Em " Os nove pentes d'África", estréia de Cidinha da Silva na cena literária juvenil, tradição e contemporaneidade tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e rituais cotidianos da narrativa.
A orelha do Pentes!
"Cidinha da Silva é uma amiga minha que escreve como quem trança ou destrança cabelos e nos presenteia com pentes presentes cheios de passado que nos ajudam a destrinçar o futuro. Seus pentes são pontes de compreensão entre o que somos nós negros brasileiros agora, nossos avós recentes e os tais ancestrais africanos. E pontes entre nós e nossos filhos e sobrinhos, os que vêm depois de nós. Compreensão aqui que eu digo é aquele entendimento afetuoso, apaixonado até e cheio de compaixão no sentido de gratidão pelo que se é. Pelo que nós somos: família, solidariedade e contradição na difícil tarefa de encontrarmos, cada um, nosso papel de levar adiante a história coletiva e ao mesmo tempo afirmar o traço intransferivelmente pessoal do indivíduo. Estar com a mãe e nascer, ser da famíla e ir embora, constituir a sua própria (que ainda é a mesma). É aí que mora o penteado: saber qual é o pente que te penteia. Para os mais jovens, a quem se destina a princípio este livro, mas também para os nem tão jovens assim são generosas as pistas sopradas ao nosso ouvido por essa contadora de história. Escutadora atenta, agora vem a griot nos atentar doce e profundamente. Vem aqui nos alentar deschavando nós e nos ajudando a achar laços nesse desconchavado mundo. Vem reforçar nossas ligações básicas, comunitárias, domésticas. É tão certeiro e tão bem-vindo esse livro que lê-lo me encheu de orgulho e admiração. Pelo tema e pela forma. Sei que os próximos leitores de "Pentes" sentir-se-ão gratos a Cidinha da Silva, como eu". (Chico César, compositor).
VOCÊ ME DEIXE, VIU? EU VOU BATER MEU TAMBOR!
" Você me deixe, viu? eu vou bater meu tambor!” (Mazza Edições, Belo Horizonte, 2008) é uma publicação zelosa em que se pode a cada página perceber o esmero: prefaciado pela professora doutora Maria Nazareth Soares Fonseca, professora de Literatura da PUC Minas, apresentado, na orelha, pelo cineasta Jeferson De, e ilustrado sob a pena da artista Lia Maria, o livro é timbrado pela leveza, ironia requintada e sonoridade, fazendo-nos nos lembrar, vez por outra, a sonoridade de alguns poetas africanos. Estruturado em um conjunto de 26 textos, entre crônicas e mini-contos, Você me deixe, viu? eu vou bater meu tambor! é o segundo livro de literatura da escritora que brinda os(as) leitores com recursos literários sutis, mas nem por isso menos sofisticados. O eixo ordenador do livro gira em torno das afetividades, da sexualidade, do amor, do corpo, e é construído a partir das relações perturbadoras entre mulheres e homens, subvertidas criativamente pelos infindáveis modos de vida que se tecem no universo cotidiano de cada um(a). Relações aplacadas, inacabadas, conflituosas, são esquadrinhadas por Cidinha, que mais uma vez nos oferece a possibilidade de nos (re)visitar a partir da arquitetura que constrói as moradias efêmeras do outro, espelhadas em cada leitor(a). (por Rosane Borges)
CADA TRIDENTE EM SEU LUGAR - 2a edição revisada
Cada Tridente em Seu Lugar chegou à segunda edição em apenas 10 meses, porque muitos educadores, estudantes e escolas trabalharam os textos em sala de aula, das últimas séries do ensino fundamental à universidade. As histórias curtas do livro passam pelos temas da religiosidade de matriz africana e relações raciais e de gênero. A autora, Cidinha da Silva, tem trajetória consolidada em 16 anos de atividades de formação nas temáticas racial, de gênero e culturas juvenis. Essa vivência educacional está refletida em crônicas e contos leves, dinâmicos, divertidos, surpreendentes, às vezes, mas em diálogo permanente com a formação de sujeitos transformadores. A obra conta ainda com encarte suplementar de atividades propostas para sala de aula, que fomentam o diálogo da literatura com o cinema, TV, música, bem como outros elementos das culturas de massa e juvenis.
