. Aos oito anos, foi iniciado no culto aos ancestrais Egunguns, no Ilê Olukotun, Tuntun, na Ilha de Itaparica. Em 1975, tornou-se Alapini, o Sacerdote Supremo do culto aos Egunguns – o mais alto grau na hierarquia sacerdotal. “Didi é um sacerdote-artista”, diz a antropóloga Juana Elbein dos Santos, uma das maiores conhecedoras da obra do Mestre. “Ele expressa, através de criações estéticas, arraigada intimidade com seu universo existencial onde ancestralidade e visão-demundo africano se fundem com sua experiência de vida baiana”, complementa. “A magia de suas esculturas está na forma como o Mestre Didi transpõe a energia de interpretação mitológica e inventividade de formas, ritmos e composições, se articulando num espaço negativo e positivo, num desafio de equilíbrio totêmico que se abre no espaço, como árvores plantadas numa base de seção côncava e circular”, explica o curador Emanoel Araujo. Grafismos compostos de múltiplas linhas encastoadas por pequenos anéis de couro, cores vibrantes que amarram as nervuras naturais de palmeiras, são como ritmos alternados que andam no corpo da escultura. O Mestre Didi também se vale de anéis de miçangas ou contas de louça e de búzios para reforçar a trama dessa obra. Alguns desses mastros verticais, denominados os Sasaras, os Ibiris, os Ofas, os Opas, são na iconografia do Mestre Didi exemplos da sua criatividade, como um jogo lúdico a construir uma obra com fortes vínculos com a arte sacra-baiana. O resultado é a criação de uma nova estética que une o presente ao passado, o antigo ao contemporâneo, a abstração à figuração. São formas compostas ora como totens, ora como entrelaçadas curvas – simbolizando a serpente Dan – ora os grandes pássaros da noite, o Grande Pássaro Mãe – Eleye N’La, como o pelicano que tira do seu próprio corpo o alimento para seus filhos. Tem ainda os Ibiris e Xaxarás, os bastões de Omolú e de Iansã, ou os leques de Oxum, o Opaxorô de Oxalá e a grande árvore coroada com a pomba de Ossãim". Exposição: “Mestre Didi: o escultor do sagrado.” Local: Museu Afro Brasil, Parque Ibirapuera. Período: 13/05 a 10/07. De terça a domingo, das 10h às 18h, entrada até as 17h. Entrada: gratuita Estacionamento de veículos pelo portão 03 do Parque Ibirapuera (Estacionamento com Zona Azul). Tel.: (11) 5579 0593. www.museuafrobrasil.com.br
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