Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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4 de dez de 2009

Religiosidade, memória e ancestralidade estudados em obra de Cidinha da Silva

Hoje, caso a burocracia tenha se comportado bem, os estudantes Diego e Cristiane Carvalho defendem monografia sobre o Tridente, em curso de especialização sobre literatura brasileira na UFJF, sob orientação do Prof. Edimilson de Almeida Pereira. A dupla elegeu três temas para análise em meu primeiro livro: religiosidade, memória e ancestralidade. Confesso que a escolha da memória me pegou na curva. Talvez porque eu não me reconheça como uma pessoa de memória pródiga, mas sim, como uma observadora atenta ao meu tempo. De todo modo, é uma boa surpresa saber que uma leitura crítica do meu trabalho reconhece este elemento como algo significativo. Sinal de que estou além do que percebo de mim mesma. É uma alegria ter minha obra contemplada em monografias e, em breve, dissertações, uma reafirmação do meu caminho. Agradeço aos dois estudantes pela delicadeza da escolha. Abaixo, uma rápida entrevista que concedi aos dois com vistas a complementar dados biográficos. 1- Sua criação literária recebeu influência direta de algum escritor em especial? Para mim é muito difícil falar sobre influências literárias diretas. Sei falar sobre o que li, ouvi e vi e que me marcou de maneira definitiva. Por exemplo, desde que lembro de mim como leitora, são os quadrinhos minha primeira lembrança. Depois, na adolescência, o encontro com Machado de Assis e Lima Barreto foi revelador. Ver Reinaldo, centro-avante do Clube Atlético Mineiro jogar, era assistir o espetáculo da poesia feita com os pés. Descobri o Drummond cronista, antes de conhecê-lo poeta. Depois vieram outros cronistas: Paulo Mendes Campos, o predileto, Fernando Sabino e Rubem Braga, este, embora fosse capixaba, era mineiro em espírito. No início da juventude descobri Adélia Prado e sua poesia e o primeiro escritor negro que conheci, em carne e verso, uns dois anos mais tarde, foi Edimilson de Almeida Pereira. A vida inteira ouvi muita música brasileira, samba de um modo geral, Milton Nascimento e Gilberto Gil, em especial, e muita música instrumental de diversas origens, notadamente a brasileira. Estas são referências importantes que, provavelmente me influenciaram e influenciam, mas, repito, é difícil (para mim) detectar influências literárias diretas na minha escrita criativa. 2- O que despertou seu interesse para escrita da literatura? A leitura dos cronistas mineiros mencionados acima. Eu gostava (gosto) muito daquele jeito de escrever e sempre tive vontade de escrever textos com aquela leveza. 3- Sua decisão de se mudar para são Paulo foi devido a atividade mais intensa do movimento negro naquela região? Não. Eu me mudei para São Paulo porque queria sair de Belo Horizonte para um lugar maior e quando conheci a cidade, em 1988, fiquei encantada. Gosto muito das metrópoles. A vida cultural negra da cidade, a diversidade de espaços culturais, o acesso mais democrático a eles, a vida anônima dos grandes centros e a forma como existe lugar para tudo e para todos em São Paulo, isso me seduziu. Mas não acho que a cidade seja acolhedora (Belo Horizonte o é - com as pessoas de fora), não se trata disso. Lá é uma cidade onde todo mundo que tem força para se estabelecer, cabe, só isso. 4- O que te motivou em participar do movimento negro? Eu sempre me reconheci negra, desde muito pequena, não passei por essa história de me descobrir negra num dado momento da vida, como ocorre com muitos afro-brasileiros. Portanto, minha consciência racial, despertada na primeira infância, foi se fortalecendo e ampliando ao longo da vida. Trabalhar numa organização do Movimento Negro foi uma contingência, uma resposta a um convite. Eu queria me mudar para São Paulo e pedi ajuda à Sueli Carneiro para arrumar trabalho por lá. Um dia ela me telefonou e me convidou para trabalhar em Geledés. Eu aceitei, me mudei para lá e assim tudo começou. 5- De que forma a literatura esteve presente em sua infância? Como disse, por meio dos quadrinhos, lidos em casa. Na escola lia livros da biblioteca e pela TV, já que nunca fui de freqüentar estádios, via a poesia de Reinaldo. Ouvia muita poesia nas músicas do rádio, LPs e fitas k-7.
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