Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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12 de jun de 2009

Cinco Vezes Favela, Agora Por Nós Mesmos.

(Por: Renata Sequeira). "Quarenta anos depois do filme Cinco Vezes Favelas ter entrado em cartaz, a favela foi cenário de vários filmes e temas de diversos documentários. Cada diretor traz a sua visão do que é a favela, mas faltava o olhar de quem a conhece de perto. Com essa idéia na cabeça, 229 moradores de diferentes comunidades participaram das oficinas de cinema e alguns irão se integrar a equipe do filme “Cinco Vezes Favela, Agora Por Nós Mesmos”. As oficinas que aconteceram durante os meses de abril e maio contaram com a presença de grandes nomes do cinema nacional como Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra e Fernando Meirelles que apresentaram o universo de uma produção cinematográfica. A turma foi dividida em diferentes áreas como: direção, produção, figurino e fotografia e os escolhidos já começam a trabalhar no início do junho. “É uma grande oportunidade para todos. A oficina nos permitiu conhecer de perto como funciona a estrutura de um filme e para nós é uma forma de democratizar o audiovisual, já que o cinema é feito exclusivamente pelas classes média e alta”, conta Wagner Novais, um dos sete diretores do filme, durante o encerramento do curso, que aconteceu nesta segunda-feira, 25, no Cine Odeon, na Cinelândia. Para Cacá Diegues, que coordenou as oficinas e produzirá o novo filme, a escolha da equipe, que vai participar das filmagens, será muito difícil: “Eu estou surpreso com o enorme empenho de todos. Esses jovens estão antenados com o seu tempo e têm uma curiosidade cinematográfica muito aguçada. A qualidade dos roteiros desenvolvidos por eles já mostram isso". O roteiro dos cinco episódios foi feito de forma coletiva, depois que a turma escolheu, por votação, o argumento que deveria ser roteirizado e filmado. Os diretores foram escolhidos em instituições (Observatório Favelas, CUFA, AfroReggae, Nós do Morro e Cinemaneiro) que já oferecem atividades relacionadas ao audiovisual. Cadu Barcellos, morador da Maré e integrante do Observatório de Favelas, escreveu e vai dirigir o episódio “Deixa Voar”. Ele quer mostrar as barreiras imaginárias colocadas em favelas com mais de uma facção criminosa. “Eu vou contar a história de um menino que estava soltando pipa e que acabou voando para uma comunidade de uma facção rival e ele resolve ir até lá. A idéia é mostrar essa barreira imaginária e passar uma mensagem de que ninguém é proibido de ir e vir”, conta o jovem. Já Manaira Carneiro e Wagner Novais, diretores do episódio “Fonte de renda”, querem contar a história de um jovem negro que vai para a faculdade. “Queremos abordar o cotidiano de um jovem morador de favela que consegue entrar na faculdade e todas as questões que enfrenta no seu dia-a-dia. Nosso intuito é falar de um personagem de cabeça erguida e cheio de autoestima”, explica Wagner. A expectativa em torno dos filmes é grande, como ressalta Cacá Diegues: “Não tenho nada contra filmes de cineastas de classe média sobre as favelas cariocas, eu mesmo já fiz alguns. Mas os filmes feitos pelos próprios moradores serão necessariamente diferentes; o ponto de vista deles é de quem vive e testemunha esse cotidiano. É desse novo olhar que espero que surja uma contribuição importante para este momento do cinema brasileiro”, conclui Cacá que, em 1961 dirigiu o episódio “Escola de samba, alegria de viver”. Manaira e Wagner são exemplos de como esses jovens respiram cinema. A primeira oficina que fizeram foi no ano de 2002 no projeto Cinemaneiro, que oferece audiovisual às comunidades do entorno da Linha Amarela. “Eu até agora não trabalhei com outra coisa, que não o cinema. Alguns resolveram entrar para a faculdade de cinema, outros não, mas em comum, todos correm atrás”, conta a menina que conciliou as oficinas, que acontecia todos os dias, com as aulas de Estudos da Mídia, na UFF. “A gente se mistura e cada um ajuda o outro. É assim que acontecem as coisas aqui. Essa fase agora é mais tensa, porque estamos escolhendo os atores que farão o filme. Eles não precisam necessariamente morar em favela, o critério para a escolha vai ser a qualidade para que o filme fique bom”, afirma Wagner. Além da parceria, eles têm o sonho de viver do cinema. “Eu acredito que agora as pessoas estão mais abertas para esse tipo de filme, que é importante para a construção da nossa identidade”, opina Wagner. “Na década de 60, o Cinema Novo imprimiu uma nova forma dos cineastas brasileiros fazerem cinema e retratarem a realidade do país. O Cinco Vezes Favela teve uma razão de ser naquela época. Era preciso mostrar como as pessoas viviam. A favela era um enorme problema social pouco registrado em imagens naquela época. Hoje, ela está mais integrada a cidade. Não precisamos mais mostrar o que é a favela, o nosso desafio é retratá-la através de um outro ponto de vista. É a hora da gente se representar”, fala Manaira."
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