CADA TRIDENTE EM SEU LUGAR E OUTRAS CRÔNICAS - 1a edição
Cada tridente em seu lugar & outras crônicas, estréia literária de Cidinha da Silva, arguta investigadora das questões sócio-culturais de nosso tempo, esconde em suas franjas núcleos grávidos de especulações estéticas e ideológicas. Bem aproveitados, esses núcleos resultam em perturbadoras narrativas, abertas à discussão sobre o multiculturalismo da sociedade brasileira e às experimentações que tornam pertinente a criação literária. Cidinha da Silva, conhecedora das circunstâncias e agentes que nos fundaram, tece uma linguagem que não hesita em alimentar-se de suas próprias contradições e daquelas geradas pela nossa sociedade. Ao assumir essa linguagem, a autora nos ensina a estar com outros brasileiros – móveis, fluentes, dignos, humanos –, até então exilados das grandes idéias que moldam este país. Vislumbro uma instigante ficcionista pedindo passagem em sua escrita: seria possível deixá-la falar com plena liberdade? Ela não precisa lutar com a historiadora mas, certamente, precisa de mais espaço.
Edimilson de Almeida Pereira - escritor
AÇÕES AFIRMATIVAS EM EDUCAÇÃO: EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS (3A EDIÇÃO)
O livro busca aprofundar o debate sobre as ações afirmativas e apresentar programas que visam garantir o acesso, a permanência e o êxito de negros nas universidades, possibilitando a realização do sonho de jovens que vivem processos estruturais de exclusão. A obra reúne uma coletânea de artigos assinados por oito autores/as que, sob diferentes ângulos, fazem um ensaio crítico sobre o tema das ações afirmativas tendo como fio comum o compromisso teórico e político de encontrar caminhos para a erradicação das desigualdades raciais. Os/as autores/as discutem as metodologias de seleção de pessoas negras nesses projetos; falam da África e da Afro-Ascendência na perspectiva da cultura construída pela matriz banto, que deu uma das mais significativas contribuições culturais para o Brasil. Ações Afirmativas em Educação – Experiências Brasileiras relata experiências concretas, construídas com base no diagnóstico da situação de estudantes negros/as na educação e no conhecimento dos estigmas que marcam a relação estudante negro/escola/professor. Também são abordados o tratamento desigual e a indigência cultural e educacional a que estão expostos os segmentos empobrecidos da população. Desse diagnóstico resulta a formulação de procedimentos que podem ser apropriados por educadores e gestores públicos interessados no avanço da implantação das ações afirmativas para afro-descendentes no Brasil Finalmente, são considerados os principais aspectos da discussão sobre as cotas para negros, especialmente o falso dilema sobre quem é negro no Brasil. Segundo os autores e autoras, quando se trata de garantir direitos, a pessoa negra se desvanece na decantada miscigenação racial brasileira.
Quero dizer que por serem leves e acessíveis talvez elas [as crônicas] comuniquem mais do que um estudo intencional a visão humana do homem na sua vida de todo o dia. (Antonio Candido) "Cidinha da Silva desponta na Literatura Afro-brasileira com a publicação de Cada tridente em seu lugar, já em segunda edição. Sua estética aproxima-se da proposta dos novos escritores afro-brasileiros – Edimilson de Almeida, Salgado Maranhão, Ronald Augusto, dentre outros – que prezam pela conexão com a causa negra, mas não abdicam do caráter artístico, ponto fundamental quando se trata da literatura. Embora seu trabalho com as letras a diferencie dos antecessores por eleger a prosa e não a poesia como proposta literária, a semelhança com a nova geração dos escritores comprometidos com a negritude torna-se inevitável. Essa analogia é possível pelo fato de Cidinha da Silva possuir uma vinculação com a afro-brasilidade, bem como com outras questões sociais, mas, sobretudo porque seu posicionamento não abafa a literariedade que se verifica de forma bastante rica na tessitura de seus textos".
Artigos e ensaios sobre a obra de Cidinha da Silva
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